Poemas neste tema
Emoções e Sentimentos
Adélia Prado
Crucifixão
Quando nada socorre
e até a solicitude dos que nos têm amor parece engano,
o ente sinistro ronda.
Estás sozinho e não é no deserto,
no mar aberto não é,
lugares onde ainda se pode debater.
É antes da explosão que resultou no mundo,
quando eram uma coisa só adoração e blasfêmia,
o desumano limite onde deuses imperfeitos te castigam.
Ali, como um cordeiro de Deus descobrirás:
Minha vida é eterna e eu sou bom.
e até a solicitude dos que nos têm amor parece engano,
o ente sinistro ronda.
Estás sozinho e não é no deserto,
no mar aberto não é,
lugares onde ainda se pode debater.
É antes da explosão que resultou no mundo,
quando eram uma coisa só adoração e blasfêmia,
o desumano limite onde deuses imperfeitos te castigam.
Ali, como um cordeiro de Deus descobrirás:
Minha vida é eterna e eu sou bom.
1 083
Adélia Prado
O Pai
Deus não fala comigo
nem uma palavrinha das que sussurra aos santos.
Sabe que tenho medo e, se o fizesse,
como um aborígine coberto de amuletos
sacrificaria aos estalidos da mata;
não me tirasse a vida um tal terror.
A seus afagos não sei como agradecer,
beija-flor que entra na tenda,
flor que sob meus olhos desabrocha,
três rolinhas imóveis sobre o muro
e uma alegria súbita,
gozo no espírito estremecendo a carne.
Mesmo depois de velha me trata como filhinha.
De tempestades, só mostra o começo e o fim.
nem uma palavrinha das que sussurra aos santos.
Sabe que tenho medo e, se o fizesse,
como um aborígine coberto de amuletos
sacrificaria aos estalidos da mata;
não me tirasse a vida um tal terror.
A seus afagos não sei como agradecer,
beija-flor que entra na tenda,
flor que sob meus olhos desabrocha,
três rolinhas imóveis sobre o muro
e uma alegria súbita,
gozo no espírito estremecendo a carne.
Mesmo depois de velha me trata como filhinha.
De tempestades, só mostra o começo e o fim.
2 090
Adélia Prado
A Sempre-Viva
Gostava de cantar A flor mimosa:
“Nas pétulas de ouro
que esta flor ostenta...”
Pétula, a palavra errada,
agulha no coração,
uma certa vergonha,
culpa por lhe ter dito:
é pétala, pai, é pétala.
Ah! Pois venho cantando errado a vida inteira.
Que vale essa lembrança?
Cinquenta anos já e a agulha tornada faca,
sua lâmina ainda vibra.
É excruciante o amor,
mas por nada no mundo trocarei sua pena.
“Nas pétulas de ouro
que esta flor ostenta...”
Pétula, a palavra errada,
agulha no coração,
uma certa vergonha,
culpa por lhe ter dito:
é pétala, pai, é pétala.
Ah! Pois venho cantando errado a vida inteira.
Que vale essa lembrança?
Cinquenta anos já e a agulha tornada faca,
sua lâmina ainda vibra.
É excruciante o amor,
mas por nada no mundo trocarei sua pena.
1 409
Adélia Prado
O Vivente
Sem avisos se mostra
a duração perfeita,
forma que de si mesma se acrescenta
e na mesma medida permanece.
Contemplá-la
é querer para si toda a pobreza.
Não causa medo,
só o belo tremor da noiva
deixando a casa paterna.
O que diz é: vem.
O que é: abismo.
Puro gozo
que à medida que come
mais tem fome.
a duração perfeita,
forma que de si mesma se acrescenta
e na mesma medida permanece.
Contemplá-la
é querer para si toda a pobreza.
Não causa medo,
só o belo tremor da noiva
deixando a casa paterna.
O que diz é: vem.
O que é: abismo.
Puro gozo
que à medida que come
mais tem fome.
1 114
Adélia Prado
Inconcluso
O dia em sua metade
e o calor do corpo ainda não me deixou.
Ele estava em minha casa e ia comer conosco.
Enquanto a mãe cozinhava,
esgueirou-se e disse no meu ouvido:
Quero falar com você.
Vamos até ali, respondi abrasada,
medrosa de que alguém nos visse.
Chegara com um frango depenado
— o que não me abalava o enlevo —
como se me testasse:
A quem não ama seu corpo,
sua alma lhe fecha a porta.
Ai, que meu pai não me visse assim tão ofegante
e estumasse seu nariz perdigueiro
à cica que me entranhava.
O sonho acabou aqui, onde estou até agora
ardente e virgem.
e o calor do corpo ainda não me deixou.
Ele estava em minha casa e ia comer conosco.
Enquanto a mãe cozinhava,
esgueirou-se e disse no meu ouvido:
Quero falar com você.
Vamos até ali, respondi abrasada,
medrosa de que alguém nos visse.
Chegara com um frango depenado
— o que não me abalava o enlevo —
como se me testasse:
A quem não ama seu corpo,
sua alma lhe fecha a porta.
Ai, que meu pai não me visse assim tão ofegante
e estumasse seu nariz perdigueiro
à cica que me entranhava.
O sonho acabou aqui, onde estou até agora
ardente e virgem.
1 194
Adélia Prado
Inconcluso
O dia em sua metade
e o calor do corpo ainda não me deixou.
Ele estava em minha casa e ia comer conosco.
Enquanto a mãe cozinhava,
esgueirou-se e disse no meu ouvido:
Quero falar com você.
Vamos até ali, respondi abrasada,
medrosa de que alguém nos visse.
Chegara com um frango depenado
— o que não me abalava o enlevo —
como se me testasse:
A quem não ama seu corpo,
sua alma lhe fecha a porta.
Ai, que meu pai não me visse assim tão ofegante
e estumasse seu nariz perdigueiro
à cica que me entranhava.
O sonho acabou aqui, onde estou até agora
ardente e virgem.
e o calor do corpo ainda não me deixou.
Ele estava em minha casa e ia comer conosco.
Enquanto a mãe cozinhava,
esgueirou-se e disse no meu ouvido:
Quero falar com você.
Vamos até ali, respondi abrasada,
medrosa de que alguém nos visse.
Chegara com um frango depenado
— o que não me abalava o enlevo —
como se me testasse:
A quem não ama seu corpo,
sua alma lhe fecha a porta.
Ai, que meu pai não me visse assim tão ofegante
e estumasse seu nariz perdigueiro
à cica que me entranhava.
O sonho acabou aqui, onde estou até agora
ardente e virgem.
1 194
Florbela Espanca
Há de ser luz do sol em tardes quentes
Há de ser luz do sol em tardes quentes,
Nos olhos de água clara há de trazer
As fúlgidas pupilas das videntes!
<Há de ser seiva no botão repleto
Voz no murmúrio do pequeno insecto,
Vento que enfuna as velas sobre os mastros!...
<Há de ser Outro e Outro num momento!
Força viva, brutal, em movimento,
Astro arrastando catadupas de astros!
Nos olhos de água clara há de trazer
As fúlgidas pupilas das videntes!
<Há de ser seiva no botão repleto
Voz no murmúrio do pequeno insecto,
Vento que enfuna as velas sobre os mastros!...
<Há de ser Outro e Outro num momento!
Força viva, brutal, em movimento,
Astro arrastando catadupas de astros!
624
Adélia Prado
Do Verbo Divino
Três aves juntas limpam-se as penas
e param imóveis
no mesmo instante em que intento dizer-me
da perfeita alegria.
Ninguém acreditará,
me empenho em fechar os termos
desta escritura difícil
e estão lá as três,
estáticas como a Trindade Santíssima.
Faz tempo que estou aqui
com medo de levantar-me
e descosturar o inconsútil.
Mudam de galho as três,
uma licença pra eu também me mover
e escapar como as rolas
da perfeição de ser.
e param imóveis
no mesmo instante em que intento dizer-me
da perfeita alegria.
Ninguém acreditará,
me empenho em fechar os termos
desta escritura difícil
e estão lá as três,
estáticas como a Trindade Santíssima.
Faz tempo que estou aqui
com medo de levantar-me
e descosturar o inconsútil.
Mudam de galho as três,
uma licença pra eu também me mover
e escapar como as rolas
da perfeição de ser.
1 215
Adélia Prado
Do Verbo Divino
Três aves juntas limpam-se as penas
e param imóveis
no mesmo instante em que intento dizer-me
da perfeita alegria.
Ninguém acreditará,
me empenho em fechar os termos
desta escritura difícil
e estão lá as três,
estáticas como a Trindade Santíssima.
Faz tempo que estou aqui
com medo de levantar-me
e descosturar o inconsútil.
Mudam de galho as três,
uma licença pra eu também me mover
e escapar como as rolas
da perfeição de ser.
e param imóveis
no mesmo instante em que intento dizer-me
da perfeita alegria.
Ninguém acreditará,
me empenho em fechar os termos
desta escritura difícil
e estão lá as três,
estáticas como a Trindade Santíssima.
Faz tempo que estou aqui
com medo de levantar-me
e descosturar o inconsútil.
Mudam de galho as três,
uma licença pra eu também me mover
e escapar como as rolas
da perfeição de ser.
1 215
Adélia Prado
A Madrugada Suspensa
A fria estação recobre a terra
com a pele dos sonhos.
Insinuado apenas, tudo se equivale
na maciez cinzenta.
Nada é voraz.
A nevoenta cortina trata a luz com brandura,
quanto mais baça, tanto mais eterno
o halo reflexo no vapor suspenso.
Sorvo encolhida a gélida beleza,
meu respirar transvaza convertido,
ele também, em pura e só neblina.
com a pele dos sonhos.
Insinuado apenas, tudo se equivale
na maciez cinzenta.
Nada é voraz.
A nevoenta cortina trata a luz com brandura,
quanto mais baça, tanto mais eterno
o halo reflexo no vapor suspenso.
Sorvo encolhida a gélida beleza,
meu respirar transvaza convertido,
ele também, em pura e só neblina.
1 120
Adélia Prado
Os Comoventes Preconceitos
As finuras de Margarete
fogem a padrões sociais:
‘O popular, tudo bem.
Mas o clássico é imbatível!’
Com a alma à porta da rua
nada esconde de si mesma.
Vi tremer-lhe o queixo um dia
a ardoroso pretendente:
‘Você por acaso é gay?’
Sofre muito Margarete,
a que não sabe doer-se,
inocente como romã,
que racha por não conter-se.
fogem a padrões sociais:
‘O popular, tudo bem.
Mas o clássico é imbatível!’
Com a alma à porta da rua
nada esconde de si mesma.
Vi tremer-lhe o queixo um dia
a ardoroso pretendente:
‘Você por acaso é gay?’
Sofre muito Margarete,
a que não sabe doer-se,
inocente como romã,
que racha por não conter-se.
1 007
Adélia Prado
Dádivas
Como boas senhoras brincam as marrecas,
falsas mofinas debicando nos filhos.
Ruflares, respingos, grasnares,
que bom estar no mundo
a esta hora do dia!
De maneira perfeita tudo é bom,
até mulheres boçais amam gerânios,
não se tem certeza de que vamos morrer,
velhas se consentem em suas vulvas,
agradecendo a Deus por seus maridos.
Até eu, pudica, arrisco: Ei, baby!
Meu corpo me ama e quer reciprocidade.
São os relógios
o mais obsoleto dos inventos.
falsas mofinas debicando nos filhos.
Ruflares, respingos, grasnares,
que bom estar no mundo
a esta hora do dia!
De maneira perfeita tudo é bom,
até mulheres boçais amam gerânios,
não se tem certeza de que vamos morrer,
velhas se consentem em suas vulvas,
agradecendo a Deus por seus maridos.
Até eu, pudica, arrisco: Ei, baby!
Meu corpo me ama e quer reciprocidade.
São os relógios
o mais obsoleto dos inventos.
1 112
Adélia Prado
A Pintora
Hoje de tarde
pus uma cadeira no sol pra chupar tangerinas
e comecei a chorar,
até me lembrar de que podia
falar sem mediação com o próprio Deus
daquela coisa vermelho-sangue, roxo-frio, cinza.
Me agarrei aos seus pés:
Vós sabeis, Vós sabeis,
só Vós sabeis, só Vós.
O bagaço da laranja, suas sementes
me olhavam da casca em concha
na mão seca.
Não queria palavras pra rezar,
bastava-me ser um quadro
bem na frente de Deus
para Ele olhar.
pus uma cadeira no sol pra chupar tangerinas
e comecei a chorar,
até me lembrar de que podia
falar sem mediação com o próprio Deus
daquela coisa vermelho-sangue, roxo-frio, cinza.
Me agarrei aos seus pés:
Vós sabeis, Vós sabeis,
só Vós sabeis, só Vós.
O bagaço da laranja, suas sementes
me olhavam da casca em concha
na mão seca.
Não queria palavras pra rezar,
bastava-me ser um quadro
bem na frente de Deus
para Ele olhar.
2 770
Adélia Prado
Tenda E Cimitarra
O amor de Mahmoud
me põe mal-acostumada.
Corro o perigo de me deitar na preguiça,
querer comida na boca.
Meu amor por ele é sincero
mas muito judiador:
Tem Nossa Senhora no seu terra, benzinho?
Tem borboletas lá?
Quero comprar coisas no bazar de vocês,
pechinchar por sinais,
trocar simpatias com o turco maravilhoso
me olhando fixo e escuro
de tanta paixão por mim.
Mahmoud cerra os dentes de raiva,
cospe espadas em curva feito lua e
mesmo delicado me morde,
grunhindo na língua dele
uns belos sons que não entendo.
Mahmoud, nosso amor está prestes
a ficar conjugal, agora estou segura
de que nunca vais ver que envelheci.
me põe mal-acostumada.
Corro o perigo de me deitar na preguiça,
querer comida na boca.
Meu amor por ele é sincero
mas muito judiador:
Tem Nossa Senhora no seu terra, benzinho?
Tem borboletas lá?
Quero comprar coisas no bazar de vocês,
pechinchar por sinais,
trocar simpatias com o turco maravilhoso
me olhando fixo e escuro
de tanta paixão por mim.
Mahmoud cerra os dentes de raiva,
cospe espadas em curva feito lua e
mesmo delicado me morde,
grunhindo na língua dele
uns belos sons que não entendo.
Mahmoud, nosso amor está prestes
a ficar conjugal, agora estou segura
de que nunca vais ver que envelheci.
1 027
Adélia Prado
Tenda E Cimitarra
O amor de Mahmoud
me põe mal-acostumada.
Corro o perigo de me deitar na preguiça,
querer comida na boca.
Meu amor por ele é sincero
mas muito judiador:
Tem Nossa Senhora no seu terra, benzinho?
Tem borboletas lá?
Quero comprar coisas no bazar de vocês,
pechinchar por sinais,
trocar simpatias com o turco maravilhoso
me olhando fixo e escuro
de tanta paixão por mim.
Mahmoud cerra os dentes de raiva,
cospe espadas em curva feito lua e
mesmo delicado me morde,
grunhindo na língua dele
uns belos sons que não entendo.
Mahmoud, nosso amor está prestes
a ficar conjugal, agora estou segura
de que nunca vais ver que envelheci.
me põe mal-acostumada.
Corro o perigo de me deitar na preguiça,
querer comida na boca.
Meu amor por ele é sincero
mas muito judiador:
Tem Nossa Senhora no seu terra, benzinho?
Tem borboletas lá?
Quero comprar coisas no bazar de vocês,
pechinchar por sinais,
trocar simpatias com o turco maravilhoso
me olhando fixo e escuro
de tanta paixão por mim.
Mahmoud cerra os dentes de raiva,
cospe espadas em curva feito lua e
mesmo delicado me morde,
grunhindo na língua dele
uns belos sons que não entendo.
Mahmoud, nosso amor está prestes
a ficar conjugal, agora estou segura
de que nunca vais ver que envelheci.
1 027
Adélia Prado
A Postulante
Deus tem todo o poder,
até o de, por um dia inteiro, me escutar chorando
sem me infligir castigo.
Tenho natureza triste,
comi sal de lágrimas no leite de minha mãe.
O vazio me chama, os ermos,
tudo que tenha olhos órfãos.
Antes do baile já vejo os bailarinos
chegando em casa com os sapatos na mão.
O jantar é bom, mas eructar é triste,
quase impoetizável.
Deveras, não hás de banir-me
do ofício do Teu louvor,
se até uns passarinhos cantam triste.
até o de, por um dia inteiro, me escutar chorando
sem me infligir castigo.
Tenho natureza triste,
comi sal de lágrimas no leite de minha mãe.
O vazio me chama, os ermos,
tudo que tenha olhos órfãos.
Antes do baile já vejo os bailarinos
chegando em casa com os sapatos na mão.
O jantar é bom, mas eructar é triste,
quase impoetizável.
Deveras, não hás de banir-me
do ofício do Teu louvor,
se até uns passarinhos cantam triste.
1 569
Adélia Prado
A Postulante
Deus tem todo o poder,
até o de, por um dia inteiro, me escutar chorando
sem me infligir castigo.
Tenho natureza triste,
comi sal de lágrimas no leite de minha mãe.
O vazio me chama, os ermos,
tudo que tenha olhos órfãos.
Antes do baile já vejo os bailarinos
chegando em casa com os sapatos na mão.
O jantar é bom, mas eructar é triste,
quase impoetizável.
Deveras, não hás de banir-me
do ofício do Teu louvor,
se até uns passarinhos cantam triste.
até o de, por um dia inteiro, me escutar chorando
sem me infligir castigo.
Tenho natureza triste,
comi sal de lágrimas no leite de minha mãe.
O vazio me chama, os ermos,
tudo que tenha olhos órfãos.
Antes do baile já vejo os bailarinos
chegando em casa com os sapatos na mão.
O jantar é bom, mas eructar é triste,
quase impoetizável.
Deveras, não hás de banir-me
do ofício do Teu louvor,
se até uns passarinhos cantam triste.
1 569
Adélia Prado
No Jardim
Sob sol quente, no jardim flamejante
a varejeira rebrilha, joia viva.
O poder de Deus me aterra em sua inércia.
Não vai impedir a mosca de botar seus ovos
sobre a língua defunta que Lhe cantou as obras.
Tremo, obrigada que sou
a ver Seu rosto sob vermes.
a varejeira rebrilha, joia viva.
O poder de Deus me aterra em sua inércia.
Não vai impedir a mosca de botar seus ovos
sobre a língua defunta que Lhe cantou as obras.
Tremo, obrigada que sou
a ver Seu rosto sob vermes.
1 379
Adélia Prado
Âncoras
Amo o deserto,
mas por causa das cobras
não alcanço o repouso
de sua cama de areia.
O jardineiro inepto
cortou o rebento esplêndido,
é meu braço que corta.
Nada é como quero que seja,
não há aqui um só lugar
que possa chamar de meu,
pareço amar a tristeza,
como o navio aos ferros do seu aprumo.
Lançar âncoras é uma ideia feliz.
Os navios me causam
compaixão e espanto.
mas por causa das cobras
não alcanço o repouso
de sua cama de areia.
O jardineiro inepto
cortou o rebento esplêndido,
é meu braço que corta.
Nada é como quero que seja,
não há aqui um só lugar
que possa chamar de meu,
pareço amar a tristeza,
como o navio aos ferros do seu aprumo.
Lançar âncoras é uma ideia feliz.
Os navios me causam
compaixão e espanto.
1 256
Adélia Prado
Âncoras
Amo o deserto,
mas por causa das cobras
não alcanço o repouso
de sua cama de areia.
O jardineiro inepto
cortou o rebento esplêndido,
é meu braço que corta.
Nada é como quero que seja,
não há aqui um só lugar
que possa chamar de meu,
pareço amar a tristeza,
como o navio aos ferros do seu aprumo.
Lançar âncoras é uma ideia feliz.
Os navios me causam
compaixão e espanto.
mas por causa das cobras
não alcanço o repouso
de sua cama de areia.
O jardineiro inepto
cortou o rebento esplêndido,
é meu braço que corta.
Nada é como quero que seja,
não há aqui um só lugar
que possa chamar de meu,
pareço amar a tristeza,
como o navio aos ferros do seu aprumo.
Lançar âncoras é uma ideia feliz.
Os navios me causam
compaixão e espanto.
1 256
Adélia Prado
Deve Ser Amor
É preciso fé para cortar as unhas,
cuidar dos dentes como bens de empréstimo.
O cobrador invisível bate à porta.
Não durmo, ele também não.
Deve ser amor o que nos deixa unidos
neste avesso de mística.
Por orgulho de pobre
dou por bastante a pouca claridade
e prefiro a vigília
antes que ter repouso.
cuidar dos dentes como bens de empréstimo.
O cobrador invisível bate à porta.
Não durmo, ele também não.
Deve ser amor o que nos deixa unidos
neste avesso de mística.
Por orgulho de pobre
dou por bastante a pouca claridade
e prefiro a vigília
antes que ter repouso.
1 251
Adélia Prado
Deve Ser Amor
É preciso fé para cortar as unhas,
cuidar dos dentes como bens de empréstimo.
O cobrador invisível bate à porta.
Não durmo, ele também não.
Deve ser amor o que nos deixa unidos
neste avesso de mística.
Por orgulho de pobre
dou por bastante a pouca claridade
e prefiro a vigília
antes que ter repouso.
cuidar dos dentes como bens de empréstimo.
O cobrador invisível bate à porta.
Não durmo, ele também não.
Deve ser amor o que nos deixa unidos
neste avesso de mística.
Por orgulho de pobre
dou por bastante a pouca claridade
e prefiro a vigília
antes que ter repouso.
1 251
Adélia Prado
Deve Ser Amor
É preciso fé para cortar as unhas,
cuidar dos dentes como bens de empréstimo.
O cobrador invisível bate à porta.
Não durmo, ele também não.
Deve ser amor o que nos deixa unidos
neste avesso de mística.
Por orgulho de pobre
dou por bastante a pouca claridade
e prefiro a vigília
antes que ter repouso.
cuidar dos dentes como bens de empréstimo.
O cobrador invisível bate à porta.
Não durmo, ele também não.
Deve ser amor o que nos deixa unidos
neste avesso de mística.
Por orgulho de pobre
dou por bastante a pouca claridade
e prefiro a vigília
antes que ter repouso.
1 251
Adélia Prado
Deve Ser Amor
É preciso fé para cortar as unhas,
cuidar dos dentes como bens de empréstimo.
O cobrador invisível bate à porta.
Não durmo, ele também não.
Deve ser amor o que nos deixa unidos
neste avesso de mística.
Por orgulho de pobre
dou por bastante a pouca claridade
e prefiro a vigília
antes que ter repouso.
cuidar dos dentes como bens de empréstimo.
O cobrador invisível bate à porta.
Não durmo, ele também não.
Deve ser amor o que nos deixa unidos
neste avesso de mística.
Por orgulho de pobre
dou por bastante a pouca claridade
e prefiro a vigília
antes que ter repouso.
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