Poemas

Lista de Poemas

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Fernando Guimarães
Fernando Guimarães

Poema

Vem esconder dentro de mim,
onde o teu ser a medo principia,
a longa curva sem rosto ou fim
de uma harmonia

que não escutes mas
fique suspensa com…

937
Armando Cortes-Rodrigues
Armando Cortes-Rodrigues

Ergo Meus Olhos

Ergo meus olhos vagos, na distância
      Da sombra do meu Ser...
Pairam de mim além, e a minha Ânsia
      Cansa de me viver.

Meus olhos espectrais de…

923
António Borges Coelho
António Borges Coelho

Quando a noite curva os ombros

Quando a noite curva os ombros
mergulhando-nos nas coisas
apagando o espaço
que busco no teu corpo
porque me deito sobre o teu ventre

Encosto o ou…

745
Fernando Echevarría
Fernando Echevarría

Felizes

Felizes. Porque, ao fundo de si mesmos,
cheios andam de quanto vão pensando.
E, disso cheios,
nada mais sabem. Dão para aquele lado
onde o mundo acabou, mas …

720
Fernando Echevarría
Fernando Echevarría

Os Vivos Ouvem Poucamente

Os vivos ouvem poucamente. As plantas,
como o elemento aquático domina,
são dadas à conversa. A menor brisa abala
a urna de concórdia estremecida
que, assim,…

743
Fernando Echevarría
Fernando Echevarría

Escrevemos Docemente

Escrevemos docemente. Se a figura
sobe de estar tão funda a essa mesa
é que escrever se lembra. E só da altura
de se lembrar percorre a linha acesa

a p…

791
Fernando Guimarães
Fernando Guimarães

COROAÇÃO DA VIRGEM DE STEFANIO DA VENEZIA

Quem são aqueles que ficam ali reunidos e se submetem
a esta ordem que é a da pintura? Estão sentados. Há filas onde avultam
os rostos cercados pela luz. Podemos dizer…

779
Yi Sáng
Yi Sáng

Poema n. 14

Há um gra ma do em fren te ao ve lho cas te lo e so bre es te gra
ma do des can so o meu cha péu. Do to po do cas te lo a mar ro u
ma pe dra bem pe sa da à mi nha me m…

605
António Borges Coelho
António Borges Coelho

Balouça as folhas

Balouça as folhas rústica a varrer
a terra verdes fazem de toalha
cobrindo os frutos verdes quase roxos
a barriga vermelha há milénios

que serve o home…

1 136
Alfredo Pedro de Meneses Guisado
Alfredo Pedro de Meneses Guisado

Lume

Apagou-se, por fim, o incerto lume,
que, em volta do meu ser, ainda ardia,
e o velho alfange, de inquietante gume,
cortou o voo que meu sonho erguía.

…

788
Osman Lins
Osman Lins

II – Flagrantes Esportivos

— Os voos sobre a neve —

O lenço polido e frio.
É uma cauda de noiva,
o longo lençol de neve.

As asas guardam em si as possibilidade de voo.

580
Mário Chamie
Mário Chamie

Espaço inaugural

O espaço que se mede
e que se perde
não é o tempo perdido
da memória.

Esquece.
O tempo que se perde
é o mesmo que fenece
a cada hora.

990
Yi Sáng
Yi Sáng

Poema n. 2

Quan do o meu pai dor mi ta ao meu la do eu me tor no o pai do
meu pai e tam bém me tor no o pai do pai do meu pai mas se o
meu pai na con di ção de meu pai é a in da …

714
Soares de Passos
Soares de Passos

A Camões

Ai do que a sorte assinalou no berço
Inspirado cantor, rei da harmonia!
Ai do que Deus às gerações envia
Dizendo – vai, padece, é teu fadário;
Como um astro …

1 034
Armando Cortes-Rodrigues
Armando Cortes-Rodrigues

Passo triste no mundo

Passo triste no mundo, alheio ao mundo.
Passo no mundo alheio, sem o ver,
E místico, ideal e vagabundo,
Sinto erguer-se minh'Alma do profundo
    Abismo do s…

765
Soares de Passos
Soares de Passos

Desejo

Oh! quem nos teus braços pudera ditoso
No mundo viver,
Do mundo esquecido no lânguido gozo
D'infindo prazer.

Sentir os teus olhos serenos, em calma,

1 043
Eucanaã Ferraz
Eucanaã Ferraz

TRAÇO

Por vezes, não raro,
basta um gesto, sua borracha,
um quase nada de alvaiade,
um rasgo e só.

No entanto, o carvão
de certas palavras,
de algu…

783
Júlio Maria dos Reis Pereira
Júlio Maria dos Reis Pereira

Sangue

Versos
escrevem-se
depois de ter sofrido.
O coração
dita-os apressadamente.
E a mão tremente
quer fixar no papel os sons dispersos...

É …

800
Júlio Maria dos Reis Pereira
Júlio Maria dos Reis Pereira

Sofro de não te Ver

Sofro
de não te ver,
de perder
os teus gestos
leves, lestos,
a tua fala
que o sorriso embala,
a tua alma
límpida, tão calma...

655
Júlio Maria dos Reis Pereira
Júlio Maria dos Reis Pereira

A Minha Hora

Que horas são? O meu relógio está parado,
Há quanto tempo!...
Que pena o meu relógio estar parado
E eu não poder marcar esta hora extraordinária!
Hora em que…

820
Júlio Maria dos Reis Pereira
Júlio Maria dos Reis Pereira

Envelhecer

É bom envelhecer!

Sentir cair o tempo,
magro fio de areia,
numa ampulheta inexistente!

Passam casais jovens
abraçados!...

As árvo…

827
Júlio Maria dos Reis Pereira
Júlio Maria dos Reis Pereira

Desenho de rapariga

Corpo suave,
de traços finos,
modulados trinos
ao entardecer…

A linha esguia
que delimita
e acaricia
o braço de ave
é tão bonita…

741
Júlio Maria dos Reis Pereira
Júlio Maria dos Reis Pereira

Para Todo o Sempre

O Poeta morre,
mas não cessa de escrever.

Enquanto escreve,
vive
ressuscitando fugidias horas
mudadas em auroras...

Uma pequenina flor,…

712
Júlio Maria dos Reis Pereira
Júlio Maria dos Reis Pereira

Nua

I
Nua
como Eva.
A cabeleira
beija-lhe o rosto oval e flutua;
o corpo
é água de torrente...

Eva adolescente,
com reflexos de lua

732