Dois Equinócios

Dois Equinócios

1996

Feles

Por todo um Inverno,
O amor lhe dilacerou o ventre,
Com fundas garras de gelo.

E a Primavera zumbiu,
Sobre sua cabeça,
Numa vertigem de pólen.

Senta-se agora,
Junto à lareira do Outono,
E é um bule de porcelana.
Dois Equinócios · Mário Cláudio · 1996
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