Citações neste tema
Paixão
William Shakespeare
Violentas alegrias têm fim violento, falecendo no triunfo, como a pólvora e o fogo, que num beijo se consomem.
76
Karl Kraus
Eros tem sorte no amor. O desperdício proporciona-lhe crescimento; a ofensa, honra. Magoe-o, e isso ser-lhe-á um prazer; difame-o, e isso ser-lhe-á útil. Podes fazer-lhe de tudo, só não lhe dizer a tua opinião na cara. Ele não é queixoso, mas também não é ávido de saber. Ele só é curioso e quer descobrir as coisas por conta própria. Ainda que saibas tudo melhor do que ele, sabe isto: ele toma parte de tudo no mundo, só não toma parte no tédio. O que dele escondes, ele partilhará contigo; mas ele desdenha a tua ciência.
78
Karl Kraus
Hamlet não compreende a sua mãe: “Olhos sem tato, tato sem visão, ouvidos sem mãos ou sem olhos, o mero olfato ou a parte mais enfermiça de um sentido verdadeiro não andaria assim às apalpadelas. Oh vergonha! Onde está o teu rubor?”. Isso é algo que o homem não pode compreender; ele sente a ideia de que uma mulher copule com o rei Cláudio como uma impertinência contra ele próprio. Ele mesmo se sente colocado no “suor fétido de um leito asqueroso”, e a sua consciência elevada se indigna. Mas é a partir dela que Shakespeare fala. E, por isso, Hamlet apenas se escandaliza com a idade da matrona, idade em que normalmente costuma “estar domado o auge do sangue”, este “espera pela razão” e um gosto discernente se impõe. Ele reconhece que a juventude da mulher não pode escolher entre um apolo e um miserável monarca remendado, que sexo e gosto quase sempre seguem caminhos diferentes, e “proclama que não é vergonha quando as paixões se lançam ao ataque”. Não fosse o seu filho, e ele concederia mesmo à mulher de mais idade que “o demónio que a vendeu de tal maneira no jogo da cabra-cega” é o mesmo sentido sexual que entorpece todos os outros sentidos da mulher — mais ainda do que no homem mais inclinado ao sexo — e age de maneira anestesiante sobre toda a compreensão.
63
Anterior
Página 6