Poemas neste tema
Emoções e Sentimentos
Beni Carvalho
Magdá (Um quadro de Tiziano)
Colo desnudo em flor, lábio entreaberto em prece,
olhos, no alto, exorando o perdão de seu crime,
Magdalena, a ofegar, toda em febre aparece...
E o almo encanto da Vida e do Pecado exprime.
Perscruta o coração, que o Amor, voraz, oprime;
Sente-lhe a luta, e a dor que, dentro da alma, cresce...
E, a cada pulsação que lhe o peito oprime,
Os delírios sensuais, em prantos, amortece.
Em fogo o olhar, tremendo a voz, a mente em brasas,
Desnastrado o cabelo em ondas de veludos,
Demanda o Azul, assim, nessas formosas asas...
Enquanto, aos céus, contrita, a suplicar, exangue,
Mostra os duros punhais dos seios pontiagudos,
Ainda quentes de amor, ainda rubros de sangue!
olhos, no alto, exorando o perdão de seu crime,
Magdalena, a ofegar, toda em febre aparece...
E o almo encanto da Vida e do Pecado exprime.
Perscruta o coração, que o Amor, voraz, oprime;
Sente-lhe a luta, e a dor que, dentro da alma, cresce...
E, a cada pulsação que lhe o peito oprime,
Os delírios sensuais, em prantos, amortece.
Em fogo o olhar, tremendo a voz, a mente em brasas,
Desnastrado o cabelo em ondas de veludos,
Demanda o Azul, assim, nessas formosas asas...
Enquanto, aos céus, contrita, a suplicar, exangue,
Mostra os duros punhais dos seios pontiagudos,
Ainda quentes de amor, ainda rubros de sangue!
1 008
Antônio Sales
Pesca da Pérola
O coração é concha bipartida:
Nós guardamos no peito uma metade,
E a outra, quem, o sabe? — anda perdida
Entre as vagas do mar da humanidade.
Do escafandro das ilusões vestida,
Rindo, mergulha a afoita mocidade,
Buscando um ser que lhe complete a vida,
Que lhe povoe do peito a soledade.
Encontra algum essa afeição sonhada
E à tona sobre erguendo a nacarada
Valva que guarda a pérola do amor...
outro, porém, debalde as águas sonda,
Desce, a rolar, aflito, de onda em onda...
E não mais torna o audaz mergulhador!
Nós guardamos no peito uma metade,
E a outra, quem, o sabe? — anda perdida
Entre as vagas do mar da humanidade.
Do escafandro das ilusões vestida,
Rindo, mergulha a afoita mocidade,
Buscando um ser que lhe complete a vida,
Que lhe povoe do peito a soledade.
Encontra algum essa afeição sonhada
E à tona sobre erguendo a nacarada
Valva que guarda a pérola do amor...
outro, porém, debalde as águas sonda,
Desce, a rolar, aflito, de onda em onda...
E não mais torna o audaz mergulhador!
1 898
Araújo Filho
Fatalismo
Foi meu erro idear maior altura,
para um Sonho tão Pobre e pequenino:
— Ninguém torna em ventura a desventura,
que é mais forte o desígnio do Destino.
Ninguém pode mudar a noite escura
em dia azul, sem nuvens, cristalino...
Da vida, a estrada é tão agreste e dura
que leva muita vez ao desatino.
Gira em torno de tudo uma Alta Força,
que, com letras de fogo, escreve a sorte
de cada Ser... Escreve, e passa adiante...
E do que escrito foi, não há quem torça
ou mude uma só letra, nem durante
a vida, nem também depois da morte.
para um Sonho tão Pobre e pequenino:
— Ninguém torna em ventura a desventura,
que é mais forte o desígnio do Destino.
Ninguém pode mudar a noite escura
em dia azul, sem nuvens, cristalino...
Da vida, a estrada é tão agreste e dura
que leva muita vez ao desatino.
Gira em torno de tudo uma Alta Força,
que, com letras de fogo, escreve a sorte
de cada Ser... Escreve, e passa adiante...
E do que escrito foi, não há quem torça
ou mude uma só letra, nem durante
a vida, nem também depois da morte.
859
Araújo Filho
Fatalismo
Foi meu erro idear maior altura,
para um Sonho tão Pobre e pequenino:
— Ninguém torna em ventura a desventura,
que é mais forte o desígnio do Destino.
Ninguém pode mudar a noite escura
em dia azul, sem nuvens, cristalino...
Da vida, a estrada é tão agreste e dura
que leva muita vez ao desatino.
Gira em torno de tudo uma Alta Força,
que, com letras de fogo, escreve a sorte
de cada Ser... Escreve, e passa adiante...
E do que escrito foi, não há quem torça
ou mude uma só letra, nem durante
a vida, nem também depois da morte.
para um Sonho tão Pobre e pequenino:
— Ninguém torna em ventura a desventura,
que é mais forte o desígnio do Destino.
Ninguém pode mudar a noite escura
em dia azul, sem nuvens, cristalino...
Da vida, a estrada é tão agreste e dura
que leva muita vez ao desatino.
Gira em torno de tudo uma Alta Força,
que, com letras de fogo, escreve a sorte
de cada Ser... Escreve, e passa adiante...
E do que escrito foi, não há quem torça
ou mude uma só letra, nem durante
a vida, nem também depois da morte.
859
Ana Maria Ramiro
Navegando a Poesia
Quem diz que o poeta mente
é alguém em distonia
Cá estou eu sinceramente
Navegando a poesia.
Poesia é viagem
pelo subconsciente,
pelo sonho,
pela alma,
pela lira de um valente.
O poeta é maestro,
rege a pena com destreza
Mas também é timoneiro
no Universo da tristeza.
Navegar a poesia
é conhecer toda a gente
As de hoje, as de outrora
e as que virão pela frente.
Quem diz que o poeta mente?
Pouco deve conhecer
sobre antropologia e sobre a busca do ser:
Por amor, fraternidade,
conhecimento e alegria
Que o poema é a saga do homem
em forma de antologia.
é alguém em distonia
Cá estou eu sinceramente
Navegando a poesia.
Poesia é viagem
pelo subconsciente,
pelo sonho,
pela alma,
pela lira de um valente.
O poeta é maestro,
rege a pena com destreza
Mas também é timoneiro
no Universo da tristeza.
Navegar a poesia
é conhecer toda a gente
As de hoje, as de outrora
e as que virão pela frente.
Quem diz que o poeta mente?
Pouco deve conhecer
sobre antropologia e sobre a busca do ser:
Por amor, fraternidade,
conhecimento e alegria
Que o poema é a saga do homem
em forma de antologia.
989
Ana Maria Ramiro
Lembranças
Em um final de tarde ensolarado
sigo por uma estrada poeirenta
meus dedos tocam galhos rebuscados
art nouveau do acaso e do momento.
E se um belo caboclo, com malícia
me acenar ainda, à distância
Ansiarei seu toque, uma carícia
que guardarei como paixão de infância.
Mas tudo não passa de lembranças
enquanto eu piso a pedra fria
e o sol da tarde, e a bonança
se foram em um nebuloso dia.
Assim a vida passa indiferente
levando o viço, o gozo e a emoção
Ficam porém as lembranças gravadas na mente,
e a dor das paixões, cravada no coração.
sigo por uma estrada poeirenta
meus dedos tocam galhos rebuscados
art nouveau do acaso e do momento.
E se um belo caboclo, com malícia
me acenar ainda, à distância
Ansiarei seu toque, uma carícia
que guardarei como paixão de infância.
Mas tudo não passa de lembranças
enquanto eu piso a pedra fria
e o sol da tarde, e a bonança
se foram em um nebuloso dia.
Assim a vida passa indiferente
levando o viço, o gozo e a emoção
Ficam porém as lembranças gravadas na mente,
e a dor das paixões, cravada no coração.
927
Ana Maria Ramiro
Lembranças
Em um final de tarde ensolarado
sigo por uma estrada poeirenta
meus dedos tocam galhos rebuscados
art nouveau do acaso e do momento.
E se um belo caboclo, com malícia
me acenar ainda, à distância
Ansiarei seu toque, uma carícia
que guardarei como paixão de infância.
Mas tudo não passa de lembranças
enquanto eu piso a pedra fria
e o sol da tarde, e a bonança
se foram em um nebuloso dia.
Assim a vida passa indiferente
levando o viço, o gozo e a emoção
Ficam porém as lembranças gravadas na mente,
e a dor das paixões, cravada no coração.
sigo por uma estrada poeirenta
meus dedos tocam galhos rebuscados
art nouveau do acaso e do momento.
E se um belo caboclo, com malícia
me acenar ainda, à distância
Ansiarei seu toque, uma carícia
que guardarei como paixão de infância.
Mas tudo não passa de lembranças
enquanto eu piso a pedra fria
e o sol da tarde, e a bonança
se foram em um nebuloso dia.
Assim a vida passa indiferente
levando o viço, o gozo e a emoção
Ficam porém as lembranças gravadas na mente,
e a dor das paixões, cravada no coração.
927
Bocage
Ao Sr Tomé Barbosa de Figueiredo de Almeida Cardoso,
Ao Sr. Tomé Barbosa de Figueiredo de Almeida Cardoso,
oficial de Línguas na Secretaria dos Negócios Estrangeiros
Dos tórrido sertões, pejados de oiro,
Saiu um sabichão de escassa fama,
Que os livros preza, os cartapácios ama,
Que das línguas repartem o tesoiro.
Arranha o persiano, arranha o moiro,
Sabe que Deus em turco Allah se chama;
Que no grego alfabeto o G é gama,
Que taurus em latim quer dizer toiro.
Para papaguear saiu do mato:
Abocanha talentos, que não goza;
É mono, e prega unhadas como gato.
É nada em verso, quase nada em prosa:
Não conheces, leitor, neste retrato
O guapo charlatão Tomé Barbosa?
oficial de Línguas na Secretaria dos Negócios Estrangeiros
Dos tórrido sertões, pejados de oiro,
Saiu um sabichão de escassa fama,
Que os livros preza, os cartapácios ama,
Que das línguas repartem o tesoiro.
Arranha o persiano, arranha o moiro,
Sabe que Deus em turco Allah se chama;
Que no grego alfabeto o G é gama,
Que taurus em latim quer dizer toiro.
Para papaguear saiu do mato:
Abocanha talentos, que não goza;
É mono, e prega unhadas como gato.
É nada em verso, quase nada em prosa:
Não conheces, leitor, neste retrato
O guapo charlatão Tomé Barbosa?
1 500
Bocage
Ao Sr Tomé Barbosa de Figueiredo de Almeida Cardoso,
Ao Sr. Tomé Barbosa de Figueiredo de Almeida Cardoso,
oficial de Línguas na Secretaria dos Negócios Estrangeiros
Dos tórrido sertões, pejados de oiro,
Saiu um sabichão de escassa fama,
Que os livros preza, os cartapácios ama,
Que das línguas repartem o tesoiro.
Arranha o persiano, arranha o moiro,
Sabe que Deus em turco Allah se chama;
Que no grego alfabeto o G é gama,
Que taurus em latim quer dizer toiro.
Para papaguear saiu do mato:
Abocanha talentos, que não goza;
É mono, e prega unhadas como gato.
É nada em verso, quase nada em prosa:
Não conheces, leitor, neste retrato
O guapo charlatão Tomé Barbosa?
oficial de Línguas na Secretaria dos Negócios Estrangeiros
Dos tórrido sertões, pejados de oiro,
Saiu um sabichão de escassa fama,
Que os livros preza, os cartapácios ama,
Que das línguas repartem o tesoiro.
Arranha o persiano, arranha o moiro,
Sabe que Deus em turco Allah se chama;
Que no grego alfabeto o G é gama,
Que taurus em latim quer dizer toiro.
Para papaguear saiu do mato:
Abocanha talentos, que não goza;
É mono, e prega unhadas como gato.
É nada em verso, quase nada em prosa:
Não conheces, leitor, neste retrato
O guapo charlatão Tomé Barbosa?
1 500
Bocage
O Macaco Declamando
Um mono, vendo-se um dia
Entre brutal multidão,
Dizem que lhe deu na cabeça
Fazer uma pregação.
Creio que seria o tema
Indigno de se tratar;
Mas isto pouco importava,
Porque o ponto era gritar.
Teve mil vivas, mil palmas,
Proferindo à boca cheia
Sentenças de quinze arrobas,
Palavras de légua e meia.
Isto acontece ao poeta,
Orador, e outros que tais;
Néscios o que entendem menos
É o que celebram mais.
Entre brutal multidão,
Dizem que lhe deu na cabeça
Fazer uma pregação.
Creio que seria o tema
Indigno de se tratar;
Mas isto pouco importava,
Porque o ponto era gritar.
Teve mil vivas, mil palmas,
Proferindo à boca cheia
Sentenças de quinze arrobas,
Palavras de légua e meia.
Isto acontece ao poeta,
Orador, e outros que tais;
Néscios o que entendem menos
É o que celebram mais.
2 112
Bastos Tigre
Sintaxe Feminina
Leio: "Meu bem não passa-se um só dia
Que de você não lembre-me"... Ora dá-se!
Mas que terrível idiossincrasia!
Este anjo tem as regras de sintaxe!
Continuo: "Em ti penso noite e dia...
Se como eu amo a ti, você me amasse!
"Não! É demais! Com bruta grosseria
A gramática insulta em plena face!
Respondo: "Sofres? Sofrerei contigo...
Por que razão te ralas e consomes?
Não vês em mim teu dedicado amigo?
Jamais, assim, por teu algoz me tomes!
Tu me colocas mal! Fazes comigo
O mesmo que fizeste com os pronomes!"...
Que de você não lembre-me"... Ora dá-se!
Mas que terrível idiossincrasia!
Este anjo tem as regras de sintaxe!
Continuo: "Em ti penso noite e dia...
Se como eu amo a ti, você me amasse!
"Não! É demais! Com bruta grosseria
A gramática insulta em plena face!
Respondo: "Sofres? Sofrerei contigo...
Por que razão te ralas e consomes?
Não vês em mim teu dedicado amigo?
Jamais, assim, por teu algoz me tomes!
Tu me colocas mal! Fazes comigo
O mesmo que fizeste com os pronomes!"...
1 563
Bastos Tigre
Sintaxe Feminina
Leio: "Meu bem não passa-se um só dia
Que de você não lembre-me"... Ora dá-se!
Mas que terrível idiossincrasia!
Este anjo tem as regras de sintaxe!
Continuo: "Em ti penso noite e dia...
Se como eu amo a ti, você me amasse!
"Não! É demais! Com bruta grosseria
A gramática insulta em plena face!
Respondo: "Sofres? Sofrerei contigo...
Por que razão te ralas e consomes?
Não vês em mim teu dedicado amigo?
Jamais, assim, por teu algoz me tomes!
Tu me colocas mal! Fazes comigo
O mesmo que fizeste com os pronomes!"...
Que de você não lembre-me"... Ora dá-se!
Mas que terrível idiossincrasia!
Este anjo tem as regras de sintaxe!
Continuo: "Em ti penso noite e dia...
Se como eu amo a ti, você me amasse!
"Não! É demais! Com bruta grosseria
A gramática insulta em plena face!
Respondo: "Sofres? Sofrerei contigo...
Por que razão te ralas e consomes?
Não vês em mim teu dedicado amigo?
Jamais, assim, por teu algoz me tomes!
Tu me colocas mal! Fazes comigo
O mesmo que fizeste com os pronomes!"...
1 563
Ana Amélia
Mal de Amor
Toda pena de amor, por mais que doa,
No próprio amor encontra recompensa.
As lágrimas que causa a indiferença
Seca-as depressa uma palavra boa.
A mão que fere, o ferro que agrilhoa,
Obstáculos não são que Amor não vença,
Amor transforma em luz a treva densa;
Por um sorriso Amor tudo perdoa.
Ai de quem muito amar não sendo amado,
E depois de sofrer tanta amargura,
Pela mão que o feriu não for curado...
Noutra parte há de em vão buscar ventura:
Fica-lhe o coração despedaçado,
Que o mal de Amor só nesse Amor tem cura.
No próprio amor encontra recompensa.
As lágrimas que causa a indiferença
Seca-as depressa uma palavra boa.
A mão que fere, o ferro que agrilhoa,
Obstáculos não são que Amor não vença,
Amor transforma em luz a treva densa;
Por um sorriso Amor tudo perdoa.
Ai de quem muito amar não sendo amado,
E depois de sofrer tanta amargura,
Pela mão que o feriu não for curado...
Noutra parte há de em vão buscar ventura:
Fica-lhe o coração despedaçado,
Que o mal de Amor só nesse Amor tem cura.
1 361
Ana Amélia
Mal de Amor
Toda pena de amor, por mais que doa,
No próprio amor encontra recompensa.
As lágrimas que causa a indiferença
Seca-as depressa uma palavra boa.
A mão que fere, o ferro que agrilhoa,
Obstáculos não são que Amor não vença,
Amor transforma em luz a treva densa;
Por um sorriso Amor tudo perdoa.
Ai de quem muito amar não sendo amado,
E depois de sofrer tanta amargura,
Pela mão que o feriu não for curado...
Noutra parte há de em vão buscar ventura:
Fica-lhe o coração despedaçado,
Que o mal de Amor só nesse Amor tem cura.
No próprio amor encontra recompensa.
As lágrimas que causa a indiferença
Seca-as depressa uma palavra boa.
A mão que fere, o ferro que agrilhoa,
Obstáculos não são que Amor não vença,
Amor transforma em luz a treva densa;
Por um sorriso Amor tudo perdoa.
Ai de quem muito amar não sendo amado,
E depois de sofrer tanta amargura,
Pela mão que o feriu não for curado...
Noutra parte há de em vão buscar ventura:
Fica-lhe o coração despedaçado,
Que o mal de Amor só nesse Amor tem cura.
1 361
Alfredo Castro
Psicologia do Adeus
Tempo de febre, tempo de loucura,
Esse tempo desfeito tão depressa,
Em que tua alma arrebatada e pura
Me vinha em festa, cheia de promessa.
Tempo de anseios, tempo de ventura,
Em que os teus sentimentos punhas nessa
Força que dava à minha mão, segura
No adeus, à tua. Era a paixão — confessa!
Era a paixão, que em teu olhar brilhava,
De radiosas visões te enchendo a vida,
Dos meus desejos te fazendo escrava.
Hoje, num gesto todo indiferente,
Tomando a minha mão na despedida,
Dás-me as pontas dos dedos, frouxamente!
Esse tempo desfeito tão depressa,
Em que tua alma arrebatada e pura
Me vinha em festa, cheia de promessa.
Tempo de anseios, tempo de ventura,
Em que os teus sentimentos punhas nessa
Força que dava à minha mão, segura
No adeus, à tua. Era a paixão — confessa!
Era a paixão, que em teu olhar brilhava,
De radiosas visões te enchendo a vida,
Dos meus desejos te fazendo escrava.
Hoje, num gesto todo indiferente,
Tomando a minha mão na despedida,
Dás-me as pontas dos dedos, frouxamente!
1 013
Cláudio Alex
Bom Dia, Tristeza!
I
Bom dia, Tristeza!
Nada se absorve
ou se perde na beleza.
O inverno da desesperança
consentida.
O silêncio do pulsar
admitido.
Bon jour, Tristesse!
II
A conspiração noturna,
o advento da respiração
da brisa da madrugada,
um salutar reflexo de continuidade.
Implorar presença
que preencha a falta
do tudo.
Da totalidade de tudo.
Sinto muito,
se as manhãs são nuas,
se tuas tardes são vazias
e o tédio impercebido resvala nas quinas
dos móveis.
Se o volume da rádio-vitrola
faz as paredes purgarem
uma canção inesperável.
III
Se antes havia
um tênue ressonar
ao lado de minha abstinência,
hoje os resquícios
de presença
são absorvidos
pelos meus pêlos que se eriçam
ao toque invisível do desespero.
IV
Play me a ring!
Sing me a song!
A song of my desperate Christmas!
Im lost...
V
Um inexplicável
suor de nossa vadiagem.
Na tarde, na manhã,
na presença noturna,
a atmosfera que envolve a tudo.
Sinto saudades,
dessas tardes.
O telefone soar
e tudo ser...
A certeza do dia
frente à obscenidade
permitida.
O toque do espírito
na pele.
O contato profundo
nas partes impuras.
VI
Cravar os dentes
na ausência de tua carne.
Lamber o vazio
onde estariam tuas portas.
E o gosto amargo
da secura da falta de teus sumos
transborda em lágrimas
da mais pura incerteza.
VII
Deita comigo
o silêncio
da invalidez
das possibilidades.
Deita comigo
a fraqueza que nos levou
e te conduziu para perto do
cataclisma.
Permanece comigo
a falta de teu sussurro,
do teu gemido,
do ressuscitar
das velhas
e inesperadas
paixões.
VIII
Bom dia, Tristeza!
A porosidade da língua
que guarda o sabor
delicado
de tua saliva.
IX
Impressa em mim
cada emoção,
cada toque,
cada sensação
esculpida no fundo.
E as limalhas
da alma
permanecem
espalhadas
no ambiente do quarto.
X
Guardo comigo,
numa coleção
de fragmentos,
a ansiedade
da volta.
XII
Mas a desesperança
decompõe meu corpo,
leva minha noite...
Tristeza, bom dia!
Aqui fico eu,
permaneço,
jazente,
adormecendo,
aos poucos,
na inexistência
de tua presença.
Bom dia, Tristeza!
Nada se absorve
ou se perde na beleza.
O inverno da desesperança
consentida.
O silêncio do pulsar
admitido.
Bon jour, Tristesse!
II
A conspiração noturna,
o advento da respiração
da brisa da madrugada,
um salutar reflexo de continuidade.
Implorar presença
que preencha a falta
do tudo.
Da totalidade de tudo.
Sinto muito,
se as manhãs são nuas,
se tuas tardes são vazias
e o tédio impercebido resvala nas quinas
dos móveis.
Se o volume da rádio-vitrola
faz as paredes purgarem
uma canção inesperável.
III
Se antes havia
um tênue ressonar
ao lado de minha abstinência,
hoje os resquícios
de presença
são absorvidos
pelos meus pêlos que se eriçam
ao toque invisível do desespero.
IV
Play me a ring!
Sing me a song!
A song of my desperate Christmas!
Im lost...
V
Um inexplicável
suor de nossa vadiagem.
Na tarde, na manhã,
na presença noturna,
a atmosfera que envolve a tudo.
Sinto saudades,
dessas tardes.
O telefone soar
e tudo ser...
A certeza do dia
frente à obscenidade
permitida.
O toque do espírito
na pele.
O contato profundo
nas partes impuras.
VI
Cravar os dentes
na ausência de tua carne.
Lamber o vazio
onde estariam tuas portas.
E o gosto amargo
da secura da falta de teus sumos
transborda em lágrimas
da mais pura incerteza.
VII
Deita comigo
o silêncio
da invalidez
das possibilidades.
Deita comigo
a fraqueza que nos levou
e te conduziu para perto do
cataclisma.
Permanece comigo
a falta de teu sussurro,
do teu gemido,
do ressuscitar
das velhas
e inesperadas
paixões.
VIII
Bom dia, Tristeza!
A porosidade da língua
que guarda o sabor
delicado
de tua saliva.
IX
Impressa em mim
cada emoção,
cada toque,
cada sensação
esculpida no fundo.
E as limalhas
da alma
permanecem
espalhadas
no ambiente do quarto.
X
Guardo comigo,
numa coleção
de fragmentos,
a ansiedade
da volta.
XII
Mas a desesperança
decompõe meu corpo,
leva minha noite...
Tristeza, bom dia!
Aqui fico eu,
permaneço,
jazente,
adormecendo,
aos poucos,
na inexistência
de tua presença.
748
Cláudio Alex
Bom Dia, Tristeza!
I
Bom dia, Tristeza!
Nada se absorve
ou se perde na beleza.
O inverno da desesperança
consentida.
O silêncio do pulsar
admitido.
Bon jour, Tristesse!
II
A conspiração noturna,
o advento da respiração
da brisa da madrugada,
um salutar reflexo de continuidade.
Implorar presença
que preencha a falta
do tudo.
Da totalidade de tudo.
Sinto muito,
se as manhãs são nuas,
se tuas tardes são vazias
e o tédio impercebido resvala nas quinas
dos móveis.
Se o volume da rádio-vitrola
faz as paredes purgarem
uma canção inesperável.
III
Se antes havia
um tênue ressonar
ao lado de minha abstinência,
hoje os resquícios
de presença
são absorvidos
pelos meus pêlos que se eriçam
ao toque invisível do desespero.
IV
Play me a ring!
Sing me a song!
A song of my desperate Christmas!
Im lost...
V
Um inexplicável
suor de nossa vadiagem.
Na tarde, na manhã,
na presença noturna,
a atmosfera que envolve a tudo.
Sinto saudades,
dessas tardes.
O telefone soar
e tudo ser...
A certeza do dia
frente à obscenidade
permitida.
O toque do espírito
na pele.
O contato profundo
nas partes impuras.
VI
Cravar os dentes
na ausência de tua carne.
Lamber o vazio
onde estariam tuas portas.
E o gosto amargo
da secura da falta de teus sumos
transborda em lágrimas
da mais pura incerteza.
VII
Deita comigo
o silêncio
da invalidez
das possibilidades.
Deita comigo
a fraqueza que nos levou
e te conduziu para perto do
cataclisma.
Permanece comigo
a falta de teu sussurro,
do teu gemido,
do ressuscitar
das velhas
e inesperadas
paixões.
VIII
Bom dia, Tristeza!
A porosidade da língua
que guarda o sabor
delicado
de tua saliva.
IX
Impressa em mim
cada emoção,
cada toque,
cada sensação
esculpida no fundo.
E as limalhas
da alma
permanecem
espalhadas
no ambiente do quarto.
X
Guardo comigo,
numa coleção
de fragmentos,
a ansiedade
da volta.
XII
Mas a desesperança
decompõe meu corpo,
leva minha noite...
Tristeza, bom dia!
Aqui fico eu,
permaneço,
jazente,
adormecendo,
aos poucos,
na inexistência
de tua presença.
Bom dia, Tristeza!
Nada se absorve
ou se perde na beleza.
O inverno da desesperança
consentida.
O silêncio do pulsar
admitido.
Bon jour, Tristesse!
II
A conspiração noturna,
o advento da respiração
da brisa da madrugada,
um salutar reflexo de continuidade.
Implorar presença
que preencha a falta
do tudo.
Da totalidade de tudo.
Sinto muito,
se as manhãs são nuas,
se tuas tardes são vazias
e o tédio impercebido resvala nas quinas
dos móveis.
Se o volume da rádio-vitrola
faz as paredes purgarem
uma canção inesperável.
III
Se antes havia
um tênue ressonar
ao lado de minha abstinência,
hoje os resquícios
de presença
são absorvidos
pelos meus pêlos que se eriçam
ao toque invisível do desespero.
IV
Play me a ring!
Sing me a song!
A song of my desperate Christmas!
Im lost...
V
Um inexplicável
suor de nossa vadiagem.
Na tarde, na manhã,
na presença noturna,
a atmosfera que envolve a tudo.
Sinto saudades,
dessas tardes.
O telefone soar
e tudo ser...
A certeza do dia
frente à obscenidade
permitida.
O toque do espírito
na pele.
O contato profundo
nas partes impuras.
VI
Cravar os dentes
na ausência de tua carne.
Lamber o vazio
onde estariam tuas portas.
E o gosto amargo
da secura da falta de teus sumos
transborda em lágrimas
da mais pura incerteza.
VII
Deita comigo
o silêncio
da invalidez
das possibilidades.
Deita comigo
a fraqueza que nos levou
e te conduziu para perto do
cataclisma.
Permanece comigo
a falta de teu sussurro,
do teu gemido,
do ressuscitar
das velhas
e inesperadas
paixões.
VIII
Bom dia, Tristeza!
A porosidade da língua
que guarda o sabor
delicado
de tua saliva.
IX
Impressa em mim
cada emoção,
cada toque,
cada sensação
esculpida no fundo.
E as limalhas
da alma
permanecem
espalhadas
no ambiente do quarto.
X
Guardo comigo,
numa coleção
de fragmentos,
a ansiedade
da volta.
XII
Mas a desesperança
decompõe meu corpo,
leva minha noite...
Tristeza, bom dia!
Aqui fico eu,
permaneço,
jazente,
adormecendo,
aos poucos,
na inexistência
de tua presença.
748
Cláudio Alex
Bom Dia, Tristeza!
I
Bom dia, Tristeza!
Nada se absorve
ou se perde na beleza.
O inverno da desesperança
consentida.
O silêncio do pulsar
admitido.
Bon jour, Tristesse!
II
A conspiração noturna,
o advento da respiração
da brisa da madrugada,
um salutar reflexo de continuidade.
Implorar presença
que preencha a falta
do tudo.
Da totalidade de tudo.
Sinto muito,
se as manhãs são nuas,
se tuas tardes são vazias
e o tédio impercebido resvala nas quinas
dos móveis.
Se o volume da rádio-vitrola
faz as paredes purgarem
uma canção inesperável.
III
Se antes havia
um tênue ressonar
ao lado de minha abstinência,
hoje os resquícios
de presença
são absorvidos
pelos meus pêlos que se eriçam
ao toque invisível do desespero.
IV
Play me a ring!
Sing me a song!
A song of my desperate Christmas!
Im lost...
V
Um inexplicável
suor de nossa vadiagem.
Na tarde, na manhã,
na presença noturna,
a atmosfera que envolve a tudo.
Sinto saudades,
dessas tardes.
O telefone soar
e tudo ser...
A certeza do dia
frente à obscenidade
permitida.
O toque do espírito
na pele.
O contato profundo
nas partes impuras.
VI
Cravar os dentes
na ausência de tua carne.
Lamber o vazio
onde estariam tuas portas.
E o gosto amargo
da secura da falta de teus sumos
transborda em lágrimas
da mais pura incerteza.
VII
Deita comigo
o silêncio
da invalidez
das possibilidades.
Deita comigo
a fraqueza que nos levou
e te conduziu para perto do
cataclisma.
Permanece comigo
a falta de teu sussurro,
do teu gemido,
do ressuscitar
das velhas
e inesperadas
paixões.
VIII
Bom dia, Tristeza!
A porosidade da língua
que guarda o sabor
delicado
de tua saliva.
IX
Impressa em mim
cada emoção,
cada toque,
cada sensação
esculpida no fundo.
E as limalhas
da alma
permanecem
espalhadas
no ambiente do quarto.
X
Guardo comigo,
numa coleção
de fragmentos,
a ansiedade
da volta.
XII
Mas a desesperança
decompõe meu corpo,
leva minha noite...
Tristeza, bom dia!
Aqui fico eu,
permaneço,
jazente,
adormecendo,
aos poucos,
na inexistência
de tua presença.
Bom dia, Tristeza!
Nada se absorve
ou se perde na beleza.
O inverno da desesperança
consentida.
O silêncio do pulsar
admitido.
Bon jour, Tristesse!
II
A conspiração noturna,
o advento da respiração
da brisa da madrugada,
um salutar reflexo de continuidade.
Implorar presença
que preencha a falta
do tudo.
Da totalidade de tudo.
Sinto muito,
se as manhãs são nuas,
se tuas tardes são vazias
e o tédio impercebido resvala nas quinas
dos móveis.
Se o volume da rádio-vitrola
faz as paredes purgarem
uma canção inesperável.
III
Se antes havia
um tênue ressonar
ao lado de minha abstinência,
hoje os resquícios
de presença
são absorvidos
pelos meus pêlos que se eriçam
ao toque invisível do desespero.
IV
Play me a ring!
Sing me a song!
A song of my desperate Christmas!
Im lost...
V
Um inexplicável
suor de nossa vadiagem.
Na tarde, na manhã,
na presença noturna,
a atmosfera que envolve a tudo.
Sinto saudades,
dessas tardes.
O telefone soar
e tudo ser...
A certeza do dia
frente à obscenidade
permitida.
O toque do espírito
na pele.
O contato profundo
nas partes impuras.
VI
Cravar os dentes
na ausência de tua carne.
Lamber o vazio
onde estariam tuas portas.
E o gosto amargo
da secura da falta de teus sumos
transborda em lágrimas
da mais pura incerteza.
VII
Deita comigo
o silêncio
da invalidez
das possibilidades.
Deita comigo
a fraqueza que nos levou
e te conduziu para perto do
cataclisma.
Permanece comigo
a falta de teu sussurro,
do teu gemido,
do ressuscitar
das velhas
e inesperadas
paixões.
VIII
Bom dia, Tristeza!
A porosidade da língua
que guarda o sabor
delicado
de tua saliva.
IX
Impressa em mim
cada emoção,
cada toque,
cada sensação
esculpida no fundo.
E as limalhas
da alma
permanecem
espalhadas
no ambiente do quarto.
X
Guardo comigo,
numa coleção
de fragmentos,
a ansiedade
da volta.
XII
Mas a desesperança
decompõe meu corpo,
leva minha noite...
Tristeza, bom dia!
Aqui fico eu,
permaneço,
jazente,
adormecendo,
aos poucos,
na inexistência
de tua presença.
748
Cláudio Alex
Bom Dia, Tristeza!
I
Bom dia, Tristeza!
Nada se absorve
ou se perde na beleza.
O inverno da desesperança
consentida.
O silêncio do pulsar
admitido.
Bon jour, Tristesse!
II
A conspiração noturna,
o advento da respiração
da brisa da madrugada,
um salutar reflexo de continuidade.
Implorar presença
que preencha a falta
do tudo.
Da totalidade de tudo.
Sinto muito,
se as manhãs são nuas,
se tuas tardes são vazias
e o tédio impercebido resvala nas quinas
dos móveis.
Se o volume da rádio-vitrola
faz as paredes purgarem
uma canção inesperável.
III
Se antes havia
um tênue ressonar
ao lado de minha abstinência,
hoje os resquícios
de presença
são absorvidos
pelos meus pêlos que se eriçam
ao toque invisível do desespero.
IV
Play me a ring!
Sing me a song!
A song of my desperate Christmas!
Im lost...
V
Um inexplicável
suor de nossa vadiagem.
Na tarde, na manhã,
na presença noturna,
a atmosfera que envolve a tudo.
Sinto saudades,
dessas tardes.
O telefone soar
e tudo ser...
A certeza do dia
frente à obscenidade
permitida.
O toque do espírito
na pele.
O contato profundo
nas partes impuras.
VI
Cravar os dentes
na ausência de tua carne.
Lamber o vazio
onde estariam tuas portas.
E o gosto amargo
da secura da falta de teus sumos
transborda em lágrimas
da mais pura incerteza.
VII
Deita comigo
o silêncio
da invalidez
das possibilidades.
Deita comigo
a fraqueza que nos levou
e te conduziu para perto do
cataclisma.
Permanece comigo
a falta de teu sussurro,
do teu gemido,
do ressuscitar
das velhas
e inesperadas
paixões.
VIII
Bom dia, Tristeza!
A porosidade da língua
que guarda o sabor
delicado
de tua saliva.
IX
Impressa em mim
cada emoção,
cada toque,
cada sensação
esculpida no fundo.
E as limalhas
da alma
permanecem
espalhadas
no ambiente do quarto.
X
Guardo comigo,
numa coleção
de fragmentos,
a ansiedade
da volta.
XII
Mas a desesperança
decompõe meu corpo,
leva minha noite...
Tristeza, bom dia!
Aqui fico eu,
permaneço,
jazente,
adormecendo,
aos poucos,
na inexistência
de tua presença.
Bom dia, Tristeza!
Nada se absorve
ou se perde na beleza.
O inverno da desesperança
consentida.
O silêncio do pulsar
admitido.
Bon jour, Tristesse!
II
A conspiração noturna,
o advento da respiração
da brisa da madrugada,
um salutar reflexo de continuidade.
Implorar presença
que preencha a falta
do tudo.
Da totalidade de tudo.
Sinto muito,
se as manhãs são nuas,
se tuas tardes são vazias
e o tédio impercebido resvala nas quinas
dos móveis.
Se o volume da rádio-vitrola
faz as paredes purgarem
uma canção inesperável.
III
Se antes havia
um tênue ressonar
ao lado de minha abstinência,
hoje os resquícios
de presença
são absorvidos
pelos meus pêlos que se eriçam
ao toque invisível do desespero.
IV
Play me a ring!
Sing me a song!
A song of my desperate Christmas!
Im lost...
V
Um inexplicável
suor de nossa vadiagem.
Na tarde, na manhã,
na presença noturna,
a atmosfera que envolve a tudo.
Sinto saudades,
dessas tardes.
O telefone soar
e tudo ser...
A certeza do dia
frente à obscenidade
permitida.
O toque do espírito
na pele.
O contato profundo
nas partes impuras.
VI
Cravar os dentes
na ausência de tua carne.
Lamber o vazio
onde estariam tuas portas.
E o gosto amargo
da secura da falta de teus sumos
transborda em lágrimas
da mais pura incerteza.
VII
Deita comigo
o silêncio
da invalidez
das possibilidades.
Deita comigo
a fraqueza que nos levou
e te conduziu para perto do
cataclisma.
Permanece comigo
a falta de teu sussurro,
do teu gemido,
do ressuscitar
das velhas
e inesperadas
paixões.
VIII
Bom dia, Tristeza!
A porosidade da língua
que guarda o sabor
delicado
de tua saliva.
IX
Impressa em mim
cada emoção,
cada toque,
cada sensação
esculpida no fundo.
E as limalhas
da alma
permanecem
espalhadas
no ambiente do quarto.
X
Guardo comigo,
numa coleção
de fragmentos,
a ansiedade
da volta.
XII
Mas a desesperança
decompõe meu corpo,
leva minha noite...
Tristeza, bom dia!
Aqui fico eu,
permaneço,
jazente,
adormecendo,
aos poucos,
na inexistência
de tua presença.
748
Álvaro Viana
White Birds
Ando a sonhar uns pobres sonhos brancos,
Cheios de tédio e de desesperança.
Pela estrada da Morte não descansa
Quem só vive a pedir e nada alcança.
Tantos pecados vis, tantos arrancos,
Para arrancar-me a túnica dos flancos
Onde as feridas de combates francos
Ainda sangram na dor que se não cansa.
Mãos em cruz, a pedir por quem espera
A ilusão derradeira nesta vida,
já não sou, ai de mim! quem dantes era.
A sombra estreita de unia cruz — mais nada:
Sob um monte de terra revolvida
Dormirá a Esperança, enluarada.
Cheios de tédio e de desesperança.
Pela estrada da Morte não descansa
Quem só vive a pedir e nada alcança.
Tantos pecados vis, tantos arrancos,
Para arrancar-me a túnica dos flancos
Onde as feridas de combates francos
Ainda sangram na dor que se não cansa.
Mãos em cruz, a pedir por quem espera
A ilusão derradeira nesta vida,
já não sou, ai de mim! quem dantes era.
A sombra estreita de unia cruz — mais nada:
Sob um monte de terra revolvida
Dormirá a Esperança, enluarada.
983
Álvaro Viana
White Birds
Ando a sonhar uns pobres sonhos brancos,
Cheios de tédio e de desesperança.
Pela estrada da Morte não descansa
Quem só vive a pedir e nada alcança.
Tantos pecados vis, tantos arrancos,
Para arrancar-me a túnica dos flancos
Onde as feridas de combates francos
Ainda sangram na dor que se não cansa.
Mãos em cruz, a pedir por quem espera
A ilusão derradeira nesta vida,
já não sou, ai de mim! quem dantes era.
A sombra estreita de unia cruz — mais nada:
Sob um monte de terra revolvida
Dormirá a Esperança, enluarada.
Cheios de tédio e de desesperança.
Pela estrada da Morte não descansa
Quem só vive a pedir e nada alcança.
Tantos pecados vis, tantos arrancos,
Para arrancar-me a túnica dos flancos
Onde as feridas de combates francos
Ainda sangram na dor que se não cansa.
Mãos em cruz, a pedir por quem espera
A ilusão derradeira nesta vida,
já não sou, ai de mim! quem dantes era.
A sombra estreita de unia cruz — mais nada:
Sob um monte de terra revolvida
Dormirá a Esperança, enluarada.
983
Bocage
Das terras a pior tu és, ó Goa,
Das terras a pior tu és, ó Goa,
Tu pareces mais ermo que cidade,
Mas alojas em ti maior vaidade
Que Londres, que Paris ou que Lisboa.
A chusma de teus íncolas pregoa
Que excede o Grão Senhor na qualidade;
Tudo quer senhoria; o próprio frade
Alega, para tê-la, o jus da croa!
De timbres prenhe estás; mas oiro e prata
Em cruzes, com que dantes te benzias,
Foge a teus infanções de bolsa chata.
Oh que feliz e esplêndida serias,
Se algum fusco Merlim, que faz bagata,
Te alborcasse a pardaus as senhorias!
Tu pareces mais ermo que cidade,
Mas alojas em ti maior vaidade
Que Londres, que Paris ou que Lisboa.
A chusma de teus íncolas pregoa
Que excede o Grão Senhor na qualidade;
Tudo quer senhoria; o próprio frade
Alega, para tê-la, o jus da croa!
De timbres prenhe estás; mas oiro e prata
Em cruzes, com que dantes te benzias,
Foge a teus infanções de bolsa chata.
Oh que feliz e esplêndida serias,
Se algum fusco Merlim, que faz bagata,
Te alborcasse a pardaus as senhorias!
2 446
Bocage
Das terras a pior tu és, ó Goa,
Das terras a pior tu és, ó Goa,
Tu pareces mais ermo que cidade,
Mas alojas em ti maior vaidade
Que Londres, que Paris ou que Lisboa.
A chusma de teus íncolas pregoa
Que excede o Grão Senhor na qualidade;
Tudo quer senhoria; o próprio frade
Alega, para tê-la, o jus da croa!
De timbres prenhe estás; mas oiro e prata
Em cruzes, com que dantes te benzias,
Foge a teus infanções de bolsa chata.
Oh que feliz e esplêndida serias,
Se algum fusco Merlim, que faz bagata,
Te alborcasse a pardaus as senhorias!
Tu pareces mais ermo que cidade,
Mas alojas em ti maior vaidade
Que Londres, que Paris ou que Lisboa.
A chusma de teus íncolas pregoa
Que excede o Grão Senhor na qualidade;
Tudo quer senhoria; o próprio frade
Alega, para tê-la, o jus da croa!
De timbres prenhe estás; mas oiro e prata
Em cruzes, com que dantes te benzias,
Foge a teus infanções de bolsa chata.
Oh que feliz e esplêndida serias,
Se algum fusco Merlim, que faz bagata,
Te alborcasse a pardaus as senhorias!
2 446
Aristêo Seixas
Juízo Final
Raive o sol, pulse a dor, lateje o grito,
E o fel tragado seja, gole a gole.
Todo o amor, todo o bem seja proscrito,
Todo o perfume deste chão se evole...
Caia de cima o aerólito e, bendito,
Esmigalhando vá prole por prole...
E embaixo, a atroar em chamas o infinito,
Pedra por pedra sobre pedra role...
Senhor meu Deus! são vendilhões: matai-os!
Em vão se estorça a humanidade espúria!
E veja cada qual, nessa hora incerta,
O céu, em ódio, desprendendo raios,
O mar cuspindo vagalhões em fúria
E a terra inteira em túmulos aberta!...
E o fel tragado seja, gole a gole.
Todo o amor, todo o bem seja proscrito,
Todo o perfume deste chão se evole...
Caia de cima o aerólito e, bendito,
Esmigalhando vá prole por prole...
E embaixo, a atroar em chamas o infinito,
Pedra por pedra sobre pedra role...
Senhor meu Deus! são vendilhões: matai-os!
Em vão se estorça a humanidade espúria!
E veja cada qual, nessa hora incerta,
O céu, em ódio, desprendendo raios,
O mar cuspindo vagalhões em fúria
E a terra inteira em túmulos aberta!...
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