Poemas neste tema
Emoções e Sentimentos
António Ramos Rosa
No Centro do Mundo
Oscilante geometria tranquila
presença suficiente do ínfimo e do amplo
No centro do tempo não há tempo
Tranquilidade para ir ao encontro de
Estou dentro estou aberto habito
um limpo rosto de desconhecida frescura
Ramagens dispersão de nuvens indícios ténues
Sou uma linguagem límpida com o vento
Bebo nas múltiplas nascentes
do espaço puro
Acendo-me e apago-me e é a claridade que muda
Tranquilidade da folhagem crepitação de brasas
Durmo silencioso e mais desperto do que nunca
Sou o ar que se dissipa no ar
Como me perdi quem sou as interrogações cessaram
Estou dentro e fora na densidade subtil
Não há aqui imagens extravagantes rumores estranhos
Tudo se desenrola na lúcida amplitude tranquila
As palavras sucedem-se como vagarosas nuvens
O dia é límpido e lê-se como um livro aberto
presença suficiente do ínfimo e do amplo
No centro do tempo não há tempo
Tranquilidade para ir ao encontro de
Estou dentro estou aberto habito
um limpo rosto de desconhecida frescura
Ramagens dispersão de nuvens indícios ténues
Sou uma linguagem límpida com o vento
Bebo nas múltiplas nascentes
do espaço puro
Acendo-me e apago-me e é a claridade que muda
Tranquilidade da folhagem crepitação de brasas
Durmo silencioso e mais desperto do que nunca
Sou o ar que se dissipa no ar
Como me perdi quem sou as interrogações cessaram
Estou dentro e fora na densidade subtil
Não há aqui imagens extravagantes rumores estranhos
Tudo se desenrola na lúcida amplitude tranquila
As palavras sucedem-se como vagarosas nuvens
O dia é límpido e lê-se como um livro aberto
964
António Ramos Rosa
Jardim Sol
A lucidez é uma música da água
a respiração compreende sem imagens
Estamos dentro do incessante enigma
Somos a claridade do enigma
A facilidade é um rio
e um silêncio animal
Luz fácil
luz feliz
sol sem ruído jardim
sol
O caminho é uma pausa
o silêncio sem caminho
a respiração compreende sem imagens
Estamos dentro do incessante enigma
Somos a claridade do enigma
A facilidade é um rio
e um silêncio animal
Luz fácil
luz feliz
sol sem ruído jardim
sol
O caminho é uma pausa
o silêncio sem caminho
1 128
António Ramos Rosa
Mediadora do Corpo
Vive no meio de um incêndio
entre o silêncio e a água.
Azul veloz, o sangue do desejo.
Ninguém a defende da perfeita
noite. Move-se entre espelhos
e sombras. Cumpre-se a matéria
com as feridas do vento.
Incendeia os sulcos dos acordes.
Um tremor de planeta, um som negro,
reflexos de um confuso esplendor.
Pólen de pedra nos flancos.
Um voo permanente, submerso,
através dos dédalos, dos círculos,
das móveis dunas do deserto.
Estrela, sim, estrela de argila
em núpcias consigo e com o mundo.
entre o silêncio e a água.
Azul veloz, o sangue do desejo.
Ninguém a defende da perfeita
noite. Move-se entre espelhos
e sombras. Cumpre-se a matéria
com as feridas do vento.
Incendeia os sulcos dos acordes.
Um tremor de planeta, um som negro,
reflexos de um confuso esplendor.
Pólen de pedra nos flancos.
Um voo permanente, submerso,
através dos dédalos, dos círculos,
das móveis dunas do deserto.
Estrela, sim, estrela de argila
em núpcias consigo e com o mundo.
1 101
António Ramos Rosa
Nada No Instante do Tremor
Nada no instante do tremor
nada precede nada
o movimento surge instando conduzindo
numa área de emergência ambígua
até que o enlace intangível nos desnude.
nada precede nada
o movimento surge instando conduzindo
numa área de emergência ambígua
até que o enlace intangível nos desnude.
1 046
António Ramos Rosa
Nada No Instante do Tremor
Nada no instante do tremor
nada precede nada
o movimento surge instando conduzindo
numa área de emergência ambígua
até que o enlace intangível nos desnude.
nada precede nada
o movimento surge instando conduzindo
numa área de emergência ambígua
até que o enlace intangível nos desnude.
1 046
António Ramos Rosa
Sedentos de Repouso E do Início
Sedentos de repouso e do início
buscando a esperança nas vogais
outro sentido sentindo ao nível do ar
saboreando o simples na densidade límpida.
buscando a esperança nas vogais
outro sentido sentindo ao nível do ar
saboreando o simples na densidade límpida.
1 117
António Ramos Rosa
Sedentos de Repouso E do Início
Sedentos de repouso e do início
buscando a esperança nas vogais
outro sentido sentindo ao nível do ar
saboreando o simples na densidade límpida.
buscando a esperança nas vogais
outro sentido sentindo ao nível do ar
saboreando o simples na densidade límpida.
1 117
António Ramos Rosa
A Esfera Unificada
Próxima a folhagem dos cabelos
cordial suave a cor das árvores
todas as estruturas simplificadas ébrias
o silêncio mais denso e subtil
já sem fronteiras vasto rio tranquilo através de tudo
momento de permanência imponderável
avanço sobre praias de reminiscências subtílimas
sentidos radiantes
profundo despertar em calma limpidez
abertura tão longa e verde
as palavras dizem finalmente as legendas do longínquo
por toda a parte frémitos florescências
as superfícies serenas respondem
uma outra orientação mais ligeira mais livre
libertou-me da névoa habitual
os cimos emergem
vacuidade residência na vacuidade
em tudo a entrega à palpitação esquecida
quanta coisa eliminada elidida
pelo esplendor da esfera unificada
cordial suave a cor das árvores
todas as estruturas simplificadas ébrias
o silêncio mais denso e subtil
já sem fronteiras vasto rio tranquilo através de tudo
momento de permanência imponderável
avanço sobre praias de reminiscências subtílimas
sentidos radiantes
profundo despertar em calma limpidez
abertura tão longa e verde
as palavras dizem finalmente as legendas do longínquo
por toda a parte frémitos florescências
as superfícies serenas respondem
uma outra orientação mais ligeira mais livre
libertou-me da névoa habitual
os cimos emergem
vacuidade residência na vacuidade
em tudo a entrega à palpitação esquecida
quanta coisa eliminada elidida
pelo esplendor da esfera unificada
1 122
António Ramos Rosa
O Lugar
Alegria na madeira na claridade do ritmo
ímpeto redondo livremente circulando
aqui nas pedras e na língua e nos olhos
música do espaço terrível e feliz
perfeita confiança que se eleva em chamas
Tudo é liso tudo é vazio ou lúcido
Nenhuma agitação distrai a imóvel luz
O teu nome silencioso encanta-me os ouvidos
Vibram ao vento as surpresas simples
Estamos no lugar que não é uma miragem
O jardim junto à torre a claridade azul
A água treme no umbigo de uma pedra
Entramos na imobilidade de uma melodia nua.
ímpeto redondo livremente circulando
aqui nas pedras e na língua e nos olhos
música do espaço terrível e feliz
perfeita confiança que se eleva em chamas
Tudo é liso tudo é vazio ou lúcido
Nenhuma agitação distrai a imóvel luz
O teu nome silencioso encanta-me os ouvidos
Vibram ao vento as surpresas simples
Estamos no lugar que não é uma miragem
O jardim junto à torre a claridade azul
A água treme no umbigo de uma pedra
Entramos na imobilidade de uma melodia nua.
1 132
António Ramos Rosa
Na Iminência
Lentidão de membros voluptuosa
Um turbilhão compacto de sinais evola-se
Este é o vazio secreto da iminência
Do fundo das pedras nasce uma respiração
A serenidade da suspensão não insegura
mas atenta vibrante o esplendor
que se demora em seu arco de estar
Sabemos na claridade um saber de vento e ervas
Ser aqui
no sopro da aragem vago e amplo
De novo a promessa nos limites
Eclipse talvez de tanta coisa
Terra que promete o corpo que o corpo compreende
Ar ignorado ar do ignorado
aérea lucidez nos corpos nus
Um turbilhão compacto de sinais evola-se
Este é o vazio secreto da iminência
Do fundo das pedras nasce uma respiração
A serenidade da suspensão não insegura
mas atenta vibrante o esplendor
que se demora em seu arco de estar
Sabemos na claridade um saber de vento e ervas
Ser aqui
no sopro da aragem vago e amplo
De novo a promessa nos limites
Eclipse talvez de tanta coisa
Terra que promete o corpo que o corpo compreende
Ar ignorado ar do ignorado
aérea lucidez nos corpos nus
1 041
António Ramos Rosa
Na Iminência
Lentidão de membros voluptuosa
Um turbilhão compacto de sinais evola-se
Este é o vazio secreto da iminência
Do fundo das pedras nasce uma respiração
A serenidade da suspensão não insegura
mas atenta vibrante o esplendor
que se demora em seu arco de estar
Sabemos na claridade um saber de vento e ervas
Ser aqui
no sopro da aragem vago e amplo
De novo a promessa nos limites
Eclipse talvez de tanta coisa
Terra que promete o corpo que o corpo compreende
Ar ignorado ar do ignorado
aérea lucidez nos corpos nus
Um turbilhão compacto de sinais evola-se
Este é o vazio secreto da iminência
Do fundo das pedras nasce uma respiração
A serenidade da suspensão não insegura
mas atenta vibrante o esplendor
que se demora em seu arco de estar
Sabemos na claridade um saber de vento e ervas
Ser aqui
no sopro da aragem vago e amplo
De novo a promessa nos limites
Eclipse talvez de tanta coisa
Terra que promete o corpo que o corpo compreende
Ar ignorado ar do ignorado
aérea lucidez nos corpos nus
1 041
António Ramos Rosa
Ao Sabor do Mundo, Na Deriva
Ao sabor do mundo, na deriva
que conduz aos confins do advir
o que inicia em suaves surpresas
até que o silêncio seja um puro acorde
de estar no sustentáculo ilimitado.
que conduz aos confins do advir
o que inicia em suaves surpresas
até que o silêncio seja um puro acorde
de estar no sustentáculo ilimitado.
943
António Ramos Rosa
No Côncavo da Sombra Sem Domínio
No côncavo da sombra sem domínio
aderindo ao integral inominado
a inocência flui apagando o seu fluxo
na igualdade do incontido fundo.
aderindo ao integral inominado
a inocência flui apagando o seu fluxo
na igualdade do incontido fundo.
1 056
António Ramos Rosa
Mediadora do Sono
É uma nuvem que repousa? Um barco
no jardim?
A sombra da música resplandece.
O centro do mundo dorme num rumor de sossego.
Há um lado do silêncio iluminado,
há um sol das folhas nas veias do jardim.
Que ócio e que segredo nas corolas de água!
Leves densidades de um incêndio branco.
Adormeceu a voz. O encanto é sossego.
Amorosa lentidão de uma infinita espera.
A nuvem repousa. A sombra da música resplandece.
O centro do mundo dorme num rumor de sossego.
no jardim?
A sombra da música resplandece.
O centro do mundo dorme num rumor de sossego.
Há um lado do silêncio iluminado,
há um sol das folhas nas veias do jardim.
Que ócio e que segredo nas corolas de água!
Leves densidades de um incêndio branco.
Adormeceu a voz. O encanto é sossego.
Amorosa lentidão de uma infinita espera.
A nuvem repousa. A sombra da música resplandece.
O centro do mundo dorme num rumor de sossego.
1 140
António Ramos Rosa
Imobilidade
Tudo está quieto nada insiste nada clama
a água o horizonte imóvel
repousa o tempo a beleza luz e água
Muitas árvores estremecem num torvelinho suave
Cessaram os nomes ou petrificaram-se
Estamos onde estamos onde
a luz se despenha
entre gretas de pedra
Afluem coisas mínimas pelo espaço diáfano
Dizer o repouso do silêncio Atingir
a simplicidade das coisas no silêncio
Este contacto com o mundo é a aliança
Verdade e erro uma verdade apenas
que se desnuda e se abre e abre
Ar na total vacuidade livre
Em pleno dia somos noite e água
Este é o domínio da água e da folhagem
onde todo o segredo é abertura viva
a água o horizonte imóvel
repousa o tempo a beleza luz e água
Muitas árvores estremecem num torvelinho suave
Cessaram os nomes ou petrificaram-se
Estamos onde estamos onde
a luz se despenha
entre gretas de pedra
Afluem coisas mínimas pelo espaço diáfano
Dizer o repouso do silêncio Atingir
a simplicidade das coisas no silêncio
Este contacto com o mundo é a aliança
Verdade e erro uma verdade apenas
que se desnuda e se abre e abre
Ar na total vacuidade livre
Em pleno dia somos noite e água
Este é o domínio da água e da folhagem
onde todo o segredo é abertura viva
1 029
António Ramos Rosa
Unidade do Silêncio
Unidade do silêncio com o corpo da água
irradiação de uma montanha
cimo e abismo numa única linha
melancolia viva e fresca floresta e pomba
a beleza frágil a beleza serena
arde a opacidade arde a madeira do mundo
revela-se a superfície fundamental
invulnerável a harmonia que inunda
Frases frases já não complicadas
mas orientadas
para a plenitude do ser
Redes vindas do ignorado disseminam-se
Uma paciência de mil árvores
Dilata-se a estrela de água
Praias praias onde os segredos se desvelam
Por toda a parte mediações para o desconhecido
Vagas vagas de ligeireza primaveril
Clara visão do fundo vibrante continuidade
igual a tudo na soberania do simples
irradiação de uma montanha
cimo e abismo numa única linha
melancolia viva e fresca floresta e pomba
a beleza frágil a beleza serena
arde a opacidade arde a madeira do mundo
revela-se a superfície fundamental
invulnerável a harmonia que inunda
Frases frases já não complicadas
mas orientadas
para a plenitude do ser
Redes vindas do ignorado disseminam-se
Uma paciência de mil árvores
Dilata-se a estrela de água
Praias praias onde os segredos se desvelam
Por toda a parte mediações para o desconhecido
Vagas vagas de ligeireza primaveril
Clara visão do fundo vibrante continuidade
igual a tudo na soberania do simples
1 086
António Ramos Rosa
Generosidade Nos Flancos Lisos
Generosidade nos flancos lisos
do que dura num voo firme.
Sinuosidades de um insondável estar
na contínua corrente iniciando
o sabor de um abrigo imponderável.
do que dura num voo firme.
Sinuosidades de um insondável estar
na contínua corrente iniciando
o sabor de um abrigo imponderável.
1 081
António Ramos Rosa
Não Querer Na Espera
Não querer na espera
até ao tácito oculto que interroga.
Arquear-se entre os arcos de água
até ao fundo e nascer flexível signo.
até ao tácito oculto que interroga.
Arquear-se entre os arcos de água
até ao fundo e nascer flexível signo.
1 022
António Ramos Rosa
Deixar Sem Caminho Até Ao Alcance
Deixar sem caminho até ao alcance
de não querer possuir
à deriva do silêncio
na súbita tranquilidade do vazio
em que a abertura nos abre e nos sustém.
de não querer possuir
à deriva do silêncio
na súbita tranquilidade do vazio
em que a abertura nos abre e nos sustém.
964
António Ramos Rosa
Ao Vento Leve do Sol
Ao vento leve do sol
num verde e fresco entusiasmo
propagando o antes em nova agilidade
no esplendor da espiral levíssima.
num verde e fresco entusiasmo
propagando o antes em nova agilidade
no esplendor da espiral levíssima.
1 061
António Ramos Rosa
Já Não Há Desespero Onde Desperta
Já não há desespero onde desperta
o sabor da atenção. A vigília
abre a estância à cabeleira clara.
Suave é a sombra do intacto arcano.
o sabor da atenção. A vigília
abre a estância à cabeleira clara.
Suave é a sombra do intacto arcano.
1 044