Citações neste tema
Sociedade e Mundo
Mário Quintana
E haverá uma época em que se fabricarão bombas atômicas especializadas, especializadíssimas, meu caro senhor, e tão sutis que no princípio não se notará coisa nenhuma... até que um dia alguém descobrirá que se acabaram, por exemplo, todos os tenores de banheiro, todas as imitadoras de Berta Singerman, todos os poetas comemorativos, todas as oleografias do marechal Deodoro proclamando a República!
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Mário Quintana
No fundo, não há bons nem maus. Há apenas os que sentem prazer em fazer o bem e os que sentem prazer em fazer o mal. Tudo é volúpia...
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Mário Quintana
Ainda me lembro do susto que levei (“É o fim! Estamos perdidos, Maurício...”) quando os japoneses atacaram Pearl Harbour. Só no dia seguinte vim a saber, por um mapa publicado na imprensa, que Pearl Harbour não ficava no Atlântico, e sim no Pacífico... Uft! Têm aí os srs. professores um exemplo quase letal dos inconvenientes da incultura. Mas, no meu caso, o grande consolo é que toda essa ignorância geográfica devia provir, pelo contrário, da minha vasta cultura francesa.
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Mário Quintana
No princípio, era a Poesia. No cérebro do homem só havia imagens... Depois, vieram os pensamentos... E, por fim, a Filosofia, que é, em última análise, a triste arte de ficar do lado de fora das coisas.
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Mário Quintana
Acabaram-se os bondes amarelos... A frase me saiu em decassílabo, viste? E o metro clássico já faz adivinhar um soneto. Ficou neste verso único.E deixo o bonde depositado em meu ferro-velho sentimental. Aqui. Parado. Sonhando.Quem sabe se um dia...
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Mário Quintana
Ah! os versos das línguas — pouco lidas como a nossa — pouco lidas por nós mesmos e desconhecidas pelo resto do mundo... Sua incomunicabilidade os torna de uma beleza única e irreparável. Quando descubro um belo verso nosso, sempre me dá vontade de chorar, porque é escrito em português.
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Mário Quintana
A bomba abriu um belo buraco no teto, por onde o céu azul sorri para os sobreviventes.
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Mário Quintana
Os ônibus anunciam dentifrícios, depilatórios, tônicos, etc.As lojas anunciam liquidações.Os muros anunciam candidatos.Os letreiros luminosos anunciam refrigerantes, pneus, o diabo...E quando, enfim, numa última tentativa de fuga, a gente ergue os olhos para o céu sereno, os Céus anunciam a Glória do Senhor.
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Mário Quintana
Copio e assino esta frase encontrada no velho Schopenhauer: “A soma de barulho que uma pessoa pode suportar está na razão inversa da sua capacidade mental.”
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Mário Quintana
A incessante inauguração do mundo era sempre aos sábados, à tarde — quando se abria o pesado portão dos internatos antigos.
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Mário Quintana
Um dia o Diabo viu uma criança fazendo com o dedo um buraco na areia e perguntou-lhe que diabo de coisa estaria fazendo.— Ué! não vês? Estou fazendo com o dedo um buraco na areia! — espantou-se a criança.Pobre Diabo! O seu mal é que ele jamais compreenderá que uma coisa possa ser feita sem segundas intenções.
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Mário Quintana
E chegará um tempo em que os militares inventarão um projétil tão perfeito, mas tão perfeito mesmo, que dará volta ao mundo e os pegará por trás.
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Mário Quintana
Depois que fez a máquina dos mundos, Nosso Senhor espantou-se muito: “Ué! Será que eu consegui descobrir o moto contínuo?”
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Mário Quintana
O mais revoltante nas touradas é que os touros não são aplaudidos quando saem vencedores.
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Mário Quintana
Boates, toaletes, quitinetes, ateliês, e assim por diante... E como essas palavras, universalmente usadas, ficam difíceis de reconhecer... E trotoar, como é possível fazer trotoar? Ah, trottoir... agora sim!E depois, se vamos aportuguesar desse modo todas as palavras estrangeiras, a gente acaba perdendo o pouco de cultura que ainda tem.
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Mário Quintana
Dizem que a época das vedetes já passou... Será? Mas quando nos livraremos desses filmes que estão sempre levando em todos os cinemas e cuja personagem principal é a cama?
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Mário Quintana
O que estraga as viagens, agora, é o seu rápido destino: de repente já estás em Pequim... Benditos, mil vezes benditos aqueles carrosséis que ensinaram aos meninos de meu tempo a pura alegria de viajar!
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Mário Quintana
Sempre que o homem conquista a certeza de alguma coisa: redondeza da terra, heliocentrismo, etc., ele acaba por se chatear soberanamente e, passando por cima das esfinges mortas, parte em busca de novos enigmas, de novas dúvidas, ante a indiferença das pedras, das velhas comadres e das estrelas.
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