Poemas

Lista de Poemas

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Zulmira Ribeiro Tavares
Zulmira Ribeiro Tavares

Abaixo da linha de pobreza

Ora vejo a linha de pobreza no contorno irregular
dos prédios, altos, baixos, ou das pequenas casas de
autoconstrução na encosta dos morros.

A linha que mai…

804
Luci Collin
Luci Collin

DE SOMBREAÇÃO

quando eu vivia na casa da rua anis
os cômodos e os exemplos eram imensos
calor abatumado na água-furtada
os insetos tergiversavam
e as rãs e os sorrisos era…

714
Ricardo Aleixo
Ricardo Aleixo

Labirinto

Conheço a cidade
como a sola do meu pé.

Espírito e corpo prontos
para evitar

outros humanos polícias
carros ônibus buracos

e deje…

1 022
Paulo Henriques Britto
Paulo Henriques Britto

SEIS SONETOS SOTURNOS - III

E durma-se com um barulho desses,
engulam-se os sapos necessários.
Resolução? Final feliz? Esquece.
Por outro lado, tudo está bem claro,

nada é ambíguo…

808
Ricardo Aleixo
Ricardo Aleixo

Cabeça de serpente

a serpente morde a própria cauda. a serpente pensa que morde a própria cauda. a serpente apenas pensa que morde a própria cauda. a serpente morde a própria cauda que pensa. a se…

849
Paulo Henriques Britto
Paulo Henriques Britto

VÉSPERA

No trivial do sanduíche a morte aguarda.
Na esquiva escuridão da geladeira
dorme a sono solto, imersa em mostarda.

A hora é lerda. A casa sonha. A noite int…

732
Reynaldo Jardim
Reynaldo Jardim

A coisa útil

Um fruto (ou mesmo o pão)
é útil à proporção que alimenta.
A couve-flor (ou mesmo o ar)
é bela porque germina.
Assim o trigo e o canavial,
o café e o po…

759
Ricardo Aleixo
Ricardo Aleixo

TEOFAGIA

Aqui, eu —
consumada falha
de papai e mamãe:
meia ¾ (acho
que de menina),
uma palma
e uma folha
de papel na mão,
minutos depois
de d…

682
Reynaldo Jardim
Reynaldo Jardim

O que se odeia no índio

O que se odeia no índio
não é apenas o ocupado espaço.
O que se odeia no índio
é o puro animal que nele habita,
é a sua cor em bronze arquitetada.
A pre…

1 052
Paulo Henriques Britto
Paulo Henriques Britto

DE VULGARI ELOQUENTIA

A realidade é coisa delicada,
de se pegar com as pontas dos dedos.

Um gesto mais brutal, e pronto: o nada. A
qualquer hora pode advir o fim. O mais
ter…

1 053
Paulo Henriques Britto
Paulo Henriques Britto

MADRIGAL

Desista: não vai dar certo.
O mundo é o mesmo de sempre,
desejo é uma coisa cega.
Desista, enquanto é tempo.

As mãos não sabem o que pegam,
os pés…

883
Ricardo Aleixo
Ricardo Aleixo

NUMA FESTA

Creio ter ouvido certo.
Alguém do grupo junto

à janela pronunciou,
enquanto eu observava,

apenas por fastio,
o deslizar de um peixe

604
Ricardo Aleixo
Ricardo Aleixo

Elsie sings the

Elsie  Houston
morre no fim:
pílulas para dor-
mir. Mas a voz
dela escapa do

corpo sem vida
dela na forma
de um som
de cor tão cla-…

719
Reynaldo Jardim
Reynaldo Jardim

Desamores

Quero me despojar
de tudo o que não tenho.
Limpar meus horizontes
de artes e de engenho.
Quero me desfazer
de tudo o que não tive.
A certeza certei…

643
Paulo Henriques Britto
Paulo Henriques Britto

SETE SONETOS SIMÉTRICOS II

Tão limitado, estar aqui e agora,
dentro de si, sem poder ir embora,

dentro de um espaço mínimo que mal
se consegue explorar, esse minúsculo
império se…

1 022
Ricardo Aleixo
Ricardo Aleixo

As metades do corpo

Marianne
   Moore
apreciava animais

e atletas
   em igual
escala. Motivo: o

"estilo"
  das duas
espécies citadas

 …

436
Ricardo Aleixo
Ricardo Aleixo

RAINHA ONÇA

Sou Elza.
Sou onça.

Canto
sem pedir
licença.

Sou onça.
Sou Elza.

Eu onço
desde
nascença.

807
Ricardo Aleixo
Ricardo Aleixo

Paupéria revisitada

Putas, como os deuses,
vendem quando dão.
Poetas, não.
Policiais e pistoleiros
vendem segurança
(isto é, vingança ou proteção).
Poetas se gabam do …

862
Ricardo Aleixo
Ricardo Aleixo

Misturam-se ao rumor do mar

Misturam-se ao rumor do mar,

mas são e serão sempre o que são:
ecos de tentativas de conversa

               em línguas estranhas entre elas,

719
Ricardo Aleixo
Ricardo Aleixo

TREVA

vazio até o
fundo

crispado na
treva

mais um
día des

liza para
dentro

de um
dos tres

caminhos

470
Ricardo Aleixo
Ricardo Aleixo

Noite

O menino viu
sair da boca

da mulher, talvez
sua mãe, uma voz

estrídula e lábil, que
logo desandou,

em cadência
de sonho, a q…

442
Zulmira Ribeiro Tavares
Zulmira Ribeiro Tavares

Vesuvio

Tua cabeça a prumo emplaca o tempo.
Dentro dela guardas o Vesuvio
que nunca chegaste a ter em pedra e lava,
mas em tela, plasma, figura.

Perto do Vesuv…

807
Zulmira Ribeiro Tavares
Zulmira Ribeiro Tavares

A mancha de cor

Se com o passar dos anos vamos perdendo os pelos que nos faziam orgulhosos por sua fricção animal e sua vizinhança dos capinzais na boa estação, 
         E, ainda, se vamo…

739
Zulmira Ribeiro Tavares
Zulmira Ribeiro Tavares

Juízos

O amor é essa intrépida
imaginação da carne
essa carne destemida
que se julga autora.

Essa vigilância que aguarda
no recuo,
pronta para o sal…

748