Poemas neste tema
Emoções e Sentimentos
António Ramos Rosa
O Que Permanece Ainda Enterrado Pobre
O que permanece ainda enterrado pobre
no vazio nocturno
minha terra latente
no tempo sem sinais em que os sinais prolongam
os sulcos de uma sombra maquinal e branca
e o meu desejo é uma imagem
minúscula
uma pobre frase com duas árvores nuas
no vazio nocturno
minha terra latente
no tempo sem sinais em que os sinais prolongam
os sulcos de uma sombra maquinal e branca
e o meu desejo é uma imagem
minúscula
uma pobre frase com duas árvores nuas
992
António Ramos Rosa
66. Arma de Folhas E de Folhas
66
Arma de folhas e de folhas
sobre o seio nu
na folha transparente.
O animal suspenso
pela forma do fruto incandescente
brilhando e fugindo entre a folhagem
ou o sangue fugitivo na praia do teu peito.
Na erva, ausente, respiro o ar da erva
busco a arma de folhas numa sombra
transparente que é o desenho das armas do teu peito.
Arma de folhas e de folhas
sobre o seio nu
na folha transparente.
O animal suspenso
pela forma do fruto incandescente
brilhando e fugindo entre a folhagem
ou o sangue fugitivo na praia do teu peito.
Na erva, ausente, respiro o ar da erva
busco a arma de folhas numa sombra
transparente que é o desenho das armas do teu peito.
1 117
António Ramos Rosa
66. Arma de Folhas E de Folhas
66
Arma de folhas e de folhas
sobre o seio nu
na folha transparente.
O animal suspenso
pela forma do fruto incandescente
brilhando e fugindo entre a folhagem
ou o sangue fugitivo na praia do teu peito.
Na erva, ausente, respiro o ar da erva
busco a arma de folhas numa sombra
transparente que é o desenho das armas do teu peito.
Arma de folhas e de folhas
sobre o seio nu
na folha transparente.
O animal suspenso
pela forma do fruto incandescente
brilhando e fugindo entre a folhagem
ou o sangue fugitivo na praia do teu peito.
Na erva, ausente, respiro o ar da erva
busco a arma de folhas numa sombra
transparente que é o desenho das armas do teu peito.
1 117
António Ramos Rosa
83. o Pulso Activo. a Água Dos Insectos
83
O pulso activo. A água dos insectos
abertura e queda noutro poema visto
e fogo oculto solicitando a pedra
a queda de uma cor talvez vermelha.
O corpo sob a nuvem, o pulso activo,
o corpo descoberto sob o lençol da pedra
com os lábios devorando os lábios livres
e com a água de um ventre harmonioso.
E o ser translúcido sob o pulso activo
o ser da queda na abertura viva
a terra descoberta na transparência da água.
O pulso activo. A água dos insectos
abertura e queda noutro poema visto
e fogo oculto solicitando a pedra
a queda de uma cor talvez vermelha.
O corpo sob a nuvem, o pulso activo,
o corpo descoberto sob o lençol da pedra
com os lábios devorando os lábios livres
e com a água de um ventre harmonioso.
E o ser translúcido sob o pulso activo
o ser da queda na abertura viva
a terra descoberta na transparência da água.
1 062
António Ramos Rosa
Entre Dois Espaços Entre Duas Sombras
Entre dois espaços entre duas sombras
as pálpebras abriram-se no caminho
entre dois espaços entre duas sombras?
no vento oscila uma lâmpada vazia
as pálpebras abriram-se no caminho
entre dois espaços entre duas sombras?
no vento oscila uma lâmpada vazia
1 122
António Ramos Rosa
Entre Dois Espaços Entre Duas Sombras
Entre dois espaços entre duas sombras
as pálpebras abriram-se no caminho
entre dois espaços entre duas sombras?
no vento oscila uma lâmpada vazia
as pálpebras abriram-se no caminho
entre dois espaços entre duas sombras?
no vento oscila uma lâmpada vazia
1 122
António Ramos Rosa
Entre Dois Espaços Entre Duas Sombras
Entre dois espaços entre duas sombras
as pálpebras abriram-se no caminho
entre dois espaços entre duas sombras?
no vento oscila uma lâmpada vazia
as pálpebras abriram-se no caminho
entre dois espaços entre duas sombras?
no vento oscila uma lâmpada vazia
1 122
António Ramos Rosa
A Sombra do Vento
A sombra do vento
a sombra e o vento
para respirar
no vento na sombra
a sombra e o vento
para respirar
no vento na sombra
568
António Ramos Rosa
Sob a Palha do Sol As Sílabas
Sob a palha do sol as sílabas
soçobravam
intensidade próxima da cegueira
no cérebro da terra as fissuras abriam-se
e a boca sem caminho o seio sem o outro seio
nas lajes sem contacto à superfície nua
no obscuro deserto
de basalto
soçobravam
intensidade próxima da cegueira
no cérebro da terra as fissuras abriam-se
e a boca sem caminho o seio sem o outro seio
nas lajes sem contacto à superfície nua
no obscuro deserto
de basalto
1 056
António Ramos Rosa
Sob a Palha do Sol As Sílabas
Sob a palha do sol as sílabas
soçobravam
intensidade próxima da cegueira
no cérebro da terra as fissuras abriam-se
e a boca sem caminho o seio sem o outro seio
nas lajes sem contacto à superfície nua
no obscuro deserto
de basalto
soçobravam
intensidade próxima da cegueira
no cérebro da terra as fissuras abriam-se
e a boca sem caminho o seio sem o outro seio
nas lajes sem contacto à superfície nua
no obscuro deserto
de basalto
1 056
António Ramos Rosa
84. a Incerteza E a Certeza Dessa Escrita
84
A incerteza e a certeza dessa escrita
não filha de um futuro
na folha chamamento
dilacerante e no entanto mudo.
E que incerta insistência, fogo vago
sobre casas desertas, sobre quartos
de insectos
quanta inércia quantas pálpebras
caídas e a sombra
de um só corpo se existisse
a dúvida criando este suporte.
A incerteza e a certeza dessa escrita
não filha de um futuro
na folha chamamento
dilacerante e no entanto mudo.
E que incerta insistência, fogo vago
sobre casas desertas, sobre quartos
de insectos
quanta inércia quantas pálpebras
caídas e a sombra
de um só corpo se existisse
a dúvida criando este suporte.
1 017
António Ramos Rosa
42. Depressa Antes De
42
Depressa antes de
talvez seja o acto de ser na folha
talvez o sangue ascenda à lâmpada da língua.
Quando (aqui: é o desejo) a folha
na limpeza do vento
descubra as brancas pernas altas da mulher
a alegria da nudez
do súbito do ser.
Depressa na lentidão do acto azul
por dentro do opaco na direcção partida
fora do círculo no aberto instante.
Depressa antes de
talvez seja o acto de ser na folha
talvez o sangue ascenda à lâmpada da língua.
Quando (aqui: é o desejo) a folha
na limpeza do vento
descubra as brancas pernas altas da mulher
a alegria da nudez
do súbito do ser.
Depressa na lentidão do acto azul
por dentro do opaco na direcção partida
fora do círculo no aberto instante.
959
António Ramos Rosa
59. Consoladora (Como) Considerando Estrelas
59
Consoladora (como) considerando estrelas
imprevistas aqui a mão mantendo a mão
como parte inerente a outro corpo escrito
inversão não ou vida, inclusão no viver.
Perante um tu que não se evoca aqui
perante um tu que é desejo de
invocação e terra, negação do sangue,
ou inscrição do sangue na madeira negra.
Tudo o que consome o sabor da terra
será a consumação do culto desta terra
que não é jardim mas cujo espaço é o espaço
e um jardim que se ama: o jardim do espaço.
Consoladora (como) considerando estrelas
imprevistas aqui a mão mantendo a mão
como parte inerente a outro corpo escrito
inversão não ou vida, inclusão no viver.
Perante um tu que não se evoca aqui
perante um tu que é desejo de
invocação e terra, negação do sangue,
ou inscrição do sangue na madeira negra.
Tudo o que consome o sabor da terra
será a consumação do culto desta terra
que não é jardim mas cujo espaço é o espaço
e um jardim que se ama: o jardim do espaço.
988
António Ramos Rosa
20. de Amor — Na Pedra E Cinza Verde
20
De amor — na pedra e cinza verde
o corpo no húmus sem jardim
memória que perdeu o azul anel.
De amor por ela e por ele, o sim
da ausência neste espaço não
iluminado mas branco, imune
por amor do amor no vazio amado.
Qualidade do instante na boca, língua
de palpitante sede que ressurge o corpo
para além da memória, na pedra do incesto.
De amor — na pedra e cinza verde
o corpo no húmus sem jardim
memória que perdeu o azul anel.
De amor por ela e por ele, o sim
da ausência neste espaço não
iluminado mas branco, imune
por amor do amor no vazio amado.
Qualidade do instante na boca, língua
de palpitante sede que ressurge o corpo
para além da memória, na pedra do incesto.
922
António Ramos Rosa
20. de Amor — Na Pedra E Cinza Verde
20
De amor — na pedra e cinza verde
o corpo no húmus sem jardim
memória que perdeu o azul anel.
De amor por ela e por ele, o sim
da ausência neste espaço não
iluminado mas branco, imune
por amor do amor no vazio amado.
Qualidade do instante na boca, língua
de palpitante sede que ressurge o corpo
para além da memória, na pedra do incesto.
De amor — na pedra e cinza verde
o corpo no húmus sem jardim
memória que perdeu o azul anel.
De amor por ela e por ele, o sim
da ausência neste espaço não
iluminado mas branco, imune
por amor do amor no vazio amado.
Qualidade do instante na boca, língua
de palpitante sede que ressurge o corpo
para além da memória, na pedra do incesto.
922
António Ramos Rosa
20. de Amor — Na Pedra E Cinza Verde
20
De amor — na pedra e cinza verde
o corpo no húmus sem jardim
memória que perdeu o azul anel.
De amor por ela e por ele, o sim
da ausência neste espaço não
iluminado mas branco, imune
por amor do amor no vazio amado.
Qualidade do instante na boca, língua
de palpitante sede que ressurge o corpo
para além da memória, na pedra do incesto.
De amor — na pedra e cinza verde
o corpo no húmus sem jardim
memória que perdeu o azul anel.
De amor por ela e por ele, o sim
da ausência neste espaço não
iluminado mas branco, imune
por amor do amor no vazio amado.
Qualidade do instante na boca, língua
de palpitante sede que ressurge o corpo
para além da memória, na pedra do incesto.
922
António Ramos Rosa
22. a Pergunta da Mão Aberta
22
A pergunta da mão aberta
na manhã matinal do quarto
aberta ao espírito de suavidade.
Alimentando o fogo o feliz rosto
criando a lâmpada de amorosa noite
mão no puro centro do impuro centro
resumindo a luz em luz da boca.
Resumindo o corpo e o lábio branco
luz que vive a palavra suavidade
que vive o viver do sangue amante.
A pergunta da mão aberta
na manhã matinal do quarto
aberta ao espírito de suavidade.
Alimentando o fogo o feliz rosto
criando a lâmpada de amorosa noite
mão no puro centro do impuro centro
resumindo a luz em luz da boca.
Resumindo o corpo e o lábio branco
luz que vive a palavra suavidade
que vive o viver do sangue amante.
961
António Ramos Rosa
17. Purificada Pela Paz Dos Olhos Lindos
17
Purificada pela paz dos olhos lindos
sob o arbusto frio
ilimitada a pobreza a amêndoa incorruptível.
Filha de quem dormindo sob
a ameaça da sílaba sinistra
filha de nada e da noite da árvore.
Por quem a sílaba formada
por quem ou pela nuvem enublada
armada pela mão da morte armada.
Purificada pela paz dos olhos lindos
sob o arbusto frio
ilimitada a pobreza a amêndoa incorruptível.
Filha de quem dormindo sob
a ameaça da sílaba sinistra
filha de nada e da noite da árvore.
Por quem a sílaba formada
por quem ou pela nuvem enublada
armada pela mão da morte armada.
1 105
António Ramos Rosa
17. Purificada Pela Paz Dos Olhos Lindos
17
Purificada pela paz dos olhos lindos
sob o arbusto frio
ilimitada a pobreza a amêndoa incorruptível.
Filha de quem dormindo sob
a ameaça da sílaba sinistra
filha de nada e da noite da árvore.
Por quem a sílaba formada
por quem ou pela nuvem enublada
armada pela mão da morte armada.
Purificada pela paz dos olhos lindos
sob o arbusto frio
ilimitada a pobreza a amêndoa incorruptível.
Filha de quem dormindo sob
a ameaça da sílaba sinistra
filha de nada e da noite da árvore.
Por quem a sílaba formada
por quem ou pela nuvem enublada
armada pela mão da morte armada.
1 105
António Ramos Rosa
54. Os Aspectos da Figura Livre
54
Os aspectos da figura livre
nos quartos claros e sombrios
fragmentos flagrantes
da forma — incandescência breve.
Queda de conjuntos e do grito
no espelho — negação no vidro
água de outro copo e negação do copo.
Às apagadas pernas e às pedras
junta-se a terra dos nomes e sem nome
desce-se pela escadaria sobre as nuvens
brancas.
Os aspectos da figura livre
nos quartos claros e sombrios
fragmentos flagrantes
da forma — incandescência breve.
Queda de conjuntos e do grito
no espelho — negação no vidro
água de outro copo e negação do copo.
Às apagadas pernas e às pedras
junta-se a terra dos nomes e sem nome
desce-se pela escadaria sobre as nuvens
brancas.
1 025
António Ramos Rosa
56. Mancha da Perna Maternal
56
Mancha da perna maternal
robusta
no pomar secreto na recente vinda
do pai descendo um pouco tímido na água.
Dir-te-ei pela água sexual
do não crime de ver-te
pela vez absoluta do olhar negro
como se não fosses a pequena deusa que não és.
Não tímida não secreta mas pobre de água
olho de um joelho límpido
prosa da terra não sulcada ainda.
Mancha da perna maternal
robusta
no pomar secreto na recente vinda
do pai descendo um pouco tímido na água.
Dir-te-ei pela água sexual
do não crime de ver-te
pela vez absoluta do olhar negro
como se não fosses a pequena deusa que não és.
Não tímida não secreta mas pobre de água
olho de um joelho límpido
prosa da terra não sulcada ainda.
995
António Ramos Rosa
39. Esta É a Folha, E a Folha
39
Esta é a folha, e a folha
de terra, mas a água da lâmpada
breve.
Que ela me diga a não-palavra
de palavra, a terra
e o corpo renascendo sob a árvore
e o espaço que é o espaço
o espaço.
E a terra da terra, o corpo
da figura
soprando a nuvem sobre as pernas
da mulher descoberta na ilha do seu quarto.
Esta é a folha, e a folha
de terra, mas a água da lâmpada
breve.
Que ela me diga a não-palavra
de palavra, a terra
e o corpo renascendo sob a árvore
e o espaço que é o espaço
o espaço.
E a terra da terra, o corpo
da figura
soprando a nuvem sobre as pernas
da mulher descoberta na ilha do seu quarto.
599
António Ramos Rosa
39. Esta É a Folha, E a Folha
39
Esta é a folha, e a folha
de terra, mas a água da lâmpada
breve.
Que ela me diga a não-palavra
de palavra, a terra
e o corpo renascendo sob a árvore
e o espaço que é o espaço
o espaço.
E a terra da terra, o corpo
da figura
soprando a nuvem sobre as pernas
da mulher descoberta na ilha do seu quarto.
Esta é a folha, e a folha
de terra, mas a água da lâmpada
breve.
Que ela me diga a não-palavra
de palavra, a terra
e o corpo renascendo sob a árvore
e o espaço que é o espaço
o espaço.
E a terra da terra, o corpo
da figura
soprando a nuvem sobre as pernas
da mulher descoberta na ilha do seu quarto.
599
António Ramos Rosa
29. o Lápis — Esta É a Escrita do Lápis
29
O lápis — esta é a escrita do lápis
que escreve a tortura lapidar
os ossos na neve os nervos lapidares.
Quem negará a pobreza desta escrita
que busca a pobreza essencial
a terra nunca vista e vista
sempre na cegueira essencial de sempre.
Direi diremos o que dissermos nunca
o nunca do nunca a brancura do deserto
o lápis aqui aqui sem água e nus.
O lápis — esta é a escrita do lápis
que escreve a tortura lapidar
os ossos na neve os nervos lapidares.
Quem negará a pobreza desta escrita
que busca a pobreza essencial
a terra nunca vista e vista
sempre na cegueira essencial de sempre.
Direi diremos o que dissermos nunca
o nunca do nunca a brancura do deserto
o lápis aqui aqui sem água e nus.
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