Poemas neste tema
Emoções e Sentimentos
Fernando Pessoa
Há música. Tenho sono
Há música. Tenho sono.
Tenho sono com sonhar.
Estou num longínquo abandono
Sem me sentir nem pensar.
A música é pobre mas
Não será mais pobre a vida?
Que importa que eu durma? Faz
Sono sentir a descida.
25/03/1928
Tenho sono com sonhar.
Estou num longínquo abandono
Sem me sentir nem pensar.
A música é pobre mas
Não será mais pobre a vida?
Que importa que eu durma? Faz
Sono sentir a descida.
25/03/1928
4 226
1
Fernando Pessoa
Não sei que sonho me não descansa
Não sei que sonho me não descansa
E me faz mal...
Mas eia! o harmónio a guiar a dança
Nesse quintal.
E eu perco o fio ao que não existe
E ouço dançar,
Já não alheio, nem sequer triste,
Só de escutar.
Quanta alegria onde os outros são
E dançam bem!
Dei-lhes de graça meu coração
E o que ele tem.
Na noite calma o harmónio toca
Aquela dança,
E o que em mim sonha um momento evoca
Nova esperança
Nova esperança que há-de cessar
Quando, já dia,
O harmónio eterno que há-de acabar
Feche a alegria.
Ah, ser os outros! Se eu o pudesse
Sem outros ser!,
Enquanto o harmónio minha alma enchesse
De o não saber.
10/10/1933
E me faz mal...
Mas eia! o harmónio a guiar a dança
Nesse quintal.
E eu perco o fio ao que não existe
E ouço dançar,
Já não alheio, nem sequer triste,
Só de escutar.
Quanta alegria onde os outros são
E dançam bem!
Dei-lhes de graça meu coração
E o que ele tem.
Na noite calma o harmónio toca
Aquela dança,
E o que em mim sonha um momento evoca
Nova esperança
Nova esperança que há-de cessar
Quando, já dia,
O harmónio eterno que há-de acabar
Feche a alegria.
Ah, ser os outros! Se eu o pudesse
Sem outros ser!,
Enquanto o harmónio minha alma enchesse
De o não saber.
10/10/1933
4 821
1
Fernando Pessoa
Não sei que sonho me não descansa
Não sei que sonho me não descansa
E me faz mal...
Mas eia! o harmónio a guiar a dança
Nesse quintal.
E eu perco o fio ao que não existe
E ouço dançar,
Já não alheio, nem sequer triste,
Só de escutar.
Quanta alegria onde os outros são
E dançam bem!
Dei-lhes de graça meu coração
E o que ele tem.
Na noite calma o harmónio toca
Aquela dança,
E o que em mim sonha um momento evoca
Nova esperança
Nova esperança que há-de cessar
Quando, já dia,
O harmónio eterno que há-de acabar
Feche a alegria.
Ah, ser os outros! Se eu o pudesse
Sem outros ser!,
Enquanto o harmónio minha alma enchesse
De o não saber.
10/10/1933
E me faz mal...
Mas eia! o harmónio a guiar a dança
Nesse quintal.
E eu perco o fio ao que não existe
E ouço dançar,
Já não alheio, nem sequer triste,
Só de escutar.
Quanta alegria onde os outros são
E dançam bem!
Dei-lhes de graça meu coração
E o que ele tem.
Na noite calma o harmónio toca
Aquela dança,
E o que em mim sonha um momento evoca
Nova esperança
Nova esperança que há-de cessar
Quando, já dia,
O harmónio eterno que há-de acabar
Feche a alegria.
Ah, ser os outros! Se eu o pudesse
Sem outros ser!,
Enquanto o harmónio minha alma enchesse
De o não saber.
10/10/1933
4 821
1
Fernando Pessoa
Não sei que sonho me não descansa
Não sei que sonho me não descansa
E me faz mal...
Mas eia! o harmónio a guiar a dança
Nesse quintal.
E eu perco o fio ao que não existe
E ouço dançar,
Já não alheio, nem sequer triste,
Só de escutar.
Quanta alegria onde os outros são
E dançam bem!
Dei-lhes de graça meu coração
E o que ele tem.
Na noite calma o harmónio toca
Aquela dança,
E o que em mim sonha um momento evoca
Nova esperança
Nova esperança que há-de cessar
Quando, já dia,
O harmónio eterno que há-de acabar
Feche a alegria.
Ah, ser os outros! Se eu o pudesse
Sem outros ser!,
Enquanto o harmónio minha alma enchesse
De o não saber.
10/10/1933
E me faz mal...
Mas eia! o harmónio a guiar a dança
Nesse quintal.
E eu perco o fio ao que não existe
E ouço dançar,
Já não alheio, nem sequer triste,
Só de escutar.
Quanta alegria onde os outros são
E dançam bem!
Dei-lhes de graça meu coração
E o que ele tem.
Na noite calma o harmónio toca
Aquela dança,
E o que em mim sonha um momento evoca
Nova esperança
Nova esperança que há-de cessar
Quando, já dia,
O harmónio eterno que há-de acabar
Feche a alegria.
Ah, ser os outros! Se eu o pudesse
Sem outros ser!,
Enquanto o harmónio minha alma enchesse
De o não saber.
10/10/1933
4 821
1
Fernando Pessoa
Treme em luz a água.
Treme em luz a água
Mal vejo. Parece
Que uma alheia mágoa
Na minha alma desce –
Mágoa erma de alguém
De algum outro mundo
Onde a dor é um bem
E o amor é profundo,
E só punge ver,
Ao longe, iludida,
A vida a morrer
O sonho da vida.
(Athena, nº 3, Dezembro de 1924)
Mal vejo. Parece
Que uma alheia mágoa
Na minha alma desce –
Mágoa erma de alguém
De algum outro mundo
Onde a dor é um bem
E o amor é profundo,
E só punge ver,
Ao longe, iludida,
A vida a morrer
O sonho da vida.
(Athena, nº 3, Dezembro de 1924)
4 723
1
Fernando Pessoa
Treme em luz a água.
Treme em luz a água
Mal vejo. Parece
Que uma alheia mágoa
Na minha alma desce –
Mágoa erma de alguém
De algum outro mundo
Onde a dor é um bem
E o amor é profundo,
E só punge ver,
Ao longe, iludida,
A vida a morrer
O sonho da vida.
(Athena, nº 3, Dezembro de 1924)
Mal vejo. Parece
Que uma alheia mágoa
Na minha alma desce –
Mágoa erma de alguém
De algum outro mundo
Onde a dor é um bem
E o amor é profundo,
E só punge ver,
Ao longe, iludida,
A vida a morrer
O sonho da vida.
(Athena, nº 3, Dezembro de 1924)
4 723
1
Fernando Pessoa
Treme em luz a água.
Treme em luz a água
Mal vejo. Parece
Que uma alheia mágoa
Na minha alma desce –
Mágoa erma de alguém
De algum outro mundo
Onde a dor é um bem
E o amor é profundo,
E só punge ver,
Ao longe, iludida,
A vida a morrer
O sonho da vida.
(Athena, nº 3, Dezembro de 1924)
Mal vejo. Parece
Que uma alheia mágoa
Na minha alma desce –
Mágoa erma de alguém
De algum outro mundo
Onde a dor é um bem
E o amor é profundo,
E só punge ver,
Ao longe, iludida,
A vida a morrer
O sonho da vida.
(Athena, nº 3, Dezembro de 1924)
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1
Fernando Pessoa
Eis-me em mim absorto
Eis-me em mim absorto
Sem o conhecer
Bóio no mar morto
Do meu próprio ser.
Sinto-me pesar
No meu sentir-me água...
Eis-me a balancear
Minha vida-mágoa.
Barco sem ter velas...
De quilha virada...
O céu com estrelas
É frio como espada.
E eu sou vento e céu...
Sou o barco e o mar...
Só que não sou eu...
Quero-o ignorar.
12/05/1913
Sem o conhecer
Bóio no mar morto
Do meu próprio ser.
Sinto-me pesar
No meu sentir-me água...
Eis-me a balancear
Minha vida-mágoa.
Barco sem ter velas...
De quilha virada...
O céu com estrelas
É frio como espada.
E eu sou vento e céu...
Sou o barco e o mar...
Só que não sou eu...
Quero-o ignorar.
12/05/1913
4 825
1
Fernando Pessoa
Eis-me em mim absorto
Eis-me em mim absorto
Sem o conhecer
Bóio no mar morto
Do meu próprio ser.
Sinto-me pesar
No meu sentir-me água...
Eis-me a balancear
Minha vida-mágoa.
Barco sem ter velas...
De quilha virada...
O céu com estrelas
É frio como espada.
E eu sou vento e céu...
Sou o barco e o mar...
Só que não sou eu...
Quero-o ignorar.
12/05/1913
Sem o conhecer
Bóio no mar morto
Do meu próprio ser.
Sinto-me pesar
No meu sentir-me água...
Eis-me a balancear
Minha vida-mágoa.
Barco sem ter velas...
De quilha virada...
O céu com estrelas
É frio como espada.
E eu sou vento e céu...
Sou o barco e o mar...
Só que não sou eu...
Quero-o ignorar.
12/05/1913
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1
Fernando Pessoa
É uma brisa leve
É uma brisa leve
Que o ar um momento teve
E que passa sem ter
Quase por tudo ser.
Quem amo não existe.
Vivo indeciso e triste.
Quem quis ser já me esquece
Quem sou não me conhece.
E em meio disto o aroma
Que a brisa traz me assoma
Um momento à consciência
Como uma confidência.
18/05/1922
Que o ar um momento teve
E que passa sem ter
Quase por tudo ser.
Quem amo não existe.
Vivo indeciso e triste.
Quem quis ser já me esquece
Quem sou não me conhece.
E em meio disto o aroma
Que a brisa traz me assoma
Um momento à consciência
Como uma confidência.
18/05/1922
6 230
1
Fernando Pessoa
É uma brisa leve
É uma brisa leve
Que o ar um momento teve
E que passa sem ter
Quase por tudo ser.
Quem amo não existe.
Vivo indeciso e triste.
Quem quis ser já me esquece
Quem sou não me conhece.
E em meio disto o aroma
Que a brisa traz me assoma
Um momento à consciência
Como uma confidência.
18/05/1922
Que o ar um momento teve
E que passa sem ter
Quase por tudo ser.
Quem amo não existe.
Vivo indeciso e triste.
Quem quis ser já me esquece
Quem sou não me conhece.
E em meio disto o aroma
Que a brisa traz me assoma
Um momento à consciência
Como uma confidência.
18/05/1922
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1
Fernando Pessoa
É uma brisa leve
É uma brisa leve
Que o ar um momento teve
E que passa sem ter
Quase por tudo ser.
Quem amo não existe.
Vivo indeciso e triste.
Quem quis ser já me esquece
Quem sou não me conhece.
E em meio disto o aroma
Que a brisa traz me assoma
Um momento à consciência
Como uma confidência.
18/05/1922
Que o ar um momento teve
E que passa sem ter
Quase por tudo ser.
Quem amo não existe.
Vivo indeciso e triste.
Quem quis ser já me esquece
Quem sou não me conhece.
E em meio disto o aroma
Que a brisa traz me assoma
Um momento à consciência
Como uma confidência.
18/05/1922
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1
Fernando Pessoa
SCHEHERAZAD
SCHEHRAZAD
O que eu penso não sei e é alegria
Pensá-lo; nada sou, salvo a harmonia
Interior entre existir e ouvir
A música cantar-te e dissuadir
Da vida e desta inútil atenção
Ao útil dada, mortal sensação
Real, passada
E à minha mente inutilmente dada.
26/11/1916
O que eu penso não sei e é alegria
Pensá-lo; nada sou, salvo a harmonia
Interior entre existir e ouvir
A música cantar-te e dissuadir
Da vida e desta inútil atenção
Ao útil dada, mortal sensação
Real, passada
E à minha mente inutilmente dada.
26/11/1916
4 104
1
Fernando Pessoa
O som do relógio
O som do relógio
Tem a alma por fora,
Só ele é a noite
E a noite se ignora.
Não sei que distância
Vai de som a som
Rezando, no tique
Do taque do tom.
Mas oiço de noite
A sua presença
Sem ter onde acoite
Meu ser sem ser.
Parece dizer
Sempre a mesma coisa
Como o que se senta
E se não repousa.
26/06/1929
Tem a alma por fora,
Só ele é a noite
E a noite se ignora.
Não sei que distância
Vai de som a som
Rezando, no tique
Do taque do tom.
Mas oiço de noite
A sua presença
Sem ter onde acoite
Meu ser sem ser.
Parece dizer
Sempre a mesma coisa
Como o que se senta
E se não repousa.
26/06/1929
5 600
1
Fernando Pessoa
Um muro de nuvens densas
Um muro de nuvens densas
Põe na base do ocidente
Negras roxuras pretensas.
Com a noite tudo acaba.
O céu frio é transparente.
Nada de chuva desaba.
E não sei se tenho pena
Ou alegria da ausente
Chuva e da noite serena.
De resto, nunca sei nada.
Minha alma é a sombra presente
De uma presença passada.
Meus sentimentos são rastros.
Só meu pensamento sente...
A noite esfria-se de astros.
01/05/1929
Põe na base do ocidente
Negras roxuras pretensas.
Com a noite tudo acaba.
O céu frio é transparente.
Nada de chuva desaba.
E não sei se tenho pena
Ou alegria da ausente
Chuva e da noite serena.
De resto, nunca sei nada.
Minha alma é a sombra presente
De uma presença passada.
Meus sentimentos são rastros.
Só meu pensamento sente...
A noite esfria-se de astros.
01/05/1929
4 231
1
Fernando Pessoa
Meu coração esteve sempre
Meu coração esteve sempre
Sozinho. Morri já...
Para que é preciso um nome?
Fui eu a minha sepultura.
1928
Sozinho. Morri já...
Para que é preciso um nome?
Fui eu a minha sepultura.
1928
4 410
1
Fernando Pessoa
Meu coração esteve sempre
Meu coração esteve sempre
Sozinho. Morri já...
Para que é preciso um nome?
Fui eu a minha sepultura.
1928
Sozinho. Morri já...
Para que é preciso um nome?
Fui eu a minha sepultura.
1928
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1
Fernando Pessoa
Lenta e quieta a sombra vasta
Lenta e quieta a sombra vasta
Cobre o que vejo menos já.
Pouco somos, pouco nos basta.
O mundo tira o que nos dá.
Que nos contente o pouco que há.
A noite, vindo como nada,
Lembra-me quem deixei de ser,
A curva anónima da estrada
Faz-me lembrar, faz-me esquecer,
Faz-me ter pena e ter de a ter.
Ó largos campos já cinzentos
Na noite, para além de mim,
Vou amanhã meus pensamentos
Enterrar onde estais assim.
Vou ter aí sossego e fim.
Poesia! Nada! A hora desce
Sem qualidade ou emoção.
Meu coração o que é que esquece?
Se é o que eu sinto que foi vão,
Porque me dói o coração?
17/11/1930
Cobre o que vejo menos já.
Pouco somos, pouco nos basta.
O mundo tira o que nos dá.
Que nos contente o pouco que há.
A noite, vindo como nada,
Lembra-me quem deixei de ser,
A curva anónima da estrada
Faz-me lembrar, faz-me esquecer,
Faz-me ter pena e ter de a ter.
Ó largos campos já cinzentos
Na noite, para além de mim,
Vou amanhã meus pensamentos
Enterrar onde estais assim.
Vou ter aí sossego e fim.
Poesia! Nada! A hora desce
Sem qualidade ou emoção.
Meu coração o que é que esquece?
Se é o que eu sinto que foi vão,
Porque me dói o coração?
17/11/1930
5 070
1
Fernando Pessoa
TÉDIO
TÉDIO
Não vivo, mal vegeto, duro apenas,
Vazio dos sentidos porque existo;
Não tenho infelizmente sequer penas
E o meu mal é ser (alheio Cristo)
Nestas horas doridas e serenas
Completamente consciente disto.
12/05/1910
Não vivo, mal vegeto, duro apenas,
Vazio dos sentidos porque existo;
Não tenho infelizmente sequer penas
E o meu mal é ser (alheio Cristo)
Nestas horas doridas e serenas
Completamente consciente disto.
12/05/1910
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1
Fernando Pessoa
TÉDIO
TÉDIO
Não vivo, mal vegeto, duro apenas,
Vazio dos sentidos porque existo;
Não tenho infelizmente sequer penas
E o meu mal é ser (alheio Cristo)
Nestas horas doridas e serenas
Completamente consciente disto.
12/05/1910
Não vivo, mal vegeto, duro apenas,
Vazio dos sentidos porque existo;
Não tenho infelizmente sequer penas
E o meu mal é ser (alheio Cristo)
Nestas horas doridas e serenas
Completamente consciente disto.
12/05/1910
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1
Fernando Pessoa
Chove. Há silêncio, porque a mesma chuva
Chove. Há silêncio, porque a mesma chuva
Não faz ruído senão com sossego.
Chove. O céu dorme. Quando a alma é viúva
Do que não sabe, o sentimento é cego.
Chove. Meu ser (quem sou) renego...
Tão calma é a chuva que se solta no ar
(Nem parece de nuvens) que parece
Que não é chuva, mas um sussurrar
Que de si mesmo, ao sussurrar, se esquece.
Chove. Nada apetece...
Não paira vento, não há céu que eu sinta.
Chove longínqua e indistintamente,
Como uma coisa certa que nos minta,
Como um grande desejo que nos mente.
Chove. Nada em mim sente...
02/10/1933
Não faz ruído senão com sossego.
Chove. O céu dorme. Quando a alma é viúva
Do que não sabe, o sentimento é cego.
Chove. Meu ser (quem sou) renego...
Tão calma é a chuva que se solta no ar
(Nem parece de nuvens) que parece
Que não é chuva, mas um sussurrar
Que de si mesmo, ao sussurrar, se esquece.
Chove. Nada apetece...
Não paira vento, não há céu que eu sinta.
Chove longínqua e indistintamente,
Como uma coisa certa que nos minta,
Como um grande desejo que nos mente.
Chove. Nada em mim sente...
02/10/1933
4 843
1
Fernando Pessoa
De onde é quase o horizonte
De onde é quase o horizonte
Sobe uma névoa ligeira
E afaga o pequeno monte
Que pára na dianteira.
E com braços de farrapo
Quase invisíveis e frios
Faz cair seu ser de trapo
Sobre os contornos macios.
Um pouco de alto medito
A névoa só com a ver.
A vida? Não acredito.
A crença? Não sei viver.
04/03/1931
Sobe uma névoa ligeira
E afaga o pequeno monte
Que pára na dianteira.
E com braços de farrapo
Quase invisíveis e frios
Faz cair seu ser de trapo
Sobre os contornos macios.
Um pouco de alto medito
A névoa só com a ver.
A vida? Não acredito.
A crença? Não sei viver.
04/03/1931
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1
Fernando Pessoa
De onde é quase o horizonte
De onde é quase o horizonte
Sobe uma névoa ligeira
E afaga o pequeno monte
Que pára na dianteira.
E com braços de farrapo
Quase invisíveis e frios
Faz cair seu ser de trapo
Sobre os contornos macios.
Um pouco de alto medito
A névoa só com a ver.
A vida? Não acredito.
A crença? Não sei viver.
04/03/1931
Sobe uma névoa ligeira
E afaga o pequeno monte
Que pára na dianteira.
E com braços de farrapo
Quase invisíveis e frios
Faz cair seu ser de trapo
Sobre os contornos macios.
Um pouco de alto medito
A névoa só com a ver.
A vida? Não acredito.
A crença? Não sei viver.
04/03/1931
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Fernando Pessoa
Fúria nas trevas o vento
Fúria nas trevas o vento
Num grande som de alongar.
Não há no meu pensamento
Senão não poder parar.
Parece que a alma tem
Treva onde sopre a crescer
Uma loucura que vem
De querer compreender.
Raiva nas trevas o vento
Sem se poder libertar.
Estou preso ao meu pensamento
Como o vento preso ao ar.
23/05/1932
Num grande som de alongar.
Não há no meu pensamento
Senão não poder parar.
Parece que a alma tem
Treva onde sopre a crescer
Uma loucura que vem
De querer compreender.
Raiva nas trevas o vento
Sem se poder libertar.
Estou preso ao meu pensamento
Como o vento preso ao ar.
23/05/1932
4 892
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