Citações neste tema
Outros
Padre António Vieira
Em tempo em que só vale a lisonja, não podia parecer bem quem professa só a verdade.
20
Padre António Vieira
Muitos não têm o coração dentro em si, senão fora de si e muito longe. Fora de si porque não cuidam em si, e muito longe de si porque todos os seus cuidados andam só atentos e aplicados às coisas temporais e mundanas que amam.
59
Padre António Vieira
Os outros membros são instrumentos do corpo, a língua é instrumento da alma, como intérprete do entendimento.
49
Padre António Vieira
Posto que os juízes sejam rectos, ou o queiram parecer, é tal o enredo de testemunhos falsos, induzidos e subornados, ou com o dinheiro, ou com o ódio, ou com o temor, ou com a dependência, ou com a lisonja, ou com tudo, que a mentira é a que vence e a falsidade a que triunfa.
60
Padre António Vieira
Mal é dizer mal, mas, depois de o haverdes dito, dizerdes ainda que dizeis bem é um mal maior sobre outro mal, porque é estar obstinado nele.
57
Padre António Vieira
De nenhuma coisa são mais avarentos os homens que do louvor (...), de nenhuma são mais pródigos que do desejo de receber.
60
Padre António Vieira
O livro é um mudo que fala, um surdo que responde, um cego que guia, um morto que vive, e não tendo acção em si mesmo move os ânimos e causa grandes efeitos.
52
Padre António Vieira
Não é o tempo, senão a razão, a que dá o crédito e autoridade aos escritos; nem se deve perguntar «quando», se escreveram, senão «quam bem».
50
Padre António Vieira
Aquele cego quando não tinha olhos não via, depois que teve olhos, viu; nós temos olhos e não vemos. Naquele cego houve cegueira e vista, mas em diversos tempos; em nós no mesmo tempo está junta a vista com a cegueira, porque somos cegos com os olhos abertos e, por isso, mais cegos que todos.
52
Padre António Vieira
Quem quiser ver claramente a falsidade das histórias humanas leia a mesma história por diferentes escritores, e verá como se encontram, se contradizem e se implicam no mesmo sucesso, sendo infalível que um só pode dizer a verdade e certo que nenhum a diz.
48
Padre António Vieira
Conhecer um sábio a sua ignorância ou o seu erro é muito fácil, não fora sábio se não o conhecera. Porém, chegar a o confessar, e confessá-lo publicamente, é o ponto mais árduo e dificultoso a que se pode reduzir o brio humano, e tanto mais quanto maior for o nome, opinião e o grau que tiver de douto.
21
Padre António Vieira
O pó futuro, o pó em que nos havemos de converter, vêem-no os olhos; o pó presente, o pó que somos, nem os olhos o vêem nem o entendimento o alcança.
57
Padre António Vieira
Reputa-se por escravo quem vive com dependências. De muito necessita o corpo para a ostentação comum; e já por fazer gala das necessidades intentou o corpo para a necessidade o fazer-lhe galas, querendo que parecesse ostentação o que só é remédio da sua desnudez. A alma necessita de tão pouco que até a mesma respiração com que se conserva no corpo a lança outra vez de si.
46
Padre António Vieira
Somos pouco maiores que ervas, e fingimo-nos tão grandes como as árvores; somos a coisa mais inconstante do mundo, e cuidamos que temos raízes; se o Inverno nos tirou as folhas, imaginamos que no-las há-de tornar a dar o Verão; que sempre havemos de florescer, que havemos de durar para sempre. Isto somos e isto cuidamos.
45
Padre António Vieira
Coisa dificultosa é que homens tão derramados nas coisas exteriores cheguem a se ver interiormente, como convém. Sermões (8)
32
Padre António Vieira
Nesta matéria de «vós quem sois», todo o homem mente duas vezes, uma vez mente-se a si e outra vez mente-nos a nós: mente-se a si, porque sempre cuida mais do que é; e mente-nos a nós, porque sempre diz mais do que cuida.
55
Padre António Vieira
Nas coisas baixas e vis, a humildade é filha do conhecimento próprio: nas altas, e muito mais nas altíssimas, é filha da ignorância de si mesmo.
45
Padre António Vieira
Os homens são mais feras que as feras e mais demónios que os mesmos demónios. Os demónios não têm carne nem sangue, porque são espíritos; as feras não têm entendimento nem vontade, porque se governam por instinto: e os homens são piores demónios que os demónios, porque são demónios com carne e sangue; e são piores feras que as feras, porque são feras com entendimento e vontade.
91
Padre António Vieira
A gente pior, e mais vil, e mais mofina do mundo, são os hipócritas, e também as hipócritas: porquê? Porque padecem o trabalhoso da virtude e perdem o meritório.
58
Padre António Vieira
Sendo muito poucos no mundo os homens que podem luzir, aqueles diante dos quais se possa luzir ainda são muito menos.
47