Lista de Poemas
Explore os poemas da nossa coleção
Ódio
Foi assim
que tudo aconteceu
senti uma dor aguda
e o cão não ladrou
o xirico não cantou
a lua não estava
a lua não esta…
Emprego e Desemprego do Poeta
Deixai que em suas mãos cresça o poema
como o som do avião no céu sem nuvens
ou no surdo verão as manhãs de domingo
Não lhe digais que é mão-de-obra a mais<…
Nunca comi Maria Antonieta Pons
Nunca comi Maria Antonieta Pons Nunca comi Terezinha Morango Nunca comi Elizabeth Taylor Nunca comi Martha Rocha Nunca comi Kim Novak Mas comi todas as …
Poema Do Começo
Eu num camelo a atravessar o deserto
com um ombro franjado de túmulos numa mão muito aberta Eu num barco a remos a atravessar a janela
da pirâmide com um cop…
Metamorfose
quando o medo puxava lustro à cidade
eu era pequeno
vê lá que nem casaco tinha
nem sentimento do mundo grave
ou lido Carl…
AQUELE RANCHINHO (Ranchinho do Sertão)
Tu me perguntas a história
daquele triste ranchinho,
que abandonado encontramos,
coberto por negros ramos
de pessegueiro maninho;
aquele ranch…
(Similia Similibus)
Quem deita sal na carne crua deixa
a lua entrar pela oficina e encher o barro forte:
vasos redondos, os quadris
das fêmeas — e logo o meu dedo se põe a luzi…
Versos a uma cabrinha que eu tive
Com seu focinho húmido
Esta cabrinha colhe
Qualquer sinal de noite
De que a erva se molhe.
Daquela flor pendente
Pra que seu passo apela
Parece que a semen…
Já não tenho
Já não tenho
já não quero
mais ter perguntas.
Já não tenho
já não quero
ter mais respostas.
Teria que me sentar num banquinho
e esperar que te…
A um homem
Quando numa rocha porosa
Cansado te encostares
E dela vires surgir a umidade e depois a gota,
Pensa, amado meu, com carinho,
Que aí esta a mi…
VINGANÇA
Que sinto eu! Desejos de vingança!
De um crime horrível ela tornou-se ré;
e o ídolo que adorei reduzo as cinzas
e sobre as cinzas me coloco em pé.
Ma…
Explica-me tu se podes
Explica-me tu se podes
Num movimento de calma,
Porque razão
Se te beijo num desvairo de prazer
Às vezes sou todo corpo
E às vezes sou todo alma?
POESIA III
Com pés de aragem
andou toda a noite uma Mulher
a colar folhas na paisagem
e invenções de flores
no chão desnudo
Depois...
Retrato de Sophia
Senhora dona águia água égua
inglesa num jardim de potros gregos
mordiscando beleza rega cega
do regador de Inês em seus sossegos.
De muitos anos colhe…
O Fósforo na Palha
Aos meus olhos
a cidade organiza
a sua tristeza.
Uma cintura aperta
a asfixia.
Um furo mais.
Um riso eleva-se
e…
Teias da memória
Na baça melancolia do tecto
bilros de teia bordam solidão
enquanto meigos sussurros de sombra
no brilhante mutismo do espelho
recitam estrofes de poeira.
Poema ao Silêncio
Silencio, cobre meu pensamento e o meu coração
Cobre o meu corpo do desejo dos homens
E a minha sombra da luz do sol
Cobre a te a lembrança dos meus passos<…
A cabeça em ambulância
Há feridas cíclicas há violentos voos dentro de câmaras de ar curvas feridas que se pensam de noite e rebentam pela manhã ou que de noite se abrem e pela amanhã são pens…
A Uma Mulher Formosa
Nas límpidas canções que me inspiraste
ao som da flauta d'ebano cantadas,
narrava as minhas mágoas desoladas,
mas tu não me escutaste!
Depois…
Mocambicanto I
céleres as águas
zambezeiam pela memória
das almadias do silêncio
nem o zumbido da cigarra
me entontece
nem o troar do tambor<…
O Poeta em Lisboa
Quatro horas da tarde.
O poeta sai de casa com uma aranha nos cabelos.
Tem febre. Arde.
E a falta de cigarros faz-lhe os olhos mais belos.
Ao amor
Muito amo as criaturas, porém,
sobretudo eu amo o poeta,
por ser ele o senhor da sensibilidade,
da emoção e do sonho.
Enfim,
Pode-se escrever
Pode-se escrever sem ortografia Pode-se escrever sem sintaxe Pode-se escrever sem português Pode-se escrever numa língua sem saber essa língua Pode-se escrev…
A Coruja
A coruja agoira-me
e diz-me que nunca chegarei
além onde o desejo me leva
e assim evapora-se o sonho;
O tambor foi tocado
na noite den…