Poemas neste tema
Emoções e Sentimentos
Vani Rezende
Haicai
A ventania tumultua.
Bandos de pássaros
esticam suas asas.
No silêncio da cidade
a noite, gaiola negra,
envolve a luz do meu quarto.
Bandos de pássaros
esticam suas asas.
No silêncio da cidade
a noite, gaiola negra,
envolve a luz do meu quarto.
1 144
Vani Rezende
Haicai
A ventania tumultua.
Bandos de pássaros
esticam suas asas.
No silêncio da cidade
a noite, gaiola negra,
envolve a luz do meu quarto.
Bandos de pássaros
esticam suas asas.
No silêncio da cidade
a noite, gaiola negra,
envolve a luz do meu quarto.
1 144
Vera Romariz
Sem Óculos
Na cama te quero
sem óculos
esquadro e régua
sem limites nas dobras
dos lençóis
mais moderno
selvagem
das entradas e bandeiras
petróleo sem surpresas
ciências plataformas
correntes colossais
Na cama te faço
objeto de pesquisa
sem financiamento
externo
materialista dialético
de roucas práxis
rituais
diabólico jeito de ser Deus
sem cruz
cruzando corpos desiguais
Na cama te quero
vivendo papéis profanos
motor ligado
jato de gás em fogo
fósforo que vira tocha
no sair da caixa
e incendeia jardins, plantas, flores
canaviais
sem óculos
esquadro e régua
sem limites nas dobras
dos lençóis
mais moderno
selvagem
das entradas e bandeiras
petróleo sem surpresas
ciências plataformas
correntes colossais
Na cama te faço
objeto de pesquisa
sem financiamento
externo
materialista dialético
de roucas práxis
rituais
diabólico jeito de ser Deus
sem cruz
cruzando corpos desiguais
Na cama te quero
vivendo papéis profanos
motor ligado
jato de gás em fogo
fósforo que vira tocha
no sair da caixa
e incendeia jardins, plantas, flores
canaviais
1 295
Vera Romariz
Sem Óculos
Na cama te quero
sem óculos
esquadro e régua
sem limites nas dobras
dos lençóis
mais moderno
selvagem
das entradas e bandeiras
petróleo sem surpresas
ciências plataformas
correntes colossais
Na cama te faço
objeto de pesquisa
sem financiamento
externo
materialista dialético
de roucas práxis
rituais
diabólico jeito de ser Deus
sem cruz
cruzando corpos desiguais
Na cama te quero
vivendo papéis profanos
motor ligado
jato de gás em fogo
fósforo que vira tocha
no sair da caixa
e incendeia jardins, plantas, flores
canaviais
sem óculos
esquadro e régua
sem limites nas dobras
dos lençóis
mais moderno
selvagem
das entradas e bandeiras
petróleo sem surpresas
ciências plataformas
correntes colossais
Na cama te faço
objeto de pesquisa
sem financiamento
externo
materialista dialético
de roucas práxis
rituais
diabólico jeito de ser Deus
sem cruz
cruzando corpos desiguais
Na cama te quero
vivendo papéis profanos
motor ligado
jato de gás em fogo
fósforo que vira tocha
no sair da caixa
e incendeia jardins, plantas, flores
canaviais
1 295
Vitor Casimiro
Se Antes Fosse, Aonde Iria?
Janela aberta
Brisa a dentro
Cortina, dança
feito um lamento
Antes fosse
Um barco a vela.
Aonde vais brisa?
Iria com ela
Brisa a dentro
Cortina, dança
feito um lamento
Antes fosse
Um barco a vela.
Aonde vais brisa?
Iria com ela
1 091
Vitor Casimiro
Se Antes Fosse, Aonde Iria?
Janela aberta
Brisa a dentro
Cortina, dança
feito um lamento
Antes fosse
Um barco a vela.
Aonde vais brisa?
Iria com ela
Brisa a dentro
Cortina, dança
feito um lamento
Antes fosse
Um barco a vela.
Aonde vais brisa?
Iria com ela
1 091
Maria Thereza Noronha
Ontem
Ontem, partiu-se a lua em duas foices
e decepou o chifre do unicórnio.
Tingiu-se o céu de um rubro tom de esbórnia
e a vasta terra em vasto céu mirou-se.
Ontem, partiu-se a lua em duas foices.
Meias-luas gentis pudesse a córnea
entrever, entre arcanjos, no céu morno.
Mas não. Soltou-se a lua no ar, aos coices.
Bem sei que voltará a ser esfera.
Refundidas as faces, lua cheia,
reverterá o gume de ouro e fera.
Posto que é sempre a mesma lua, a meia
ou toda. E assim constante, assim pudera
ser poema, antes que punhal na veia.
e decepou o chifre do unicórnio.
Tingiu-se o céu de um rubro tom de esbórnia
e a vasta terra em vasto céu mirou-se.
Ontem, partiu-se a lua em duas foices.
Meias-luas gentis pudesse a córnea
entrever, entre arcanjos, no céu morno.
Mas não. Soltou-se a lua no ar, aos coices.
Bem sei que voltará a ser esfera.
Refundidas as faces, lua cheia,
reverterá o gume de ouro e fera.
Posto que é sempre a mesma lua, a meia
ou toda. E assim constante, assim pudera
ser poema, antes que punhal na veia.
1 046
Eduardo Dominguez Trindade
A Rua
"Caminho por uma rua
que passa em muitos países.
Se não me vêem, eu vejo
e saúdo velhos amigos."
Carlos Drummond de Andrade
Quando sonho, imagino uma rua,
Uma rua simples, deserta, morta,
Iluminada ao clarão da lua,
Onde não há aberta nenhuma porta.
Essa rua não passa em nenhum lugar,
Ela passa apenas no meu sonho…
Ela passa onde quero vagar,
Ela passa por um país tristonho…
Essa rua passa em Londres ou Paris,
E por Porto Alegre passa sempre:
Essa rua é a que eu sempre quis!
Nessa rua nasceram meus amores,
Também nela morreram para sempre…
Chamo essa rua de Doutor das Dores…
P. Alegre, 22 de janeiro de 1996.
que passa em muitos países.
Se não me vêem, eu vejo
e saúdo velhos amigos."
Carlos Drummond de Andrade
Quando sonho, imagino uma rua,
Uma rua simples, deserta, morta,
Iluminada ao clarão da lua,
Onde não há aberta nenhuma porta.
Essa rua não passa em nenhum lugar,
Ela passa apenas no meu sonho…
Ela passa onde quero vagar,
Ela passa por um país tristonho…
Essa rua passa em Londres ou Paris,
E por Porto Alegre passa sempre:
Essa rua é a que eu sempre quis!
Nessa rua nasceram meus amores,
Também nela morreram para sempre…
Chamo essa rua de Doutor das Dores…
P. Alegre, 22 de janeiro de 1996.
993
Eduardo Dominguez Trindade
Declaração
Quando vejo o teu rosto,
O meu pobre coração
Bate louco de paixão,
Bate somente por ti…
E quando sinto o gosto
Do sol que bate na face
Bem como quando te vi,
Pode ouvir quem quer que passe:
"Quero amar-te sem demora,
"Cândida flor da aurora!"
P. Alegre, 29 de março de 1996.
O meu pobre coração
Bate louco de paixão,
Bate somente por ti…
E quando sinto o gosto
Do sol que bate na face
Bem como quando te vi,
Pode ouvir quem quer que passe:
"Quero amar-te sem demora,
"Cândida flor da aurora!"
P. Alegre, 29 de março de 1996.
945
Carlos Augusto Viana
Jorge Tuffic
I
O tempo, bem o sabes, escorre das mãos,
e todas as horas são abissais.
Em qualquer cidade, as ruas,
assim como o grande rio,
desembocam sobre o imponderável.
Por isso, teus pés aprenderam, muito cedo,
a desembrulhar os caminhos.
Tua passagem,
o espanto da abstrata carne.
Tua palavra,
o desespero das traças. Teu olho
sobre a mulher que flutuava à janela.
Tuas mãos
doadas aos jarros de flores murchas.
Teu peito,
um cais soçobrado na madrugada.
Muitas terras percorreste,
e hoje, cada uma delas,
dentro de ti, é inefável lavoura.
II
O teu país, hoje, veste-se de líquidos tecidos
e deixa em estilhaços os vidros do sol.
Da praia de Iracema, contemplas o mar,
a brancura extenuada de suas espumas,
onde gaivotas bicam a pele de sombras esbraseadas.
Além desse mar, por certo, estende-se o rio,
— a tua primeira cartilha de espantos.
Por certo, é sobre ele que lanças o teu olhar
quando te enches de longos fragmentos de silêncio.
Navegas na concha negra de suas lendas
e, náufrago, agarras-te à fúria silenciosa de suas margens.
III
Entre ti e o grande rio,
um secreto dicionário.
Com suas palavras-árvore,
com suas palavras-pássaro,
com suas palavras-pórtico,
com suas palavras-lótus.
Entre ti e o grande rio,
as léguas de um estuário.
Onde florescem os álamos,
onde adormecem os pântanos,
onde se tecem os cânticos,
onde fenecem as pátinas.
Entre ti e o grande rio,
Há um secreto calendário.
As horas de tuas lágrimas,
as horas enchendo cântaros,
as horas colhendo lâminas
as horas de teus átrios.
Entre ti e o grande rio,
há um tecido visionário.
Com que se cosem as túnicas
para os mais secretos ritos:
raízes das noites únicas,
húmus que alimentam mitos.
IV
Ainda hoje, conservas contigo
os trôpegos relâmpagos,
uma floresta de vozes,
o cristal da mais límpida estrela.
Ainda hoje, conservas contigo
o claro augúrio de Vésper
soletrando o silêncio dos mortos
que vencem o lodo da memória.
Ainda hoje, conservas contigo
a solidão e o diamante de seus gumes,
o barro e a insônia de sua herança,
o verbo e o labirinto de suas fábulas.
Mas, dentre todos os abismos,
— aquele que se esgarça
entre o rio e o mar,
é o que mais te alucina.
V
Estendeste — e ainda estendes — tuas mãos
para as flores crestadas, a cinza em vôo dos pássaros,
o cromo das esperas, o gesso da insônia,
a lâmina inexorável dos espelhos. Estendidas,
tuas mãos nos oferecem a Varanda de Pássaros,
o Chão sem Mácula, a Faturação do ócio,
a terra e o sangue cravados na Lâmina Agreste.
Cúmplices dos minerais e dos jardins,
das ruas ladrilhadas de silêncio,
dos gritos que tombam dos espelhos,
do sono geométrico dos peixes,
— tuas mãos estendidas para o que,
na carne, é flor e tortura.
Estendidas, tuas mãos não te pertencem,
mas ao que te olha desde que nasceste,
ao que te suga e ao que, realejo,
desfolha-se em música. Tuas mãos
— se estendidas — libertam-nos da ferrugem
e, água clara, banham a fadiga dos frutos.
VI
A poesia
(como descobriste?)
é um ser sem origem.
A poesia,
se há desertos,
abriga-se
em sua própria sombra.
A poesia,
ave solitária,
recusa
o ofertório das palmeiras.
A poesia,
lobo enrodilhado,
oferece a noite
a cada uma de suas presas.
A poesia tem rugas
como a pele de um rio.
Adormecem flautas
sob rochas antiquíssimas.
VII
Os pássaros, mais que as árvores,
deram-te lições de raízes. Os silêncios,
mais que as palavras, apontaram-te
a fragilidade. Teus olhos,
mais que os pés, sangraram
aos espinhos da pátria. A cítara,
mais que a lâmina, os dedos dilacerados.
A pétala, mais que a rosa,
o aroma irremediável. A pedra,
mais que a água, o musgo do efêmero.
A noite, mais que o dia,
a chama dos minutos.
o pó, mais que a carne,
à casa regressa.
O tempo, bem o sabes, escorre das mãos,
e todas as horas são abissais.
Em qualquer cidade, as ruas,
assim como o grande rio,
desembocam sobre o imponderável.
Por isso, teus pés aprenderam, muito cedo,
a desembrulhar os caminhos.
Tua passagem,
o espanto da abstrata carne.
Tua palavra,
o desespero das traças. Teu olho
sobre a mulher que flutuava à janela.
Tuas mãos
doadas aos jarros de flores murchas.
Teu peito,
um cais soçobrado na madrugada.
Muitas terras percorreste,
e hoje, cada uma delas,
dentro de ti, é inefável lavoura.
II
O teu país, hoje, veste-se de líquidos tecidos
e deixa em estilhaços os vidros do sol.
Da praia de Iracema, contemplas o mar,
a brancura extenuada de suas espumas,
onde gaivotas bicam a pele de sombras esbraseadas.
Além desse mar, por certo, estende-se o rio,
— a tua primeira cartilha de espantos.
Por certo, é sobre ele que lanças o teu olhar
quando te enches de longos fragmentos de silêncio.
Navegas na concha negra de suas lendas
e, náufrago, agarras-te à fúria silenciosa de suas margens.
III
Entre ti e o grande rio,
um secreto dicionário.
Com suas palavras-árvore,
com suas palavras-pássaro,
com suas palavras-pórtico,
com suas palavras-lótus.
Entre ti e o grande rio,
as léguas de um estuário.
Onde florescem os álamos,
onde adormecem os pântanos,
onde se tecem os cânticos,
onde fenecem as pátinas.
Entre ti e o grande rio,
Há um secreto calendário.
As horas de tuas lágrimas,
as horas enchendo cântaros,
as horas colhendo lâminas
as horas de teus átrios.
Entre ti e o grande rio,
há um tecido visionário.
Com que se cosem as túnicas
para os mais secretos ritos:
raízes das noites únicas,
húmus que alimentam mitos.
IV
Ainda hoje, conservas contigo
os trôpegos relâmpagos,
uma floresta de vozes,
o cristal da mais límpida estrela.
Ainda hoje, conservas contigo
o claro augúrio de Vésper
soletrando o silêncio dos mortos
que vencem o lodo da memória.
Ainda hoje, conservas contigo
a solidão e o diamante de seus gumes,
o barro e a insônia de sua herança,
o verbo e o labirinto de suas fábulas.
Mas, dentre todos os abismos,
— aquele que se esgarça
entre o rio e o mar,
é o que mais te alucina.
V
Estendeste — e ainda estendes — tuas mãos
para as flores crestadas, a cinza em vôo dos pássaros,
o cromo das esperas, o gesso da insônia,
a lâmina inexorável dos espelhos. Estendidas,
tuas mãos nos oferecem a Varanda de Pássaros,
o Chão sem Mácula, a Faturação do ócio,
a terra e o sangue cravados na Lâmina Agreste.
Cúmplices dos minerais e dos jardins,
das ruas ladrilhadas de silêncio,
dos gritos que tombam dos espelhos,
do sono geométrico dos peixes,
— tuas mãos estendidas para o que,
na carne, é flor e tortura.
Estendidas, tuas mãos não te pertencem,
mas ao que te olha desde que nasceste,
ao que te suga e ao que, realejo,
desfolha-se em música. Tuas mãos
— se estendidas — libertam-nos da ferrugem
e, água clara, banham a fadiga dos frutos.
VI
A poesia
(como descobriste?)
é um ser sem origem.
A poesia,
se há desertos,
abriga-se
em sua própria sombra.
A poesia,
ave solitária,
recusa
o ofertório das palmeiras.
A poesia,
lobo enrodilhado,
oferece a noite
a cada uma de suas presas.
A poesia tem rugas
como a pele de um rio.
Adormecem flautas
sob rochas antiquíssimas.
VII
Os pássaros, mais que as árvores,
deram-te lições de raízes. Os silêncios,
mais que as palavras, apontaram-te
a fragilidade. Teus olhos,
mais que os pés, sangraram
aos espinhos da pátria. A cítara,
mais que a lâmina, os dedos dilacerados.
A pétala, mais que a rosa,
o aroma irremediável. A pedra,
mais que a água, o musgo do efêmero.
A noite, mais que o dia,
a chama dos minutos.
o pó, mais que a carne,
à casa regressa.
1 183
Vitor Casimiro
Problema de Pontuação
Será Ponto-e-vígula
Diferente
De ponto ou
Vírgula,
Somente?
Que nada!
São esses dois pontos,
Reticentes
Que muito dizem
Entre parênteses!
Diferente
De ponto ou
Vírgula,
Somente?
Que nada!
São esses dois pontos,
Reticentes
Que muito dizem
Entre parênteses!
710
Vespasiano Ramos
Ânsia Maldita
Ninguém mais do que tu saberá quanto
Padeço, agora! e, em lágrima, advinha
A minhaalma apagar-se, neste pranto,
Beatriz! Alma em flor! Suave encanto,
Que me salvar, pensei, dos altos, vinha:
O quanto peno, o quanto sofro, enquanto
Imagino que nunca serás minha!
Foram, por ti, as lágrimas que os olhos
Meus derramaram! só por ti, somente
Que minhalma, do Amor contra os escolhos,
Há de, convulsa, soluçar, um dia,
A derradeira lágrima pungente
E o derradeiro grito de agonia!
Padeço, agora! e, em lágrima, advinha
A minhaalma apagar-se, neste pranto,
Beatriz! Alma em flor! Suave encanto,
Que me salvar, pensei, dos altos, vinha:
O quanto peno, o quanto sofro, enquanto
Imagino que nunca serás minha!
Foram, por ti, as lágrimas que os olhos
Meus derramaram! só por ti, somente
Que minhalma, do Amor contra os escolhos,
Há de, convulsa, soluçar, um dia,
A derradeira lágrima pungente
E o derradeiro grito de agonia!
1 461
Vespasiano Ramos
Ânsia Maldita
Ninguém mais do que tu saberá quanto
Padeço, agora! e, em lágrima, advinha
A minhaalma apagar-se, neste pranto,
Beatriz! Alma em flor! Suave encanto,
Que me salvar, pensei, dos altos, vinha:
O quanto peno, o quanto sofro, enquanto
Imagino que nunca serás minha!
Foram, por ti, as lágrimas que os olhos
Meus derramaram! só por ti, somente
Que minhalma, do Amor contra os escolhos,
Há de, convulsa, soluçar, um dia,
A derradeira lágrima pungente
E o derradeiro grito de agonia!
Padeço, agora! e, em lágrima, advinha
A minhaalma apagar-se, neste pranto,
Beatriz! Alma em flor! Suave encanto,
Que me salvar, pensei, dos altos, vinha:
O quanto peno, o quanto sofro, enquanto
Imagino que nunca serás minha!
Foram, por ti, as lágrimas que os olhos
Meus derramaram! só por ti, somente
Que minhalma, do Amor contra os escolhos,
Há de, convulsa, soluçar, um dia,
A derradeira lágrima pungente
E o derradeiro grito de agonia!
1 461
Vitor Casimiro
Mais um Desesperado
Algum dia já sentistes
Que rápido, o tempo passa
Talvez isso nos faça
Amargamente tristes
só espero, um dia
acordar com um grito
e ter 100 gramas de liberdade
Por fim nessa agonia
Que me deixa aflito
A beira da insanidade
Que rápido, o tempo passa
Talvez isso nos faça
Amargamente tristes
só espero, um dia
acordar com um grito
e ter 100 gramas de liberdade
Por fim nessa agonia
Que me deixa aflito
A beira da insanidade
879
Vitor Casimiro
Mais um Desesperado
Algum dia já sentistes
Que rápido, o tempo passa
Talvez isso nos faça
Amargamente tristes
só espero, um dia
acordar com um grito
e ter 100 gramas de liberdade
Por fim nessa agonia
Que me deixa aflito
A beira da insanidade
Que rápido, o tempo passa
Talvez isso nos faça
Amargamente tristes
só espero, um dia
acordar com um grito
e ter 100 gramas de liberdade
Por fim nessa agonia
Que me deixa aflito
A beira da insanidade
879
Valeria Braga
Moderna
Moderna
Na sala, o piano toca um som de silêncio.
Pra quê serve um piano sem som?
Pra nada ou pra alguma coisa
que ainda não conseguimos descobrir -
além de adorno cultural.
Mas isso não importa ao piano,
nada lhe acontece por sua inutilidade.
Ele continua lá, toquem-no ou não.
Ele continua guardando sua propriedade
de ser tocado e ouvido.
As crianças crescem ao silêncio do piano
e à fala do arbítrio.
Nada interfere na vida e no crescimento
das crianças.
O piano não interfere na existência das crianças.
A não existência do piano também não interfere
na vida de ninguém.
Ambos - piano e pessoas - existem independentes.
Cada qual, isoladamente.
O piano só é.
Na sala, o piano toca um som de silêncio.
Pra quê serve um piano sem som?
Pra nada ou pra alguma coisa
que ainda não conseguimos descobrir -
além de adorno cultural.
Mas isso não importa ao piano,
nada lhe acontece por sua inutilidade.
Ele continua lá, toquem-no ou não.
Ele continua guardando sua propriedade
de ser tocado e ouvido.
As crianças crescem ao silêncio do piano
e à fala do arbítrio.
Nada interfere na vida e no crescimento
das crianças.
O piano não interfere na existência das crianças.
A não existência do piano também não interfere
na vida de ninguém.
Ambos - piano e pessoas - existem independentes.
Cada qual, isoladamente.
O piano só é.
910
Tristão da Cunha
Itervm
Há muito tempo já que eu vou perdendo
Os sonhos, um a um, pelo caminho:
— Sangue dum anho ingênuo, cor de arminho,
De calvário em calvário perecendo...
No alto dum monte, a luz que eu ia vendo,
Diante de mim cantando como um ninho,
Fria beijou-me o rubro desalinho,
E atrás de mim no escuro foi descendo.
Hoje os olhos se voltam como preces
Para as memórias, em que há luas mortas,
E tu, morta, que morta não pareces!
Sobre esta alma de dúvida e agonias
Caia a luz desses olhos, dessas portas
Onde esperam o sol as almas frias...
Os sonhos, um a um, pelo caminho:
— Sangue dum anho ingênuo, cor de arminho,
De calvário em calvário perecendo...
No alto dum monte, a luz que eu ia vendo,
Diante de mim cantando como um ninho,
Fria beijou-me o rubro desalinho,
E atrás de mim no escuro foi descendo.
Hoje os olhos se voltam como preces
Para as memórias, em que há luas mortas,
E tu, morta, que morta não pareces!
Sobre esta alma de dúvida e agonias
Caia a luz desses olhos, dessas portas
Onde esperam o sol as almas frias...
994
Tristão da Cunha
Itervm
Há muito tempo já que eu vou perdendo
Os sonhos, um a um, pelo caminho:
— Sangue dum anho ingênuo, cor de arminho,
De calvário em calvário perecendo...
No alto dum monte, a luz que eu ia vendo,
Diante de mim cantando como um ninho,
Fria beijou-me o rubro desalinho,
E atrás de mim no escuro foi descendo.
Hoje os olhos se voltam como preces
Para as memórias, em que há luas mortas,
E tu, morta, que morta não pareces!
Sobre esta alma de dúvida e agonias
Caia a luz desses olhos, dessas portas
Onde esperam o sol as almas frias...
Os sonhos, um a um, pelo caminho:
— Sangue dum anho ingênuo, cor de arminho,
De calvário em calvário perecendo...
No alto dum monte, a luz que eu ia vendo,
Diante de mim cantando como um ninho,
Fria beijou-me o rubro desalinho,
E atrás de mim no escuro foi descendo.
Hoje os olhos se voltam como preces
Para as memórias, em que há luas mortas,
E tu, morta, que morta não pareces!
Sobre esta alma de dúvida e agonias
Caia a luz desses olhos, dessas portas
Onde esperam o sol as almas frias...
994
Valdir L. Queiroz
Dissertação I
Grito no espaço procurando
o teu grito, que tu não gritaste
não sei porque ou por que...
mas tu me ensinaste,
não sei como nem onde,
a procurar o meu grito que
morre no teu, qual sombra
sem luz que forma uma cruz
e os olhos não vê.
o teu grito, que tu não gritaste
não sei porque ou por que...
mas tu me ensinaste,
não sei como nem onde,
a procurar o meu grito que
morre no teu, qual sombra
sem luz que forma uma cruz
e os olhos não vê.
974
Valdir L. Queiroz
Dissertação I
Grito no espaço procurando
o teu grito, que tu não gritaste
não sei porque ou por que...
mas tu me ensinaste,
não sei como nem onde,
a procurar o meu grito que
morre no teu, qual sombra
sem luz que forma uma cruz
e os olhos não vê.
o teu grito, que tu não gritaste
não sei porque ou por que...
mas tu me ensinaste,
não sei como nem onde,
a procurar o meu grito que
morre no teu, qual sombra
sem luz que forma uma cruz
e os olhos não vê.
974
Valdir L. Queiroz
Dissertação I
Grito no espaço procurando
o teu grito, que tu não gritaste
não sei porque ou por que...
mas tu me ensinaste,
não sei como nem onde,
a procurar o meu grito que
morre no teu, qual sombra
sem luz que forma uma cruz
e os olhos não vê.
o teu grito, que tu não gritaste
não sei porque ou por que...
mas tu me ensinaste,
não sei como nem onde,
a procurar o meu grito que
morre no teu, qual sombra
sem luz que forma uma cruz
e os olhos não vê.
974
Valdir L. Queiroz
Dissertação
Tenho medo
medo de flor do deserto
que teme o olhar do jardineiro
e ama os olhos do abutre.
tenho amor
amor de flor que "nasce"
no asfalto;
amor de peixe que "vive"
em aquário;
amor de pássaro que "morre"
em gaiola;
amor de gente que espera
outrora.
medo de flor do deserto
que teme o olhar do jardineiro
e ama os olhos do abutre.
tenho amor
amor de flor que "nasce"
no asfalto;
amor de peixe que "vive"
em aquário;
amor de pássaro que "morre"
em gaiola;
amor de gente que espera
outrora.
780