Poemas

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Fernando Pessoa
Fernando Pessoa

Quando vier a Primavera,

Quando vier a Primavera,
Se eu já estiver morto,
As flores florirão da mesma maneira
E as árvores não serão menos verdes que na Primavera passada.
A …

8 184
Fernando Pessoa
Fernando Pessoa

Súbita mão de algum fantasma oculto

Súbita mão de algum fantasma oculto
Entre as dobras da noite e do meu sono
Sacode-me e eu acordo, e no abandono
Da noite não enxergo gesto ou vulto.

5 065
Mário de Sá-Carneiro
Mário de Sá-Carneiro

Epígrafe

A sala do castelo é deserta e espelhada.

Tenho medo de Mim. Quem sou? De onde cheguei?...
Aqui, tudo já foi... Em sombra estilizada,
A cor morreu --…

6 015
Camilo Pessanha
Camilo Pessanha

Em um retrato

De sob o cômoro quadrangular
Da terra fresca que me há-de inumar,

E depois de já muito ter chovido,
Quando a erva alastrar com o olvido,

3 524
Fernando Pessoa
Fernando Pessoa

Momento imperceptível,

Momento imperceptível,
Que coisa foste, que há
Já em mim qualquer coisa
Que nunca passará?

Sei que, passados anos,
O que isto é lembra…

4 898
António Ramos Rosa
António Ramos Rosa

Amo o teu túmido candor de astro

a tua pura integridade delicada
a tua permanente adolescência de segredo
a tua fragilidade acesa sempre altiva
Por ti eu sou a leve segurança de um peito

5 487
Adélia Prado
Adélia Prado

Solar

Minha mãe cozinhava exatamente:
arroz, feijão-roxinho, molho de batatinhas.
Mas cantava.

6 603
Luís de Camões
Luís de Camões

Quem pode livre ser, gentil Senhora,

Quem pode livre ser, gentil Senhora,
Vendo-vos com juízo sossegado,
Se o Menino que de olhos é privado
Nas meninas de vossos olhos mora?

Ali …

5 874
Fernando Pessoa
Fernando Pessoa

Redemoinha o vento,

Redemoinha o vento,
Anda à roda o ar.
Vai meu pensamento
Comigo a sonhar.

Vai saber na altura
Como no arvoredo
Se sente a fresc…

5 822
José Paulo Paes
José Paulo Paes

Cadê

Nossa! que escuro!
Cadê a luz?
Dedo apagou.
Cadê o dedo?
Entrou no nariz.
Cadê o nariz?
Dando um espirro.
Cadê o o espirro?
Ficou no lenç…

3 446
Fernando Pessoa
Fernando Pessoa

PASSAGEM DAS HORAS [b]

Trago dentro do meu coração,
Como num cofre que se não pode fechar de cheio,
Todos os lugares onde estive,
Todos os portos a que cheguei,
Todas as paisagens …

5 471
Fernando Pessoa
Fernando Pessoa

Há no firmamento

Há no firmamento
Um frio lunar.
Um vento nevoento
Vem de ver o mar.

Quase maresia
A hora interroga,
E uma angústia fria
Indistin…

5 436
Carlos de Oliveira
Carlos de Oliveira

Infância

Sonhos
enormes como cedros
que é preciso
trazer de longe
aos ombros
para achar
no inverno da memória
este rumor
de lume:<…

2 782
Fernando Pessoa
Fernando Pessoa

Há quase um ano não escrevo.

Há quase um ano não escrevo.
Pesada, a meditação
Torna-me alguém que não devo
Interromper na atenção.

Tenho saudades de mim,
De quando, de a…

4 850
Fernando Pessoa
Fernando Pessoa

42 - Passou a diligência pela estrada, e foi-se;

Passou a diligência pela estrada, e foi-se;
E a estrada não ficou mais bela, nem sequer mais feia.
Assim é a acção humana pelo mundo fora.
Nada tiramos e na…

2 489
Luís de Camões
Luís de Camões

Onde acharei lugar tão apartado

Onde acharei lugar tão apartado
E tão isento em tudo da ventura,
Que, não digo eu de humana criatura,
Mas nem de feras seja frequentado?

Algu…

5 183
Fernando Pessoa
Fernando Pessoa

01 - Eu nunca guardei rebanhos,

O GUARDADOR DE REBANHOS

I

Eu nunca guardei rebanhos,
Mas é como se os guardasse.
Minha alma é como um pastor,
Conhece o vento …

2 454
Bocage
Bocage

Sonho

De suspirar em vão já fatigado,
Dando trégua a meus males eu dormia;
Eis que junto de mim sonhei que via
Da Morte o gesto lívido e mirrado:

C…

8 566
Luís de Camões
Luís de Camões

Nunca em amor danou o atrevimento

Nunca em amor danou o atrevimento;
Favorece a Fortuna a ousadia;
Porque sempre a encolhida cobardia
De pedra serve ao livre pensamento.

Quem …

5 612
Fernando Pessoa
Fernando Pessoa

Se estou só, quero não estar,

Se estou só, quero não star,
Se não stou, quero star só,
Enfim, quero sempre estar
Da maneira que não estou.

Ser feliz é ser aquele.
E…

10 197
Manuel Bandeira
Manuel Bandeira

Os Nomes

Duas vezes se morre:
Primeiro na carne, depois no nome.
A carne desaparece, o nome persiste mas
Esvaziando-se de seu casto conteúdo
— Tantos gestos, …

6 247
Luís de Camões
Luís de Camões

Tomou-me vossa vista soberana

Tomou-me vossa vista soberana
Aonde tinha as armas mais à mão,
Por mostrar que quem busca defensão
Contra esses belos olhos, que se engana.

P…

4 034
Jorge de Sena
Jorge de Sena

Meu corpo, que mais receias?

-Meu corpo, que mais receias?
-Receio quem não escolhi.

-Na treva que as mãos repelem
os corpos crescem trementes.
Ao toque leve e ligeiro

4 039
Fernando Pessoa
Fernando Pessoa

A tua voz fala amorosa...

A tua voz fala amorosa...
Tão meiga fala que me esquece
Que é falsa a sua branda prosa.
Meu coração desentristece.

Sim, como a música sugere

5 764