Poemas neste tema
Emoções e Sentimentos
Charles Bukowski
Vamos Fazer Um Acordo
em conjunção com
esses rios de merda
que não param de correr no meu cérebro, Capitão
Morsa, posso apenas dizer que mal consigo entendê-los
e eu rezaria
qualquer quantidade de AVE-MARIAS
para lhes dar um fim –
eu até mesmo voltaria a morar com aquela vadia do
coração de pedra só
para impedir que esses rios de merda rolem no meu
cérebro, Capitão Morsa, mas
claro
eu jamais pararia de apostar nos cavalos ou de
beber
mas
Capitão
para interromper o curso desses rios
eu prometeria nunca mais
comer ovos e
eu rasparia minha cabeça e minhas bolas, eu moraria no
estado de Delaware e eu até mesmo
me forçaria a ver até o fim qualquer filme estrelado por
qualquer membro da família
Fonda.
pense a respeito, Capitão Morsa, a
uva-passa está no bolo e o guarda-sol se dobra para
o vento oeste
preciso fazer algo a respeito de tudo
isso...
parece que nunca vai
parar.
o inferno de cada homem fica num lugar
diferente: o meu é logo acima e
atrás
do meu rosto
arruinado.
esses rios de merda
que não param de correr no meu cérebro, Capitão
Morsa, posso apenas dizer que mal consigo entendê-los
e eu rezaria
qualquer quantidade de AVE-MARIAS
para lhes dar um fim –
eu até mesmo voltaria a morar com aquela vadia do
coração de pedra só
para impedir que esses rios de merda rolem no meu
cérebro, Capitão Morsa, mas
claro
eu jamais pararia de apostar nos cavalos ou de
beber
mas
Capitão
para interromper o curso desses rios
eu prometeria nunca mais
comer ovos e
eu rasparia minha cabeça e minhas bolas, eu moraria no
estado de Delaware e eu até mesmo
me forçaria a ver até o fim qualquer filme estrelado por
qualquer membro da família
Fonda.
pense a respeito, Capitão Morsa, a
uva-passa está no bolo e o guarda-sol se dobra para
o vento oeste
preciso fazer algo a respeito de tudo
isso...
parece que nunca vai
parar.
o inferno de cada homem fica num lugar
diferente: o meu é logo acima e
atrás
do meu rosto
arruinado.
1 275
Charles Bukowski
Vamos Fazer Um Acordo
em conjunção com
esses rios de merda
que não param de correr no meu cérebro, Capitão
Morsa, posso apenas dizer que mal consigo entendê-los
e eu rezaria
qualquer quantidade de AVE-MARIAS
para lhes dar um fim –
eu até mesmo voltaria a morar com aquela vadia do
coração de pedra só
para impedir que esses rios de merda rolem no meu
cérebro, Capitão Morsa, mas
claro
eu jamais pararia de apostar nos cavalos ou de
beber
mas
Capitão
para interromper o curso desses rios
eu prometeria nunca mais
comer ovos e
eu rasparia minha cabeça e minhas bolas, eu moraria no
estado de Delaware e eu até mesmo
me forçaria a ver até o fim qualquer filme estrelado por
qualquer membro da família
Fonda.
pense a respeito, Capitão Morsa, a
uva-passa está no bolo e o guarda-sol se dobra para
o vento oeste
preciso fazer algo a respeito de tudo
isso...
parece que nunca vai
parar.
o inferno de cada homem fica num lugar
diferente: o meu é logo acima e
atrás
do meu rosto
arruinado.
esses rios de merda
que não param de correr no meu cérebro, Capitão
Morsa, posso apenas dizer que mal consigo entendê-los
e eu rezaria
qualquer quantidade de AVE-MARIAS
para lhes dar um fim –
eu até mesmo voltaria a morar com aquela vadia do
coração de pedra só
para impedir que esses rios de merda rolem no meu
cérebro, Capitão Morsa, mas
claro
eu jamais pararia de apostar nos cavalos ou de
beber
mas
Capitão
para interromper o curso desses rios
eu prometeria nunca mais
comer ovos e
eu rasparia minha cabeça e minhas bolas, eu moraria no
estado de Delaware e eu até mesmo
me forçaria a ver até o fim qualquer filme estrelado por
qualquer membro da família
Fonda.
pense a respeito, Capitão Morsa, a
uva-passa está no bolo e o guarda-sol se dobra para
o vento oeste
preciso fazer algo a respeito de tudo
isso...
parece que nunca vai
parar.
o inferno de cada homem fica num lugar
diferente: o meu é logo acima e
atrás
do meu rosto
arruinado.
1 275
Charles Bukowski
Vamos Fazer Um Acordo
em conjunção com
esses rios de merda
que não param de correr no meu cérebro, Capitão
Morsa, posso apenas dizer que mal consigo entendê-los
e eu rezaria
qualquer quantidade de AVE-MARIAS
para lhes dar um fim –
eu até mesmo voltaria a morar com aquela vadia do
coração de pedra só
para impedir que esses rios de merda rolem no meu
cérebro, Capitão Morsa, mas
claro
eu jamais pararia de apostar nos cavalos ou de
beber
mas
Capitão
para interromper o curso desses rios
eu prometeria nunca mais
comer ovos e
eu rasparia minha cabeça e minhas bolas, eu moraria no
estado de Delaware e eu até mesmo
me forçaria a ver até o fim qualquer filme estrelado por
qualquer membro da família
Fonda.
pense a respeito, Capitão Morsa, a
uva-passa está no bolo e o guarda-sol se dobra para
o vento oeste
preciso fazer algo a respeito de tudo
isso...
parece que nunca vai
parar.
o inferno de cada homem fica num lugar
diferente: o meu é logo acima e
atrás
do meu rosto
arruinado.
esses rios de merda
que não param de correr no meu cérebro, Capitão
Morsa, posso apenas dizer que mal consigo entendê-los
e eu rezaria
qualquer quantidade de AVE-MARIAS
para lhes dar um fim –
eu até mesmo voltaria a morar com aquela vadia do
coração de pedra só
para impedir que esses rios de merda rolem no meu
cérebro, Capitão Morsa, mas
claro
eu jamais pararia de apostar nos cavalos ou de
beber
mas
Capitão
para interromper o curso desses rios
eu prometeria nunca mais
comer ovos e
eu rasparia minha cabeça e minhas bolas, eu moraria no
estado de Delaware e eu até mesmo
me forçaria a ver até o fim qualquer filme estrelado por
qualquer membro da família
Fonda.
pense a respeito, Capitão Morsa, a
uva-passa está no bolo e o guarda-sol se dobra para
o vento oeste
preciso fazer algo a respeito de tudo
isso...
parece que nunca vai
parar.
o inferno de cada homem fica num lugar
diferente: o meu é logo acima e
atrás
do meu rosto
arruinado.
1 275
Charles Bukowski
Maus Momentos No Hotel da 3Rd Com a Vermont
Alabam era um ladrão sorrateiro e ele entrou no meu
quarto quando eu estava bêbado e
toda vez que eu me levantava ele me derrubava
de novo.
seu babaca, eu disse, você sabe que apanha
de mim!
ele apenas me derrubou
outra vez.
quando ficar sóbrio, falei, vou espalhar os teus dentes
daqui até o inferno!
ele só seguiu me empurrando
pra lá e pra cá.
finalmente acertei um em cheio, bem na
têmpora
e ele recuou e
saiu.
foi uns dias depois
que eu me vinguei: comi a namorada
dele.
então desci e bati na porta
dele.
bem, Alabam, comi a tua mulher e agora vou
espalhar os teus dentes daqui até o
inferno!
o pobre coitado começou a chorar, cobriu o rosto com as
mãos e apenas chorou
fiquei ali parado observando
o cara.
e falei, me desculpa,
Alabam.
então o deixei lá, voltei ao
meu quarto.
éramos todos bebuns e nenhum de nós tinha emprego, tudo que tínhamos
era um ao outro.
naquele momento a minha assim chamada mulher estava em algum bar ou
sei lá onde, eu não a via fazia uns
dias.
ainda me restava uma garrafa de
porto.
saquei a rolha e levei o porto até o quarto do
Alabam.
falei, que tal um trago,
Rebelde?
ele levantou a cabeça, ficou de pé, bebeu duas
taças.
quarto quando eu estava bêbado e
toda vez que eu me levantava ele me derrubava
de novo.
seu babaca, eu disse, você sabe que apanha
de mim!
ele apenas me derrubou
outra vez.
quando ficar sóbrio, falei, vou espalhar os teus dentes
daqui até o inferno!
ele só seguiu me empurrando
pra lá e pra cá.
finalmente acertei um em cheio, bem na
têmpora
e ele recuou e
saiu.
foi uns dias depois
que eu me vinguei: comi a namorada
dele.
então desci e bati na porta
dele.
bem, Alabam, comi a tua mulher e agora vou
espalhar os teus dentes daqui até o
inferno!
o pobre coitado começou a chorar, cobriu o rosto com as
mãos e apenas chorou
fiquei ali parado observando
o cara.
e falei, me desculpa,
Alabam.
então o deixei lá, voltei ao
meu quarto.
éramos todos bebuns e nenhum de nós tinha emprego, tudo que tínhamos
era um ao outro.
naquele momento a minha assim chamada mulher estava em algum bar ou
sei lá onde, eu não a via fazia uns
dias.
ainda me restava uma garrafa de
porto.
saquei a rolha e levei o porto até o quarto do
Alabam.
falei, que tal um trago,
Rebelde?
ele levantou a cabeça, ficou de pé, bebeu duas
taças.
1 151
Charles Bukowski
Maus Momentos No Hotel da 3Rd Com a Vermont
Alabam era um ladrão sorrateiro e ele entrou no meu
quarto quando eu estava bêbado e
toda vez que eu me levantava ele me derrubava
de novo.
seu babaca, eu disse, você sabe que apanha
de mim!
ele apenas me derrubou
outra vez.
quando ficar sóbrio, falei, vou espalhar os teus dentes
daqui até o inferno!
ele só seguiu me empurrando
pra lá e pra cá.
finalmente acertei um em cheio, bem na
têmpora
e ele recuou e
saiu.
foi uns dias depois
que eu me vinguei: comi a namorada
dele.
então desci e bati na porta
dele.
bem, Alabam, comi a tua mulher e agora vou
espalhar os teus dentes daqui até o
inferno!
o pobre coitado começou a chorar, cobriu o rosto com as
mãos e apenas chorou
fiquei ali parado observando
o cara.
e falei, me desculpa,
Alabam.
então o deixei lá, voltei ao
meu quarto.
éramos todos bebuns e nenhum de nós tinha emprego, tudo que tínhamos
era um ao outro.
naquele momento a minha assim chamada mulher estava em algum bar ou
sei lá onde, eu não a via fazia uns
dias.
ainda me restava uma garrafa de
porto.
saquei a rolha e levei o porto até o quarto do
Alabam.
falei, que tal um trago,
Rebelde?
ele levantou a cabeça, ficou de pé, bebeu duas
taças.
quarto quando eu estava bêbado e
toda vez que eu me levantava ele me derrubava
de novo.
seu babaca, eu disse, você sabe que apanha
de mim!
ele apenas me derrubou
outra vez.
quando ficar sóbrio, falei, vou espalhar os teus dentes
daqui até o inferno!
ele só seguiu me empurrando
pra lá e pra cá.
finalmente acertei um em cheio, bem na
têmpora
e ele recuou e
saiu.
foi uns dias depois
que eu me vinguei: comi a namorada
dele.
então desci e bati na porta
dele.
bem, Alabam, comi a tua mulher e agora vou
espalhar os teus dentes daqui até o
inferno!
o pobre coitado começou a chorar, cobriu o rosto com as
mãos e apenas chorou
fiquei ali parado observando
o cara.
e falei, me desculpa,
Alabam.
então o deixei lá, voltei ao
meu quarto.
éramos todos bebuns e nenhum de nós tinha emprego, tudo que tínhamos
era um ao outro.
naquele momento a minha assim chamada mulher estava em algum bar ou
sei lá onde, eu não a via fazia uns
dias.
ainda me restava uma garrafa de
porto.
saquei a rolha e levei o porto até o quarto do
Alabam.
falei, que tal um trago,
Rebelde?
ele levantou a cabeça, ficou de pé, bebeu duas
taças.
1 151
Charles Bukowski
Maus Momentos No Hotel da 3Rd Com a Vermont
Alabam era um ladrão sorrateiro e ele entrou no meu
quarto quando eu estava bêbado e
toda vez que eu me levantava ele me derrubava
de novo.
seu babaca, eu disse, você sabe que apanha
de mim!
ele apenas me derrubou
outra vez.
quando ficar sóbrio, falei, vou espalhar os teus dentes
daqui até o inferno!
ele só seguiu me empurrando
pra lá e pra cá.
finalmente acertei um em cheio, bem na
têmpora
e ele recuou e
saiu.
foi uns dias depois
que eu me vinguei: comi a namorada
dele.
então desci e bati na porta
dele.
bem, Alabam, comi a tua mulher e agora vou
espalhar os teus dentes daqui até o
inferno!
o pobre coitado começou a chorar, cobriu o rosto com as
mãos e apenas chorou
fiquei ali parado observando
o cara.
e falei, me desculpa,
Alabam.
então o deixei lá, voltei ao
meu quarto.
éramos todos bebuns e nenhum de nós tinha emprego, tudo que tínhamos
era um ao outro.
naquele momento a minha assim chamada mulher estava em algum bar ou
sei lá onde, eu não a via fazia uns
dias.
ainda me restava uma garrafa de
porto.
saquei a rolha e levei o porto até o quarto do
Alabam.
falei, que tal um trago,
Rebelde?
ele levantou a cabeça, ficou de pé, bebeu duas
taças.
quarto quando eu estava bêbado e
toda vez que eu me levantava ele me derrubava
de novo.
seu babaca, eu disse, você sabe que apanha
de mim!
ele apenas me derrubou
outra vez.
quando ficar sóbrio, falei, vou espalhar os teus dentes
daqui até o inferno!
ele só seguiu me empurrando
pra lá e pra cá.
finalmente acertei um em cheio, bem na
têmpora
e ele recuou e
saiu.
foi uns dias depois
que eu me vinguei: comi a namorada
dele.
então desci e bati na porta
dele.
bem, Alabam, comi a tua mulher e agora vou
espalhar os teus dentes daqui até o
inferno!
o pobre coitado começou a chorar, cobriu o rosto com as
mãos e apenas chorou
fiquei ali parado observando
o cara.
e falei, me desculpa,
Alabam.
então o deixei lá, voltei ao
meu quarto.
éramos todos bebuns e nenhum de nós tinha emprego, tudo que tínhamos
era um ao outro.
naquele momento a minha assim chamada mulher estava em algum bar ou
sei lá onde, eu não a via fazia uns
dias.
ainda me restava uma garrafa de
porto.
saquei a rolha e levei o porto até o quarto do
Alabam.
falei, que tal um trago,
Rebelde?
ele levantou a cabeça, ficou de pé, bebeu duas
taças.
1 151
Charles Bukowski
Maus Momentos No Hotel da 3Rd Com a Vermont
Alabam era um ladrão sorrateiro e ele entrou no meu
quarto quando eu estava bêbado e
toda vez que eu me levantava ele me derrubava
de novo.
seu babaca, eu disse, você sabe que apanha
de mim!
ele apenas me derrubou
outra vez.
quando ficar sóbrio, falei, vou espalhar os teus dentes
daqui até o inferno!
ele só seguiu me empurrando
pra lá e pra cá.
finalmente acertei um em cheio, bem na
têmpora
e ele recuou e
saiu.
foi uns dias depois
que eu me vinguei: comi a namorada
dele.
então desci e bati na porta
dele.
bem, Alabam, comi a tua mulher e agora vou
espalhar os teus dentes daqui até o
inferno!
o pobre coitado começou a chorar, cobriu o rosto com as
mãos e apenas chorou
fiquei ali parado observando
o cara.
e falei, me desculpa,
Alabam.
então o deixei lá, voltei ao
meu quarto.
éramos todos bebuns e nenhum de nós tinha emprego, tudo que tínhamos
era um ao outro.
naquele momento a minha assim chamada mulher estava em algum bar ou
sei lá onde, eu não a via fazia uns
dias.
ainda me restava uma garrafa de
porto.
saquei a rolha e levei o porto até o quarto do
Alabam.
falei, que tal um trago,
Rebelde?
ele levantou a cabeça, ficou de pé, bebeu duas
taças.
quarto quando eu estava bêbado e
toda vez que eu me levantava ele me derrubava
de novo.
seu babaca, eu disse, você sabe que apanha
de mim!
ele apenas me derrubou
outra vez.
quando ficar sóbrio, falei, vou espalhar os teus dentes
daqui até o inferno!
ele só seguiu me empurrando
pra lá e pra cá.
finalmente acertei um em cheio, bem na
têmpora
e ele recuou e
saiu.
foi uns dias depois
que eu me vinguei: comi a namorada
dele.
então desci e bati na porta
dele.
bem, Alabam, comi a tua mulher e agora vou
espalhar os teus dentes daqui até o
inferno!
o pobre coitado começou a chorar, cobriu o rosto com as
mãos e apenas chorou
fiquei ali parado observando
o cara.
e falei, me desculpa,
Alabam.
então o deixei lá, voltei ao
meu quarto.
éramos todos bebuns e nenhum de nós tinha emprego, tudo que tínhamos
era um ao outro.
naquele momento a minha assim chamada mulher estava em algum bar ou
sei lá onde, eu não a via fazia uns
dias.
ainda me restava uma garrafa de
porto.
saquei a rolha e levei o porto até o quarto do
Alabam.
falei, que tal um trago,
Rebelde?
ele levantou a cabeça, ficou de pé, bebeu duas
taças.
1 151
Charles Bukowski
Janeiro
aqui
você vê esta
mão
aqui você vê este
céu
esta
ponte
ouve este
som
a agonia do
elefante
o pesadelo do
anão
enquanto
papagaios engaiolados
repousam num
floreio de
cor
enquanto pedaços de
pessoas
despencam pela
beira
como pedrinhas
como
rochas
manicômios gritando de
dor
enquanto a realeza do
mundo é
fotografada
digamos
a cavalo
ou
digamos
contemplando um desfile
em sua
honra
enquanto
os drogados se drogam
enquanto os bebuns bebem
enquanto as vadias vadiam
enquanto os matadores matam
o albatroz pisca seus
olhos
o clima continua
praticamente
o mesmo.
você vê esta
mão
aqui você vê este
céu
esta
ponte
ouve este
som
a agonia do
elefante
o pesadelo do
anão
enquanto
papagaios engaiolados
repousam num
floreio de
cor
enquanto pedaços de
pessoas
despencam pela
beira
como pedrinhas
como
rochas
manicômios gritando de
dor
enquanto a realeza do
mundo é
fotografada
digamos
a cavalo
ou
digamos
contemplando um desfile
em sua
honra
enquanto
os drogados se drogam
enquanto os bebuns bebem
enquanto as vadias vadiam
enquanto os matadores matam
o albatroz pisca seus
olhos
o clima continua
praticamente
o mesmo.
1 072
Charles Bukowski
Meu Primeiro Caso Com Aquela Mulher Mais Velha
quando penso agora
no abuso que sofri nas mãos
dela
sinto vergonha por ter sido tão
inocente,
mas devo dizer
que ela bebia comigo de igual para
igual,
e eu percebi que sua vida e
seus sentimentos pelas coisas
tinham sido arruinados
ao longo do caminho
e que eu não passava de uma
companhia
temporária;
ela era dez anos mais velha
e ferida de morte pelo passado
e pelo presente;
ela me tratava mal:
abandono, outros
homens;
ela me causava imensa
dor,
continuamente;
ela mentia, roubava;
houve abandono,
outros homens,
mas tivemos bons momentos; e
a nossa novelinha terminou
com ela em coma
no hospital,
e eu me sentei junto ao leito
por horas
conversando com ela,
e aí ela abriu os olhos
e me viu:
“eu sabia que seria você”,
ela disse,
então fechou seus
olhos.
no dia seguinte ela estava
morta.
eu bebi sozinho
por dois anos
depois disso.
no abuso que sofri nas mãos
dela
sinto vergonha por ter sido tão
inocente,
mas devo dizer
que ela bebia comigo de igual para
igual,
e eu percebi que sua vida e
seus sentimentos pelas coisas
tinham sido arruinados
ao longo do caminho
e que eu não passava de uma
companhia
temporária;
ela era dez anos mais velha
e ferida de morte pelo passado
e pelo presente;
ela me tratava mal:
abandono, outros
homens;
ela me causava imensa
dor,
continuamente;
ela mentia, roubava;
houve abandono,
outros homens,
mas tivemos bons momentos; e
a nossa novelinha terminou
com ela em coma
no hospital,
e eu me sentei junto ao leito
por horas
conversando com ela,
e aí ela abriu os olhos
e me viu:
“eu sabia que seria você”,
ela disse,
então fechou seus
olhos.
no dia seguinte ela estava
morta.
eu bebi sozinho
por dois anos
depois disso.
1 589
Charles Bukowski
Não Tem Remédio Pra Isso
há um lugar no coração que
nunca será preenchido
um espaço
e mesmo nos
melhores momentos
e
nos melhores
tempos
nós saberemos
nós saberemos
mais do que
nunca
há um lugar no coração que
nunca será preenchido
e
nós vamos esperar
e
esperar
nesse
espaço.
nunca será preenchido
um espaço
e mesmo nos
melhores momentos
e
nos melhores
tempos
nós saberemos
nós saberemos
mais do que
nunca
há um lugar no coração que
nunca será preenchido
e
nós vamos esperar
e
esperar
nesse
espaço.
2 479
Charles Bukowski
Não Tem Remédio Pra Isso
há um lugar no coração que
nunca será preenchido
um espaço
e mesmo nos
melhores momentos
e
nos melhores
tempos
nós saberemos
nós saberemos
mais do que
nunca
há um lugar no coração que
nunca será preenchido
e
nós vamos esperar
e
esperar
nesse
espaço.
nunca será preenchido
um espaço
e mesmo nos
melhores momentos
e
nos melhores
tempos
nós saberemos
nós saberemos
mais do que
nunca
há um lugar no coração que
nunca será preenchido
e
nós vamos esperar
e
esperar
nesse
espaço.
2 479
Charles Bukowski
Não Tem Remédio Pra Isso
há um lugar no coração que
nunca será preenchido
um espaço
e mesmo nos
melhores momentos
e
nos melhores
tempos
nós saberemos
nós saberemos
mais do que
nunca
há um lugar no coração que
nunca será preenchido
e
nós vamos esperar
e
esperar
nesse
espaço.
nunca será preenchido
um espaço
e mesmo nos
melhores momentos
e
nos melhores
tempos
nós saberemos
nós saberemos
mais do que
nunca
há um lugar no coração que
nunca será preenchido
e
nós vamos esperar
e
esperar
nesse
espaço.
2 479
Charles Bukowski
Não Tem Remédio Pra Isso
há um lugar no coração que
nunca será preenchido
um espaço
e mesmo nos
melhores momentos
e
nos melhores
tempos
nós saberemos
nós saberemos
mais do que
nunca
há um lugar no coração que
nunca será preenchido
e
nós vamos esperar
e
esperar
nesse
espaço.
nunca será preenchido
um espaço
e mesmo nos
melhores momentos
e
nos melhores
tempos
nós saberemos
nós saberemos
mais do que
nunca
há um lugar no coração que
nunca será preenchido
e
nós vamos esperar
e
esperar
nesse
espaço.
2 479
Charles Bukowski
Meu Truque do Desaparecimento
quando eu enchia o saco de ficar no bar
e às vezes eu enchia
eu tinha um lugar para ir:
era um campo de capim alto
um cemitério
abandonado.
eu não via aquilo como sendo um
passatempo mórbido.
aquele só me parecia ser o melhor
lugar para estar.
ele oferecia uma generosa cura para
ressacas violentas.
através do capim dava para ver
as lápides,
muitas pendiam
em ângulos estranhos
contra a gravidade
como se precisassem
cair
mas nunca vi nenhuma
cair
embora houvesse muitas delas
no cemitério.
era fresco e escuro
com uma brisa
e várias vezes eu dormia
lá.
nunca fui
incomodado.
toda vez que eu retornava para o bar
depois de uma ausência
era sempre a mesma história com
eles:
“onde diabos você
andava? achamos que você tinha
morrido!”
para eles eu era o monstro do bar, eles precisavam de mim
para que se sentissem
melhor.
assim como eu, às vezes, precisava daquele
cemitério.
e às vezes eu enchia
eu tinha um lugar para ir:
era um campo de capim alto
um cemitério
abandonado.
eu não via aquilo como sendo um
passatempo mórbido.
aquele só me parecia ser o melhor
lugar para estar.
ele oferecia uma generosa cura para
ressacas violentas.
através do capim dava para ver
as lápides,
muitas pendiam
em ângulos estranhos
contra a gravidade
como se precisassem
cair
mas nunca vi nenhuma
cair
embora houvesse muitas delas
no cemitério.
era fresco e escuro
com uma brisa
e várias vezes eu dormia
lá.
nunca fui
incomodado.
toda vez que eu retornava para o bar
depois de uma ausência
era sempre a mesma história com
eles:
“onde diabos você
andava? achamos que você tinha
morrido!”
para eles eu era o monstro do bar, eles precisavam de mim
para que se sentissem
melhor.
assim como eu, às vezes, precisava daquele
cemitério.
1 075
Charles Bukowski
Meu Truque do Desaparecimento
quando eu enchia o saco de ficar no bar
e às vezes eu enchia
eu tinha um lugar para ir:
era um campo de capim alto
um cemitério
abandonado.
eu não via aquilo como sendo um
passatempo mórbido.
aquele só me parecia ser o melhor
lugar para estar.
ele oferecia uma generosa cura para
ressacas violentas.
através do capim dava para ver
as lápides,
muitas pendiam
em ângulos estranhos
contra a gravidade
como se precisassem
cair
mas nunca vi nenhuma
cair
embora houvesse muitas delas
no cemitério.
era fresco e escuro
com uma brisa
e várias vezes eu dormia
lá.
nunca fui
incomodado.
toda vez que eu retornava para o bar
depois de uma ausência
era sempre a mesma história com
eles:
“onde diabos você
andava? achamos que você tinha
morrido!”
para eles eu era o monstro do bar, eles precisavam de mim
para que se sentissem
melhor.
assim como eu, às vezes, precisava daquele
cemitério.
e às vezes eu enchia
eu tinha um lugar para ir:
era um campo de capim alto
um cemitério
abandonado.
eu não via aquilo como sendo um
passatempo mórbido.
aquele só me parecia ser o melhor
lugar para estar.
ele oferecia uma generosa cura para
ressacas violentas.
através do capim dava para ver
as lápides,
muitas pendiam
em ângulos estranhos
contra a gravidade
como se precisassem
cair
mas nunca vi nenhuma
cair
embora houvesse muitas delas
no cemitério.
era fresco e escuro
com uma brisa
e várias vezes eu dormia
lá.
nunca fui
incomodado.
toda vez que eu retornava para o bar
depois de uma ausência
era sempre a mesma história com
eles:
“onde diabos você
andava? achamos que você tinha
morrido!”
para eles eu era o monstro do bar, eles precisavam de mim
para que se sentissem
melhor.
assim como eu, às vezes, precisava daquele
cemitério.
1 075
Charles Bukowski
Saia Antes do Sol
vire à esquerda na Moscow ou
me encontre na Enchilada House.
os cães me arrastaram até
aqui.
estou entorpecido pelo Destino
mas disposto a jogar como um linebacker no
quarto tempo.
beber?
ou pensar?
melhor beber.
nós viramos o filósofo
da pedra
por falta de coisas melhores.
costumávamos destruir, agora notamos
o que resta:
nós, eles, nós e a
maquinaria.
perfeitamente unidos como a lesma e
a folha.
que tenebrosa fraude são essas
regras!
quem inventou isso?
peguem o desgraçado, assem com o
carneiro!
engraçado falar, o quê?
tipo Mary tinha um carneirinho e saiu
da cidade às
9:15.
coisa de pedra.
coisa de perda, com um sorriso
cabisbaixo.
bebida?
não importa,
e importa.
o que mais importa é o que acontece com
outra pessoa, não
com você.
que curioso que tenha chegado a
isso.
água de nascente alpina não diria
melhor.
ou a contagem até dez.
a inesperada mágica de um argumento
bem apresentado
pode te levar de fogo para fogo,
de inferno para inferno.
tudo diz respeito a isso, ali ao
lado da
pedra.
vire à esquerda na Moscow, desça
pela Denver.
beba.
me encontre na Enchilada House.
os cães me arrastaram até
aqui.
estou entorpecido pelo Destino
mas disposto a jogar como um linebacker no
quarto tempo.
beber?
ou pensar?
melhor beber.
nós viramos o filósofo
da pedra
por falta de coisas melhores.
costumávamos destruir, agora notamos
o que resta:
nós, eles, nós e a
maquinaria.
perfeitamente unidos como a lesma e
a folha.
que tenebrosa fraude são essas
regras!
quem inventou isso?
peguem o desgraçado, assem com o
carneiro!
engraçado falar, o quê?
tipo Mary tinha um carneirinho e saiu
da cidade às
9:15.
coisa de pedra.
coisa de perda, com um sorriso
cabisbaixo.
bebida?
não importa,
e importa.
o que mais importa é o que acontece com
outra pessoa, não
com você.
que curioso que tenha chegado a
isso.
água de nascente alpina não diria
melhor.
ou a contagem até dez.
a inesperada mágica de um argumento
bem apresentado
pode te levar de fogo para fogo,
de inferno para inferno.
tudo diz respeito a isso, ali ao
lado da
pedra.
vire à esquerda na Moscow, desça
pela Denver.
beba.
1 013
Charles Bukowski
Agora
abundante; arranque o rótulo;
as grandes armas foram
baixadas.
nada a fazer agora senão
sentar no sol
e refletir sobre como você veio
do passado para o
presente.
agora você sabe... o quê? que
não havia nada de tão especial
em você
afinal de contas.
você ficava se metendo em brigas
que não lhe diziam
respeito, você dava um passo
maior do que a perna.
você deveria ter relaxado
mais.
você absorveu demais e te
queimaram –
bebida demais, mulheres demais,
livros demais.
não tinha tanta importância assim.
agora você vê os minutos que te sobem correndo
pelos braços.
você ouve os cães latindo.
você está cansado o bastante para ouvir
agora.
você é um velho numa cadeira
num pátio
no mundo.
uma folha cai na sua barriga branca
e isso é tudo que
existe.
as grandes armas foram
baixadas.
nada a fazer agora senão
sentar no sol
e refletir sobre como você veio
do passado para o
presente.
agora você sabe... o quê? que
não havia nada de tão especial
em você
afinal de contas.
você ficava se metendo em brigas
que não lhe diziam
respeito, você dava um passo
maior do que a perna.
você deveria ter relaxado
mais.
você absorveu demais e te
queimaram –
bebida demais, mulheres demais,
livros demais.
não tinha tanta importância assim.
agora você vê os minutos que te sobem correndo
pelos braços.
você ouve os cães latindo.
você está cansado o bastante para ouvir
agora.
você é um velho numa cadeira
num pátio
no mundo.
uma folha cai na sua barriga branca
e isso é tudo que
existe.
1 122
Charles Bukowski
Canção Para Este Pesar Suavemente Arrebatador...
é preciso subir
além de toda essa merda,
continuar crescendo...
o destino só é uma puta se fizermos com que
seja.
acendamos luzes
soframos em grande estilo –
palito na boca, dentes arreganhados.
podemos fazer.
nascemos fortes e morreremos
fortes.
nosso modo de viver
como transatlânticos na névoa...
espinhos em rosas...
garotos blasés trotando nos parques em trajes de banho...
tem sido muito
bom.
nossos ossos
como caules que furam o céu
para sempre vão gritar
vitória.
além de toda essa merda,
continuar crescendo...
o destino só é uma puta se fizermos com que
seja.
acendamos luzes
soframos em grande estilo –
palito na boca, dentes arreganhados.
podemos fazer.
nascemos fortes e morreremos
fortes.
nosso modo de viver
como transatlânticos na névoa...
espinhos em rosas...
garotos blasés trotando nos parques em trajes de banho...
tem sido muito
bom.
nossos ossos
como caules que furam o céu
para sempre vão gritar
vitória.
1 042
Charles Bukowski
Canção Para Este Pesar Suavemente Arrebatador...
é preciso subir
além de toda essa merda,
continuar crescendo...
o destino só é uma puta se fizermos com que
seja.
acendamos luzes
soframos em grande estilo –
palito na boca, dentes arreganhados.
podemos fazer.
nascemos fortes e morreremos
fortes.
nosso modo de viver
como transatlânticos na névoa...
espinhos em rosas...
garotos blasés trotando nos parques em trajes de banho...
tem sido muito
bom.
nossos ossos
como caules que furam o céu
para sempre vão gritar
vitória.
além de toda essa merda,
continuar crescendo...
o destino só é uma puta se fizermos com que
seja.
acendamos luzes
soframos em grande estilo –
palito na boca, dentes arreganhados.
podemos fazer.
nascemos fortes e morreremos
fortes.
nosso modo de viver
como transatlânticos na névoa...
espinhos em rosas...
garotos blasés trotando nos parques em trajes de banho...
tem sido muito
bom.
nossos ossos
como caules que furam o céu
para sempre vão gritar
vitória.
1 042
Charles Bukowski
Coisa da Boa
sugando este charuto,
tomando garrafa após garrafa de cerveja da
República Popular da
China,
são os primeiros momentos da escura manhã
e estou celebrando a existência de
todos nós,
todos nós cabeças de trapo, sugadores de ruína
habitantes desta monstruosa
bola de estrume que é a
terra.
digo a vocês, todos, todo mundo, que estou
orgulhoso de vocês
por não cortarem suas gargantas toda
manhã quando acordam para enfrentá-la
de novo.
claro, alguns de vocês cortam, vocês dão
no pé, vão embora e nos deixam com o
fedorento pós-queda, para lidarmos com
os mutilados, os meio-assassinados, os
incompetentes, os loucos, os vis, as
massas.
mas sopro fumaça azul e sugo
estas garrafas verdes
em celebração dos que perduram,
seja lá como, confusos e
incongruentes mas aguentando,
o arremessador disparando a bola
na cara a 156 q.p.h
o motorista de ônibus moendo suas gengivas
em carne viva para chegar no horário.
os mexicanos ilegais que me acordam às
7 da manhã com seus sopradores de folhas.
sua mãe, a mãe de alguém,
seu filho, o filho de alguém, certa
irmã, certo primo, certo velhote
num andador, todos lá.
dá uma olhada neles.
eu saúdo aqueles que retêm o traiço-
eiro controle.
abro uma nova garrafa verde, faísco
meu charuto morto de volta à vida com meu isqueiro
amarelo.
precisamos de pessoas para limpar nossas
latrinas.
precisamos da misericórdia da respiração,
vida em movimento
mesmo que na maior parte ela seja
incontinente.
cerveja da China,
pensa só.
esta é uma madrugada e tanto
César e Platão avultam nas
sombras e eu amo todos vocês
por um breve
momento.
tomando garrafa após garrafa de cerveja da
República Popular da
China,
são os primeiros momentos da escura manhã
e estou celebrando a existência de
todos nós,
todos nós cabeças de trapo, sugadores de ruína
habitantes desta monstruosa
bola de estrume que é a
terra.
digo a vocês, todos, todo mundo, que estou
orgulhoso de vocês
por não cortarem suas gargantas toda
manhã quando acordam para enfrentá-la
de novo.
claro, alguns de vocês cortam, vocês dão
no pé, vão embora e nos deixam com o
fedorento pós-queda, para lidarmos com
os mutilados, os meio-assassinados, os
incompetentes, os loucos, os vis, as
massas.
mas sopro fumaça azul e sugo
estas garrafas verdes
em celebração dos que perduram,
seja lá como, confusos e
incongruentes mas aguentando,
o arremessador disparando a bola
na cara a 156 q.p.h
o motorista de ônibus moendo suas gengivas
em carne viva para chegar no horário.
os mexicanos ilegais que me acordam às
7 da manhã com seus sopradores de folhas.
sua mãe, a mãe de alguém,
seu filho, o filho de alguém, certa
irmã, certo primo, certo velhote
num andador, todos lá.
dá uma olhada neles.
eu saúdo aqueles que retêm o traiço-
eiro controle.
abro uma nova garrafa verde, faísco
meu charuto morto de volta à vida com meu isqueiro
amarelo.
precisamos de pessoas para limpar nossas
latrinas.
precisamos da misericórdia da respiração,
vida em movimento
mesmo que na maior parte ela seja
incontinente.
cerveja da China,
pensa só.
esta é uma madrugada e tanto
César e Platão avultam nas
sombras e eu amo todos vocês
por um breve
momento.
1 081
Charles Bukowski
Coisa da Boa
sugando este charuto,
tomando garrafa após garrafa de cerveja da
República Popular da
China,
são os primeiros momentos da escura manhã
e estou celebrando a existência de
todos nós,
todos nós cabeças de trapo, sugadores de ruína
habitantes desta monstruosa
bola de estrume que é a
terra.
digo a vocês, todos, todo mundo, que estou
orgulhoso de vocês
por não cortarem suas gargantas toda
manhã quando acordam para enfrentá-la
de novo.
claro, alguns de vocês cortam, vocês dão
no pé, vão embora e nos deixam com o
fedorento pós-queda, para lidarmos com
os mutilados, os meio-assassinados, os
incompetentes, os loucos, os vis, as
massas.
mas sopro fumaça azul e sugo
estas garrafas verdes
em celebração dos que perduram,
seja lá como, confusos e
incongruentes mas aguentando,
o arremessador disparando a bola
na cara a 156 q.p.h
o motorista de ônibus moendo suas gengivas
em carne viva para chegar no horário.
os mexicanos ilegais que me acordam às
7 da manhã com seus sopradores de folhas.
sua mãe, a mãe de alguém,
seu filho, o filho de alguém, certa
irmã, certo primo, certo velhote
num andador, todos lá.
dá uma olhada neles.
eu saúdo aqueles que retêm o traiço-
eiro controle.
abro uma nova garrafa verde, faísco
meu charuto morto de volta à vida com meu isqueiro
amarelo.
precisamos de pessoas para limpar nossas
latrinas.
precisamos da misericórdia da respiração,
vida em movimento
mesmo que na maior parte ela seja
incontinente.
cerveja da China,
pensa só.
esta é uma madrugada e tanto
César e Platão avultam nas
sombras e eu amo todos vocês
por um breve
momento.
tomando garrafa após garrafa de cerveja da
República Popular da
China,
são os primeiros momentos da escura manhã
e estou celebrando a existência de
todos nós,
todos nós cabeças de trapo, sugadores de ruína
habitantes desta monstruosa
bola de estrume que é a
terra.
digo a vocês, todos, todo mundo, que estou
orgulhoso de vocês
por não cortarem suas gargantas toda
manhã quando acordam para enfrentá-la
de novo.
claro, alguns de vocês cortam, vocês dão
no pé, vão embora e nos deixam com o
fedorento pós-queda, para lidarmos com
os mutilados, os meio-assassinados, os
incompetentes, os loucos, os vis, as
massas.
mas sopro fumaça azul e sugo
estas garrafas verdes
em celebração dos que perduram,
seja lá como, confusos e
incongruentes mas aguentando,
o arremessador disparando a bola
na cara a 156 q.p.h
o motorista de ônibus moendo suas gengivas
em carne viva para chegar no horário.
os mexicanos ilegais que me acordam às
7 da manhã com seus sopradores de folhas.
sua mãe, a mãe de alguém,
seu filho, o filho de alguém, certa
irmã, certo primo, certo velhote
num andador, todos lá.
dá uma olhada neles.
eu saúdo aqueles que retêm o traiço-
eiro controle.
abro uma nova garrafa verde, faísco
meu charuto morto de volta à vida com meu isqueiro
amarelo.
precisamos de pessoas para limpar nossas
latrinas.
precisamos da misericórdia da respiração,
vida em movimento
mesmo que na maior parte ela seja
incontinente.
cerveja da China,
pensa só.
esta é uma madrugada e tanto
César e Platão avultam nas
sombras e eu amo todos vocês
por um breve
momento.
1 081
Charles Bukowski
Dando Um Jeito
nesta manhã fumegante Hades bate palma com suas mãos de Herpes e
uma mulher canta pelo meu rádio, sua voz vem escalando
pela fumaça e pelas emanações do vinho...
é um momento solitário, ela canta, e você não é
meu e isso me deixa tão mal,
essa coisa de ser eu...
consigo escutar carros na autoestrada, é como um mar distante
com sedimentos de pessoas
e por sobre o meu outro ombro, lá longe na 7th street
perto da Western
está o hospital, aquela casa do suplício –
lençóis e urinóis e braços e cabeças e
expirações;
tudo é tão docemente medonho, tão contínua e
docemente medonho: a arte da consumação: a vida comendo
a vida...
certa vez num sonho eu vi uma cobra engolindo sua própria
cauda, ela engoliu e engoliu até completar
meia-volta, e ali parou e
ali ficou, ela estava estufada de si
mesma. que situação.
só temos nós mesmos para ir em frente, e é o
bastante...
desço a escada pra pegar outra garrafa, ligo a
tevê a cabo e eis Greg Peck fingindo ser
F. Scott e ele está muito empolgado e está lendo seu
manuscrito para sua dama.
desligo o
aparelho.
que tipo de escritor é esse? lendo suas páginas para
uma dama? isso é uma violação...
volto ao andar de cima e meus dois gatos me seguem, eles são
bons camaradas, não temos desentendimentos, não
temos discussões, ouvimos a mesma música, nunca votamos para
presidente.
um dos meus gatos, o grande, salta no encosto
da minha cadeira, se esfrega em meus ombros e meu
pescoço.
“não adianta”, digo a ele, “não vou
ler pra você esse
poema.”
ele salta para o chão e sai pela
sacada e seu amigo
segue atrás.
eles sentam e olham a noite; nós temos o
poder da sanidade aqui.
nestas primeiras horas da manhã, quando quase todo mundo
está dormindo, pequenos insetos noturnos, coisas aladas
entram e circulam e giram.
a máquina zumbe seu zumbido elétrico, e tendo
aberto e provado a nova garrafa eu bato o próximo
verso. você
pode lê-lo para sua dama e ela provavelmente lhe dirá
que é bobagem. ela estará
lendo Suave é a
noite.
uma mulher canta pelo meu rádio, sua voz vem escalando
pela fumaça e pelas emanações do vinho...
é um momento solitário, ela canta, e você não é
meu e isso me deixa tão mal,
essa coisa de ser eu...
consigo escutar carros na autoestrada, é como um mar distante
com sedimentos de pessoas
e por sobre o meu outro ombro, lá longe na 7th street
perto da Western
está o hospital, aquela casa do suplício –
lençóis e urinóis e braços e cabeças e
expirações;
tudo é tão docemente medonho, tão contínua e
docemente medonho: a arte da consumação: a vida comendo
a vida...
certa vez num sonho eu vi uma cobra engolindo sua própria
cauda, ela engoliu e engoliu até completar
meia-volta, e ali parou e
ali ficou, ela estava estufada de si
mesma. que situação.
só temos nós mesmos para ir em frente, e é o
bastante...
desço a escada pra pegar outra garrafa, ligo a
tevê a cabo e eis Greg Peck fingindo ser
F. Scott e ele está muito empolgado e está lendo seu
manuscrito para sua dama.
desligo o
aparelho.
que tipo de escritor é esse? lendo suas páginas para
uma dama? isso é uma violação...
volto ao andar de cima e meus dois gatos me seguem, eles são
bons camaradas, não temos desentendimentos, não
temos discussões, ouvimos a mesma música, nunca votamos para
presidente.
um dos meus gatos, o grande, salta no encosto
da minha cadeira, se esfrega em meus ombros e meu
pescoço.
“não adianta”, digo a ele, “não vou
ler pra você esse
poema.”
ele salta para o chão e sai pela
sacada e seu amigo
segue atrás.
eles sentam e olham a noite; nós temos o
poder da sanidade aqui.
nestas primeiras horas da manhã, quando quase todo mundo
está dormindo, pequenos insetos noturnos, coisas aladas
entram e circulam e giram.
a máquina zumbe seu zumbido elétrico, e tendo
aberto e provado a nova garrafa eu bato o próximo
verso. você
pode lê-lo para sua dama e ela provavelmente lhe dirá
que é bobagem. ela estará
lendo Suave é a
noite.
1 458
Charles Bukowski
Dando Um Jeito
nesta manhã fumegante Hades bate palma com suas mãos de Herpes e
uma mulher canta pelo meu rádio, sua voz vem escalando
pela fumaça e pelas emanações do vinho...
é um momento solitário, ela canta, e você não é
meu e isso me deixa tão mal,
essa coisa de ser eu...
consigo escutar carros na autoestrada, é como um mar distante
com sedimentos de pessoas
e por sobre o meu outro ombro, lá longe na 7th street
perto da Western
está o hospital, aquela casa do suplício –
lençóis e urinóis e braços e cabeças e
expirações;
tudo é tão docemente medonho, tão contínua e
docemente medonho: a arte da consumação: a vida comendo
a vida...
certa vez num sonho eu vi uma cobra engolindo sua própria
cauda, ela engoliu e engoliu até completar
meia-volta, e ali parou e
ali ficou, ela estava estufada de si
mesma. que situação.
só temos nós mesmos para ir em frente, e é o
bastante...
desço a escada pra pegar outra garrafa, ligo a
tevê a cabo e eis Greg Peck fingindo ser
F. Scott e ele está muito empolgado e está lendo seu
manuscrito para sua dama.
desligo o
aparelho.
que tipo de escritor é esse? lendo suas páginas para
uma dama? isso é uma violação...
volto ao andar de cima e meus dois gatos me seguem, eles são
bons camaradas, não temos desentendimentos, não
temos discussões, ouvimos a mesma música, nunca votamos para
presidente.
um dos meus gatos, o grande, salta no encosto
da minha cadeira, se esfrega em meus ombros e meu
pescoço.
“não adianta”, digo a ele, “não vou
ler pra você esse
poema.”
ele salta para o chão e sai pela
sacada e seu amigo
segue atrás.
eles sentam e olham a noite; nós temos o
poder da sanidade aqui.
nestas primeiras horas da manhã, quando quase todo mundo
está dormindo, pequenos insetos noturnos, coisas aladas
entram e circulam e giram.
a máquina zumbe seu zumbido elétrico, e tendo
aberto e provado a nova garrafa eu bato o próximo
verso. você
pode lê-lo para sua dama e ela provavelmente lhe dirá
que é bobagem. ela estará
lendo Suave é a
noite.
uma mulher canta pelo meu rádio, sua voz vem escalando
pela fumaça e pelas emanações do vinho...
é um momento solitário, ela canta, e você não é
meu e isso me deixa tão mal,
essa coisa de ser eu...
consigo escutar carros na autoestrada, é como um mar distante
com sedimentos de pessoas
e por sobre o meu outro ombro, lá longe na 7th street
perto da Western
está o hospital, aquela casa do suplício –
lençóis e urinóis e braços e cabeças e
expirações;
tudo é tão docemente medonho, tão contínua e
docemente medonho: a arte da consumação: a vida comendo
a vida...
certa vez num sonho eu vi uma cobra engolindo sua própria
cauda, ela engoliu e engoliu até completar
meia-volta, e ali parou e
ali ficou, ela estava estufada de si
mesma. que situação.
só temos nós mesmos para ir em frente, e é o
bastante...
desço a escada pra pegar outra garrafa, ligo a
tevê a cabo e eis Greg Peck fingindo ser
F. Scott e ele está muito empolgado e está lendo seu
manuscrito para sua dama.
desligo o
aparelho.
que tipo de escritor é esse? lendo suas páginas para
uma dama? isso é uma violação...
volto ao andar de cima e meus dois gatos me seguem, eles são
bons camaradas, não temos desentendimentos, não
temos discussões, ouvimos a mesma música, nunca votamos para
presidente.
um dos meus gatos, o grande, salta no encosto
da minha cadeira, se esfrega em meus ombros e meu
pescoço.
“não adianta”, digo a ele, “não vou
ler pra você esse
poema.”
ele salta para o chão e sai pela
sacada e seu amigo
segue atrás.
eles sentam e olham a noite; nós temos o
poder da sanidade aqui.
nestas primeiras horas da manhã, quando quase todo mundo
está dormindo, pequenos insetos noturnos, coisas aladas
entram e circulam e giram.
a máquina zumbe seu zumbido elétrico, e tendo
aberto e provado a nova garrafa eu bato o próximo
verso. você
pode lê-lo para sua dama e ela provavelmente lhe dirá
que é bobagem. ela estará
lendo Suave é a
noite.
1 458
Charles Bukowski
Bestas Saltando Ao Longo do Tempo –
Van Gogh escrevendo ao irmão pedindo tintas
Hemingway testando sua espingarda
Céline falindo como médico
a impossibilidade de ser humano
Villon expulso de Paris por ser um ladrão
Faulkner bêbado nas sarjetas de sua cidade
a impossibilidade de ser humano
Burroughs matando a esposa com uma arma
Mailer esfaqueando a dele
a impossibilidade de ser humano
Maupassant enlouquecendo num barco a remo
Dostoiévski enfileirado num muro para ser fuzilado
Crane pulando de um barco na voragem da hélice
a impossibilidade
Sylvia com a cabeça no forno como batata assada
Harry Crosby saltando naquele Sol Negro
Lorca assassinado na estrada pelos soldados espanhóis
a impossibilidade
Artaud sentado num banco de hospício
Chatterton tomando veneno de rato
Shakespeare um plagiador
Beethoven com a corneta de surdez enfiada na cabeça
a impossibilidade a impossibilidade
Nietzsche totalmente enlouquecido
a impossibilidade de ser humano
demasiado humano
esse respirar
pra dentro e pra fora
pra fora e pra dentro
esses marginais
esses covardes
esses campeões
esses loucos cães da glória
movendo um tantinho de luz rumo a
nós
impossivelmente.
Hemingway testando sua espingarda
Céline falindo como médico
a impossibilidade de ser humano
Villon expulso de Paris por ser um ladrão
Faulkner bêbado nas sarjetas de sua cidade
a impossibilidade de ser humano
Burroughs matando a esposa com uma arma
Mailer esfaqueando a dele
a impossibilidade de ser humano
Maupassant enlouquecendo num barco a remo
Dostoiévski enfileirado num muro para ser fuzilado
Crane pulando de um barco na voragem da hélice
a impossibilidade
Sylvia com a cabeça no forno como batata assada
Harry Crosby saltando naquele Sol Negro
Lorca assassinado na estrada pelos soldados espanhóis
a impossibilidade
Artaud sentado num banco de hospício
Chatterton tomando veneno de rato
Shakespeare um plagiador
Beethoven com a corneta de surdez enfiada na cabeça
a impossibilidade a impossibilidade
Nietzsche totalmente enlouquecido
a impossibilidade de ser humano
demasiado humano
esse respirar
pra dentro e pra fora
pra fora e pra dentro
esses marginais
esses covardes
esses campeões
esses loucos cães da glória
movendo um tantinho de luz rumo a
nós
impossivelmente.
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