Citações neste tema
Literatura e Palavras
Karl Kraus
Os meus trabalhos devem ser lidos duas vezes para serem bem compreendidos. Mas tampouco me oponho a que sejam lidos três vezes. Prefiro, porém, que não sejam lidos do que o sejam apenas uma vez. Não pretendo responsabilizar-me pelas congestões de um imbecil que não tem tempo.
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Karl Kraus
O leitor admite de bom grado que o autor o deixe confuso com a sua cultura geral. Qualquer pessoa fica impressionada porque não sabia como a ilha de Corfu se chama em albanês. Pois a partir de então ela sabe, e pode brilhar diante dos outros que ainda não sabem. A cultura geral é a única premissa que o público não leva a mal, e um autor que humilha o leitor nesse ponto tem a sua fama presente garantida. Mas ai daquele que pressupõe faculdades que não possam ser recuperadas ou cuja aplicação esteja ligada a incomodidades! Tudo bem que o autor saiba mais que o leitor; mas que ele tenha pensado mais não lhe será perdoado tão facilmente. O público não pode ser mais tolo. Ele é inclusive mais inteligente do que o autor culto, pois fica sabendo através da sua revista como a ilha de Corfu se chama em albanês, enquanto aquele teve de consultar uma enciclopédia primeiro.
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Karl Kraus
Primeiro o cão fareja, depois levanta a perna. Contra essa falta de originalidade compreensivelmente não se pode objetar nada. Mas o facto de o literato ler antes de escrever é desolador.
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Karl Kraus
Empregar palavras incomuns é um vício literário. Devemos colocar apenas dificuldades de pensamento no caminho do público.
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Karl Kraus
Devemos ler todos os escritores duas vezes, os bons e os maus. Uns serão reconhecidos, e os outros, desmascarados.
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Karl Kraus
Ele domina a língua alemã — isso vale para o caixeiro. O artista é um criado da palavra.
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Karl Kraus
Há escritores que já conseguem dizer em vinte páginas aquilo para o que às vezes preciso de até duas linhas.
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Karl Kraus
Quem emite opiniões não se pode deixar apanhar em contradição. Quem tem pensamentos também pensa entre as contradições.
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Karl Kraus
Será a literatura nada mais do que a habilidade de apresentar ao público uma opinião com palavras? Então a pintura seria a arte de expressar uma opinião em cores. No entanto, os jornalistas da pintura são os pintores de paredes. E eu acredito que um escritor é aquele que diz ao público uma obra de arte. A maior honra que já recebi foi-me prestada quando um leitor me confessou embaraçado que só conseguia entender os meus textos na segunda leitura. Hesitou em me dizer isso, teve dificuldades em falar a minha língua. Esse era um entendido e não sabia. O elogio ao meu estilo deixa-me indiferente, mas as críticas que lhe fazem logo me deixarão orgulhoso. Durante muito tempo tive receio de que as pessoas tivessem prazer com os meus textos já na primeira leitura. Como? Uma frase deveria servir para o público enxaguar a boca com ela? Os folhetinistas que escrevem em alemão possuem uma considerável vantagem em relação aos escritores que escrevem a partir do alemão. Ganham à primeira vista e desiludem à segunda: é como se de repente estivéssemos nos bastidores e víssemos que tudo é de cartão. No caso dos outros, porém, é como se um véu cobrisse a cena. Quem já deveria aplaudir? Vão-se embora antes que a cena se torne visível. Assim se comporta a maioria; não têm tempo. E não têm tempo apenas para as obras da linguagem. No caso das pinturas, admitem que não devam representar apenas um processo apreendido pelo primeiro olhar: obrigam-se a dar um segundo olhar para chegar a perceber alguma coisa da arte das cores. Mas uma arte da construção de frases? Se lhes dissermos que isso existe, pensam na obediência às leis da gramática.
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Karl Kraus
Não falemos publicamente sobre os problemas da vida sexual. Que a vivamos e lhe demos forma, mas nos calemos a respeito. Para resguardar a verdade é lícito ser hipócrita.
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Karl Kraus
O jogo de palavras, desprezível como fim em si mesmo, pode ser o recurso mais nobre de uma intenção artística na medida em que serve para abreviar uma intuição espirituosa. Ele pode ser um epigrama de crítica social.
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Karl Kraus
Um escritor que eterniza um facto quotidiano compromete apenas a atualidade. Porém, quem jornaliza a eternidade tem perspetiva de ser reconhecido nas altas rodas.
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Karl Kraus
O que entra no ouvido com facilidade também sai com facilidade. O que entra com dificuldade também sai com dificuldade. Isto vale muito mais para a escrita do que para a música.
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Karl Kraus
A linguagem é o material do artista literário; porém, ela não pertence só a ele, enquanto a cor pertence exclusivamente ao pintor. Por essa razão, as pessoas deveriam ser proibidas de falar. A linguagem de sinais basta perfeitamente para os pensamentos que têm para comunicar entre si. É permitido lambuzar as nossas roupas sem cessar com tinta a óleo?
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Karl Kraus
Que a palavra escrita seja a corporificação naturalmente necessária de um pensamento, e não o invólucro socialmente aceitável de uma opinião.
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Karl Kraus
Quando lemos um dos seus ensaios mitológico-políticos aprendemos a odiar a cultura mais do que o absolutamente necessário.
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Karl Kraus
O jornalismo serve apenas aparentemente ao tempo atual. Na verdade, ele destrói a sensibilidade intelectual da posteridade.
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Karl Kraus
O que a sífilis poupou será devastado pela imprensa. Nos amolecimentos cerebrais do futuro, não se poderá mais constatar a causa com segurança.
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Karl Kraus
As qualidades intelectuais e morais da mulher também podem estimular a sexualidade fútil do homem. Pode ser comprometedor se mostrar na rua em companhia de uma mulher honrada, mas praticamente beira o exibicionismo conversar com uma rapariga sobre literatura.
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