Poemas neste tema
Relações e Família
Fernando Pessoa
O heavy day that comes with so much glee
O heavy day that comes with so much glee
Out of the East.
It turquoises the silence of the sea
And makes a feast
Of blueness of the waves that shiver and flee.
O heavy day because my love hath gone
And taken away
His white arms and his lips like poppies grown
Athwart that day
When I first saw him and felt my heart moan.
My hands are stretched towards his coming, and
He cometh not.
He seems a woman and his gesturing hand
Too oft bath wrought
Dreams of strange vice with him through my heart's sand.
He is scarce more than a child. His body is white,
His arms lie bare
Across my neck and cling like a delight
Of which my share
Is painful like a far sail in the night.
Oh, love, return! All this is dreams of thee
Return and wake
My trembling frame to that vile misery
That love doth take
For his body when the lovers are such as we.
Golden‑haired boy that cannot love me so
As I love him,
Look, life is short, our lips fade... Ay, I know
I am ugly and dim
But love a little or seem... Love me and go
Yet love ere going, and then let me dream
On what was real while life fades and goes slow...
Out of the East.
It turquoises the silence of the sea
And makes a feast
Of blueness of the waves that shiver and flee.
O heavy day because my love hath gone
And taken away
His white arms and his lips like poppies grown
Athwart that day
When I first saw him and felt my heart moan.
My hands are stretched towards his coming, and
He cometh not.
He seems a woman and his gesturing hand
Too oft bath wrought
Dreams of strange vice with him through my heart's sand.
He is scarce more than a child. His body is white,
His arms lie bare
Across my neck and cling like a delight
Of which my share
Is painful like a far sail in the night.
Oh, love, return! All this is dreams of thee
Return and wake
My trembling frame to that vile misery
That love doth take
For his body when the lovers are such as we.
Golden‑haired boy that cannot love me so
As I love him,
Look, life is short, our lips fade... Ay, I know
I am ugly and dim
But love a little or seem... Love me and go
Yet love ere going, and then let me dream
On what was real while life fades and goes slow...
1 482
Fernando Pessoa
O guardanapo dobrado
O guardanapo dobrado
Quer dizer que se não volta.
Tenho o coração atado:
Vê se a tua mão mo solta.
Quer dizer que se não volta.
Tenho o coração atado:
Vê se a tua mão mo solta.
1 477
Fernando Pessoa
Compreender um ao outro
Compreender um ao outro
É um jogo complicado,
Pois quem engana não sabe
Se não estava enganado.
É um jogo complicado,
Pois quem engana não sabe
Se não estava enganado.
1 822
Fernando Pessoa
LE MIGNON
Let them speak ill of me. I do not care
Why shouldst thou care that fairer art than I?
My lips so oft have rested on thy hair,
So oft on thy lips, and so oft
On thy white arms that yet pretend to lie
On my dreams cushions like a vague thing soft...
Let them speak. Life is sweet if thy lips mean
Life. Love is sweet if thou art love.
The scorners cannot know what kisses screen
Our throbbing heart from heart nor prove
That full possession our mad love can scene
With perverse actions like an empire's end
That sinks among the galleys and doth blend
Its sunset with the landscape's emerald green.
Let them speak. Put thy hand within my hand
And let us love as maid and boy are said
To love. But we are none and love is red
On our hot souls thrill and understand.
Oh, to thy bed!
Oh to thy bed, fairer than maidens' couches
And curtained over with strange care for strangeness,
Let's to thy bed and kiss naked while touches
Selected from our hotter dreams transcend
Lust with thought lust acted upon our frames.
The magic misery of our wedded names
Shall light the future with impassioned strangeness.
Antinous!
Why shouldst thou care that fairer art than I?
My lips so oft have rested on thy hair,
So oft on thy lips, and so oft
On thy white arms that yet pretend to lie
On my dreams cushions like a vague thing soft...
Let them speak. Life is sweet if thy lips mean
Life. Love is sweet if thou art love.
The scorners cannot know what kisses screen
Our throbbing heart from heart nor prove
That full possession our mad love can scene
With perverse actions like an empire's end
That sinks among the galleys and doth blend
Its sunset with the landscape's emerald green.
Let them speak. Put thy hand within my hand
And let us love as maid and boy are said
To love. But we are none and love is red
On our hot souls thrill and understand.
Oh, to thy bed!
Oh to thy bed, fairer than maidens' couches
And curtained over with strange care for strangeness,
Let's to thy bed and kiss naked while touches
Selected from our hotter dreams transcend
Lust with thought lust acted upon our frames.
The magic misery of our wedded names
Shall light the future with impassioned strangeness.
Antinous!
1 535
Fernando Pessoa
Dá-me um sorriso daqueles
Dá-me um sorriso daqueles
Que te não servem de nada
Como se dá às crianças
Uma caixa esvaziada.
Que te não servem de nada
Como se dá às crianças
Uma caixa esvaziada.
1 021
Fernando Pessoa
Menina de saia preta
Menina de saia preta
E de blusa de outra cor,
Que é feito daquela seta
Que atirei ao meu amor?
E de blusa de outra cor,
Que é feito daquela seta
Que atirei ao meu amor?
1 640
Fernando Pessoa
Menina de saia preta
Menina de saia preta
E de blusa de outra cor,
Que é feito daquela seta
Que atirei ao meu amor?
E de blusa de outra cor,
Que é feito daquela seta
Que atirei ao meu amor?
1 640
Fernando Pessoa
Ai, os pratos de arroz-doce
Ai, os pratos de arroz-doce
Com as linhas de canela!
Ai a mão branca que os trouxe!
Ai essa mão ser a dela!
Com as linhas de canela!
Ai a mão branca que os trouxe!
Ai essa mão ser a dela!
1 748
Fernando Pessoa
À roda dos dedos juntos
À roda dos dedos juntos
Enrolaste a fita a rir.
Corações não são assuntos
E falar não é sentir.
Enrolaste a fita a rir.
Corações não são assuntos
E falar não é sentir.
1 147
Fernando Pessoa
Vem cá dizer-me que sim.
Vem cá dizer-me que sim.
Ou vem dizer-me que não.
Porque sempre vens assim
P’ra ao pé do meu coração.
Ou vem dizer-me que não.
Porque sempre vens assim
P’ra ao pé do meu coração.
1 472
Fernando Pessoa
O que sinto e o que penso
O que sinto e o que penso
De ti é bem e é mal.
É como quando uma xícara
Tem o pires desigual.
De ti é bem e é mal.
É como quando uma xícara
Tem o pires desigual.
1 327
Fernando Pessoa
O canário já não canta.
O canário já não canta.
Não canta o canário já.
Aquilo que em ti me encanta
Talvez não me encantará.
Não canta o canário já.
Aquilo que em ti me encanta
Talvez não me encantará.
1 717
Fernando Pessoa
O canário já não canta.
O canário já não canta.
Não canta o canário já.
Aquilo que em ti me encanta
Talvez não me encantará.
Não canta o canário já.
Aquilo que em ti me encanta
Talvez não me encantará.
1 717
Fernando Pessoa
Tenho uma ideia comigo
Tenho uma ideia comigo
De que não quero falar.
Se a ideia fosse um postigo,
Era p’ra te ver passar.
De que não quero falar.
Se a ideia fosse um postigo,
Era p’ra te ver passar.
1 424
Fernando Pessoa
Eu bem sei que me desdenhas
Eu bem sei que me desdenhas
Mas gosto que seja assim,
Que o desdém que por mim tenhas
Sempre é pensares em mim.
Mas gosto que seja assim,
Que o desdém que por mim tenhas
Sempre é pensares em mim.
1 280
Fernando Pessoa
Cortaste com a tesoura
Cortaste com a tesoura
O pano de lado a lado.
Porque é que todo teu gesto
Tem a feição de engraçado?
O pano de lado a lado.
Porque é que todo teu gesto
Tem a feição de engraçado?
2 001
Fernando Pessoa
Uma boneca de trapos
Uma boneca de trapos
Não se parte se cair.
Fizeste-me a alma em farrapos...
Bem: não se pode partir.
Não se parte se cair.
Fizeste-me a alma em farrapos...
Bem: não se pode partir.
1 654
Fernando Pessoa
Cá estamos no píncaro — nós dois
Cá estamos no píncaro — nós dois.
Nós dois e Homero? Não sabemos. Esse está mais abaixo.
Estendemos a mão e cada qual ainda que cego chega a Deus (ele não)
O quê — você não chega? Então você desaparece? — ou não chegou.
Sou míope e português
Se houver troca de louros
(...)
P'ra Apolo falta-me a beleza
Mas também falta só isso.
[...]
[...]
Camarada Will, qualquer de nós
Vale o resto, excepto o outro
Ave, poema mudo de verso (poema diverso)
Verso mudo de frases
Mesmo (ó diabo!) mudo de mim
Não importa. Feliz encontro
Nós dois e Homero? Não sabemos. Esse está mais abaixo.
Estendemos a mão e cada qual ainda que cego chega a Deus (ele não)
O quê — você não chega? Então você desaparece? — ou não chegou.
Sou míope e português
Se houver troca de louros
(...)
P'ra Apolo falta-me a beleza
Mas também falta só isso.
[...]
[...]
Camarada Will, qualquer de nós
Vale o resto, excepto o outro
Ave, poema mudo de verso (poema diverso)
Verso mudo de frases
Mesmo (ó diabo!) mudo de mim
Não importa. Feliz encontro
1 626
Fernando Pessoa
Dá-me as mãos por brincadeira
Dá-me as mãos por brincadeira
Na dança que não dançamos,
Porque isso é uma maneira
De dizer o que pensamos.
Dá-me as mãos e sorri alto,
A vigiar o que rio,
Bem sabes que assim já falto
A pensar coisas a fio.
Não quero largar as mãos
Assim dadas por brinquedo.
Deixa-as ficar: há irmãos
Que brincam assim a medo.
Não largues, ou faz demora
A arrastar, a demorar,
As mãos pelas minhas fora,
E já deixando de olhar.
Que segredos num contacto!
Que coisas diz quem não fala!
Que boa vista a do tacto
Quando a vista desiguala!
Deixa os dedos, deixa os dedos,
Deixa-os ainda dizer
Aqueles dos teus segredos
Que não podes prometer!
Deixa-me os dedos e a vida!
Os outros dançam no chão,
E eu tenho a alma esquecida
Dentro do teu coração.
Todo o teu corpo está dado
Nas tuas mãos que retenho.
Mais vale ter enganado
Do que ter porque não tenho.
Na dança que não dançamos,
Porque isso é uma maneira
De dizer o que pensamos.
Dá-me as mãos e sorri alto,
A vigiar o que rio,
Bem sabes que assim já falto
A pensar coisas a fio.
Não quero largar as mãos
Assim dadas por brinquedo.
Deixa-as ficar: há irmãos
Que brincam assim a medo.
Não largues, ou faz demora
A arrastar, a demorar,
As mãos pelas minhas fora,
E já deixando de olhar.
Que segredos num contacto!
Que coisas diz quem não fala!
Que boa vista a do tacto
Quando a vista desiguala!
Deixa os dedos, deixa os dedos,
Deixa-os ainda dizer
Aqueles dos teus segredos
Que não podes prometer!
Deixa-me os dedos e a vida!
Os outros dançam no chão,
E eu tenho a alma esquecida
Dentro do teu coração.
Todo o teu corpo está dado
Nas tuas mãos que retenho.
Mais vale ter enganado
Do que ter porque não tenho.
1 591
Fernando Pessoa
POEMA DE AMOR EM ESTADO NOVO
Tens o olhar misterioso
Com um jeito nevoento,
Indeciso, duvidoso,
Minha Marta Francisca,
Meu amor, meu orçamento!
A tua face de rosa
Tem o colorido esquivo
De uma nota oficiosa.
Quem dera ter-te em meus braços,
Ó meu saldo positivo!
E o teu cabelo — não choro
Seu regresso ao natural —Abandona o padrão-ouro
Amor, pomba, estrada, porta,
Sindicato nacional!
Não sei por que me desprezas.
Fita-me mais um instante,
Lindo corte nas despesas,
Adorada abolição
Da dívida flutuante!
Com que madrigais mostrar-te
Este amor que é chama viva?
Ouve, escuta: vou chamar-te
Assembleia Nacional
Câmara Corporativa.
Como te amo, como, como,
Meu Acto Colonial!
De amor já quase não como,
Meu Estatuto de Trabalho,
Meu Banco de Portugal!
Meu crédito no estrangeiro!
Meu encaixe — ouro adorado!
Serei sempre o teu romeiro...
Pousa a cabeça em meu ombro,
Ó meu Conselho de Estado!
Ó minha corporativa,
Minha lei de Estado Novo,
Não me sejas mais esquiva!
Meu coração quer guarida
Ó linda Casa do Povo!
União Nacional querida,
Teus olhos enchem de mágoa
A sombra da minha vida
Que passa como uma esquadra
Sobre a energia da água.
Que aristocrático ri,
O teu cabelo em cifrões — Finanças em mise-en-plis! —
Meu activo plebiscito,
Nunca desceste a eleições!
Por isso nunca me escolhes
E a minha esperança é vã.
Nem sequer por dó me acolhes,
Minha imprevidente linda
Civilização cristã!
Bem sei: por estes meus modos
Nunca me podes amar.
Olha, desculpa-mas todas.
Estou seguindo as directrizes
Do professor Salazar.
Com um jeito nevoento,
Indeciso, duvidoso,
Minha Marta Francisca,
Meu amor, meu orçamento!
A tua face de rosa
Tem o colorido esquivo
De uma nota oficiosa.
Quem dera ter-te em meus braços,
Ó meu saldo positivo!
E o teu cabelo — não choro
Seu regresso ao natural —Abandona o padrão-ouro
Amor, pomba, estrada, porta,
Sindicato nacional!
Não sei por que me desprezas.
Fita-me mais um instante,
Lindo corte nas despesas,
Adorada abolição
Da dívida flutuante!
Com que madrigais mostrar-te
Este amor que é chama viva?
Ouve, escuta: vou chamar-te
Assembleia Nacional
Câmara Corporativa.
Como te amo, como, como,
Meu Acto Colonial!
De amor já quase não como,
Meu Estatuto de Trabalho,
Meu Banco de Portugal!
Meu crédito no estrangeiro!
Meu encaixe — ouro adorado!
Serei sempre o teu romeiro...
Pousa a cabeça em meu ombro,
Ó meu Conselho de Estado!
Ó minha corporativa,
Minha lei de Estado Novo,
Não me sejas mais esquiva!
Meu coração quer guarida
Ó linda Casa do Povo!
União Nacional querida,
Teus olhos enchem de mágoa
A sombra da minha vida
Que passa como uma esquadra
Sobre a energia da água.
Que aristocrático ri,
O teu cabelo em cifrões — Finanças em mise-en-plis! —
Meu activo plebiscito,
Nunca desceste a eleições!
Por isso nunca me escolhes
E a minha esperança é vã.
Nem sequer por dó me acolhes,
Minha imprevidente linda
Civilização cristã!
Bem sei: por estes meus modos
Nunca me podes amar.
Olha, desculpa-mas todas.
Estou seguindo as directrizes
Do professor Salazar.
1 477
Fernando Pessoa
All my heart weeps for
All my heart weeps for
Is a cottage left
By some one before
Time into space crept,
A small cottage left
Near a silent shore.
There the constant waves
Murmur like vain rest.
There the soft raves
Like a soul possessed
Of rest that not saves.
There the shore‑winds breathe
Possibilities
Of less cares than wreathe
Round our lives their cries
From up and beneath.
Where that cottage is
Rests with wishing it.
Is therewhere is bliss?
No, nor does bliss fit
Into that strange place.
Why desire it then?
Ah, it's different
From the homes of men.
There perhaps are blent
Dreams and what we ken.
There at least alone,
Alone by the sea,
We shall cease to moan...
To moan need not be
Where we are alone...
These are words. Let sleep
Close our eyes to find
That small cottage, deep
In Farness. We are blind
And life is to weep.
Is a cottage left
By some one before
Time into space crept,
A small cottage left
Near a silent shore.
There the constant waves
Murmur like vain rest.
There the soft raves
Like a soul possessed
Of rest that not saves.
There the shore‑winds breathe
Possibilities
Of less cares than wreathe
Round our lives their cries
From up and beneath.
Where that cottage is
Rests with wishing it.
Is therewhere is bliss?
No, nor does bliss fit
Into that strange place.
Why desire it then?
Ah, it's different
From the homes of men.
There perhaps are blent
Dreams and what we ken.
There at least alone,
Alone by the sea,
We shall cease to moan...
To moan need not be
Where we are alone...
These are words. Let sleep
Close our eyes to find
That small cottage, deep
In Farness. We are blind
And life is to weep.
1 549
Fernando Pessoa
Bem sei que ela era a Rainha.
Bem sei que ela era a Rainha.
Tantas vezes a sonhei
Que julguei até que a tinha
Com quanto a imaginei…
Porque a gente, por pensar,
Talvez que pode querer,
Até sentir que sonhar
É pensar sem poder ter.
Bem sei. Mas era a Rainha
E não abdico encontrá-la.
Faltam-me o ser ela minha
E as condições e a sala.
Tantas vezes a sonhei
Que julguei até que a tinha
Com quanto a imaginei…
Porque a gente, por pensar,
Talvez que pode querer,
Até sentir que sonhar
É pensar sem poder ter.
Bem sei. Mas era a Rainha
E não abdico encontrá-la.
Faltam-me o ser ela minha
E as condições e a sala.
1 780
Fernando Pessoa
Onde a serenata?
Onde a serenata?
Dormem os arvoredos.
Há mosqueiros de prata,
Luar em rastos e enredos...
Cantam que vozes suaves?
Enche-se a alma de querer
Ter qualquer coisa das aves
Para a poder entender...
Oh, sombras longas, levai-me
Até a quem vós cantais...
Na vossa música dai-me
Melhor dor que a dos meus ais...
Vinde buscar-me ao desejo,
Despi-me da ilusão...
Vosso murmúrio não vejo…
Não ouço a vossa canção...
Mas na cor oca do luar,
No lago alado da brisa,
Há vozes indo a cantar
Pela floresta indecisa…
E em serenata levantam
Os seus suspiros ao céu,
Qual é a mágoa que contam
Que é melhor que o gozo meu?
O que é [que] buscam que qu'rê-lo
Vale mais que em nós ter?
Que olhos tem, que cabelo,
Essa invisível mulher?
Dormem os arvoredos.
Há mosqueiros de prata,
Luar em rastos e enredos...
Cantam que vozes suaves?
Enche-se a alma de querer
Ter qualquer coisa das aves
Para a poder entender...
Oh, sombras longas, levai-me
Até a quem vós cantais...
Na vossa música dai-me
Melhor dor que a dos meus ais...
Vinde buscar-me ao desejo,
Despi-me da ilusão...
Vosso murmúrio não vejo…
Não ouço a vossa canção...
Mas na cor oca do luar,
No lago alado da brisa,
Há vozes indo a cantar
Pela floresta indecisa…
E em serenata levantam
Os seus suspiros ao céu,
Qual é a mágoa que contam
Que é melhor que o gozo meu?
O que é [que] buscam que qu'rê-lo
Vale mais que em nós ter?
Que olhos tem, que cabelo,
Essa invisível mulher?
1 001