Poemas

Lista de Poemas

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Manuel António Pina
Manuel António Pina

Farewell Happy Fields, I

Entre a minha vida e a minha morte mete-se subitamente
A Atlética Funerária, Armadores, Casa Fundada em 1888.
A esse sítio acorrem então, aflitíssimos, o teu vago sorr…

2 793
Vasco Graça Moura
Vasco Graça Moura

As meninas

as minhas filhas nadam. a mais nova 
leva nos braços bóias pequeninas, 
a outra dá um salto e põe à prova 
o corpo esguio, as longas pernas finas: 

entre risadas…

4 963
Fernando Pessoa
Fernando Pessoa

Para além da curva da estrada

Para além da curva da estrada
Talvez haja um poço, e talvez um castelo,
E talvez apenas a continuação da estrada.
Não sei nem pergunto.
Enquanto vou na estra…

3 606
Sophia de Mello Breyner Andresen
Sophia de Mello Breyner Andresen

Varandas

É na varanda que os poemas emergem
Quando se azula o rio e brilha
O verde-escuro do cipreste — quando
Sobre as águas se recorta a branca escultura
Quasi orie…

3 184
Torquato Neto
Torquato Neto

Cogito

eu sou como eu sou pronome pessoal intransferível do homem que iniciei na medida do impossível eu sou como eu sou agora sem grandes segredos dantes sem novos secre…

7 282
Florbela Espanca
Florbela Espanca

Outonal

Caem as folhas mortas sobre o lago;
Na penumbra outonal, não sei quem tece
As rendas do silêncio... Olha, anoitece!
– Brumas longínquas do País do Vago...

4 373
Florbela Espanca
Florbela Espanca

Pobrezinha

Nas nossas duas sinas tão contrárias
Um pelo outro somos ignorados:
Sou filha de regiões imaginárias,
Tu pisas mundos firmes já pisados.

Trago no olhar…

5 105
António Ferreira
António Ferreira

Os medos

A medo vivo, a medo escrevo e falo Hei medo do que falo só comigo; mas inda a medo cuido, a medo calo. Encontro a cada passo com um inimigo De todo bom espírito: este me …

3 290
Erich Fried
Erich Fried

O que é

É louco diz a razão É o que é diz o amor É desastroso diz o cálculo É só dor diz o medo É desesperado diz a inteligência É o que é diz o amor É ridículo diz o…

3 499
Noémia de Sousa
Noémia de Sousa

Magaíça 

A manhã azul e ouro dos folhetos de propaganda
engoliu o mamparra,
entontecido todo pela algazarra
incompreensível dos brancos da estação
e pelo resfolegar t…

2 909
Nuno Júdice
Nuno Júdice

Jogo

Eu, sabendo que te amo,
e como as coisas do amor são difíceis,
preparo em silêncio a mesa
do jogo, estendo as peças
sobre o tabuleiro, disponho os lu…

2 506
Florbela Espanca
Florbela Espanca

Dizeres Íntimos

É tão triste morrer na minha idade!
E vou ver os meus olhos, penitentes
Vestidinhos de roxo, como crentes
Do soturno convento da Saudade!

E logo vou ol…

3 194
Al Berto
Al Berto

A escrita é a minha primeira morada de silêncio

A escrita é a minha primeira morada de silêncio
a segunda irrompe do corpo movendo-se por trás das palavras
extensas praias vazias onde o mar nunca chegou
deserto onde …

6 775
Sousândrade
Sousândrade

Harpa XXXIV - Visões

(...) Eu despertava em meu delírio
Ante a realidade! a virgem morta,
Pálida e fria a reconheço, eu rujo!
E de homem ver-me, comecei chorar.
— Quis seu corpo …

3 194
Gonçalves de Magalhães
Gonçalves de Magalhães

Canto Primeiro

"(...) quero primeiro
Que em torno destas pedras assentados
Me contes se em combate, ou de que modo
O bravo Comorim perdeu a vida."

"Ai! exclama o Caci…

11 724
Jaime Cortesão
Jaime Cortesão

Romance do Homem da Boca Fechada

- Quem é esse homem sombrio
Duro rosto, claro olhar,
Que cerra os dentes e a boca
Como quem não quer falar?
- Esse é o Jaime Rebelo,
Pescador, homem do …

2 616
Vicente de Carvalho
Vicente de Carvalho

Velho Tema II [Eu cantarei de amor tão fortemente

Eu cantarei de amor tão fortemente
Com tal celeuma e com tamanhos brados
Que afinal teus ouvidos, dominados,
Hão de à força escutar quanto eu sustente.

3 717
Cruz e Sousa
Cruz e Sousa

Tortura Eterna

Impotência cruel, ó vã tortura!
Ó Força inútil, ansiedade humana!
Ó círculos, dantescos da loucura!
Ó luta, ó luta secular, insana!

Que tu não possas, …

4 853
Herberto Helder
Herberto Helder

(A Carta da Paixão)

Esta mão que escreve a ardente melancolia
da idade
é a mesma que se move entre as nascentes da cabeça,
que à imagem do mundo aberta de têmpora
a têmpora

10 085
Abgar Renault
Abgar Renault

Interrogativamente

Para que escovar os dentes?
Por que esperar mais, e o quê?
Por que pensar em parentes
e indagar por que é que o são?
Por que buscar conhecer
se é real o…

1 247
José Craveirinha
José Craveirinha

Terra de Canaã

Não, piloto Israelita.
Inútil procurares nos incêndios de Beirute
e nos inocentes corpos mutilados pelos estilhaços ardentes
as belas palavras do Cântico dos Cânt…

4 700
Simeão Cachamba
Simeão Cachamba

Xikalamidade

Se um dia me viste a vagar as ruas da cidade
(qual molweni atribulado na sua vagabundagem)
o corpo constelado de remendos, quase seminu
todavia por todos poros re…

555
Agostinho Neto
Agostinho Neto

Civilização Ocidental

Latas pregadas em paus
fixados na terra
fazem a casa

Os farrapos completam
a paisagem íntima

O sol atravessando as frestas
acord…

4 059
Abgar Renault
Abgar Renault

7

Este poema exigiu 7 folhas de papel.
Para escrevê-lo já fumei raivosamente 7 cigarros
e rasguei-o 7 vezes.
7 é um mau número: é o número 13 da minha vida.
Se…

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