Poemas neste tema
Emoções e Sentimentos
António Ramos Rosa
Mediadora Negra I
A que diz não e nunca
inexorável e negra
a impossível e só
pedra desolação.
Quando imensamente cresce
abraçando desmembrando
toda a distância obscura
estéril inútil cega.
Que silêncios alucinam
a já nunca mensageira
dos obscuros relâmpagos
de um pensamento sem música.
Já nos cinzentos abismos
sem jardim nem horizonte.
Ávida, inerme, enorme
delira palavras vãs.
inexorável e negra
a impossível e só
pedra desolação.
Quando imensamente cresce
abraçando desmembrando
toda a distância obscura
estéril inútil cega.
Que silêncios alucinam
a já nunca mensageira
dos obscuros relâmpagos
de um pensamento sem música.
Já nos cinzentos abismos
sem jardim nem horizonte.
Ávida, inerme, enorme
delira palavras vãs.
1 051
António Ramos Rosa
Mediadora Árida
Que pedra de música
subsiste
na argila cega?
Que navios no subsolo?
Ouço a sombra árida
do corpo, ouço os animais
sem água
nas caves clandestinas.
Onde as vogais do fogo
no fulgor do vento?
subsiste
na argila cega?
Que navios no subsolo?
Ouço a sombra árida
do corpo, ouço os animais
sem água
nas caves clandestinas.
Onde as vogais do fogo
no fulgor do vento?
1 032
António Ramos Rosa
Mediadora do Vento
Ligeira sobre o dia
ao som dos jogos,
desliza com o vento
num encantado gozo.
Pelas praias do ar
difunde-se em prodígios.
Tudo é acaso leve,
tudo é prodígio simples.
Pequena e magnífica
no seu amor volante
propaga sem destino
surpresas e carícias.
Pátria, só a do vento
de tão subtil e viva.
Azul, sempre azul
em completa alegria.
ao som dos jogos,
desliza com o vento
num encantado gozo.
Pelas praias do ar
difunde-se em prodígios.
Tudo é acaso leve,
tudo é prodígio simples.
Pequena e magnífica
no seu amor volante
propaga sem destino
surpresas e carícias.
Pátria, só a do vento
de tão subtil e viva.
Azul, sempre azul
em completa alegria.
921
António Ramos Rosa
Mediadora Vazia
Já deslembrada, perdida
na agonia da sede.
Obscura e sem lugar
morta vivendo em luz cega.
Sempre a areia do deserto
e calcinadas as frases
sem lucidez nem repouso,
imagens despedaçadas.
Qual o último país?
Qual o silêncio do mar?
Do seu nulo amor errante
resta o seu halo inquieto.
Era um secreto jardim
de obscura transparência,
era um corpo, era um recinto
de silenciosa alegria.
Ausência, menos que água,
estrangeira e solitária,
busca a esfera azul e limpa,
a nitidez de um lugar.
Amante escura, longínqua,
que pátria no seu desterro,
que presságio de sossego,
que dom impossível tem?
Sua viagem é um exílio
no vazio transparente
onde cristal não cintila
nem um liso mundo gira.
Só no ardor se ultrapassa
e vibra já sem fronteiras,
a derradeira, a primeira,
num sopro que inscreve a vida.
na agonia da sede.
Obscura e sem lugar
morta vivendo em luz cega.
Sempre a areia do deserto
e calcinadas as frases
sem lucidez nem repouso,
imagens despedaçadas.
Qual o último país?
Qual o silêncio do mar?
Do seu nulo amor errante
resta o seu halo inquieto.
Era um secreto jardim
de obscura transparência,
era um corpo, era um recinto
de silenciosa alegria.
Ausência, menos que água,
estrangeira e solitária,
busca a esfera azul e limpa,
a nitidez de um lugar.
Amante escura, longínqua,
que pátria no seu desterro,
que presságio de sossego,
que dom impossível tem?
Sua viagem é um exílio
no vazio transparente
onde cristal não cintila
nem um liso mundo gira.
Só no ardor se ultrapassa
e vibra já sem fronteiras,
a derradeira, a primeira,
num sopro que inscreve a vida.
1 065
António Ramos Rosa
Mediadora Vazia
Já deslembrada, perdida
na agonia da sede.
Obscura e sem lugar
morta vivendo em luz cega.
Sempre a areia do deserto
e calcinadas as frases
sem lucidez nem repouso,
imagens despedaçadas.
Qual o último país?
Qual o silêncio do mar?
Do seu nulo amor errante
resta o seu halo inquieto.
Era um secreto jardim
de obscura transparência,
era um corpo, era um recinto
de silenciosa alegria.
Ausência, menos que água,
estrangeira e solitária,
busca a esfera azul e limpa,
a nitidez de um lugar.
Amante escura, longínqua,
que pátria no seu desterro,
que presságio de sossego,
que dom impossível tem?
Sua viagem é um exílio
no vazio transparente
onde cristal não cintila
nem um liso mundo gira.
Só no ardor se ultrapassa
e vibra já sem fronteiras,
a derradeira, a primeira,
num sopro que inscreve a vida.
na agonia da sede.
Obscura e sem lugar
morta vivendo em luz cega.
Sempre a areia do deserto
e calcinadas as frases
sem lucidez nem repouso,
imagens despedaçadas.
Qual o último país?
Qual o silêncio do mar?
Do seu nulo amor errante
resta o seu halo inquieto.
Era um secreto jardim
de obscura transparência,
era um corpo, era um recinto
de silenciosa alegria.
Ausência, menos que água,
estrangeira e solitária,
busca a esfera azul e limpa,
a nitidez de um lugar.
Amante escura, longínqua,
que pátria no seu desterro,
que presságio de sossego,
que dom impossível tem?
Sua viagem é um exílio
no vazio transparente
onde cristal não cintila
nem um liso mundo gira.
Só no ardor se ultrapassa
e vibra já sem fronteiras,
a derradeira, a primeira,
num sopro que inscreve a vida.
1 065
António Ramos Rosa
Mediadora Vazia
Já deslembrada, perdida
na agonia da sede.
Obscura e sem lugar
morta vivendo em luz cega.
Sempre a areia do deserto
e calcinadas as frases
sem lucidez nem repouso,
imagens despedaçadas.
Qual o último país?
Qual o silêncio do mar?
Do seu nulo amor errante
resta o seu halo inquieto.
Era um secreto jardim
de obscura transparência,
era um corpo, era um recinto
de silenciosa alegria.
Ausência, menos que água,
estrangeira e solitária,
busca a esfera azul e limpa,
a nitidez de um lugar.
Amante escura, longínqua,
que pátria no seu desterro,
que presságio de sossego,
que dom impossível tem?
Sua viagem é um exílio
no vazio transparente
onde cristal não cintila
nem um liso mundo gira.
Só no ardor se ultrapassa
e vibra já sem fronteiras,
a derradeira, a primeira,
num sopro que inscreve a vida.
na agonia da sede.
Obscura e sem lugar
morta vivendo em luz cega.
Sempre a areia do deserto
e calcinadas as frases
sem lucidez nem repouso,
imagens despedaçadas.
Qual o último país?
Qual o silêncio do mar?
Do seu nulo amor errante
resta o seu halo inquieto.
Era um secreto jardim
de obscura transparência,
era um corpo, era um recinto
de silenciosa alegria.
Ausência, menos que água,
estrangeira e solitária,
busca a esfera azul e limpa,
a nitidez de um lugar.
Amante escura, longínqua,
que pátria no seu desterro,
que presságio de sossego,
que dom impossível tem?
Sua viagem é um exílio
no vazio transparente
onde cristal não cintila
nem um liso mundo gira.
Só no ardor se ultrapassa
e vibra já sem fronteiras,
a derradeira, a primeira,
num sopro que inscreve a vida.
1 065
António Ramos Rosa
Mediadora da Sombra
A que dissemina o sal
da sombra,
a que circula sem nome
portas sobre
portas.
A que dissemina a sombra
de um incêndio.
A que procura
uma nocturna
pedra.
A que segue
paralelamente à água.
Procura sombra, mais sombra.
da sombra,
a que circula sem nome
portas sobre
portas.
A que dissemina a sombra
de um incêndio.
A que procura
uma nocturna
pedra.
A que segue
paralelamente à água.
Procura sombra, mais sombra.
1 054
António Ramos Rosa
Qual É a Cena? Hesito À Luz Escassa
Qual é a cena? Hesito à luz escassa
Caminho para ela na distância
atravesso salas e salas
dispostas numa ordem regular
e decisiva
que não consigo definir Aqui
o espectáculo começou antes de mim
Quero tocá-la ou vê-la ou antes
quero-a quando ela deflagra
o meu andar é flexível: não desloco os objectos
Lenda ou narrativa vivi talvez o que em tempos me contaram
e o que escrevo agora Tudo se duplica
num movimento presente
As coisas não voltam para mim as faces cegas
e divididas
É um espaço que se move e desenvolve
Um sopro que vem de todos os lados
anima cada coisa
O meu desejo dela a distante figura
identifica-se
com o percurso obscuro em que já não me distingo
do ilimitado organismo dos sinais
Sou a diferença que caminha e que adere à distância
Cada palavra me separa e me diz o lugar
ou não lugar
em que vou falar-lhe É preciso que lhe fale
Ela não me vê e parece não me ouvir
Alguma vez caminhámos nesta cidade, nesta rede?
Alguma vez te perdeste com ela nesta rua?
O rumo repete-se mas desvia-se do passado
há uma recusa viva na sua face inabordável
Não é possível chegar Não é possível deter-me
É para o labirinto que falo e a linguagem responde-me
Assim posso entender o murmúrio das lâmpadas
cada palavra é um acto com que avanço no escuro
estou mais perto da terra de uma árvore de uma erva
e os meus dedos sentem as raízes do obscuro
Adiro a uma chama insubmissa ao sexo do repouso
o percurso é uma fábula o desesperado encanto
do para sempre perdido na maravilha obscura
Não há centro e a figura distancia-se
mas cada passo meu define uma distância solar
em que a figura dela por vezes é um canto
que se confunde com os meandros do labirinto
Caminho para ela na distância
atravesso salas e salas
dispostas numa ordem regular
e decisiva
que não consigo definir Aqui
o espectáculo começou antes de mim
Quero tocá-la ou vê-la ou antes
quero-a quando ela deflagra
o meu andar é flexível: não desloco os objectos
Lenda ou narrativa vivi talvez o que em tempos me contaram
e o que escrevo agora Tudo se duplica
num movimento presente
As coisas não voltam para mim as faces cegas
e divididas
É um espaço que se move e desenvolve
Um sopro que vem de todos os lados
anima cada coisa
O meu desejo dela a distante figura
identifica-se
com o percurso obscuro em que já não me distingo
do ilimitado organismo dos sinais
Sou a diferença que caminha e que adere à distância
Cada palavra me separa e me diz o lugar
ou não lugar
em que vou falar-lhe É preciso que lhe fale
Ela não me vê e parece não me ouvir
Alguma vez caminhámos nesta cidade, nesta rede?
Alguma vez te perdeste com ela nesta rua?
O rumo repete-se mas desvia-se do passado
há uma recusa viva na sua face inabordável
Não é possível chegar Não é possível deter-me
É para o labirinto que falo e a linguagem responde-me
Assim posso entender o murmúrio das lâmpadas
cada palavra é um acto com que avanço no escuro
estou mais perto da terra de uma árvore de uma erva
e os meus dedos sentem as raízes do obscuro
Adiro a uma chama insubmissa ao sexo do repouso
o percurso é uma fábula o desesperado encanto
do para sempre perdido na maravilha obscura
Não há centro e a figura distancia-se
mas cada passo meu define uma distância solar
em que a figura dela por vezes é um canto
que se confunde com os meandros do labirinto
1 024
António Ramos Rosa
Qual É a Cena? Hesito À Luz Escassa
Qual é a cena? Hesito à luz escassa
Caminho para ela na distância
atravesso salas e salas
dispostas numa ordem regular
e decisiva
que não consigo definir Aqui
o espectáculo começou antes de mim
Quero tocá-la ou vê-la ou antes
quero-a quando ela deflagra
o meu andar é flexível: não desloco os objectos
Lenda ou narrativa vivi talvez o que em tempos me contaram
e o que escrevo agora Tudo se duplica
num movimento presente
As coisas não voltam para mim as faces cegas
e divididas
É um espaço que se move e desenvolve
Um sopro que vem de todos os lados
anima cada coisa
O meu desejo dela a distante figura
identifica-se
com o percurso obscuro em que já não me distingo
do ilimitado organismo dos sinais
Sou a diferença que caminha e que adere à distância
Cada palavra me separa e me diz o lugar
ou não lugar
em que vou falar-lhe É preciso que lhe fale
Ela não me vê e parece não me ouvir
Alguma vez caminhámos nesta cidade, nesta rede?
Alguma vez te perdeste com ela nesta rua?
O rumo repete-se mas desvia-se do passado
há uma recusa viva na sua face inabordável
Não é possível chegar Não é possível deter-me
É para o labirinto que falo e a linguagem responde-me
Assim posso entender o murmúrio das lâmpadas
cada palavra é um acto com que avanço no escuro
estou mais perto da terra de uma árvore de uma erva
e os meus dedos sentem as raízes do obscuro
Adiro a uma chama insubmissa ao sexo do repouso
o percurso é uma fábula o desesperado encanto
do para sempre perdido na maravilha obscura
Não há centro e a figura distancia-se
mas cada passo meu define uma distância solar
em que a figura dela por vezes é um canto
que se confunde com os meandros do labirinto
Caminho para ela na distância
atravesso salas e salas
dispostas numa ordem regular
e decisiva
que não consigo definir Aqui
o espectáculo começou antes de mim
Quero tocá-la ou vê-la ou antes
quero-a quando ela deflagra
o meu andar é flexível: não desloco os objectos
Lenda ou narrativa vivi talvez o que em tempos me contaram
e o que escrevo agora Tudo se duplica
num movimento presente
As coisas não voltam para mim as faces cegas
e divididas
É um espaço que se move e desenvolve
Um sopro que vem de todos os lados
anima cada coisa
O meu desejo dela a distante figura
identifica-se
com o percurso obscuro em que já não me distingo
do ilimitado organismo dos sinais
Sou a diferença que caminha e que adere à distância
Cada palavra me separa e me diz o lugar
ou não lugar
em que vou falar-lhe É preciso que lhe fale
Ela não me vê e parece não me ouvir
Alguma vez caminhámos nesta cidade, nesta rede?
Alguma vez te perdeste com ela nesta rua?
O rumo repete-se mas desvia-se do passado
há uma recusa viva na sua face inabordável
Não é possível chegar Não é possível deter-me
É para o labirinto que falo e a linguagem responde-me
Assim posso entender o murmúrio das lâmpadas
cada palavra é um acto com que avanço no escuro
estou mais perto da terra de uma árvore de uma erva
e os meus dedos sentem as raízes do obscuro
Adiro a uma chama insubmissa ao sexo do repouso
o percurso é uma fábula o desesperado encanto
do para sempre perdido na maravilha obscura
Não há centro e a figura distancia-se
mas cada passo meu define uma distância solar
em que a figura dela por vezes é um canto
que se confunde com os meandros do labirinto
1 024
António Ramos Rosa
Mediadora da Ausência
O sol é uma noite suave.
Silencioso triunfo da noite e da nudez.
Cintilantes frutos erguem-se
do abismo. Serenidade fresca.
Reconheço um caminho entre dois reinos.
Jogos da elipse e do contíguo.
Puros relevos. Os negros emblemas
da luz. Os fósseis do rigor.
De que desolado fundo surge a árvore
ou o rosto? O arbitrário poder
das pedras. Ser sem qualidades,
consciência sem palavras.
Paciência na cor e na pedra
do ser. O esplendor dos sulcos brancos.
Abóbada de ausência, círculo do universo.
O que permanece ondula entre o verde e o vento.
Silencioso triunfo da noite e da nudez.
Cintilantes frutos erguem-se
do abismo. Serenidade fresca.
Reconheço um caminho entre dois reinos.
Jogos da elipse e do contíguo.
Puros relevos. Os negros emblemas
da luz. Os fósseis do rigor.
De que desolado fundo surge a árvore
ou o rosto? O arbitrário poder
das pedras. Ser sem qualidades,
consciência sem palavras.
Paciência na cor e na pedra
do ser. O esplendor dos sulcos brancos.
Abóbada de ausência, círculo do universo.
O que permanece ondula entre o verde e o vento.
547
António Ramos Rosa
Mediadora da Presença
E continua o fogo aqui
o fogo tácito
no seu som de espaço abrindo.
Aqui tão só aqui
o prodígio verde de um início
inesperado. Que frágil
a folhagem
e como abriga a veemência
da vigília. O simples
estar aqui
deixa livre a ausência.
A presença confunde-se com o vazio exacto.
o fogo tácito
no seu som de espaço abrindo.
Aqui tão só aqui
o prodígio verde de um início
inesperado. Que frágil
a folhagem
e como abriga a veemência
da vigília. O simples
estar aqui
deixa livre a ausência.
A presença confunde-se com o vazio exacto.
1 034
António Ramos Rosa
Mediadora do Princípio
Na primeira porta a primeira página.
Respiram escadas numa elipse frágil.
A mão é cega. As sombras esvaziam-se.
Escreve-se na pele de um planeta incerto.
Urgência de sílabas e de lábios.
Urgência de um fulgor, de uma matéria lúcida.
Alegria limpa. Lábios, lábios
sem ecos nem sombras, puríssimos, actuais.
O coração ascende. O pulso de um rio
freme. A folhagem acende-se.
Areia e sangue. Pedras ou pássaros.
Palavras de uma áspera primavera.
Respiram escadas numa elipse frágil.
A mão é cega. As sombras esvaziam-se.
Escreve-se na pele de um planeta incerto.
Urgência de sílabas e de lábios.
Urgência de um fulgor, de uma matéria lúcida.
Alegria limpa. Lábios, lábios
sem ecos nem sombras, puríssimos, actuais.
O coração ascende. O pulso de um rio
freme. A folhagem acende-se.
Areia e sangue. Pedras ou pássaros.
Palavras de uma áspera primavera.
1 087
António Ramos Rosa
Mediadora da Lucidez Espacial
Principia por
uma inclinação
leve
coincidência frágil
rumor aceso
de que silêncio outro?
entrar
escutar
onde não se erguem perguntas
em abandono límpido
num impulso de terra
em espacial lucidez.
uma inclinação
leve
coincidência frágil
rumor aceso
de que silêncio outro?
entrar
escutar
onde não se erguem perguntas
em abandono límpido
num impulso de terra
em espacial lucidez.
1 049
António Ramos Rosa
Mediadora do Dia
Sai do ventre da sombra,
de sonâmbulas nuvens.
A alma está no ar,
nas luminosas grutas,
nas brancas estridências.
Seus frutos de alegria,
suas alvas corolas
sobre a mesa do sol.
No acaso do ar vago
os nascimentos minúsculos,
efervescências, miríades,
as grandes áreas serenas.
Tudo é excesso e delícia,
evidências e acordes
num harmonioso tumulto.
Altos terraços da luz.
Frescor unânime, triunfo
de um confiante naufrágio
entre colinas e praias
em avidez fulgurante.
Figuras e figuras
nascem no imponderável.
Volúveis, frágeis
em galerias cálidas.
Ilhas, quantas ilhas
de felicidade viva,
tão verdes e claras,
selvagens, delicadas.
O corpo, só o corpo
é alma imediata.
Que maravilha total
na volúpia do ar!
de sonâmbulas nuvens.
A alma está no ar,
nas luminosas grutas,
nas brancas estridências.
Seus frutos de alegria,
suas alvas corolas
sobre a mesa do sol.
No acaso do ar vago
os nascimentos minúsculos,
efervescências, miríades,
as grandes áreas serenas.
Tudo é excesso e delícia,
evidências e acordes
num harmonioso tumulto.
Altos terraços da luz.
Frescor unânime, triunfo
de um confiante naufrágio
entre colinas e praias
em avidez fulgurante.
Figuras e figuras
nascem no imponderável.
Volúveis, frágeis
em galerias cálidas.
Ilhas, quantas ilhas
de felicidade viva,
tão verdes e claras,
selvagens, delicadas.
O corpo, só o corpo
é alma imediata.
Que maravilha total
na volúpia do ar!
1 008
António Ramos Rosa
Mediadora Sonâmbula
Dançarina do sono,
a que raízes se ligam as pupilas
nocturnas? Obedece
à árvore dos seus passos.
Conduz os animais
minuciosos
do desejo errante.
Sua inocência
tem a forma do silêncio.
O vazio vibra na leveza
do andar.
Desenha o astro em que caminha.
a que raízes se ligam as pupilas
nocturnas? Obedece
à árvore dos seus passos.
Conduz os animais
minuciosos
do desejo errante.
Sua inocência
tem a forma do silêncio.
O vazio vibra na leveza
do andar.
Desenha o astro em que caminha.
1 051
António Ramos Rosa
Mediadora Dos Dias
Cada página um dia
na alegria simples
de um jogo. Cada átrio
um grito. Pequenas chamas
do mar. Feliz sombra,
rumor de rio, silêncio
claro. Transparência.
Sabor do desejo salvo.
Respira a lâmpada
frágil. Tempo: repouso
na água. Vogais
entre os veios do sono.
No rumor dos frutos
simples, a plenitude
de estar. Vertentes
onde o silêncio aflui.
Colinas. Águas
de um tranquilo fulgor.
Pedras cintilam, sílabas
num mundo aéreo.
na alegria simples
de um jogo. Cada átrio
um grito. Pequenas chamas
do mar. Feliz sombra,
rumor de rio, silêncio
claro. Transparência.
Sabor do desejo salvo.
Respira a lâmpada
frágil. Tempo: repouso
na água. Vogais
entre os veios do sono.
No rumor dos frutos
simples, a plenitude
de estar. Vertentes
onde o silêncio aflui.
Colinas. Águas
de um tranquilo fulgor.
Pedras cintilam, sílabas
num mundo aéreo.
992
António Ramos Rosa
Mediadora Dos Dias
Cada página um dia
na alegria simples
de um jogo. Cada átrio
um grito. Pequenas chamas
do mar. Feliz sombra,
rumor de rio, silêncio
claro. Transparência.
Sabor do desejo salvo.
Respira a lâmpada
frágil. Tempo: repouso
na água. Vogais
entre os veios do sono.
No rumor dos frutos
simples, a plenitude
de estar. Vertentes
onde o silêncio aflui.
Colinas. Águas
de um tranquilo fulgor.
Pedras cintilam, sílabas
num mundo aéreo.
na alegria simples
de um jogo. Cada átrio
um grito. Pequenas chamas
do mar. Feliz sombra,
rumor de rio, silêncio
claro. Transparência.
Sabor do desejo salvo.
Respira a lâmpada
frágil. Tempo: repouso
na água. Vogais
entre os veios do sono.
No rumor dos frutos
simples, a plenitude
de estar. Vertentes
onde o silêncio aflui.
Colinas. Águas
de um tranquilo fulgor.
Pedras cintilam, sílabas
num mundo aéreo.
992
António Ramos Rosa
Mediadora de Estar
A paz é de sombra. Imóvel
a torrente da pedra abandonada.
Ressonância da luz, do bulício
longínquo do sangue. As armas nuas.
Áreas cintilantes das gramíneas
nocturnas. O veludo de um pássaro
na folhagem. O longo mutismo
das cores. Ritmo, repouso,
espaços limpos. Lucidez
de vidro. Densidade branca
do silêncio. Nomes, dedos,
clareira do sossego sem miragem.
Imóvel o poder que não cintila
no ar depurado: ócio, princípio puro,
murmúrios de arvoredos e águas vivas,
lúcida nudez de embriagada vida.
a torrente da pedra abandonada.
Ressonância da luz, do bulício
longínquo do sangue. As armas nuas.
Áreas cintilantes das gramíneas
nocturnas. O veludo de um pássaro
na folhagem. O longo mutismo
das cores. Ritmo, repouso,
espaços limpos. Lucidez
de vidro. Densidade branca
do silêncio. Nomes, dedos,
clareira do sossego sem miragem.
Imóvel o poder que não cintila
no ar depurado: ócio, princípio puro,
murmúrios de arvoredos e águas vivas,
lúcida nudez de embriagada vida.
1 186
António Ramos Rosa
Na Cavidade da Simplicidade
Na cavidade da simplicidade
deslizando no imóvel
somos animais marinhos de uma delícia verde.
deslizando no imóvel
somos animais marinhos de uma delícia verde.
588
António Ramos Rosa
Generosa É a Lentidão Que Rasga
Generosa é a lentidão que rasga
o gesto que suporta de frente
a dimensão propícia do vazio.
O fundo pronuncia um animal de ternura.
o gesto que suporta de frente
a dimensão propícia do vazio.
O fundo pronuncia um animal de ternura.
968
António Ramos Rosa
Mutação da Distância
Mutação da distância
Uma íntima brisa se levanta
Ritmos unânimes
consonantes com ignorados fundamentos
Apoteose oculta desenrola-se num branco fausto
Nunca abrira esta porta e no entanto abriu-se
como se fosse o caminho de sempre
O ruído o repouso o movimento
transformaram-se numa dicção das coisas
A interrogação desposa a textura iminente
Aproximam-se superfícies
Uma sombra vai e vem até se transformar em pedra
Ilhas de sílabas vão formando um arquipélago verde
Revelação de outro sabor ignorado
Carícias de carícias vibrações mais finas
Pela transparência desnudado dilato-me na densidade
Prolonga-se o imponderável o mínimo o subtil
Tácita no sangue lavra a flora do permanente
Uma íntima brisa se levanta
Ritmos unânimes
consonantes com ignorados fundamentos
Apoteose oculta desenrola-se num branco fausto
Nunca abrira esta porta e no entanto abriu-se
como se fosse o caminho de sempre
O ruído o repouso o movimento
transformaram-se numa dicção das coisas
A interrogação desposa a textura iminente
Aproximam-se superfícies
Uma sombra vai e vem até se transformar em pedra
Ilhas de sílabas vão formando um arquipélago verde
Revelação de outro sabor ignorado
Carícias de carícias vibrações mais finas
Pela transparência desnudado dilato-me na densidade
Prolonga-se o imponderável o mínimo o subtil
Tácita no sangue lavra a flora do permanente
928
António Ramos Rosa
Na Lucidez do Corpo
Na lucidez do corpo
num impulso de terra
alcançar sem entraves o domínio mais suave.
num impulso de terra
alcançar sem entraves o domínio mais suave.
1 108