Citações neste tema
Humor e Ironia
Mário Quintana
Certo dia me disse um chinês: — Há gente que procura fazer as coisas da maneira mais complicada possível. Cristóvão Colombo, por exemplo. Até hoje não atino por que seria que ele pôs um ovo de pé.
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Mário Quintana
Conviver toda a existência com alguém sem nunca lhe dar a entender que ele perdeu há anos uma perna ou que perdeu um dia a cabeça.
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Mário Quintana
Os extrovertidos são julgados normais. Quanto aos introvertidos, chegam a submetê-los a tratamento. Mas para curá-los de quê? De não poderem ser chatos, como os outros?
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Mário Quintana
Não é por me gabar, mas nunca pude rir das situações ridículas. Nem há nada mais triste neste mundo. Porque o ridículo é a tragédia sem grandeza. Esses maridos que saem a passear os lulus das patroas.
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Mário Quintana
No verão dá cupim na cabeça da gente. Cupim ou caruncho? Será a mesma coisa? Não sei. Nem vou saber agora. Verão é isso mesmo: preguiça de procurar palavras no dicionário.
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Mário Quintana
Os “burgueses” desprezam o pobre e o pária social, sentimento esse que Chaplin levou longe demais ao transformá-lo num palhaço — o Carlitos.
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Mário Quintana
Basta havermos lido Dostoiévski e Tolstoi (como fizeram todos os da minha geração) para não duvidar de que o povo russo é profundamente religioso. Nós, não. E por isso mesmo jamais poderíamos cair, como eles, por transferência, na implacável mística do ateísmo. Eles são fanaticamente ateus. Nós não somos fanaticamente religiosos. Moral da História: o trunfo é nosso.
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Mário Quintana
Nosso Senhor não tem o mínimo senso de humor: leva tudo a sério... Com ele não se brinca.
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Mário Quintana
— Você ainda não leu O significado do significado ? Não? Assim você nunca fica em dia. — Mas eu estou só esperando que apareça O significado do significado do significado .
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Mário Quintana
Mas você ainda não pensou como seriam esplêndidos os filmes de Chaplin se interpretados por outro?
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Mário Quintana
O velho mendigo que neste momento acaba de encontrar num monte de sucata a lâmpada de Aladino — tão amassada, tão enferrujada e de feitio tão esquisito — eis que ele a abandona e leva em vez dela uma útil chaleira. Uma chaleira sem tampa, digo eu, para os que gostam de pormenores. E não é esta a primeira vez que o acaso, inocentemente, assim estraga uma bela história.
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Mário Quintana
É tal a sua pressa de comunicação que eles se esquecem de aprender primeiro a expressar-se.
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Mário Quintana
Era um grande nome — ora que dúvida! Uma verdadeira glória. Um dia adoeceu, morreu, virou rua... E continuaram a pisar em cima dele.
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Mário Quintana
Quando, enfim, apareceu o Abominável Homem das Neves montado no Monstro de Lochness, já era tarde para eles. Bem feito! Quem lhes mandou serem tão misteriosos assim? Eles pensavam que ainda eram notícia. Nem isso: eram apenas famosos.
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Mário Quintana
— Manuela é nome de mulher de sapo — sentencia Lili. E não adianta perguntar por quê. — Todo o mundo sabe...
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Mário Quintana
Dizeis que tudo é amor e eu vos direi que a fome é tudo; tanto assim que o verbo comer, na insondável sabedoria do povo, também significa possuir carnalmente.
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Mário Quintana
Conheci uma moça meio biruta, que era um encanto. Dizia coisas. Certa vez saiu-me com esta: “O cristal é mais frágil porém muito mais sincero que o bisquit.” Foi assim mesmo que ela disse, sem pausa e sem pontuação: tinha uma frase cantante e ininterrupta como conversa de vento. Um encanto, repito. Seria biruta, mesmo?
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Mário Quintana
As dentaduras expostas nas montras de artigos protéticos parecem dentaduras de antropófagos.
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Mário Quintana
Qual a essência do cômico? Um homem de perna de pau nos deixa indiferentes, polidamente indiferentes. Mas três homens de perna de pau andando juntos na rua... Essa não! Por que estás rindo?
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Mário Quintana
Não sei se alguém já descobriu que a sutilíssima arte desses palhaços de circo está justamente na graça que eles não têm.
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Mário Quintana
Essa fúria de limpeza que ataca periodicamente as donas de casa não será por acaso uma lavagem de consciência culpada?
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Mário Quintana
Como todos os indivíduos profundamente sentimentais, acontece que tenho verdadeiro horror ao sentimentalismo verbal. Daí, certos toques de “humour” nos meus poemas. Uns toques de impureza, pois. E na verdade te digo que poeta puro, mesmo, “na santidade da sua nudez”, só mesmo a Cecília Meireles. A nossa Cecília que, a 9 do mês de novembro em que escrevo estas linhas, faz exatamente cinco anos que não morreu.
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