Citações neste tema
Outros
Mário Quintana
Ouço, num primitivo espanto, os gritos mais insólitos. Não sei o nome de nenhum desses pássaros, de nenhuma dessas árvores. Olho, agora, esta flor: apenas sei que é amarela. Meu pensamento, ou seja lá o que for, é simplesmente composto de adjetivos, como nos primeiros dias da Criação.
68
Mário Quintana
O verdadeiro epicurista embriaga-se com um copo d’água. O verdadeiro poeta faz poesia com as coisas mais simples e corriqueiras deste e dos outros mundos.
59
Mário Quintana
Tudo já está nas enciclopédias e todas dizem as mesmas coisas. Nenhuma delas nos pode dar uma visão inédita do mundo. Por isso é que leio os poetas. Só com os poetas se pode aprender algo novo.
53
Mário Quintana
O mais difícil, quando se escreve em prosa, é evitar as rimas e, quando se escreve em verso, achar uma rima.
61
Mário Quintana
Ah! os versos das línguas — pouco lidas como a nossa — pouco lidas por nós mesmos e desconhecidas pelo resto do mundo... Sua incomunicabilidade os torna de uma beleza única e irreparável. Quando descubro um belo verso nosso, sempre me dá vontade de chorar, porque é escrito em português.
27
Mário Quintana
Há gente que tem raiva dos clássicos, por terem sido obrigados a conhecê-los. Eu tenho pena deles, porque não nos conhecem.
50
Mário Quintana
Mas por que datar um poema? Os poetas que põem datas nos seus poemas me lembram essas galinhas que carimbam os ovos.
74
Mário Quintana
Nós seremos almas quando nos despojarmos de tudo, dizem...Mas que seremos nós sem os nossos pertences, os nossos achaques, todos os nossos inclusives?Nós somos o que temos e o que sofremos.E a coisa mais melancólica deste e do outro mundo é um cachorro sem pulgas.
64
Mário Quintana
Quem se aventura a fazer um poema é como se atirasse uma pedra n’água. Tudo depende da formação dos círculos concêntricos.Salvo se o leitor for como o Lago Asfaltite, também chamado Mar Morto. Com este não há jeito nenhum.
54
Mário Quintana
Quem se aventura a fazer um poema é como se atirasse uma pedra n’água. Tudo depende da formação dos círculos concêntricos.Salvo se o leitor for como o Lago Asfaltite, também chamado Mar Morto. Com este não há jeito nenhum.
54
Mário Quintana
Shakespeare. Nunca lhe passou pela cabeça o receio do ridículo. Em contrapartida, Racine, com a sua infalível mésure é que nos parece às vezes afetado. O que jamais acontece com Shakespeare, apesar de todos os pesares.Como os grandes homens da História estão acima do bem e do mal, os grandes poetas estão acima do bom e do mau gosto.
62
Mário Quintana
Shakespeare. Nunca lhe passou pela cabeça o receio do ridículo. Em contrapartida, Racine, com a sua infalível mésure é que nos parece às vezes afetado. O que jamais acontece com Shakespeare, apesar de todos os pesares.Como os grandes homens da História estão acima do bem e do mal, os grandes poetas estão acima do bom e do mau gosto.
62
Mário Quintana
Esse verso de pé quebrado que atravessa a página de um lado a outro, como um pobre cachorro estropiado...
81
Mário Quintana
Não me ajeito com os padres, os críticos e os canudinhos de refresco... Não há nada que substitua o sabor da comunicação direta.
58
Mário Quintana
Uma rãzinha verde no gris da manhã...Um sorriso na face de um ceguinho...Uma nota aguda como uma pergunta de criança...Um cheiro agradecido de terra molhada...Um olhar que nos enche subitamente de azul...
63
Mário Quintana
Eles consideram a Torre Eiffel, a Estátua da Liberdade e o Cristo do Corcovado entre as Sete Maravilhas do Mundo Moderno — sem a mínima desconfiança de que poderia ser o contrário.
42
Mário Quintana
Quando a gente aperta o umbigo das crianças mortas, suas alminhas se espremem de riso lá no Céu.
49
Mário Quintana
A falta de imaginação, a mesmice, é uma coisa tão cômoda, afinal... Como faz bem certificarmo-nos mais uma vez de que o cachorrinho de cada velhota sempre se chama Joli e que em toda cidadezinha desconhecida em que desembarcamos há sempre um Grande Hotel.
35
Mário Quintana
Sento-me à mesa. Quem sabe? Quem se senta, se tenta... 60, 70, escrevo, arredondando caprichosamente os zeros. E o burro do papel me fica incompreensivelmente olhando, na espera inútil dos 80. O papel está hoje com uma abominável falta de imaginação. Continua, apenas, olhando-me: vazio, mais quadrado do que nunca. Porque o papel é uma janela que, em vez de a gente espiar por ela, ela é que espia para a gente.
56
Mário Quintana
Sento-me à mesa. Quem sabe? Quem se senta, se tenta... 60, 70, escrevo, arredondando caprichosamente os zeros. E o burro do papel me fica incompreensivelmente olhando, na espera inútil dos 80. O papel está hoje com uma abominável falta de imaginação. Continua, apenas, olhando-me: vazio, mais quadrado do que nunca. Porque o papel é uma janela que, em vez de a gente espiar por ela, ela é que espia para a gente.
56
Mário Quintana
Os versos, em geral, são versos de embalar, como eu às vezes os tenho feito, não sei se por simples complacência... ou pura piedade.Contudo, os verdadeiros versos não são para embalar — mas para abalar.Mesmo a mais simples canção, quando a canta um Garcia Lorca, desperta-te a alma para um mundo de espanto.
70