Poemas neste tema
Emoções e Sentimentos
Charles Bukowski
Para Marilyn M.
deslizando intensamente sobre luminosas cinzas,
alvo de lágrimas de baunilha
seu corpo certeiro acende velas para os homens
em noites escuras,
e agora sua noite é mais escura
do que podem as velas
e nós vamos esquecer você, de alguma maneira,
e isso não é justo
mas os corpos reais estão mais perto
e enquanto os vermes resfolegam por seus ossos,
de modo que eu gostaria de lhe dizer
que isso acontece a ursos e a elefantes
a tiranos e a heróis e a formigas
e aos sapos,
ainda assim, você nos trouxe alguma coisa
um tipo de pequena vitória,
e para isso eu digo: bom
e deixe que larguemos mão do pesar;
como uma flor seca e jogada fora,
esquecemos, relembramos,
esperamos. criança, criança, criança,
ergo minha bebida um minuto inteiro
e sorrio.
alvo de lágrimas de baunilha
seu corpo certeiro acende velas para os homens
em noites escuras,
e agora sua noite é mais escura
do que podem as velas
e nós vamos esquecer você, de alguma maneira,
e isso não é justo
mas os corpos reais estão mais perto
e enquanto os vermes resfolegam por seus ossos,
de modo que eu gostaria de lhe dizer
que isso acontece a ursos e a elefantes
a tiranos e a heróis e a formigas
e aos sapos,
ainda assim, você nos trouxe alguma coisa
um tipo de pequena vitória,
e para isso eu digo: bom
e deixe que larguemos mão do pesar;
como uma flor seca e jogada fora,
esquecemos, relembramos,
esperamos. criança, criança, criança,
ergo minha bebida um minuto inteiro
e sorrio.
1 141
Charles Bukowski
Ameixas Geladas
comendo ameixas geladas na cama
ela me contou sobre o alemão
que era dono de toda quadra
exceto da loja de tecidos
e de como ele tentou comprar
a loja de tecidos
mas as garotas disseram, não.
o alemão tinha a melhor mercearia em
Pasadena, suas carnes eram caras
mas valiam o preço
e suas frutas e verduras eram
muito baratas e
ele também vendia flores. as pessoas vinham
de toda Pasadena para ir à sua
loja
mas ele queria comprar a loja de tecidos
e as garotas seguiam dizendo, não.
certa noite alguém foi visto saindo
a correr pela porta dos fundos da loja de tecidos
e então o fogo se ergueu
e quase tudo foi destruído –
elas fizeram um tremendo inventário
tentaram salvar tudo o que tinha sobrado
fizeram uma liquidação de incêndio
mas não funcionou
elas tiveram que vender, por fim,
e então o alemão comprou a loja de tecido
mas a deixou lá, vazia,
a esposa do alemão tentou reerguer o negócio
tentou vender pequenas cestas e outras quinquilharias
mas não funcionou.
terminamos as ameixas.
“é uma história triste”, eu lhe disse.
então ela se inclinou e começou a me chupar.
as janelas estavam abertas e meus gritos
podiam ser ouvidos por toda vizinhança
às 5h20 de um fim de tarde.
ela me contou sobre o alemão
que era dono de toda quadra
exceto da loja de tecidos
e de como ele tentou comprar
a loja de tecidos
mas as garotas disseram, não.
o alemão tinha a melhor mercearia em
Pasadena, suas carnes eram caras
mas valiam o preço
e suas frutas e verduras eram
muito baratas e
ele também vendia flores. as pessoas vinham
de toda Pasadena para ir à sua
loja
mas ele queria comprar a loja de tecidos
e as garotas seguiam dizendo, não.
certa noite alguém foi visto saindo
a correr pela porta dos fundos da loja de tecidos
e então o fogo se ergueu
e quase tudo foi destruído –
elas fizeram um tremendo inventário
tentaram salvar tudo o que tinha sobrado
fizeram uma liquidação de incêndio
mas não funcionou
elas tiveram que vender, por fim,
e então o alemão comprou a loja de tecido
mas a deixou lá, vazia,
a esposa do alemão tentou reerguer o negócio
tentou vender pequenas cestas e outras quinquilharias
mas não funcionou.
terminamos as ameixas.
“é uma história triste”, eu lhe disse.
então ela se inclinou e começou a me chupar.
as janelas estavam abertas e meus gritos
podiam ser ouvidos por toda vizinhança
às 5h20 de um fim de tarde.
711
Charles Bukowski
Artista
de súbito me torno um pintor.
uma garota de Galveston me dá
US$ 50 por um quadro de um homem
segurando uma bengala doce enquanto
flutua por um céu escuro.
então um jovem com uma barba negra
aparece
e eu lhe vendo três por US$ 80.
ele gosta de telas grosseiras
nas quais escrevo coisas como –
“cague” ou “GRANDE ARTE É
BOSTA DE CAVALO, COMPRE TACOS”.
posso fazer um quadro em 5 minutos.
uso tinta acrílica, direto do
tubo.
pinto o lado esquerdo do quadro
primeiro com minha mão esquerda e depois
termino o lado direito com minha
mão direita.
agora o jovem barbudo
retorna com um amigo com um cabelo
todo espetado e eles trazem uma loirinha
com eles.
o barba negra continua sendo o mesmo otário:
vendo-lhe um punhado de merda –
um cachorro laranja com a palavra
“CACHORRO” escrita ao seu lado.
o cabelos espetados quer 3 quadros
pelos quais peço US$ 70.
ele não tem a grana.
fico com as telas mas
ele promete me mandar uma
garota chamada Judy
de cinta-liga e saltos altos.
ele já lhe contou sobre mim:
“um escritor de fama internacional”, ele disse
e ela respondeu, “oh, não!” e puxou
seu vestido sobre sua cabeça.
“eu quero isso”, eu lhe disse.
depois discutimos as condições
eu queria comê-la primeiro
e depois receber um boquete.
“que tal o boquete primeiro e
depois a foda?”, ele perguntou.
“isso não funciona”, eu
disse.
então chegamos a um acordo:
Judy viria até aqui e
depois
eu alcançaria a ela as
3 pinturas.
e assim estamos:
de volta ao escambo
o único modo de vencer a
inflação.
apesar disso
gostaria de
iniciar aqui o Movimento pela Libertação Masculina:
quero uma mulher que me dê 3 de
suas pinturas após fazer
amor comigo,
e se ela não souber pintar
pode me deixar
um par de brincos de ouro
ou talvez um pedaço de orelha
em homenagem àquele que
era capaz.
uma garota de Galveston me dá
US$ 50 por um quadro de um homem
segurando uma bengala doce enquanto
flutua por um céu escuro.
então um jovem com uma barba negra
aparece
e eu lhe vendo três por US$ 80.
ele gosta de telas grosseiras
nas quais escrevo coisas como –
“cague” ou “GRANDE ARTE É
BOSTA DE CAVALO, COMPRE TACOS”.
posso fazer um quadro em 5 minutos.
uso tinta acrílica, direto do
tubo.
pinto o lado esquerdo do quadro
primeiro com minha mão esquerda e depois
termino o lado direito com minha
mão direita.
agora o jovem barbudo
retorna com um amigo com um cabelo
todo espetado e eles trazem uma loirinha
com eles.
o barba negra continua sendo o mesmo otário:
vendo-lhe um punhado de merda –
um cachorro laranja com a palavra
“CACHORRO” escrita ao seu lado.
o cabelos espetados quer 3 quadros
pelos quais peço US$ 70.
ele não tem a grana.
fico com as telas mas
ele promete me mandar uma
garota chamada Judy
de cinta-liga e saltos altos.
ele já lhe contou sobre mim:
“um escritor de fama internacional”, ele disse
e ela respondeu, “oh, não!” e puxou
seu vestido sobre sua cabeça.
“eu quero isso”, eu lhe disse.
depois discutimos as condições
eu queria comê-la primeiro
e depois receber um boquete.
“que tal o boquete primeiro e
depois a foda?”, ele perguntou.
“isso não funciona”, eu
disse.
então chegamos a um acordo:
Judy viria até aqui e
depois
eu alcançaria a ela as
3 pinturas.
e assim estamos:
de volta ao escambo
o único modo de vencer a
inflação.
apesar disso
gostaria de
iniciar aqui o Movimento pela Libertação Masculina:
quero uma mulher que me dê 3 de
suas pinturas após fazer
amor comigo,
e se ela não souber pintar
pode me deixar
um par de brincos de ouro
ou talvez um pedaço de orelha
em homenagem àquele que
era capaz.
1 284
Charles Bukowski
Artista
de súbito me torno um pintor.
uma garota de Galveston me dá
US$ 50 por um quadro de um homem
segurando uma bengala doce enquanto
flutua por um céu escuro.
então um jovem com uma barba negra
aparece
e eu lhe vendo três por US$ 80.
ele gosta de telas grosseiras
nas quais escrevo coisas como –
“cague” ou “GRANDE ARTE É
BOSTA DE CAVALO, COMPRE TACOS”.
posso fazer um quadro em 5 minutos.
uso tinta acrílica, direto do
tubo.
pinto o lado esquerdo do quadro
primeiro com minha mão esquerda e depois
termino o lado direito com minha
mão direita.
agora o jovem barbudo
retorna com um amigo com um cabelo
todo espetado e eles trazem uma loirinha
com eles.
o barba negra continua sendo o mesmo otário:
vendo-lhe um punhado de merda –
um cachorro laranja com a palavra
“CACHORRO” escrita ao seu lado.
o cabelos espetados quer 3 quadros
pelos quais peço US$ 70.
ele não tem a grana.
fico com as telas mas
ele promete me mandar uma
garota chamada Judy
de cinta-liga e saltos altos.
ele já lhe contou sobre mim:
“um escritor de fama internacional”, ele disse
e ela respondeu, “oh, não!” e puxou
seu vestido sobre sua cabeça.
“eu quero isso”, eu lhe disse.
depois discutimos as condições
eu queria comê-la primeiro
e depois receber um boquete.
“que tal o boquete primeiro e
depois a foda?”, ele perguntou.
“isso não funciona”, eu
disse.
então chegamos a um acordo:
Judy viria até aqui e
depois
eu alcançaria a ela as
3 pinturas.
e assim estamos:
de volta ao escambo
o único modo de vencer a
inflação.
apesar disso
gostaria de
iniciar aqui o Movimento pela Libertação Masculina:
quero uma mulher que me dê 3 de
suas pinturas após fazer
amor comigo,
e se ela não souber pintar
pode me deixar
um par de brincos de ouro
ou talvez um pedaço de orelha
em homenagem àquele que
era capaz.
uma garota de Galveston me dá
US$ 50 por um quadro de um homem
segurando uma bengala doce enquanto
flutua por um céu escuro.
então um jovem com uma barba negra
aparece
e eu lhe vendo três por US$ 80.
ele gosta de telas grosseiras
nas quais escrevo coisas como –
“cague” ou “GRANDE ARTE É
BOSTA DE CAVALO, COMPRE TACOS”.
posso fazer um quadro em 5 minutos.
uso tinta acrílica, direto do
tubo.
pinto o lado esquerdo do quadro
primeiro com minha mão esquerda e depois
termino o lado direito com minha
mão direita.
agora o jovem barbudo
retorna com um amigo com um cabelo
todo espetado e eles trazem uma loirinha
com eles.
o barba negra continua sendo o mesmo otário:
vendo-lhe um punhado de merda –
um cachorro laranja com a palavra
“CACHORRO” escrita ao seu lado.
o cabelos espetados quer 3 quadros
pelos quais peço US$ 70.
ele não tem a grana.
fico com as telas mas
ele promete me mandar uma
garota chamada Judy
de cinta-liga e saltos altos.
ele já lhe contou sobre mim:
“um escritor de fama internacional”, ele disse
e ela respondeu, “oh, não!” e puxou
seu vestido sobre sua cabeça.
“eu quero isso”, eu lhe disse.
depois discutimos as condições
eu queria comê-la primeiro
e depois receber um boquete.
“que tal o boquete primeiro e
depois a foda?”, ele perguntou.
“isso não funciona”, eu
disse.
então chegamos a um acordo:
Judy viria até aqui e
depois
eu alcançaria a ela as
3 pinturas.
e assim estamos:
de volta ao escambo
o único modo de vencer a
inflação.
apesar disso
gostaria de
iniciar aqui o Movimento pela Libertação Masculina:
quero uma mulher que me dê 3 de
suas pinturas após fazer
amor comigo,
e se ela não souber pintar
pode me deixar
um par de brincos de ouro
ou talvez um pedaço de orelha
em homenagem àquele que
era capaz.
1 284
Charles Bukowski
Loucura
não bato com meus punhos nas paredes
apenas sento
mas a loucura entra de assalto
uma maré de loucura.
a mulher do quintal dos fundos urra,
chora todas as noites.
às vezes a polícia chega
e a leva por um ou dois dias.
eu acreditava que ela sofria com a perda
de um grande amor
até que um dia ela superou aquilo e me contou
sua história –
ela perdera 8 apartamentos
para um gigolô que a havia logrado e ficado
com eles.
ela urrava e chorava por causa da perda das propriedades.
começou a soluçar enquanto me contava aquilo
então com uma boca cheirando a alho e cebolas
delineada com um batom vencido
ela me beijou e disse:
“Hank, ninguém te ama se você não tiver dinheiro”.
ela é velha, quase tão velha quanto eu.
ela se foi, ainda chorosa...
na manhã seguinte às 7h20 dois enfermeiros negros
apareceram com uma maca,
só que bateram na minha porta.
“vamos lá, cara”, disse o mais alto.
“esperem”, eu disse, “isso é um engano.”
eu estava numa terrível ressaca
parado com meu roupão surrado
os cabelos caindo sobre os olhos.
“este é o endereço que nos deram, cara,
aqui não é o 5437?”
“sim.”
“vamos lá, cara, não foda com a gente.”
“a mulher que vocês querem mora lá nos fundos.”
os dois contornaram o pátio.
“esta porta aqui?”
“não, não, esta é a minha porta dos fundos. olhem, subam esses degraus atrás de vocês. é a porta da direita, a que está com a caixa do correio pendurada.”
eles foram até lá e bateram na porta. eu vi os dois a levarem
consigo. não usaram a maca. ela seguiu entre eles.
e me passou rapidamente a impressão de que estavam
[levando
a pessoa errada, mas não tive certeza.
apenas sento
mas a loucura entra de assalto
uma maré de loucura.
a mulher do quintal dos fundos urra,
chora todas as noites.
às vezes a polícia chega
e a leva por um ou dois dias.
eu acreditava que ela sofria com a perda
de um grande amor
até que um dia ela superou aquilo e me contou
sua história –
ela perdera 8 apartamentos
para um gigolô que a havia logrado e ficado
com eles.
ela urrava e chorava por causa da perda das propriedades.
começou a soluçar enquanto me contava aquilo
então com uma boca cheirando a alho e cebolas
delineada com um batom vencido
ela me beijou e disse:
“Hank, ninguém te ama se você não tiver dinheiro”.
ela é velha, quase tão velha quanto eu.
ela se foi, ainda chorosa...
na manhã seguinte às 7h20 dois enfermeiros negros
apareceram com uma maca,
só que bateram na minha porta.
“vamos lá, cara”, disse o mais alto.
“esperem”, eu disse, “isso é um engano.”
eu estava numa terrível ressaca
parado com meu roupão surrado
os cabelos caindo sobre os olhos.
“este é o endereço que nos deram, cara,
aqui não é o 5437?”
“sim.”
“vamos lá, cara, não foda com a gente.”
“a mulher que vocês querem mora lá nos fundos.”
os dois contornaram o pátio.
“esta porta aqui?”
“não, não, esta é a minha porta dos fundos. olhem, subam esses degraus atrás de vocês. é a porta da direita, a que está com a caixa do correio pendurada.”
eles foram até lá e bateram na porta. eu vi os dois a levarem
consigo. não usaram a maca. ela seguiu entre eles.
e me passou rapidamente a impressão de que estavam
[levando
a pessoa errada, mas não tive certeza.
1 266
Charles Bukowski
Loucura
não bato com meus punhos nas paredes
apenas sento
mas a loucura entra de assalto
uma maré de loucura.
a mulher do quintal dos fundos urra,
chora todas as noites.
às vezes a polícia chega
e a leva por um ou dois dias.
eu acreditava que ela sofria com a perda
de um grande amor
até que um dia ela superou aquilo e me contou
sua história –
ela perdera 8 apartamentos
para um gigolô que a havia logrado e ficado
com eles.
ela urrava e chorava por causa da perda das propriedades.
começou a soluçar enquanto me contava aquilo
então com uma boca cheirando a alho e cebolas
delineada com um batom vencido
ela me beijou e disse:
“Hank, ninguém te ama se você não tiver dinheiro”.
ela é velha, quase tão velha quanto eu.
ela se foi, ainda chorosa...
na manhã seguinte às 7h20 dois enfermeiros negros
apareceram com uma maca,
só que bateram na minha porta.
“vamos lá, cara”, disse o mais alto.
“esperem”, eu disse, “isso é um engano.”
eu estava numa terrível ressaca
parado com meu roupão surrado
os cabelos caindo sobre os olhos.
“este é o endereço que nos deram, cara,
aqui não é o 5437?”
“sim.”
“vamos lá, cara, não foda com a gente.”
“a mulher que vocês querem mora lá nos fundos.”
os dois contornaram o pátio.
“esta porta aqui?”
“não, não, esta é a minha porta dos fundos. olhem, subam esses degraus atrás de vocês. é a porta da direita, a que está com a caixa do correio pendurada.”
eles foram até lá e bateram na porta. eu vi os dois a levarem
consigo. não usaram a maca. ela seguiu entre eles.
e me passou rapidamente a impressão de que estavam
[levando
a pessoa errada, mas não tive certeza.
apenas sento
mas a loucura entra de assalto
uma maré de loucura.
a mulher do quintal dos fundos urra,
chora todas as noites.
às vezes a polícia chega
e a leva por um ou dois dias.
eu acreditava que ela sofria com a perda
de um grande amor
até que um dia ela superou aquilo e me contou
sua história –
ela perdera 8 apartamentos
para um gigolô que a havia logrado e ficado
com eles.
ela urrava e chorava por causa da perda das propriedades.
começou a soluçar enquanto me contava aquilo
então com uma boca cheirando a alho e cebolas
delineada com um batom vencido
ela me beijou e disse:
“Hank, ninguém te ama se você não tiver dinheiro”.
ela é velha, quase tão velha quanto eu.
ela se foi, ainda chorosa...
na manhã seguinte às 7h20 dois enfermeiros negros
apareceram com uma maca,
só que bateram na minha porta.
“vamos lá, cara”, disse o mais alto.
“esperem”, eu disse, “isso é um engano.”
eu estava numa terrível ressaca
parado com meu roupão surrado
os cabelos caindo sobre os olhos.
“este é o endereço que nos deram, cara,
aqui não é o 5437?”
“sim.”
“vamos lá, cara, não foda com a gente.”
“a mulher que vocês querem mora lá nos fundos.”
os dois contornaram o pátio.
“esta porta aqui?”
“não, não, esta é a minha porta dos fundos. olhem, subam esses degraus atrás de vocês. é a porta da direita, a que está com a caixa do correio pendurada.”
eles foram até lá e bateram na porta. eu vi os dois a levarem
consigo. não usaram a maca. ela seguiu entre eles.
e me passou rapidamente a impressão de que estavam
[levando
a pessoa errada, mas não tive certeza.
1 266
Charles Bukowski
O Amor É Um Cão Dos Diabos
pé de queijo
alma de cafeteira
mãos que odeiam tacos de bilhar
olhos como clipes de papel
eu prefiro vinho tinto
entedio-me em aviões
sou dócil durante terremotos
sonolento em funerais
vomito nos desfiles
e vou para o sacrifício no xadrez
e nas bocetas e nos afetos
cheiro urina nas igrejas
já não consigo mais ler
já não consigo mais dormir
olhos como clipes de papel
meus olhos verdes
prefiro vinho branco
minha caixa de camisinhas está passando da
validade
eu as tiro pra fora
Trojan-Enz[6]
lubrificadas
para maior sensibilidade
tiro todas pra fora
e ponho três ao mesmo tempo
as paredes do meu quarto são azuis
para onde você foi, Linda?
para onde você foi, Katherine?
(e Nina partiu pra Inglaterra)
tenho cortadores de unha
e limpa-vidros Windex
olhos verdes
quarto azul
brilhante metralhadora solar
essa coisa toda é como uma foca
presa em oleosas rochas
e cercada pela Banda Marcial de Long Beach
às 3h26 da tarde
há um tiquetaquear atrás de mim
mas nenhum relógio
sinto algo rastejar
ao longo de minha narina esquerda:
memórias de aviões
minha mãe tinha dentes postiços
meu pai tinha dentes postiços
e durante todos os sábados de suas vidas
eles recolhiam todos os tapetes de sua casa
enceravam o chão de tabuões
e o cobriam novamente com os tapetes
e Nina está na Inglaterra
e Irene está no abrigo municipal
e eu pego meus olhos verdes
e me deito em meu quarto azul
alma de cafeteira
mãos que odeiam tacos de bilhar
olhos como clipes de papel
eu prefiro vinho tinto
entedio-me em aviões
sou dócil durante terremotos
sonolento em funerais
vomito nos desfiles
e vou para o sacrifício no xadrez
e nas bocetas e nos afetos
cheiro urina nas igrejas
já não consigo mais ler
já não consigo mais dormir
olhos como clipes de papel
meus olhos verdes
prefiro vinho branco
minha caixa de camisinhas está passando da
validade
eu as tiro pra fora
Trojan-Enz[6]
lubrificadas
para maior sensibilidade
tiro todas pra fora
e ponho três ao mesmo tempo
as paredes do meu quarto são azuis
para onde você foi, Linda?
para onde você foi, Katherine?
(e Nina partiu pra Inglaterra)
tenho cortadores de unha
e limpa-vidros Windex
olhos verdes
quarto azul
brilhante metralhadora solar
essa coisa toda é como uma foca
presa em oleosas rochas
e cercada pela Banda Marcial de Long Beach
às 3h26 da tarde
há um tiquetaquear atrás de mim
mas nenhum relógio
sinto algo rastejar
ao longo de minha narina esquerda:
memórias de aviões
minha mãe tinha dentes postiços
meu pai tinha dentes postiços
e durante todos os sábados de suas vidas
eles recolhiam todos os tapetes de sua casa
enceravam o chão de tabuões
e o cobriam novamente com os tapetes
e Nina está na Inglaterra
e Irene está no abrigo municipal
e eu pego meus olhos verdes
e me deito em meu quarto azul
1 926
Charles Bukowski
O Amor É Um Cão Dos Diabos
pé de queijo
alma de cafeteira
mãos que odeiam tacos de bilhar
olhos como clipes de papel
eu prefiro vinho tinto
entedio-me em aviões
sou dócil durante terremotos
sonolento em funerais
vomito nos desfiles
e vou para o sacrifício no xadrez
e nas bocetas e nos afetos
cheiro urina nas igrejas
já não consigo mais ler
já não consigo mais dormir
olhos como clipes de papel
meus olhos verdes
prefiro vinho branco
minha caixa de camisinhas está passando da
validade
eu as tiro pra fora
Trojan-Enz[6]
lubrificadas
para maior sensibilidade
tiro todas pra fora
e ponho três ao mesmo tempo
as paredes do meu quarto são azuis
para onde você foi, Linda?
para onde você foi, Katherine?
(e Nina partiu pra Inglaterra)
tenho cortadores de unha
e limpa-vidros Windex
olhos verdes
quarto azul
brilhante metralhadora solar
essa coisa toda é como uma foca
presa em oleosas rochas
e cercada pela Banda Marcial de Long Beach
às 3h26 da tarde
há um tiquetaquear atrás de mim
mas nenhum relógio
sinto algo rastejar
ao longo de minha narina esquerda:
memórias de aviões
minha mãe tinha dentes postiços
meu pai tinha dentes postiços
e durante todos os sábados de suas vidas
eles recolhiam todos os tapetes de sua casa
enceravam o chão de tabuões
e o cobriam novamente com os tapetes
e Nina está na Inglaterra
e Irene está no abrigo municipal
e eu pego meus olhos verdes
e me deito em meu quarto azul
alma de cafeteira
mãos que odeiam tacos de bilhar
olhos como clipes de papel
eu prefiro vinho tinto
entedio-me em aviões
sou dócil durante terremotos
sonolento em funerais
vomito nos desfiles
e vou para o sacrifício no xadrez
e nas bocetas e nos afetos
cheiro urina nas igrejas
já não consigo mais ler
já não consigo mais dormir
olhos como clipes de papel
meus olhos verdes
prefiro vinho branco
minha caixa de camisinhas está passando da
validade
eu as tiro pra fora
Trojan-Enz[6]
lubrificadas
para maior sensibilidade
tiro todas pra fora
e ponho três ao mesmo tempo
as paredes do meu quarto são azuis
para onde você foi, Linda?
para onde você foi, Katherine?
(e Nina partiu pra Inglaterra)
tenho cortadores de unha
e limpa-vidros Windex
olhos verdes
quarto azul
brilhante metralhadora solar
essa coisa toda é como uma foca
presa em oleosas rochas
e cercada pela Banda Marcial de Long Beach
às 3h26 da tarde
há um tiquetaquear atrás de mim
mas nenhum relógio
sinto algo rastejar
ao longo de minha narina esquerda:
memórias de aviões
minha mãe tinha dentes postiços
meu pai tinha dentes postiços
e durante todos os sábados de suas vidas
eles recolhiam todos os tapetes de sua casa
enceravam o chão de tabuões
e o cobriam novamente com os tapetes
e Nina está na Inglaterra
e Irene está no abrigo municipal
e eu pego meus olhos verdes
e me deito em meu quarto azul
1 926
Charles Bukowski
O Lugar Não Parecia Mau
ela tinha coxas colossais
e uma risada muito gostosa
ria de qualquer coisa
e as cortinas eram amarelas
e eu gozei
e rolei para o lado
e antes que ela fosse ao banheiro
puxou um pano de baixo
da cama e me jogou.
estava duro
enrijecido pelo esperma de outros
homens.
limpei-me no lençol.
ao retornar
ela se curvou
e pude ver todo seu traseiro
enquanto ela colocava um Mozart
para tocar.
e uma risada muito gostosa
ria de qualquer coisa
e as cortinas eram amarelas
e eu gozei
e rolei para o lado
e antes que ela fosse ao banheiro
puxou um pano de baixo
da cama e me jogou.
estava duro
enrijecido pelo esperma de outros
homens.
limpei-me no lençol.
ao retornar
ela se curvou
e pude ver todo seu traseiro
enquanto ela colocava um Mozart
para tocar.
1 086
Charles Bukowski
Um Poema Para o Engraxate
o equilíbrio é preservado pelas lesmas que escalam os
rochedos de Santa Mônica;
a sorte está em descer a Western Avenue
enquanto as garotas numa casa de
massagem gritam para você, “Alô, Doçura!”
o milagre é ter 5 mulheres apaixonadas
por você aos 55 anos,
e o melhor de tudo isso é que você só é capaz
de amar uma delas.
a bênção é ter uma filha mais delicada
do que você, cuja risada é mais leve
que a sua.
a paz vem de dirigir um
Fusca 67 azul pelas ruas como um
adolescente, o rádio sintonizado em O Seu Apresentador
Preferido, sentindo o sol, sentindo o sólido roncar
do motor retificado
enquanto você costura o tráfego.
a graça está na capacidade de gostar de rock,
música clássica, jazz...
tudo o que contenha a energia original do
gozo.
e a probabilidade que retorna
é a tristeza profunda
debaixo de você estendida sobre você
entre as paredes de guilhotina
furioso com o som do telefone
ou com os passos de alguém que passa;
mas a outra probabilidade –
a cadência animada que sempre se segue –
faz com que a garota do caixa no
supermercado se pareça com a
Marilyn
com a Jackie antes que levassem seu amante de Harvard
com a garota do ensino médio que sempre
seguíamos até em casa.
lá está a criatura que nos ajuda a acreditar
em alguma coisa além da morte:
alguém num carro que se aproxima
numa rua muito estreita,
e ele ou ela se afasta para que possamos
passar, ou se trate do velho lutador Beau Jack[7]
engraxando sapatos
após ter queimado todo seu dinheiro
em festas
mulheres
parasitas
bufando, respirando junto ao couro,
dando um trato com a flanela
os olhos erguidos para dizer:
“mas que diabos, por um momento
tive tudo. isso compensa todo o
resto.”
às vezes sou amargo
mas no geral o sabor tem sido
doce. é apenas que tenho
medo de dizê-lo. é como
quando sua mulher diz,
“fala que me ama”, e
você não consegue.
se você me vir sorridente
em meu Fusca azul
aproveitando o sinal amarelo
dirigindo firme em direção ao sol
estarei mergulhado nos
braços de uma
vida insana
pensando em trapezistas de circo
em anões com enormes charutos
num inverno na Rússia no início dos anos 40
em Chopin com seu saco de terra polaca
numa velha garçonete que me traz uma xícara
extra de café com um sorriso
nos lábios.
o melhor de você
me agrada mais do que pode imaginar.
os outros não importam
excetuado o fato de que eles têm dedos e cabeças
e alguns deles olhos
e a maioria deles pernas
e todos eles
sonhos e pesadelos
e uma estrada a seguir.
a justiça está em toda parte e não descansa
e as metralhadoras e os coldres e
as cercas vão lhe dar prova
disso.
rochedos de Santa Mônica;
a sorte está em descer a Western Avenue
enquanto as garotas numa casa de
massagem gritam para você, “Alô, Doçura!”
o milagre é ter 5 mulheres apaixonadas
por você aos 55 anos,
e o melhor de tudo isso é que você só é capaz
de amar uma delas.
a bênção é ter uma filha mais delicada
do que você, cuja risada é mais leve
que a sua.
a paz vem de dirigir um
Fusca 67 azul pelas ruas como um
adolescente, o rádio sintonizado em O Seu Apresentador
Preferido, sentindo o sol, sentindo o sólido roncar
do motor retificado
enquanto você costura o tráfego.
a graça está na capacidade de gostar de rock,
música clássica, jazz...
tudo o que contenha a energia original do
gozo.
e a probabilidade que retorna
é a tristeza profunda
debaixo de você estendida sobre você
entre as paredes de guilhotina
furioso com o som do telefone
ou com os passos de alguém que passa;
mas a outra probabilidade –
a cadência animada que sempre se segue –
faz com que a garota do caixa no
supermercado se pareça com a
Marilyn
com a Jackie antes que levassem seu amante de Harvard
com a garota do ensino médio que sempre
seguíamos até em casa.
lá está a criatura que nos ajuda a acreditar
em alguma coisa além da morte:
alguém num carro que se aproxima
numa rua muito estreita,
e ele ou ela se afasta para que possamos
passar, ou se trate do velho lutador Beau Jack[7]
engraxando sapatos
após ter queimado todo seu dinheiro
em festas
mulheres
parasitas
bufando, respirando junto ao couro,
dando um trato com a flanela
os olhos erguidos para dizer:
“mas que diabos, por um momento
tive tudo. isso compensa todo o
resto.”
às vezes sou amargo
mas no geral o sabor tem sido
doce. é apenas que tenho
medo de dizê-lo. é como
quando sua mulher diz,
“fala que me ama”, e
você não consegue.
se você me vir sorridente
em meu Fusca azul
aproveitando o sinal amarelo
dirigindo firme em direção ao sol
estarei mergulhado nos
braços de uma
vida insana
pensando em trapezistas de circo
em anões com enormes charutos
num inverno na Rússia no início dos anos 40
em Chopin com seu saco de terra polaca
numa velha garçonete que me traz uma xícara
extra de café com um sorriso
nos lábios.
o melhor de você
me agrada mais do que pode imaginar.
os outros não importam
excetuado o fato de que eles têm dedos e cabeças
e alguns deles olhos
e a maioria deles pernas
e todos eles
sonhos e pesadelos
e uma estrada a seguir.
a justiça está em toda parte e não descansa
e as metralhadoras e os coldres e
as cercas vão lhe dar prova
disso.
1 294
Charles Bukowski
Gêmeos
ei, disse o meu amigo, quero que você conheça
Hangdog Harry, ele me lembra você,
e eu disse, tudo bem, e fomos até
esse hotel ordinário.
velhos assistiam sentados
um programa de tevê no saguão
enquanto subíamos a escada
até o 209 e lá estava Hangdog
sentado numa cadeira de palha
uma garrafa de vinho aos seus pés
o calendário do ano passado na parede,
“sentem-se, rapazes”, ele disse,
“este é o problema:
a desumanidade do homem com o próprio homem”.
ficamos vendo ele enrolar um
cigarro Bull Durham.
“tenho um pescoço de 40 cm e matarei
todos que quiserem foder comigo.”
deu uma lambida no cigarro
e depois cuspiu no tapete.
“sintam-se em casa. fiquem à vontade.”
“como está se sentindo, Hangdog?” perguntou
meu amigo.
“terrível. estou apaixonado por uma prostituta,
não a vejo há 3 ou 4 semanas.”
“o que você acha que ela está fazendo, Hang?”
“bem, neste exato momento eu diria
que ela está chupando algum caralho.”
ele apanhou a garrafa de vinho
e deu uma tremenda enxugada.
“veja”, disse meu amigo a Hangdog,
“temos que ir”.
“certo, o tempo e a maré, ambos não
esperam...”
ele me olhou:
“como disse que era seu nome mesmo?”
“Salomski.”
“prazer em conhecer você, rapaz.”
“o prazer foi meu.”
descemos a escada
eles continuavam no saguão
assistindo tevê.
“o que você achou dele?”
perguntou meu amigo.
“porra”, eu disse, “ele era realmente
um cara legal. com certeza.”
Hangdog Harry, ele me lembra você,
e eu disse, tudo bem, e fomos até
esse hotel ordinário.
velhos assistiam sentados
um programa de tevê no saguão
enquanto subíamos a escada
até o 209 e lá estava Hangdog
sentado numa cadeira de palha
uma garrafa de vinho aos seus pés
o calendário do ano passado na parede,
“sentem-se, rapazes”, ele disse,
“este é o problema:
a desumanidade do homem com o próprio homem”.
ficamos vendo ele enrolar um
cigarro Bull Durham.
“tenho um pescoço de 40 cm e matarei
todos que quiserem foder comigo.”
deu uma lambida no cigarro
e depois cuspiu no tapete.
“sintam-se em casa. fiquem à vontade.”
“como está se sentindo, Hangdog?” perguntou
meu amigo.
“terrível. estou apaixonado por uma prostituta,
não a vejo há 3 ou 4 semanas.”
“o que você acha que ela está fazendo, Hang?”
“bem, neste exato momento eu diria
que ela está chupando algum caralho.”
ele apanhou a garrafa de vinho
e deu uma tremenda enxugada.
“veja”, disse meu amigo a Hangdog,
“temos que ir”.
“certo, o tempo e a maré, ambos não
esperam...”
ele me olhou:
“como disse que era seu nome mesmo?”
“Salomski.”
“prazer em conhecer você, rapaz.”
“o prazer foi meu.”
descemos a escada
eles continuavam no saguão
assistindo tevê.
“o que você achou dele?”
perguntou meu amigo.
“porra”, eu disse, “ele era realmente
um cara legal. com certeza.”
1 223
Charles Bukowski
Chuva Ou Sol
os abutres no zoo
(todos os 3)
sentam-se bastante tranquilos em sua
árvore enjaulada
e abaixo
no chão
há postas de carne podre.
os abutres estão empanturrados
nossos impostos os têm mantido
bem alimentados.
seguimos para a próxima
jaula.
um homem está ali
sentado no chão
comendo
a própria merda.
reconheço a figura
de nosso antigo carteiro.
sua expressão favorita
sempre fora:
“tenha um ótimo dia”.
naquele dia, foi o que me aconteceu.
(todos os 3)
sentam-se bastante tranquilos em sua
árvore enjaulada
e abaixo
no chão
há postas de carne podre.
os abutres estão empanturrados
nossos impostos os têm mantido
bem alimentados.
seguimos para a próxima
jaula.
um homem está ali
sentado no chão
comendo
a própria merda.
reconheço a figura
de nosso antigo carteiro.
sua expressão favorita
sempre fora:
“tenha um ótimo dia”.
naquele dia, foi o que me aconteceu.
1 091
Charles Bukowski
Já Morreu
sempre quis transar com
Henry Miller, ela disse,
mas quando cheguei lá
era tarde demais.
diabos, eu disse, vocês
sempre chegam tarde demais, garotas.
hoje já me masturbei
duas vezes.
não era esse o problema dele,
ela disse. a propósito,
como você consegue bater
tantas?
é o espaço, eu digo,
todo o espaço entre
os poemas e os contos, é
intolerável.
você deveria esperar, ela disse,
você é impaciente.
o que você pensa de Céline?
perguntei.
queria transar com ele também.
já morreu, eu disse.
já morreu, ela disse.
importa-se de ouvir uma
musiquinha? perguntei.
pode ser legal, ela disse.
dei-lhe Ives.
Era tudo que me restava
naquela noite.
Henry Miller, ela disse,
mas quando cheguei lá
era tarde demais.
diabos, eu disse, vocês
sempre chegam tarde demais, garotas.
hoje já me masturbei
duas vezes.
não era esse o problema dele,
ela disse. a propósito,
como você consegue bater
tantas?
é o espaço, eu digo,
todo o espaço entre
os poemas e os contos, é
intolerável.
você deveria esperar, ela disse,
você é impaciente.
o que você pensa de Céline?
perguntei.
queria transar com ele também.
já morreu, eu disse.
já morreu, ela disse.
importa-se de ouvir uma
musiquinha? perguntei.
pode ser legal, ela disse.
dei-lhe Ives.
Era tudo que me restava
naquela noite.
1 250
Charles Bukowski
Já Morreu
sempre quis transar com
Henry Miller, ela disse,
mas quando cheguei lá
era tarde demais.
diabos, eu disse, vocês
sempre chegam tarde demais, garotas.
hoje já me masturbei
duas vezes.
não era esse o problema dele,
ela disse. a propósito,
como você consegue bater
tantas?
é o espaço, eu digo,
todo o espaço entre
os poemas e os contos, é
intolerável.
você deveria esperar, ela disse,
você é impaciente.
o que você pensa de Céline?
perguntei.
queria transar com ele também.
já morreu, eu disse.
já morreu, ela disse.
importa-se de ouvir uma
musiquinha? perguntei.
pode ser legal, ela disse.
dei-lhe Ives.
Era tudo que me restava
naquela noite.
Henry Miller, ela disse,
mas quando cheguei lá
era tarde demais.
diabos, eu disse, vocês
sempre chegam tarde demais, garotas.
hoje já me masturbei
duas vezes.
não era esse o problema dele,
ela disse. a propósito,
como você consegue bater
tantas?
é o espaço, eu digo,
todo o espaço entre
os poemas e os contos, é
intolerável.
você deveria esperar, ela disse,
você é impaciente.
o que você pensa de Céline?
perguntei.
queria transar com ele também.
já morreu, eu disse.
já morreu, ela disse.
importa-se de ouvir uma
musiquinha? perguntei.
pode ser legal, ela disse.
dei-lhe Ives.
Era tudo que me restava
naquela noite.
1 250
Charles Bukowski
Tão Louco Quanto Sempre Fui
bêbado e escrevendo poemas
às 3 da manhã.
o que importa agora
é mais uma
boceta
apertada
antes que a luz
se apague
bêbado e escrevendo poemas
às 3h15 da manhã.
algumas pessoas me dizem que sou
famoso.
o que estou fazendo sozinho
bêbado e escrevendo poemas às
3h18 da manhã?
sou tão louco quanto sempre fui
eles não entendem
que não parei de me pendurar pelos calcanhares
da janela do 4º andar –
eu ainda o faço
agora mesmo
aqui sentado
ao escrever estas linhas
estou pendurado pelos calcanhares
vários andares acima:
68, 72, 101,
a sensação é a
mesma:
implacável
banal e
necessária
aqui sentado
bêbado e escrevendo poemas
às 3h24 da manhã.
às 3 da manhã.
o que importa agora
é mais uma
boceta
apertada
antes que a luz
se apague
bêbado e escrevendo poemas
às 3h15 da manhã.
algumas pessoas me dizem que sou
famoso.
o que estou fazendo sozinho
bêbado e escrevendo poemas às
3h18 da manhã?
sou tão louco quanto sempre fui
eles não entendem
que não parei de me pendurar pelos calcanhares
da janela do 4º andar –
eu ainda o faço
agora mesmo
aqui sentado
ao escrever estas linhas
estou pendurado pelos calcanhares
vários andares acima:
68, 72, 101,
a sensação é a
mesma:
implacável
banal e
necessária
aqui sentado
bêbado e escrevendo poemas
às 3h24 da manhã.
1 161
Charles Bukowski
Ah...
bebendo cerveja alemã
e tentando alcançar o
o poema imortal às
5 da tarde.
mas, ah, eu disse aos
estudantes que a coisa certa
a fazer é não tentar.
mas quando as mulheres não estão
por perto e os cavalos não estão
correndo
o que mais se pode fazer?
tive um par de
fantasias sexuais
almocei fora
enviei três cartas
fui à mercearia.
nada na tv.
o telefone está calado.
passei fio dental
entre meus dentes.
não vai chover e eu escuto
os primeiros a chegar das
8 horas de trabalho enquanto
dirigem e estacionam seus carros
atrás do apartamento
ao lado.
me sento bebendo cerveja alemã
e tento alcançar
o grande poema
e não irei conseguir.
apenas seguirei bebendo
mais e mais cerveja alemã
e enrolando cigarros
e lá pelas 11 horas
estarei deitado
na cama desfeita
olhando para cima
acordado sob a luz
elétrica
esperando ainda pelo poema
imortal.
e tentando alcançar o
o poema imortal às
5 da tarde.
mas, ah, eu disse aos
estudantes que a coisa certa
a fazer é não tentar.
mas quando as mulheres não estão
por perto e os cavalos não estão
correndo
o que mais se pode fazer?
tive um par de
fantasias sexuais
almocei fora
enviei três cartas
fui à mercearia.
nada na tv.
o telefone está calado.
passei fio dental
entre meus dentes.
não vai chover e eu escuto
os primeiros a chegar das
8 horas de trabalho enquanto
dirigem e estacionam seus carros
atrás do apartamento
ao lado.
me sento bebendo cerveja alemã
e tento alcançar
o grande poema
e não irei conseguir.
apenas seguirei bebendo
mais e mais cerveja alemã
e enrolando cigarros
e lá pelas 11 horas
estarei deitado
na cama desfeita
olhando para cima
acordado sob a luz
elétrica
esperando ainda pelo poema
imortal.
1 221
Charles Bukowski
Sobre Guindastes
às vezes, após você ter recebido
das forças um belo chute no rabo
você costuma desejar ser um guindaste
estendido sobre uma perna
na água azul
mas há sempre
a
velha questão
que você conhece:
você não quer ser
um guindaste
estendido sobre uma perna
na água azul
o infortúnio não é
suficiente
e
a vitória
claudica
um guindaste não pode
pagar por um rabo
ou
vadiar às tardes
em Monterey
essas são algumas
das coisas
que os humanos podem fazer
além de
ficar sobre uma perna só
das forças um belo chute no rabo
você costuma desejar ser um guindaste
estendido sobre uma perna
na água azul
mas há sempre
a
velha questão
que você conhece:
você não quer ser
um guindaste
estendido sobre uma perna
na água azul
o infortúnio não é
suficiente
e
a vitória
claudica
um guindaste não pode
pagar por um rabo
ou
vadiar às tardes
em Monterey
essas são algumas
das coisas
que os humanos podem fazer
além de
ficar sobre uma perna só
1 179
Charles Bukowski
$$$$$$
sempre tive problemas com
dinheiro.
num dos lugares em que trabalhei
todos comiam cachorro-quente
e batatas fritas
na cantina da empresa
3 dias antes de cada
pagamento.
eu queria uns bifes,
cheguei inclusive a procurar o gerente
da cantina e
exigir que ele servisse
uns bifes. ele se recusou.
Eu esqueci do dia do pagamento.
eu tinha um alto grau de indiferença e
o dia do pagamento chegava e todos
não falavam em outra
coisa.
“pagamento?” eu dizia, “diabo, hoje é dia de
receber? me esqueci de pegar meu
último cheque...”
“pare de falar merda, cara...”
“não, não, é sério...”
eu me erguia e ia até o caixa
e claro que o cheque estava lá
e na volta eu o mostrava
a todos eles. “Jesus Cristo, esqueci completamente
do negócio...”
por alguma razão isso os deixava
furiosos. então o funcionário do caixa
aparecia. eu tinha dois
cheques. “Jesus”, eu dizia, “dois cheques”.
e eles ficavam
furiosos.
alguns deles mantinham
dois empregos.
No pior dos dias
chovia pesadamente
eu não tinha uma capa de chuva então
vesti um velho casaco que eu não usava havia
meses e
cheguei um pouco atrasado
quando eles já estavam no batente.
procurei por cigarros nos bolsos
e num deles encontrei uma nota de
cinco dólares:
“ei, vejam”, eu disse, “acabo de encontrar cinco pratas
que eu não sabia que tinha, que
beleza”.
“ei, cara, não venha com essa
merda!”
“não, não, estou falando sério, de verdade, lembro
de ter vestido este casaco quando
estava bêbado e vagando de bar
em bar. já me tomaram dinheiro muitas vezes,
fiquei desconfiado... tiro o dinheiro da
minha carteira e o escondo em
outras partes.”
“sente de uma vez e comece a
trabalhar.”
meti a mão num bolso interno:
“ei, vejam, tem um VINTÃO aqui! Deus, não sabia
que tinha este VINTÃO!
estou
RICO!”
“ninguém está achando graça, seu
filho da puta...”
“ei, meu Deus, aqui tem mais OUTRA
de vinte! é muita, muita muita
grana... eu sabia que não tinha gasto todo o
dinheiro naquela noite. pensei que tinham me
levado os cobres outra vez...”
continuei vasculhando o
casaco. “ei, aqui tem uma de dez e
aqui mais um cinquinho! meu Deus...”
“escute, já disse pra você sentar
e calar a boca...”
“meu Deus, estou RICO... não preciso nem mais
deste emprego...”
“cara, senta aí...”
achei mais outra de dez depois que me sentei
mas não disse
nada.
podia sentir as ondas de ódio e
estava confuso,
eles achavam que eu tinha
armado toda aquela história
apenas para fazê-los se
sentirem mal. não era o que eu
queria. pessoas que tem que passar a cachorros-quentes e
batatas fritas por
3 dias antes de sair o pagamento
já se sentem mal o
suficiente.
sentei-me
inclinei-me para a frente e
comecei a
trabalhar.
do lado de fora
continuava
chovendo.
dinheiro.
num dos lugares em que trabalhei
todos comiam cachorro-quente
e batatas fritas
na cantina da empresa
3 dias antes de cada
pagamento.
eu queria uns bifes,
cheguei inclusive a procurar o gerente
da cantina e
exigir que ele servisse
uns bifes. ele se recusou.
Eu esqueci do dia do pagamento.
eu tinha um alto grau de indiferença e
o dia do pagamento chegava e todos
não falavam em outra
coisa.
“pagamento?” eu dizia, “diabo, hoje é dia de
receber? me esqueci de pegar meu
último cheque...”
“pare de falar merda, cara...”
“não, não, é sério...”
eu me erguia e ia até o caixa
e claro que o cheque estava lá
e na volta eu o mostrava
a todos eles. “Jesus Cristo, esqueci completamente
do negócio...”
por alguma razão isso os deixava
furiosos. então o funcionário do caixa
aparecia. eu tinha dois
cheques. “Jesus”, eu dizia, “dois cheques”.
e eles ficavam
furiosos.
alguns deles mantinham
dois empregos.
No pior dos dias
chovia pesadamente
eu não tinha uma capa de chuva então
vesti um velho casaco que eu não usava havia
meses e
cheguei um pouco atrasado
quando eles já estavam no batente.
procurei por cigarros nos bolsos
e num deles encontrei uma nota de
cinco dólares:
“ei, vejam”, eu disse, “acabo de encontrar cinco pratas
que eu não sabia que tinha, que
beleza”.
“ei, cara, não venha com essa
merda!”
“não, não, estou falando sério, de verdade, lembro
de ter vestido este casaco quando
estava bêbado e vagando de bar
em bar. já me tomaram dinheiro muitas vezes,
fiquei desconfiado... tiro o dinheiro da
minha carteira e o escondo em
outras partes.”
“sente de uma vez e comece a
trabalhar.”
meti a mão num bolso interno:
“ei, vejam, tem um VINTÃO aqui! Deus, não sabia
que tinha este VINTÃO!
estou
RICO!”
“ninguém está achando graça, seu
filho da puta...”
“ei, meu Deus, aqui tem mais OUTRA
de vinte! é muita, muita muita
grana... eu sabia que não tinha gasto todo o
dinheiro naquela noite. pensei que tinham me
levado os cobres outra vez...”
continuei vasculhando o
casaco. “ei, aqui tem uma de dez e
aqui mais um cinquinho! meu Deus...”
“escute, já disse pra você sentar
e calar a boca...”
“meu Deus, estou RICO... não preciso nem mais
deste emprego...”
“cara, senta aí...”
achei mais outra de dez depois que me sentei
mas não disse
nada.
podia sentir as ondas de ódio e
estava confuso,
eles achavam que eu tinha
armado toda aquela história
apenas para fazê-los se
sentirem mal. não era o que eu
queria. pessoas que tem que passar a cachorros-quentes e
batatas fritas por
3 dias antes de sair o pagamento
já se sentem mal o
suficiente.
sentei-me
inclinei-me para a frente e
comecei a
trabalhar.
do lado de fora
continuava
chovendo.
674
Charles Bukowski
O Grego
o cara do pátio da frente não consegue
falar inglês, ele é grego, um
sujeito com um aspecto um tanto estúpido
e feio que é o diabo.
agora meu senhorio resolveu pintar quadros,
nada muito bom.
ele mostrou ao grego uma de suas pinturas.
o grego saiu e voltou com
papéis, pincéis, tintas.
o grego começou a pintar no seu pátio
da frente. ele deixa as pinturas do lado de fora pra
secar.
o grego nunca havia pintado antes –
agora ali estão:
um violão azul
uma rua
um cavalo.
ele é bom
para os seus mais de quarenta anos ele é
bom.
encontrou um
brinquedo.
está feliz
agora.
então eu penso, me pergunto se ele chegará a ficar
muito bom?
e me pergunto se terei que ver
o resto?
a glória e as mulheres e as mulheres e
as mulheres e as mulheres e
a decadência.
quase posso farejar os sanguessugas formando
uma fila à esquerda.
veja bem,
eu mesmo já estou ligado a ele.
falar inglês, ele é grego, um
sujeito com um aspecto um tanto estúpido
e feio que é o diabo.
agora meu senhorio resolveu pintar quadros,
nada muito bom.
ele mostrou ao grego uma de suas pinturas.
o grego saiu e voltou com
papéis, pincéis, tintas.
o grego começou a pintar no seu pátio
da frente. ele deixa as pinturas do lado de fora pra
secar.
o grego nunca havia pintado antes –
agora ali estão:
um violão azul
uma rua
um cavalo.
ele é bom
para os seus mais de quarenta anos ele é
bom.
encontrou um
brinquedo.
está feliz
agora.
então eu penso, me pergunto se ele chegará a ficar
muito bom?
e me pergunto se terei que ver
o resto?
a glória e as mulheres e as mulheres e
as mulheres e as mulheres e
a decadência.
quase posso farejar os sanguessugas formando
uma fila à esquerda.
veja bem,
eu mesmo já estou ligado a ele.
695
Charles Bukowski
Sexo
vou pela avenida Wilton
quando esta garota de uns 15 anos
vestida com um jeans apertado
que se cola ao seu rabo como duas mãos
pula na frente do meu carro
paro e deixo ela cruzar a rua
e enquanto olho suas curvas ondulantes
ela me olha direto através do
para-brisa
com olhos púrpuras
e então faz brotar
para fora da boca
a maior bola de chiclete
cor-de-rosa
que eu jamais vi
enquanto escuto Beethoven
no rádio do carro.
ela entra numa mercearia
e se vai
e eu fico abandonado com o
Ludwig.
quando esta garota de uns 15 anos
vestida com um jeans apertado
que se cola ao seu rabo como duas mãos
pula na frente do meu carro
paro e deixo ela cruzar a rua
e enquanto olho suas curvas ondulantes
ela me olha direto através do
para-brisa
com olhos púrpuras
e então faz brotar
para fora da boca
a maior bola de chiclete
cor-de-rosa
que eu jamais vi
enquanto escuto Beethoven
no rádio do carro.
ela entra numa mercearia
e se vai
e eu fico abandonado com o
Ludwig.
1 523
Charles Bukowski
Penicos
nos hospitais em que estive
você vê as cruzes nas paredes
com as finas folhas de palma atrás delas
amareladas e escurecidas
é o sinal para aceitar o inevitável
mas o que realmente machuca
são os penicos
duros debaixo da sua bunda
você está à beira da morte
e tem que dar um jeito de sentar sobre essa
coisa impossível
e urinar e
defecar
enquanto isso na cama
ao lado da sua
uma família de 5 traz mensagens de esperança
para um caso incurável
de doença cardíaca
câncer
ou putrefação generalizada.
o penico é uma pedra impiedosa
uma horrorosa zombaria
porque ninguém quer arrastar seu corpo agonizante
até o banheiro e voltar.
você se arrasta
mas eles mantêm as barras erguidas
você está no seu leito
seu minúsculo leito de morte
e quando a enfermeira volta
uma hora e meia depois
e não há nada no penico
ela o encara com seu mais
imoderado olhar
como se à beira da morte
alguém estivesse apto a fazer
as coisas mais comuns
vez após vez.
mas se você pensa que isso é ruim
apenas relaxe
e deixe a coisa vir
toda
nos lençóis
então você ouvirá
não só da enfermeira
mas também
de todos os outros pacientes...
a parte mais complicada de morrer
é que eles esperam que você
se vá
como um disparo em direção ao
céu noturno
algumas vezes isso pode ser feito
mas quando você precisar da bala na espingarda
olhará
e descobrirá
que os fios sobre sua cabeça
conectados anos atrás
ao botão
foram cortados
retalhados
eliminados
transformados
em algo
tão inútil quanto
o penico.
você vê as cruzes nas paredes
com as finas folhas de palma atrás delas
amareladas e escurecidas
é o sinal para aceitar o inevitável
mas o que realmente machuca
são os penicos
duros debaixo da sua bunda
você está à beira da morte
e tem que dar um jeito de sentar sobre essa
coisa impossível
e urinar e
defecar
enquanto isso na cama
ao lado da sua
uma família de 5 traz mensagens de esperança
para um caso incurável
de doença cardíaca
câncer
ou putrefação generalizada.
o penico é uma pedra impiedosa
uma horrorosa zombaria
porque ninguém quer arrastar seu corpo agonizante
até o banheiro e voltar.
você se arrasta
mas eles mantêm as barras erguidas
você está no seu leito
seu minúsculo leito de morte
e quando a enfermeira volta
uma hora e meia depois
e não há nada no penico
ela o encara com seu mais
imoderado olhar
como se à beira da morte
alguém estivesse apto a fazer
as coisas mais comuns
vez após vez.
mas se você pensa que isso é ruim
apenas relaxe
e deixe a coisa vir
toda
nos lençóis
então você ouvirá
não só da enfermeira
mas também
de todos os outros pacientes...
a parte mais complicada de morrer
é que eles esperam que você
se vá
como um disparo em direção ao
céu noturno
algumas vezes isso pode ser feito
mas quando você precisar da bala na espingarda
olhará
e descobrirá
que os fios sobre sua cabeça
conectados anos atrás
ao botão
foram cortados
retalhados
eliminados
transformados
em algo
tão inútil quanto
o penico.
1 153
Charles Bukowski
A Tragédia Das Folhas
despertei para a aridez e as samambaias estavam mortas,
as plantas nos vasos, amarelas como milho;
minha mulher partira
e as garrafas vazias como cadáveres exangues
cercavam-me com sua inutilidade;
o sol seguia bem, no entanto,
e o bilhete da minha senhoria se quebrava num belo e
resignado tom de amarelo; o que se precisava agora
era de um bom comediante, ao velho estilo, um bobo da corte
com piadas sobre a dor absurda; a dor é absurda
porque ela existe, quando nada mais;
cuidadosamente faço a barba com uma velha navalha
o homem que uma vez tinha sido jovem e
dizia ter gênio; mas
essa é a tragédia das folhas,
as samambaias mortas, as plantas mortas;
e eu caminho por um corredor negro
onde a senhoria se mantém
execrável e decisiva,
mandando-me para o inferno,
balançando seus braços gordos e sudorentos
e gritando
gritando pelo aluguel
porque o mundo falhou conosco
duplamente.
as plantas nos vasos, amarelas como milho;
minha mulher partira
e as garrafas vazias como cadáveres exangues
cercavam-me com sua inutilidade;
o sol seguia bem, no entanto,
e o bilhete da minha senhoria se quebrava num belo e
resignado tom de amarelo; o que se precisava agora
era de um bom comediante, ao velho estilo, um bobo da corte
com piadas sobre a dor absurda; a dor é absurda
porque ela existe, quando nada mais;
cuidadosamente faço a barba com uma velha navalha
o homem que uma vez tinha sido jovem e
dizia ter gênio; mas
essa é a tragédia das folhas,
as samambaias mortas, as plantas mortas;
e eu caminho por um corredor negro
onde a senhoria se mantém
execrável e decisiva,
mandando-me para o inferno,
balançando seus braços gordos e sudorentos
e gritando
gritando pelo aluguel
porque o mundo falhou conosco
duplamente.
1 240
Charles Bukowski
A Tragédia Das Folhas
despertei para a aridez e as samambaias estavam mortas,
as plantas nos vasos, amarelas como milho;
minha mulher partira
e as garrafas vazias como cadáveres exangues
cercavam-me com sua inutilidade;
o sol seguia bem, no entanto,
e o bilhete da minha senhoria se quebrava num belo e
resignado tom de amarelo; o que se precisava agora
era de um bom comediante, ao velho estilo, um bobo da corte
com piadas sobre a dor absurda; a dor é absurda
porque ela existe, quando nada mais;
cuidadosamente faço a barba com uma velha navalha
o homem que uma vez tinha sido jovem e
dizia ter gênio; mas
essa é a tragédia das folhas,
as samambaias mortas, as plantas mortas;
e eu caminho por um corredor negro
onde a senhoria se mantém
execrável e decisiva,
mandando-me para o inferno,
balançando seus braços gordos e sudorentos
e gritando
gritando pelo aluguel
porque o mundo falhou conosco
duplamente.
as plantas nos vasos, amarelas como milho;
minha mulher partira
e as garrafas vazias como cadáveres exangues
cercavam-me com sua inutilidade;
o sol seguia bem, no entanto,
e o bilhete da minha senhoria se quebrava num belo e
resignado tom de amarelo; o que se precisava agora
era de um bom comediante, ao velho estilo, um bobo da corte
com piadas sobre a dor absurda; a dor é absurda
porque ela existe, quando nada mais;
cuidadosamente faço a barba com uma velha navalha
o homem que uma vez tinha sido jovem e
dizia ter gênio; mas
essa é a tragédia das folhas,
as samambaias mortas, as plantas mortas;
e eu caminho por um corredor negro
onde a senhoria se mantém
execrável e decisiva,
mandando-me para o inferno,
balançando seus braços gordos e sudorentos
e gritando
gritando pelo aluguel
porque o mundo falhou conosco
duplamente.
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Charles Bukowski
A Tragédia Das Folhas
despertei para a aridez e as samambaias estavam mortas,
as plantas nos vasos, amarelas como milho;
minha mulher partira
e as garrafas vazias como cadáveres exangues
cercavam-me com sua inutilidade;
o sol seguia bem, no entanto,
e o bilhete da minha senhoria se quebrava num belo e
resignado tom de amarelo; o que se precisava agora
era de um bom comediante, ao velho estilo, um bobo da corte
com piadas sobre a dor absurda; a dor é absurda
porque ela existe, quando nada mais;
cuidadosamente faço a barba com uma velha navalha
o homem que uma vez tinha sido jovem e
dizia ter gênio; mas
essa é a tragédia das folhas,
as samambaias mortas, as plantas mortas;
e eu caminho por um corredor negro
onde a senhoria se mantém
execrável e decisiva,
mandando-me para o inferno,
balançando seus braços gordos e sudorentos
e gritando
gritando pelo aluguel
porque o mundo falhou conosco
duplamente.
as plantas nos vasos, amarelas como milho;
minha mulher partira
e as garrafas vazias como cadáveres exangues
cercavam-me com sua inutilidade;
o sol seguia bem, no entanto,
e o bilhete da minha senhoria se quebrava num belo e
resignado tom de amarelo; o que se precisava agora
era de um bom comediante, ao velho estilo, um bobo da corte
com piadas sobre a dor absurda; a dor é absurda
porque ela existe, quando nada mais;
cuidadosamente faço a barba com uma velha navalha
o homem que uma vez tinha sido jovem e
dizia ter gênio; mas
essa é a tragédia das folhas,
as samambaias mortas, as plantas mortas;
e eu caminho por um corredor negro
onde a senhoria se mantém
execrável e decisiva,
mandando-me para o inferno,
balançando seus braços gordos e sudorentos
e gritando
gritando pelo aluguel
porque o mundo falhou conosco
duplamente.
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