Citações neste tema
Vida e Existência
Padre António Vieira
Muitos não têm o coração dentro em si, senão fora de si e muito longe. Fora de si porque não cuidam em si, e muito longe de si porque todos os seus cuidados andam só atentos e aplicados às coisas temporais e mundanas que amam.
53
Padre António Vieira
Não saibam os maus que são precitos, para que não se despenhem como desesperados; não saibam os bons que são predestinados, para que não se descuidem como seguros.
54
Padre António Vieira
O efeito da memória é levar-nos aos ausentes, para que estejamos com eles, e trazê-los a eles a nós, para que estejam connosco.
50
Padre António Vieira
Das obras grandes ou pequenas, das acções generosas ou vis, cada um traz na própria cabeça a verdadeira medida.
16
Padre António Vieira
Estude-se nos acontecimentos passados, que são a melhor regra para os acertos, porque, como os livros são mestres para a vida, são aqueles sucessos lição para os prudentes.
55
Padre António Vieira
O fim para que os homens inventaram os livros foi para conservar a memória das coisas passadas contra a tirania do tempo e contra o esquecimento dos homens, que ainda é maior tirania.
43
Padre António Vieira
Meditar não é outra coisa que cuidar um homem no que lhe importa ou deseja e nenhum há que não medite.
42
Padre António Vieira
Quem julga com o entendimento, pode julgar bem e pode julgar mal; quem julga com a vontade, nunca pode julgar bem. A razão é muito clara. Porque quem julga com o entendimento, se entende mal, julga mal, se entende bem, julga bem. Porém, quem julga com a vontade, ou queira mal, ou queira bem, sempre julga mal; se quer mal, julga como apaixonado, se quer bem, julga como cego. Ou cegueira ou paixão, vede como julgará a vontade com tais adjuntos.
47
Padre António Vieira
Nas coisas baixas e vis, a humildade é filha do conhecimento próprio: nas altas, e muito mais nas altíssimas, é filha da ignorância de si mesmo.
42
Padre António Vieira
Humildade é essencialmente o conhecimento da própria dependência, da própria imperfeição e da própria miséria.
64
Padre António Vieira
Se o só não terá quem o levante, também não terá quem o derrube. E maior felicidade é carecer do perigo de quem me derrube, que haver mister o socorro de quem me levante.
44
Padre António Vieira
Quem dividido de si se vê formoso namora-se de si; quem dividido de si se vê feio envergonha-se de si.
60
Padre António Vieira
A primeira vitória para alcançar outras muitas é sujeitar o juízo próprio quem não é sujeito ao mando alheio.
57
Padre António Vieira
Quão inclinados são ao engano os elegantes raciocínios, feitos de longe, com que julgamos os outros homens por nós próprios, quando primeiro deveríamos conhecê-los para depois os avaliarmos por eles próprios.
52
Padre António Vieira
Cada um em seu juízo não se deve estimar mais que aquilo em que ele mesmo se avalia.
80
Padre António Vieira
Pois o que é ignorar invencivelmente senão ignorar e não conseguir saber? E o que é a ignorância invencível senão a ignorância acompanhada da incapacidade de saber aquilo que se ignora?
51
Padre António Vieira
Conhecer um sábio a sua ignorância ou o seu erro é muito fácil, não fora sábio se não o conhecera. Porém, chegar a o confessar, e confessá-lo publicamente, é o ponto mais árduo e dificultoso a que se pode reduzir o brio humano, e tanto mais quanto maior for o nome, opinião e o grau que tiver de douto.
16
Padre António Vieira
Reputa-se por escravo quem vive com dependências. De muito necessita o corpo para a ostentação comum; e já por fazer gala das necessidades intentou o corpo para a necessidade o fazer-lhe galas, querendo que parecesse ostentação o que só é remédio da sua desnudez. A alma necessita de tão pouco que até a mesma respiração com que se conserva no corpo a lança outra vez de si.
39
Padre António Vieira
Não está o erro em desejarem os homens ser, mas está em não desejarem ser o que importa.
15
Padre António Vieira
Os que nasceram grandes, se se vêem abatidos, rebentam; e os que nasceram humildes, se se vêem levantados, estouram.
46
Padre António Vieira
Somos pouco maiores que ervas, e fingimo-nos tão grandes como as árvores; somos a coisa mais inconstante do mundo, e cuidamos que temos raízes; se o Inverno nos tirou as folhas, imaginamos que no-las há-de tornar a dar o Verão; que sempre havemos de florescer, que havemos de durar para sempre. Isto somos e isto cuidamos.
41
Padre António Vieira
Somos pouco maiores que ervas, e fingimo-nos tão grandes como as árvores; somos a coisa mais inconstante do mundo, e cuidamos que temos raízes; se o Inverno nos tirou as folhas, imaginamos que no-las há-de tornar a dar o Verão; que sempre havemos de florescer, que havemos de durar para sempre. Isto somos e isto cuidamos.
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