Poemas

Lista de Poemas

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Manuel António Pina
Manuel António Pina

Ruínas

Por onde quer que tenha começado,
pelo corpo ou pelo sentido,
ficou tudo por fazer, o feito e o não feito,
como num sono agitado interrompido. O …

2 357
Sophia de Mello Breyner Andresen
Sophia de Mello Breyner Andresen

Revolução

Como casa limpa
Como chão varrido
Como porta aberta

Como puro início
Como tempo novo
Sem mancha nem vício

Como a voz do mar
Interi…

5 040
Manuel António Pina
Manuel António Pina

Regresso

Regresso devagar ao teu
sorriso como quem volta a casa. Faço de conta que
não é nada comigo. Distraído percorro
o caminho familiar da saudade,
pequeninas coi…

2 384
Manuel António Pina
Manuel António Pina

Escrito de memória

1. Um pequeno depósito de incredulidade
no fundo dos teus olhos.

2. Um breve estremecimento no movimento
do coração (do meu coração).

3. A impres…

1 576
Nuno Júdice
Nuno Júdice

Manhã

Estar contigo ao acordar, ver como
se abrem as tuas pálpebras, cortinas
corridas sobre o sonho, sacudir dos
teus lábios o silêncio da noite para
que um prime…

2 301
Manuel António Pina
Manuel António Pina

Já não é possível

Já tudo é tudo. A perfeição dos
deuses digere o próprio estômago.
O rio da morte corre para a nascente.
O que é feito das palavras senão as palavras?

1 869
Manuel António Pina
Manuel António Pina

Relatório

É um mundo pequeno,
habitado por animais pequenos
- a dúvida, a possibilidade da morte -
e iluminado pela luz hesitante de

pequenos astros - o rumor do…

1 666
Sophia de Mello Breyner Andresen
Sophia de Mello Breyner Andresen

Epidauro 62

Oiço a voz subir os últimos degraus
Oiço a palavra alada impessoal
Que reconheço por não ser já minha

2 501
Manuel António Pina
Manuel António Pina

É apenas um pouco tarde

Ainda não é o fim nem o princípio do mundo calma é apenas um pouco tarde



Manuel António Pina | "Todas as palavras - poesia reunida 1974-2011", pág. 7 (…

6 303
Nuno Júdice
Nuno Júdice

Variação celeste

Colhi a flor de um relâmpago
de entre os teus seios juntos, e quando
estremeceste foi como se uma estrela
tivesse vacilado nos ombros
da manhã.

Pu…

1 389
Susana Thénon
Susana Thénon

Não é um Poema

Os rostos são os mesmos,
os corpos são os mesmos,
as palavras voam para o desluzido,
as ideias de cadáver antigo.
Isto não é um poema:
é um ataque de ra…

851
Raquel Nobre Guerra
Raquel Nobre Guerra

Trapézio

subir por aquele rapaz acima
e chamar deus à vontade
de subir

1 599
Sophia de Mello Breyner Andresen
Sophia de Mello Breyner Andresen

Sei Que Estou Só E Gelo Entre As Folhagens

Sei que estou só e gelo entre as folhagens
Nenhuma gruta me pode proteger
Como um laço deslaça-se o meu ser
E nos meus olhos morrem as paisagens.

Desl…

2 833
Manuel António Pina
Manuel António Pina

Os olhos

O rosto que olha para trás,
o lado de fora do visível
existe este rosto ou é apenas,
diante da infância, o olhar que se contempla?

Em ti, noite,
r…

1 540
Susana Thénon
Susana Thénon

Sede

Sei que tua sede se estendeu
para além do mais distante fio d"água:
tua é a sede dos verões,
a que habita na garganta do meio-dia.
Faz muito tempo que o sal<…

1 394
Susana Thénon
Susana Thénon

Caminhos

Cegueira do gesto
quando em vão se agarra
ao muro espesso dos feitos consumados.
Densa guitarra de sangue
acompanhando a canção
noturna e subterrânea.

671
Manuel António Pina
Manuel António Pina

Na biblioteca

O que não pode ser dito
guarda um silêncio feito
de primeiras palavras
diante do poema, que chega sempre demasiado tarde,

quando já a incerteza
e …

2 668
Sophia de Mello Breyner Andresen
Sophia de Mello Breyner Andresen

Madrugada

Um leve tremor precede a madrugada
Quando mar e céu na mesma cor se azulam
E são mais claras as luzes dos barcos pescadores
E para além de insânias e rumores

3 136
José Miguel Silva
José Miguel Silva

Ladrões de Bicicletas — Vittorio de Sica (1948)

Mil quilómetros por dia pedalava meu pai, desde
a cama junto ao Douro até à próspera Cerâmica
de Valadares. Se qualquer homem recebe,
à nascença, uns sessenta ini…

1 245
Nuno Júdice
Nuno Júdice

Nuno Júdice espera do leitor

Espero do leitor que abra um livro de poesia como se abre uma caixa de fósforos: fazendo a cada poema o que se faz quando se risca um fósforo, para que ele se acenda e o seu fog…

1 484
Nuno Júdice
Nuno Júdice

Correspondência

Vejo as nuvens que avançam do Atlântico para o continente. E, por trás delas, como um pastor
exigente, o vento que as empurra. Depois,
as nuvens passam e volta o sol…

1 704
Nuno Júdice
Nuno Júdice

Canto de ausência

O amor é esse gato abstracto que emerge
de um rumor de lençóis para se converter na esfinge
do teu corpo, quando te voltas e me entregas
a península do teu dorso.…

2 253
Nuno Júdice
Nuno Júdice

Chegar antes de ti

Como gosto, meu amor, de chegar antes de ti para te ver chegar: com a surpresa dos teus cabelos, e o teu rosto de água fresca que eu bebo, com esta sede que não passa. a…

1 951
Nuno Júdice
Nuno Júdice

Sonhei contigo

Sonhei
contigo embora nenhum sonho
possa ter habitantes, tu a quem chamo
amor, cada ano pudesse trazer
um pouco mais de convicção a
esta palavra…

1 948