Poemas neste tema
Relações e Família
Leny Mara Souza
A Procura de Você
Busco você.
Você!
Gente que é gente...
Amigo fiel,
companheiro,
amante...
Você!
Que esteja ao meu lado
Nas minhas angústias.
Você!
Que preenche o meu espaço vazio
Tornando-o ardente.
Você!
Que nas noites frias
Seja meu cobertor sereno.
Você!
Que no verão seja um vento
A acariciar minha pele.
Você!
Que respeita a minha individualidade
Você!
Que em todos os momentos
Esteja ao meu lado.
Você!
Que me ensine a
Ser sua amante
Apareça, por favor !
Ainda é tempo.
Você!
Gente que é gente...
Amigo fiel,
companheiro,
amante...
Você!
Que esteja ao meu lado
Nas minhas angústias.
Você!
Que preenche o meu espaço vazio
Tornando-o ardente.
Você!
Que nas noites frias
Seja meu cobertor sereno.
Você!
Que no verão seja um vento
A acariciar minha pele.
Você!
Que respeita a minha individualidade
Você!
Que em todos os momentos
Esteja ao meu lado.
Você!
Que me ensine a
Ser sua amante
Apareça, por favor !
Ainda é tempo.
870
João Linneu
Meu Pai
Algo mais lento,um tanto mais sábio,com setenta e setetalvez chegue ao cento. E se o fizer,quem saberia ao certo?Íntimo dos números,tímido, mas nem tanto;se algarismo fosse, pimo entre os primoscom certeza seria.Vagando entre fórmulas,curvas, retas e abcissas;deriva do sólido e perde a raiz.Pairando no ar, sonhacom ângulos, senos e co-senos.Se por vezes é distante,mesmo estando sempre presente;impassível,manda recadosvia sarça ardente.Sua verve é rara,um par de vezes, ímpar. Cáspite!Quantas virtudes,(-não aquelas nas lápides vulgarizadas-)tem meu pai!
880
Luciano Matheus Tamiozzo
Anjinho
Uma fraca luminosidade
Adentra à porta
Então sorrateiramente
Da cama se aproxima.
Mamãe ao ver pergunta
Em um tom terno e afetivo:
Ainda não dormiu, meu anjinho?
Adentra à porta
Então sorrateiramente
Da cama se aproxima.
Mamãe ao ver pergunta
Em um tom terno e afetivo:
Ainda não dormiu, meu anjinho?
982
Luciano Matheus Tamiozzo
Anjinho
Uma fraca luminosidade
Adentra à porta
Então sorrateiramente
Da cama se aproxima.
Mamãe ao ver pergunta
Em um tom terno e afetivo:
Ainda não dormiu, meu anjinho?
Adentra à porta
Então sorrateiramente
Da cama se aproxima.
Mamãe ao ver pergunta
Em um tom terno e afetivo:
Ainda não dormiu, meu anjinho?
982
Luciano Matheus Tamiozzo
Anjinho
Uma fraca luminosidade
Adentra à porta
Então sorrateiramente
Da cama se aproxima.
Mamãe ao ver pergunta
Em um tom terno e afetivo:
Ainda não dormiu, meu anjinho?
Adentra à porta
Então sorrateiramente
Da cama se aproxima.
Mamãe ao ver pergunta
Em um tom terno e afetivo:
Ainda não dormiu, meu anjinho?
982
Luciano Matheus Tamiozzo
Anjinho
Uma fraca luminosidade
Adentra à porta
Então sorrateiramente
Da cama se aproxima.
Mamãe ao ver pergunta
Em um tom terno e afetivo:
Ainda não dormiu, meu anjinho?
Adentra à porta
Então sorrateiramente
Da cama se aproxima.
Mamãe ao ver pergunta
Em um tom terno e afetivo:
Ainda não dormiu, meu anjinho?
982
Leny Mara Souza
Sedução e Desejo
Noite...
Chuva...
Frio...
Você!
Junção de sentimentos relevantes.
Suas mãos
Acariciando-me como plumas,
Envolvendo-me com suas carícias,
Me sentir mulher
mulher...
Com todos os requisitos precisos.
Você!
Luz de uma natureza sóbria.
Vi na chuva
Nos ligeiros pingos
A certeza que no âmago do meu ser
Está inserido
A sensibilidade,
A emoção de ser atraída
Com seu sorriso puro e sedutor.
Seus lábios demonstrando
O desejo de beijar-me ardentemente
Beijou-me!
Me senti como um pardal
Transmitindo alegria
Perdida no meu ser.
Chuva...
Frio...
Você!
Junção de sentimentos relevantes.
Suas mãos
Acariciando-me como plumas,
Envolvendo-me com suas carícias,
Me sentir mulher
mulher...
Com todos os requisitos precisos.
Você!
Luz de uma natureza sóbria.
Vi na chuva
Nos ligeiros pingos
A certeza que no âmago do meu ser
Está inserido
A sensibilidade,
A emoção de ser atraída
Com seu sorriso puro e sedutor.
Seus lábios demonstrando
O desejo de beijar-me ardentemente
Beijou-me!
Me senti como um pardal
Transmitindo alegria
Perdida no meu ser.
827
Leonardo de Leo Gama
Saudação a Afrodite
Teu amor de proveta quer te mascararsábio patético palhaçoquem diz não vai aprender a voarsou loucotolomas quem diz nunca soube amaro sanguemajestosamente coaguladoheroínabom vinhoembriaga deuses fúteisque só se ocupam em cagarse considera viver um desafiodrogue-se com a monotonia de dias bizarrosamematequeimemas não te esqueças de pingar teu colíriopequepecar é divinofurte para sentirdoce cheiro proibidoamecomatrepesiga teu ponto para o infinitonão falesintacuspateu sangue com toda melo-burocracianão há sons para amornem palavras para vidaseja ateuolha teus minutos docemente escuros através do vidrotodo cúpido nasce mortosete badaladas do sinoa jaulaescancaradaabstrato em evidênciaamorrancoródioinvejaLobos-cordeiros sabem olhar com indiferença
1 852
Antero de Quental
Pequenina
Eu bem
sei que te chamam pequenina
É ténue como o véu solto na dança
Que és no juízo apenas a criança,
Pouco mais , nos vestidos , que a menina...
Que és o regato de água mansa e fina,
A folhinha do til que se balança,
O peito que em correndo logo cansa,
A fronte que ao sofrer logo se inclina...
Mas, filha, lá nos montes onde andei
Tanto me enchi de angústia e de receio
Ouvindo do infinito os fundos ecos,
Que não quero imperar nem já ser rei
Senão tendo meus reinos em teu seio
E súbditos, criança, em teus bonecos.
sei que te chamam pequenina
É ténue como o véu solto na dança
Que és no juízo apenas a criança,
Pouco mais , nos vestidos , que a menina...
Que és o regato de água mansa e fina,
A folhinha do til que se balança,
O peito que em correndo logo cansa,
A fronte que ao sofrer logo se inclina...
Mas, filha, lá nos montes onde andei
Tanto me enchi de angústia e de receio
Ouvindo do infinito os fundos ecos,
Que não quero imperar nem já ser rei
Senão tendo meus reinos em teu seio
E súbditos, criança, em teus bonecos.
1 880
Al Berto
Vigílias
pernoito
no interior do corpo desarrumado
o medo invade o penumbroso corredor
descubro uma cintilação de água no estuque
uma cicatriz de cristais de bolor abre-se
porosa ao contacto dos dedos indica
que não haverá esquecimento ou brisa
para limpar o tempo imemorial da casa
deste simulado sono ficou-lhe o amargo iodo
as madeiras enceradas cobertas de poeira
ervas secas à chuva molhos de rosmaninho
junquilhos, bocas de lobo silenas, trevo
mas nenhuma fuga foi recomeçada
a infância permanece triste onde a abandonei
quase não vive
no entanto ouço-a respirar dentro de mim
agora tudo é diferente
recomeço a viver a partir do vazio
da treva dos dias em silêncio
por entre a pele e um feixe de magnificas veias
sinto o pássaro da velhice arrastando as asas
onde desenvolve o calmo voo lunar
enumero cuidadosamente os objectos, classifico-os
por tamanhos por texturas, por funções
quero deixar tudo arrumado quando a loucura vier
da extremidade aguçada do corpo alado
e o rosto for devassado por um estilhaço de asa
então a vida abater-se-á sobre a folha de papel
onde verso a verso
me ilumino e me desgasto.
no interior do corpo desarrumado
o medo invade o penumbroso corredor
descubro uma cintilação de água no estuque
uma cicatriz de cristais de bolor abre-se
porosa ao contacto dos dedos indica
que não haverá esquecimento ou brisa
para limpar o tempo imemorial da casa
deste simulado sono ficou-lhe o amargo iodo
as madeiras enceradas cobertas de poeira
ervas secas à chuva molhos de rosmaninho
junquilhos, bocas de lobo silenas, trevo
mas nenhuma fuga foi recomeçada
a infância permanece triste onde a abandonei
quase não vive
no entanto ouço-a respirar dentro de mim
agora tudo é diferente
recomeço a viver a partir do vazio
da treva dos dias em silêncio
por entre a pele e um feixe de magnificas veias
sinto o pássaro da velhice arrastando as asas
onde desenvolve o calmo voo lunar
enumero cuidadosamente os objectos, classifico-os
por tamanhos por texturas, por funções
quero deixar tudo arrumado quando a loucura vier
da extremidade aguçada do corpo alado
e o rosto for devassado por um estilhaço de asa
então a vida abater-se-á sobre a folha de papel
onde verso a verso
me ilumino e me desgasto.
6 310
Luiz Lopes Sobrinho
O Amor
Sem amor, este mundo é um exílio!
Sem amor, nosso lar é uma prisão!
Sem amor, não há mãe e nem há filho!
Sem amor, não nos pulsa o coração!
Sem amor, não há paz nem alegria!
Sem amor, tudo, enfim, é solitário!
Sem amor, os tormentos de um só dia
São iguais aos tormentos do Calvário!
Ai! o amor não traz só felicidade!
Também traz, o amor, imensas dores,
Dessas dores que nascem da saudade!
Mas, é muito melhor ser desgraçado,
Sofrer do próprio amor os dissabores,
Que ser feliz e nunca ter amado!
Sem amor, nosso lar é uma prisão!
Sem amor, não há mãe e nem há filho!
Sem amor, não nos pulsa o coração!
Sem amor, não há paz nem alegria!
Sem amor, tudo, enfim, é solitário!
Sem amor, os tormentos de um só dia
São iguais aos tormentos do Calvário!
Ai! o amor não traz só felicidade!
Também traz, o amor, imensas dores,
Dessas dores que nascem da saudade!
Mas, é muito melhor ser desgraçado,
Sofrer do próprio amor os dissabores,
Que ser feliz e nunca ter amado!
1 266
Lúcio José Gusman
Mítica
Diante de ti, pressinto a eternidade
das ternuras como a estrela
a clarinada alegre da manhã.
És uma nesga de luz, és quase um sonho.
Não sei de onde vieste. O teu caminho
nunca foi paralelo ao meu caminho.
Talvez seguisses o infinito quando,
perpendicularmente, te encontrei.
O teu destino se fez o meu destino. Juntos,
passamos a percorrer uma trilha diferente.
O próprio espaço ampliou-se mais
para poder conter a imensidão do nosso afeto.
E o tempo, no silêncio das coisas
que são misteriosas e inexplicáveis,
já não disfarça a sombra viva
da inefável ternura que nos enlaça.
Por isso, cada vez ao pressentir tua chegada,
fervilham-me os sentimentos mais profundos
e freme a minha alma.
És um mito de carne e realidade
das ternuras como a estrela
a clarinada alegre da manhã.
És uma nesga de luz, és quase um sonho.
Não sei de onde vieste. O teu caminho
nunca foi paralelo ao meu caminho.
Talvez seguisses o infinito quando,
perpendicularmente, te encontrei.
O teu destino se fez o meu destino. Juntos,
passamos a percorrer uma trilha diferente.
O próprio espaço ampliou-se mais
para poder conter a imensidão do nosso afeto.
E o tempo, no silêncio das coisas
que são misteriosas e inexplicáveis,
já não disfarça a sombra viva
da inefável ternura que nos enlaça.
Por isso, cada vez ao pressentir tua chegada,
fervilham-me os sentimentos mais profundos
e freme a minha alma.
És um mito de carne e realidade
923
Lúcio José Gusman
Mítica
Diante de ti, pressinto a eternidade
das ternuras como a estrela
a clarinada alegre da manhã.
És uma nesga de luz, és quase um sonho.
Não sei de onde vieste. O teu caminho
nunca foi paralelo ao meu caminho.
Talvez seguisses o infinito quando,
perpendicularmente, te encontrei.
O teu destino se fez o meu destino. Juntos,
passamos a percorrer uma trilha diferente.
O próprio espaço ampliou-se mais
para poder conter a imensidão do nosso afeto.
E o tempo, no silêncio das coisas
que são misteriosas e inexplicáveis,
já não disfarça a sombra viva
da inefável ternura que nos enlaça.
Por isso, cada vez ao pressentir tua chegada,
fervilham-me os sentimentos mais profundos
e freme a minha alma.
És um mito de carne e realidade
das ternuras como a estrela
a clarinada alegre da manhã.
És uma nesga de luz, és quase um sonho.
Não sei de onde vieste. O teu caminho
nunca foi paralelo ao meu caminho.
Talvez seguisses o infinito quando,
perpendicularmente, te encontrei.
O teu destino se fez o meu destino. Juntos,
passamos a percorrer uma trilha diferente.
O próprio espaço ampliou-se mais
para poder conter a imensidão do nosso afeto.
E o tempo, no silêncio das coisas
que são misteriosas e inexplicáveis,
já não disfarça a sombra viva
da inefável ternura que nos enlaça.
Por isso, cada vez ao pressentir tua chegada,
fervilham-me os sentimentos mais profundos
e freme a minha alma.
És um mito de carne e realidade
923
Leão Moysés Zagury
MOmento 1
O tempo passa
você chega:
- Calor
- Ternura
-Emoção
Enquanto o tempo passa.
O tempo nos diz coisas
Nossos ouvidos - nossos cúmplices
imprimem, não sei onde,
os murmúrios - ilusões.
E o relógio marca o tempo:
acordar !
os m
você chega:
- Calor
- Ternura
-Emoção
Enquanto o tempo passa.
O tempo nos diz coisas
Nossos ouvidos - nossos cúmplices
imprimem, não sei onde,
os murmúrios - ilusões.
E o relógio marca o tempo:
acordar !
os m
794
Lúcio José Gusman
A segunda canção desesperada
"Sobre mi corazón llueven frías corolas.Oh sentina de escombros, feroz cueva de náufragos!"(Pablo Neruda - La canción desesperada)
Tua lembrança povoa as horas tristes
da noite desesperançada em que estou.
Em moldura de ébano e estampa de cristal
povoa minhas horas tua figura de fada e de ternura.
Meu coração, deserdado a golpes de punhal,
teima em bater descompassado e exangue.
Em ti se acumularam expectativas e anseios,
de ti alçaram vôo graves sonhos e ilusões candentes.
Eras o renascer de minha alma, a minha vida,
meu despertar em meio à solidão que desampara.
Qual bandeira em paragem inóspita e inculta,
teu corpo me penetrou vazando as corolas dos meus sentidos.
Viajantes das estradas iluminadas das quimeras incendidas,
juntos alcançamos os umbrais dos páramos do amor.
Oh! Os lábios mordiscados, os corpos entrelaçados
em instantes de ternura e sublime obsessão.
Oh! Obsessão crivada de desejos incontidos,
brotados das profundezas intangíveis do amor inacabado!
Ternura suavemente sussurrada a meia luz,
por entre os alvos dentes de tua arcada faiscante e bela.
Tua beleza etérea permanece como o melhor presente,
doce recordação que fere e mata a uma só vez.
Tua presença me retrocede à florida campina dos sonhos,
levando-nos lado a lado além do fato e do desejo.
Esse meu desejo de ti e esse teu desejo de mim
se eternizaram na paz e na luz que tu me deste.
Quantas lágrimas se secaram nos arcos dos teus retesados ombros,
quanto riso agasalhado em teu colo alvo e macio!
Ter na, encantadora, menina e fada - única - ,
os brilhos dos teus olhos meigos se cravaram no meu dentro.
Em mim havia sede, fome, solidão e mágoa:
foste a água, o fruto, a companhia suave e a alegria.
Agora, há uma estrela ascendente irradiante em sua luz,
e, bem perto, uma nave sem rumo cercada de portos inseguros.
Deuses, que embalastes os sonhos de tantos amantes,
dizei-me, ó deuses, a que inferno o abandonado chegará!
Abelardo e Heloísa, Quixote e Dulcinéia, Romeu e Julieta,
por que sugastes todo o néctar da flor do amor corrrespondido?
Mistério. É noite. No dentro e no fora. Mistério e noite.
Sigo caminhando, a cruz do desencanto cravada no meu peito.
Apesar, a menina-que-veio-dos-céus, a fada-ternura,
terá sempre vindo dos céus, será sempre a fada ternura.
Linda, linda, terna e meiga, fada-menina
à procura do amor que te falhei em dar...
Tua lembrança povoa as horas tristes
da noite desesperançada em que estou.
Em moldura de ébano e estampa de cristal
povoa minhas horas tua figura de fada e de ternura.
Meu coração, deserdado a golpes de punhal,
teima em bater descompassado e exangue.
Em ti se acumularam expectativas e anseios,
de ti alçaram vôo graves sonhos e ilusões candentes.
Eras o renascer de minha alma, a minha vida,
meu despertar em meio à solidão que desampara.
Qual bandeira em paragem inóspita e inculta,
teu corpo me penetrou vazando as corolas dos meus sentidos.
Viajantes das estradas iluminadas das quimeras incendidas,
juntos alcançamos os umbrais dos páramos do amor.
Oh! Os lábios mordiscados, os corpos entrelaçados
em instantes de ternura e sublime obsessão.
Oh! Obsessão crivada de desejos incontidos,
brotados das profundezas intangíveis do amor inacabado!
Ternura suavemente sussurrada a meia luz,
por entre os alvos dentes de tua arcada faiscante e bela.
Tua beleza etérea permanece como o melhor presente,
doce recordação que fere e mata a uma só vez.
Tua presença me retrocede à florida campina dos sonhos,
levando-nos lado a lado além do fato e do desejo.
Esse meu desejo de ti e esse teu desejo de mim
se eternizaram na paz e na luz que tu me deste.
Quantas lágrimas se secaram nos arcos dos teus retesados ombros,
quanto riso agasalhado em teu colo alvo e macio!
Ter na, encantadora, menina e fada - única - ,
os brilhos dos teus olhos meigos se cravaram no meu dentro.
Em mim havia sede, fome, solidão e mágoa:
foste a água, o fruto, a companhia suave e a alegria.
Agora, há uma estrela ascendente irradiante em sua luz,
e, bem perto, uma nave sem rumo cercada de portos inseguros.
Deuses, que embalastes os sonhos de tantos amantes,
dizei-me, ó deuses, a que inferno o abandonado chegará!
Abelardo e Heloísa, Quixote e Dulcinéia, Romeu e Julieta,
por que sugastes todo o néctar da flor do amor corrrespondido?
Mistério. É noite. No dentro e no fora. Mistério e noite.
Sigo caminhando, a cruz do desencanto cravada no meu peito.
Apesar, a menina-que-veio-dos-céus, a fada-ternura,
terá sempre vindo dos céus, será sempre a fada ternura.
Linda, linda, terna e meiga, fada-menina
à procura do amor que te falhei em dar...
1 022
Lúcio José Gusman
A segunda canção desesperada
"Sobre mi corazón llueven frías corolas.Oh sentina de escombros, feroz cueva de náufragos!"(Pablo Neruda - La canción desesperada)
Tua lembrança povoa as horas tristes
da noite desesperançada em que estou.
Em moldura de ébano e estampa de cristal
povoa minhas horas tua figura de fada e de ternura.
Meu coração, deserdado a golpes de punhal,
teima em bater descompassado e exangue.
Em ti se acumularam expectativas e anseios,
de ti alçaram vôo graves sonhos e ilusões candentes.
Eras o renascer de minha alma, a minha vida,
meu despertar em meio à solidão que desampara.
Qual bandeira em paragem inóspita e inculta,
teu corpo me penetrou vazando as corolas dos meus sentidos.
Viajantes das estradas iluminadas das quimeras incendidas,
juntos alcançamos os umbrais dos páramos do amor.
Oh! Os lábios mordiscados, os corpos entrelaçados
em instantes de ternura e sublime obsessão.
Oh! Obsessão crivada de desejos incontidos,
brotados das profundezas intangíveis do amor inacabado!
Ternura suavemente sussurrada a meia luz,
por entre os alvos dentes de tua arcada faiscante e bela.
Tua beleza etérea permanece como o melhor presente,
doce recordação que fere e mata a uma só vez.
Tua presença me retrocede à florida campina dos sonhos,
levando-nos lado a lado além do fato e do desejo.
Esse meu desejo de ti e esse teu desejo de mim
se eternizaram na paz e na luz que tu me deste.
Quantas lágrimas se secaram nos arcos dos teus retesados ombros,
quanto riso agasalhado em teu colo alvo e macio!
Ter na, encantadora, menina e fada - única - ,
os brilhos dos teus olhos meigos se cravaram no meu dentro.
Em mim havia sede, fome, solidão e mágoa:
foste a água, o fruto, a companhia suave e a alegria.
Agora, há uma estrela ascendente irradiante em sua luz,
e, bem perto, uma nave sem rumo cercada de portos inseguros.
Deuses, que embalastes os sonhos de tantos amantes,
dizei-me, ó deuses, a que inferno o abandonado chegará!
Abelardo e Heloísa, Quixote e Dulcinéia, Romeu e Julieta,
por que sugastes todo o néctar da flor do amor corrrespondido?
Mistério. É noite. No dentro e no fora. Mistério e noite.
Sigo caminhando, a cruz do desencanto cravada no meu peito.
Apesar, a menina-que-veio-dos-céus, a fada-ternura,
terá sempre vindo dos céus, será sempre a fada ternura.
Linda, linda, terna e meiga, fada-menina
à procura do amor que te falhei em dar...
Tua lembrança povoa as horas tristes
da noite desesperançada em que estou.
Em moldura de ébano e estampa de cristal
povoa minhas horas tua figura de fada e de ternura.
Meu coração, deserdado a golpes de punhal,
teima em bater descompassado e exangue.
Em ti se acumularam expectativas e anseios,
de ti alçaram vôo graves sonhos e ilusões candentes.
Eras o renascer de minha alma, a minha vida,
meu despertar em meio à solidão que desampara.
Qual bandeira em paragem inóspita e inculta,
teu corpo me penetrou vazando as corolas dos meus sentidos.
Viajantes das estradas iluminadas das quimeras incendidas,
juntos alcançamos os umbrais dos páramos do amor.
Oh! Os lábios mordiscados, os corpos entrelaçados
em instantes de ternura e sublime obsessão.
Oh! Obsessão crivada de desejos incontidos,
brotados das profundezas intangíveis do amor inacabado!
Ternura suavemente sussurrada a meia luz,
por entre os alvos dentes de tua arcada faiscante e bela.
Tua beleza etérea permanece como o melhor presente,
doce recordação que fere e mata a uma só vez.
Tua presença me retrocede à florida campina dos sonhos,
levando-nos lado a lado além do fato e do desejo.
Esse meu desejo de ti e esse teu desejo de mim
se eternizaram na paz e na luz que tu me deste.
Quantas lágrimas se secaram nos arcos dos teus retesados ombros,
quanto riso agasalhado em teu colo alvo e macio!
Ter na, encantadora, menina e fada - única - ,
os brilhos dos teus olhos meigos se cravaram no meu dentro.
Em mim havia sede, fome, solidão e mágoa:
foste a água, o fruto, a companhia suave e a alegria.
Agora, há uma estrela ascendente irradiante em sua luz,
e, bem perto, uma nave sem rumo cercada de portos inseguros.
Deuses, que embalastes os sonhos de tantos amantes,
dizei-me, ó deuses, a que inferno o abandonado chegará!
Abelardo e Heloísa, Quixote e Dulcinéia, Romeu e Julieta,
por que sugastes todo o néctar da flor do amor corrrespondido?
Mistério. É noite. No dentro e no fora. Mistério e noite.
Sigo caminhando, a cruz do desencanto cravada no meu peito.
Apesar, a menina-que-veio-dos-céus, a fada-ternura,
terá sempre vindo dos céus, será sempre a fada ternura.
Linda, linda, terna e meiga, fada-menina
à procura do amor que te falhei em dar...
1 022
Antero de Quental
Lamento
Um dilúvio
de luz cai da montanha:
Eis o dia! Eis o sol! O esposo amado!
Onde há por toda a terra um só cuidado
Que não dissipe a luz que o mundo banha?
Flor a custo medrada em erma penha.
Revolto mar ou golfo congelado,
Aonde há ser de Deus tão olvidado
Para quem paz e alívio o céu não tenha?
Deus é Pai! Pai de toda a criatura:
E a todo o ser o seu amor assiste:
De seus filhos o mal sempre lembrado....
Ah! Se deus a seus filhos dá ventura
Nesta hora santa... e eu só posso ser triste...
Serei filho, mas filho abandonado!
de luz cai da montanha:
Eis o dia! Eis o sol! O esposo amado!
Onde há por toda a terra um só cuidado
Que não dissipe a luz que o mundo banha?
Flor a custo medrada em erma penha.
Revolto mar ou golfo congelado,
Aonde há ser de Deus tão olvidado
Para quem paz e alívio o céu não tenha?
Deus é Pai! Pai de toda a criatura:
E a todo o ser o seu amor assiste:
De seus filhos o mal sempre lembrado....
Ah! Se deus a seus filhos dá ventura
Nesta hora santa... e eu só posso ser triste...
Serei filho, mas filho abandonado!
3 050
Lúcio José Gusman
O pirilampo
Um pirilampo indiscreto,
esperto,
sem pedir licença,
se pôs a contemplar-te
deitada no teu leito:
"- Como és linda!", disse ele.
O pirilampo indiscreto,
esperto,
teve o fado
que me é negado.
E pôde banhar-te
com sua delicada luz,
vislumbrando na fosforescência
do aveludado de teu corpo
a lascívia de tuas formas,
a beleza única de teus contornos.
Tu, qual Vênus pronta a se entregar
aos ansiados braços
de um Morfeu sedento...
Oh! O que eu não daria
para ser o pirilampo!
E ver-te, e admirar-te,
e desejar-te - e te querer! -,
e sentir teu hálito
num abraço-espasmo
longo, duradouro,
fundindo corpos,
entrelaçando almas,
para, enfim,
na exaustão do amor,
depositar na maciez sensual
de tua boca rósea
o ósculo santo da paixão
definitiva.
E depois,
beijar teus olhos semicerrados,
suavemente, ternamente,
e velar teu sono,
e segredar-te sussurrando
tudo aquilo que a uma deusa
se deve dizer ajoelhado.
Mas eu não sou o pirilampo...
esperto,
sem pedir licença,
se pôs a contemplar-te
deitada no teu leito:
"- Como és linda!", disse ele.
O pirilampo indiscreto,
esperto,
teve o fado
que me é negado.
E pôde banhar-te
com sua delicada luz,
vislumbrando na fosforescência
do aveludado de teu corpo
a lascívia de tuas formas,
a beleza única de teus contornos.
Tu, qual Vênus pronta a se entregar
aos ansiados braços
de um Morfeu sedento...
Oh! O que eu não daria
para ser o pirilampo!
E ver-te, e admirar-te,
e desejar-te - e te querer! -,
e sentir teu hálito
num abraço-espasmo
longo, duradouro,
fundindo corpos,
entrelaçando almas,
para, enfim,
na exaustão do amor,
depositar na maciez sensual
de tua boca rósea
o ósculo santo da paixão
definitiva.
E depois,
beijar teus olhos semicerrados,
suavemente, ternamente,
e velar teu sono,
e segredar-te sussurrando
tudo aquilo que a uma deusa
se deve dizer ajoelhado.
Mas eu não sou o pirilampo...
953
Tânia Regina
Amor Impossível
Hoje você está impassível
tornando o nosso amor
Algo tão impossível
que nem em sonho
Podemos mais sonhar...
Nossos pensamentos impelidos
contra o tempo
Mostrando o quanto
é grande nossas diferenças
nossa idade, nossa cabeça...
Eu então fico aqui nessa melancolia
Espraiando-me pela praia
Sendo tocada pela maviosa água
Matizada pelo toque em meu corpo...
Não sei se tenho forças pra continuar
Só saberei se tentar
Se tento posso perder
Se não chego a tentar
nunca saberei se não arriscar...
Apenas fico na esperança
De que algum dia
Você olhe para trás
E veja com alegria
O que você deixou passar
Todos aqueles dias...
tornando o nosso amor
Algo tão impossível
que nem em sonho
Podemos mais sonhar...
Nossos pensamentos impelidos
contra o tempo
Mostrando o quanto
é grande nossas diferenças
nossa idade, nossa cabeça...
Eu então fico aqui nessa melancolia
Espraiando-me pela praia
Sendo tocada pela maviosa água
Matizada pelo toque em meu corpo...
Não sei se tenho forças pra continuar
Só saberei se tentar
Se tento posso perder
Se não chego a tentar
nunca saberei se não arriscar...
Apenas fico na esperança
De que algum dia
Você olhe para trás
E veja com alegria
O que você deixou passar
Todos aqueles dias...
958
Tomáz Kim
Antes da Metralha
Antes da metralha e do dedo da morte...
Antes dum corpo jovem, anônimo,
apodrecer, esquecido, à chuva...
Ou singrar, boiando, nas águas mansas...
Ou se despedaçar contra o céu indiferente...
Antes do pavor e do pranto e da prece...
Um adeus longo e triste
aos poemas amontoados no fundo da gaveta
e à renúncia ao teu amor brando
e às noites calmas e ao sonho inacabado...
Antes da morte sem mistério...
Um adeus longo e triste
à luta de que não se partilhou!
Antes dum corpo jovem, anônimo,
apodrecer, esquecido, à chuva...
Ou singrar, boiando, nas águas mansas...
Ou se despedaçar contra o céu indiferente...
Antes do pavor e do pranto e da prece...
Um adeus longo e triste
aos poemas amontoados no fundo da gaveta
e à renúncia ao teu amor brando
e às noites calmas e ao sonho inacabado...
Antes da morte sem mistério...
Um adeus longo e triste
à luta de que não se partilhou!
1 209
Tomás Ribeiro
Carta que Estela Deixou à Filha
Fragmento do canto VIII do D. Jaime
...........................................................
A vítima infeliz de ímproba sorte,
vede o que ela escrevia à triste filha,
momentos antes de chegar a morte:
— "Filha! não posso agasalhar-te em vida;
rosa pendida que te vais finar!
quem te arrancara dessas mãos ferozes
dos meus algozes que te vão matar!
À campa vamos! Ai! depois da morte,
quem sabe a sorte a que estas almas vão!...
Que anseio! filha! que soldado abismo!
tu... sem batismo! e eu... sem confissão!
Não! Deus é pai! somente aos maus condena!
Foi por quem pena que penou Jesus!
Sejam meus prantos do batismo as águas!...
Deus! pelas mágoas que te deu a cruz!
Vai, filha! os anjos te recebem ledos!
guarda os segredos que me ouviste aqui.
Quando avistares do Senhor a sede,
por mim lhe pede, que também morri!
Vai! Dize aos anjos que te dêem seus cantos,
por estes prantos que meus olhos têm!
e se em mim perdes maternal ternura,
a Virgem pura que te seja mãe!...
Ai! flor de neve com dourada coma!
que alvor! que aroma! se não perde aqui!
Ai! rosa minha de matiz vestida;
que amor! que vida! que eu sonhei por ti!
Teu pai, rojado por inglória senda,
que vida horrenda viverá também!...
rico inda ontem, poderoso e nobre!
hoje tão pobre, que nem nome tem!
Eu fui a sombra que toldou de escuro
todo o futuro que o verá viver!...
Eu fui a estrela que em lugar do norte,
lhe aponta a morte que o fará morrer!
Aos meus perdôo, que me deram tratos;
raça de ingratos, com que eu vivi!
Não choro os dias que sonhei serenos...
que em paga ao menos morrerei por ti.
A ti, a ele, deixarei somente,
num beijo ardente o derradeiro adeus!...
Correi, algozes, já me não confranjo!
mártir e anjo, têm direito aos céus!"
...........................................................
A vítima infeliz de ímproba sorte,
vede o que ela escrevia à triste filha,
momentos antes de chegar a morte:
— "Filha! não posso agasalhar-te em vida;
rosa pendida que te vais finar!
quem te arrancara dessas mãos ferozes
dos meus algozes que te vão matar!
À campa vamos! Ai! depois da morte,
quem sabe a sorte a que estas almas vão!...
Que anseio! filha! que soldado abismo!
tu... sem batismo! e eu... sem confissão!
Não! Deus é pai! somente aos maus condena!
Foi por quem pena que penou Jesus!
Sejam meus prantos do batismo as águas!...
Deus! pelas mágoas que te deu a cruz!
Vai, filha! os anjos te recebem ledos!
guarda os segredos que me ouviste aqui.
Quando avistares do Senhor a sede,
por mim lhe pede, que também morri!
Vai! Dize aos anjos que te dêem seus cantos,
por estes prantos que meus olhos têm!
e se em mim perdes maternal ternura,
a Virgem pura que te seja mãe!...
Ai! flor de neve com dourada coma!
que alvor! que aroma! se não perde aqui!
Ai! rosa minha de matiz vestida;
que amor! que vida! que eu sonhei por ti!
Teu pai, rojado por inglória senda,
que vida horrenda viverá também!...
rico inda ontem, poderoso e nobre!
hoje tão pobre, que nem nome tem!
Eu fui a sombra que toldou de escuro
todo o futuro que o verá viver!...
Eu fui a estrela que em lugar do norte,
lhe aponta a morte que o fará morrer!
Aos meus perdôo, que me deram tratos;
raça de ingratos, com que eu vivi!
Não choro os dias que sonhei serenos...
que em paga ao menos morrerei por ti.
A ti, a ele, deixarei somente,
num beijo ardente o derradeiro adeus!...
Correi, algozes, já me não confranjo!
mártir e anjo, têm direito aos céus!"
1 164
Gláucia Lemos
Soneto á Fala
ou
Rota do Sol
Cala-te e partirei. Muda e sem abraço.
E esta distância se fará completa.
Fechamos esta escala de embaraços,
me defino sem ti, na rota certa.
Mas, cala! Que tua voz é como um laço
que me ata o sangue e minha calma afeta.
Se falas, estremeço e me desfaço,
e quedo, penitente, manifesta.
Se falas, eu me arrisco ao precipício,
como fêmea arrastada, como um vício
que avassala em inteira embriaguez.
Se ainda me amas, me poupa o sacrifício
desta distância. Leva-me á difícil
rota do sol. Ou cala de uma vez!
12.07.96
Rota do Sol
Cala-te e partirei. Muda e sem abraço.
E esta distância se fará completa.
Fechamos esta escala de embaraços,
me defino sem ti, na rota certa.
Mas, cala! Que tua voz é como um laço
que me ata o sangue e minha calma afeta.
Se falas, estremeço e me desfaço,
e quedo, penitente, manifesta.
Se falas, eu me arrisco ao precipício,
como fêmea arrastada, como um vício
que avassala em inteira embriaguez.
Se ainda me amas, me poupa o sacrifício
desta distância. Leva-me á difícil
rota do sol. Ou cala de uma vez!
12.07.96
1 250
Gláucia Lemos
Sonetos das Mãos
(A um amigo)
Não há de ser da tua mão esguia
que me virão o lanho e a ferida.
Não há de ser a tua, a que esvazia
as emoções guardadas pouco a pouco.
Nem há de ser das tuas mãos em prece
que esperarei as bênçãos de uma vida.
Chega-se ao bem - se um dia se merece -
pelo amor que se deu sem buscar troco.
Se há quem quer para mim o gosto amargo
que não me venha da tua boca o trago
a envenenar a mais meus longos dias.
Que não venha, jamais, punhal daninho
da tua destra! Cuidarás que o espinho
não esteja ele em tuas mãos esguias!
08.07.96
Não há de ser da tua mão esguia
que me virão o lanho e a ferida.
Não há de ser a tua, a que esvazia
as emoções guardadas pouco a pouco.
Nem há de ser das tuas mãos em prece
que esperarei as bênçãos de uma vida.
Chega-se ao bem - se um dia se merece -
pelo amor que se deu sem buscar troco.
Se há quem quer para mim o gosto amargo
que não me venha da tua boca o trago
a envenenar a mais meus longos dias.
Que não venha, jamais, punhal daninho
da tua destra! Cuidarás que o espinho
não esteja ele em tuas mãos esguias!
08.07.96
1 088
Gláucia Lemos
Permanência
É assim que consigo ter-te perto
quando não estás. Apenas manuseio
o livro que deixaste, e então eu creio
sentir as tuas mãos junto a meus gestos.
Sinto que estás pra vir. No meu deserto
sempre deixas sinal. Terás receio
que me perca de ti?... No entanto é certo
que só estou a buscar-te enquanto leio...
Tens o teu jeito de guardar-me pronta
à tua espera: Uma lembrança apenas,
qualquer coisa em que possa me dar conta
da tua presença, enquanto te vais.
Assim te ficas em coisas pequenas
assim te tenho perto se não estás.
10.07.96
quando não estás. Apenas manuseio
o livro que deixaste, e então eu creio
sentir as tuas mãos junto a meus gestos.
Sinto que estás pra vir. No meu deserto
sempre deixas sinal. Terás receio
que me perca de ti?... No entanto é certo
que só estou a buscar-te enquanto leio...
Tens o teu jeito de guardar-me pronta
à tua espera: Uma lembrança apenas,
qualquer coisa em que possa me dar conta
da tua presença, enquanto te vais.
Assim te ficas em coisas pequenas
assim te tenho perto se não estás.
10.07.96
1 139