Citações neste tema
Outros
Mário Quintana
Não te assustes com a cafonice do título. Eu também não acredito que tenham jamais existido as vendedoras de violetas. É dessas coisas falsamente poéticas, pura invencionice para idealizar a miséria misturando-a com flores — ainda mais a violeta, famosa pela sua humildade e modéstia — ôrre!
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Mário Quintana
As rimas ricas acabaram morrendo por falta de recursos. Havia algumas que só eram quatro, o estritamente necessário para os dois quartetos do sonetista. Outras, nem isso... pobre do Emílio de Menezes!Creio que foi a mesma rimatite que esfrangalhou irremediavelmente os nervos de Edmond Rostand. Mas esse, ao menos, conseguiu executar soberbamente os seus números. E — acreditem — não morreu de entorse. Veio a morrer de tanto tour-de-force. Sob o aplauso entusiástico das arquibancadas.
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Mário Quintana
O crítico é um camarada que contorna uma tapeçaria e vai olhá-la pelo lado avesso.
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Mário Quintana
Não pode haver a menor dúvida a respeito. O ovo é a mais perfeita forma da Criação. Mas como dói!
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Mário Quintana
Não pode haver a menor dúvida a respeito. O ovo é a mais perfeita forma da Criação. Mas como dói!
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Mário Quintana
Pensar nos leitores — ou num determinado leitor prejudica a naturalidade, de sorte que a única maneira de um autor não fazer pose é escrever para ninguém. E muito menos para si mesmo.
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Mário Quintana
Clair de lune , chiaro de luna , claro de luna ... mas os franceses, os italianos e os espanhóis saberão mesmo o que seja o luar, que nós bebemos de um trago numa palavra só?
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Mário Quintana
A natureza é barroca. O sonho é barroco. Portanto, que teriam vindo fazer neste mundo as colunas gregas?
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Mário Quintana
Não sei pensar a máquina. Escrevo, isto é, faço o meu trabalho criativo primeiramente a lápis. Depois, com o queixo apoiado na mão esquerda, repasso tudo a máquina com um dedo só.— Mas isto não custa muito?— Custar custa, mas dura mais.
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Mário Quintana
O que há de mais espantoso na moda é que até os filósofos ela faz desfilarem pela sua oscilante passarela. Primeiro foi o Sartre, depois o Marcuse — lembram-se? — e agora — quem é que não sabe? — é o MacLuhan. Pobres filósofos... Qual será a próxima vítima?Até parece que cair nas garras da moda é o primeiro passo para o esquecimento. Mas não exageremos: às vezes essa velha entremetteuse engana-se e acerta por acaso.
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Mário Quintana
E esses que evitam cuidadosamente os “quês” (parece que o toque de caixa foi dado pelo velho Castilho) o que estão, afinal, é desossando este nosso rude e doloroso idioma... Um idioma durão!
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Mário Quintana
Boates, toaletes, quitinetes, ateliês, e assim por diante... E como essas palavras, universalmente usadas, ficam difíceis de reconhecer... E trotoar, como é possível fazer trotoar? Ah, trottoir... agora sim!E depois, se vamos aportuguesar desse modo todas as palavras estrangeiras, a gente acaba perdendo o pouco de cultura que ainda tem.
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Mário Quintana
Costumava-se distinguir entre creação e criação. Exemplo: a creação de um poema, a criação de galinhas. Era limpo e nítido. Nada de confusões. Mas agora que tudo é um, como diziam os clássicos, ficou irremediavelmente perdido o que escrevi, um dia:“Deus creou o mundo e o diabo criou o mundo.” E agora? Para explicar tudo isso em mais palavras o que seria um verdadeiro crime — imaginem os circunlóquios que eu teria de fazer... Não faço!
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