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Poemas neste tema

Emoções e Sentimentos

Cláudio Alex

Cláudio Alex

Te Espero

Todo amor tem que ser livre
Quem sou eu para dizer o certo,
quem sou eu para dizer o errado.
Todo amor acontece porque é perfeito
da forma que se apresenta.
Expresso meu amor
da forma e do jeito que ele é.
Expresso com as formas de sedução
que sei fazer e que a vida ensinou.
Faço-o livre porque livre ele o é.
Deixar de assim manifesta-lo
significa transforma-lo
em algo em que já não é.

Sou teu por uma opção de entrega,
porque esta entrega vem de dentro
e decorre de uma sensação plena.
é natural que ele se expresse
para alguém que preenche
completamente as emoções no peito.
E poderia haver alguém ao lado
que não haveria espaço dentro
para ser compartilhado.
O amor preenche-me por inteiro.

Estou triste
porque não tenho você ao meu lado.
Mas é uma tristeza completa
que é melhor que uma alegria
incompleta e cheia de vazios.
Se estou triste,
é porque às vezes o amor é triste,
é uma forma de sua manifestação.

Se, às vezes, sozinho solto um sorriso,
é porque se manifesta em mim
uma parte alegre de você.
Coisas que me fazem teu,
porque verdadeiramente te amo.

Se, às vezes, sozinho, eu choro
é porque se manifesta em mim
uma parte melancólica de ti,
nem por isso menos bela.
Coisas que me fazem teu.
Porque a verdade não esta só na alegria,
e o melancólico convive com o alegre.

Se às vezes fico com raiva
é porque o amor se manifesta
com a incompreensão.
Coisas que eu não compreendo.
Coisas que não sou compreendido.
Mas se existe a raiva
é sinal que existe o desejo:
um desejo incompreendido
mas que existe e é forte demais
para ser colocado de lado
junto das pequenices diárias.

Todas essas manifestações
são manifestações de amor.

Foste em busca do paraíso terrestre.
Te odiei.
Agora já não sinto, mas senti.
Essas coisas acontecem e fazem parte.
Longe de deixar-me tomar pela autopiedade,
isso serviu de aprendizado.
Aprendizado sobre você.
Não é aprendizado sobre nosso amor.
Nosso amor é como é
e assim é pleno.
É um aprendizado sobre você
porque é a tua verdade
que se manifestou.
E cada vez que isso acontece
aparece mais a verdade
daquilo que existe em nos.
Não sou perfeito, não és perfeita,
somos como somos,
e assim nos amamos.
Cada vez percebo mais
como nossos mecanismos de vida
começam a se integrar
cada vez mais e melhor.

Sei que te dar garantia
dessa compreensão,
dessa busca do entendimento,
te da segurança de ser
aquilo que realmente você é.
Você percebe que ai se expressa
a tua liberdade de ser
dentro de um relacionamento?

Vim para a sua vida
não de forma passageira.
Vim para a tua vida
para ficar contigo.
Temos tempo e não temos tempo.
Na verdade o tempo
é o que menos interessa.
Vim exercer em ti
a minha forma de sedução
e que te faz sentir mulher
perfeita e completa.
Vim para mexer com tua química
para transformar os teus hormônios
para mudar o teu desejo.
Vim para mudar a tua vida
e te trazer um mundo
que na verdade apenas pressentes.
Vim para te tomar por mulher
quando todos a tratam por menina.
Vim para te dar saber
da plenitude do desejo
e da arte de flui-lo.
Vim para você me ver
todos os e dias e afirmar baixinho:
- Este é meu homem!
Vim para te fazer inteira,
para integrar teus sentimentos,
para criar sinergia
e te fazer crescer em ti.
Vim para te mostrar que esta trancafiada
e não consegues viver,
que estas sufocada
de tanto a fazer
e nada fazer.

Quero que saiba que te amo
e que nada existe no mundo
que me desalente.

Que vencerei teu medo,
que te levarei comigo
para fazer amor.

E, então, saberás de tudo
e terás confiança maior
em teu próprio ser.

Eu vim aqui, desse mesmo jeito
para te levar ao encontro
do que existe em ti.
E só o amor, um grande amor,
é capaz de fazer coisas tão simples
e tão difíceis de serem feitas.

Estou aqui, sou teu,
venha definitivamente
para o meu encontro.

Te espero.

1 026
Cláudio Alex

Cláudio Alex

Te Espero

Todo amor tem que ser livre
Quem sou eu para dizer o certo,
quem sou eu para dizer o errado.
Todo amor acontece porque é perfeito
da forma que se apresenta.
Expresso meu amor
da forma e do jeito que ele é.
Expresso com as formas de sedução
que sei fazer e que a vida ensinou.
Faço-o livre porque livre ele o é.
Deixar de assim manifesta-lo
significa transforma-lo
em algo em que já não é.

Sou teu por uma opção de entrega,
porque esta entrega vem de dentro
e decorre de uma sensação plena.
é natural que ele se expresse
para alguém que preenche
completamente as emoções no peito.
E poderia haver alguém ao lado
que não haveria espaço dentro
para ser compartilhado.
O amor preenche-me por inteiro.

Estou triste
porque não tenho você ao meu lado.
Mas é uma tristeza completa
que é melhor que uma alegria
incompleta e cheia de vazios.
Se estou triste,
é porque às vezes o amor é triste,
é uma forma de sua manifestação.

Se, às vezes, sozinho solto um sorriso,
é porque se manifesta em mim
uma parte alegre de você.
Coisas que me fazem teu,
porque verdadeiramente te amo.

Se, às vezes, sozinho, eu choro
é porque se manifesta em mim
uma parte melancólica de ti,
nem por isso menos bela.
Coisas que me fazem teu.
Porque a verdade não esta só na alegria,
e o melancólico convive com o alegre.

Se às vezes fico com raiva
é porque o amor se manifesta
com a incompreensão.
Coisas que eu não compreendo.
Coisas que não sou compreendido.
Mas se existe a raiva
é sinal que existe o desejo:
um desejo incompreendido
mas que existe e é forte demais
para ser colocado de lado
junto das pequenices diárias.

Todas essas manifestações
são manifestações de amor.

Foste em busca do paraíso terrestre.
Te odiei.
Agora já não sinto, mas senti.
Essas coisas acontecem e fazem parte.
Longe de deixar-me tomar pela autopiedade,
isso serviu de aprendizado.
Aprendizado sobre você.
Não é aprendizado sobre nosso amor.
Nosso amor é como é
e assim é pleno.
É um aprendizado sobre você
porque é a tua verdade
que se manifestou.
E cada vez que isso acontece
aparece mais a verdade
daquilo que existe em nos.
Não sou perfeito, não és perfeita,
somos como somos,
e assim nos amamos.
Cada vez percebo mais
como nossos mecanismos de vida
começam a se integrar
cada vez mais e melhor.

Sei que te dar garantia
dessa compreensão,
dessa busca do entendimento,
te da segurança de ser
aquilo que realmente você é.
Você percebe que ai se expressa
a tua liberdade de ser
dentro de um relacionamento?

Vim para a sua vida
não de forma passageira.
Vim para a tua vida
para ficar contigo.
Temos tempo e não temos tempo.
Na verdade o tempo
é o que menos interessa.
Vim exercer em ti
a minha forma de sedução
e que te faz sentir mulher
perfeita e completa.
Vim para mexer com tua química
para transformar os teus hormônios
para mudar o teu desejo.
Vim para mudar a tua vida
e te trazer um mundo
que na verdade apenas pressentes.
Vim para te tomar por mulher
quando todos a tratam por menina.
Vim para te dar saber
da plenitude do desejo
e da arte de flui-lo.
Vim para você me ver
todos os e dias e afirmar baixinho:
- Este é meu homem!
Vim para te fazer inteira,
para integrar teus sentimentos,
para criar sinergia
e te fazer crescer em ti.
Vim para te mostrar que esta trancafiada
e não consegues viver,
que estas sufocada
de tanto a fazer
e nada fazer.

Quero que saiba que te amo
e que nada existe no mundo
que me desalente.

Que vencerei teu medo,
que te levarei comigo
para fazer amor.

E, então, saberás de tudo
e terás confiança maior
em teu próprio ser.

Eu vim aqui, desse mesmo jeito
para te levar ao encontro
do que existe em ti.
E só o amor, um grande amor,
é capaz de fazer coisas tão simples
e tão difíceis de serem feitas.

Estou aqui, sou teu,
venha definitivamente
para o meu encontro.

Te espero.

1 026
Cláudio Alex

Cláudio Alex

Não sou arroz, eu não!

Eu não sou arroz, não, meu amor!
Te esforçaras para faze-lo,
mas escorregarei, sempre
pela saída impossível,
pela janela que parecia fechada.
E te sacudirei com força,
te revirarei por dentro
cairás sempre deitada na cama
e eu te terei.

Não sou arroz, eu não
nunca terás a certeza
completa de que sou
todo teu, por mais que eu diga
que eu afirme, ficara sempre
uma pontinha de duvida
de toda essa certeza.
Saberás que sou teu,
saberás que me tens,
mas temeras sempre
aquela saída oculta
que possa parecer uma porta
por onde eu
poderei desaparecer
por trás dela.

E me amaras loucamente
e me desejaras ter dentro de ti
porque quando estiver ali dentro,
envolvido no jogo da paixão terás
todas certezas.
Mas em outra hora, não terás tantas certezas,
e por essa razão fazer amor comigo
será mais imprescindível
do que com qualquer outra pessoa,
entregar-te-á com mais força
com maior afinco, porque
será quando terás a certeza
que me tens.

Nunca te acharas dona da situação
por completo, poderei te surpreender
com algo inimaginável.
Abalarei teu excesso de confiança.
E eu te virarei do avesso,
e te farei mulher
como ninguém jamais
te fez ou fará.

Desconfiaras sempre que te sentir confiante,
e aprenderas a extrair do teu homem
cada gota de prazer, que é tua e que é minha.
Porque assim ficaras mais nua e serás
possuída de todas as maneiras.
E gostaras de sê-lo.

Eu não sou arroz, eu não.
Eu te darei o antepasto,
o primeiro prato,
o segundo,
e te darei,
para deliciar,
a sobremesa.
Depois te regarei
de licor.

Aprenderas a não
acreditar que dominas.
Mesmo dominando
não terás certeza.
Porque no momento
seguinte eu posso
virar o jogo e ter toda.

Mas sempre tente me dominar,
finja que me tens na tuas mãos,
e ao mesmo tempo terás e não me terás.
Me saberás teu no intimo,
mas não terás confiança de di-lo
de boca cheia.

Eu, absolutamente, amor
não sou arroz, nem mesmo armário,
nunca serei uma mediocridade cotidiana.
Serei sempre um homem, digno da mulher és,
mas que só eu saberei, porque só eu sei faze-la.

Serei um homem digno de ter um filho contigo,
e desejaras muito este filho, porque também terás
um pouco mais de certeza de que serei teu.

E um dia, fora do espaço e do tempo,
saberás que eu sou desse jeito,
porque...

... bem, hoje não te darei certezas.
Terás que obte-las.
Hoje é segredo.

756
Cláudio Alex

Cláudio Alex

Não sou arroz, eu não!

Eu não sou arroz, não, meu amor!
Te esforçaras para faze-lo,
mas escorregarei, sempre
pela saída impossível,
pela janela que parecia fechada.
E te sacudirei com força,
te revirarei por dentro
cairás sempre deitada na cama
e eu te terei.

Não sou arroz, eu não
nunca terás a certeza
completa de que sou
todo teu, por mais que eu diga
que eu afirme, ficara sempre
uma pontinha de duvida
de toda essa certeza.
Saberás que sou teu,
saberás que me tens,
mas temeras sempre
aquela saída oculta
que possa parecer uma porta
por onde eu
poderei desaparecer
por trás dela.

E me amaras loucamente
e me desejaras ter dentro de ti
porque quando estiver ali dentro,
envolvido no jogo da paixão terás
todas certezas.
Mas em outra hora, não terás tantas certezas,
e por essa razão fazer amor comigo
será mais imprescindível
do que com qualquer outra pessoa,
entregar-te-á com mais força
com maior afinco, porque
será quando terás a certeza
que me tens.

Nunca te acharas dona da situação
por completo, poderei te surpreender
com algo inimaginável.
Abalarei teu excesso de confiança.
E eu te virarei do avesso,
e te farei mulher
como ninguém jamais
te fez ou fará.

Desconfiaras sempre que te sentir confiante,
e aprenderas a extrair do teu homem
cada gota de prazer, que é tua e que é minha.
Porque assim ficaras mais nua e serás
possuída de todas as maneiras.
E gostaras de sê-lo.

Eu não sou arroz, eu não.
Eu te darei o antepasto,
o primeiro prato,
o segundo,
e te darei,
para deliciar,
a sobremesa.
Depois te regarei
de licor.

Aprenderas a não
acreditar que dominas.
Mesmo dominando
não terás certeza.
Porque no momento
seguinte eu posso
virar o jogo e ter toda.

Mas sempre tente me dominar,
finja que me tens na tuas mãos,
e ao mesmo tempo terás e não me terás.
Me saberás teu no intimo,
mas não terás confiança de di-lo
de boca cheia.

Eu, absolutamente, amor
não sou arroz, nem mesmo armário,
nunca serei uma mediocridade cotidiana.
Serei sempre um homem, digno da mulher és,
mas que só eu saberei, porque só eu sei faze-la.

Serei um homem digno de ter um filho contigo,
e desejaras muito este filho, porque também terás
um pouco mais de certeza de que serei teu.

E um dia, fora do espaço e do tempo,
saberás que eu sou desse jeito,
porque...

... bem, hoje não te darei certezas.
Terás que obte-las.
Hoje é segredo.

756
Weydson Barros Leal

Weydson Barros Leal

E Deusas não Aravam Rosas

conto fantopoético ou
noturno em 6 movimentos

I. sonho
há hipnoses que podemos estudar
Para o entendimento do mundo, —
a paixão é uma delas.

haver os sentimentos
como relíquia do homem de sempre
e desnudá-los ao fogo para anotar as reações...
pintá-las nas pedras
que perseguem as ruas
e não haverá mais pedras —

a música dos olhos
é a única prisão
que mantemos em nós

II. madrugada da tarde
Conhecera uma mulher que criara teorias...
Doce mulher de olhos de amêndoa magoada e pele
noturna, que sobressegredos recriara o amor, o mal e o perdão.
Era um tempo antigo como os segredos...
Em seus olhos conhecera outra mulher. Era ouvi-la dizer de
um verde em que era a vida, que podia avistá-las na luz
consumida...
(talvez seja o equilíbrio — como a beleza ou uma amêndoa
— e precise tempo ao criá-las e destruí-las todas)
Duramente nua sua língua alimentava a palavra
que lentamente morria —
a morte como uma aula de rios ou
uma queda —
a alma e milhões de teorias —
a alma
e sua língua de sonhos...

III. note elementar
Todo mistério humano repousara em suas mãos quando
encontraram suas almas aprisionadas como pássaros.
Ficaram cegos.

O terceiro dia nos devora como um cárcere ou uma fome.

Sob suas unhas nasciam violetas: todas as conquistas de
seu pecado foram erguidas como uma água sobre a terra.
Havia um peito a semear outra vez.
A sua espada era uma planta renascida.

Há numa mulher algo que sufoca a eternidade
fazendo-a dormente.
Doce mulher, dizia, em que os lábios eram a cor
de sua alma,
passara rebelde em seu sorriso...

IV. noite fundamental
imaginarem sua noite
uma estrela que se desprenda
como uma confissão, e traze-la para perto
onde eu possa beber de suas mãos.

Há incertezas de trilhas como um trem na hora noturna; um
trem que despedaça a luz ou um beijo — mas eu serei entendido
como uma água que imanta os olhos.
Sua fala de lúcida beleza trago em mim como um retrato.
Fiz o seu corpo encoberto de cores como bandeiras que
houvesse tomado em batalhas — sua roupa é o despojo de
derrotados.

Partirei ainda por descrevê-la em sua pátria de pássara e
mulher — há tantos mortos sob cada trincheira que veste sua
intimidade, que é aqui onde deposito todos os algozes para
combatê-la.
O seu nome aprendi com uma rosa roubada e guardei em
meu melhor lugar.
Sinto-a perto corra uma coisa roubada.
Sinto-a roubada por mim.

V. noite
Docemente o tempo soava, ela contou, como a noite que
habitara seu corpo.
(as meninas choram quando perdem teorias.
os meninos também criam teorias.
as meninas e os meninos choram.)

Não sei se agora é acordada a menina,
pareceu mulher.

Doce mulher de pele noturna e olhos de amêndoa madura,
não voltará a vê-la o beijo que imaginei...

Pintamos o outro com o que chamamos afinidade — ela
falou — e há pessoas em que vivemos, em quem sabemos a cumplicida
de — lhe falei.
(há os olhos e os dentes ) por se tocar.
— a música dos gestos é sempre incerta como os corpos — esta
sinfonia de sons e de líquidos...)
É assim que lhe desperta sua fragilidade de deusa ou
amêndoa colhida.
É assim sua teoria.

VI. manhã
Dormirei uma noite
aos pés de Medusa
e pedirei seu perdão.
Sobre seus braços deitarei o meu sono
de arma esquecida,
e não usarei nem um sonho.
Cometi o pior dos amores. Cometi a paixão.

E todas as deusas em seu tribunal foram seus olhos.
Fora acusado por Euríale de adorar os segredos
que alimentam o negro: o verde, dissera, será tua pena, e o azul,
teu perdão.
Contará que foi pouco a todas as cores que serviu sob
exércitos de mares e noites, e que por fim, foi levado.
Soube Medusa as armas do Amor em seu reino de espadas,
e recordou as batalhas que se lançara sem seu ermo de deusa.
— Tantas vezes tivesse encontrado o teu sangue outorgado
sob a esfinge de um nome — ela disse — seriam mil pedras
teus olhos de homem!
Esteno sorria de seu último sonho...
Acordara num jardim de canteiros de górgones, e deusas
não aravam rosas como um dia pensou...

967
Weydson Barros Leal

Weydson Barros Leal

E Deusas não Aravam Rosas

conto fantopoético ou
noturno em 6 movimentos

I. sonho
há hipnoses que podemos estudar
Para o entendimento do mundo, —
a paixão é uma delas.

haver os sentimentos
como relíquia do homem de sempre
e desnudá-los ao fogo para anotar as reações...
pintá-las nas pedras
que perseguem as ruas
e não haverá mais pedras —

a música dos olhos
é a única prisão
que mantemos em nós

II. madrugada da tarde
Conhecera uma mulher que criara teorias...
Doce mulher de olhos de amêndoa magoada e pele
noturna, que sobressegredos recriara o amor, o mal e o perdão.
Era um tempo antigo como os segredos...
Em seus olhos conhecera outra mulher. Era ouvi-la dizer de
um verde em que era a vida, que podia avistá-las na luz
consumida...
(talvez seja o equilíbrio — como a beleza ou uma amêndoa
— e precise tempo ao criá-las e destruí-las todas)
Duramente nua sua língua alimentava a palavra
que lentamente morria —
a morte como uma aula de rios ou
uma queda —
a alma e milhões de teorias —
a alma
e sua língua de sonhos...

III. note elementar
Todo mistério humano repousara em suas mãos quando
encontraram suas almas aprisionadas como pássaros.
Ficaram cegos.

O terceiro dia nos devora como um cárcere ou uma fome.

Sob suas unhas nasciam violetas: todas as conquistas de
seu pecado foram erguidas como uma água sobre a terra.
Havia um peito a semear outra vez.
A sua espada era uma planta renascida.

Há numa mulher algo que sufoca a eternidade
fazendo-a dormente.
Doce mulher, dizia, em que os lábios eram a cor
de sua alma,
passara rebelde em seu sorriso...

IV. noite fundamental
imaginarem sua noite
uma estrela que se desprenda
como uma confissão, e traze-la para perto
onde eu possa beber de suas mãos.

Há incertezas de trilhas como um trem na hora noturna; um
trem que despedaça a luz ou um beijo — mas eu serei entendido
como uma água que imanta os olhos.
Sua fala de lúcida beleza trago em mim como um retrato.
Fiz o seu corpo encoberto de cores como bandeiras que
houvesse tomado em batalhas — sua roupa é o despojo de
derrotados.

Partirei ainda por descrevê-la em sua pátria de pássara e
mulher — há tantos mortos sob cada trincheira que veste sua
intimidade, que é aqui onde deposito todos os algozes para
combatê-la.
O seu nome aprendi com uma rosa roubada e guardei em
meu melhor lugar.
Sinto-a perto corra uma coisa roubada.
Sinto-a roubada por mim.

V. noite
Docemente o tempo soava, ela contou, como a noite que
habitara seu corpo.
(as meninas choram quando perdem teorias.
os meninos também criam teorias.
as meninas e os meninos choram.)

Não sei se agora é acordada a menina,
pareceu mulher.

Doce mulher de pele noturna e olhos de amêndoa madura,
não voltará a vê-la o beijo que imaginei...

Pintamos o outro com o que chamamos afinidade — ela
falou — e há pessoas em que vivemos, em quem sabemos a cumplicida
de — lhe falei.
(há os olhos e os dentes ) por se tocar.
— a música dos gestos é sempre incerta como os corpos — esta
sinfonia de sons e de líquidos...)
É assim que lhe desperta sua fragilidade de deusa ou
amêndoa colhida.
É assim sua teoria.

VI. manhã
Dormirei uma noite
aos pés de Medusa
e pedirei seu perdão.
Sobre seus braços deitarei o meu sono
de arma esquecida,
e não usarei nem um sonho.
Cometi o pior dos amores. Cometi a paixão.

E todas as deusas em seu tribunal foram seus olhos.
Fora acusado por Euríale de adorar os segredos
que alimentam o negro: o verde, dissera, será tua pena, e o azul,
teu perdão.
Contará que foi pouco a todas as cores que serviu sob
exércitos de mares e noites, e que por fim, foi levado.
Soube Medusa as armas do Amor em seu reino de espadas,
e recordou as batalhas que se lançara sem seu ermo de deusa.
— Tantas vezes tivesse encontrado o teu sangue outorgado
sob a esfinge de um nome — ela disse — seriam mil pedras
teus olhos de homem!
Esteno sorria de seu último sonho...
Acordara num jardim de canteiros de górgones, e deusas
não aravam rosas como um dia pensou...

967
Weydson Barros Leal

Weydson Barros Leal

E Deusas não Aravam Rosas

conto fantopoético ou
noturno em 6 movimentos

I. sonho
há hipnoses que podemos estudar
Para o entendimento do mundo, —
a paixão é uma delas.

haver os sentimentos
como relíquia do homem de sempre
e desnudá-los ao fogo para anotar as reações...
pintá-las nas pedras
que perseguem as ruas
e não haverá mais pedras —

a música dos olhos
é a única prisão
que mantemos em nós

II. madrugada da tarde
Conhecera uma mulher que criara teorias...
Doce mulher de olhos de amêndoa magoada e pele
noturna, que sobressegredos recriara o amor, o mal e o perdão.
Era um tempo antigo como os segredos...
Em seus olhos conhecera outra mulher. Era ouvi-la dizer de
um verde em que era a vida, que podia avistá-las na luz
consumida...
(talvez seja o equilíbrio — como a beleza ou uma amêndoa
— e precise tempo ao criá-las e destruí-las todas)
Duramente nua sua língua alimentava a palavra
que lentamente morria —
a morte como uma aula de rios ou
uma queda —
a alma e milhões de teorias —
a alma
e sua língua de sonhos...

III. note elementar
Todo mistério humano repousara em suas mãos quando
encontraram suas almas aprisionadas como pássaros.
Ficaram cegos.

O terceiro dia nos devora como um cárcere ou uma fome.

Sob suas unhas nasciam violetas: todas as conquistas de
seu pecado foram erguidas como uma água sobre a terra.
Havia um peito a semear outra vez.
A sua espada era uma planta renascida.

Há numa mulher algo que sufoca a eternidade
fazendo-a dormente.
Doce mulher, dizia, em que os lábios eram a cor
de sua alma,
passara rebelde em seu sorriso...

IV. noite fundamental
imaginarem sua noite
uma estrela que se desprenda
como uma confissão, e traze-la para perto
onde eu possa beber de suas mãos.

Há incertezas de trilhas como um trem na hora noturna; um
trem que despedaça a luz ou um beijo — mas eu serei entendido
como uma água que imanta os olhos.
Sua fala de lúcida beleza trago em mim como um retrato.
Fiz o seu corpo encoberto de cores como bandeiras que
houvesse tomado em batalhas — sua roupa é o despojo de
derrotados.

Partirei ainda por descrevê-la em sua pátria de pássara e
mulher — há tantos mortos sob cada trincheira que veste sua
intimidade, que é aqui onde deposito todos os algozes para
combatê-la.
O seu nome aprendi com uma rosa roubada e guardei em
meu melhor lugar.
Sinto-a perto corra uma coisa roubada.
Sinto-a roubada por mim.

V. noite
Docemente o tempo soava, ela contou, como a noite que
habitara seu corpo.
(as meninas choram quando perdem teorias.
os meninos também criam teorias.
as meninas e os meninos choram.)

Não sei se agora é acordada a menina,
pareceu mulher.

Doce mulher de pele noturna e olhos de amêndoa madura,
não voltará a vê-la o beijo que imaginei...

Pintamos o outro com o que chamamos afinidade — ela
falou — e há pessoas em que vivemos, em quem sabemos a cumplicida
de — lhe falei.
(há os olhos e os dentes ) por se tocar.
— a música dos gestos é sempre incerta como os corpos — esta
sinfonia de sons e de líquidos...)
É assim que lhe desperta sua fragilidade de deusa ou
amêndoa colhida.
É assim sua teoria.

VI. manhã
Dormirei uma noite
aos pés de Medusa
e pedirei seu perdão.
Sobre seus braços deitarei o meu sono
de arma esquecida,
e não usarei nem um sonho.
Cometi o pior dos amores. Cometi a paixão.

E todas as deusas em seu tribunal foram seus olhos.
Fora acusado por Euríale de adorar os segredos
que alimentam o negro: o verde, dissera, será tua pena, e o azul,
teu perdão.
Contará que foi pouco a todas as cores que serviu sob
exércitos de mares e noites, e que por fim, foi levado.
Soube Medusa as armas do Amor em seu reino de espadas,
e recordou as batalhas que se lançara sem seu ermo de deusa.
— Tantas vezes tivesse encontrado o teu sangue outorgado
sob a esfinge de um nome — ela disse — seriam mil pedras
teus olhos de homem!
Esteno sorria de seu último sonho...
Acordara num jardim de canteiros de górgones, e deusas
não aravam rosas como um dia pensou...

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