Citações neste tema
Humor e Ironia
Karl Kraus
Dificilmente haverá um escritor que em tão pouco tempo se tenha tornado tão desconhecido quanto esse X.
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Karl Kraus
É melhor que não nos roubem nada. Assim pelo menos não teremos problemas com a polícia.
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Karl Kraus
Desde que maçãs podres serviram certa vez de estímulo no drama alemão, o público receia usá-las como meio de intimidação.
79
Karl Kraus
Empregar palavras incomuns é um vício literário. Devemos colocar apenas dificuldades de pensamento no caminho do público.
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Karl Kraus
Somos cultos o bastante para evitar restaurantes que são “instituições de engorda”. Porém o pensamento de se deixar arrebatar às esferas celestes na companhia de mais quinhentas pessoas não perturba nenhum dos cultos frequentadores de concertos. Não me oponho a satisfazer as necessidades da vida junto com os meus concidadãos, mas a preço nenhum deste mundo gostaria de me encontrar com um único deles na ilha dos bem-aventurados.
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Karl Kraus
Literatos alemães: os louros com que um sonha não deixam o outro dormir. Outro, por sua vez, sonha que os seus louros não deixam um outro dormir, e este não dorme porque o outro sonha com louros.
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Karl Kraus
O leitor admite de bom grado que o autor o deixe confuso com a sua cultura geral. Qualquer pessoa fica impressionada porque não sabia como a ilha de Corfu se chama em albanês. Pois a partir de então ela sabe, e pode brilhar diante dos outros que ainda não sabem. A cultura geral é a única premissa que o público não leva a mal, e um autor que humilha o leitor nesse ponto tem a sua fama presente garantida. Mas ai daquele que pressupõe faculdades que não possam ser recuperadas ou cuja aplicação esteja ligada a incomodidades! Tudo bem que o autor saiba mais que o leitor; mas que ele tenha pensado mais não lhe será perdoado tão facilmente. O público não pode ser mais tolo. Ele é inclusive mais inteligente do que o autor culto, pois fica sabendo através da sua revista como a ilha de Corfu se chama em albanês, enquanto aquele teve de consultar uma enciclopédia primeiro.
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Karl Kraus
Quando lemos um dos seus ensaios mitológico-políticos aprendemos a odiar a cultura mais do que o absolutamente necessário.
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Karl Kraus
Obras de arte são supérfluas. É necessário criá-las, é verdade, mas não é necessário mostrá-las. Quem possui arte em si não necessita da ocasião externa. Quem não a possui vê apenas a ocasião. A um o artista impõe-se, ao outro prostitui-se. Em ambos os casos, deveria envergonhar-se.
64
Karl Kraus
Nem de longe um bom escritor recebe tantas cartas anónimas ofensivas quanto normalmente se supõe. De cem asnos, nem dez admitem sê-lo, e no máximo um coloca isso por escrito.
50
Karl Kraus
Não confio na máquina de impressão quando lhe entrego os meus manuscritos. Como pode um dramaturgo fiar-se na boca de um ator?
60
Karl Kraus
O gosto moderno necessita das complicações mais rebuscadas para finalmente descobrir que a melhor forma para um copo de água é a redonda. Ele chega ao conveniente pelo caminho das incomodidades. Ele trabalha no suor do seu rosto para reconhecer que a Terra não é um cubo, mas uma esfera. Esse assombro indígena da civilização perante as conquistas da natureza tem algo tocante.
78
Karl Kraus
Antes os cenários eram de cartão e os atores eram de verdade. Agora os cenários são completamente convincentes, e os atores, de cartão.
64
Karl Kraus
Há dois tipos de apreciadores da arte. Uns elogiam o que é bom porque é bom e criticam o que é mau porque é mau. Outros criticam o que é bom porque é bom e elogiam o que é mau porque é mau. A distinção entre esses tipos é simples pelo facto de o primeiro deles não existir. As coisas seriam fáceis de entender se não houvesse ainda uma terceira categoria. Ela é formada por aqueles que elogiam o que é bom apesar de ser bom e criticam o que é mau embora seja mau. É a essa espécie perigosa que se deve toda a confusão nos assuntos artísticos. O seu instinto diz-lhes que devem alvejar o que é errado, mas por precaução alvejam o que é certo. Possuem razões que se encontram fora da sensibilidade artística. O artista poderia viver sem o esnobismo que o exalta. Dificilmente, sem a estupidez que o degrada.
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Karl Kraus
Rir da vaidade dos atores, da sua necessidade de aplausos e afins é ridículo. As pessoas de teatro precisam do aplauso para representar melhor; e para isso, também basta o aplauso fingido. O sentimento de felicidade que alguns atores mostram quando são aplaudidos por aqueles que pagaram para o fazer é uma prova do seu génio artístico. Dificilmente alguém teria-se tornado um grande ator se o público tivesse vindo ao mundo sem mãos.
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