Poemas neste tema
Emoções e Sentimentos
Charles Bukowski
A Casa
estão construindo uma casa
meia quadra abaixo
e eu fico aqui sentado
com as persianas baixadas
escutando os ruídos,
os martelos batendo nos pregos,
tac tac tac tac,
então escutei os pássaros, e
tac tac tac
e vou para a cama,
puxo as cobertas até a altura da garganta;
eles estão erguendo essa casa
há um mês, e logo ela estará ocupada com
suas pessoas... dormindo, comendo,
amando, vagando por ali,
mas de algum modo
agora
isso não está certo,
parece loucura,
homens caminham sobre o telhado com pregos em suas bocas
e eu leio sobre Castro e Cuba
e à noite passo caminhando por ali
e a ossatura da casa está à mostra
e lá dentro posso ver os gatos a caminhar
daquele jeito que os gatos caminham,
e então um garoto surge em uma bicicleta,
e a casa continua inacabada
e pela manhã os homens
voltarão
caminhando pela casa
com seus martelos,
parece que as pessoas não deveriam mais erguer casas
que deveriam parar de trabalhar
e se sentar em pequenas peças
em segundos andares
sob lâmpadas elétricas sem pantalhas;
parece que há muito a esquecer
e muito a não fazer
e nos armazéns, mercados, bares
as pessoas estão cansadas, elas não querem
se mover, e eu fico lá à noite
e olho através dessa casa e a
casa não quer ser construída;
por suas laterais consigo ver as colinas púrpuras
e as primeiras luzes do entardecer,
e faz frio
e eu abotoo meu casaco
e fico ali olhando através da casa
e os gatos param e olham para mim
até que fico constrangido
e sigo na direção norte pela calçada
onde comprarei
cigarros e cerveja
para depois retornar ao meu quarto.
meia quadra abaixo
e eu fico aqui sentado
com as persianas baixadas
escutando os ruídos,
os martelos batendo nos pregos,
tac tac tac tac,
então escutei os pássaros, e
tac tac tac
e vou para a cama,
puxo as cobertas até a altura da garganta;
eles estão erguendo essa casa
há um mês, e logo ela estará ocupada com
suas pessoas... dormindo, comendo,
amando, vagando por ali,
mas de algum modo
agora
isso não está certo,
parece loucura,
homens caminham sobre o telhado com pregos em suas bocas
e eu leio sobre Castro e Cuba
e à noite passo caminhando por ali
e a ossatura da casa está à mostra
e lá dentro posso ver os gatos a caminhar
daquele jeito que os gatos caminham,
e então um garoto surge em uma bicicleta,
e a casa continua inacabada
e pela manhã os homens
voltarão
caminhando pela casa
com seus martelos,
parece que as pessoas não deveriam mais erguer casas
que deveriam parar de trabalhar
e se sentar em pequenas peças
em segundos andares
sob lâmpadas elétricas sem pantalhas;
parece que há muito a esquecer
e muito a não fazer
e nos armazéns, mercados, bares
as pessoas estão cansadas, elas não querem
se mover, e eu fico lá à noite
e olho através dessa casa e a
casa não quer ser construída;
por suas laterais consigo ver as colinas púrpuras
e as primeiras luzes do entardecer,
e faz frio
e eu abotoo meu casaco
e fico ali olhando através da casa
e os gatos param e olham para mim
até que fico constrangido
e sigo na direção norte pela calçada
onde comprarei
cigarros e cerveja
para depois retornar ao meu quarto.
1 160
Charles Bukowski
Domingo Antes do Meio-Dia
os galhos se quebram, os pássaros caem, os prédios ardem,
as putas resistem,
as bombas se empilham,
entardecer, manhã, noite,
manteiga de amendoim,
falcões de manteiga de amendoim,
a chuva respirando como lírios do topo de minha cabeça,
pinças pinças
beijos como grampos de aço
bocas cheias de mariposas,
chupadores com cabeça de hidra,
Flórida sob a lua cheia,
tubarão com a boca cheia de homem
homem com a boca cheia de manteiga de amendoim, chuva
chuva espiando as entranhas das horas cinzentas,
cavalos sonhando com cavalos,
flores sonhando com flores,
cavalos correndo com pedaços de horas cinzentas de minha adorada carne,
pães queimando, a Espanha inteira em chamas e
cidades a sonhar com crateras,
bombas maiores que os miolos de qualquer criatura,
vindo abaixo
são os cucos dos relógios galos?
os galos se postam junto à cerca
os galos são manteiga de amendoim cantarolante,
a CHAMA se erguerá alta, a chama será grande,
beije beije beije
até que tudo suma,
espero que hoje chova, espero
que os jatos morram, espero
que o gato encontre um rato, espero
não ver isso, espero
que chova, espero
que tudo soma daqui,
espero por uma ponte, um peixe, um cacto em algum lugar
empertigando os pelos da barba até o meio-dia
sonho flores e cavalos
os galhos se quebram os pássaros caem e os prédios
ardem, minha puta caminha pelo quarto e
me sorri.
as putas resistem,
as bombas se empilham,
entardecer, manhã, noite,
manteiga de amendoim,
falcões de manteiga de amendoim,
a chuva respirando como lírios do topo de minha cabeça,
pinças pinças
beijos como grampos de aço
bocas cheias de mariposas,
chupadores com cabeça de hidra,
Flórida sob a lua cheia,
tubarão com a boca cheia de homem
homem com a boca cheia de manteiga de amendoim, chuva
chuva espiando as entranhas das horas cinzentas,
cavalos sonhando com cavalos,
flores sonhando com flores,
cavalos correndo com pedaços de horas cinzentas de minha adorada carne,
pães queimando, a Espanha inteira em chamas e
cidades a sonhar com crateras,
bombas maiores que os miolos de qualquer criatura,
vindo abaixo
são os cucos dos relógios galos?
os galos se postam junto à cerca
os galos são manteiga de amendoim cantarolante,
a CHAMA se erguerá alta, a chama será grande,
beije beije beije
até que tudo suma,
espero que hoje chova, espero
que os jatos morram, espero
que o gato encontre um rato, espero
não ver isso, espero
que chova, espero
que tudo soma daqui,
espero por uma ponte, um peixe, um cacto em algum lugar
empertigando os pelos da barba até o meio-dia
sonho flores e cavalos
os galhos se quebram os pássaros caem e os prédios
ardem, minha puta caminha pelo quarto e
me sorri.
1 269
Charles Bukowski
Agora, Se Você Tivesse Que Ensinar Escrita Criativa, Ele Perguntou, o Que Você Lhes Diria?
eu lhes diria para terem um caso de amor
fracassado, hemorróidas, dentes podres
e beber vinho barato,
para evitarem a ópera e o golfe e o xadrez,
seguirem trocando a guarda de suas
camas de parede em parede
e depois eu lhes diria para terem
outro caso de amor fracassado
e nunca usar uma fita de seda na máquina
de escrever,
evitar os piqueniques em família
ou serem fotografados em um jardim coberto de
rosas;
para lerem Hemingway apenas uma vez,
pularem Faulkner
ignorarem Gogol
olharem fixo para as fotos de Gertrude Stein
e ler Sherwood Anderson na cama
comendo biscoitos Ritz água e sal,
perceberem que as pessoas que não param
de falar sobre a liberação sexual
na verdade estão mais assustadas do que vocês.
para ouvirem E. Power Biggs debulhar o
órgão no rádio enquanto estão
fumando um Bull Durham no escuro
numa cidade estranha
restando apenas um dia pago de aluguel
após terem desistido de tudo
amigos, parentes e empregos.
jamais se considerem superiores e/
ou dentro da média
nem nunca tentem sê-lo.
tenham um outro caso de amor fracassado.
observem uma mosca sobre uma cortina de verão.
jamais tentem ter sucesso.
não joguem sinuca.
deixem que uma fúria legítima tome conta de vocês
quando seus carros estiverem com um pneu no chão.
tomem vitaminas mas não levantem pesos nem corram.
então depois disso tudo
revertam o processo.
tenham um bom caso de amor.
e a coisa
que vocês talvez aprendam
é que ninguém sabe nada –
nem o Estado, nem os ratos
nem a mangueira no jardim nem a Estrela Polar.
e se por acaso vocês me pegarem
ensinando numa classe de escrita criativa
e me lerem este poema
eu lhes darei um A com louvor
bem no olho
do cu.
fracassado, hemorróidas, dentes podres
e beber vinho barato,
para evitarem a ópera e o golfe e o xadrez,
seguirem trocando a guarda de suas
camas de parede em parede
e depois eu lhes diria para terem
outro caso de amor fracassado
e nunca usar uma fita de seda na máquina
de escrever,
evitar os piqueniques em família
ou serem fotografados em um jardim coberto de
rosas;
para lerem Hemingway apenas uma vez,
pularem Faulkner
ignorarem Gogol
olharem fixo para as fotos de Gertrude Stein
e ler Sherwood Anderson na cama
comendo biscoitos Ritz água e sal,
perceberem que as pessoas que não param
de falar sobre a liberação sexual
na verdade estão mais assustadas do que vocês.
para ouvirem E. Power Biggs debulhar o
órgão no rádio enquanto estão
fumando um Bull Durham no escuro
numa cidade estranha
restando apenas um dia pago de aluguel
após terem desistido de tudo
amigos, parentes e empregos.
jamais se considerem superiores e/
ou dentro da média
nem nunca tentem sê-lo.
tenham um outro caso de amor fracassado.
observem uma mosca sobre uma cortina de verão.
jamais tentem ter sucesso.
não joguem sinuca.
deixem que uma fúria legítima tome conta de vocês
quando seus carros estiverem com um pneu no chão.
tomem vitaminas mas não levantem pesos nem corram.
então depois disso tudo
revertam o processo.
tenham um bom caso de amor.
e a coisa
que vocês talvez aprendam
é que ninguém sabe nada –
nem o Estado, nem os ratos
nem a mangueira no jardim nem a Estrela Polar.
e se por acaso vocês me pegarem
ensinando numa classe de escrita criativa
e me lerem este poema
eu lhes darei um A com louvor
bem no olho
do cu.
848
Charles Bukowski
As Garotinhas
lá no norte da Califórnia
ele estava de pé no púlpito
e estivera lendo por algum tempo
poemas sobre
a natureza e a bondade
do homem.
ele sabia que tudo estava
certo e não se podia culpá-lo:
ele era um professor e nunca
estivera na cadeia ou num bordel
nunca tivera uma lata velha que enguiçou
no meio de um engarrafamento;
jamais precisara de mais de
3 drinques durante sua noite mais
selvagem;
jamais tinha sido logrado, espancado,
assaltado,
nem fora mordido por um cachorro
ele recebia cartas bacanas de Gary
Snyder, e seu rosto era
amável, liso e
meigo.
sua esposa jamais o traíra,
nem tivera sua sorte.
ele disse, “vou ler apenas mais
3 poemas e então
desço daqui e passo a
palavra ao Bukowski”.
“oh, não, William”, disseram todas
as garotinhas em seus vestidos rosas
e azuis e brancos e laranjas e
lavandas, “oh, não, William,
leia um pouco mais, leia um pouco
mais”!
ele leu mais um poema e então disse,
“este será o último poema que
lerei”.
“oh, não, William”, disseram todas as
garotinhas em seus vestidos transparentes
vermelhos e verdes, “oh, não, William”, disseram
todas as garotinhas em seus jeans colados
com pequenos corações a eles bordados,
“oh, não, William”, disseram todas as garotinhas,
“leia mais poemas, leia mais poemas!”
mas ele manteve a palavra.
terminou o poema e desceu do púlpito e
desapareceu. quando me levantei para ler
as garotinhas se agitaram em
seus assentos e algumas delas assobiaram e
algumas fizeram comentários a meu respeito
que usarei em outra ocasião.
duas ou três semanas depois
recebi uma carta de William
dizendo que tinha gostado de fato da minha leitura.
um cavalheiro de verdade.
eu estava na cama de cuecas e com uma
ressaca de 3 dias. perdi o envelope
mas peguei a carta e fiz com ela
um aviãozinho como aqueles que
aprendi a fazer na época do
colégio. ele cruzou o quarto
antes de aterrissar entre um velho programa de corrida
e um par de cuecas carimbadas.
não nos correspondemos desde então.
ele estava de pé no púlpito
e estivera lendo por algum tempo
poemas sobre
a natureza e a bondade
do homem.
ele sabia que tudo estava
certo e não se podia culpá-lo:
ele era um professor e nunca
estivera na cadeia ou num bordel
nunca tivera uma lata velha que enguiçou
no meio de um engarrafamento;
jamais precisara de mais de
3 drinques durante sua noite mais
selvagem;
jamais tinha sido logrado, espancado,
assaltado,
nem fora mordido por um cachorro
ele recebia cartas bacanas de Gary
Snyder, e seu rosto era
amável, liso e
meigo.
sua esposa jamais o traíra,
nem tivera sua sorte.
ele disse, “vou ler apenas mais
3 poemas e então
desço daqui e passo a
palavra ao Bukowski”.
“oh, não, William”, disseram todas
as garotinhas em seus vestidos rosas
e azuis e brancos e laranjas e
lavandas, “oh, não, William,
leia um pouco mais, leia um pouco
mais”!
ele leu mais um poema e então disse,
“este será o último poema que
lerei”.
“oh, não, William”, disseram todas as
garotinhas em seus vestidos transparentes
vermelhos e verdes, “oh, não, William”, disseram
todas as garotinhas em seus jeans colados
com pequenos corações a eles bordados,
“oh, não, William”, disseram todas as garotinhas,
“leia mais poemas, leia mais poemas!”
mas ele manteve a palavra.
terminou o poema e desceu do púlpito e
desapareceu. quando me levantei para ler
as garotinhas se agitaram em
seus assentos e algumas delas assobiaram e
algumas fizeram comentários a meu respeito
que usarei em outra ocasião.
duas ou três semanas depois
recebi uma carta de William
dizendo que tinha gostado de fato da minha leitura.
um cavalheiro de verdade.
eu estava na cama de cuecas e com uma
ressaca de 3 dias. perdi o envelope
mas peguei a carta e fiz com ela
um aviãozinho como aqueles que
aprendi a fazer na época do
colégio. ele cruzou o quarto
antes de aterrissar entre um velho programa de corrida
e um par de cuecas carimbadas.
não nos correspondemos desde então.
1 137
Charles Bukowski
Para a Puta Que Levou Meus Poemas
alguns dizem que deveríamos evitar remorsos particulares no
poema,
manter-nos abstratos, e há certa razão nisso,
mas jezus;
lá se vão doze poemas e eu não tenho cópias deles em carbono e você está com
minhas
pinturas também, as melhores; é sufocante;
quer me destruir como fez com todos os outros?
por que não leva meu dinheiro? é o que normalmente fazem com
os bêbados desacordados na esquina de quem batem os bolsos das calças.
da próxima vez leve meu braço esquerdo ou cinquenta contos
mas não meus poemas:
eu não sou Shakespeare
mas vai chegar um tempo em que simplesmente
não haverá mais nenhum, abstrato ou como quer que seja;
sempre haverá dinheiro e putas e bêbados
até a última bomba cair,
mas como Deus disse,
cruzando as pernas,
sei muito bem onde coloquei um bocado de poetas
mas não muita
poesia.
poema,
manter-nos abstratos, e há certa razão nisso,
mas jezus;
lá se vão doze poemas e eu não tenho cópias deles em carbono e você está com
minhas
pinturas também, as melhores; é sufocante;
quer me destruir como fez com todos os outros?
por que não leva meu dinheiro? é o que normalmente fazem com
os bêbados desacordados na esquina de quem batem os bolsos das calças.
da próxima vez leve meu braço esquerdo ou cinquenta contos
mas não meus poemas:
eu não sou Shakespeare
mas vai chegar um tempo em que simplesmente
não haverá mais nenhum, abstrato ou como quer que seja;
sempre haverá dinheiro e putas e bêbados
até a última bomba cair,
mas como Deus disse,
cruzando as pernas,
sei muito bem onde coloquei um bocado de poetas
mas não muita
poesia.
1 507
Charles Bukowski
Para a Puta Que Levou Meus Poemas
alguns dizem que deveríamos evitar remorsos particulares no
poema,
manter-nos abstratos, e há certa razão nisso,
mas jezus;
lá se vão doze poemas e eu não tenho cópias deles em carbono e você está com
minhas
pinturas também, as melhores; é sufocante;
quer me destruir como fez com todos os outros?
por que não leva meu dinheiro? é o que normalmente fazem com
os bêbados desacordados na esquina de quem batem os bolsos das calças.
da próxima vez leve meu braço esquerdo ou cinquenta contos
mas não meus poemas:
eu não sou Shakespeare
mas vai chegar um tempo em que simplesmente
não haverá mais nenhum, abstrato ou como quer que seja;
sempre haverá dinheiro e putas e bêbados
até a última bomba cair,
mas como Deus disse,
cruzando as pernas,
sei muito bem onde coloquei um bocado de poetas
mas não muita
poesia.
poema,
manter-nos abstratos, e há certa razão nisso,
mas jezus;
lá se vão doze poemas e eu não tenho cópias deles em carbono e você está com
minhas
pinturas também, as melhores; é sufocante;
quer me destruir como fez com todos os outros?
por que não leva meu dinheiro? é o que normalmente fazem com
os bêbados desacordados na esquina de quem batem os bolsos das calças.
da próxima vez leve meu braço esquerdo ou cinquenta contos
mas não meus poemas:
eu não sou Shakespeare
mas vai chegar um tempo em que simplesmente
não haverá mais nenhum, abstrato ou como quer que seja;
sempre haverá dinheiro e putas e bêbados
até a última bomba cair,
mas como Deus disse,
cruzando as pernas,
sei muito bem onde coloquei um bocado de poetas
mas não muita
poesia.
1 507
Charles Bukowski
Voltando Para Onde Eu Estava
eu costumava retirar a parte de trás
do telefone e enchê-la com trapos
e quando batiam à porta
eu me fingia de morto e se eles persistissem
mandava-os em termos vulgares para aquele
lugar.
apenas mais um velho maluco
com asas de ouro
uma pança branca e flácida
mais
um par de olhos capaz de nocautear
o sol.
do telefone e enchê-la com trapos
e quando batiam à porta
eu me fingia de morto e se eles persistissem
mandava-os em termos vulgares para aquele
lugar.
apenas mais um velho maluco
com asas de ouro
uma pança branca e flácida
mais
um par de olhos capaz de nocautear
o sol.
1 081
Charles Bukowski
Depois da Leitura:
“...já vi pessoas em frente a
suas máquinas de escrever em tal aperto
que faria com que seus intestinos explodissem
cu afora se estivessem
tentando cagar.”
“ah hahaha hahaha!”
“...é uma vergonha trabalhar assim
tão pesado só para escrever.”
“ah hahaha hahaha!”
“a ambição raramente tem alguma coisa
a ver com o talento. é melhor ter sorte, e
deixar o talento vir manquejando logo
atrás da sorte.”
“a haha.”
ele se levantou e deixou o lugar com uma virgem de 18 anos,
a mais linda estudante entre
todas.
fechei meu bloquinho
me ergui e manquejei
logo atrás dos
dois.
suas máquinas de escrever em tal aperto
que faria com que seus intestinos explodissem
cu afora se estivessem
tentando cagar.”
“ah hahaha hahaha!”
“...é uma vergonha trabalhar assim
tão pesado só para escrever.”
“ah hahaha hahaha!”
“a ambição raramente tem alguma coisa
a ver com o talento. é melhor ter sorte, e
deixar o talento vir manquejando logo
atrás da sorte.”
“a haha.”
ele se levantou e deixou o lugar com uma virgem de 18 anos,
a mais linda estudante entre
todas.
fechei meu bloquinho
me ergui e manquejei
logo atrás dos
dois.
1 100
Charles Bukowski
Cerveja
não sei quantas garrafas de cerveja
consumi esperando que as coisas
melhorassem.
não sei quanto vinho e uísque
e cerveja
principalmente cerveja
consumi depois
de rompimentos com mulheres –
esperando o telefone tocar
esperando o som dos passos,
e o telefone nunca toca
antes que seja tarde demais
e os passos nunca chegam
antes que seja tarde demais.
quando meu estômago já está saindo
pela boca
elas chegam frescas como flores de primavera:
“mas que diabos você está fazendo?
vai levar três dias antes que você possa me comer!”
a mulher é durável
vive sete anos e meio a mais
que o homem, bebe muito pouca cerveja
porque sabe como ela é ruim para a
aparência.
enquanto enlouquecemos
elas saem
dançam e riem
com caubóis cheios de tesão.
bem, há a cerveja
sacos e mais sacos de garrafas vazias de cerveja
e quando você pega uma
as garrafas caem através do fundo úmido
do saco de papel
rolando
tilintando
cuspindo cinza molhada
e cerveja choca,
ou então os sacos caem às 4 horas
da manhã
produzindo o único som em sua vida.
cerveja
rios e mares de cerveja
cerveja cerveja cerveja
o rádio toca canções de amor
enquanto o telefone permanece mudo
e as paredes seguem
paradas e estáticas
e a cerveja é tudo o que há.
consumi esperando que as coisas
melhorassem.
não sei quanto vinho e uísque
e cerveja
principalmente cerveja
consumi depois
de rompimentos com mulheres –
esperando o telefone tocar
esperando o som dos passos,
e o telefone nunca toca
antes que seja tarde demais
e os passos nunca chegam
antes que seja tarde demais.
quando meu estômago já está saindo
pela boca
elas chegam frescas como flores de primavera:
“mas que diabos você está fazendo?
vai levar três dias antes que você possa me comer!”
a mulher é durável
vive sete anos e meio a mais
que o homem, bebe muito pouca cerveja
porque sabe como ela é ruim para a
aparência.
enquanto enlouquecemos
elas saem
dançam e riem
com caubóis cheios de tesão.
bem, há a cerveja
sacos e mais sacos de garrafas vazias de cerveja
e quando você pega uma
as garrafas caem através do fundo úmido
do saco de papel
rolando
tilintando
cuspindo cinza molhada
e cerveja choca,
ou então os sacos caem às 4 horas
da manhã
produzindo o único som em sua vida.
cerveja
rios e mares de cerveja
cerveja cerveja cerveja
o rádio toca canções de amor
enquanto o telefone permanece mudo
e as paredes seguem
paradas e estáticas
e a cerveja é tudo o que há.
1 843
Charles Bukowski
Cerveja
não sei quantas garrafas de cerveja
consumi esperando que as coisas
melhorassem.
não sei quanto vinho e uísque
e cerveja
principalmente cerveja
consumi depois
de rompimentos com mulheres –
esperando o telefone tocar
esperando o som dos passos,
e o telefone nunca toca
antes que seja tarde demais
e os passos nunca chegam
antes que seja tarde demais.
quando meu estômago já está saindo
pela boca
elas chegam frescas como flores de primavera:
“mas que diabos você está fazendo?
vai levar três dias antes que você possa me comer!”
a mulher é durável
vive sete anos e meio a mais
que o homem, bebe muito pouca cerveja
porque sabe como ela é ruim para a
aparência.
enquanto enlouquecemos
elas saem
dançam e riem
com caubóis cheios de tesão.
bem, há a cerveja
sacos e mais sacos de garrafas vazias de cerveja
e quando você pega uma
as garrafas caem através do fundo úmido
do saco de papel
rolando
tilintando
cuspindo cinza molhada
e cerveja choca,
ou então os sacos caem às 4 horas
da manhã
produzindo o único som em sua vida.
cerveja
rios e mares de cerveja
cerveja cerveja cerveja
o rádio toca canções de amor
enquanto o telefone permanece mudo
e as paredes seguem
paradas e estáticas
e a cerveja é tudo o que há.
consumi esperando que as coisas
melhorassem.
não sei quanto vinho e uísque
e cerveja
principalmente cerveja
consumi depois
de rompimentos com mulheres –
esperando o telefone tocar
esperando o som dos passos,
e o telefone nunca toca
antes que seja tarde demais
e os passos nunca chegam
antes que seja tarde demais.
quando meu estômago já está saindo
pela boca
elas chegam frescas como flores de primavera:
“mas que diabos você está fazendo?
vai levar três dias antes que você possa me comer!”
a mulher é durável
vive sete anos e meio a mais
que o homem, bebe muito pouca cerveja
porque sabe como ela é ruim para a
aparência.
enquanto enlouquecemos
elas saem
dançam e riem
com caubóis cheios de tesão.
bem, há a cerveja
sacos e mais sacos de garrafas vazias de cerveja
e quando você pega uma
as garrafas caem através do fundo úmido
do saco de papel
rolando
tilintando
cuspindo cinza molhada
e cerveja choca,
ou então os sacos caem às 4 horas
da manhã
produzindo o único som em sua vida.
cerveja
rios e mares de cerveja
cerveja cerveja cerveja
o rádio toca canções de amor
enquanto o telefone permanece mudo
e as paredes seguem
paradas e estáticas
e a cerveja é tudo o que há.
1 843
Charles Bukowski
O Bom Perdedor
a face vermelha
do Texas
mais a idade
ele está num hipódromo
de L.A.
falando com
um grupo de pessoas.
é o 4º páreo
e ele está pronto pra
partir:
“bem, até mais,
camaradas, que Deus os abençoe,
vejo vocês
amanhã...”
“um cara bacana.”
“é.”
ele segue para o
estacionamento para
entrar num carro de
12 anos
dali ele seguirá
para uma pensão
seu quarto não terá
nem toalete nem
chuveiro
seu quarto terá
uma janela com uma
persiana de papel rasgada
e do lado de fora haverá
uma parede de cimento descascada
grafitada por cortesia
de uma gangue de jovem chicanos
ele tirará os
sapatos e
deitará
estará escuro
mas ele não acenderá
a luz
ele não tem nada
a fazer.
do Texas
mais a idade
ele está num hipódromo
de L.A.
falando com
um grupo de pessoas.
é o 4º páreo
e ele está pronto pra
partir:
“bem, até mais,
camaradas, que Deus os abençoe,
vejo vocês
amanhã...”
“um cara bacana.”
“é.”
ele segue para o
estacionamento para
entrar num carro de
12 anos
dali ele seguirá
para uma pensão
seu quarto não terá
nem toalete nem
chuveiro
seu quarto terá
uma janela com uma
persiana de papel rasgada
e do lado de fora haverá
uma parede de cimento descascada
grafitada por cortesia
de uma gangue de jovem chicanos
ele tirará os
sapatos e
deitará
estará escuro
mas ele não acenderá
a luz
ele não tem nada
a fazer.
1 234
Charles Bukowski
O Bom Perdedor
a face vermelha
do Texas
mais a idade
ele está num hipódromo
de L.A.
falando com
um grupo de pessoas.
é o 4º páreo
e ele está pronto pra
partir:
“bem, até mais,
camaradas, que Deus os abençoe,
vejo vocês
amanhã...”
“um cara bacana.”
“é.”
ele segue para o
estacionamento para
entrar num carro de
12 anos
dali ele seguirá
para uma pensão
seu quarto não terá
nem toalete nem
chuveiro
seu quarto terá
uma janela com uma
persiana de papel rasgada
e do lado de fora haverá
uma parede de cimento descascada
grafitada por cortesia
de uma gangue de jovem chicanos
ele tirará os
sapatos e
deitará
estará escuro
mas ele não acenderá
a luz
ele não tem nada
a fazer.
do Texas
mais a idade
ele está num hipódromo
de L.A.
falando com
um grupo de pessoas.
é o 4º páreo
e ele está pronto pra
partir:
“bem, até mais,
camaradas, que Deus os abençoe,
vejo vocês
amanhã...”
“um cara bacana.”
“é.”
ele segue para o
estacionamento para
entrar num carro de
12 anos
dali ele seguirá
para uma pensão
seu quarto não terá
nem toalete nem
chuveiro
seu quarto terá
uma janela com uma
persiana de papel rasgada
e do lado de fora haverá
uma parede de cimento descascada
grafitada por cortesia
de uma gangue de jovem chicanos
ele tirará os
sapatos e
deitará
estará escuro
mas ele não acenderá
a luz
ele não tem nada
a fazer.
1 234
Charles Bukowski
Sentado Numa Lancheria
minha filha é a maior
das glórias.
comíamos um lanche
para viagem em meu carro
em Santa Mônica.
eu digo, “ei, filha,
minha vida tem sido
boa, tão boa”.
ela me olha.
baixo minha cabeça
contra o volante,
tremo, depois
abro a porta de supetão,
finjo
vomitar.
me endireito.
ela ri
mordendo seu
sanduíche.
pego quatro
batatas fritas
coloco-as em minha boca,
mastigo-as.
são 5h20 da tarde
e os carros passam voando por nós
pra lá e pra cá.
lanço um olhar furtivo:
tivemos toda a sorte de
que precisamos:
seus olhos brilham
enquanto o dia
cai, e ela está
sorrindo.
das glórias.
comíamos um lanche
para viagem em meu carro
em Santa Mônica.
eu digo, “ei, filha,
minha vida tem sido
boa, tão boa”.
ela me olha.
baixo minha cabeça
contra o volante,
tremo, depois
abro a porta de supetão,
finjo
vomitar.
me endireito.
ela ri
mordendo seu
sanduíche.
pego quatro
batatas fritas
coloco-as em minha boca,
mastigo-as.
são 5h20 da tarde
e os carros passam voando por nós
pra lá e pra cá.
lanço um olhar furtivo:
tivemos toda a sorte de
que precisamos:
seus olhos brilham
enquanto o dia
cai, e ela está
sorrindo.
1 301
Charles Bukowski
Sentado Numa Lancheria
minha filha é a maior
das glórias.
comíamos um lanche
para viagem em meu carro
em Santa Mônica.
eu digo, “ei, filha,
minha vida tem sido
boa, tão boa”.
ela me olha.
baixo minha cabeça
contra o volante,
tremo, depois
abro a porta de supetão,
finjo
vomitar.
me endireito.
ela ri
mordendo seu
sanduíche.
pego quatro
batatas fritas
coloco-as em minha boca,
mastigo-as.
são 5h20 da tarde
e os carros passam voando por nós
pra lá e pra cá.
lanço um olhar furtivo:
tivemos toda a sorte de
que precisamos:
seus olhos brilham
enquanto o dia
cai, e ela está
sorrindo.
das glórias.
comíamos um lanche
para viagem em meu carro
em Santa Mônica.
eu digo, “ei, filha,
minha vida tem sido
boa, tão boa”.
ela me olha.
baixo minha cabeça
contra o volante,
tremo, depois
abro a porta de supetão,
finjo
vomitar.
me endireito.
ela ri
mordendo seu
sanduíche.
pego quatro
batatas fritas
coloco-as em minha boca,
mastigo-as.
são 5h20 da tarde
e os carros passam voando por nós
pra lá e pra cá.
lanço um olhar furtivo:
tivemos toda a sorte de
que precisamos:
seus olhos brilham
enquanto o dia
cai, e ela está
sorrindo.
1 301
Charles Bukowski
Medo
ele se aproxima do meu Fusca
depois que já estacionei
e segue pra lá
e pra cá
rindo ao redor de seu
charuto.
“ei, Hank, tenho reparado
nas mulheres que têm frequentado
sua casa ultimamente... só coisa
fina; você está fazendo seu trabalho
direitinho.”
“Sam”, eu digo, “isso não é
verdade; sou um dos homens mais solitários
que Deus pôs neste mundo.”
“temos umas garotas bacanas no
puteiro, você devia experimentar uma
delas.”
“tenho medo desses lugares,
Sam, não posso nem entrar.”
“eu lhe mando uma garota então,
artigo de luxo.”
“Sam, não me mande uma puta,
eu sempre me apaixono por
elas.”
“certo, amigo”, ele diz,
“me avise se mudar
de ideia.”
eu o vejo se afastar.
alguns homens estão sempre
no controle do seu jogo.
para mim, a maior parte do tempo
é confusão.
ele pode partir um homem
ao meio
e não sabe quem é
Mozart.
de todo modo
quem quer ouvir
música
numa noite chuvosa de
quarta-feira?
depois que já estacionei
e segue pra lá
e pra cá
rindo ao redor de seu
charuto.
“ei, Hank, tenho reparado
nas mulheres que têm frequentado
sua casa ultimamente... só coisa
fina; você está fazendo seu trabalho
direitinho.”
“Sam”, eu digo, “isso não é
verdade; sou um dos homens mais solitários
que Deus pôs neste mundo.”
“temos umas garotas bacanas no
puteiro, você devia experimentar uma
delas.”
“tenho medo desses lugares,
Sam, não posso nem entrar.”
“eu lhe mando uma garota então,
artigo de luxo.”
“Sam, não me mande uma puta,
eu sempre me apaixono por
elas.”
“certo, amigo”, ele diz,
“me avise se mudar
de ideia.”
eu o vejo se afastar.
alguns homens estão sempre
no controle do seu jogo.
para mim, a maior parte do tempo
é confusão.
ele pode partir um homem
ao meio
e não sabe quem é
Mozart.
de todo modo
quem quer ouvir
música
numa noite chuvosa de
quarta-feira?
744
Charles Bukowski
Um Poema de 56 Anos
segui com duas damas
até Venice
para dar uma olhada nuns móveis antigos.
estacionei no fundo da loja
e entrei com elas.
US$ 125 por um relógio, US$ 700 por 6 cadeiras.
parei de olhar.
as damas circulavam
olhando tudo.
tinham classe.
me despedi de uma delas
e dei o fora.
era domingo e o bar
não estava muito melhor,
todos nervosos e jovens
e loiros e pálidos.
terminei minha bebida, peguei 4 cervejas
na loja de conveniências
e sentei em meu carro para bebê-las.
ao terminar a 4ª cerveja
as damas apareceram.
perguntaram-me se eu estava bem.
eu lhes disse que toda experiência
era válida
e que elas me haviam tirado de
meu habitualmente negro estado de
espírito.
a que eu conhecia melhor havia comprado uma mesa
com tampo de mármore por US$ 100.
ela possuía seu próprio negócio e era uma
pessoa civilizada.
civilizada o suficiente para conhecer um vizinho
que tinha uma van
e enquanto eu estava acomodado em seu apartamento
[bebendo
um Zeller Schwarze Katz 1974
eles foram apanhar a mesa.
mais tarde ela quis saber a minha opinião sobre
a mesa e eu disse que me parecia bacana,
às vezes eu perdia cem pratas nos
cavalinhos. assistimos tevê na cama e mais tarde
naquela noite eu não consegui gozar. pensei que era
porque não conseguia deixar de pensar na mesa de
[mármore.
tinha certeza de que era isso. eu não possuía nenhuma
[antiguidade
em mármore na minha casa, quase nunca tive problemas
[sexuais na
minha casa. algumas vezes, mas
muito raramente.
não consigo entender toda essa função de
antiguidades
tenho certeza de que é uma gigantesca
vigarice.
até Venice
para dar uma olhada nuns móveis antigos.
estacionei no fundo da loja
e entrei com elas.
US$ 125 por um relógio, US$ 700 por 6 cadeiras.
parei de olhar.
as damas circulavam
olhando tudo.
tinham classe.
me despedi de uma delas
e dei o fora.
era domingo e o bar
não estava muito melhor,
todos nervosos e jovens
e loiros e pálidos.
terminei minha bebida, peguei 4 cervejas
na loja de conveniências
e sentei em meu carro para bebê-las.
ao terminar a 4ª cerveja
as damas apareceram.
perguntaram-me se eu estava bem.
eu lhes disse que toda experiência
era válida
e que elas me haviam tirado de
meu habitualmente negro estado de
espírito.
a que eu conhecia melhor havia comprado uma mesa
com tampo de mármore por US$ 100.
ela possuía seu próprio negócio e era uma
pessoa civilizada.
civilizada o suficiente para conhecer um vizinho
que tinha uma van
e enquanto eu estava acomodado em seu apartamento
[bebendo
um Zeller Schwarze Katz 1974
eles foram apanhar a mesa.
mais tarde ela quis saber a minha opinião sobre
a mesa e eu disse que me parecia bacana,
às vezes eu perdia cem pratas nos
cavalinhos. assistimos tevê na cama e mais tarde
naquela noite eu não consegui gozar. pensei que era
porque não conseguia deixar de pensar na mesa de
[mármore.
tinha certeza de que era isso. eu não possuía nenhuma
[antiguidade
em mármore na minha casa, quase nunca tive problemas
[sexuais na
minha casa. algumas vezes, mas
muito raramente.
não consigo entender toda essa função de
antiguidades
tenho certeza de que é uma gigantesca
vigarice.
1 152
Charles Bukowski
Um Poema de 56 Anos
segui com duas damas
até Venice
para dar uma olhada nuns móveis antigos.
estacionei no fundo da loja
e entrei com elas.
US$ 125 por um relógio, US$ 700 por 6 cadeiras.
parei de olhar.
as damas circulavam
olhando tudo.
tinham classe.
me despedi de uma delas
e dei o fora.
era domingo e o bar
não estava muito melhor,
todos nervosos e jovens
e loiros e pálidos.
terminei minha bebida, peguei 4 cervejas
na loja de conveniências
e sentei em meu carro para bebê-las.
ao terminar a 4ª cerveja
as damas apareceram.
perguntaram-me se eu estava bem.
eu lhes disse que toda experiência
era válida
e que elas me haviam tirado de
meu habitualmente negro estado de
espírito.
a que eu conhecia melhor havia comprado uma mesa
com tampo de mármore por US$ 100.
ela possuía seu próprio negócio e era uma
pessoa civilizada.
civilizada o suficiente para conhecer um vizinho
que tinha uma van
e enquanto eu estava acomodado em seu apartamento
[bebendo
um Zeller Schwarze Katz 1974
eles foram apanhar a mesa.
mais tarde ela quis saber a minha opinião sobre
a mesa e eu disse que me parecia bacana,
às vezes eu perdia cem pratas nos
cavalinhos. assistimos tevê na cama e mais tarde
naquela noite eu não consegui gozar. pensei que era
porque não conseguia deixar de pensar na mesa de
[mármore.
tinha certeza de que era isso. eu não possuía nenhuma
[antiguidade
em mármore na minha casa, quase nunca tive problemas
[sexuais na
minha casa. algumas vezes, mas
muito raramente.
não consigo entender toda essa função de
antiguidades
tenho certeza de que é uma gigantesca
vigarice.
até Venice
para dar uma olhada nuns móveis antigos.
estacionei no fundo da loja
e entrei com elas.
US$ 125 por um relógio, US$ 700 por 6 cadeiras.
parei de olhar.
as damas circulavam
olhando tudo.
tinham classe.
me despedi de uma delas
e dei o fora.
era domingo e o bar
não estava muito melhor,
todos nervosos e jovens
e loiros e pálidos.
terminei minha bebida, peguei 4 cervejas
na loja de conveniências
e sentei em meu carro para bebê-las.
ao terminar a 4ª cerveja
as damas apareceram.
perguntaram-me se eu estava bem.
eu lhes disse que toda experiência
era válida
e que elas me haviam tirado de
meu habitualmente negro estado de
espírito.
a que eu conhecia melhor havia comprado uma mesa
com tampo de mármore por US$ 100.
ela possuía seu próprio negócio e era uma
pessoa civilizada.
civilizada o suficiente para conhecer um vizinho
que tinha uma van
e enquanto eu estava acomodado em seu apartamento
[bebendo
um Zeller Schwarze Katz 1974
eles foram apanhar a mesa.
mais tarde ela quis saber a minha opinião sobre
a mesa e eu disse que me parecia bacana,
às vezes eu perdia cem pratas nos
cavalinhos. assistimos tevê na cama e mais tarde
naquela noite eu não consegui gozar. pensei que era
porque não conseguia deixar de pensar na mesa de
[mármore.
tinha certeza de que era isso. eu não possuía nenhuma
[antiguidade
em mármore na minha casa, quase nunca tive problemas
[sexuais na
minha casa. algumas vezes, mas
muito raramente.
não consigo entender toda essa função de
antiguidades
tenho certeza de que é uma gigantesca
vigarice.
1 152
Charles Bukowski
Uma Mudança de Hábito
Shirley chegou à cidade com uma perna quebrada
e conheceu o chicano que fumava
longos charutos slim
e eles foram morar juntos
na Beacon Street
5º andar;
a perna não atrapalhava
muito e
eles assistiam televisão juntos
e Shirley cozinhava, de
muletas e tudo;
havia um gato, Bogey,
e eles tinham alguns amigos
e falavam sobre esportes e Richard Nixon
e de como era difícil tocar
as coisas.
funcionou por alguns meses,
Shirley se livrou até do gesso,
e o chicano, Manuel,
conseguiu um emprego no Biltmore,
Shirley costurava todos os botões caídos
das camisas de Manuel, remendava e emparelhava as meias
dele, então
um dia Manuel retornou para casa, e
ela havia sumido –
sem discussão, sem bilhete, apenas
sumira, levando todas as roupas
e pertences, e
Manuel sentou-se junto à janela e olhou para a rua
e não foi ao trabalho
na manhã seguinte nem
na outra e nem
na outra,
sequer ligou para avisar,
perdeu o emprego,
recebeu uma multa por estacionamento proibido, fumou
quatrocentos e sessenta cigarros, foi
preso por embriaguez, saiu por
fiança, foi
a julgamento e se confessou
culpado.
quando o aluguel venceu ele
se mudou da Beacon Street,
deixou o gato e foi viver com
seu irmão e
os dois enchiam a cara
todas as noites
e falavam sobre o quão
terrível
era a vida.
Manuel jamais voltou a fumar
aqueles longos charutos slim
porque Shirley sempre dizia
como
ele ficava bonito
com eles na boca.
e conheceu o chicano que fumava
longos charutos slim
e eles foram morar juntos
na Beacon Street
5º andar;
a perna não atrapalhava
muito e
eles assistiam televisão juntos
e Shirley cozinhava, de
muletas e tudo;
havia um gato, Bogey,
e eles tinham alguns amigos
e falavam sobre esportes e Richard Nixon
e de como era difícil tocar
as coisas.
funcionou por alguns meses,
Shirley se livrou até do gesso,
e o chicano, Manuel,
conseguiu um emprego no Biltmore,
Shirley costurava todos os botões caídos
das camisas de Manuel, remendava e emparelhava as meias
dele, então
um dia Manuel retornou para casa, e
ela havia sumido –
sem discussão, sem bilhete, apenas
sumira, levando todas as roupas
e pertences, e
Manuel sentou-se junto à janela e olhou para a rua
e não foi ao trabalho
na manhã seguinte nem
na outra e nem
na outra,
sequer ligou para avisar,
perdeu o emprego,
recebeu uma multa por estacionamento proibido, fumou
quatrocentos e sessenta cigarros, foi
preso por embriaguez, saiu por
fiança, foi
a julgamento e se confessou
culpado.
quando o aluguel venceu ele
se mudou da Beacon Street,
deixou o gato e foi viver com
seu irmão e
os dois enchiam a cara
todas as noites
e falavam sobre o quão
terrível
era a vida.
Manuel jamais voltou a fumar
aqueles longos charutos slim
porque Shirley sempre dizia
como
ele ficava bonito
com eles na boca.
860
Charles Bukowski
A Garota No Banco da Parada de Ônibus
eu a vi quando eu estava na pista da esquerda
indo a leste pela Sunset.
ela estava sentada
as pernas cruzadas
lendo um livro de bolso.
era italiana ou indiana ou
grega
e enquanto eu estava parado no sinal vermelho
vez ou outra um vento
erguia sua saia,
eu tinha a visão desimpedida,
revelando
pernas da mais imaculada perfeição
que eu jamais vira.
sou essencialmente tímido
mas olhei e fiquei olhando
até que uma pessoa no carro atrás de mim
começou a buzinar.
isso nunca tinha acontecido dessa
maneira.
dei a volta na quadra
e estacionei numa vaga do
supermercado
bem em frente ao lugar em que ela estava
de óculos escuros
eu não deixava de olhar
como um colegial em sua primeira
excitação.
memorizei seus sapatos
seu vestido
suas meias
seu rosto.
os carros passavam e me bloqueavam
a visão.
então eu a via novamente.
o vento erguia sua saia
para muito além das coxas
e comecei a me tocar.
um pouco antes do ônibus dela aparecer
cheguei ao orgasmo.
senti o cheiro do meu esperma
sua umidade em meu calção
e cueca.
era um ônibus branco e feio
e a levou embora.
dei a ré no estacionamento
pensando, eu sou um voyeur pervertido
mas ao menos não me
expus.
sou um voyeur pervertido
mas por que elas fazem isso?
por que têm essa aparência?
por que deixam o vento soprar
assim?
ao chegar em casa
tirei a roupa e fui para o banho
saí enrolado na
toalha
liguei
as notícias
apaguei as notícias
e
escrevi este poema.
indo a leste pela Sunset.
ela estava sentada
as pernas cruzadas
lendo um livro de bolso.
era italiana ou indiana ou
grega
e enquanto eu estava parado no sinal vermelho
vez ou outra um vento
erguia sua saia,
eu tinha a visão desimpedida,
revelando
pernas da mais imaculada perfeição
que eu jamais vira.
sou essencialmente tímido
mas olhei e fiquei olhando
até que uma pessoa no carro atrás de mim
começou a buzinar.
isso nunca tinha acontecido dessa
maneira.
dei a volta na quadra
e estacionei numa vaga do
supermercado
bem em frente ao lugar em que ela estava
de óculos escuros
eu não deixava de olhar
como um colegial em sua primeira
excitação.
memorizei seus sapatos
seu vestido
suas meias
seu rosto.
os carros passavam e me bloqueavam
a visão.
então eu a via novamente.
o vento erguia sua saia
para muito além das coxas
e comecei a me tocar.
um pouco antes do ônibus dela aparecer
cheguei ao orgasmo.
senti o cheiro do meu esperma
sua umidade em meu calção
e cueca.
era um ônibus branco e feio
e a levou embora.
dei a ré no estacionamento
pensando, eu sou um voyeur pervertido
mas ao menos não me
expus.
sou um voyeur pervertido
mas por que elas fazem isso?
por que têm essa aparência?
por que deixam o vento soprar
assim?
ao chegar em casa
tirei a roupa e fui para o banho
saí enrolado na
toalha
liguei
as notícias
apaguei as notícias
e
escrevi este poema.
1 200
Charles Bukowski
Numa Vizinhança de Assassinos
as baratas cospem
clipes de papel
e o helicóptero descreve círculos e mais círculos
em busca de sangue
luzes de busca deslizando furtivas por nosso
quarto
5 caras nesta área têm pistolas
outro um
facão
somos todos assassinos e
alcoólatras
mas a coisa é ainda pior no hotel
do outro lado da rua
eles ficam sentados na entrada verde e branca
banais e depravados
esperando para serem institucionalizados
aqui cada um de nós tem um pequeno vaso
na janela
e quando brigamos com nossas mulheres às 3 da manhã
falamos
baixinho
e em cada uma das varandas
há um pequeno prato de comida
sempre esvaziado pela manhã
presumimos
pelos
gatos.
clipes de papel
e o helicóptero descreve círculos e mais círculos
em busca de sangue
luzes de busca deslizando furtivas por nosso
quarto
5 caras nesta área têm pistolas
outro um
facão
somos todos assassinos e
alcoólatras
mas a coisa é ainda pior no hotel
do outro lado da rua
eles ficam sentados na entrada verde e branca
banais e depravados
esperando para serem institucionalizados
aqui cada um de nós tem um pequeno vaso
na janela
e quando brigamos com nossas mulheres às 3 da manhã
falamos
baixinho
e em cada uma das varandas
há um pequeno prato de comida
sempre esvaziado pela manhã
presumimos
pelos
gatos.
1 154
Charles Bukowski
A Noite Mais Estranha Que de Fato Você Já Viu...
eu tinha esse quarto da frente na DeLongpre
e costumava me sentar por horas
durante o dia
olhando pela janela
da frente.
havia um número incontável de garotas que
passavam
rebolando;
aquilo salvava minhas tardes,
acrescentava algo à cerveja e aos
cigarros.
certo dia eu vi alguma coisa
a mais.
escutei primeiro o som.
“vamos lá, empurrem!”, ele disse.
era uma enorme tábua
com 1 metro de largura por
20 de comprimento;
com rodinhas atarraxadas às extremidades
e ao meio.
ele puxava pela frente
usando duas longas cordas presas à tábua
e ela ia atrás
controlando a direção e também empurrando.
todos os seus bens estavam atados àquela
tábua:
potes, panelas, colchas e tudo o mais
amarrado à tábua
bem preso;
e as rodinhas rangiam.
ele era branco, um colono, um
sulista –
magro, curvo, as calças a ponto
de cair e revelar
seu rabo –
o rosto rosado pelo sol e
vinho barato,
e ela negra
caminhando aprumada
empurrando;
ela era simplesmente maravilhosa
de turbante
grandes brincos verdes
um vestido amarelo
que ia
do pescoço ao
tornozelo.
seu rosto estava gloriosamente
indiferente.
“não se preocupe!” ele gritou, voltando-se para
ela, “alguém vai
nos alugar um quarto!”
ela não respondeu.
então eles desapareceram
embora eu ainda ouvisse
as rodinhas.
eles iriam conseguir,
pensei.
tenho certeza que
sim.
e costumava me sentar por horas
durante o dia
olhando pela janela
da frente.
havia um número incontável de garotas que
passavam
rebolando;
aquilo salvava minhas tardes,
acrescentava algo à cerveja e aos
cigarros.
certo dia eu vi alguma coisa
a mais.
escutei primeiro o som.
“vamos lá, empurrem!”, ele disse.
era uma enorme tábua
com 1 metro de largura por
20 de comprimento;
com rodinhas atarraxadas às extremidades
e ao meio.
ele puxava pela frente
usando duas longas cordas presas à tábua
e ela ia atrás
controlando a direção e também empurrando.
todos os seus bens estavam atados àquela
tábua:
potes, panelas, colchas e tudo o mais
amarrado à tábua
bem preso;
e as rodinhas rangiam.
ele era branco, um colono, um
sulista –
magro, curvo, as calças a ponto
de cair e revelar
seu rabo –
o rosto rosado pelo sol e
vinho barato,
e ela negra
caminhando aprumada
empurrando;
ela era simplesmente maravilhosa
de turbante
grandes brincos verdes
um vestido amarelo
que ia
do pescoço ao
tornozelo.
seu rosto estava gloriosamente
indiferente.
“não se preocupe!” ele gritou, voltando-se para
ela, “alguém vai
nos alugar um quarto!”
ela não respondeu.
então eles desapareceram
embora eu ainda ouvisse
as rodinhas.
eles iriam conseguir,
pensei.
tenho certeza que
sim.
1 133
Charles Bukowski
Garotas Voltando Para Casa
as garotas voltam para casa em seus carros
e eu me sento à janela e
assisto.
há uma garota num vestido vermelho
dirigindo um carro branco
há uma garota num vestido azul
dirigindo um carro azul
há uma garota num vestido rosa
dirigindo um carro vermelho.
quando a garota no vestido vermelho
desce do carro branco
eu olho para suas pernas
quando a garota no vestido azul
desce do carro azul
eu olho para suas pernas
quando a garota no vestido rosa
desce do carro vermelho
eu olho para suas pernas.
a garota no vestido vermelho
que desceu do carro branco
tinha as melhores pernas
a garota no vestido rosa
que desceu do carro vermelho
tinha pernas razoáveis
mas sigo lembrando da garota no vestido azul
que desceu do carro azul
vi suas calcinhas
você não sabe o quão excitante a vida pode ser
por volta
das 5h25 da tarde.
e eu me sento à janela e
assisto.
há uma garota num vestido vermelho
dirigindo um carro branco
há uma garota num vestido azul
dirigindo um carro azul
há uma garota num vestido rosa
dirigindo um carro vermelho.
quando a garota no vestido vermelho
desce do carro branco
eu olho para suas pernas
quando a garota no vestido azul
desce do carro azul
eu olho para suas pernas
quando a garota no vestido rosa
desce do carro vermelho
eu olho para suas pernas.
a garota no vestido vermelho
que desceu do carro branco
tinha as melhores pernas
a garota no vestido rosa
que desceu do carro vermelho
tinha pernas razoáveis
mas sigo lembrando da garota no vestido azul
que desceu do carro azul
vi suas calcinhas
você não sabe o quão excitante a vida pode ser
por volta
das 5h25 da tarde.
1 196
Charles Bukowski
Garotas Voltando Para Casa
as garotas voltam para casa em seus carros
e eu me sento à janela e
assisto.
há uma garota num vestido vermelho
dirigindo um carro branco
há uma garota num vestido azul
dirigindo um carro azul
há uma garota num vestido rosa
dirigindo um carro vermelho.
quando a garota no vestido vermelho
desce do carro branco
eu olho para suas pernas
quando a garota no vestido azul
desce do carro azul
eu olho para suas pernas
quando a garota no vestido rosa
desce do carro vermelho
eu olho para suas pernas.
a garota no vestido vermelho
que desceu do carro branco
tinha as melhores pernas
a garota no vestido rosa
que desceu do carro vermelho
tinha pernas razoáveis
mas sigo lembrando da garota no vestido azul
que desceu do carro azul
vi suas calcinhas
você não sabe o quão excitante a vida pode ser
por volta
das 5h25 da tarde.
e eu me sento à janela e
assisto.
há uma garota num vestido vermelho
dirigindo um carro branco
há uma garota num vestido azul
dirigindo um carro azul
há uma garota num vestido rosa
dirigindo um carro vermelho.
quando a garota no vestido vermelho
desce do carro branco
eu olho para suas pernas
quando a garota no vestido azul
desce do carro azul
eu olho para suas pernas
quando a garota no vestido rosa
desce do carro vermelho
eu olho para suas pernas.
a garota no vestido vermelho
que desceu do carro branco
tinha as melhores pernas
a garota no vestido rosa
que desceu do carro vermelho
tinha pernas razoáveis
mas sigo lembrando da garota no vestido azul
que desceu do carro azul
vi suas calcinhas
você não sabe o quão excitante a vida pode ser
por volta
das 5h25 da tarde.
1 196
Charles Bukowski
As Garotas do Hotel Verde
são mais bonitas
que estrelas de cinema
e elas se espreguiçam no
gramado
tomando banho de sol
e uma está sentada com um vestido
curto e saltos
altos, as pernas cruzadas
expondo coxas
miraculosas.
ela usa uma bandana
na cabeça
e fuma um
cigarro comprido.
o tráfego fica lento
quase para.
as garotas ignoram
o tráfego.
estão pachorrentas
no meio da tarde
são putas
são putas sem
alma
e são mágicas
pois mentem
a troco de nada.
entro no meu carro
espero o tráfego
liberar,
cruzo a rua
em direção ao hotel verde
à minha favorita:
ela
se bronzeia no
gramado próxima ao
meio-fio.
“olá”, eu digo.
ela me volta seus
olhos de falsos
diamantes.
seu rosto não tem
expressão.
lanço meu mais recente
livro de poemas
pela janela do
carro.
ele cai
ao lado dela.
engato a
primeira,
me afasto.
haverá algumas
risadas
esta noite.
que estrelas de cinema
e elas se espreguiçam no
gramado
tomando banho de sol
e uma está sentada com um vestido
curto e saltos
altos, as pernas cruzadas
expondo coxas
miraculosas.
ela usa uma bandana
na cabeça
e fuma um
cigarro comprido.
o tráfego fica lento
quase para.
as garotas ignoram
o tráfego.
estão pachorrentas
no meio da tarde
são putas
são putas sem
alma
e são mágicas
pois mentem
a troco de nada.
entro no meu carro
espero o tráfego
liberar,
cruzo a rua
em direção ao hotel verde
à minha favorita:
ela
se bronzeia no
gramado próxima ao
meio-fio.
“olá”, eu digo.
ela me volta seus
olhos de falsos
diamantes.
seu rosto não tem
expressão.
lanço meu mais recente
livro de poemas
pela janela do
carro.
ele cai
ao lado dela.
engato a
primeira,
me afasto.
haverá algumas
risadas
esta noite.
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