Coracão, Cabeça e Estômago
Continuando com a publicação das «Obras de Camilo Castelo Branco», apresenta-se agora aos camilianistas e ao público em geral este novo título, que "não sendo de maneira nenhuma uma obra perfeita, ousamos avançar a hipótese de constituir o exemplo paradigmático da novela humorística camiliana", refere a Professora Eunice Cabral, a quem se deve a desenvolvida nota introdutória. Coração, Cabeça e Estômago , como novela humorística, não representa apenas a caricatura de uma sensibilidade e de um modo de vida românticos; nem é apenas um exemplo flagrante e brilhantíssimo da estética da ambiguidade atribuída a Camilo Castelo Branco. Esta novela representa, ainda, a ambivalência da vida humana na sua busca desesperada de sentido e de propósito definitivos de modo a que a existência seja percebida como valendo a pena ser vivida. Excertos «A rapidez com que foi consumida a primeira edição deste romance, é um dos raros exemplos que, infelizmente para as letras de Portugal, podemos citar. Não se há-de atribuir ao esmero do trabalho, nem aos dotes de fantasia deste romance, a aceitação que o público lhe deu. Muitos outros livros do mesmo autor, reputados superiormente pela crítica, esperaram muito maior espaço de tempo o triunfo - verdadeiro triunfo entre nós - da republicação. Seria, pois, a diferença que vai deste aos outros em matéria de resguardo, moralização, honestidade e melindre? Decidam os leitores duns e doutros, que a nós é indiferente o parecer, logo que o supremo juiz de gosto decidiu, bem ou mal, a questão. [...]» (Camilo C. Branco, do préfácio à 2.ª edição)