Poemas

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Afonso X
Afonso X

Mester Havia Dom Gil

Mester havia Dom Gil
um falconcinho bornil
que nom voasse,
nemigalha nom filhasse;

[e] um galguilinho vil
que ũa lébor, de mil,
non'[a] filha…

628
Antônio Olinto
Antônio Olinto

O crime da máquina

A máquina rodou só
nos trilhos limpos,
foi matar a menina de vermelho.
Bastou um grito para o espanto
fixar-se na tarde.
Desceu gente de longe,
hom…

580
Mário-Henrique Leiria
Mário-Henrique Leiria

Triângulo cabalístico

Eu sei que as túlipas
são os olhos de todos os aviões perdidos

Eu sei que as cidades
são os esqueletos das aves de rapina

Eu sei que os candeeiro…

722
Virgílio Martinho
Virgílio Martinho

Viagem Para Dentro

Nasci dentro da terra,
Percorri as estações,
Nos anos vivi os anos,
Tenho olhos de prata.

Um dia fiz a viagem,
Acordei quem dormia,
A bola ve…

1 015
Mário-Henrique Leiria
Mário-Henrique Leiria

É altura

– a Alexandre O’Neill, comemorando mais um aniversário do “cozido à
portuguesa”


é altura da corneta tocar dignidade
é altura dos sapatos olharem bem d…

787
Antônio Olinto
Antônio Olinto

Abertura

Noite é chuva, plano é longo.

Hora de abraçar a máquina
medianeira do olho e do objeto
disposta para o módulo dos ritos
através.

Ó câmara de…

663
Mário-Henrique Leiria
Mário-Henrique Leiria

À cata do vento

o cata-vento
tem obrigações legais
deve
catar o vento
portanto
quando o vento passa
Diz-lhe logo atento
espera aí
preciso de te catar

861
Antônio Olinto
Antônio Olinto

Infância

Num retrospecto
de que vale?
O menino soltava papagaio
no morro transformado em nova imagem
tão nítida que vai além retângulo,
termina no prelúdio de um…

621
Mário-Henrique Leiria
Mário-Henrique Leiria

facto diverso

Discretamente fui ontem almoçar
ao lado do meu túmulo
levei para o acto um ramo de papoilas
que guardava em casa há cerca de oito anos
para qualquer momento …

716
Mário-Henrique Leiria
Mário-Henrique Leiria

canção do mundo novo

Entre eternos dias de poeira
entre noites imensas de ferrugem
bebendo a cinza que nos dão por vida
cuspindo nevoeiros de silêncio
de mãos amarradas pelo medo…

564
Mário-Henrique Leiria
Mário-Henrique Leiria

Origem dos sonhos esquecidos

Entre a bicicleta e a laranja
vai a distância de uma camisa branca

Entre o pássaro e a bandeira
vai a distância dum relógio solar

Entre a janela …

694
Baltazar Dias
Baltazar Dias

Auto do Nascimento

VELHA:
Praza deos que má doença
e que má dor despinhela
mau quebranto de canela
má caganeira e corença
mau inchaço de guela;
má caidura de sela

651
Wanda Ramos
Wanda Ramos

E correram os rios

Correram como rios as palavras
altas e soltas correram os rios na gente
rios de lava Lisboa inflamada acorrendo fremente
nos dias eu se abriram vinda das faldas v…

655
Mário-Henrique Leiria
Mário-Henrique Leiria

claridade dada pelo tempo

I

Deixa-me sentar numa nuvem
a mais alta
e dar pontapés na Lua
que era como eu devia ter vivido
a vida toda
dar pontapés
até sentir um t…

698
Mário-Henrique Leiria
Mário-Henrique Leiria

UMA DAS LIBERDADES

Um pequeno coelho
a correr
com o desespero
entre as pernas

e a erva a crescer

um cão babando
a correr
com a obediência
entre …

717
Mário-Henrique Leiria
Mário-Henrique Leiria

W

tudo o que existiu
entre mim e o que tu serias
foi como a nuvem
ligeira   muito rápida
veloz e diferente
a única verdade que poderia
trazer-nos o e…

720
Mário-Henrique Leiria
Mário-Henrique Leiria

CANÇÃO DA MANHÃ

como os estranhos pássaros nascidos em tua boca
como os rios que te correm entre os olhos
como   as   esmeraldas   que   formam   as   asas   dos   teus ombros
co…

848
Mário-Henrique Leiria
Mário-Henrique Leiria

Um poeta

Um poeta
cara amiga
é como uma noite escura
com olheiras

Tem cuidado             querida
tem cuidado quando abrires a janela
olha que os poet…

938
Antônio Olinto
Antônio Olinto

Teoria do Homem

O começo do homem é o fim do homem  
o começo é o fim
o começo é o homem
o homem é o fim
meço o homem pelo fim
o fim é a medida a medida é o começo

739
Mário-Henrique Leiria
Mário-Henrique Leiria

Cinegética

Um caçador
perdeu a cedilha
e por isso
sua mulher
nunca mais
quis ir à caça
com ele
sem cedilha

816
Álvaro Guerra
Álvaro Guerra

antimemória

Viemos do mundo para o mundo
do nosso lugar para o lugar
e perdemos a memória de onde viemos
só o ar que respiramos nos não custa o esforço visível
dor mínim…

1 076
Mário-Henrique Leiria
Mário-Henrique Leiria

Aviso Urgente

Quando as coisas que hão-de vir
chegarem
confúcio buda lao-tsé
reis barbudos pendões e caldeiros duvidosos
arnezes oscilantes aríetes sem emprego fixo
r…

489
Mário-Henrique Leiria
Mário-Henrique Leiria

OPERAÇÃO CIRÚRGICA

a re-compensa da perna da reta-guarda
o zumbido do mosquito re-organizado para o surdo-mudo
a manobra suspeita da afinação do oboé
o gesto mais gnânimo de atraves…

512
Mário-Henrique Leiria
Mário-Henrique Leiria

POEMA

eu sei
que há um lugar por descobrir
um lugar tenebroso e cantante
como a ponte dos velhos manequins

aí
o teu corpo
dois seios despedaçados

1 088