Poemas

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Pedro Amigo de Sevilha
Pedro Amigo de Sevilha

Amiga, Muit'amigos Som

Amiga, muit'amigos som
muitos no mundo por filhar
amigas, polas muit'amar;
ma[i]s já Deus nunca mi perdom
       se nunca eu vi tam amigo
       d'amiga…

696
Matilde Campilho
Matilde Campilho

Briga Entre Um Terreno Sagrado E Outro

Perdi muito tempo pensando
sobre se você iria para o céu
ou para o inferno
Achava que com tanta gente
ferida por seu punhal
havia uma possibilidade

1 072
Herberto Helder
Herberto Helder

3A

Há uma árvore de gotas em todos os paraísos.
Com o rosto molhado,
eu posso ficar com o rosto molhado,
com os olhos grandes.
Neste lugar absoluto pelo sopr…

1 222
Martim Codax
Martim Codax

Eno Sagrado Em Vigo

Eno sagrado em Vigo
bailava corpo velido.
       Amor hei!

Em Vigo, no sagrado
bailava corpo delgado.
       Amor hei!

Bailava corpo ve…

1 268
António Cabrita
António Cabrita

SOPRA AS TUAS VELAS

O corpo com a idade impõe ora folga, ora um alpendre certo (com vinha de enforcado) aos apartes, enquanto surripia o humor aos corvos.
Um dia esquece-nos, expele pelos olho…

737
Manuel Gusmão
Manuel Gusmão

a lagartixa

a lagartixa
o pequeno sáurio
miniatura sobrevivente
de uma adaga pré-histórica
deixa cortada
e de si separada
a cauda, a lâmina em movimento
q…

866
Fernando Sabino
Fernando Sabino

Certeza

De tudo, ficaram três coisas:
A certeza de que estamos sempre começando.
A certeza de que precisamos continuar.
A certeza de que seremos
interrompidos antes …

2 265
Afonso Mendes de Besteiros
Afonso Mendes de Besteiros

Dom Foão, Que Eu Sei Que Há Preço de Livão

Dom Foão, que eu sei que há preço de livão,
vedes que fez ena guerra - daquesto sõo certão:
sol que viu os genetes, come boi que fer tavão,
       sacudiu-se [e] …

1 911
Mário Cláudio
Mário Cláudio

Feles

Por todo um Inverno,
O amor lhe dilacerou o ventre,
Com fundas garras de gelo.

E a Primavera zumbiu,
Sobre sua cabeça,
Numa vertigem de pólen.

1 288
Ricardo Aleixo
Ricardo Aleixo

Homens

Leonilson
pintava
e
bordava.

Bispo do Rosário
colecionava
delírios
e bordava.

Lampião
tocava o terror
no sertão

1 026
Tomas Tranströmer
Tomas Tranströmer

Dó Maior

Quando desceu à rua depois do encontro
o ar rodopiava de neve.
O inverno chegara
enquanto estiveram juntos.
A noite brilhava branca.
Caminhou leve de al…

774
Francesca Angiolillo
Francesca Angiolillo

A última boa ação

A última boa ação do ano
foi para o escaravelho.
Gordo, preto e luzidio, mas nada
o descrevia melhor do que desajeitado
— assim costumam ser.
Tenazmente…

791
Marília Garcia
Marília Garcia

pelos grandes bulevares

[do lado de dentro]

o que ela vê quando fecha
os olhos? linhas sinuosas, um mapa
feito à mão, parece uma pista vista de cima —
os campos cortados ou po…

714
Manuel Laranjeira
Manuel Laranjeira

NA RUA

Ninguém por certo adivinha
como essa Desconhecida,
entre estes braços prendida,
jurava ser toda minha..

Minha sempre! – E em voz baixinha:
– "Tua …

802
Hélia Correia
Hélia Correia

Esmola

I
Lançai‑me
uma palavra, como alguns
atiram côdea aos cães.
Uma palavra
que, embrulhada nesse cuspo
que vos escorre pelos queixos,
brilha

1 336
Cida Pedrosa
Cida Pedrosa

Milena

gosto quando milena fala
dos homens
que comeu durante a noite

é a única voz soante
nesta cantina de repartição

onde todos contam:
do fi…

952
D. Dinis
D. Dinis

Que Prazer Havedes, Senhor,

Que prazer havedes, senhor,
de mi fazerdes mal por bem
que vos quig'e quer'? E por en
peç'eu tant'a Nostro Senhor:
       que vos mud'esse coraçom
    …

1 548
Bernardo Bonaval
Bernardo Bonaval

A Dona Que Eu Am'e Tenho Por Senhor

A dona que eu am'e tenho por senhor
amostrade-mi-a, Deus, se vos en prazer for,
       senom dade-mi a morte.

A que tenh'eu por lume destes olhos meus
…

3 087
Simone Brantes
Simone Brantes

O pau do doidinho

I
O doidinho me encontrou
uma vez sobre a ponte
O doidinho era só um pouco mais
velho que eu
irmão mais novo
de um menino com quem
eu jogava …

680
Daniel Jonas
Daniel Jonas

O meu poema teve um esgotamento nervoso

O meu poema teve um esgotamento nervoso.
Já não suporta mais as palavras.
Diz às palavras: palavras
ide embora,
ide procurar outro poema
onde habitar.

855
Wenceslau de Morais
Wenceslau de Morais

A dor, minha constante companheira

A dor, minha constante companheira, 
Votei íntimos laços de amizade.
Se hoje encetasse a 'strada das venturas, 
Crede, talvez morresse de Saudade...

695
Joaquim Paço d'arcos
Joaquim Paço d'arcos

Negra que vieste da sanzala

Negra que vieste da sanzala
E na esteira, sobre o soalho, te estendeste,
Recusando o leito branco e macio;
Negra que trazias no corpo o cheiro do capim
E da …

670
Mário-Henrique Leiria
Mário-Henrique Leiria

NOIVADO

Estendeu os braços carinhosamente
e avançou, de mãos abertas
e cheias de ternura.
- És tu Ernesto, meu amor?
Não era. Era o Bernardo.
Isso não os impedi…

1 143
Daniel Jonas
Daniel Jonas

CANTONEIROS

A pura simetria dos cantoneiros
concordes na sintonia clássica
da sua dança, no modo como desmantelam
a embriaguez, induzem o vómito a caixotes
ou dispõem de…

1 087