Tiago Veiga
Tiago Veiga cresceu numa aldeia do Alto Minho em 1900, e nesse mesmo lugar viria a morrer em 1988. Bisneto pelo lado paterno de Camilo Castelo Branco, e só de muito poucos conhecido ainda, Veiga protagonizaria uma singularíssima aventura poética na história da literatura portuguesa. Apesar de se ter manifestado quase sempre refractário à publicação dos seus escritos, e mais ou menos arredio dos movimentos da chamada «vida literária», não falta quem comece a saudar em Tiago Veiga a incontestável originalidade de uma voz, e o poderio impressionante que lhe assiste. A sua biografia, redigida aqui por Mário Cláudio que o conheceu pessoalmente, não deixará de configurar de resto matéria de suplementar interesse pela relevância das figuras com que Veiga se cruzou, e entre as quais se destacam poetas como Jean Cocteau e Fernando Pessoa, Edith Sitwell e Marianne Moore, Ruy Cinatti e Luís Miguel Nava, políticos como Bernardino Machado e Manuel Teixeira Gomes, pensadores como Benedetto Croce, e até simples ornamentos do mundanismo internacional como a milionária Barbara Hutton. A isto acrescerá a crónica de um longo percurso de viajante civilizado, e testemunha de vários acontecimentos significativos do seu tempo, o que, tudo junto imprimiria à sua existência, neste livro minudentemente relatada por Mário Cláudio, uma vigorosa espessura romanesca. A obra de Tiago Veiga, da qual se publicariam postumamente três títulos apenas, e nem sequer os de maior importância, ficará a partir de agora mais aberta à curiosidade do grande público. Bisneto de Camilo Castelo Branco, e autor de uma obra poética fragmentária, mas originalíssima, Tiago Veiga (1900-1988) constitui caso singular na literatura portuguesa. Europeu por vocação, e interlocutor de Fernando Pessoa, Edith Sitwell, Jean Cocteau, W. B. Yeats, Benedetto Croce, José Régio, Marianne Moore, ou Luís Miguel Nava, o homem aqui biografado ficará certamente como invulgar testemunha do século em que viveu. Críticas de imprensa «[…] Encontramos o esteta Mário Cláudio num elevado patamar, investindo na intervenção sóbria e certeira. […] Esta “biografia”, intimamente fradiquiana, é uma autobiografia alternativa. Como um dia Eça fez, Mário Cláudio recriou-se num ser fascinante e impossível, esquivo cosmopolita e príncipe da solidão» Fernando Venâncio, revista LER 105 «E assim criou Mário Cláudio o “mito” Tiago Veiga, recriando uma nova teoria da heteronímia, que deverá ser obrigatoriamente tida em conta na história da literatura portuguesa do século XXI. […] Como nós vivemos no nosso bairro, assim Tiago Veiga – perfeito cosmopolita português – vive em Itália, Paris, Londres, Galiza, Porto, Lisboa, Marrocos, Guiné-Bissau, mais tarde Nova Iorque, tornando-se secretário pessoal de Bernardino Machado, amigo de Teixeira Gomes, companheiro de Pessoa, António Ferro, Mário Figueiredo, José Régio, António Salgado Júnior, que secretaria com o nome de “Guilherme Cunha”, conhece d’Annunzio e inúmeros pensadores e artistas europeus (não temos espaço para referir todos).» Miguel Real, JL « Tiago Veiga – Uma Biografia é um livro fascinante. Pelo muito que nos ensina sobre uma vida, mas também pelo exercício mental em que nos enreda e nos desassossega em torno do que são as verdades que originam a ficção e as ficções que geram verdades. Desafia as fronteiras entre biografia, romance, auto-ficção, ensaio histórico e jornalístico, numa montagem de estilos que, justapostos ou mesmo fundidos, se lêem de um sorvo. É tocante e escalda a forma como nos devolve um retrato de nós próprios enquanto portugueses. Tiago Veiga não é Mário Cláudio. Somos nós.» José Riço Direitinho, Público