Citações neste tema
Vida e Existência
Mário Quintana
As épocas de transição nunca foram idades de ouro, séculos de ouro. São apenas épocas de arame. Que a gente tem de atravessar como o bamboleante fio estendido de um lado a outro do circo. E isto, note-se bem, sem rede de segurança.(Lá embaixo, na arena, estão rugindo as feras.)
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Mário Quintana
Uma das coisas que não consigo absolutamente compreender são os que se convertem a outras religiões. Para que mudar de dúvidas?
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Mário Quintana
— Os Anjos existem?— Devem existir, por certo, em vista da insistência com que aparecem em meus poemas.
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Mário Quintana
Conhecer o mistério de um corpo é talvez mais importante do que conhecer o mistério de uma alma.
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Mário Quintana
Seremos fatalistas? Não sei, há uma coisa no entanto que dá para desconfiar... Tenho lido notícias, e até verbetes de dicionários biográficos, impregnados do mais puro fatalismo. Com frases assim: “no dia 31 de julho, tomou um avião para morrer em...”Talvez não passe de mero cacoete de estilo. E quero crer que o próprio S. F., se acaso se desse a esse trabalho, emendaria abespinhado:— Eu não tomei o avião para morrer; eu tomei o avião e morri!
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Mário Quintana
Seremos fatalistas? Não sei, há uma coisa no entanto que dá para desconfiar... Tenho lido notícias, e até verbetes de dicionários biográficos, impregnados do mais puro fatalismo. Com frases assim: “no dia 31 de julho, tomou um avião para morrer em...”Talvez não passe de mero cacoete de estilo. E quero crer que o próprio S. F., se acaso se desse a esse trabalho, emendaria abespinhado:— Eu não tomei o avião para morrer; eu tomei o avião e morri!
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Mário Quintana
Não, não foi por humor negro que pus no que leste acima o título de Conto Azul. Costumamos pintar sempre de azul tudo o que se passou nos nossos quinze anos — talvez por um instinto de compensação.Mas a infância, ó poetas, não é mesmo azul? Quanto a mim, eu venho há muito desconfiando de que a infância é uma invenção do adulto.E o passado uma invenção do presente. Por isso é tão bonito sempre, ainda quando foi uma lástima... A memória tem uma bela caixa de lápis de cor.
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Mário Quintana
Não, não foi por humor negro que pus no que leste acima o título de Conto Azul. Costumamos pintar sempre de azul tudo o que se passou nos nossos quinze anos — talvez por um instinto de compensação.Mas a infância, ó poetas, não é mesmo azul? Quanto a mim, eu venho há muito desconfiando de que a infância é uma invenção do adulto.E o passado uma invenção do presente. Por isso é tão bonito sempre, ainda quando foi uma lástima... A memória tem uma bela caixa de lápis de cor.
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Mário Quintana
— O mais triste do vento do deserto é que é um vento analfabeto — dizia um vento da cidade a uma tabuleta oscilante.— Não — rinchava a tabuleta —, o mais triste do vento do deserto é que ele não tem recordações.— Sempre sentimental, essa velha pintada... — pensou consigo o vento da cidade, passando adiante.O vento da cidade era um pedante.O lampião da esquina não dizia nada: ardia de febre.
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Mário Quintana
Certa vez, tinha eu quinze anos, inventei uma história que principiava assim:“A primeira coisa que fazem os defuntos, depois de enterrados, é abrirem novamente os olhos.”Mas fiquei tão horrorizado com essa espantosa revelação que não me animei a seguir avante e a história gorou no berço, isto é, no túmulo.
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Mário Quintana
O mal dos que estudam as superstições é não acreditarem nelas. Isso os torna tão suspeitos para tratar do assunto como um biologista que não acreditasse em micróbios.
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Mário Quintana
Há enredo e enredo. O enredo puramente anedótico e um outro mais sutil, feito de não sabemos o que, mas que nos prende com uma rede invisível. Nos contos de Tchekov, às vezes parece que não aconteceu nada... Aconteceu apenas a vida!
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Mário Quintana
A presunção — tão desculpável e divertida nos moços — é o mais certo sinal de burrice nos velhos. O verdadeiro fruto da árvore do conhecimento é a simplicidade.
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Mário Quintana
Esses que se debruçam no parapeito de uma ponte têm vocação suicida. Apenas vocação. São uns suicidas crônicos.
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Mário Quintana
Ah! Aquela confiança que tem uma criança rezando... Inocente confiança. Alegria. Quem é de nós que reza com alegria? Parece que só existe mesmo o Deus das crianças... Deus é impróprio para adultos.
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Mário Quintana
Ah! Aquela confiança que tem uma criança rezando... Inocente confiança. Alegria. Quem é de nós que reza com alegria? Parece que só existe mesmo o Deus das crianças... Deus é impróprio para adultos.
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Mário Quintana
Descobri na Meditação contemplativa do Padre Júlio Maria esta frase, que daria uma bela epígrafe para um livro de poemas:“E a visão não aproveitou nem a Balaão nem à besta.”Aconselharam-me que desistisse, porque Balaão é meio desconfiado.
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Mário Quintana
A vida era muito mais intensa quando não passava, na média, de quarenta anos. Agora é um longo, um interminável arrastar de correntes: nós somos as almas penadas deste mundo.
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