Citações neste tema
Sociedade e Mundo
Karl Kraus
É com razão que sempre se afirma nas reflexões sobre cultura e guerra que os utilitários são os outros. Essa concepção provém do idealismo alemão, que também transfigurou os géneros alimentícios e os laxantes.
62
Karl Kraus
Se durante o dia a arte está a serviço do comerciante, a noite é dedicada à sua distração com ela. Isso é exigir bastante da arte, mas ela e o comerciante dão conta do recado.
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Karl Kraus
Se alguém tivesse dito ao Diabo, para quem a guerra desde sempre foi uma pura paixão, que alguma vez haveria homens com um interesse comercial na continuação da guerra, que eles nem sequer se dariam ao trabalho de ocultá-lo e que os seus lucros ainda lhes proporcionariam reconhecimento social, ele o mandaria contar essa história a outro. Porém, quando se tivesse convencido do facto, o Inferno envergonharia de vergonha e ele teria de reconhecer que durante toda a sua vida foi um pobre diabo!
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Karl Kraus
Se alguém tivesse dito ao Diabo, para quem a guerra desde sempre foi uma pura paixão, que alguma vez haveria homens com um interesse comercial na continuação da guerra, que eles nem sequer se dariam ao trabalho de ocultá-lo e que os seus lucros ainda lhes proporcionariam reconhecimento social, ele o mandaria contar essa história a outro. Porém, quando se tivesse convencido do facto, o Inferno envergonharia de vergonha e ele teria de reconhecer que durante toda a sua vida foi um pobre diabo!
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Karl Kraus
Contra a acusação de que soldados alemães cortam pés de crianças a golpes de machado, jornalistas alemães apelam ao facto de esse povo ter produzido Lutero, Beethoven e Kant. Mas em relação a isso, esse povo é pelo menos tão inocente quanto em relação às atrocidades que lhe são atribuídas, e seria mais eficaz, contra tais acusações, apelar aos espíritos que a Alemanha ainda quer produzir no futuro. Se chegamos ao ponto de julgar que a pátria não exige dos seus génios outros serviços que dos seus lenhadores, e se aqueles, por um acaso mortal, podem ser dispensados da oportunidade de lhe prestar outros serviços voluntariamente, então por certo não surgirá mais génio algum. As façanhas intelectuais de Lutero, Beethoven e Kant, apesar de tudo o que a cultura alemã sabe a respeito e a ideologia alemã nelas inclui, não têm qualquer ligação com um estado do qual hoje, ao nível pessoal, talvez apenas se libertassem graças ao ofício sacerdotal, à surdez e a uma deformação da coluna vertebral.
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Karl Kraus
Contra a acusação de que soldados alemães cortam pés de crianças a golpes de machado, jornalistas alemães apelam ao facto de esse povo ter produzido Lutero, Beethoven e Kant. Mas em relação a isso, esse povo é pelo menos tão inocente quanto em relação às atrocidades que lhe são atribuídas, e seria mais eficaz, contra tais acusações, apelar aos espíritos que a Alemanha ainda quer produzir no futuro. Se chegamos ao ponto de julgar que a pátria não exige dos seus génios outros serviços que dos seus lenhadores, e se aqueles, por um acaso mortal, podem ser dispensados da oportunidade de lhe prestar outros serviços voluntariamente, então por certo não surgirá mais génio algum. As façanhas intelectuais de Lutero, Beethoven e Kant, apesar de tudo o que a cultura alemã sabe a respeito e a ideologia alemã nelas inclui, não têm qualquer ligação com um estado do qual hoje, ao nível pessoal, talvez apenas se libertassem graças ao ofício sacerdotal, à surdez e a uma deformação da coluna vertebral.
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Karl Kraus
Contra a acusação de que soldados alemães cortam pés de crianças a golpes de machado, jornalistas alemães apelam ao facto de esse povo ter produzido Lutero, Beethoven e Kant. Mas em relação a isso, esse povo é pelo menos tão inocente quanto em relação às atrocidades que lhe são atribuídas, e seria mais eficaz, contra tais acusações, apelar aos espíritos que a Alemanha ainda quer produzir no futuro. Se chegamos ao ponto de julgar que a pátria não exige dos seus génios outros serviços que dos seus lenhadores, e se aqueles, por um acaso mortal, podem ser dispensados da oportunidade de lhe prestar outros serviços voluntariamente, então por certo não surgirá mais génio algum. As façanhas intelectuais de Lutero, Beethoven e Kant, apesar de tudo o que a cultura alemã sabe a respeito e a ideologia alemã nelas inclui, não têm qualquer ligação com um estado do qual hoje, ao nível pessoal, talvez apenas se libertassem graças ao ofício sacerdotal, à surdez e a uma deformação da coluna vertebral.
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Karl Kraus
Que confusão mitológica é essa, afinal? Desde quando Marte é o deus do comércio e Mercúrio o deus da guerra?
84
Karl Kraus
Que confusão mitológica é essa, afinal? Desde quando Marte é o deus do comércio e Mercúrio o deus da guerra?
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Karl Kraus
Conheci alguém que levava a sua formação no bolso do colete porque ali havia mais espaço do que na cabeça.
79
Karl Kraus
O que as pessoas têm contra os internatos, afinal? É mais bela, por acaso, a convivência no curral da liberdade em que os jovens praticam psicologia mútua?
82
Karl Kraus
O que as pessoas têm contra os internatos, afinal? É mais bela, por acaso, a convivência no curral da liberdade em que os jovens praticam psicologia mútua?
82
Karl Kraus
Um artista que tem sucesso não deve baixar a cabeça. Ele só deve desesperar de si quando um embusteiro fracassa.
89
Karl Kraus
A mais dolorosa imagem da civilização: um leão que estava acostumado com o cativeiro é devolvido à selva e nela caminha de um lado para outro como se estivesse atrás das grades.
75
Karl Kraus
O contador de histórias distingue-se do político apenas pelo facto de ter tempo. Comum a ambos é que o tempo os tem.
75
Karl Kraus
Uma velha crença de idiotas concede ao “satirista” o direito de fustigar as fraquezas do forte. Só que a fraqueza mais fraca do forte ainda é mais forte do que a força mais forte do fraco, e por isso o satirista que se encontra no topo dessa concepção é um sujeito sórdido, e o facto de ser tolerado, um verdadeiro estigma da sociedade. Foi da necessidade infame da sociedade de tratar as personalidades como seus iguais e, por meio da sua degradação ao próprio nível, se tranquilizar acerca da sua baixeza, que surgiram os jornais humorísticos. Todas as carecas brilham porque Bismarck não tinha mais do que três fios de cabelo. Essa maldade enfadonha, a partir da qual o jornal humorístico acode à necessidade de vingança da sociedade, é por ela chamada de “inofensiva”. Porém ela abomina o homem positivo que destroça um mundo sem deuses. Não suspeita que o satirista seja alguém que apenas fustiga as fraquezas dos fracos e não vê as dos fortes porque elas não existem, e se existissem, as cobriria respeitosamente. Para as pessoas, a sátira é algo que alguém pode exercer como um segundo emprego, por exemplo, quando é oficial publicamente e possui humor em segredo. Mais autêntico, por certo, é praticar a sátira publicamente e ser um guerreiro em segredo. Pois, na verdade, a sátira só é compatível com uma função, a do homem, e ela até parece realmente exigi-la. O facto de o satirista ser um homem já é provado tão-só pela impertinência satírica da qual ele próprio precisa se defender. Pois o satirista não tolera brincadeiras. Mas se ele matar o inseto que tem em mira as suas “fraquezas”, todos se espantam e perguntam por que afinal, e dizem que alguém que é ele próprio satirista também deveria tolerar que um outro — e assim por diante in infinitum da banalidade humana.
64
Karl Kraus
A mulher culta está incessantemente ocupada com a intenção de não ter nenhuma relação sexual, e também é capaz de praticá-la — a intenção, quer dizer. O homem culto nunca está ocupado com a intenção de não ter pensamentos, só que isso ocorre antes que se decida a fazê-lo.
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