Poemas neste tema
Relações e Família
Charles Bukowski
Scarlet
fico feliz quando elas chegam
e feliz quando se vão
feliz quando escuto os saltos
se aproximando de minha porta
feliz quando esses saltos
se afastam
feliz por foder
feliz por me importar
feliz quando tudo termina
e
desde que as coisas ou estão
começando ou terminando
fico feliz
a maior parte do tempo
e os gatos caminham pra cima e pra baixo
e a terra gira em torno do sol
e o telefone toca:
“é a Scarlet”.
“quem?”
“Scarlet.”
“certo, pinta aí.”
e desligo pensando
talvez seja isso
entro
dou uma cagada rápida
me barbeio
me banho
me visto
ponho o lixo
e as caixas cheias de garrafas vazias
pra fora
me sento ao som dos
saltos se aproximando
parecendo mais a aproximação de um exército
do que o som da vitória
é Scarlet
e na minha cozinha a torneira
continua pingando
precisando de conserto.
cuidarei disso mais
tarde.
e feliz quando se vão
feliz quando escuto os saltos
se aproximando de minha porta
feliz quando esses saltos
se afastam
feliz por foder
feliz por me importar
feliz quando tudo termina
e
desde que as coisas ou estão
começando ou terminando
fico feliz
a maior parte do tempo
e os gatos caminham pra cima e pra baixo
e a terra gira em torno do sol
e o telefone toca:
“é a Scarlet”.
“quem?”
“Scarlet.”
“certo, pinta aí.”
e desligo pensando
talvez seja isso
entro
dou uma cagada rápida
me barbeio
me banho
me visto
ponho o lixo
e as caixas cheias de garrafas vazias
pra fora
me sento ao som dos
saltos se aproximando
parecendo mais a aproximação de um exército
do que o som da vitória
é Scarlet
e na minha cozinha a torneira
continua pingando
precisando de conserto.
cuidarei disso mais
tarde.
1 290
Charles Bukowski
Scarlet
fico feliz quando elas chegam
e feliz quando se vão
feliz quando escuto os saltos
se aproximando de minha porta
feliz quando esses saltos
se afastam
feliz por foder
feliz por me importar
feliz quando tudo termina
e
desde que as coisas ou estão
começando ou terminando
fico feliz
a maior parte do tempo
e os gatos caminham pra cima e pra baixo
e a terra gira em torno do sol
e o telefone toca:
“é a Scarlet”.
“quem?”
“Scarlet.”
“certo, pinta aí.”
e desligo pensando
talvez seja isso
entro
dou uma cagada rápida
me barbeio
me banho
me visto
ponho o lixo
e as caixas cheias de garrafas vazias
pra fora
me sento ao som dos
saltos se aproximando
parecendo mais a aproximação de um exército
do que o som da vitória
é Scarlet
e na minha cozinha a torneira
continua pingando
precisando de conserto.
cuidarei disso mais
tarde.
e feliz quando se vão
feliz quando escuto os saltos
se aproximando de minha porta
feliz quando esses saltos
se afastam
feliz por foder
feliz por me importar
feliz quando tudo termina
e
desde que as coisas ou estão
começando ou terminando
fico feliz
a maior parte do tempo
e os gatos caminham pra cima e pra baixo
e a terra gira em torno do sol
e o telefone toca:
“é a Scarlet”.
“quem?”
“Scarlet.”
“certo, pinta aí.”
e desligo pensando
talvez seja isso
entro
dou uma cagada rápida
me barbeio
me banho
me visto
ponho o lixo
e as caixas cheias de garrafas vazias
pra fora
me sento ao som dos
saltos se aproximando
parecendo mais a aproximação de um exército
do que o som da vitória
é Scarlet
e na minha cozinha a torneira
continua pingando
precisando de conserto.
cuidarei disso mais
tarde.
1 290
Charles Bukowski
A Retirada
desta vez o negócio acabou comigo.
me sinto como as tropas alemãs
açoitadas pela neve e pelos comunistas
caminhando curvadas
as botas gastas
forradas com papel jornal.
minha condição é tão terrível quanto.
talvez até pior.
a vitória estava tão perto
a vitória estava logo ali.
enquanto ela estava ali diante de meu espelho
mais jovem e bela do que
qualquer outra mulher que eu já conhecera
penteando metros e mais metros de cabelo ruivo
enquanto eu a observava.
e quando ela veio para a cama
estava mais bela do que nunca
e o amor foi muito muito bom.
onze meses.
agora ela se foi
como todas se vão.
desta vez o negócio acabou comigo.
é um longo caminho de volta
mas de volta pra onde?
o cara que vai na minha frente acaba de
cair.
passo por cima dele.
será que ela também o acertou?
me sinto como as tropas alemãs
açoitadas pela neve e pelos comunistas
caminhando curvadas
as botas gastas
forradas com papel jornal.
minha condição é tão terrível quanto.
talvez até pior.
a vitória estava tão perto
a vitória estava logo ali.
enquanto ela estava ali diante de meu espelho
mais jovem e bela do que
qualquer outra mulher que eu já conhecera
penteando metros e mais metros de cabelo ruivo
enquanto eu a observava.
e quando ela veio para a cama
estava mais bela do que nunca
e o amor foi muito muito bom.
onze meses.
agora ela se foi
como todas se vão.
desta vez o negócio acabou comigo.
é um longo caminho de volta
mas de volta pra onde?
o cara que vai na minha frente acaba de
cair.
passo por cima dele.
será que ela também o acertou?
1 261
Charles Bukowski
A Retirada
desta vez o negócio acabou comigo.
me sinto como as tropas alemãs
açoitadas pela neve e pelos comunistas
caminhando curvadas
as botas gastas
forradas com papel jornal.
minha condição é tão terrível quanto.
talvez até pior.
a vitória estava tão perto
a vitória estava logo ali.
enquanto ela estava ali diante de meu espelho
mais jovem e bela do que
qualquer outra mulher que eu já conhecera
penteando metros e mais metros de cabelo ruivo
enquanto eu a observava.
e quando ela veio para a cama
estava mais bela do que nunca
e o amor foi muito muito bom.
onze meses.
agora ela se foi
como todas se vão.
desta vez o negócio acabou comigo.
é um longo caminho de volta
mas de volta pra onde?
o cara que vai na minha frente acaba de
cair.
passo por cima dele.
será que ela também o acertou?
me sinto como as tropas alemãs
açoitadas pela neve e pelos comunistas
caminhando curvadas
as botas gastas
forradas com papel jornal.
minha condição é tão terrível quanto.
talvez até pior.
a vitória estava tão perto
a vitória estava logo ali.
enquanto ela estava ali diante de meu espelho
mais jovem e bela do que
qualquer outra mulher que eu já conhecera
penteando metros e mais metros de cabelo ruivo
enquanto eu a observava.
e quando ela veio para a cama
estava mais bela do que nunca
e o amor foi muito muito bom.
onze meses.
agora ela se foi
como todas se vão.
desta vez o negócio acabou comigo.
é um longo caminho de volta
mas de volta pra onde?
o cara que vai na minha frente acaba de
cair.
passo por cima dele.
será que ela também o acertou?
1 261
Charles Bukowski
A Retirada
desta vez o negócio acabou comigo.
me sinto como as tropas alemãs
açoitadas pela neve e pelos comunistas
caminhando curvadas
as botas gastas
forradas com papel jornal.
minha condição é tão terrível quanto.
talvez até pior.
a vitória estava tão perto
a vitória estava logo ali.
enquanto ela estava ali diante de meu espelho
mais jovem e bela do que
qualquer outra mulher que eu já conhecera
penteando metros e mais metros de cabelo ruivo
enquanto eu a observava.
e quando ela veio para a cama
estava mais bela do que nunca
e o amor foi muito muito bom.
onze meses.
agora ela se foi
como todas se vão.
desta vez o negócio acabou comigo.
é um longo caminho de volta
mas de volta pra onde?
o cara que vai na minha frente acaba de
cair.
passo por cima dele.
será que ela também o acertou?
me sinto como as tropas alemãs
açoitadas pela neve e pelos comunistas
caminhando curvadas
as botas gastas
forradas com papel jornal.
minha condição é tão terrível quanto.
talvez até pior.
a vitória estava tão perto
a vitória estava logo ali.
enquanto ela estava ali diante de meu espelho
mais jovem e bela do que
qualquer outra mulher que eu já conhecera
penteando metros e mais metros de cabelo ruivo
enquanto eu a observava.
e quando ela veio para a cama
estava mais bela do que nunca
e o amor foi muito muito bom.
onze meses.
agora ela se foi
como todas se vão.
desta vez o negócio acabou comigo.
é um longo caminho de volta
mas de volta pra onde?
o cara que vai na minha frente acaba de
cair.
passo por cima dele.
será que ela também o acertou?
1 261
Charles Bukowski
Imaginação E Realidade
há muitas mulheres solteiras no mundo
com um ou dois ou três filhos
e alguém se pergunta aonde foram os maridos
ou aonde foram
os amantes
deixando para trás
todas essas mãos e esses olhos e esses pés
e essas vozes.
ao passar por suas casas
gosto de abrir armários e
olhar o que há dentro
ou então debaixo da pia
ou no guarda-roupa –
espero encontrar o marido
ou o amante e ele me dirá:
“ei, parceiro, você não percebeu as
estrias, ela tem estrias
e peitos caídos e come
cebolas o tempo todo e peida... mas
sou um cara habilidoso. posso consertar coisas,
sei como usar um torno mecânico e
troco sozinho o óleo do carro. sei jogar
sinuca, boliche, posso chegar em 5º ou
6º em qualquer maratona por
aí. tenho um jogo de tacos de
golfe, lanço a bola a longas distâncias. sei
onde fica o clitóris e o que fazer com
ele. tenho um chapéu de caubói com as abas
dobradas para cima.
sou bom com o laço e com os punhos
conheço os últimos passos de dança.”
e eu direi, “veja só, estou de saída”.
e sumirei antes que ele acabe me desafiando
para uma queda de braços
ou me conte uma piada bagaceira
ou me mostre a tatuagem no seu
bíceps direito em movimento.
mas de fato
tudo o que encontro no armário são
xícaras de café e pratos marrons, grandes e rachados
e debaixo da pia uma pilha de trapos
endurecidos, e no guarda-roupa – mais cabides
do que roupas, e é só quando ela me mostra
o álbum e as fotos dele –
tão bom quanto uma calçadeira, ou um carrinho de
supermercado cujas rodas não estão emperradas –
que a dúvida íntima se desfaz, e as
páginas avançam e ali está uma criança com
um traje de banho vermelho e lá está
a outra
perseguindo uma gaivota em Santa Mônica.
e a vida se torna triste e nada perigosa
e, dessa maneira, boa o suficiente:
tê-la para lhe trazer uma xícara de café em
uma daquelas xícaras sem que ele
apareça.
com um ou dois ou três filhos
e alguém se pergunta aonde foram os maridos
ou aonde foram
os amantes
deixando para trás
todas essas mãos e esses olhos e esses pés
e essas vozes.
ao passar por suas casas
gosto de abrir armários e
olhar o que há dentro
ou então debaixo da pia
ou no guarda-roupa –
espero encontrar o marido
ou o amante e ele me dirá:
“ei, parceiro, você não percebeu as
estrias, ela tem estrias
e peitos caídos e come
cebolas o tempo todo e peida... mas
sou um cara habilidoso. posso consertar coisas,
sei como usar um torno mecânico e
troco sozinho o óleo do carro. sei jogar
sinuca, boliche, posso chegar em 5º ou
6º em qualquer maratona por
aí. tenho um jogo de tacos de
golfe, lanço a bola a longas distâncias. sei
onde fica o clitóris e o que fazer com
ele. tenho um chapéu de caubói com as abas
dobradas para cima.
sou bom com o laço e com os punhos
conheço os últimos passos de dança.”
e eu direi, “veja só, estou de saída”.
e sumirei antes que ele acabe me desafiando
para uma queda de braços
ou me conte uma piada bagaceira
ou me mostre a tatuagem no seu
bíceps direito em movimento.
mas de fato
tudo o que encontro no armário são
xícaras de café e pratos marrons, grandes e rachados
e debaixo da pia uma pilha de trapos
endurecidos, e no guarda-roupa – mais cabides
do que roupas, e é só quando ela me mostra
o álbum e as fotos dele –
tão bom quanto uma calçadeira, ou um carrinho de
supermercado cujas rodas não estão emperradas –
que a dúvida íntima se desfaz, e as
páginas avançam e ali está uma criança com
um traje de banho vermelho e lá está
a outra
perseguindo uma gaivota em Santa Mônica.
e a vida se torna triste e nada perigosa
e, dessa maneira, boa o suficiente:
tê-la para lhe trazer uma xícara de café em
uma daquelas xícaras sem que ele
apareça.
1 245
Charles Bukowski
Imaginação E Realidade
há muitas mulheres solteiras no mundo
com um ou dois ou três filhos
e alguém se pergunta aonde foram os maridos
ou aonde foram
os amantes
deixando para trás
todas essas mãos e esses olhos e esses pés
e essas vozes.
ao passar por suas casas
gosto de abrir armários e
olhar o que há dentro
ou então debaixo da pia
ou no guarda-roupa –
espero encontrar o marido
ou o amante e ele me dirá:
“ei, parceiro, você não percebeu as
estrias, ela tem estrias
e peitos caídos e come
cebolas o tempo todo e peida... mas
sou um cara habilidoso. posso consertar coisas,
sei como usar um torno mecânico e
troco sozinho o óleo do carro. sei jogar
sinuca, boliche, posso chegar em 5º ou
6º em qualquer maratona por
aí. tenho um jogo de tacos de
golfe, lanço a bola a longas distâncias. sei
onde fica o clitóris e o que fazer com
ele. tenho um chapéu de caubói com as abas
dobradas para cima.
sou bom com o laço e com os punhos
conheço os últimos passos de dança.”
e eu direi, “veja só, estou de saída”.
e sumirei antes que ele acabe me desafiando
para uma queda de braços
ou me conte uma piada bagaceira
ou me mostre a tatuagem no seu
bíceps direito em movimento.
mas de fato
tudo o que encontro no armário são
xícaras de café e pratos marrons, grandes e rachados
e debaixo da pia uma pilha de trapos
endurecidos, e no guarda-roupa – mais cabides
do que roupas, e é só quando ela me mostra
o álbum e as fotos dele –
tão bom quanto uma calçadeira, ou um carrinho de
supermercado cujas rodas não estão emperradas –
que a dúvida íntima se desfaz, e as
páginas avançam e ali está uma criança com
um traje de banho vermelho e lá está
a outra
perseguindo uma gaivota em Santa Mônica.
e a vida se torna triste e nada perigosa
e, dessa maneira, boa o suficiente:
tê-la para lhe trazer uma xícara de café em
uma daquelas xícaras sem que ele
apareça.
com um ou dois ou três filhos
e alguém se pergunta aonde foram os maridos
ou aonde foram
os amantes
deixando para trás
todas essas mãos e esses olhos e esses pés
e essas vozes.
ao passar por suas casas
gosto de abrir armários e
olhar o que há dentro
ou então debaixo da pia
ou no guarda-roupa –
espero encontrar o marido
ou o amante e ele me dirá:
“ei, parceiro, você não percebeu as
estrias, ela tem estrias
e peitos caídos e come
cebolas o tempo todo e peida... mas
sou um cara habilidoso. posso consertar coisas,
sei como usar um torno mecânico e
troco sozinho o óleo do carro. sei jogar
sinuca, boliche, posso chegar em 5º ou
6º em qualquer maratona por
aí. tenho um jogo de tacos de
golfe, lanço a bola a longas distâncias. sei
onde fica o clitóris e o que fazer com
ele. tenho um chapéu de caubói com as abas
dobradas para cima.
sou bom com o laço e com os punhos
conheço os últimos passos de dança.”
e eu direi, “veja só, estou de saída”.
e sumirei antes que ele acabe me desafiando
para uma queda de braços
ou me conte uma piada bagaceira
ou me mostre a tatuagem no seu
bíceps direito em movimento.
mas de fato
tudo o que encontro no armário são
xícaras de café e pratos marrons, grandes e rachados
e debaixo da pia uma pilha de trapos
endurecidos, e no guarda-roupa – mais cabides
do que roupas, e é só quando ela me mostra
o álbum e as fotos dele –
tão bom quanto uma calçadeira, ou um carrinho de
supermercado cujas rodas não estão emperradas –
que a dúvida íntima se desfaz, e as
páginas avançam e ali está uma criança com
um traje de banho vermelho e lá está
a outra
perseguindo uma gaivota em Santa Mônica.
e a vida se torna triste e nada perigosa
e, dessa maneira, boa o suficiente:
tê-la para lhe trazer uma xícara de café em
uma daquelas xícaras sem que ele
apareça.
1 245
Charles Bukowski
Imaginação E Realidade
há muitas mulheres solteiras no mundo
com um ou dois ou três filhos
e alguém se pergunta aonde foram os maridos
ou aonde foram
os amantes
deixando para trás
todas essas mãos e esses olhos e esses pés
e essas vozes.
ao passar por suas casas
gosto de abrir armários e
olhar o que há dentro
ou então debaixo da pia
ou no guarda-roupa –
espero encontrar o marido
ou o amante e ele me dirá:
“ei, parceiro, você não percebeu as
estrias, ela tem estrias
e peitos caídos e come
cebolas o tempo todo e peida... mas
sou um cara habilidoso. posso consertar coisas,
sei como usar um torno mecânico e
troco sozinho o óleo do carro. sei jogar
sinuca, boliche, posso chegar em 5º ou
6º em qualquer maratona por
aí. tenho um jogo de tacos de
golfe, lanço a bola a longas distâncias. sei
onde fica o clitóris e o que fazer com
ele. tenho um chapéu de caubói com as abas
dobradas para cima.
sou bom com o laço e com os punhos
conheço os últimos passos de dança.”
e eu direi, “veja só, estou de saída”.
e sumirei antes que ele acabe me desafiando
para uma queda de braços
ou me conte uma piada bagaceira
ou me mostre a tatuagem no seu
bíceps direito em movimento.
mas de fato
tudo o que encontro no armário são
xícaras de café e pratos marrons, grandes e rachados
e debaixo da pia uma pilha de trapos
endurecidos, e no guarda-roupa – mais cabides
do que roupas, e é só quando ela me mostra
o álbum e as fotos dele –
tão bom quanto uma calçadeira, ou um carrinho de
supermercado cujas rodas não estão emperradas –
que a dúvida íntima se desfaz, e as
páginas avançam e ali está uma criança com
um traje de banho vermelho e lá está
a outra
perseguindo uma gaivota em Santa Mônica.
e a vida se torna triste e nada perigosa
e, dessa maneira, boa o suficiente:
tê-la para lhe trazer uma xícara de café em
uma daquelas xícaras sem que ele
apareça.
com um ou dois ou três filhos
e alguém se pergunta aonde foram os maridos
ou aonde foram
os amantes
deixando para trás
todas essas mãos e esses olhos e esses pés
e essas vozes.
ao passar por suas casas
gosto de abrir armários e
olhar o que há dentro
ou então debaixo da pia
ou no guarda-roupa –
espero encontrar o marido
ou o amante e ele me dirá:
“ei, parceiro, você não percebeu as
estrias, ela tem estrias
e peitos caídos e come
cebolas o tempo todo e peida... mas
sou um cara habilidoso. posso consertar coisas,
sei como usar um torno mecânico e
troco sozinho o óleo do carro. sei jogar
sinuca, boliche, posso chegar em 5º ou
6º em qualquer maratona por
aí. tenho um jogo de tacos de
golfe, lanço a bola a longas distâncias. sei
onde fica o clitóris e o que fazer com
ele. tenho um chapéu de caubói com as abas
dobradas para cima.
sou bom com o laço e com os punhos
conheço os últimos passos de dança.”
e eu direi, “veja só, estou de saída”.
e sumirei antes que ele acabe me desafiando
para uma queda de braços
ou me conte uma piada bagaceira
ou me mostre a tatuagem no seu
bíceps direito em movimento.
mas de fato
tudo o que encontro no armário são
xícaras de café e pratos marrons, grandes e rachados
e debaixo da pia uma pilha de trapos
endurecidos, e no guarda-roupa – mais cabides
do que roupas, e é só quando ela me mostra
o álbum e as fotos dele –
tão bom quanto uma calçadeira, ou um carrinho de
supermercado cujas rodas não estão emperradas –
que a dúvida íntima se desfaz, e as
páginas avançam e ali está uma criança com
um traje de banho vermelho e lá está
a outra
perseguindo uma gaivota em Santa Mônica.
e a vida se torna triste e nada perigosa
e, dessa maneira, boa o suficiente:
tê-la para lhe trazer uma xícara de café em
uma daquelas xícaras sem que ele
apareça.
1 245
Charles Bukowski
É o Modo Como Você Joga o Jogo
chame-a de amor
coloque-a de pé sob a luz
imperfeita
ponha-lhe um vestido
reze cante implore chore ria
apague as luzes
ligue o rádio
acrescente-lhe enfeites:
manteiga, ovos crus, jornais de
ontem;
um cadarço novo, e então
páprica, açúcar, sal, pimenta,
ligue para sua tia velha e bêbada em
Calexico;
chame-a de amor,
espete-a bem, adicione
repolho e molho de maçã,
então a esquente primeiro
no lado esquerdo,
depois no
direito,
ponha-a numa caixa
livre-se dela
deixe-a nos degraus de uma porta
vomitando como você fará
nas
hortênsias.
coloque-a de pé sob a luz
imperfeita
ponha-lhe um vestido
reze cante implore chore ria
apague as luzes
ligue o rádio
acrescente-lhe enfeites:
manteiga, ovos crus, jornais de
ontem;
um cadarço novo, e então
páprica, açúcar, sal, pimenta,
ligue para sua tia velha e bêbada em
Calexico;
chame-a de amor,
espete-a bem, adicione
repolho e molho de maçã,
então a esquente primeiro
no lado esquerdo,
depois no
direito,
ponha-a numa caixa
livre-se dela
deixe-a nos degraus de uma porta
vomitando como você fará
nas
hortênsias.
1 082
Charles Bukowski
É o Modo Como Você Joga o Jogo
chame-a de amor
coloque-a de pé sob a luz
imperfeita
ponha-lhe um vestido
reze cante implore chore ria
apague as luzes
ligue o rádio
acrescente-lhe enfeites:
manteiga, ovos crus, jornais de
ontem;
um cadarço novo, e então
páprica, açúcar, sal, pimenta,
ligue para sua tia velha e bêbada em
Calexico;
chame-a de amor,
espete-a bem, adicione
repolho e molho de maçã,
então a esquente primeiro
no lado esquerdo,
depois no
direito,
ponha-a numa caixa
livre-se dela
deixe-a nos degraus de uma porta
vomitando como você fará
nas
hortênsias.
coloque-a de pé sob a luz
imperfeita
ponha-lhe um vestido
reze cante implore chore ria
apague as luzes
ligue o rádio
acrescente-lhe enfeites:
manteiga, ovos crus, jornais de
ontem;
um cadarço novo, e então
páprica, açúcar, sal, pimenta,
ligue para sua tia velha e bêbada em
Calexico;
chame-a de amor,
espete-a bem, adicione
repolho e molho de maçã,
então a esquente primeiro
no lado esquerdo,
depois no
direito,
ponha-a numa caixa
livre-se dela
deixe-a nos degraus de uma porta
vomitando como você fará
nas
hortênsias.
1 082
Charles Bukowski
Reviravolta
ela dirige para a vaga no estacionamento enquanto
eu me escoro contra o para-choque de meu carro.
ela está bêbada e seus olhos estão molhados de lágrimas:
“seu filho da puta, você trepou comigo quando não
estava a fim. disse pra eu continuar ligando,
disse pra eu me mudar pra perto da cidade,
e então me disse pra deixar você em paz.”
tudo muito dramático e eu gostando daquilo.
“claro, bem, o que você quer?”
“quero falar com você. quero ir pra sua
casa e falar com você...”
“estou com alguém agora. ela foi buscar um
sanduíche.”
“quero falar com você... demora um pouco pra
superar as coisas. preciso de mais tempo.”
“claro. espere até que ela saia. não somos
desumanos. podemos tomar um drinque juntos.”
“merda,” ela disse, “oh, merda!”
pulou dentro do carro e arrancou.
a outra apareceu: “quem era aquela?”
“uma ex-amiga.”
agora ela se foi e estou aqui sentado e bêbado
e meus olhos parecem molhados de lágrimas.
está tudo muito silencioso e sinto como se um arpão
estivesse atravessado no meio das minhas tripas.
caminho até o banheiro e vomito.
piedade, eu penso, será que a raça humana não sabe nada
sobre piedade?
eu me escoro contra o para-choque de meu carro.
ela está bêbada e seus olhos estão molhados de lágrimas:
“seu filho da puta, você trepou comigo quando não
estava a fim. disse pra eu continuar ligando,
disse pra eu me mudar pra perto da cidade,
e então me disse pra deixar você em paz.”
tudo muito dramático e eu gostando daquilo.
“claro, bem, o que você quer?”
“quero falar com você. quero ir pra sua
casa e falar com você...”
“estou com alguém agora. ela foi buscar um
sanduíche.”
“quero falar com você... demora um pouco pra
superar as coisas. preciso de mais tempo.”
“claro. espere até que ela saia. não somos
desumanos. podemos tomar um drinque juntos.”
“merda,” ela disse, “oh, merda!”
pulou dentro do carro e arrancou.
a outra apareceu: “quem era aquela?”
“uma ex-amiga.”
agora ela se foi e estou aqui sentado e bêbado
e meus olhos parecem molhados de lágrimas.
está tudo muito silencioso e sinto como se um arpão
estivesse atravessado no meio das minhas tripas.
caminho até o banheiro e vomito.
piedade, eu penso, será que a raça humana não sabe nada
sobre piedade?
1 328
Charles Bukowski
Reviravolta
ela dirige para a vaga no estacionamento enquanto
eu me escoro contra o para-choque de meu carro.
ela está bêbada e seus olhos estão molhados de lágrimas:
“seu filho da puta, você trepou comigo quando não
estava a fim. disse pra eu continuar ligando,
disse pra eu me mudar pra perto da cidade,
e então me disse pra deixar você em paz.”
tudo muito dramático e eu gostando daquilo.
“claro, bem, o que você quer?”
“quero falar com você. quero ir pra sua
casa e falar com você...”
“estou com alguém agora. ela foi buscar um
sanduíche.”
“quero falar com você... demora um pouco pra
superar as coisas. preciso de mais tempo.”
“claro. espere até que ela saia. não somos
desumanos. podemos tomar um drinque juntos.”
“merda,” ela disse, “oh, merda!”
pulou dentro do carro e arrancou.
a outra apareceu: “quem era aquela?”
“uma ex-amiga.”
agora ela se foi e estou aqui sentado e bêbado
e meus olhos parecem molhados de lágrimas.
está tudo muito silencioso e sinto como se um arpão
estivesse atravessado no meio das minhas tripas.
caminho até o banheiro e vomito.
piedade, eu penso, será que a raça humana não sabe nada
sobre piedade?
eu me escoro contra o para-choque de meu carro.
ela está bêbada e seus olhos estão molhados de lágrimas:
“seu filho da puta, você trepou comigo quando não
estava a fim. disse pra eu continuar ligando,
disse pra eu me mudar pra perto da cidade,
e então me disse pra deixar você em paz.”
tudo muito dramático e eu gostando daquilo.
“claro, bem, o que você quer?”
“quero falar com você. quero ir pra sua
casa e falar com você...”
“estou com alguém agora. ela foi buscar um
sanduíche.”
“quero falar com você... demora um pouco pra
superar as coisas. preciso de mais tempo.”
“claro. espere até que ela saia. não somos
desumanos. podemos tomar um drinque juntos.”
“merda,” ela disse, “oh, merda!”
pulou dentro do carro e arrancou.
a outra apareceu: “quem era aquela?”
“uma ex-amiga.”
agora ela se foi e estou aqui sentado e bêbado
e meus olhos parecem molhados de lágrimas.
está tudo muito silencioso e sinto como se um arpão
estivesse atravessado no meio das minhas tripas.
caminho até o banheiro e vomito.
piedade, eu penso, será que a raça humana não sabe nada
sobre piedade?
1 328
Charles Bukowski
Reviravolta
ela dirige para a vaga no estacionamento enquanto
eu me escoro contra o para-choque de meu carro.
ela está bêbada e seus olhos estão molhados de lágrimas:
“seu filho da puta, você trepou comigo quando não
estava a fim. disse pra eu continuar ligando,
disse pra eu me mudar pra perto da cidade,
e então me disse pra deixar você em paz.”
tudo muito dramático e eu gostando daquilo.
“claro, bem, o que você quer?”
“quero falar com você. quero ir pra sua
casa e falar com você...”
“estou com alguém agora. ela foi buscar um
sanduíche.”
“quero falar com você... demora um pouco pra
superar as coisas. preciso de mais tempo.”
“claro. espere até que ela saia. não somos
desumanos. podemos tomar um drinque juntos.”
“merda,” ela disse, “oh, merda!”
pulou dentro do carro e arrancou.
a outra apareceu: “quem era aquela?”
“uma ex-amiga.”
agora ela se foi e estou aqui sentado e bêbado
e meus olhos parecem molhados de lágrimas.
está tudo muito silencioso e sinto como se um arpão
estivesse atravessado no meio das minhas tripas.
caminho até o banheiro e vomito.
piedade, eu penso, será que a raça humana não sabe nada
sobre piedade?
eu me escoro contra o para-choque de meu carro.
ela está bêbada e seus olhos estão molhados de lágrimas:
“seu filho da puta, você trepou comigo quando não
estava a fim. disse pra eu continuar ligando,
disse pra eu me mudar pra perto da cidade,
e então me disse pra deixar você em paz.”
tudo muito dramático e eu gostando daquilo.
“claro, bem, o que você quer?”
“quero falar com você. quero ir pra sua
casa e falar com você...”
“estou com alguém agora. ela foi buscar um
sanduíche.”
“quero falar com você... demora um pouco pra
superar as coisas. preciso de mais tempo.”
“claro. espere até que ela saia. não somos
desumanos. podemos tomar um drinque juntos.”
“merda,” ela disse, “oh, merda!”
pulou dentro do carro e arrancou.
a outra apareceu: “quem era aquela?”
“uma ex-amiga.”
agora ela se foi e estou aqui sentado e bêbado
e meus olhos parecem molhados de lágrimas.
está tudo muito silencioso e sinto como se um arpão
estivesse atravessado no meio das minhas tripas.
caminho até o banheiro e vomito.
piedade, eu penso, será que a raça humana não sabe nada
sobre piedade?
1 328
Charles Bukowski
Provaremos As Ilhas E o Mar
sei que em alguma noite
em algum quarto
logo
meus dedos abrirão
caminho
através
de cabelos limpos e
macios
canções como as que nenhuma rádio
toca
toda a tristeza, escarnecendo
em correnteza.
em algum quarto
logo
meus dedos abrirão
caminho
através
de cabelos limpos e
macios
canções como as que nenhuma rádio
toca
toda a tristeza, escarnecendo
em correnteza.
1 231
Charles Bukowski
Social
o traçado azul da onda
rasgos de estrada amarela
um volante
uma mulher insana sentada
ao seu lado
reclamando enquanto o oceano
faz espuma
e pessoas em motor homes
amarelas e
brancas
impedem sua passagem
por um tempo
frenético
enquanto você escuta
culpado disso e
culpado daquilo
você admite
isso e aquilo
mas nunca é o
suficiente
ela quer conquistas
esplêndidas
e você está escaldado por
essas conquistas
esplêndidas
chegando lá
ela desce
caminha em direção à
casa
você mija junto ao
para-lamas do seu carro
bêbado de cerveja
pequenas gotas de você
pingando na
poeira
na poeira
seca
depois de fechar o zíper você
se põe em marcha
para encontrar os amigos
dela.
rasgos de estrada amarela
um volante
uma mulher insana sentada
ao seu lado
reclamando enquanto o oceano
faz espuma
e pessoas em motor homes
amarelas e
brancas
impedem sua passagem
por um tempo
frenético
enquanto você escuta
culpado disso e
culpado daquilo
você admite
isso e aquilo
mas nunca é o
suficiente
ela quer conquistas
esplêndidas
e você está escaldado por
essas conquistas
esplêndidas
chegando lá
ela desce
caminha em direção à
casa
você mija junto ao
para-lamas do seu carro
bêbado de cerveja
pequenas gotas de você
pingando na
poeira
na poeira
seca
depois de fechar o zíper você
se põe em marcha
para encontrar os amigos
dela.
1 205
Charles Bukowski
Um Poema Para a Armadura Peitoral
tenho um ditado, “os duros sempre retornam”.
mas Vera era mais doce do que a maioria,
e assim fiquei surpreso quando
ela chegou naquela noite
dizendo, “me deixe entrar”.
“não, não, estou trabalhando num soneto.”
“ficarei só um minuto, depois me
vou.”
“Vera, se eu deixar você entrar sei que só sairá daqui
em 3 ou 4 dias.”
era noite e eu não acendera
a luz da varanda e assim não pude vê-la
se aproximar
mas
ela lançou uma direita que
explodiu bem no centro do meu
peito.
“baby, esse foi um soco lindo.
agora caia fora.”
então fechei a porta.
ela voltou 5 minutos depois:
“Hank, não consigo achar meu carro, eu
juro que não consigo achar. me ajude
a encontrá-lo!”
vi meu amigo Bobby-the-Riff
caminhando. “ei, Bobby ajude
essa aí a achar o carro. nos
falamos depois.”
foram juntos.
mais tarde Bobby disse que encontraram
o carro na frente do pátio de alguém,
motor e luzes
ligados.
não ouvi mais falar de Vera
desde então
a não ser que seja ela
quem me liga
às 2 e 3 e 4 da manhã
e não responde quando eu
digo “alô”.
mas Bobby diz que
pode cuidar dela
então decidi deixá-la
para Bobby.
ela mora numa rua lateral em algum lugar de
Glendale
e eu o ajudo a abrir o
mapa rodoviário enquanto bebemos nossas
Schlitz dietéticas.
mas Vera era mais doce do que a maioria,
e assim fiquei surpreso quando
ela chegou naquela noite
dizendo, “me deixe entrar”.
“não, não, estou trabalhando num soneto.”
“ficarei só um minuto, depois me
vou.”
“Vera, se eu deixar você entrar sei que só sairá daqui
em 3 ou 4 dias.”
era noite e eu não acendera
a luz da varanda e assim não pude vê-la
se aproximar
mas
ela lançou uma direita que
explodiu bem no centro do meu
peito.
“baby, esse foi um soco lindo.
agora caia fora.”
então fechei a porta.
ela voltou 5 minutos depois:
“Hank, não consigo achar meu carro, eu
juro que não consigo achar. me ajude
a encontrá-lo!”
vi meu amigo Bobby-the-Riff
caminhando. “ei, Bobby ajude
essa aí a achar o carro. nos
falamos depois.”
foram juntos.
mais tarde Bobby disse que encontraram
o carro na frente do pátio de alguém,
motor e luzes
ligados.
não ouvi mais falar de Vera
desde então
a não ser que seja ela
quem me liga
às 2 e 3 e 4 da manhã
e não responde quando eu
digo “alô”.
mas Bobby diz que
pode cuidar dela
então decidi deixá-la
para Bobby.
ela mora numa rua lateral em algum lugar de
Glendale
e eu o ajudo a abrir o
mapa rodoviário enquanto bebemos nossas
Schlitz dietéticas.
1 173
Charles Bukowski
Um Poema Para a Armadura Peitoral
tenho um ditado, “os duros sempre retornam”.
mas Vera era mais doce do que a maioria,
e assim fiquei surpreso quando
ela chegou naquela noite
dizendo, “me deixe entrar”.
“não, não, estou trabalhando num soneto.”
“ficarei só um minuto, depois me
vou.”
“Vera, se eu deixar você entrar sei que só sairá daqui
em 3 ou 4 dias.”
era noite e eu não acendera
a luz da varanda e assim não pude vê-la
se aproximar
mas
ela lançou uma direita que
explodiu bem no centro do meu
peito.
“baby, esse foi um soco lindo.
agora caia fora.”
então fechei a porta.
ela voltou 5 minutos depois:
“Hank, não consigo achar meu carro, eu
juro que não consigo achar. me ajude
a encontrá-lo!”
vi meu amigo Bobby-the-Riff
caminhando. “ei, Bobby ajude
essa aí a achar o carro. nos
falamos depois.”
foram juntos.
mais tarde Bobby disse que encontraram
o carro na frente do pátio de alguém,
motor e luzes
ligados.
não ouvi mais falar de Vera
desde então
a não ser que seja ela
quem me liga
às 2 e 3 e 4 da manhã
e não responde quando eu
digo “alô”.
mas Bobby diz que
pode cuidar dela
então decidi deixá-la
para Bobby.
ela mora numa rua lateral em algum lugar de
Glendale
e eu o ajudo a abrir o
mapa rodoviário enquanto bebemos nossas
Schlitz dietéticas.
mas Vera era mais doce do que a maioria,
e assim fiquei surpreso quando
ela chegou naquela noite
dizendo, “me deixe entrar”.
“não, não, estou trabalhando num soneto.”
“ficarei só um minuto, depois me
vou.”
“Vera, se eu deixar você entrar sei que só sairá daqui
em 3 ou 4 dias.”
era noite e eu não acendera
a luz da varanda e assim não pude vê-la
se aproximar
mas
ela lançou uma direita que
explodiu bem no centro do meu
peito.
“baby, esse foi um soco lindo.
agora caia fora.”
então fechei a porta.
ela voltou 5 minutos depois:
“Hank, não consigo achar meu carro, eu
juro que não consigo achar. me ajude
a encontrá-lo!”
vi meu amigo Bobby-the-Riff
caminhando. “ei, Bobby ajude
essa aí a achar o carro. nos
falamos depois.”
foram juntos.
mais tarde Bobby disse que encontraram
o carro na frente do pátio de alguém,
motor e luzes
ligados.
não ouvi mais falar de Vera
desde então
a não ser que seja ela
quem me liga
às 2 e 3 e 4 da manhã
e não responde quando eu
digo “alô”.
mas Bobby diz que
pode cuidar dela
então decidi deixá-la
para Bobby.
ela mora numa rua lateral em algum lugar de
Glendale
e eu o ajudo a abrir o
mapa rodoviário enquanto bebemos nossas
Schlitz dietéticas.
1 173
Charles Bukowski
Dama Melancólica
ela fica ali sentada
bebendo vinho
enquanto seu marido
está no trabalho.
ela considera
de suma importância
que seus poemas sejam
publicados
nas pequenas
revistas.
possui dois
ou três de pequenos
volumes de sua poesia
mimeografados.
tem dois ou
três filhos
com idades que vão
de 6 a 15.
já não é mais
a linda mulher que
costumava ser. manda
fotos em que aparece
sentada sobre uma pedra
junto ao oceano
sozinha e condenada.
podia ter estado com ela
uma vez. me pergunto
se ela acha que eu
poderia
salvá-la?
em todos os seus poemas
seu marido jamais
é mencionado.
mas costuma
falar sobre seu
jardim
assim sabemos que está
lá, de alguma maneira,
e que talvez ela
trepe com os botões de rosa
e os tentilhões
antes de escrever
seus poemas.
bebendo vinho
enquanto seu marido
está no trabalho.
ela considera
de suma importância
que seus poemas sejam
publicados
nas pequenas
revistas.
possui dois
ou três de pequenos
volumes de sua poesia
mimeografados.
tem dois ou
três filhos
com idades que vão
de 6 a 15.
já não é mais
a linda mulher que
costumava ser. manda
fotos em que aparece
sentada sobre uma pedra
junto ao oceano
sozinha e condenada.
podia ter estado com ela
uma vez. me pergunto
se ela acha que eu
poderia
salvá-la?
em todos os seus poemas
seu marido jamais
é mencionado.
mas costuma
falar sobre seu
jardim
assim sabemos que está
lá, de alguma maneira,
e que talvez ela
trepe com os botões de rosa
e os tentilhões
antes de escrever
seus poemas.
1 189
Charles Bukowski
Iron Mike
falamos sobre este filme:
Cagney servia uvas
a uma mulher
mais rápido do que ela conseguia
comer e
então ela se
apaixonava por ele.
“isso nem sempre
funciona”, digo a Iron
Mike.
ele dá uma risadinha e diz,
“claro”.
então ele desceu a mão
e tocou seu cinto.
32 escalpos de mulher
estavam pendurados ali.
“eu e meu enorme cacete
judeu”, ele disse.
então ergue as mãos
para indicar o
tamanho.
“opa, sim, muito bem”,
eu disse.
“elas aparecem”, ele
disse, “eu as traço, elas
começam a ficar, eu lhes digo,
‘é hora de ir’.”
“você é corajoso,
Mike.”
“essa aí não ia se mandar
então eu tive que me levantar e
esbofeteá-la... ela foi
embora.”
“eu não tenho sua fibra,
Mike. elas ficam,
lavam os pratos, esfregam
as manchas de merda no
vaso, jogam fora os
velhos prospectos do Jockey Club...”
“elas jamais vão me pegar”,
ele disse.
“sou invencível.”
olhe, Mike, nenhum homem é
invencível.
algum dia
vão considerá-lo louco pelo
olhar como num desenho a lápis feito por uma
criança. você não conseguirá
beber um copo
d’água ou cruzar um
quarto. haverá as
paredes e o som das
ruas lá fora, e
você ouvirá metralhadoras
e tiros de morteiro. isso se dará
quando você quiser, mas não
puder ter.
os dentes
nunca são por fim
os dentes do amor.
Cagney servia uvas
a uma mulher
mais rápido do que ela conseguia
comer e
então ela se
apaixonava por ele.
“isso nem sempre
funciona”, digo a Iron
Mike.
ele dá uma risadinha e diz,
“claro”.
então ele desceu a mão
e tocou seu cinto.
32 escalpos de mulher
estavam pendurados ali.
“eu e meu enorme cacete
judeu”, ele disse.
então ergue as mãos
para indicar o
tamanho.
“opa, sim, muito bem”,
eu disse.
“elas aparecem”, ele
disse, “eu as traço, elas
começam a ficar, eu lhes digo,
‘é hora de ir’.”
“você é corajoso,
Mike.”
“essa aí não ia se mandar
então eu tive que me levantar e
esbofeteá-la... ela foi
embora.”
“eu não tenho sua fibra,
Mike. elas ficam,
lavam os pratos, esfregam
as manchas de merda no
vaso, jogam fora os
velhos prospectos do Jockey Club...”
“elas jamais vão me pegar”,
ele disse.
“sou invencível.”
olhe, Mike, nenhum homem é
invencível.
algum dia
vão considerá-lo louco pelo
olhar como num desenho a lápis feito por uma
criança. você não conseguirá
beber um copo
d’água ou cruzar um
quarto. haverá as
paredes e o som das
ruas lá fora, e
você ouvirá metralhadoras
e tiros de morteiro. isso se dará
quando você quiser, mas não
puder ter.
os dentes
nunca são por fim
os dentes do amor.
1 244
Charles Bukowski
Iron Mike
falamos sobre este filme:
Cagney servia uvas
a uma mulher
mais rápido do que ela conseguia
comer e
então ela se
apaixonava por ele.
“isso nem sempre
funciona”, digo a Iron
Mike.
ele dá uma risadinha e diz,
“claro”.
então ele desceu a mão
e tocou seu cinto.
32 escalpos de mulher
estavam pendurados ali.
“eu e meu enorme cacete
judeu”, ele disse.
então ergue as mãos
para indicar o
tamanho.
“opa, sim, muito bem”,
eu disse.
“elas aparecem”, ele
disse, “eu as traço, elas
começam a ficar, eu lhes digo,
‘é hora de ir’.”
“você é corajoso,
Mike.”
“essa aí não ia se mandar
então eu tive que me levantar e
esbofeteá-la... ela foi
embora.”
“eu não tenho sua fibra,
Mike. elas ficam,
lavam os pratos, esfregam
as manchas de merda no
vaso, jogam fora os
velhos prospectos do Jockey Club...”
“elas jamais vão me pegar”,
ele disse.
“sou invencível.”
olhe, Mike, nenhum homem é
invencível.
algum dia
vão considerá-lo louco pelo
olhar como num desenho a lápis feito por uma
criança. você não conseguirá
beber um copo
d’água ou cruzar um
quarto. haverá as
paredes e o som das
ruas lá fora, e
você ouvirá metralhadoras
e tiros de morteiro. isso se dará
quando você quiser, mas não
puder ter.
os dentes
nunca são por fim
os dentes do amor.
Cagney servia uvas
a uma mulher
mais rápido do que ela conseguia
comer e
então ela se
apaixonava por ele.
“isso nem sempre
funciona”, digo a Iron
Mike.
ele dá uma risadinha e diz,
“claro”.
então ele desceu a mão
e tocou seu cinto.
32 escalpos de mulher
estavam pendurados ali.
“eu e meu enorme cacete
judeu”, ele disse.
então ergue as mãos
para indicar o
tamanho.
“opa, sim, muito bem”,
eu disse.
“elas aparecem”, ele
disse, “eu as traço, elas
começam a ficar, eu lhes digo,
‘é hora de ir’.”
“você é corajoso,
Mike.”
“essa aí não ia se mandar
então eu tive que me levantar e
esbofeteá-la... ela foi
embora.”
“eu não tenho sua fibra,
Mike. elas ficam,
lavam os pratos, esfregam
as manchas de merda no
vaso, jogam fora os
velhos prospectos do Jockey Club...”
“elas jamais vão me pegar”,
ele disse.
“sou invencível.”
olhe, Mike, nenhum homem é
invencível.
algum dia
vão considerá-lo louco pelo
olhar como num desenho a lápis feito por uma
criança. você não conseguirá
beber um copo
d’água ou cruzar um
quarto. haverá as
paredes e o som das
ruas lá fora, e
você ouvirá metralhadoras
e tiros de morteiro. isso se dará
quando você quiser, mas não
puder ter.
os dentes
nunca são por fim
os dentes do amor.
1 244
Charles Bukowski
40 Graus
ela cortou as unhas dos meus pés na noite passada,
e pela manhã ela disse, “acho que vou
ficar deitada aqui pelo resto do dia”.
o que significava que ela não iria trabalhar.
ela estava em meu apartamento – o que significava outro
dia e outra noite.
ela era uma pessoa legal
mas recém havia me dito que queria ter
um filho, queria casar, e
fazia 40 graus lá fora.
quando pensei em outra criança e
outro casamento
comecei realmente a passar mal.
havia me resignado a morrer sozinho
em uma pequena peça...
agora ela tentava remodelar meu plano de mestre.
além disso ela sempre batia a porta do meu carro com
[muita força
e comia com a cabeça perto demais da mesa.
nesse dia havíamos ido ao correio, a uma loja de
departamentos e depois a uma lancheria para almoçar.
já me sentia casado. na volta eu quase
entrei em um Cadillac.
“vamos encher a cara”, eu disse.
“não, não”, ela respondeu, “é muito cedo”.
e então ela lacrou a porta do carro.
continuava fazendo 40 graus.
quando abri a caixa do correio descobri que a companhia
de seguros queria mais 76 pratas.
subitamente ela invadiu o quarto correndo e gritou, “OLHA, ESTOU FICANDO VERMELHA! CHEIA DE MANCHAS! O QUE DEVO FAZER?”
“tome um banho”, eu lhe disse.
fiz um interurbano para a seguradora e
exigi saber a razão daquilo.
ela começou a gritar e a gemer lá da
banheira e eu não conseguia ouvir nada e disse, “um
[momento,
por favor!”
tapei o telefone com a mão e gritei de volta para ela:
“OLHA SÓ! ESTOU NUM INTERURBANO! SEGURE A
[ONDA,
PELO AMOR DE DEUS!”
o pessoal da seguradora insistia que eu lhes devia
$76 e que me enviariam uma carta explicando por quê.
desliguei e me estiquei na cama.
eu já estava casado, me sentia casado.
ela saiu do banheiro e disse, “posso me deitar
ao seu lado?”
e eu disse, “ok”
em dez minutos sua cor tinha voltado ao normal.
tudo porque ela havia tomado um comprimido de niacina[2].
ela se lembrou de que isso acontecia sempre.
ficamos ali estirados suando:
nervos. ninguém tem espírito suficiente para superar os
[nervos.
mas eu não podia dizer isso a ela.
ela queria ter seu bebê.
que caralho.
e pela manhã ela disse, “acho que vou
ficar deitada aqui pelo resto do dia”.
o que significava que ela não iria trabalhar.
ela estava em meu apartamento – o que significava outro
dia e outra noite.
ela era uma pessoa legal
mas recém havia me dito que queria ter
um filho, queria casar, e
fazia 40 graus lá fora.
quando pensei em outra criança e
outro casamento
comecei realmente a passar mal.
havia me resignado a morrer sozinho
em uma pequena peça...
agora ela tentava remodelar meu plano de mestre.
além disso ela sempre batia a porta do meu carro com
[muita força
e comia com a cabeça perto demais da mesa.
nesse dia havíamos ido ao correio, a uma loja de
departamentos e depois a uma lancheria para almoçar.
já me sentia casado. na volta eu quase
entrei em um Cadillac.
“vamos encher a cara”, eu disse.
“não, não”, ela respondeu, “é muito cedo”.
e então ela lacrou a porta do carro.
continuava fazendo 40 graus.
quando abri a caixa do correio descobri que a companhia
de seguros queria mais 76 pratas.
subitamente ela invadiu o quarto correndo e gritou, “OLHA, ESTOU FICANDO VERMELHA! CHEIA DE MANCHAS! O QUE DEVO FAZER?”
“tome um banho”, eu lhe disse.
fiz um interurbano para a seguradora e
exigi saber a razão daquilo.
ela começou a gritar e a gemer lá da
banheira e eu não conseguia ouvir nada e disse, “um
[momento,
por favor!”
tapei o telefone com a mão e gritei de volta para ela:
“OLHA SÓ! ESTOU NUM INTERURBANO! SEGURE A
[ONDA,
PELO AMOR DE DEUS!”
o pessoal da seguradora insistia que eu lhes devia
$76 e que me enviariam uma carta explicando por quê.
desliguei e me estiquei na cama.
eu já estava casado, me sentia casado.
ela saiu do banheiro e disse, “posso me deitar
ao seu lado?”
e eu disse, “ok”
em dez minutos sua cor tinha voltado ao normal.
tudo porque ela havia tomado um comprimido de niacina[2].
ela se lembrou de que isso acontecia sempre.
ficamos ali estirados suando:
nervos. ninguém tem espírito suficiente para superar os
[nervos.
mas eu não podia dizer isso a ela.
ela queria ter seu bebê.
que caralho.
1 204
Charles Bukowski
40 Graus
ela cortou as unhas dos meus pés na noite passada,
e pela manhã ela disse, “acho que vou
ficar deitada aqui pelo resto do dia”.
o que significava que ela não iria trabalhar.
ela estava em meu apartamento – o que significava outro
dia e outra noite.
ela era uma pessoa legal
mas recém havia me dito que queria ter
um filho, queria casar, e
fazia 40 graus lá fora.
quando pensei em outra criança e
outro casamento
comecei realmente a passar mal.
havia me resignado a morrer sozinho
em uma pequena peça...
agora ela tentava remodelar meu plano de mestre.
além disso ela sempre batia a porta do meu carro com
[muita força
e comia com a cabeça perto demais da mesa.
nesse dia havíamos ido ao correio, a uma loja de
departamentos e depois a uma lancheria para almoçar.
já me sentia casado. na volta eu quase
entrei em um Cadillac.
“vamos encher a cara”, eu disse.
“não, não”, ela respondeu, “é muito cedo”.
e então ela lacrou a porta do carro.
continuava fazendo 40 graus.
quando abri a caixa do correio descobri que a companhia
de seguros queria mais 76 pratas.
subitamente ela invadiu o quarto correndo e gritou, “OLHA, ESTOU FICANDO VERMELHA! CHEIA DE MANCHAS! O QUE DEVO FAZER?”
“tome um banho”, eu lhe disse.
fiz um interurbano para a seguradora e
exigi saber a razão daquilo.
ela começou a gritar e a gemer lá da
banheira e eu não conseguia ouvir nada e disse, “um
[momento,
por favor!”
tapei o telefone com a mão e gritei de volta para ela:
“OLHA SÓ! ESTOU NUM INTERURBANO! SEGURE A
[ONDA,
PELO AMOR DE DEUS!”
o pessoal da seguradora insistia que eu lhes devia
$76 e que me enviariam uma carta explicando por quê.
desliguei e me estiquei na cama.
eu já estava casado, me sentia casado.
ela saiu do banheiro e disse, “posso me deitar
ao seu lado?”
e eu disse, “ok”
em dez minutos sua cor tinha voltado ao normal.
tudo porque ela havia tomado um comprimido de niacina[2].
ela se lembrou de que isso acontecia sempre.
ficamos ali estirados suando:
nervos. ninguém tem espírito suficiente para superar os
[nervos.
mas eu não podia dizer isso a ela.
ela queria ter seu bebê.
que caralho.
e pela manhã ela disse, “acho que vou
ficar deitada aqui pelo resto do dia”.
o que significava que ela não iria trabalhar.
ela estava em meu apartamento – o que significava outro
dia e outra noite.
ela era uma pessoa legal
mas recém havia me dito que queria ter
um filho, queria casar, e
fazia 40 graus lá fora.
quando pensei em outra criança e
outro casamento
comecei realmente a passar mal.
havia me resignado a morrer sozinho
em uma pequena peça...
agora ela tentava remodelar meu plano de mestre.
além disso ela sempre batia a porta do meu carro com
[muita força
e comia com a cabeça perto demais da mesa.
nesse dia havíamos ido ao correio, a uma loja de
departamentos e depois a uma lancheria para almoçar.
já me sentia casado. na volta eu quase
entrei em um Cadillac.
“vamos encher a cara”, eu disse.
“não, não”, ela respondeu, “é muito cedo”.
e então ela lacrou a porta do carro.
continuava fazendo 40 graus.
quando abri a caixa do correio descobri que a companhia
de seguros queria mais 76 pratas.
subitamente ela invadiu o quarto correndo e gritou, “OLHA, ESTOU FICANDO VERMELHA! CHEIA DE MANCHAS! O QUE DEVO FAZER?”
“tome um banho”, eu lhe disse.
fiz um interurbano para a seguradora e
exigi saber a razão daquilo.
ela começou a gritar e a gemer lá da
banheira e eu não conseguia ouvir nada e disse, “um
[momento,
por favor!”
tapei o telefone com a mão e gritei de volta para ela:
“OLHA SÓ! ESTOU NUM INTERURBANO! SEGURE A
[ONDA,
PELO AMOR DE DEUS!”
o pessoal da seguradora insistia que eu lhes devia
$76 e que me enviariam uma carta explicando por quê.
desliguei e me estiquei na cama.
eu já estava casado, me sentia casado.
ela saiu do banheiro e disse, “posso me deitar
ao seu lado?”
e eu disse, “ok”
em dez minutos sua cor tinha voltado ao normal.
tudo porque ela havia tomado um comprimido de niacina[2].
ela se lembrou de que isso acontecia sempre.
ficamos ali estirados suando:
nervos. ninguém tem espírito suficiente para superar os
[nervos.
mas eu não podia dizer isso a ela.
ela queria ter seu bebê.
que caralho.
1 204
Charles Bukowski
Pacific Telephone
vá atrás dessas piranhas, ela disse,
vá atrás dessas putas,
logo ficará de saco cheio de mim.
não quero mais fazer esse tipo de merda,
eu disse,
relaxe.
quando bebo, ela disse, sinto dor na minha
bexiga, uma queimação.
deixe a bebida comigo, eu disse.
você está só esperando o telefone tocar,
ela disse,
você não para de olhar pro aparelho.
se uma dessas piranhas ligar você sairá
correndo porta afora.
não posso lhe prometer nada, eu disse.
então – simples assim – o telefone tocou.
aqui é a Madge, disse a voz. preciso
ver você imediatamente.
oh, eu disse.
estou num aperto, ela continuou, preciso de dez
pratas – rápido.
logo estarei aí, eu disse, e
desliguei.
ela me olhou, era uma piranha,
ela disse, o rosto todo em chamas.
que diabos há com você?
escute, eu disse, tenho que ir.
você fica aqui. já volto.
vou embora, ela disse. eu te amo mas você é
louco, um caso perdido.
ela apanhou a bolsa e bateu a porta.
provavelmente é algum distúrbio profundamente enraizado
[na
infância
que me faz assim vulnerável, pensei.
então saí de casa e fui até meu fusca.
dirigi para o norte pela Western com o rádio ligado.
havia putas caminhando pra lá e pra cá
dos dois lados da rua e Madge parecia
mais perdida do que qualquer uma delas.
vá atrás dessas putas,
logo ficará de saco cheio de mim.
não quero mais fazer esse tipo de merda,
eu disse,
relaxe.
quando bebo, ela disse, sinto dor na minha
bexiga, uma queimação.
deixe a bebida comigo, eu disse.
você está só esperando o telefone tocar,
ela disse,
você não para de olhar pro aparelho.
se uma dessas piranhas ligar você sairá
correndo porta afora.
não posso lhe prometer nada, eu disse.
então – simples assim – o telefone tocou.
aqui é a Madge, disse a voz. preciso
ver você imediatamente.
oh, eu disse.
estou num aperto, ela continuou, preciso de dez
pratas – rápido.
logo estarei aí, eu disse, e
desliguei.
ela me olhou, era uma piranha,
ela disse, o rosto todo em chamas.
que diabos há com você?
escute, eu disse, tenho que ir.
você fica aqui. já volto.
vou embora, ela disse. eu te amo mas você é
louco, um caso perdido.
ela apanhou a bolsa e bateu a porta.
provavelmente é algum distúrbio profundamente enraizado
[na
infância
que me faz assim vulnerável, pensei.
então saí de casa e fui até meu fusca.
dirigi para o norte pela Western com o rádio ligado.
havia putas caminhando pra lá e pra cá
dos dois lados da rua e Madge parecia
mais perdida do que qualquer uma delas.
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Charles Bukowski
Pacific Telephone
vá atrás dessas piranhas, ela disse,
vá atrás dessas putas,
logo ficará de saco cheio de mim.
não quero mais fazer esse tipo de merda,
eu disse,
relaxe.
quando bebo, ela disse, sinto dor na minha
bexiga, uma queimação.
deixe a bebida comigo, eu disse.
você está só esperando o telefone tocar,
ela disse,
você não para de olhar pro aparelho.
se uma dessas piranhas ligar você sairá
correndo porta afora.
não posso lhe prometer nada, eu disse.
então – simples assim – o telefone tocou.
aqui é a Madge, disse a voz. preciso
ver você imediatamente.
oh, eu disse.
estou num aperto, ela continuou, preciso de dez
pratas – rápido.
logo estarei aí, eu disse, e
desliguei.
ela me olhou, era uma piranha,
ela disse, o rosto todo em chamas.
que diabos há com você?
escute, eu disse, tenho que ir.
você fica aqui. já volto.
vou embora, ela disse. eu te amo mas você é
louco, um caso perdido.
ela apanhou a bolsa e bateu a porta.
provavelmente é algum distúrbio profundamente enraizado
[na
infância
que me faz assim vulnerável, pensei.
então saí de casa e fui até meu fusca.
dirigi para o norte pela Western com o rádio ligado.
havia putas caminhando pra lá e pra cá
dos dois lados da rua e Madge parecia
mais perdida do que qualquer uma delas.
vá atrás dessas putas,
logo ficará de saco cheio de mim.
não quero mais fazer esse tipo de merda,
eu disse,
relaxe.
quando bebo, ela disse, sinto dor na minha
bexiga, uma queimação.
deixe a bebida comigo, eu disse.
você está só esperando o telefone tocar,
ela disse,
você não para de olhar pro aparelho.
se uma dessas piranhas ligar você sairá
correndo porta afora.
não posso lhe prometer nada, eu disse.
então – simples assim – o telefone tocou.
aqui é a Madge, disse a voz. preciso
ver você imediatamente.
oh, eu disse.
estou num aperto, ela continuou, preciso de dez
pratas – rápido.
logo estarei aí, eu disse, e
desliguei.
ela me olhou, era uma piranha,
ela disse, o rosto todo em chamas.
que diabos há com você?
escute, eu disse, tenho que ir.
você fica aqui. já volto.
vou embora, ela disse. eu te amo mas você é
louco, um caso perdido.
ela apanhou a bolsa e bateu a porta.
provavelmente é algum distúrbio profundamente enraizado
[na
infância
que me faz assim vulnerável, pensei.
então saí de casa e fui até meu fusca.
dirigi para o norte pela Western com o rádio ligado.
havia putas caminhando pra lá e pra cá
dos dois lados da rua e Madge parecia
mais perdida do que qualquer uma delas.
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