Lista de Poemas
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I - Os homens
Sou o peregrino
da Ilha de Páscoa, o cavaleiro
estranho, venho para golpear as portas do silêncio:
− mais um dos que traz o ar
saltando num voo todo o mar:
XLV
O amarelo dos bosques
é o mesmo do ano passado?
E se repete o vôo negro
da tenaz ave marinha?
E onde termina o espaço
se chama morte ou infi…
Amor
Onde estás, oh pomba marinha que sob meus beijos caíste
ferida e selvagem na trêmula relva do Sul transparente,
ali onde move seus raios glaciais minha soberania,
XLIII
Quem era aquela que te amou
no sonho, quando dormias?
Onde vão as coisas do sonho?
Vão para o sonho dos outros?
E o pai que vive nos sonhos
…
Prólogo - Tendes Que Ouvir-Me
Eu fui cantando errante,
entre as uvas
da Europa e
sob o vento,
sob o vento na Ásia.
O melhor das vidas
e a vida,
a doçura terrestre,
O Astronauto
I.
SE ME ENCONTREI nestas regiões reconcentradas e calcáreas
foi por equívocos de pai e mãe em meu planeta:
me aborreceram tanto uns como outros inclementes…
XXIII
Converte-se em peixe voador
se transmigra a borboleta?
Então não era verdade
que vivia Deus na lua?
De que cor é o olor
do pranto azul das v…
Tu entre os que pareciam estranhos
Tu, clara e escura, Matilde morena e dourada,
parecida com trigo e com vinho e com pão da pátria,
ali nos caminhos abertos por reinos depois devorados,
fazias can…
Diurno
O sol organiza talvez na noite seu ramo amarelo
e pela janela tropeça com a teoria de quanto se imprime
e desalentado tal como se entrasse na sala de um triste hospita…
IV. O coro dos mares oprimidos
Lord do mar, vem a nós, somos água e areia oprimidas!
Lord do mar, somos povos bloqueados e mudos!
Lord do mar, te chamamos cantando para a luta!
Fulgor e morte de Joaquín Murieta
Esta é a longa história de um homem inflamado.
Natural, valoroso, sua memória é uma acha de guerra.
É tempo de abrir o repouso, o sepulcro do claro bandido
e romp…
XXXIX
Não sentes também o perigo
na gargalhada do mar?
Não vês na seda sangrenta
da papoula uma ameaça?
Não vês que floresce a macieira
para morre…
LI
Por que detesto as cidades
que cheiram a mulher e urina?
Não é a cidade o grande oceano
dos colchões que palpitam?
A oceania dos ares
não te…
A máscara marinha
Resvala na úmida soma a lua
sorteando a sala com sua sussurrante saída
as aves do suave solstício os voos alçaram
e o sol da aurora auroreia na sopa do mar
a…
XIV
E que disseram os rubis
ante o jugo das granadas?
Mas por que não se convence
a quinta de ir depois da sexta?
Quem gritou de alegria
ao nasc…
XVII
Percebeste que o outono
é como uma vaca amarela?
E como a besta outonal
é logo um escuro esqueleto?
E como o inverno acumula
tantos azuis li…
XV
Mas é verdade que se prepara
a insurreição dos coletes?
Por que outra vez a primavera
oferece seus vestidos verdes?
Por que ri a agricultura
Sonata
Oh clara de lua, oh estátua pequena e escura,
oh sal, oh colher que tira o aroma do mundo e o entorna em minhas veias,
oh cântara negra que canta à luz do orvalho,
XLI
Quanto dura um rinoceronte
depois de ser enternecido?
Que contam de novo as folhas
da recente primavera?
As folhas vivem no inverno
em segre…
Clareira de Sol
Mas agora não foi o inimigo que espreita montado em sua vassoura amarela,
coberto como um porco-espinho com as puas do ódio;
agora entre irmãos nasceram racimos tortuo…
Crevel
Ou talvez aqui devo recordar que canto
quando desço do trem em Bordéus e compro um jornal
e a linha mais negra levanta um punhal e me fere:
Crevel tinha morrido, …
XXXVII
De tuas cinzas nascerão
tchecoslovacos ou tartarugas?
Tua boca beijará cravos
com outros lábios vindouros?
Mas sabes de onde vem
a morte, de…
IV
Quantas igrejas tem o céu?
Por que não ataca o tubarão
as impávidas sereias?
Conversa a fumaça com as nuvens?
É verdade que a esperança
XVI
Trabalham o sal e o açúcar
construindo uma torre branca?
É verdade que no formigueiro
os sonhos são obrigatórios?
Sabes que meditações
rumin…