Citações neste tema
Outros
Karl Kraus
Os defeitos são os obstáculos em que Eros prova a sua valentia. Apenas as mulheres e os estetas fazem uma cara de desaprovação.
70
Karl Kraus
A vantagem da mulher de sempre poder atender aos desejos foi estorvada pela natureza com a desvantagem do homem.
77
Karl Kraus
Pela desvantagem de não poder sempre atender aos desejos, o homem foi compensado com a sensibilidade para perceber cada imperfeição da natureza como uma culpa pessoal.
78
Karl Kraus
Na alegria e na tristeza, por fora e por dentro, em qualquer situação, a mulher precisa do espelho.
75
Karl Kraus
As qualidades intelectuais e morais da mulher também podem estimular a sexualidade fútil do homem. Pode ser comprometedor se mostrar na rua em companhia de uma mulher honrada, mas praticamente beira o exibicionismo conversar com uma rapariga sobre literatura.
71
Karl Kraus
A volúpia estéril do homem nutre-se do espírito estéril da mulher. Porém, o espírito masculino nutre-se da volúpia feminina. Esta cria as obras dele. Por meio de tudo aquilo que não foi dado à mulher, ela age de maneira a que o homem aproveite os seus próprios dons. Os livros e os quadros são criados pela mulher — mas não por aquela que escreve ou pinta. Uma obra vem ao mundo: foi a mulher que gerou aquilo que o homem deu à luz.
83
Karl Kraus
Perífrase: «Ele preenche-me o ouvido inteiramente com a sua voz!», disse ela do cantor.
73
Karl Kraus
Se uma mulher deixa um homem à espera e o homem se contenta com outra, ele é um animal. Se um homem deixa uma mulher à espera e a mulher não se contenta com outro, ela é uma histérica. Phallus ex machina — o Salvador.
110
Karl Kraus
Hamlet não compreende a sua mãe: “Olhos sem tato, tato sem visão, ouvidos sem mãos ou sem olhos, o mero olfato ou a parte mais enfermiça de um sentido verdadeiro não andaria assim às apalpadelas. Oh vergonha! Onde está o teu rubor?”. Isso é algo que o homem não pode compreender; ele sente a ideia de que uma mulher copule com o rei Cláudio como uma impertinência contra ele próprio. Ele mesmo se sente colocado no “suor fétido de um leito asqueroso”, e a sua consciência elevada se indigna. Mas é a partir dela que Shakespeare fala. E, por isso, Hamlet apenas se escandaliza com a idade da matrona, idade em que normalmente costuma “estar domado o auge do sangue”, este “espera pela razão” e um gosto discernente se impõe. Ele reconhece que a juventude da mulher não pode escolher entre um apolo e um miserável monarca remendado, que sexo e gosto quase sempre seguem caminhos diferentes, e “proclama que não é vergonha quando as paixões se lançam ao ataque”. Não fosse o seu filho, e ele concederia mesmo à mulher de mais idade que “o demónio que a vendeu de tal maneira no jogo da cabra-cega” é o mesmo sentido sexual que entorpece todos os outros sentidos da mulher — mais ainda do que no homem mais inclinado ao sexo — e age de maneira anestesiante sobre toda a compreensão.
65
Anterior
Página 128