Poemas neste tema
Emoções e Sentimentos
António Ramos Rosa
Que Importam Estas Pálpebras Na Cerração
Que importam estas pálpebras na cerração
da terra
um olho dilacerado vê a nudez de um corpo
obstinada desordem dos membros dissolvidos
o latejante trajecto da obscura mão
atinge o vazio de um centro o limite vivo
boca na árvore
iluminado seio caminho
do pulso
da terra
um olho dilacerado vê a nudez de um corpo
obstinada desordem dos membros dissolvidos
o latejante trajecto da obscura mão
atinge o vazio de um centro o limite vivo
boca na árvore
iluminado seio caminho
do pulso
533
António Ramos Rosa
Dói-Me Uma Noite de Terra Sobre a Fronte
Dói-me uma noite de terra sobre a fronte
mínimo coral nocturno suspensão presente
— promontório
sem a memória das imagens
no círculo
dos derradeiros insectos
mínimo coral nocturno suspensão presente
— promontório
sem a memória das imagens
no círculo
dos derradeiros insectos
1 010
António Ramos Rosa
Dói-Me Uma Noite de Terra Sobre a Fronte
Dói-me uma noite de terra sobre a fronte
mínimo coral nocturno suspensão presente
— promontório
sem a memória das imagens
no círculo
dos derradeiros insectos
mínimo coral nocturno suspensão presente
— promontório
sem a memória das imagens
no círculo
dos derradeiros insectos
1 010
António Ramos Rosa
73. Perdido o Centro, Perdida a Rosa
73
Perdido o centro, perdida a rosa
quando a vulnerável lâmpada, quando
apagado for o sinal dilacerado
a interrupção dos sinais será a fuga
ou o apaziguamento das imagens vivas
os animais caminhando musicais
as pedras mais vivas do que as mãos
no entanto mais vivas do que as pedras
quando apagada a terra os olhos lentos
verão serenamente o esplendor do muro.
Perdido o centro, perdida a rosa
quando a vulnerável lâmpada, quando
apagado for o sinal dilacerado
a interrupção dos sinais será a fuga
ou o apaziguamento das imagens vivas
os animais caminhando musicais
as pedras mais vivas do que as mãos
no entanto mais vivas do que as pedras
quando apagada a terra os olhos lentos
verão serenamente o esplendor do muro.
1 078
António Ramos Rosa
87. o Sol Sobre a Pedra a Marca Verde
87
O sol sobre a pedra a marca verde
a resolução do ar a erva
só com a cabeça deserta
porquê? porquê e não porquê
com o sol nos cabelos com o sol
entre as árvores e sem a alegria
dos animais e a água.
Entrando na espessura sob as manchas
do silêncio sem amor mas no silêncio
das folhas eu vivo pelas pedras.
O sol sobre a pedra a marca verde
a resolução do ar a erva
só com a cabeça deserta
porquê? porquê e não porquê
com o sol nos cabelos com o sol
entre as árvores e sem a alegria
dos animais e a água.
Entrando na espessura sob as manchas
do silêncio sem amor mas no silêncio
das folhas eu vivo pelas pedras.
944
António Ramos Rosa
87. o Sol Sobre a Pedra a Marca Verde
87
O sol sobre a pedra a marca verde
a resolução do ar a erva
só com a cabeça deserta
porquê? porquê e não porquê
com o sol nos cabelos com o sol
entre as árvores e sem a alegria
dos animais e a água.
Entrando na espessura sob as manchas
do silêncio sem amor mas no silêncio
das folhas eu vivo pelas pedras.
O sol sobre a pedra a marca verde
a resolução do ar a erva
só com a cabeça deserta
porquê? porquê e não porquê
com o sol nos cabelos com o sol
entre as árvores e sem a alegria
dos animais e a água.
Entrando na espessura sob as manchas
do silêncio sem amor mas no silêncio
das folhas eu vivo pelas pedras.
944
António Ramos Rosa
78. Rosto Para Dizer o Rosto Rápido
78
Rosto para dizer o rosto rápido
pássaro quotidiano obscuro e vivo
poema da duração da alegria
do instante / do rosto pássaro.
Impulso e ombro táctil quase o beijo
sobre lábios de silêncio e de palavras
lábios lábios com seus dentes brancos
o que dizem o que falam negro e branco.
Aqui recuperada a perda exacta
da fala viva do rosto pássaro
no instante de dizer exaltação perdida.
Rosto para dizer o rosto rápido
pássaro quotidiano obscuro e vivo
poema da duração da alegria
do instante / do rosto pássaro.
Impulso e ombro táctil quase o beijo
sobre lábios de silêncio e de palavras
lábios lábios com seus dentes brancos
o que dizem o que falam negro e branco.
Aqui recuperada a perda exacta
da fala viva do rosto pássaro
no instante de dizer exaltação perdida.
1 007
António Ramos Rosa
Era a Interrupção Dos Segmentos E Dos Limites Vivos
Era a interrupção dos segmentos e dos limites vivos
nos tentáculos do vento ouvindo
o rumor de
uma água sombria na caverna
buscando a brancura de um volume
a figura sem rosto proa branca polpa
de visão aberta e nua
nos tentáculos do vento ouvindo
o rumor de
uma água sombria na caverna
buscando a brancura de um volume
a figura sem rosto proa branca polpa
de visão aberta e nua
1 088
António Ramos Rosa
77. Inflectida a Figura Recebe a Face
77
Inflectida a figura recebe a face
que vive no discurso das pedras dos detritos.
Na ausência da paisagem a ausência da figura.
Ó noite não ó dia manhã da vida forte
aí a face na multidão vestida
ou na nudez da cama do miserável quarto.
Com o suor da face e as pernas negras húmidas
com a humildade do sono na urina breve
vive a figura aqui
Vive? Respira pobre.
Inflectida a figura recebe a face
que vive no discurso das pedras dos detritos.
Na ausência da paisagem a ausência da figura.
Ó noite não ó dia manhã da vida forte
aí a face na multidão vestida
ou na nudez da cama do miserável quarto.
Com o suor da face e as pernas negras húmidas
com a humildade do sono na urina breve
vive a figura aqui
Vive? Respira pobre.
1 043
António Ramos Rosa
77. Inflectida a Figura Recebe a Face
77
Inflectida a figura recebe a face
que vive no discurso das pedras dos detritos.
Na ausência da paisagem a ausência da figura.
Ó noite não ó dia manhã da vida forte
aí a face na multidão vestida
ou na nudez da cama do miserável quarto.
Com o suor da face e as pernas negras húmidas
com a humildade do sono na urina breve
vive a figura aqui
Vive? Respira pobre.
Inflectida a figura recebe a face
que vive no discurso das pedras dos detritos.
Na ausência da paisagem a ausência da figura.
Ó noite não ó dia manhã da vida forte
aí a face na multidão vestida
ou na nudez da cama do miserável quarto.
Com o suor da face e as pernas negras húmidas
com a humildade do sono na urina breve
vive a figura aqui
Vive? Respira pobre.
1 043
António Ramos Rosa
86. Desobstruindo o Espaço Só Esta Mancha
86
Desobstruindo o espaço só esta mancha
e esta casa sem fogo é apenas uma marca
e esta pedra o sinal da busca
e esta pedra e esta pedra.
Uma pergunta: que espaço
ou casa
para a alegria para a livre força?
Dando lugar ao espaço à luz
e estas pedras sem cinza
esta mas não esta marca
quase feroz tão inútil ou tão certa?
Desobstruindo o espaço só esta mancha
e esta casa sem fogo é apenas uma marca
e esta pedra o sinal da busca
e esta pedra e esta pedra.
Uma pergunta: que espaço
ou casa
para a alegria para a livre força?
Dando lugar ao espaço à luz
e estas pedras sem cinza
esta mas não esta marca
quase feroz tão inútil ou tão certa?
872
António Ramos Rosa
Casa Entre Árvores
Casa entre árvores
tranquila próxima
na transparência
opaca e azul opaca
E azul
tranquila próxima
na transparência
opaca e azul opaca
E azul
1 081
António Ramos Rosa
82. Procuro As Palavras — Língua Breve
82
Procuro as palavras — língua breve
acesa sobre a relva da manhã concreta
que os pássaros picam em palavras vivas
que aqui se inventam e são de fogo branco.
Procuro as palavras e são vãs e brancas
quantas vezes quantas vezes cinza
de uma cinza de outra cinza de algum fogo.
De algum fogo? O que procura o pulso
e que é letra de aranha, obscuras patas,
obscuro sonho do poema errante.
Procuro as palavras — língua breve
acesa sobre a relva da manhã concreta
que os pássaros picam em palavras vivas
que aqui se inventam e são de fogo branco.
Procuro as palavras e são vãs e brancas
quantas vezes quantas vezes cinza
de uma cinza de outra cinza de algum fogo.
De algum fogo? O que procura o pulso
e que é letra de aranha, obscuras patas,
obscuro sonho do poema errante.
1 075
António Ramos Rosa
72. Porquê o Porquê a Sombra Viva, a Sobrevida
72
Porquê o porquê a sombra viva, a sobrevida
e escrever estes sinais na folha e não saber
e escrever ainda sem esperança e no desejo
dos sinais de uma paisagem acesa, o esplendor.
O esplendor. O encontro. Aqui jamais
eis o epitáfio e o motor da imagem
negra ou branca na incerta curva
de um verso e outro verso entre os espaços.
E se ela fosse vermelha, ah vermelha!
ela quem? — ela, o esplendor do encontro
tão raro e tão pouco no pouco que é
viver sem esperar, escrever sem esperar,
mas no movimento da imagem interior
acender a imagem da face ou o esplendor.
Porquê o porquê a sombra viva, a sobrevida
e escrever estes sinais na folha e não saber
e escrever ainda sem esperança e no desejo
dos sinais de uma paisagem acesa, o esplendor.
O esplendor. O encontro. Aqui jamais
eis o epitáfio e o motor da imagem
negra ou branca na incerta curva
de um verso e outro verso entre os espaços.
E se ela fosse vermelha, ah vermelha!
ela quem? — ela, o esplendor do encontro
tão raro e tão pouco no pouco que é
viver sem esperar, escrever sem esperar,
mas no movimento da imagem interior
acender a imagem da face ou o esplendor.
1 103
António Ramos Rosa
85. Vagos Sinais Dentes Na Pedra
85
Vagos sinais dentes na pedra
sem solução de árvore
marcação de um traço único
este, não o rosto, este
limite que não transponho que
não tem além o além o fogo azul
e
que nenhuma sombra atravessou
porque subsiste ou não algum ardor
porque os dentes enterram-se na pedra.
Vagos sinais dentes na pedra
sem solução de árvore
marcação de um traço único
este, não o rosto, este
limite que não transponho que
não tem além o além o fogo azul
e
que nenhuma sombra atravessou
porque subsiste ou não algum ardor
porque os dentes enterram-se na pedra.
536
António Ramos Rosa
85. Vagos Sinais Dentes Na Pedra
85
Vagos sinais dentes na pedra
sem solução de árvore
marcação de um traço único
este, não o rosto, este
limite que não transponho que
não tem além o além o fogo azul
e
que nenhuma sombra atravessou
porque subsiste ou não algum ardor
porque os dentes enterram-se na pedra.
Vagos sinais dentes na pedra
sem solução de árvore
marcação de um traço único
este, não o rosto, este
limite que não transponho que
não tem além o além o fogo azul
e
que nenhuma sombra atravessou
porque subsiste ou não algum ardor
porque os dentes enterram-se na pedra.
536
António Ramos Rosa
O Que Permanece Ainda Enterrado Pobre
O que permanece ainda enterrado pobre
no vazio nocturno
minha terra latente
no tempo sem sinais em que os sinais prolongam
os sulcos de uma sombra maquinal e branca
e o meu desejo é uma imagem
minúscula
uma pobre frase com duas árvores nuas
no vazio nocturno
minha terra latente
no tempo sem sinais em que os sinais prolongam
os sulcos de uma sombra maquinal e branca
e o meu desejo é uma imagem
minúscula
uma pobre frase com duas árvores nuas
992