Poemas neste tema
Emoções e Sentimentos
Renato Russo
A Via Láctea
Quando tudo está perdido
Sempre existe um caminho
Quando tudo está perdido
Sempre existe uma luz
Mas não me diga isso
Hoje a tristeza não é passageira
Hoje fiquei com febre a tarde inteira
E quando chegar a noite
Cada estrela parecerá uma lágrima
Queria ser como os outros
E rir das desgraças da vida
Ou fingir estar sempre bem
Ver a leveza das coisas com humor
Mas não me diga isso
É só hoje e isso passa
Só me deixe aqui quieto
Isso passa
Amanhã é um outro dia não é
Eu nem sei por que me sinto assim
Vem de repente um anjo triste perto de mim
E essa febre que não passa
E meu sorriso sem graça
Não me dê atenção
Mas obrigado por pensar em mim
Quando tudo está perdido
Sempre existe uma luz
Quando tudo está perdido
Sempre existe um caminho
Quando tudo está perdido
Eu me sinto tão sozinho
Quando tudo está perdido
Não quero mais ser quem eu sou
Mas não me diga isso
Não me dê atenção
E obrigado por pensar em mim
(Carro-chefe do último disco da Legião Urbana
– A Tempestade – recém-lançado,
A Via Láctea tem letra e música de Renato Russo).
Sempre existe um caminho
Quando tudo está perdido
Sempre existe uma luz
Mas não me diga isso
Hoje a tristeza não é passageira
Hoje fiquei com febre a tarde inteira
E quando chegar a noite
Cada estrela parecerá uma lágrima
Queria ser como os outros
E rir das desgraças da vida
Ou fingir estar sempre bem
Ver a leveza das coisas com humor
Mas não me diga isso
É só hoje e isso passa
Só me deixe aqui quieto
Isso passa
Amanhã é um outro dia não é
Eu nem sei por que me sinto assim
Vem de repente um anjo triste perto de mim
E essa febre que não passa
E meu sorriso sem graça
Não me dê atenção
Mas obrigado por pensar em mim
Quando tudo está perdido
Sempre existe uma luz
Quando tudo está perdido
Sempre existe um caminho
Quando tudo está perdido
Eu me sinto tão sozinho
Quando tudo está perdido
Não quero mais ser quem eu sou
Mas não me diga isso
Não me dê atenção
E obrigado por pensar em mim
(Carro-chefe do último disco da Legião Urbana
– A Tempestade – recém-lançado,
A Via Láctea tem letra e música de Renato Russo).
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Renato Russo
A Via Láctea
Quando tudo está perdido
Sempre existe um caminho
Quando tudo está perdido
Sempre existe uma luz
Mas não me diga isso
Hoje a tristeza não é passageira
Hoje fiquei com febre a tarde inteira
E quando chegar a noite
Cada estrela parecerá uma lágrima
Queria ser como os outros
E rir das desgraças da vida
Ou fingir estar sempre bem
Ver a leveza das coisas com humor
Mas não me diga isso
É só hoje e isso passa
Só me deixe aqui quieto
Isso passa
Amanhã é um outro dia não é
Eu nem sei por que me sinto assim
Vem de repente um anjo triste perto de mim
E essa febre que não passa
E meu sorriso sem graça
Não me dê atenção
Mas obrigado por pensar em mim
Quando tudo está perdido
Sempre existe uma luz
Quando tudo está perdido
Sempre existe um caminho
Quando tudo está perdido
Eu me sinto tão sozinho
Quando tudo está perdido
Não quero mais ser quem eu sou
Mas não me diga isso
Não me dê atenção
E obrigado por pensar em mim
(Carro-chefe do último disco da Legião Urbana
– A Tempestade – recém-lançado,
A Via Láctea tem letra e música de Renato Russo).
Sempre existe um caminho
Quando tudo está perdido
Sempre existe uma luz
Mas não me diga isso
Hoje a tristeza não é passageira
Hoje fiquei com febre a tarde inteira
E quando chegar a noite
Cada estrela parecerá uma lágrima
Queria ser como os outros
E rir das desgraças da vida
Ou fingir estar sempre bem
Ver a leveza das coisas com humor
Mas não me diga isso
É só hoje e isso passa
Só me deixe aqui quieto
Isso passa
Amanhã é um outro dia não é
Eu nem sei por que me sinto assim
Vem de repente um anjo triste perto de mim
E essa febre que não passa
E meu sorriso sem graça
Não me dê atenção
Mas obrigado por pensar em mim
Quando tudo está perdido
Sempre existe uma luz
Quando tudo está perdido
Sempre existe um caminho
Quando tudo está perdido
Eu me sinto tão sozinho
Quando tudo está perdido
Não quero mais ser quem eu sou
Mas não me diga isso
Não me dê atenção
E obrigado por pensar em mim
(Carro-chefe do último disco da Legião Urbana
– A Tempestade – recém-lançado,
A Via Láctea tem letra e música de Renato Russo).
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Renata Trocoli
Moreno
L5 vem meu amor chegando.
Ele veio para me envolver em seus braTos,
me pegar no colo, me beijar com carinho,
me enlouquecer os desejos como sS ele sabe fazer.
L5 vem ele chegando pertinho,
me olhando e me tocando devagarinho.
Com sua pele morena, seus olhos t2o negros
e seus l5bios macios.
Sua voz me embala,
e me abraTando me diz com ternura
que me ama e que me quer sS pra ele...
Como se eu quisesse ser de mais outro algu0m!!!
E quando ele sorri!??
N2o h5 nada mais lindo que seu sorriso!
Um sorriso sincero e delicado,
que ilumina seu rosto...
Esse rosto de um doce menino,
que esconde bem dentro de seu olhar
a malCcia de algu0m que
n2o mais um menino 0.
Vem ent2o ele a me amar
como nunca algu0m foi capaz.
E me envolve com esse carinho diferente
que sS ele sabe me dar!
Ele veio para me envolver em seus braTos,
me pegar no colo, me beijar com carinho,
me enlouquecer os desejos como sS ele sabe fazer.
L5 vem ele chegando pertinho,
me olhando e me tocando devagarinho.
Com sua pele morena, seus olhos t2o negros
e seus l5bios macios.
Sua voz me embala,
e me abraTando me diz com ternura
que me ama e que me quer sS pra ele...
Como se eu quisesse ser de mais outro algu0m!!!
E quando ele sorri!??
N2o h5 nada mais lindo que seu sorriso!
Um sorriso sincero e delicado,
que ilumina seu rosto...
Esse rosto de um doce menino,
que esconde bem dentro de seu olhar
a malCcia de algu0m que
n2o mais um menino 0.
Vem ent2o ele a me amar
como nunca algu0m foi capaz.
E me envolve com esse carinho diferente
que sS ele sabe me dar!
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Renata Trocoli
Moreno
L5 vem meu amor chegando.
Ele veio para me envolver em seus braTos,
me pegar no colo, me beijar com carinho,
me enlouquecer os desejos como sS ele sabe fazer.
L5 vem ele chegando pertinho,
me olhando e me tocando devagarinho.
Com sua pele morena, seus olhos t2o negros
e seus l5bios macios.
Sua voz me embala,
e me abraTando me diz com ternura
que me ama e que me quer sS pra ele...
Como se eu quisesse ser de mais outro algu0m!!!
E quando ele sorri!??
N2o h5 nada mais lindo que seu sorriso!
Um sorriso sincero e delicado,
que ilumina seu rosto...
Esse rosto de um doce menino,
que esconde bem dentro de seu olhar
a malCcia de algu0m que
n2o mais um menino 0.
Vem ent2o ele a me amar
como nunca algu0m foi capaz.
E me envolve com esse carinho diferente
que sS ele sabe me dar!
Ele veio para me envolver em seus braTos,
me pegar no colo, me beijar com carinho,
me enlouquecer os desejos como sS ele sabe fazer.
L5 vem ele chegando pertinho,
me olhando e me tocando devagarinho.
Com sua pele morena, seus olhos t2o negros
e seus l5bios macios.
Sua voz me embala,
e me abraTando me diz com ternura
que me ama e que me quer sS pra ele...
Como se eu quisesse ser de mais outro algu0m!!!
E quando ele sorri!??
N2o h5 nada mais lindo que seu sorriso!
Um sorriso sincero e delicado,
que ilumina seu rosto...
Esse rosto de um doce menino,
que esconde bem dentro de seu olhar
a malCcia de algu0m que
n2o mais um menino 0.
Vem ent2o ele a me amar
como nunca algu0m foi capaz.
E me envolve com esse carinho diferente
que sS ele sabe me dar!
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Renato Russo
O mundo anda tão complicado
Gosto de ver você dormir
Que nem criança com a boca aberta
O telefone chega sexta-feira
Aperta o passo, por causa da garoa
Me empresta um par de meias
A gente chega na sessão das dez
Hoje eu acordo ao meio-dia
Amanhã é a sua vez
Vem cá meu bem, que é bom lhe ver
O mundo anda tão complicado
Que hoje eu quero fazer tudo por você
Temos que consertar o despertador
E separar todas as ferramentas
A mudança grande chegou
Com o fogão e a geladeira e a televisão
Não precisamos dormir no chão
Até que é bom, mas a cama chegou na terça
E na quinta chegou o som
Sempre faço mil coisas ao mesmo tempo
E até que é fácil acostumar-se com o meu jeito
Agora que temos nossa casa
É a chave que sempre esqueço
Vamos chamar nossos amigos
A gente faz uma feijoada
Esquece um pouco do trabalho
E fica de bate-papo
Temos a semana inteira pela frente
Você me conta como foi seu dia
E a gente diz um pro outro:
- Estou com sono, vamos dormir !
Vem cá meu bem, que é bom lhe ver
O mundo anda tão complicado
Que hoje eu quero fazer tudo por você
Quero ouvir uma canção de amor
Que fale da minha situação
De quem deixou a segurança do seu mundo
Por amor
Por amor
Que nem criança com a boca aberta
O telefone chega sexta-feira
Aperta o passo, por causa da garoa
Me empresta um par de meias
A gente chega na sessão das dez
Hoje eu acordo ao meio-dia
Amanhã é a sua vez
Vem cá meu bem, que é bom lhe ver
O mundo anda tão complicado
Que hoje eu quero fazer tudo por você
Temos que consertar o despertador
E separar todas as ferramentas
A mudança grande chegou
Com o fogão e a geladeira e a televisão
Não precisamos dormir no chão
Até que é bom, mas a cama chegou na terça
E na quinta chegou o som
Sempre faço mil coisas ao mesmo tempo
E até que é fácil acostumar-se com o meu jeito
Agora que temos nossa casa
É a chave que sempre esqueço
Vamos chamar nossos amigos
A gente faz uma feijoada
Esquece um pouco do trabalho
E fica de bate-papo
Temos a semana inteira pela frente
Você me conta como foi seu dia
E a gente diz um pro outro:
- Estou com sono, vamos dormir !
Vem cá meu bem, que é bom lhe ver
O mundo anda tão complicado
Que hoje eu quero fazer tudo por você
Quero ouvir uma canção de amor
Que fale da minha situação
De quem deixou a segurança do seu mundo
Por amor
Por amor
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Renata Trocoli
Sem Titulo III
Seus olhos sorriem ao encontrar os meus.
Seu sorriso tão lindo e doce
me faz te amar cada vez mais
e desejar que nunca deixe de sorrir para mim.
Sua pele tão clara, faz com que minhas mãos desejem
tocar seu rosto cada vez que te vejo.
Seus lábios tão macios
tocam os meus com delicadeza e carinho
que só quero sentir de você, sempre.
Suas mãos carinhosas tocam meu rosto.
Suas palavras doces
fazem meu coração palpitar de alegria
e meu peito doer de tanto amor que sinto por você
... AH! como te amo!!!
O amor que sinto por você
é puro, inocente e despreparado.
É uma leve brisa que me envolve
fazendo sorrir e suspirar
a cada lembrança, a cada momento vivido.
Meus olhos enchem-se de lágrimas
ao lembrar de nossos sonhos e desejos
Mas nunca com tristeza, sempre com carinho, amor e desejo
de encontrar seus olhos novamente, sentir seu abraço,
tocar seus cabelos macios, ver o sorriso doce
em seu lindo rosto, tocá-lo...
A vida proporciona emoções e sensações divinas!
Desejo que este momento nunca se acabe...
Que dure enquanto te amar deste jeito...
Seu sorriso tão lindo e doce
me faz te amar cada vez mais
e desejar que nunca deixe de sorrir para mim.
Sua pele tão clara, faz com que minhas mãos desejem
tocar seu rosto cada vez que te vejo.
Seus lábios tão macios
tocam os meus com delicadeza e carinho
que só quero sentir de você, sempre.
Suas mãos carinhosas tocam meu rosto.
Suas palavras doces
fazem meu coração palpitar de alegria
e meu peito doer de tanto amor que sinto por você
... AH! como te amo!!!
O amor que sinto por você
é puro, inocente e despreparado.
É uma leve brisa que me envolve
fazendo sorrir e suspirar
a cada lembrança, a cada momento vivido.
Meus olhos enchem-se de lágrimas
ao lembrar de nossos sonhos e desejos
Mas nunca com tristeza, sempre com carinho, amor e desejo
de encontrar seus olhos novamente, sentir seu abraço,
tocar seus cabelos macios, ver o sorriso doce
em seu lindo rosto, tocá-lo...
A vida proporciona emoções e sensações divinas!
Desejo que este momento nunca se acabe...
Que dure enquanto te amar deste jeito...
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Renata Trocoli
Sem Titulo III
Seus olhos sorriem ao encontrar os meus.
Seu sorriso tão lindo e doce
me faz te amar cada vez mais
e desejar que nunca deixe de sorrir para mim.
Sua pele tão clara, faz com que minhas mãos desejem
tocar seu rosto cada vez que te vejo.
Seus lábios tão macios
tocam os meus com delicadeza e carinho
que só quero sentir de você, sempre.
Suas mãos carinhosas tocam meu rosto.
Suas palavras doces
fazem meu coração palpitar de alegria
e meu peito doer de tanto amor que sinto por você
... AH! como te amo!!!
O amor que sinto por você
é puro, inocente e despreparado.
É uma leve brisa que me envolve
fazendo sorrir e suspirar
a cada lembrança, a cada momento vivido.
Meus olhos enchem-se de lágrimas
ao lembrar de nossos sonhos e desejos
Mas nunca com tristeza, sempre com carinho, amor e desejo
de encontrar seus olhos novamente, sentir seu abraço,
tocar seus cabelos macios, ver o sorriso doce
em seu lindo rosto, tocá-lo...
A vida proporciona emoções e sensações divinas!
Desejo que este momento nunca se acabe...
Que dure enquanto te amar deste jeito...
Seu sorriso tão lindo e doce
me faz te amar cada vez mais
e desejar que nunca deixe de sorrir para mim.
Sua pele tão clara, faz com que minhas mãos desejem
tocar seu rosto cada vez que te vejo.
Seus lábios tão macios
tocam os meus com delicadeza e carinho
que só quero sentir de você, sempre.
Suas mãos carinhosas tocam meu rosto.
Suas palavras doces
fazem meu coração palpitar de alegria
e meu peito doer de tanto amor que sinto por você
... AH! como te amo!!!
O amor que sinto por você
é puro, inocente e despreparado.
É uma leve brisa que me envolve
fazendo sorrir e suspirar
a cada lembrança, a cada momento vivido.
Meus olhos enchem-se de lágrimas
ao lembrar de nossos sonhos e desejos
Mas nunca com tristeza, sempre com carinho, amor e desejo
de encontrar seus olhos novamente, sentir seu abraço,
tocar seus cabelos macios, ver o sorriso doce
em seu lindo rosto, tocá-lo...
A vida proporciona emoções e sensações divinas!
Desejo que este momento nunca se acabe...
Que dure enquanto te amar deste jeito...
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Renato Russo
Vinte e Nove
Perdi vinte em vinte e nove amizades
Por conta de uma pedra em minhas mãos
Me embriaguei morrendo vinte e nove vezes
Estou aprendendo a viver sem você
( Já que você não me quer mais )
Passei vinte e nove meses num navio
E vinte e nove dias na prisão
E aos vinte e nove, com o retorno de Saturno
Decidi começar a viver
Quando você deixou de me amar
Aprendi a perdoar
E a pedir perdão
( E vinte e nove anjos me saudaram
E tive vinte e nove amigos outra vez )
Por conta de uma pedra em minhas mãos
Me embriaguei morrendo vinte e nove vezes
Estou aprendendo a viver sem você
( Já que você não me quer mais )
Passei vinte e nove meses num navio
E vinte e nove dias na prisão
E aos vinte e nove, com o retorno de Saturno
Decidi começar a viver
Quando você deixou de me amar
Aprendi a perdoar
E a pedir perdão
( E vinte e nove anjos me saudaram
E tive vinte e nove amigos outra vez )
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Renato Russo
Vinte e Nove
Perdi vinte em vinte e nove amizades
Por conta de uma pedra em minhas mãos
Me embriaguei morrendo vinte e nove vezes
Estou aprendendo a viver sem você
( Já que você não me quer mais )
Passei vinte e nove meses num navio
E vinte e nove dias na prisão
E aos vinte e nove, com o retorno de Saturno
Decidi começar a viver
Quando você deixou de me amar
Aprendi a perdoar
E a pedir perdão
( E vinte e nove anjos me saudaram
E tive vinte e nove amigos outra vez )
Por conta de uma pedra em minhas mãos
Me embriaguei morrendo vinte e nove vezes
Estou aprendendo a viver sem você
( Já que você não me quer mais )
Passei vinte e nove meses num navio
E vinte e nove dias na prisão
E aos vinte e nove, com o retorno de Saturno
Decidi começar a viver
Quando você deixou de me amar
Aprendi a perdoar
E a pedir perdão
( E vinte e nove anjos me saudaram
E tive vinte e nove amigos outra vez )
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Renato Russo
Os Barcos
Você diz que tudo terminou
Você não quer mais o meu querer
Estamos medindo forças desiguais
Qualquer um pode ver
Que só terminou prá você
São só palavras: teço ensaio e cena
A cada ato enceno a diferença
Do que é amor ficou o seu retrato
A peça que interpreto
Um improviso insensato
Essa saudade eu sei de cor
Sei o caminho dos barcos
E há muito estou alheio e que me entende
Recebe o resto exato e tão pequeno:
É dor, se há - tentativa. Já não tento
E ao transformar em dor o que é vaidade
E ao ter amor se este é só orgulho
Eu faço da mentira, liberdade
E de qualquer quintal faço cidade
E insisto que é virtude o que é entulho:
Baldio é o meu terreno e meu alarde
Eu vejo você se apaixonando outra vez
Eu fico com a saudade
Você com outro alguém
E você diz que tudo terminou
Mas qualquer um pode ver:
Só terminou prá você
Você não quer mais o meu querer
Estamos medindo forças desiguais
Qualquer um pode ver
Que só terminou prá você
São só palavras: teço ensaio e cena
A cada ato enceno a diferença
Do que é amor ficou o seu retrato
A peça que interpreto
Um improviso insensato
Essa saudade eu sei de cor
Sei o caminho dos barcos
E há muito estou alheio e que me entende
Recebe o resto exato e tão pequeno:
É dor, se há - tentativa. Já não tento
E ao transformar em dor o que é vaidade
E ao ter amor se este é só orgulho
Eu faço da mentira, liberdade
E de qualquer quintal faço cidade
E insisto que é virtude o que é entulho:
Baldio é o meu terreno e meu alarde
Eu vejo você se apaixonando outra vez
Eu fico com a saudade
Você com outro alguém
E você diz que tudo terminou
Mas qualquer um pode ver:
Só terminou prá você
1 445
Renato Russo
Os Barcos
Você diz que tudo terminou
Você não quer mais o meu querer
Estamos medindo forças desiguais
Qualquer um pode ver
Que só terminou prá você
São só palavras: teço ensaio e cena
A cada ato enceno a diferença
Do que é amor ficou o seu retrato
A peça que interpreto
Um improviso insensato
Essa saudade eu sei de cor
Sei o caminho dos barcos
E há muito estou alheio e que me entende
Recebe o resto exato e tão pequeno:
É dor, se há - tentativa. Já não tento
E ao transformar em dor o que é vaidade
E ao ter amor se este é só orgulho
Eu faço da mentira, liberdade
E de qualquer quintal faço cidade
E insisto que é virtude o que é entulho:
Baldio é o meu terreno e meu alarde
Eu vejo você se apaixonando outra vez
Eu fico com a saudade
Você com outro alguém
E você diz que tudo terminou
Mas qualquer um pode ver:
Só terminou prá você
Você não quer mais o meu querer
Estamos medindo forças desiguais
Qualquer um pode ver
Que só terminou prá você
São só palavras: teço ensaio e cena
A cada ato enceno a diferença
Do que é amor ficou o seu retrato
A peça que interpreto
Um improviso insensato
Essa saudade eu sei de cor
Sei o caminho dos barcos
E há muito estou alheio e que me entende
Recebe o resto exato e tão pequeno:
É dor, se há - tentativa. Já não tento
E ao transformar em dor o que é vaidade
E ao ter amor se este é só orgulho
Eu faço da mentira, liberdade
E de qualquer quintal faço cidade
E insisto que é virtude o que é entulho:
Baldio é o meu terreno e meu alarde
Eu vejo você se apaixonando outra vez
Eu fico com a saudade
Você com outro alguém
E você diz que tudo terminou
Mas qualquer um pode ver:
Só terminou prá você
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Renato Russo
Os Anjos
Hoje não dá
Hoje não dá
Não sei mais o que dizer
E nem o que pensar
Hoje não dá
Hoje não dá
A maldade humana agora não tem nome
Hoje não dá
( Pegue duas medidas de estupidez
Junte trinta e quatro partes de mentira
Coloque tudo numa forma untada previamente
Com promessas não cumpridas
Adicione a seguir o ódio e a inveja
Às dez colheres cheias de burrice
Mexa tudo e misture bem
E não se esqueça: antes de levar ao forno
Temperar com essência de espírito de porco
Duas xícaras de indiferença
E um tabelete e meio de preguiça )
Hoje não dá
Hoje não dá
Está um dia tão bonito lá fora
E eu quero brincar
Mas hoje não dá
Hoje não dá
Vou consertar a minha asa quebrada
E descansar
Gostaria de não saber destes crimes atrozes
É todo dia agora e o que vamos fazer ?
Quero voar prá bem longe mas hoje não dá
Não sei o que pensar e nem o que dizer
Só nos sobrou do amor
A falta que ficou
Hoje não dá
Não sei mais o que dizer
E nem o que pensar
Hoje não dá
Hoje não dá
A maldade humana agora não tem nome
Hoje não dá
( Pegue duas medidas de estupidez
Junte trinta e quatro partes de mentira
Coloque tudo numa forma untada previamente
Com promessas não cumpridas
Adicione a seguir o ódio e a inveja
Às dez colheres cheias de burrice
Mexa tudo e misture bem
E não se esqueça: antes de levar ao forno
Temperar com essência de espírito de porco
Duas xícaras de indiferença
E um tabelete e meio de preguiça )
Hoje não dá
Hoje não dá
Está um dia tão bonito lá fora
E eu quero brincar
Mas hoje não dá
Hoje não dá
Vou consertar a minha asa quebrada
E descansar
Gostaria de não saber destes crimes atrozes
É todo dia agora e o que vamos fazer ?
Quero voar prá bem longe mas hoje não dá
Não sei o que pensar e nem o que dizer
Só nos sobrou do amor
A falta que ficou
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Renato Russo
Os Anjos
Hoje não dá
Hoje não dá
Não sei mais o que dizer
E nem o que pensar
Hoje não dá
Hoje não dá
A maldade humana agora não tem nome
Hoje não dá
( Pegue duas medidas de estupidez
Junte trinta e quatro partes de mentira
Coloque tudo numa forma untada previamente
Com promessas não cumpridas
Adicione a seguir o ódio e a inveja
Às dez colheres cheias de burrice
Mexa tudo e misture bem
E não se esqueça: antes de levar ao forno
Temperar com essência de espírito de porco
Duas xícaras de indiferença
E um tabelete e meio de preguiça )
Hoje não dá
Hoje não dá
Está um dia tão bonito lá fora
E eu quero brincar
Mas hoje não dá
Hoje não dá
Vou consertar a minha asa quebrada
E descansar
Gostaria de não saber destes crimes atrozes
É todo dia agora e o que vamos fazer ?
Quero voar prá bem longe mas hoje não dá
Não sei o que pensar e nem o que dizer
Só nos sobrou do amor
A falta que ficou
Hoje não dá
Não sei mais o que dizer
E nem o que pensar
Hoje não dá
Hoje não dá
A maldade humana agora não tem nome
Hoje não dá
( Pegue duas medidas de estupidez
Junte trinta e quatro partes de mentira
Coloque tudo numa forma untada previamente
Com promessas não cumpridas
Adicione a seguir o ódio e a inveja
Às dez colheres cheias de burrice
Mexa tudo e misture bem
E não se esqueça: antes de levar ao forno
Temperar com essência de espírito de porco
Duas xícaras de indiferença
E um tabelete e meio de preguiça )
Hoje não dá
Hoje não dá
Está um dia tão bonito lá fora
E eu quero brincar
Mas hoje não dá
Hoje não dá
Vou consertar a minha asa quebrada
E descansar
Gostaria de não saber destes crimes atrozes
É todo dia agora e o que vamos fazer ?
Quero voar prá bem longe mas hoje não dá
Não sei o que pensar e nem o que dizer
Só nos sobrou do amor
A falta que ficou
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Renato Russo
Os Anjos
Hoje não dá
Hoje não dá
Não sei mais o que dizer
E nem o que pensar
Hoje não dá
Hoje não dá
A maldade humana agora não tem nome
Hoje não dá
( Pegue duas medidas de estupidez
Junte trinta e quatro partes de mentira
Coloque tudo numa forma untada previamente
Com promessas não cumpridas
Adicione a seguir o ódio e a inveja
Às dez colheres cheias de burrice
Mexa tudo e misture bem
E não se esqueça: antes de levar ao forno
Temperar com essência de espírito de porco
Duas xícaras de indiferença
E um tabelete e meio de preguiça )
Hoje não dá
Hoje não dá
Está um dia tão bonito lá fora
E eu quero brincar
Mas hoje não dá
Hoje não dá
Vou consertar a minha asa quebrada
E descansar
Gostaria de não saber destes crimes atrozes
É todo dia agora e o que vamos fazer ?
Quero voar prá bem longe mas hoje não dá
Não sei o que pensar e nem o que dizer
Só nos sobrou do amor
A falta que ficou
Hoje não dá
Não sei mais o que dizer
E nem o que pensar
Hoje não dá
Hoje não dá
A maldade humana agora não tem nome
Hoje não dá
( Pegue duas medidas de estupidez
Junte trinta e quatro partes de mentira
Coloque tudo numa forma untada previamente
Com promessas não cumpridas
Adicione a seguir o ódio e a inveja
Às dez colheres cheias de burrice
Mexa tudo e misture bem
E não se esqueça: antes de levar ao forno
Temperar com essência de espírito de porco
Duas xícaras de indiferença
E um tabelete e meio de preguiça )
Hoje não dá
Hoje não dá
Está um dia tão bonito lá fora
E eu quero brincar
Mas hoje não dá
Hoje não dá
Vou consertar a minha asa quebrada
E descansar
Gostaria de não saber destes crimes atrozes
É todo dia agora e o que vamos fazer ?
Quero voar prá bem longe mas hoje não dá
Não sei o que pensar e nem o que dizer
Só nos sobrou do amor
A falta que ficou
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Renato Russo
Os Anjos
Hoje não dá
Hoje não dá
Não sei mais o que dizer
E nem o que pensar
Hoje não dá
Hoje não dá
A maldade humana agora não tem nome
Hoje não dá
( Pegue duas medidas de estupidez
Junte trinta e quatro partes de mentira
Coloque tudo numa forma untada previamente
Com promessas não cumpridas
Adicione a seguir o ódio e a inveja
Às dez colheres cheias de burrice
Mexa tudo e misture bem
E não se esqueça: antes de levar ao forno
Temperar com essência de espírito de porco
Duas xícaras de indiferença
E um tabelete e meio de preguiça )
Hoje não dá
Hoje não dá
Está um dia tão bonito lá fora
E eu quero brincar
Mas hoje não dá
Hoje não dá
Vou consertar a minha asa quebrada
E descansar
Gostaria de não saber destes crimes atrozes
É todo dia agora e o que vamos fazer ?
Quero voar prá bem longe mas hoje não dá
Não sei o que pensar e nem o que dizer
Só nos sobrou do amor
A falta que ficou
Hoje não dá
Não sei mais o que dizer
E nem o que pensar
Hoje não dá
Hoje não dá
A maldade humana agora não tem nome
Hoje não dá
( Pegue duas medidas de estupidez
Junte trinta e quatro partes de mentira
Coloque tudo numa forma untada previamente
Com promessas não cumpridas
Adicione a seguir o ódio e a inveja
Às dez colheres cheias de burrice
Mexa tudo e misture bem
E não se esqueça: antes de levar ao forno
Temperar com essência de espírito de porco
Duas xícaras de indiferença
E um tabelete e meio de preguiça )
Hoje não dá
Hoje não dá
Está um dia tão bonito lá fora
E eu quero brincar
Mas hoje não dá
Hoje não dá
Vou consertar a minha asa quebrada
E descansar
Gostaria de não saber destes crimes atrozes
É todo dia agora e o que vamos fazer ?
Quero voar prá bem longe mas hoje não dá
Não sei o que pensar e nem o que dizer
Só nos sobrou do amor
A falta que ficou
1 700
Roberto Pontes
Verbo Encarnado, a Lição da Liberdade
por Angela Gutiérrez
O próprio poeta Roberto Pontes lembra, em "Nota posterior" a seus poemas de Verbo Encarnado, que "encarnado é sinônimo de vermelho, havendo nas festas populares acirradas disputas entre os partidos azul e encarnado". Aceitando o mote, ressalto que, além da acepção bíblica de "verbo que se fez carne", junta-se à significação do título do livro de Roberto, a idéia da cor vermelha que, no imaginário ocidental, é a cor da paixão, reiterada, no encarnado, pela etimologia ligada à carne. A acepção de encarnado, como aquilo que é representado, ou penetrado por um espírito, o brasileirismo que considera como encarnado aquilo que assedia, importuna, o simbolismo do encarnado como cor dos partidos de esquerda, tudo isso converge para o título da coletânea de poemas que, hoje, chega ao público cearense. O verbo poético de Roberto é verbo vermelho na palavra-luta; é verbo de carne, na palavra-dor e na palavra-paixão, é verbo que nos assedia, ao exigir, em diferentes modulações, a lição da liberdade.
A mesma "Nota posterior", além de informar sobre datas, nomes e fatos ligados à gestação dos poemas, sendo, portanto, um adendo genético, funciona, também, como uma poética do autor. Nela, Roberto afirma que a poesia não é "exercício para narcisos", mas "fala insubmisssa" que age como "resistência" e como "incitação das consciências". Quem viveu a adolescência e a juventude durante "os anos de chumbo" – entre 64 e 84 – e recorda a sensação do medo, da revolta, da impotência da boca amordaçada que nos afligia nessa "página infeliz de nossa história" (na bela expressão de Chico Buarque em seu samba Vai passar), entende que os poemas de Roberto, escritos entre 64 e 83, são intérpretes dessa "memória corporal" e nos fazem não só recordá-la como reencarná-la.
Em Verbo Encarnado, o poeta nega-se o direito de contemplar a própria imagem; nunca é um só, é sempre um entre muitos: é cidadão do mundo em "Soul por Luther King", "Lembrança de Neruda", "O Pássaro Amarelo" (poema dedicado a Ho Chi Minh); cidadão do Nordeste e de Fortaleza, em "Composição sobre a Peixeira", "Os Nossos Meninos Azuis", "Chula da Rendeira", "Poema para Fortaleza" e tantos mais.
O poeta, naqueles tempos de revolta, traveste seu verbo em arma, como em "A Bala do Poema":
A palavra há de ser
a consistência da bala
.....................................
A palavra há de trazer
o peso do chumbo
a quentura
a explosão do peito
enquanto o amor não for reconhecido.
Ou, como em "Dedicatória":
Pixe muros
faça hinos
dê combate à ditadura
enforque em cordas de aço
toda forma de opressão.
Ou, ainda, como em "Definição":
trago um chicote
inquieto na mão
Mas se, em "Ultrapassagem", o poeta canta o momento feliz da fartura contra a guerra, da liberdade contra o medo, do mundo novo sem miséria, esse é o tempo do futuro:
quando o homem se souber
indigno do que até hoje cometeu
Apesar da delicadeza, quase diafaneidade, do poema "Os Ausentes", dedicado a Frei Tito –
Dos ausentes fica sempre um sorriso
como as pinturas recheias
de surpresa, reencontro e irreal.
– e que abre o livro, na versão em francês, o tom dominante de Verbo Encarnado é o que explode nas imagens audaciosas do ciclo apocalíptico, em "Antevéspera", "Véspera" e "O Dia":
e o ágape servido será dor e veneno.
No dia
e após o dia
a vida irá sumindo lentamente
e cheios de medalhas
os cus dos generais apodrecendo.
Essas são as últimas palavras do último poema do livro e, apesar de vertidas no futuro, são as que impregnam a nossa memória do passado que o livro do Roberto nos traz, dolorosamente, ao presente.
ANGELA GUTIÉRREZ é Professora Adjunta de Literatura Brasileira
no Curso de Letras da Universidade Federal do Ceará. Doutora em
Literatura Comparada pela UFMG. Pertence ao quadro de especialistas
da Associação Brasileira de Literatura Comparada – ABRALIC.
Autora de O mundo de Flora (romance) e Vargas Llosa e o Romance
Possível da América Latina (ensaio).
O próprio poeta Roberto Pontes lembra, em "Nota posterior" a seus poemas de Verbo Encarnado, que "encarnado é sinônimo de vermelho, havendo nas festas populares acirradas disputas entre os partidos azul e encarnado". Aceitando o mote, ressalto que, além da acepção bíblica de "verbo que se fez carne", junta-se à significação do título do livro de Roberto, a idéia da cor vermelha que, no imaginário ocidental, é a cor da paixão, reiterada, no encarnado, pela etimologia ligada à carne. A acepção de encarnado, como aquilo que é representado, ou penetrado por um espírito, o brasileirismo que considera como encarnado aquilo que assedia, importuna, o simbolismo do encarnado como cor dos partidos de esquerda, tudo isso converge para o título da coletânea de poemas que, hoje, chega ao público cearense. O verbo poético de Roberto é verbo vermelho na palavra-luta; é verbo de carne, na palavra-dor e na palavra-paixão, é verbo que nos assedia, ao exigir, em diferentes modulações, a lição da liberdade.
A mesma "Nota posterior", além de informar sobre datas, nomes e fatos ligados à gestação dos poemas, sendo, portanto, um adendo genético, funciona, também, como uma poética do autor. Nela, Roberto afirma que a poesia não é "exercício para narcisos", mas "fala insubmisssa" que age como "resistência" e como "incitação das consciências". Quem viveu a adolescência e a juventude durante "os anos de chumbo" – entre 64 e 84 – e recorda a sensação do medo, da revolta, da impotência da boca amordaçada que nos afligia nessa "página infeliz de nossa história" (na bela expressão de Chico Buarque em seu samba Vai passar), entende que os poemas de Roberto, escritos entre 64 e 83, são intérpretes dessa "memória corporal" e nos fazem não só recordá-la como reencarná-la.
Em Verbo Encarnado, o poeta nega-se o direito de contemplar a própria imagem; nunca é um só, é sempre um entre muitos: é cidadão do mundo em "Soul por Luther King", "Lembrança de Neruda", "O Pássaro Amarelo" (poema dedicado a Ho Chi Minh); cidadão do Nordeste e de Fortaleza, em "Composição sobre a Peixeira", "Os Nossos Meninos Azuis", "Chula da Rendeira", "Poema para Fortaleza" e tantos mais.
O poeta, naqueles tempos de revolta, traveste seu verbo em arma, como em "A Bala do Poema":
A palavra há de ser
a consistência da bala
.....................................
A palavra há de trazer
o peso do chumbo
a quentura
a explosão do peito
enquanto o amor não for reconhecido.
Ou, como em "Dedicatória":
Pixe muros
faça hinos
dê combate à ditadura
enforque em cordas de aço
toda forma de opressão.
Ou, ainda, como em "Definição":
trago um chicote
inquieto na mão
Mas se, em "Ultrapassagem", o poeta canta o momento feliz da fartura contra a guerra, da liberdade contra o medo, do mundo novo sem miséria, esse é o tempo do futuro:
quando o homem se souber
indigno do que até hoje cometeu
Apesar da delicadeza, quase diafaneidade, do poema "Os Ausentes", dedicado a Frei Tito –
Dos ausentes fica sempre um sorriso
como as pinturas recheias
de surpresa, reencontro e irreal.
– e que abre o livro, na versão em francês, o tom dominante de Verbo Encarnado é o que explode nas imagens audaciosas do ciclo apocalíptico, em "Antevéspera", "Véspera" e "O Dia":
e o ágape servido será dor e veneno.
No dia
e após o dia
a vida irá sumindo lentamente
e cheios de medalhas
os cus dos generais apodrecendo.
Essas são as últimas palavras do último poema do livro e, apesar de vertidas no futuro, são as que impregnam a nossa memória do passado que o livro do Roberto nos traz, dolorosamente, ao presente.
ANGELA GUTIÉRREZ é Professora Adjunta de Literatura Brasileira
no Curso de Letras da Universidade Federal do Ceará. Doutora em
Literatura Comparada pela UFMG. Pertence ao quadro de especialistas
da Associação Brasileira de Literatura Comparada – ABRALIC.
Autora de O mundo de Flora (romance) e Vargas Llosa e o Romance
Possível da América Latina (ensaio).
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Roberto Pontes
Gemedeira da Floreira
Encovados olhos negros
por detrás duma touceira
de arame, cola e papel
e cores que estão na feira
para alimentar um filho
ai! ai! ui! ui!
da filha desta floreira.
Florista fabrica flores
para as jarras de alto luxo
para os bolsos de alta venda
e oferta flor de cartuxo
estendendo os dedinhos
ai! ai! ui! ui!
mais roxos que o próprio roxo.
Florista fabrica flores
e seu ritual de rua
é um bailado sem som
um triste cantar de loa
a Estrela d’Alva sem luz
ai! ai! ui! ui!
e a borboleta na lua.
por detrás duma touceira
de arame, cola e papel
e cores que estão na feira
para alimentar um filho
ai! ai! ui! ui!
da filha desta floreira.
Florista fabrica flores
para as jarras de alto luxo
para os bolsos de alta venda
e oferta flor de cartuxo
estendendo os dedinhos
ai! ai! ui! ui!
mais roxos que o próprio roxo.
Florista fabrica flores
e seu ritual de rua
é um bailado sem som
um triste cantar de loa
a Estrela d’Alva sem luz
ai! ai! ui! ui!
e a borboleta na lua.
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Renata Trocoli
Sem Titulo VIII
Você foi a luz que iluminou meu mundo.
Você foi o doce remédio que curou meu medo do escuro,
da dor, do amor, da noite, da vida.
Você foi o grande amor que nunca tive e sempre sonhei ter.
Meus sentimentos não mudaram por ti meu amor,
mas a vida tirou tuas doces carícias da minha convivência,
tua suave presença do meu caminho.
Por que a vida parece tão sem sentido agora?
Tuas palavras me iluminaram as noites escuras
e me encheram de belos sonhos de amor.
Amor que tive por ti, meu delicado príncipe.
Você foi o doce remédio que curou meu medo do escuro,
da dor, do amor, da noite, da vida.
Você foi o grande amor que nunca tive e sempre sonhei ter.
Meus sentimentos não mudaram por ti meu amor,
mas a vida tirou tuas doces carícias da minha convivência,
tua suave presença do meu caminho.
Por que a vida parece tão sem sentido agora?
Tuas palavras me iluminaram as noites escuras
e me encheram de belos sonhos de amor.
Amor que tive por ti, meu delicado príncipe.
804
Renata Trocoli
Sem Titulo VIII
Você foi a luz que iluminou meu mundo.
Você foi o doce remédio que curou meu medo do escuro,
da dor, do amor, da noite, da vida.
Você foi o grande amor que nunca tive e sempre sonhei ter.
Meus sentimentos não mudaram por ti meu amor,
mas a vida tirou tuas doces carícias da minha convivência,
tua suave presença do meu caminho.
Por que a vida parece tão sem sentido agora?
Tuas palavras me iluminaram as noites escuras
e me encheram de belos sonhos de amor.
Amor que tive por ti, meu delicado príncipe.
Você foi o doce remédio que curou meu medo do escuro,
da dor, do amor, da noite, da vida.
Você foi o grande amor que nunca tive e sempre sonhei ter.
Meus sentimentos não mudaram por ti meu amor,
mas a vida tirou tuas doces carícias da minha convivência,
tua suave presença do meu caminho.
Por que a vida parece tão sem sentido agora?
Tuas palavras me iluminaram as noites escuras
e me encheram de belos sonhos de amor.
Amor que tive por ti, meu delicado príncipe.
804
Renata Trocoli
Sem Titulo VIII
Você foi a luz que iluminou meu mundo.
Você foi o doce remédio que curou meu medo do escuro,
da dor, do amor, da noite, da vida.
Você foi o grande amor que nunca tive e sempre sonhei ter.
Meus sentimentos não mudaram por ti meu amor,
mas a vida tirou tuas doces carícias da minha convivência,
tua suave presença do meu caminho.
Por que a vida parece tão sem sentido agora?
Tuas palavras me iluminaram as noites escuras
e me encheram de belos sonhos de amor.
Amor que tive por ti, meu delicado príncipe.
Você foi o doce remédio que curou meu medo do escuro,
da dor, do amor, da noite, da vida.
Você foi o grande amor que nunca tive e sempre sonhei ter.
Meus sentimentos não mudaram por ti meu amor,
mas a vida tirou tuas doces carícias da minha convivência,
tua suave presença do meu caminho.
Por que a vida parece tão sem sentido agora?
Tuas palavras me iluminaram as noites escuras
e me encheram de belos sonhos de amor.
Amor que tive por ti, meu delicado príncipe.
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Renata Trocoli
Sem Titulo I
Vejo tua imagem no espelho.
Cada vez que imagino teu rosto
lembro de um sorriso doce e sincero.
Teus olhos tem um brilho único e especial
E sempre tiveram tranqüilidade e carinho.
Sem teus olhos não consigo imaginar vida nem beleza.
Sem tua boca e teu sorriso,
cada dia que passa fica mais vazio e triste.
Sem teu amor o dia escurece
A Noite entristece.
Os dias sem teus carinhos, sem tua voz,
parecem eternos martírios de lembranças.
Lembranças essas que por vezes me fazem sorrir,
e sempre me fazer chorar de saudades de você.
Esperanças de tocar teu rosto não tenho mais
Elas se acabaram
Na ultima vez que olhei
para teus olhos lindos.
Quem sabe a vida não me ensina
a te esquecer e não mais te esperar...
Quem sabe a noite não me mostra que a Lua
ainda continua linda sem você...
Quem sabe o dia não me diz que o céu e perfeito
e infinito mesmo sem ter você ao meu lado...
Te amo com todo meu coração...
Cada vez que imagino teu rosto
lembro de um sorriso doce e sincero.
Teus olhos tem um brilho único e especial
E sempre tiveram tranqüilidade e carinho.
Sem teus olhos não consigo imaginar vida nem beleza.
Sem tua boca e teu sorriso,
cada dia que passa fica mais vazio e triste.
Sem teu amor o dia escurece
A Noite entristece.
Os dias sem teus carinhos, sem tua voz,
parecem eternos martírios de lembranças.
Lembranças essas que por vezes me fazem sorrir,
e sempre me fazer chorar de saudades de você.
Esperanças de tocar teu rosto não tenho mais
Elas se acabaram
Na ultima vez que olhei
para teus olhos lindos.
Quem sabe a vida não me ensina
a te esquecer e não mais te esperar...
Quem sabe a noite não me mostra que a Lua
ainda continua linda sem você...
Quem sabe o dia não me diz que o céu e perfeito
e infinito mesmo sem ter você ao meu lado...
Te amo com todo meu coração...
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Renata Trocoli
Sem Titulo I
Vejo tua imagem no espelho.
Cada vez que imagino teu rosto
lembro de um sorriso doce e sincero.
Teus olhos tem um brilho único e especial
E sempre tiveram tranqüilidade e carinho.
Sem teus olhos não consigo imaginar vida nem beleza.
Sem tua boca e teu sorriso,
cada dia que passa fica mais vazio e triste.
Sem teu amor o dia escurece
A Noite entristece.
Os dias sem teus carinhos, sem tua voz,
parecem eternos martírios de lembranças.
Lembranças essas que por vezes me fazem sorrir,
e sempre me fazer chorar de saudades de você.
Esperanças de tocar teu rosto não tenho mais
Elas se acabaram
Na ultima vez que olhei
para teus olhos lindos.
Quem sabe a vida não me ensina
a te esquecer e não mais te esperar...
Quem sabe a noite não me mostra que a Lua
ainda continua linda sem você...
Quem sabe o dia não me diz que o céu e perfeito
e infinito mesmo sem ter você ao meu lado...
Te amo com todo meu coração...
Cada vez que imagino teu rosto
lembro de um sorriso doce e sincero.
Teus olhos tem um brilho único e especial
E sempre tiveram tranqüilidade e carinho.
Sem teus olhos não consigo imaginar vida nem beleza.
Sem tua boca e teu sorriso,
cada dia que passa fica mais vazio e triste.
Sem teu amor o dia escurece
A Noite entristece.
Os dias sem teus carinhos, sem tua voz,
parecem eternos martírios de lembranças.
Lembranças essas que por vezes me fazem sorrir,
e sempre me fazer chorar de saudades de você.
Esperanças de tocar teu rosto não tenho mais
Elas se acabaram
Na ultima vez que olhei
para teus olhos lindos.
Quem sabe a vida não me ensina
a te esquecer e não mais te esperar...
Quem sabe a noite não me mostra que a Lua
ainda continua linda sem você...
Quem sabe o dia não me diz que o céu e perfeito
e infinito mesmo sem ter você ao meu lado...
Te amo com todo meu coração...
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Renato Russo
Metal contra as nuvens
I
Não sou escravo de ninguém
Ninguém senhor do meu domínio
Sei o que devo defender
E por valor eu tenho
E temo o que agora se desfaz
Viajamos sete léguas
Por entre abismos e florestas
Por Deus nunca me vi tão só
É a própria fé o que destrói
Estes são dias desleais
Sou metal - raio, relâmpago e trovão
Sou metal, eu sou o ouro em seu brasão
Sou metal: me sabe o sopro do dragão
Reconheço o meu pesar
Quando tudo é traição
O que venho encontrar
É a virtude em outras mãos
Mas minha terra é a terra que é minha
E sempre será minha terra
Tem a lua, tem estrelas e sempre terá
II
Quase acreditei na sua promessa
E o que vejo é fome e destruição
Perdi a minha sela e a minha espada
Perdi o meu castelo e minha princesa
Quase acreditei, quase acreditei
E, por honra, se existir verdade
Existem os tolos e existe o ladrão
E há quem se alimente do que é roubo
Vou guardar o meu tesouro
Caso você esteja mentindo
Olha o sopro do dragão
III
É a verdade que assombra
O descaso que condena
A estupidez que o destrói
Eu vejo tudo o que se foi
E o que não existe mais
Tenho os sentidos já dormentes
O corpo quer, a alma entende
Essa é a terra-de-ninguém
E sei que devo resistir -
Eu quero a espada em minhas mãos
Sou metal - raio, relâmpago e trovão
Sou metal, eu sou o ouro em seu brasão
Sou metal: me sabe o sopro do dragão
Não me entrego sem lutar -
Tenho ainda coração
Não aprendi a me render
Que caia o inimigo então
IV
- Tudo passa, tudo passará
E nossa história não estará pelo avesso
Assim, sem final feliz
Teremos coisas bonitas para contar
E até lá, vamos viver
Temos muito ainda por fazer
Não olhe para trás -
Apenas começamos
O mundo começa agora -
Apenas começamos
Não sou escravo de ninguém
Ninguém senhor do meu domínio
Sei o que devo defender
E por valor eu tenho
E temo o que agora se desfaz
Viajamos sete léguas
Por entre abismos e florestas
Por Deus nunca me vi tão só
É a própria fé o que destrói
Estes são dias desleais
Sou metal - raio, relâmpago e trovão
Sou metal, eu sou o ouro em seu brasão
Sou metal: me sabe o sopro do dragão
Reconheço o meu pesar
Quando tudo é traição
O que venho encontrar
É a virtude em outras mãos
Mas minha terra é a terra que é minha
E sempre será minha terra
Tem a lua, tem estrelas e sempre terá
II
Quase acreditei na sua promessa
E o que vejo é fome e destruição
Perdi a minha sela e a minha espada
Perdi o meu castelo e minha princesa
Quase acreditei, quase acreditei
E, por honra, se existir verdade
Existem os tolos e existe o ladrão
E há quem se alimente do que é roubo
Vou guardar o meu tesouro
Caso você esteja mentindo
Olha o sopro do dragão
III
É a verdade que assombra
O descaso que condena
A estupidez que o destrói
Eu vejo tudo o que se foi
E o que não existe mais
Tenho os sentidos já dormentes
O corpo quer, a alma entende
Essa é a terra-de-ninguém
E sei que devo resistir -
Eu quero a espada em minhas mãos
Sou metal - raio, relâmpago e trovão
Sou metal, eu sou o ouro em seu brasão
Sou metal: me sabe o sopro do dragão
Não me entrego sem lutar -
Tenho ainda coração
Não aprendi a me render
Que caia o inimigo então
IV
- Tudo passa, tudo passará
E nossa história não estará pelo avesso
Assim, sem final feliz
Teremos coisas bonitas para contar
E até lá, vamos viver
Temos muito ainda por fazer
Não olhe para trás -
Apenas começamos
O mundo começa agora -
Apenas começamos
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Roberto Pontes
Sutil Tecido de Sal e Concha
por Lúcia Helena
Acabo de ler o livro de Robeto Pontes, e a associação que de pronto me ocorre remete-me ao conceito que a Psicanálise tem formulado sobre o texto literário: "escrever é evitar o assassinato do desejo". E se o homem é este ser desejante, espécie de Prometeu acorrentado, de Sísifo que continuamente se debate com a perda de si e do outro, esta associação me ocorre em relação ao texto de Roberto porque ele, de modo explícito, se realiza em consonância com a perspectiva estético-histórica, o amor cortês, no qual o lirismo é tematizado como manifestação do desejo nas suas múltiplas formas: seja na do desejo de escrever sobre o desejo, seja no de viver o desejo como escrita que o perpetua e resgata. Aliás, estas duas perspectivas se interrelacionam e alternam ao longo do livro, num marcante traço erótico. E não seria excessivo afirmar que a personagem central deste texto "desejante" é Eros, captado em todos os seus poros e latências.
Cada poema de Memória Corporal, livro em que até no título se tematiza a palavra se fazendo carne, reafirma incessantemente o ato de amor, através de expressivas e reiteradas metáforas, nas quais a poesia e o ato de escrever se confundem com o ato de fazer amor, num gesto múltiplo de que participam: a natureza, o amante e o objeto amado.
Surpreende-nos a riqueza e simbiose de elementos que a natureza captada pelo poeta congrega, principalmente marinhos: "Nessas águas de sal marinho/ há cogumelos, enguias, hipocampos/ nenúfares, ventosas e anêmonas" ("Há Solstício Tropical"). A natureza ora se manifesta participante, à maneira das canções de amigo, em que as personagens e o amor aderem ao cenário, chegando a ganhar suas espécies o nome da paisagem em que decorre tanto a espera quanto o encontro ou a realização do amor. Ora se torna confidente, à maneira dos românticos, em que a ambiência tende ao lunar, ao silêncio, ao melancólico; ora, ainda, se mostra contundente, ao remeter, de modo inesperado, a correlações semânticas que instalam uma carga corrosiva, através das quais marca-se uma ruptura com o clima idílico predominante na obra: "Nos teus colares de coral rochoso/ os sátiros fecundam salamandras/ e entre moluscos de anemia e cloro/ ejaculo gasolina incendiária." ("Há Solstício Tropical").
As personagens – tanto o amante como seu objeto amado – são apresentadas com tal capacidade de metamorfose que, a todo momento, a personagem masculina, como "fauno" de inesgotável sensualidade, se transforma em objetos fálicos, através dos quais se desloca o significante ( a "marca" do desejo ) que percorre e constitui o verbo lírico: flechas, girassóis de amianto, dedos de aço e lua, dedos de sol e ferro – são algumas das "máscaras" poéticas desse Eros irrequieto que celebra o amor e tem sabor de sal. E sua "ninfa" metamorfoseia-se em pétala, terra, água e concha, no que o poeta retoma a imagem da flor-mulher, tão cara aos líricos, e os mitos do elemento fecundável, quer seja a terra a salgar, já que o amante é sal; quer seja a da concha do mar, que ao sal também converge: "Tu me dirás que sou forte/ e tenho sabor de sal/ (...) / Eu te direi que és lisa/ e polida como uma concha" ("Este Nosso Encantamento").
E porque o texto se faz porta-voz de Eros, o desejo a todo instante também se metamorfoseia e desloca, transmudado em pássaro, gaivota, corda que vibra, corcel, raio e punhal – ao se referir à amada, numa sugestão de atividade/passividade, penetração/profundidade, na qual se expressa, de modo icônico, um determinado conceito da sexualidade masculina/feminina. Eis, então, que a mulher é apresentada, no texto, como motivo de desejo, impulsionada pela latência e espera, e o homem como o gesto que emite aquele que se apossa: "Passa por mim a sensação da posse/ que me atormenta e dói como um segredo/ e vem com os passos de animal ferido/ nas vísceras, nos nervos e no peito" ("Poema da Posse"); ou ainda: "e agora, ouve, / cantarei assim: / lábios de maçã suave,/ mãos próprias e cabíveis nas minhas,/ eu sou a fúria que desfecha golpes,/ eu sou aquele que conhece os prazeres" ("Faltando Leite, Faltando Pão").
Desde "Cinco Prelúdios" até "Epitáfio", respectivamente o primeiro e o último poemas do livro, os temas da fecundação e da cópula se anunciam e tomam a forma da imagem de um sonho circular, no qual uma pétala é engravidada pelo pingo morno que lhe afoga o ventre e se faz "liberto, líquido, livre", ao acender-se a chama do amor pelos dedos da amiga, que lampejam na noite fria. Se isto é o que se tematiza no primeiro poema, que dá ensejo à abertura do ciclo da fecundação amorosa, no último texto – discurso da memória que flui – há o desdobramento final do ciclo que evolui ao longo do livro, e "Aqui jaz o amor um dia dito". E, com resta morto o amor, cabe à palavra poética resgatá-lo.
Este ciclo – fecundação/paixão/morte/resgate – do amor justifica o título da obra: Memória Corporal, além de explicitar o sentido que o poeta atribui ao termo memória. Este é apresentado, no texto de Roberto Pontes, como uma tentativa de se apreender, surpreender e suspender o tempo. Memória como instância que torna possível ao homem resgatar, do círculo inexorável e destrutivo de vida/morte, tanto o sentimento quanto as coisas. Como se a poesia, fazendo-se na cumplicidade com a memória, se tornasse uma "verdade indestrutível" e perpetuasse, para além de Cronos, a viagem de Eros.
Uma viagem lírica, em que a beleza do efeito rítmico-sonoro a todo momento nos relembra as melhores realizações da poesia lírica, dos cancioneiros ao hoje. Uma viagem de sensibilidade que nos penetra mansamente, à maneira do amor, e outras vezes avidamente, à maneira da paixão.
Esta obra do poeta cearense Roberto Pontes, que tece o amor no traço do homem e do nome, se apresenta como uma das melhores realizações da poesia lírica contemporânea. E, acredito e desejo, ocupará seu lugar.
LÚCIA HELENA é Mestre em Teoria Literária e Doutora em Letras
pela UFRJ. Professora de Literatura da Universidade Federal
Fluminense e de Teoria da Literatura na UFRJ. Professora
conferencista nas Universidades de Lisboa (Portugal),
Pavia e Bérgamo (Itália). Ensaísta e crítica literária tem
colaborado com publicações especializadas, entre as quais:
revista Colóquio/Letras (Portugal); Revista de Cultura Vozes
Petróplis/RJ) e Revista Tempo Brasileiro (RJ). É autora de
A Cosmo-Agonia de Augusto dos Anjos (Rio de Janeiro: Tempo Brasileiro),
Uma Literatura Antropofágica (Rio de Janeiro/Brasília: Cátedra/INL, 1982)
e Modernismo Brasileiro e Vanguarda (São Paulo: Ática, 1996).
Acabo de ler o livro de Robeto Pontes, e a associação que de pronto me ocorre remete-me ao conceito que a Psicanálise tem formulado sobre o texto literário: "escrever é evitar o assassinato do desejo". E se o homem é este ser desejante, espécie de Prometeu acorrentado, de Sísifo que continuamente se debate com a perda de si e do outro, esta associação me ocorre em relação ao texto de Roberto porque ele, de modo explícito, se realiza em consonância com a perspectiva estético-histórica, o amor cortês, no qual o lirismo é tematizado como manifestação do desejo nas suas múltiplas formas: seja na do desejo de escrever sobre o desejo, seja no de viver o desejo como escrita que o perpetua e resgata. Aliás, estas duas perspectivas se interrelacionam e alternam ao longo do livro, num marcante traço erótico. E não seria excessivo afirmar que a personagem central deste texto "desejante" é Eros, captado em todos os seus poros e latências.
Cada poema de Memória Corporal, livro em que até no título se tematiza a palavra se fazendo carne, reafirma incessantemente o ato de amor, através de expressivas e reiteradas metáforas, nas quais a poesia e o ato de escrever se confundem com o ato de fazer amor, num gesto múltiplo de que participam: a natureza, o amante e o objeto amado.
Surpreende-nos a riqueza e simbiose de elementos que a natureza captada pelo poeta congrega, principalmente marinhos: "Nessas águas de sal marinho/ há cogumelos, enguias, hipocampos/ nenúfares, ventosas e anêmonas" ("Há Solstício Tropical"). A natureza ora se manifesta participante, à maneira das canções de amigo, em que as personagens e o amor aderem ao cenário, chegando a ganhar suas espécies o nome da paisagem em que decorre tanto a espera quanto o encontro ou a realização do amor. Ora se torna confidente, à maneira dos românticos, em que a ambiência tende ao lunar, ao silêncio, ao melancólico; ora, ainda, se mostra contundente, ao remeter, de modo inesperado, a correlações semânticas que instalam uma carga corrosiva, através das quais marca-se uma ruptura com o clima idílico predominante na obra: "Nos teus colares de coral rochoso/ os sátiros fecundam salamandras/ e entre moluscos de anemia e cloro/ ejaculo gasolina incendiária." ("Há Solstício Tropical").
As personagens – tanto o amante como seu objeto amado – são apresentadas com tal capacidade de metamorfose que, a todo momento, a personagem masculina, como "fauno" de inesgotável sensualidade, se transforma em objetos fálicos, através dos quais se desloca o significante ( a "marca" do desejo ) que percorre e constitui o verbo lírico: flechas, girassóis de amianto, dedos de aço e lua, dedos de sol e ferro – são algumas das "máscaras" poéticas desse Eros irrequieto que celebra o amor e tem sabor de sal. E sua "ninfa" metamorfoseia-se em pétala, terra, água e concha, no que o poeta retoma a imagem da flor-mulher, tão cara aos líricos, e os mitos do elemento fecundável, quer seja a terra a salgar, já que o amante é sal; quer seja a da concha do mar, que ao sal também converge: "Tu me dirás que sou forte/ e tenho sabor de sal/ (...) / Eu te direi que és lisa/ e polida como uma concha" ("Este Nosso Encantamento").
E porque o texto se faz porta-voz de Eros, o desejo a todo instante também se metamorfoseia e desloca, transmudado em pássaro, gaivota, corda que vibra, corcel, raio e punhal – ao se referir à amada, numa sugestão de atividade/passividade, penetração/profundidade, na qual se expressa, de modo icônico, um determinado conceito da sexualidade masculina/feminina. Eis, então, que a mulher é apresentada, no texto, como motivo de desejo, impulsionada pela latência e espera, e o homem como o gesto que emite aquele que se apossa: "Passa por mim a sensação da posse/ que me atormenta e dói como um segredo/ e vem com os passos de animal ferido/ nas vísceras, nos nervos e no peito" ("Poema da Posse"); ou ainda: "e agora, ouve, / cantarei assim: / lábios de maçã suave,/ mãos próprias e cabíveis nas minhas,/ eu sou a fúria que desfecha golpes,/ eu sou aquele que conhece os prazeres" ("Faltando Leite, Faltando Pão").
Desde "Cinco Prelúdios" até "Epitáfio", respectivamente o primeiro e o último poemas do livro, os temas da fecundação e da cópula se anunciam e tomam a forma da imagem de um sonho circular, no qual uma pétala é engravidada pelo pingo morno que lhe afoga o ventre e se faz "liberto, líquido, livre", ao acender-se a chama do amor pelos dedos da amiga, que lampejam na noite fria. Se isto é o que se tematiza no primeiro poema, que dá ensejo à abertura do ciclo da fecundação amorosa, no último texto – discurso da memória que flui – há o desdobramento final do ciclo que evolui ao longo do livro, e "Aqui jaz o amor um dia dito". E, com resta morto o amor, cabe à palavra poética resgatá-lo.
Este ciclo – fecundação/paixão/morte/resgate – do amor justifica o título da obra: Memória Corporal, além de explicitar o sentido que o poeta atribui ao termo memória. Este é apresentado, no texto de Roberto Pontes, como uma tentativa de se apreender, surpreender e suspender o tempo. Memória como instância que torna possível ao homem resgatar, do círculo inexorável e destrutivo de vida/morte, tanto o sentimento quanto as coisas. Como se a poesia, fazendo-se na cumplicidade com a memória, se tornasse uma "verdade indestrutível" e perpetuasse, para além de Cronos, a viagem de Eros.
Uma viagem lírica, em que a beleza do efeito rítmico-sonoro a todo momento nos relembra as melhores realizações da poesia lírica, dos cancioneiros ao hoje. Uma viagem de sensibilidade que nos penetra mansamente, à maneira do amor, e outras vezes avidamente, à maneira da paixão.
Esta obra do poeta cearense Roberto Pontes, que tece o amor no traço do homem e do nome, se apresenta como uma das melhores realizações da poesia lírica contemporânea. E, acredito e desejo, ocupará seu lugar.
LÚCIA HELENA é Mestre em Teoria Literária e Doutora em Letras
pela UFRJ. Professora de Literatura da Universidade Federal
Fluminense e de Teoria da Literatura na UFRJ. Professora
conferencista nas Universidades de Lisboa (Portugal),
Pavia e Bérgamo (Itália). Ensaísta e crítica literária tem
colaborado com publicações especializadas, entre as quais:
revista Colóquio/Letras (Portugal); Revista de Cultura Vozes
Petróplis/RJ) e Revista Tempo Brasileiro (RJ). É autora de
A Cosmo-Agonia de Augusto dos Anjos (Rio de Janeiro: Tempo Brasileiro),
Uma Literatura Antropofágica (Rio de Janeiro/Brasília: Cátedra/INL, 1982)
e Modernismo Brasileiro e Vanguarda (São Paulo: Ática, 1996).
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