Poemas neste tema
Emoções e Sentimentos
Martha Medeiros
à noite
à noite
todos os gatos são pardos
e raros
perdida na noite procuro
leopardos
esses homens secretos que fogem
no escuro
todos os gatos são pardos
e raros
perdida na noite procuro
leopardos
esses homens secretos que fogem
no escuro
1 226
Martha Medeiros
sente minha raiva canibal
sente minha raiva canibal
te mordo te sinto te como
e como me fazes mal
te mordo te sinto te como
e como me fazes mal
893
Martha Medeiros
sente minha raiva canibal
sente minha raiva canibal
te mordo te sinto te como
e como me fazes mal
te mordo te sinto te como
e como me fazes mal
893
Martha Medeiros
seria ótimo
seria ótimo
se você baixasse o som e desligasse
esse canal
me tocasse como um disco importado
medo de quebrar
serve um pouco mais de vinho e vem deitar
se você baixasse o som e desligasse
esse canal
me tocasse como um disco importado
medo de quebrar
serve um pouco mais de vinho e vem deitar
1 052
Martha Medeiros
me visto de vermelho
me visto de vermelho
a raiva tem essa cor
uma lança na mão
uma mancha no lençol
São Jorge
um dragão
um sonho solto
estou pronta para enfrentar
meu inferno zodiacal
a raiva tem essa cor
uma lança na mão
uma mancha no lençol
São Jorge
um dragão
um sonho solto
estou pronta para enfrentar
meu inferno zodiacal
1 125
Martha Medeiros
me visto de vermelho
me visto de vermelho
a raiva tem essa cor
uma lança na mão
uma mancha no lençol
São Jorge
um dragão
um sonho solto
estou pronta para enfrentar
meu inferno zodiacal
a raiva tem essa cor
uma lança na mão
uma mancha no lençol
São Jorge
um dragão
um sonho solto
estou pronta para enfrentar
meu inferno zodiacal
1 125
Martha Medeiros
foi então que ela viu no calendário
foi então que ela viu no calendário
um sofrimento diário
uma dor que tinha número
e uma aflição já havia um mês
foi então que resolveu queimá-lo
e trocá-lo por uma ampulheta
que baixa a dor mais rápido
e mata o amor de vez
um sofrimento diário
uma dor que tinha número
e uma aflição já havia um mês
foi então que resolveu queimá-lo
e trocá-lo por uma ampulheta
que baixa a dor mais rápido
e mata o amor de vez
1 161
Martha Medeiros
não tenho mais idade
não tenho mais idade
pra brincar de esconde-esconde
vem me pegar
pra brincar de esconde-esconde
vem me pegar
1 331
Martha Medeiros
era uma vez uma foto em preto e branco
era uma vez uma foto em preto e branco
em que eu me via fumando um charo
com o olho vidrado em você
minhas mãos tinham algo de estátua
mas a cabeça vibrava que eu via
a boca entreaberta pedia
um beijo pra me tatuar
em que eu me via fumando um charo
com o olho vidrado em você
minhas mãos tinham algo de estátua
mas a cabeça vibrava que eu via
a boca entreaberta pedia
um beijo pra me tatuar
1 060
Martha Medeiros
era uma vez uma foto em preto e branco
era uma vez uma foto em preto e branco
em que eu me via fumando um charo
com o olho vidrado em você
minhas mãos tinham algo de estátua
mas a cabeça vibrava que eu via
a boca entreaberta pedia
um beijo pra me tatuar
em que eu me via fumando um charo
com o olho vidrado em você
minhas mãos tinham algo de estátua
mas a cabeça vibrava que eu via
a boca entreaberta pedia
um beijo pra me tatuar
1 060
Martha Medeiros
nanci num dia diana
nanci num dia diana
a ana me ama, me norma, me helena
serena, me ensinou a ver a verdade, vera
que dói menos que uma ilusão fausta
de tarde eu tenho tereza
e vivo uma magda magia
alegria, maria, calor de suor
de se ficar eduarda
quem dera denise
eu poder ser suzana
e ler lia muitas laudas
lauras
olga tem lindos olhos
olhe
e luiza tem luz
e alice tem paz
na cara karin eu quero
uma risada rosaura
um sono soninha de outrora
isadora, que namora isabel
neca de amor, ane versando a razão
coração, corália de canções
a musa musical de soraia
a saia de zélia
acabo de lena notícia letícia
caio de katia no chão
choro, clara
tetê temia meus medos
tenho medo da morte
tenho medo do mar
tenho medo de amar
tenho medo de marta
a ana me ama, me norma, me helena
serena, me ensinou a ver a verdade, vera
que dói menos que uma ilusão fausta
de tarde eu tenho tereza
e vivo uma magda magia
alegria, maria, calor de suor
de se ficar eduarda
quem dera denise
eu poder ser suzana
e ler lia muitas laudas
lauras
olga tem lindos olhos
olhe
e luiza tem luz
e alice tem paz
na cara karin eu quero
uma risada rosaura
um sono soninha de outrora
isadora, que namora isabel
neca de amor, ane versando a razão
coração, corália de canções
a musa musical de soraia
a saia de zélia
acabo de lena notícia letícia
caio de katia no chão
choro, clara
tetê temia meus medos
tenho medo da morte
tenho medo do mar
tenho medo de amar
tenho medo de marta
1 111
Martha Medeiros
aquele monstro que você pensou que era
aquele monstro que você pensou que era
é um bobo covarde que só fala besteiras
vive dizendo que mata, estrangula, devora
mas quando muito enforca umas
segundas-feiras
é um bobo covarde que só fala besteiras
vive dizendo que mata, estrangula, devora
mas quando muito enforca umas
segundas-feiras
597
Martha Medeiros
aquele monstro que você pensou que era
aquele monstro que você pensou que era
é um bobo covarde que só fala besteiras
vive dizendo que mata, estrangula, devora
mas quando muito enforca umas
segundas-feiras
é um bobo covarde que só fala besteiras
vive dizendo que mata, estrangula, devora
mas quando muito enforca umas
segundas-feiras
597
Martha Medeiros
aquele monstro que você pensou que era
aquele monstro que você pensou que era
é um bobo covarde que só fala besteiras
vive dizendo que mata, estrangula, devora
mas quando muito enforca umas
segundas-feiras
é um bobo covarde que só fala besteiras
vive dizendo que mata, estrangula, devora
mas quando muito enforca umas
segundas-feiras
597
Martha Medeiros
estou assim tão melada de coisas
estou assim tão melada de coisas
prontas
tudo começou a pouco
e já estou tão tonta.
.
.
prontas
tudo começou a pouco
e já estou tão tonta.
.
.
1 240
Martha Medeiros
não devia te contar
não devia te contar
mas se você guardar segredo
eu revelo este meu medo
de não saber amar
não devia te amar
mas se você guardar meu medo
eu revelo este segredo
que não sei contar
mas se você guardar segredo
eu revelo este meu medo
de não saber amar
não devia te amar
mas se você guardar meu medo
eu revelo este segredo
que não sei contar
1 086
Martha Medeiros
não devia te contar
não devia te contar
mas se você guardar segredo
eu revelo este meu medo
de não saber amar
não devia te amar
mas se você guardar meu medo
eu revelo este segredo
que não sei contar
mas se você guardar segredo
eu revelo este meu medo
de não saber amar
não devia te amar
mas se você guardar meu medo
eu revelo este segredo
que não sei contar
1 086
Martha Medeiros
eu quero
eu quero
amor piscina
que sobe e desce trampolins
cai e sai nadando
amor em que se afunda e simplesmente
sai se amando
amor piscina
que sobe e desce trampolins
cai e sai nadando
amor em que se afunda e simplesmente
sai se amando
1 128
Martha Medeiros
eu quero
eu quero
amor piscina
que sobe e desce trampolins
cai e sai nadando
amor em que se afunda e simplesmente
sai se amando
amor piscina
que sobe e desce trampolins
cai e sai nadando
amor em que se afunda e simplesmente
sai se amando
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Martha Medeiros
vou andando devagar
vou andando devagar
olhando para um lado
para o outro
rindo ali, pensando aqui
de repente
vejo você na minha frente
e até pararia de andar
se você não fosse
estacionamento proibido
olhando para um lado
para o outro
rindo ali, pensando aqui
de repente
vejo você na minha frente
e até pararia de andar
se você não fosse
estacionamento proibido
1 074
Sophia de Mello Breyner Andresen
Assassinato de Simonetta Vespucci
Homens
No perfil agudo dos quartos
Nos ângulos mortais da sombra com a luz.
Vê como as espadas nascem evidentes
Sem que ninguém as erguesse — de repente.
Vê como os gestos se esculpem
Em geometrias exactas do destino.
Vê como os homens se tornam animais
E como os animais se tornam anjos
E um só irrompe e faz um lírio de si mesmo.
Vê como pairam longamente os olhos
Cheios de liquidez, cheios de mágoa
De uma mulher nos seus cabelos estrangulada.
E todo o quarto jaz abandonado
Cheio de horror e cheio de desordem.
E as portas ficam abertas,
Abertas para os caminhos
Por onde os homens fogem,
No silêncio agudo dos espaços,
Nos ângulos mortais da sombra com a luz.
No perfil agudo dos quartos
Nos ângulos mortais da sombra com a luz.
Vê como as espadas nascem evidentes
Sem que ninguém as erguesse — de repente.
Vê como os gestos se esculpem
Em geometrias exactas do destino.
Vê como os homens se tornam animais
E como os animais se tornam anjos
E um só irrompe e faz um lírio de si mesmo.
Vê como pairam longamente os olhos
Cheios de liquidez, cheios de mágoa
De uma mulher nos seus cabelos estrangulada.
E todo o quarto jaz abandonado
Cheio de horror e cheio de desordem.
E as portas ficam abertas,
Abertas para os caminhos
Por onde os homens fogem,
No silêncio agudo dos espaços,
Nos ângulos mortais da sombra com a luz.
1 706
Sophia de Mello Breyner Andresen
Assassinato de Simonetta Vespucci
Homens
No perfil agudo dos quartos
Nos ângulos mortais da sombra com a luz.
Vê como as espadas nascem evidentes
Sem que ninguém as erguesse — de repente.
Vê como os gestos se esculpem
Em geometrias exactas do destino.
Vê como os homens se tornam animais
E como os animais se tornam anjos
E um só irrompe e faz um lírio de si mesmo.
Vê como pairam longamente os olhos
Cheios de liquidez, cheios de mágoa
De uma mulher nos seus cabelos estrangulada.
E todo o quarto jaz abandonado
Cheio de horror e cheio de desordem.
E as portas ficam abertas,
Abertas para os caminhos
Por onde os homens fogem,
No silêncio agudo dos espaços,
Nos ângulos mortais da sombra com a luz.
No perfil agudo dos quartos
Nos ângulos mortais da sombra com a luz.
Vê como as espadas nascem evidentes
Sem que ninguém as erguesse — de repente.
Vê como os gestos se esculpem
Em geometrias exactas do destino.
Vê como os homens se tornam animais
E como os animais se tornam anjos
E um só irrompe e faz um lírio de si mesmo.
Vê como pairam longamente os olhos
Cheios de liquidez, cheios de mágoa
De uma mulher nos seus cabelos estrangulada.
E todo o quarto jaz abandonado
Cheio de horror e cheio de desordem.
E as portas ficam abertas,
Abertas para os caminhos
Por onde os homens fogem,
No silêncio agudo dos espaços,
Nos ângulos mortais da sombra com a luz.
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