Poemas neste tema
Emoções e Sentimentos
Charles Bukowski
Iron Mike
falamos sobre este filme:
Cagney servia uvas
a uma mulher
mais rápido do que ela conseguia
comer e
então ela se
apaixonava por ele.
“isso nem sempre
funciona”, digo a Iron
Mike.
ele dá uma risadinha e diz,
“claro”.
então ele desceu a mão
e tocou seu cinto.
32 escalpos de mulher
estavam pendurados ali.
“eu e meu enorme cacete
judeu”, ele disse.
então ergue as mãos
para indicar o
tamanho.
“opa, sim, muito bem”,
eu disse.
“elas aparecem”, ele
disse, “eu as traço, elas
começam a ficar, eu lhes digo,
‘é hora de ir’.”
“você é corajoso,
Mike.”
“essa aí não ia se mandar
então eu tive que me levantar e
esbofeteá-la... ela foi
embora.”
“eu não tenho sua fibra,
Mike. elas ficam,
lavam os pratos, esfregam
as manchas de merda no
vaso, jogam fora os
velhos prospectos do Jockey Club...”
“elas jamais vão me pegar”,
ele disse.
“sou invencível.”
olhe, Mike, nenhum homem é
invencível.
algum dia
vão considerá-lo louco pelo
olhar como num desenho a lápis feito por uma
criança. você não conseguirá
beber um copo
d’água ou cruzar um
quarto. haverá as
paredes e o som das
ruas lá fora, e
você ouvirá metralhadoras
e tiros de morteiro. isso se dará
quando você quiser, mas não
puder ter.
os dentes
nunca são por fim
os dentes do amor.
Cagney servia uvas
a uma mulher
mais rápido do que ela conseguia
comer e
então ela se
apaixonava por ele.
“isso nem sempre
funciona”, digo a Iron
Mike.
ele dá uma risadinha e diz,
“claro”.
então ele desceu a mão
e tocou seu cinto.
32 escalpos de mulher
estavam pendurados ali.
“eu e meu enorme cacete
judeu”, ele disse.
então ergue as mãos
para indicar o
tamanho.
“opa, sim, muito bem”,
eu disse.
“elas aparecem”, ele
disse, “eu as traço, elas
começam a ficar, eu lhes digo,
‘é hora de ir’.”
“você é corajoso,
Mike.”
“essa aí não ia se mandar
então eu tive que me levantar e
esbofeteá-la... ela foi
embora.”
“eu não tenho sua fibra,
Mike. elas ficam,
lavam os pratos, esfregam
as manchas de merda no
vaso, jogam fora os
velhos prospectos do Jockey Club...”
“elas jamais vão me pegar”,
ele disse.
“sou invencível.”
olhe, Mike, nenhum homem é
invencível.
algum dia
vão considerá-lo louco pelo
olhar como num desenho a lápis feito por uma
criança. você não conseguirá
beber um copo
d’água ou cruzar um
quarto. haverá as
paredes e o som das
ruas lá fora, e
você ouvirá metralhadoras
e tiros de morteiro. isso se dará
quando você quiser, mas não
puder ter.
os dentes
nunca são por fim
os dentes do amor.
1 243
Charles Bukowski
Eu
mulheres não sabem como amar,
ela me disse.
você sabe como amar
mas mulheres só querem
parasitar.
sei disso porque sou
mulher.
hahaha, eu ri.
por isso não se preocupe por ter terminado
com Susan
porque ela apenas irá parasitar
outro homem.
falamos um pouco mais
então eu me despedi
desliguei o telefone
fui ao banheiro
e mandei uma boa merda de cerveja
basicamente pensando, bem,
continuo vivo
e tenho a capacidade de expelir
sobras do meu corpo.
e poemas.
e enquanto isso acontecer
serei capaz de lidar com
traição
solidão
unhas encravadas
gonorreia
e o boletim econômico do
caderno de finanças.
com isso
me levantei
me limpei
dei a descarga
e então pensei:
é verdade:
eu sei como
amar.
ergui minhas calças e caminhei
para a outra peça.
ela me disse.
você sabe como amar
mas mulheres só querem
parasitar.
sei disso porque sou
mulher.
hahaha, eu ri.
por isso não se preocupe por ter terminado
com Susan
porque ela apenas irá parasitar
outro homem.
falamos um pouco mais
então eu me despedi
desliguei o telefone
fui ao banheiro
e mandei uma boa merda de cerveja
basicamente pensando, bem,
continuo vivo
e tenho a capacidade de expelir
sobras do meu corpo.
e poemas.
e enquanto isso acontecer
serei capaz de lidar com
traição
solidão
unhas encravadas
gonorreia
e o boletim econômico do
caderno de finanças.
com isso
me levantei
me limpei
dei a descarga
e então pensei:
é verdade:
eu sei como
amar.
ergui minhas calças e caminhei
para a outra peça.
1 236
Charles Bukowski
Eu
mulheres não sabem como amar,
ela me disse.
você sabe como amar
mas mulheres só querem
parasitar.
sei disso porque sou
mulher.
hahaha, eu ri.
por isso não se preocupe por ter terminado
com Susan
porque ela apenas irá parasitar
outro homem.
falamos um pouco mais
então eu me despedi
desliguei o telefone
fui ao banheiro
e mandei uma boa merda de cerveja
basicamente pensando, bem,
continuo vivo
e tenho a capacidade de expelir
sobras do meu corpo.
e poemas.
e enquanto isso acontecer
serei capaz de lidar com
traição
solidão
unhas encravadas
gonorreia
e o boletim econômico do
caderno de finanças.
com isso
me levantei
me limpei
dei a descarga
e então pensei:
é verdade:
eu sei como
amar.
ergui minhas calças e caminhei
para a outra peça.
ela me disse.
você sabe como amar
mas mulheres só querem
parasitar.
sei disso porque sou
mulher.
hahaha, eu ri.
por isso não se preocupe por ter terminado
com Susan
porque ela apenas irá parasitar
outro homem.
falamos um pouco mais
então eu me despedi
desliguei o telefone
fui ao banheiro
e mandei uma boa merda de cerveja
basicamente pensando, bem,
continuo vivo
e tenho a capacidade de expelir
sobras do meu corpo.
e poemas.
e enquanto isso acontecer
serei capaz de lidar com
traição
solidão
unhas encravadas
gonorreia
e o boletim econômico do
caderno de finanças.
com isso
me levantei
me limpei
dei a descarga
e então pensei:
é verdade:
eu sei como
amar.
ergui minhas calças e caminhei
para a outra peça.
1 236
Charles Bukowski
Reviravolta
ela dirige para a vaga no estacionamento enquanto
eu me escoro contra o para-choque de meu carro.
ela está bêbada e seus olhos estão molhados de lágrimas:
“seu filho da puta, você trepou comigo quando não
estava a fim. disse pra eu continuar ligando,
disse pra eu me mudar pra perto da cidade,
e então me disse pra deixar você em paz.”
tudo muito dramático e eu gostando daquilo.
“claro, bem, o que você quer?”
“quero falar com você. quero ir pra sua
casa e falar com você...”
“estou com alguém agora. ela foi buscar um
sanduíche.”
“quero falar com você... demora um pouco pra
superar as coisas. preciso de mais tempo.”
“claro. espere até que ela saia. não somos
desumanos. podemos tomar um drinque juntos.”
“merda,” ela disse, “oh, merda!”
pulou dentro do carro e arrancou.
a outra apareceu: “quem era aquela?”
“uma ex-amiga.”
agora ela se foi e estou aqui sentado e bêbado
e meus olhos parecem molhados de lágrimas.
está tudo muito silencioso e sinto como se um arpão
estivesse atravessado no meio das minhas tripas.
caminho até o banheiro e vomito.
piedade, eu penso, será que a raça humana não sabe nada
sobre piedade?
eu me escoro contra o para-choque de meu carro.
ela está bêbada e seus olhos estão molhados de lágrimas:
“seu filho da puta, você trepou comigo quando não
estava a fim. disse pra eu continuar ligando,
disse pra eu me mudar pra perto da cidade,
e então me disse pra deixar você em paz.”
tudo muito dramático e eu gostando daquilo.
“claro, bem, o que você quer?”
“quero falar com você. quero ir pra sua
casa e falar com você...”
“estou com alguém agora. ela foi buscar um
sanduíche.”
“quero falar com você... demora um pouco pra
superar as coisas. preciso de mais tempo.”
“claro. espere até que ela saia. não somos
desumanos. podemos tomar um drinque juntos.”
“merda,” ela disse, “oh, merda!”
pulou dentro do carro e arrancou.
a outra apareceu: “quem era aquela?”
“uma ex-amiga.”
agora ela se foi e estou aqui sentado e bêbado
e meus olhos parecem molhados de lágrimas.
está tudo muito silencioso e sinto como se um arpão
estivesse atravessado no meio das minhas tripas.
caminho até o banheiro e vomito.
piedade, eu penso, será que a raça humana não sabe nada
sobre piedade?
1 327
Charles Bukowski
Reviravolta
ela dirige para a vaga no estacionamento enquanto
eu me escoro contra o para-choque de meu carro.
ela está bêbada e seus olhos estão molhados de lágrimas:
“seu filho da puta, você trepou comigo quando não
estava a fim. disse pra eu continuar ligando,
disse pra eu me mudar pra perto da cidade,
e então me disse pra deixar você em paz.”
tudo muito dramático e eu gostando daquilo.
“claro, bem, o que você quer?”
“quero falar com você. quero ir pra sua
casa e falar com você...”
“estou com alguém agora. ela foi buscar um
sanduíche.”
“quero falar com você... demora um pouco pra
superar as coisas. preciso de mais tempo.”
“claro. espere até que ela saia. não somos
desumanos. podemos tomar um drinque juntos.”
“merda,” ela disse, “oh, merda!”
pulou dentro do carro e arrancou.
a outra apareceu: “quem era aquela?”
“uma ex-amiga.”
agora ela se foi e estou aqui sentado e bêbado
e meus olhos parecem molhados de lágrimas.
está tudo muito silencioso e sinto como se um arpão
estivesse atravessado no meio das minhas tripas.
caminho até o banheiro e vomito.
piedade, eu penso, será que a raça humana não sabe nada
sobre piedade?
eu me escoro contra o para-choque de meu carro.
ela está bêbada e seus olhos estão molhados de lágrimas:
“seu filho da puta, você trepou comigo quando não
estava a fim. disse pra eu continuar ligando,
disse pra eu me mudar pra perto da cidade,
e então me disse pra deixar você em paz.”
tudo muito dramático e eu gostando daquilo.
“claro, bem, o que você quer?”
“quero falar com você. quero ir pra sua
casa e falar com você...”
“estou com alguém agora. ela foi buscar um
sanduíche.”
“quero falar com você... demora um pouco pra
superar as coisas. preciso de mais tempo.”
“claro. espere até que ela saia. não somos
desumanos. podemos tomar um drinque juntos.”
“merda,” ela disse, “oh, merda!”
pulou dentro do carro e arrancou.
a outra apareceu: “quem era aquela?”
“uma ex-amiga.”
agora ela se foi e estou aqui sentado e bêbado
e meus olhos parecem molhados de lágrimas.
está tudo muito silencioso e sinto como se um arpão
estivesse atravessado no meio das minhas tripas.
caminho até o banheiro e vomito.
piedade, eu penso, será que a raça humana não sabe nada
sobre piedade?
1 327
Charles Bukowski
Reviravolta
ela dirige para a vaga no estacionamento enquanto
eu me escoro contra o para-choque de meu carro.
ela está bêbada e seus olhos estão molhados de lágrimas:
“seu filho da puta, você trepou comigo quando não
estava a fim. disse pra eu continuar ligando,
disse pra eu me mudar pra perto da cidade,
e então me disse pra deixar você em paz.”
tudo muito dramático e eu gostando daquilo.
“claro, bem, o que você quer?”
“quero falar com você. quero ir pra sua
casa e falar com você...”
“estou com alguém agora. ela foi buscar um
sanduíche.”
“quero falar com você... demora um pouco pra
superar as coisas. preciso de mais tempo.”
“claro. espere até que ela saia. não somos
desumanos. podemos tomar um drinque juntos.”
“merda,” ela disse, “oh, merda!”
pulou dentro do carro e arrancou.
a outra apareceu: “quem era aquela?”
“uma ex-amiga.”
agora ela se foi e estou aqui sentado e bêbado
e meus olhos parecem molhados de lágrimas.
está tudo muito silencioso e sinto como se um arpão
estivesse atravessado no meio das minhas tripas.
caminho até o banheiro e vomito.
piedade, eu penso, será que a raça humana não sabe nada
sobre piedade?
eu me escoro contra o para-choque de meu carro.
ela está bêbada e seus olhos estão molhados de lágrimas:
“seu filho da puta, você trepou comigo quando não
estava a fim. disse pra eu continuar ligando,
disse pra eu me mudar pra perto da cidade,
e então me disse pra deixar você em paz.”
tudo muito dramático e eu gostando daquilo.
“claro, bem, o que você quer?”
“quero falar com você. quero ir pra sua
casa e falar com você...”
“estou com alguém agora. ela foi buscar um
sanduíche.”
“quero falar com você... demora um pouco pra
superar as coisas. preciso de mais tempo.”
“claro. espere até que ela saia. não somos
desumanos. podemos tomar um drinque juntos.”
“merda,” ela disse, “oh, merda!”
pulou dentro do carro e arrancou.
a outra apareceu: “quem era aquela?”
“uma ex-amiga.”
agora ela se foi e estou aqui sentado e bêbado
e meus olhos parecem molhados de lágrimas.
está tudo muito silencioso e sinto como se um arpão
estivesse atravessado no meio das minhas tripas.
caminho até o banheiro e vomito.
piedade, eu penso, será que a raça humana não sabe nada
sobre piedade?
1 327
Charles Bukowski
Tentando Acertar As Contas:
tínhamos fumado alguns baseados e tomado algumas
cervejas e eu estava estirado na cama
e ela disse, “olha, eu fiz 3 abortos
em sequência, não quero que você enfie essa
coisa dentro de mim!”
o negócio começava a crescer e nós dois
olhávamos para ele.
“ah, qual é”, eu disse, “minha namorada trepou
com 2 caras diferentes esta semana e estou tentando
acertar as contas.”
“não me envolva nessa sua merda
doméstica! o que quero que você faça agora é que
TOQUE uma PUNHETA enquanto eu ASSISTO!
quero VER você bater até
GOZAR! quero ver o SUCO jorrar!”
“ok aproxime seu rosto.”
ela o aproximou e dei uma cuspida na palma da mão
e comecei a trabalhar.
ele cresceu. um pouco antes de gozar eu
parei, segurando-o pela base
puxando a pele,
a cabeça pulsando
púrpura e brilhante.
“oooh”, ela disse.
lançou a boca sobre ele, chupou-o
e
se afastou.
“termine”, ela disse.
“não!”
voltei a bater e então parei novamente
no último instante e fiquei a balançá-lo ao redor do
quarto.
ela o olhou
caiu outra vez sobre ele
chupou
e tirou da boca.
alternamos o processo
pra lá e pra cá
vez após vez.
finalmente eu a arranquei
da cadeira
para a cama
rolei pra cima dela
meti pra dentro
trabalhei
trabalhei
e gozei.
quando voltou do
banheiro ela disse,
“seu filho da puta, eu amo você,
amo você há muito tempo.
quando eu voltar a Santa Barbara
vou escrever pra você. Vivo
com esse cara mas eu o
odeio, não faço a mais vaga ideia do que
estou fazendo ao lado dele.”
“ok”, eu disse, “mas aproveitando que você já
está de pé, poderia me trazer um copo
d’água? estou seco.”
ela seguiu até a cozinha e
a ouvi reclamar que
todos os meus copos estavam
sujos.
disse a ela para usar uma
xícara. ouvi
a água correndo e
pensei, mais uma foda
e o jogo estará zerado
e poderei me apaixonar novamente por minha namorada –
isto é
se ela não tiver se envolvido numa
foda extra
o que provavelmente ela
fez.
cervejas e eu estava estirado na cama
e ela disse, “olha, eu fiz 3 abortos
em sequência, não quero que você enfie essa
coisa dentro de mim!”
o negócio começava a crescer e nós dois
olhávamos para ele.
“ah, qual é”, eu disse, “minha namorada trepou
com 2 caras diferentes esta semana e estou tentando
acertar as contas.”
“não me envolva nessa sua merda
doméstica! o que quero que você faça agora é que
TOQUE uma PUNHETA enquanto eu ASSISTO!
quero VER você bater até
GOZAR! quero ver o SUCO jorrar!”
“ok aproxime seu rosto.”
ela o aproximou e dei uma cuspida na palma da mão
e comecei a trabalhar.
ele cresceu. um pouco antes de gozar eu
parei, segurando-o pela base
puxando a pele,
a cabeça pulsando
púrpura e brilhante.
“oooh”, ela disse.
lançou a boca sobre ele, chupou-o
e
se afastou.
“termine”, ela disse.
“não!”
voltei a bater e então parei novamente
no último instante e fiquei a balançá-lo ao redor do
quarto.
ela o olhou
caiu outra vez sobre ele
chupou
e tirou da boca.
alternamos o processo
pra lá e pra cá
vez após vez.
finalmente eu a arranquei
da cadeira
para a cama
rolei pra cima dela
meti pra dentro
trabalhei
trabalhei
e gozei.
quando voltou do
banheiro ela disse,
“seu filho da puta, eu amo você,
amo você há muito tempo.
quando eu voltar a Santa Barbara
vou escrever pra você. Vivo
com esse cara mas eu o
odeio, não faço a mais vaga ideia do que
estou fazendo ao lado dele.”
“ok”, eu disse, “mas aproveitando que você já
está de pé, poderia me trazer um copo
d’água? estou seco.”
ela seguiu até a cozinha e
a ouvi reclamar que
todos os meus copos estavam
sujos.
disse a ela para usar uma
xícara. ouvi
a água correndo e
pensei, mais uma foda
e o jogo estará zerado
e poderei me apaixonar novamente por minha namorada –
isto é
se ela não tiver se envolvido numa
foda extra
o que provavelmente ela
fez.
1 352
Charles Bukowski
O Fim de Um Breve Caso
tentei fazer o negócio de pé
dessa vez.
normalmente não costuma
funcionar.
dessa vez parecia
que...
ela seguia dizendo
“ó, meu Deus, você tem
pernas lindas!”
tudo estava bem
até que ela tirou os
pés do chão
e enroscou suas pernas
em volta dos meus quadris.
“ó, meu Deus, você tem
pernas lindas!”
ela pesava cerca de 63
quilos e ficou ali presa enquanto eu
trabalhava.
foi só quando cheguei ao clímax
que senti a dor
correr espinha
acima.
deitei-a no sofá
e caminhei ao redor
da sala.
a dor continuava.
“olha só”, eu lhe disse,
“é melhor você ir. tenho
que revelar uns filmes
na minha câmara escura.”
ela se vestiu e se foi
e eu segui até a
cozinha para um copo
d’água. peguei um copo cheio
com a mão esquerda.
a dor correu para além de minhas
orelhas e
deixei cair o copo
que se espatifou no chão.
entrei numa banheira cheia de
água quente e sais Epsom.
recém tinha acabado de me esticar
quando o telefone tocou.
ao tentar endireitar
minhas costas
a dor se estendeu por
pescoço e braços.
caí pesadamente
me agarrei às bordas da banheira
consegui sair
com raios verdes e amarelos
e luzes vermelhas
lampejando em minha cabeça.
o telefone continuava tocando.
atendi.
“alô?”
“EU TE AMO!”, ela disse.
“obrigado”, eu disse.
“é tudo o que você tem
pra me dizer?”
“sim.”
“vá à merda!” ela disse e
desligou.
o amor se esgota, pensei
ao caminhar de volta ao
banheiro, mais rápido
do que um jato de esperma.
dessa vez.
normalmente não costuma
funcionar.
dessa vez parecia
que...
ela seguia dizendo
“ó, meu Deus, você tem
pernas lindas!”
tudo estava bem
até que ela tirou os
pés do chão
e enroscou suas pernas
em volta dos meus quadris.
“ó, meu Deus, você tem
pernas lindas!”
ela pesava cerca de 63
quilos e ficou ali presa enquanto eu
trabalhava.
foi só quando cheguei ao clímax
que senti a dor
correr espinha
acima.
deitei-a no sofá
e caminhei ao redor
da sala.
a dor continuava.
“olha só”, eu lhe disse,
“é melhor você ir. tenho
que revelar uns filmes
na minha câmara escura.”
ela se vestiu e se foi
e eu segui até a
cozinha para um copo
d’água. peguei um copo cheio
com a mão esquerda.
a dor correu para além de minhas
orelhas e
deixei cair o copo
que se espatifou no chão.
entrei numa banheira cheia de
água quente e sais Epsom.
recém tinha acabado de me esticar
quando o telefone tocou.
ao tentar endireitar
minhas costas
a dor se estendeu por
pescoço e braços.
caí pesadamente
me agarrei às bordas da banheira
consegui sair
com raios verdes e amarelos
e luzes vermelhas
lampejando em minha cabeça.
o telefone continuava tocando.
atendi.
“alô?”
“EU TE AMO!”, ela disse.
“obrigado”, eu disse.
“é tudo o que você tem
pra me dizer?”
“sim.”
“vá à merda!” ela disse e
desligou.
o amor se esgota, pensei
ao caminhar de volta ao
banheiro, mais rápido
do que um jato de esperma.
1 187
Charles Bukowski
O Fim de Um Breve Caso
tentei fazer o negócio de pé
dessa vez.
normalmente não costuma
funcionar.
dessa vez parecia
que...
ela seguia dizendo
“ó, meu Deus, você tem
pernas lindas!”
tudo estava bem
até que ela tirou os
pés do chão
e enroscou suas pernas
em volta dos meus quadris.
“ó, meu Deus, você tem
pernas lindas!”
ela pesava cerca de 63
quilos e ficou ali presa enquanto eu
trabalhava.
foi só quando cheguei ao clímax
que senti a dor
correr espinha
acima.
deitei-a no sofá
e caminhei ao redor
da sala.
a dor continuava.
“olha só”, eu lhe disse,
“é melhor você ir. tenho
que revelar uns filmes
na minha câmara escura.”
ela se vestiu e se foi
e eu segui até a
cozinha para um copo
d’água. peguei um copo cheio
com a mão esquerda.
a dor correu para além de minhas
orelhas e
deixei cair o copo
que se espatifou no chão.
entrei numa banheira cheia de
água quente e sais Epsom.
recém tinha acabado de me esticar
quando o telefone tocou.
ao tentar endireitar
minhas costas
a dor se estendeu por
pescoço e braços.
caí pesadamente
me agarrei às bordas da banheira
consegui sair
com raios verdes e amarelos
e luzes vermelhas
lampejando em minha cabeça.
o telefone continuava tocando.
atendi.
“alô?”
“EU TE AMO!”, ela disse.
“obrigado”, eu disse.
“é tudo o que você tem
pra me dizer?”
“sim.”
“vá à merda!” ela disse e
desligou.
o amor se esgota, pensei
ao caminhar de volta ao
banheiro, mais rápido
do que um jato de esperma.
dessa vez.
normalmente não costuma
funcionar.
dessa vez parecia
que...
ela seguia dizendo
“ó, meu Deus, você tem
pernas lindas!”
tudo estava bem
até que ela tirou os
pés do chão
e enroscou suas pernas
em volta dos meus quadris.
“ó, meu Deus, você tem
pernas lindas!”
ela pesava cerca de 63
quilos e ficou ali presa enquanto eu
trabalhava.
foi só quando cheguei ao clímax
que senti a dor
correr espinha
acima.
deitei-a no sofá
e caminhei ao redor
da sala.
a dor continuava.
“olha só”, eu lhe disse,
“é melhor você ir. tenho
que revelar uns filmes
na minha câmara escura.”
ela se vestiu e se foi
e eu segui até a
cozinha para um copo
d’água. peguei um copo cheio
com a mão esquerda.
a dor correu para além de minhas
orelhas e
deixei cair o copo
que se espatifou no chão.
entrei numa banheira cheia de
água quente e sais Epsom.
recém tinha acabado de me esticar
quando o telefone tocou.
ao tentar endireitar
minhas costas
a dor se estendeu por
pescoço e braços.
caí pesadamente
me agarrei às bordas da banheira
consegui sair
com raios verdes e amarelos
e luzes vermelhas
lampejando em minha cabeça.
o telefone continuava tocando.
atendi.
“alô?”
“EU TE AMO!”, ela disse.
“obrigado”, eu disse.
“é tudo o que você tem
pra me dizer?”
“sim.”
“vá à merda!” ela disse e
desligou.
o amor se esgota, pensei
ao caminhar de volta ao
banheiro, mais rápido
do que um jato de esperma.
1 187
Charles Bukowski
O Preço
bebendo um champanhe de 15 dólares –
Cordon Rouge – na companhia de putas.
uma se chama Georgia e
não é chegada em meia-calça:
estou sempre tendo que ajudá-la
com suas longas meias negras.
a outra é Pam – mais bonita
porém meio desalmada, e
fumamos e conversamos e
brinco com suas pernas e
enfio meu pé descalço na
bolsa aberta de Georgia.
está cheia de
frascos com pílulas.
tomo algumas delas.
“escutem”, eu digo, “uma de
vocês tem alma, a outra
aparência. posso combinar
vocês duas? pegar a alma
e enfiar na aparência?”
“se você me quer”, diz Pam, “vai
lhe custar cem pratas.”
bebemos um pouco mais e Georgia
despenca no chão e não consegue
se levantar.
digo a Pam que gosto muito
de suas orelhas. seu
cabelo é longo e natural e
ruivo.
“estava de brincadeira quando falei em
cem”, ela diz.
“oh”, eu digo, “quanto vai me
custar?”
ela acende um cigarro com
meu isqueiro e me olha
através da chama:
seus olhos me dizem.
“olhe”, eu digo, “acho que não
poderei pagar aquele preço novamente.”
ela cruza as pernas
dá uma tragada em seu cigarro
sorri enquanto expele a fumaça
e diz, “claro que pode”.
Cordon Rouge – na companhia de putas.
uma se chama Georgia e
não é chegada em meia-calça:
estou sempre tendo que ajudá-la
com suas longas meias negras.
a outra é Pam – mais bonita
porém meio desalmada, e
fumamos e conversamos e
brinco com suas pernas e
enfio meu pé descalço na
bolsa aberta de Georgia.
está cheia de
frascos com pílulas.
tomo algumas delas.
“escutem”, eu digo, “uma de
vocês tem alma, a outra
aparência. posso combinar
vocês duas? pegar a alma
e enfiar na aparência?”
“se você me quer”, diz Pam, “vai
lhe custar cem pratas.”
bebemos um pouco mais e Georgia
despenca no chão e não consegue
se levantar.
digo a Pam que gosto muito
de suas orelhas. seu
cabelo é longo e natural e
ruivo.
“estava de brincadeira quando falei em
cem”, ela diz.
“oh”, eu digo, “quanto vai me
custar?”
ela acende um cigarro com
meu isqueiro e me olha
através da chama:
seus olhos me dizem.
“olhe”, eu digo, “acho que não
poderei pagar aquele preço novamente.”
ela cruza as pernas
dá uma tragada em seu cigarro
sorri enquanto expele a fumaça
e diz, “claro que pode”.
1 185
Charles Bukowski
Lamentando E Se Queixando
ela escreve: você vai
se lamentar e se queixar
em seus poemas
sobre como eu trepei
com 2 caras na semana passada.
eu te conheço.
ela escreve para me
dizer que meu sensor
estava certo –
ela recém tinha trepado
com um terceiro cara
mas ela sabe que não
quero saber com quem, nem por que
nem como. ela encerra sua
carta, “com amor”.
ratos e baratas
triunfaram novamente.
aí vem ele correndo
com uma lesma em sua
boca, entoando
velhas canções de amor.
feche as janelas
lamente
feche as portas
queixe-se.
se lamentar e se queixar
em seus poemas
sobre como eu trepei
com 2 caras na semana passada.
eu te conheço.
ela escreve para me
dizer que meu sensor
estava certo –
ela recém tinha trepado
com um terceiro cara
mas ela sabe que não
quero saber com quem, nem por que
nem como. ela encerra sua
carta, “com amor”.
ratos e baratas
triunfaram novamente.
aí vem ele correndo
com uma lesma em sua
boca, entoando
velhas canções de amor.
feche as janelas
lamente
feche as portas
queixe-se.
1 124
Charles Bukowski
Lamentando E Se Queixando
ela escreve: você vai
se lamentar e se queixar
em seus poemas
sobre como eu trepei
com 2 caras na semana passada.
eu te conheço.
ela escreve para me
dizer que meu sensor
estava certo –
ela recém tinha trepado
com um terceiro cara
mas ela sabe que não
quero saber com quem, nem por que
nem como. ela encerra sua
carta, “com amor”.
ratos e baratas
triunfaram novamente.
aí vem ele correndo
com uma lesma em sua
boca, entoando
velhas canções de amor.
feche as janelas
lamente
feche as portas
queixe-se.
se lamentar e se queixar
em seus poemas
sobre como eu trepei
com 2 caras na semana passada.
eu te conheço.
ela escreve para me
dizer que meu sensor
estava certo –
ela recém tinha trepado
com um terceiro cara
mas ela sabe que não
quero saber com quem, nem por que
nem como. ela encerra sua
carta, “com amor”.
ratos e baratas
triunfaram novamente.
aí vem ele correndo
com uma lesma em sua
boca, entoando
velhas canções de amor.
feche as janelas
lamente
feche as portas
queixe-se.
1 124
Charles Bukowski
Já Vi Mendigos Demais Com Os Olhos Vidrados Bebendo Vinho Barato Debaixo da Ponte
você se senta comigo
no sofá
nesta noite
nova mulher.
você já viu os
documentários
sobre animais carnívoros?
eles mostram a morte.
e agora me pergunto
que animal entre
nós dois
devorará
primeiro o outro
física e
por fim
espiritualmente?
nós consumimos animais
e então um de nós
consome o outro,
meu amor.
enquanto isso
prefiro que você vá
primeiro e do primeiro jeito
se os gráficos de performance passadas
significarem alguma coisa
eu certamente irei
primeiro e do último
jeito.
no sofá
nesta noite
nova mulher.
você já viu os
documentários
sobre animais carnívoros?
eles mostram a morte.
e agora me pergunto
que animal entre
nós dois
devorará
primeiro o outro
física e
por fim
espiritualmente?
nós consumimos animais
e então um de nós
consome o outro,
meu amor.
enquanto isso
prefiro que você vá
primeiro e do primeiro jeito
se os gráficos de performance passadas
significarem alguma coisa
eu certamente irei
primeiro e do último
jeito.
1 413
Charles Bukowski
Provaremos As Ilhas E o Mar
sei que em alguma noite
em algum quarto
logo
meus dedos abrirão
caminho
através
de cabelos limpos e
macios
canções como as que nenhuma rádio
toca
toda a tristeza, escarnecendo
em correnteza.
em algum quarto
logo
meus dedos abrirão
caminho
através
de cabelos limpos e
macios
canções como as que nenhuma rádio
toca
toda a tristeza, escarnecendo
em correnteza.
1 224
Charles Bukowski
Provaremos As Ilhas E o Mar
sei que em alguma noite
em algum quarto
logo
meus dedos abrirão
caminho
através
de cabelos limpos e
macios
canções como as que nenhuma rádio
toca
toda a tristeza, escarnecendo
em correnteza.
em algum quarto
logo
meus dedos abrirão
caminho
através
de cabelos limpos e
macios
canções como as que nenhuma rádio
toca
toda a tristeza, escarnecendo
em correnteza.
1 224
Charles Bukowski
Blue Cheese E Chili
essas mulheres supostamente deveriam aparecer
e me ver
mas elas nunca
vêm.
há aquela com uma enorme cicatriz ao longo
da barriga.
há a outra que escreve poemas
e liga às 3 da manhã, dizendo,
“eu te amo”.
há a que dança com uma
jiboia
e escreve a cada quatro
semanas, dizendo
que virá.
e a 4ª que alega dormir
sempre
com meu último livro
debaixo do
travesseiro.
bato uma punheta no calor
e escuto Brahms e como
blue cheese com chili.
essas mulheres são boas de cabeça e de
corpo, excelentes dentro ou fora da cama,
perigosas e fatais, é
claro...
mas por que todas têm de viver
lá no norte?
sei que um dia elas irão
chegar, mas duas ou três
no mesmo dia, e
vamos sentar e conversar
e então todas irão embora
juntas.
um outro qualquer as terá
e eu caminharei por aí
em meu short surrado
fumando cigarros demais
e tentando extrair algum
drama
de nenhum progresso
de fato.
e me ver
mas elas nunca
vêm.
há aquela com uma enorme cicatriz ao longo
da barriga.
há a outra que escreve poemas
e liga às 3 da manhã, dizendo,
“eu te amo”.
há a que dança com uma
jiboia
e escreve a cada quatro
semanas, dizendo
que virá.
e a 4ª que alega dormir
sempre
com meu último livro
debaixo do
travesseiro.
bato uma punheta no calor
e escuto Brahms e como
blue cheese com chili.
essas mulheres são boas de cabeça e de
corpo, excelentes dentro ou fora da cama,
perigosas e fatais, é
claro...
mas por que todas têm de viver
lá no norte?
sei que um dia elas irão
chegar, mas duas ou três
no mesmo dia, e
vamos sentar e conversar
e então todas irão embora
juntas.
um outro qualquer as terá
e eu caminharei por aí
em meu short surrado
fumando cigarros demais
e tentando extrair algum
drama
de nenhum progresso
de fato.
1 148
Charles Bukowski
Blue Cheese E Chili
essas mulheres supostamente deveriam aparecer
e me ver
mas elas nunca
vêm.
há aquela com uma enorme cicatriz ao longo
da barriga.
há a outra que escreve poemas
e liga às 3 da manhã, dizendo,
“eu te amo”.
há a que dança com uma
jiboia
e escreve a cada quatro
semanas, dizendo
que virá.
e a 4ª que alega dormir
sempre
com meu último livro
debaixo do
travesseiro.
bato uma punheta no calor
e escuto Brahms e como
blue cheese com chili.
essas mulheres são boas de cabeça e de
corpo, excelentes dentro ou fora da cama,
perigosas e fatais, é
claro...
mas por que todas têm de viver
lá no norte?
sei que um dia elas irão
chegar, mas duas ou três
no mesmo dia, e
vamos sentar e conversar
e então todas irão embora
juntas.
um outro qualquer as terá
e eu caminharei por aí
em meu short surrado
fumando cigarros demais
e tentando extrair algum
drama
de nenhum progresso
de fato.
e me ver
mas elas nunca
vêm.
há aquela com uma enorme cicatriz ao longo
da barriga.
há a outra que escreve poemas
e liga às 3 da manhã, dizendo,
“eu te amo”.
há a que dança com uma
jiboia
e escreve a cada quatro
semanas, dizendo
que virá.
e a 4ª que alega dormir
sempre
com meu último livro
debaixo do
travesseiro.
bato uma punheta no calor
e escuto Brahms e como
blue cheese com chili.
essas mulheres são boas de cabeça e de
corpo, excelentes dentro ou fora da cama,
perigosas e fatais, é
claro...
mas por que todas têm de viver
lá no norte?
sei que um dia elas irão
chegar, mas duas ou três
no mesmo dia, e
vamos sentar e conversar
e então todas irão embora
juntas.
um outro qualquer as terá
e eu caminharei por aí
em meu short surrado
fumando cigarros demais
e tentando extrair algum
drama
de nenhum progresso
de fato.
1 148
Manuel Bandeira
Elegia de Verão
O sol é grande. O coisas
Todas vas, todas mudaves!
(Como esse "mudaves",
Que hoje é "mudáveis"
E já não rima com "aves".)
O sol é grande. Zinem as cigarras
Em Laranjeiras.
Zinem as cigarras: zino, zino, zino...
Como se fossem as mesmas
Que eu ouvi menino.
Ó verões de antigamente!
Quando o Largo do Boticário
Ainda poderia ser tombado.
Carambolas ácidas, quentes de mormaço;
Água morna das caixas-d'água vermelha de ferrugem;
Saibro cintilante...
O sol é grande. Mas, ó cigarras que zinis,
Não sois as mesmas que eu ouvi menino.
Sois outras, não me interessais...
Dêem-me as cigarras que eu ouvi menino.
Todas vas, todas mudaves!
(Como esse "mudaves",
Que hoje é "mudáveis"
E já não rima com "aves".)
O sol é grande. Zinem as cigarras
Em Laranjeiras.
Zinem as cigarras: zino, zino, zino...
Como se fossem as mesmas
Que eu ouvi menino.
Ó verões de antigamente!
Quando o Largo do Boticário
Ainda poderia ser tombado.
Carambolas ácidas, quentes de mormaço;
Água morna das caixas-d'água vermelha de ferrugem;
Saibro cintilante...
O sol é grande. Mas, ó cigarras que zinis,
Não sois as mesmas que eu ouvi menino.
Sois outras, não me interessais...
Dêem-me as cigarras que eu ouvi menino.
1 353
Charles Bukowski
Esta Noite
“seus poemas sobre as garotas ainda estarão por aí
daqui a 50 anos quando as garotas já tiverem ido”,
meu editor me telefona.
caro editor:
parece que as garotas já se
foram.
entendo o que o senhor diz
mas me dê uma mulher verdadeiramente viva
nesta noite
cruzando o piso em minha direção
e o senhor pode ficar com todos os poemas
os bons
os maus
ou qualquer outro que eu venha a escrever
depois deste.
entendo o que o senhor diz.
O senhor entende o que eu digo?
daqui a 50 anos quando as garotas já tiverem ido”,
meu editor me telefona.
caro editor:
parece que as garotas já se
foram.
entendo o que o senhor diz
mas me dê uma mulher verdadeiramente viva
nesta noite
cruzando o piso em minha direção
e o senhor pode ficar com todos os poemas
os bons
os maus
ou qualquer outro que eu venha a escrever
depois deste.
entendo o que o senhor diz.
O senhor entende o que eu digo?
1 301
Charles Bukowski
Esta Noite
“seus poemas sobre as garotas ainda estarão por aí
daqui a 50 anos quando as garotas já tiverem ido”,
meu editor me telefona.
caro editor:
parece que as garotas já se
foram.
entendo o que o senhor diz
mas me dê uma mulher verdadeiramente viva
nesta noite
cruzando o piso em minha direção
e o senhor pode ficar com todos os poemas
os bons
os maus
ou qualquer outro que eu venha a escrever
depois deste.
entendo o que o senhor diz.
O senhor entende o que eu digo?
daqui a 50 anos quando as garotas já tiverem ido”,
meu editor me telefona.
caro editor:
parece que as garotas já se
foram.
entendo o que o senhor diz
mas me dê uma mulher verdadeiramente viva
nesta noite
cruzando o piso em minha direção
e o senhor pode ficar com todos os poemas
os bons
os maus
ou qualquer outro que eu venha a escrever
depois deste.
entendo o que o senhor diz.
O senhor entende o que eu digo?
1 301
Manuel Bandeira
Retrato
O sorriso escasso,
O riso-sorriso,
À risada nunca.
(Como quem consigo
Traz o sentimento
Do madrasto mundo.)
Com os braços colados
Ao longo do corpo,
Vai pela cidade
Grande e cafajeste,
Com o mesmo ar esquivo
Que escolheu nascendo
Na esquiva Itabira.
Aprendeu com ela
Os olhos metálicos
Com que vê as coisas:
Sem ódio, sem ênfase,
Às vezes com náusea.
Ferro de Itabira,
Em cujos recessos
Um vedor, um dia,
Um vedor — o neto —
Descobriu infante
As fundas nascentes,
O veio, o remanso
Da escusa ternura.
O riso-sorriso,
À risada nunca.
(Como quem consigo
Traz o sentimento
Do madrasto mundo.)
Com os braços colados
Ao longo do corpo,
Vai pela cidade
Grande e cafajeste,
Com o mesmo ar esquivo
Que escolheu nascendo
Na esquiva Itabira.
Aprendeu com ela
Os olhos metálicos
Com que vê as coisas:
Sem ódio, sem ênfase,
Às vezes com náusea.
Ferro de Itabira,
Em cujos recessos
Um vedor, um dia,
Um vedor — o neto —
Descobriu infante
As fundas nascentes,
O veio, o remanso
Da escusa ternura.
1 472
Manuel Bandeira
O Grilo
Grilo, toca aí um solo de flauta.
— De flauta? Você me acha com cara de flautista?
— A flauta é um belo instrumento. Não gosta?
— Troppo dolce!
— De flauta? Você me acha com cara de flautista?
— A flauta é um belo instrumento. Não gosta?
— Troppo dolce!
1 533
Charles Bukowski
Outra Cama
outra cama
outra mulher
mais cortinas
outro banheiro
outra cozinha
outros olhos
outro cabelo
outros
pés e dedos.
todos à procura.
a busca eterna.
você fica na cama
ela se veste para o trabalho
e você se pergunta o que aconteceu
à última
e à outra antes dela...
é tudo tão confortável –
esse fazer amor
esse dormir juntos
a suave delicadeza...
após ela partir você se levanta e usa
o banheiro dela,
é tudo tão intimidante e estranho.
você retorna para a cama e
dorme mais uma hora.
quando você vai embora é com tristeza
mas você a verá novamente
quer funcione, quer não.
você dirige até a praia e fica sentado
em seu carro. é quase meio-dia.
– outra cama, outras orelhas, outros
brincos, outras bocas, outros chinelos, outros
vestidos
cores, portas, números de telefone.
você foi, certa vez, suficientemente forte para viver sozinho.
para um homem beirando os sessenta você deveria ser mais sensato.
você dá a partida no carro e engata a primeira,
pensando, vou telefonar para Janie logo que chegar,
não a vejo desde sexta-feira.
outra mulher
mais cortinas
outro banheiro
outra cozinha
outros olhos
outro cabelo
outros
pés e dedos.
todos à procura.
a busca eterna.
você fica na cama
ela se veste para o trabalho
e você se pergunta o que aconteceu
à última
e à outra antes dela...
é tudo tão confortável –
esse fazer amor
esse dormir juntos
a suave delicadeza...
após ela partir você se levanta e usa
o banheiro dela,
é tudo tão intimidante e estranho.
você retorna para a cama e
dorme mais uma hora.
quando você vai embora é com tristeza
mas você a verá novamente
quer funcione, quer não.
você dirige até a praia e fica sentado
em seu carro. é quase meio-dia.
– outra cama, outras orelhas, outros
brincos, outras bocas, outros chinelos, outros
vestidos
cores, portas, números de telefone.
você foi, certa vez, suficientemente forte para viver sozinho.
para um homem beirando os sessenta você deveria ser mais sensato.
você dá a partida no carro e engata a primeira,
pensando, vou telefonar para Janie logo que chegar,
não a vejo desde sexta-feira.
1 318
Charles Bukowski
Guru
grande barba negra
me diz
que eu não sinto
terror
olho pra ele
minhas tripas chacoalham
cascalho
vejo seus olhos
voltados pra cima
ele é forte
tem unhas sujas
e penduradas nas paredes:
armas embainhadas.
ele sabe das coisas:
livros
as vantagens
o melhor caminho para
casa
gosto dele
mas creio que ele
mente
(não tenho certeza de que
ele mente)
sua esposa se senta
num canto
escuro
quando a conheci
era a mulher
mais
linda
que eu já tinha
visto
agora ela se
tornara
sua gêmea
talvez não por culpa
dele:
talvez a coisa
nos faça a todos
assim
no entanto, logo que deixei
a casa deles
senti terror
a lua parecia
doente
minhas mãos escorregavam
no
volante
manobro meu
carro
e desço a
ladeira
quase bato
num
carro azul-esverdeado
estacionado
enterre-me para sempre,
Beatriz
poeta hesitante, ha
haha
cão enjeitado do
terror.
me diz
que eu não sinto
terror
olho pra ele
minhas tripas chacoalham
cascalho
vejo seus olhos
voltados pra cima
ele é forte
tem unhas sujas
e penduradas nas paredes:
armas embainhadas.
ele sabe das coisas:
livros
as vantagens
o melhor caminho para
casa
gosto dele
mas creio que ele
mente
(não tenho certeza de que
ele mente)
sua esposa se senta
num canto
escuro
quando a conheci
era a mulher
mais
linda
que eu já tinha
visto
agora ela se
tornara
sua gêmea
talvez não por culpa
dele:
talvez a coisa
nos faça a todos
assim
no entanto, logo que deixei
a casa deles
senti terror
a lua parecia
doente
minhas mãos escorregavam
no
volante
manobro meu
carro
e desço a
ladeira
quase bato
num
carro azul-esverdeado
estacionado
enterre-me para sempre,
Beatriz
poeta hesitante, ha
haha
cão enjeitado do
terror.
1 173