Poemas neste tema
Vida e Existência
Charles Bukowski
Match Point
li no jornal que uma velha senhora de 72 anos estrangulou seu
marido de 91 anos com a
gravata dele.
ela disse que a diferença de idade era
insuportável e acrescentou que
quando eles se conheceram em uma quadra de tênis 30 anos
atrás
a diferença de idade não havia parecido
importante.
parece que estive seriamente em perigo
pelo menos meia dúzia de vezes
nos últimos 25 anos, mais ou menos, e ainda
estou.
só há uma única gravata em meu
armário, eu a comprei para ir a um enterro
não faz muito tempo,
mas nunca joguei
tênis e não pretendo
tentar.
marido de 91 anos com a
gravata dele.
ela disse que a diferença de idade era
insuportável e acrescentou que
quando eles se conheceram em uma quadra de tênis 30 anos
atrás
a diferença de idade não havia parecido
importante.
parece que estive seriamente em perigo
pelo menos meia dúzia de vezes
nos últimos 25 anos, mais ou menos, e ainda
estou.
só há uma única gravata em meu
armário, eu a comprei para ir a um enterro
não faz muito tempo,
mas nunca joguei
tênis e não pretendo
tentar.
715
Charles Bukowski
Match Point
li no jornal que uma velha senhora de 72 anos estrangulou seu
marido de 91 anos com a
gravata dele.
ela disse que a diferença de idade era
insuportável e acrescentou que
quando eles se conheceram em uma quadra de tênis 30 anos
atrás
a diferença de idade não havia parecido
importante.
parece que estive seriamente em perigo
pelo menos meia dúzia de vezes
nos últimos 25 anos, mais ou menos, e ainda
estou.
só há uma única gravata em meu
armário, eu a comprei para ir a um enterro
não faz muito tempo,
mas nunca joguei
tênis e não pretendo
tentar.
marido de 91 anos com a
gravata dele.
ela disse que a diferença de idade era
insuportável e acrescentou que
quando eles se conheceram em uma quadra de tênis 30 anos
atrás
a diferença de idade não havia parecido
importante.
parece que estive seriamente em perigo
pelo menos meia dúzia de vezes
nos últimos 25 anos, mais ou menos, e ainda
estou.
só há uma única gravata em meu
armário, eu a comprei para ir a um enterro
não faz muito tempo,
mas nunca joguei
tênis e não pretendo
tentar.
715
Charles Bukowski
Dois Tipos de Inferno
frequentei o mesmo bar por 7 anos, das 6 da manhã
até as 2 da madrugada.
às vezes eu não me lembrava de haver voltado
para meu quarto.
era como se eu ficasse sentado naquela banqueta do bar
continuamente.
eu não tinha dinheiro mas de algum modo os drinques iam
chegando.
eu não era o palhaço do bar mas sim o
louco do bar.
mas com frequência um louco pode encontrar alguém ainda mais
louco para
lhe oferecer bebidas.
afortunadamente,
era um lugar
cheio de gente.
mas eu tinha um objetivo: eu estava esperando que
algo extraordinário
acontecesse.
mas enquanto os anos se passavam à deriva
nada acontecia a não ser que eu
provocasse.
um espelho de bar quebrado, uma luta com um gigante
de mais de dois metros, um flerte com uma lésbica,
a habilidade de dar nome aos bois e de
resolver discussões que eu não havia
começado etc.
um dia eu simplesmente me levantei e caí fora.
simples assim.
e quando comecei a beber sozinho achei minha própria companhia
mais que satisfatória.
então, como se os deuses estivessem chateados por minha paz de
espírito, as mulheres começaram a bater à minha porta.
os deuses estavam mandando mulheres para o
louco!
as mulheres chegavam uma por vez e quando uma ia embora
os deuses imediatamente - sem dar nenhuma folga - me mandavam
outra.
e cada uma delas parecia à primeira vista ser um milagre renovado, mas
então tudo
que à primeira vista parecia maravilhoso acabava
mal.
minha culpa, é claro, era o que elas habitualmente me
diziam
os deuses simplesmente não deixarão um homem beber sozinho; eles têm
ciúmes dos
prazeres simples; assim eles mandam que uma mulher vá
bater em sua porta.
lembro todos aqueles hotéis baratos; era como se todas as mulheres
fossem uma; a primeira batida delicada na madeira e então,
"oh, ouvi você tocando aquela música adorável em seu rádio. somos
vizinhos. moro aqui no 603 mas nunca o vi
no saguão antes!"
"entre?
e lá se foi sua reclusão.
você também se lembra da vez em que
subiu atrás do gigante de 2 metros e derrubou seu
chapéu de caubói, berrando,
"aposto que você é alto demais para chupar os
peitos da sua mãe!"
e alguém no bar dizendo, "ei, senhor, esqueça, ele é um caso
psiquiátrico, é um chato, ele não sabe o que está
dizendo!"
"sei EXATAMENTE o que eu estou dizendo e vou dizer de novo,
"aposto que você é alto demais...""
ele ganhou a briga mas você não morreu, não do modo como você
morreu por dentro depois
de os deuses arranjarem para que todas aquelas mulheres viessem bater à
sua porta.
a troca de socos foi mais justa: ele era lento, estúpido e estava até um
pouco
assustado e a batalha foi a seu favor por algum tempo
do mesmo modo como aconteceu no começo com aquelas mulheres que
os deuses
lhe mandaram.
a diferença sendo, eu resolvi, que ao menos tive uma chance com as
mulheres.
até as 2 da madrugada.
às vezes eu não me lembrava de haver voltado
para meu quarto.
era como se eu ficasse sentado naquela banqueta do bar
continuamente.
eu não tinha dinheiro mas de algum modo os drinques iam
chegando.
eu não era o palhaço do bar mas sim o
louco do bar.
mas com frequência um louco pode encontrar alguém ainda mais
louco para
lhe oferecer bebidas.
afortunadamente,
era um lugar
cheio de gente.
mas eu tinha um objetivo: eu estava esperando que
algo extraordinário
acontecesse.
mas enquanto os anos se passavam à deriva
nada acontecia a não ser que eu
provocasse.
um espelho de bar quebrado, uma luta com um gigante
de mais de dois metros, um flerte com uma lésbica,
a habilidade de dar nome aos bois e de
resolver discussões que eu não havia
começado etc.
um dia eu simplesmente me levantei e caí fora.
simples assim.
e quando comecei a beber sozinho achei minha própria companhia
mais que satisfatória.
então, como se os deuses estivessem chateados por minha paz de
espírito, as mulheres começaram a bater à minha porta.
os deuses estavam mandando mulheres para o
louco!
as mulheres chegavam uma por vez e quando uma ia embora
os deuses imediatamente - sem dar nenhuma folga - me mandavam
outra.
e cada uma delas parecia à primeira vista ser um milagre renovado, mas
então tudo
que à primeira vista parecia maravilhoso acabava
mal.
minha culpa, é claro, era o que elas habitualmente me
diziam
os deuses simplesmente não deixarão um homem beber sozinho; eles têm
ciúmes dos
prazeres simples; assim eles mandam que uma mulher vá
bater em sua porta.
lembro todos aqueles hotéis baratos; era como se todas as mulheres
fossem uma; a primeira batida delicada na madeira e então,
"oh, ouvi você tocando aquela música adorável em seu rádio. somos
vizinhos. moro aqui no 603 mas nunca o vi
no saguão antes!"
"entre?
e lá se foi sua reclusão.
você também se lembra da vez em que
subiu atrás do gigante de 2 metros e derrubou seu
chapéu de caubói, berrando,
"aposto que você é alto demais para chupar os
peitos da sua mãe!"
e alguém no bar dizendo, "ei, senhor, esqueça, ele é um caso
psiquiátrico, é um chato, ele não sabe o que está
dizendo!"
"sei EXATAMENTE o que eu estou dizendo e vou dizer de novo,
"aposto que você é alto demais...""
ele ganhou a briga mas você não morreu, não do modo como você
morreu por dentro depois
de os deuses arranjarem para que todas aquelas mulheres viessem bater à
sua porta.
a troca de socos foi mais justa: ele era lento, estúpido e estava até um
pouco
assustado e a batalha foi a seu favor por algum tempo
do mesmo modo como aconteceu no começo com aquelas mulheres que
os deuses
lhe mandaram.
a diferença sendo, eu resolvi, que ao menos tive uma chance com as
mulheres.
1 270
Charles Bukowski
Dois Tipos de Inferno
frequentei o mesmo bar por 7 anos, das 6 da manhã
até as 2 da madrugada.
às vezes eu não me lembrava de haver voltado
para meu quarto.
era como se eu ficasse sentado naquela banqueta do bar
continuamente.
eu não tinha dinheiro mas de algum modo os drinques iam
chegando.
eu não era o palhaço do bar mas sim o
louco do bar.
mas com frequência um louco pode encontrar alguém ainda mais
louco para
lhe oferecer bebidas.
afortunadamente,
era um lugar
cheio de gente.
mas eu tinha um objetivo: eu estava esperando que
algo extraordinário
acontecesse.
mas enquanto os anos se passavam à deriva
nada acontecia a não ser que eu
provocasse.
um espelho de bar quebrado, uma luta com um gigante
de mais de dois metros, um flerte com uma lésbica,
a habilidade de dar nome aos bois e de
resolver discussões que eu não havia
começado etc.
um dia eu simplesmente me levantei e caí fora.
simples assim.
e quando comecei a beber sozinho achei minha própria companhia
mais que satisfatória.
então, como se os deuses estivessem chateados por minha paz de
espírito, as mulheres começaram a bater à minha porta.
os deuses estavam mandando mulheres para o
louco!
as mulheres chegavam uma por vez e quando uma ia embora
os deuses imediatamente - sem dar nenhuma folga - me mandavam
outra.
e cada uma delas parecia à primeira vista ser um milagre renovado, mas
então tudo
que à primeira vista parecia maravilhoso acabava
mal.
minha culpa, é claro, era o que elas habitualmente me
diziam
os deuses simplesmente não deixarão um homem beber sozinho; eles têm
ciúmes dos
prazeres simples; assim eles mandam que uma mulher vá
bater em sua porta.
lembro todos aqueles hotéis baratos; era como se todas as mulheres
fossem uma; a primeira batida delicada na madeira e então,
"oh, ouvi você tocando aquela música adorável em seu rádio. somos
vizinhos. moro aqui no 603 mas nunca o vi
no saguão antes!"
"entre?
e lá se foi sua reclusão.
você também se lembra da vez em que
subiu atrás do gigante de 2 metros e derrubou seu
chapéu de caubói, berrando,
"aposto que você é alto demais para chupar os
peitos da sua mãe!"
e alguém no bar dizendo, "ei, senhor, esqueça, ele é um caso
psiquiátrico, é um chato, ele não sabe o que está
dizendo!"
"sei EXATAMENTE o que eu estou dizendo e vou dizer de novo,
"aposto que você é alto demais...""
ele ganhou a briga mas você não morreu, não do modo como você
morreu por dentro depois
de os deuses arranjarem para que todas aquelas mulheres viessem bater à
sua porta.
a troca de socos foi mais justa: ele era lento, estúpido e estava até um
pouco
assustado e a batalha foi a seu favor por algum tempo
do mesmo modo como aconteceu no começo com aquelas mulheres que
os deuses
lhe mandaram.
a diferença sendo, eu resolvi, que ao menos tive uma chance com as
mulheres.
até as 2 da madrugada.
às vezes eu não me lembrava de haver voltado
para meu quarto.
era como se eu ficasse sentado naquela banqueta do bar
continuamente.
eu não tinha dinheiro mas de algum modo os drinques iam
chegando.
eu não era o palhaço do bar mas sim o
louco do bar.
mas com frequência um louco pode encontrar alguém ainda mais
louco para
lhe oferecer bebidas.
afortunadamente,
era um lugar
cheio de gente.
mas eu tinha um objetivo: eu estava esperando que
algo extraordinário
acontecesse.
mas enquanto os anos se passavam à deriva
nada acontecia a não ser que eu
provocasse.
um espelho de bar quebrado, uma luta com um gigante
de mais de dois metros, um flerte com uma lésbica,
a habilidade de dar nome aos bois e de
resolver discussões que eu não havia
começado etc.
um dia eu simplesmente me levantei e caí fora.
simples assim.
e quando comecei a beber sozinho achei minha própria companhia
mais que satisfatória.
então, como se os deuses estivessem chateados por minha paz de
espírito, as mulheres começaram a bater à minha porta.
os deuses estavam mandando mulheres para o
louco!
as mulheres chegavam uma por vez e quando uma ia embora
os deuses imediatamente - sem dar nenhuma folga - me mandavam
outra.
e cada uma delas parecia à primeira vista ser um milagre renovado, mas
então tudo
que à primeira vista parecia maravilhoso acabava
mal.
minha culpa, é claro, era o que elas habitualmente me
diziam
os deuses simplesmente não deixarão um homem beber sozinho; eles têm
ciúmes dos
prazeres simples; assim eles mandam que uma mulher vá
bater em sua porta.
lembro todos aqueles hotéis baratos; era como se todas as mulheres
fossem uma; a primeira batida delicada na madeira e então,
"oh, ouvi você tocando aquela música adorável em seu rádio. somos
vizinhos. moro aqui no 603 mas nunca o vi
no saguão antes!"
"entre?
e lá se foi sua reclusão.
você também se lembra da vez em que
subiu atrás do gigante de 2 metros e derrubou seu
chapéu de caubói, berrando,
"aposto que você é alto demais para chupar os
peitos da sua mãe!"
e alguém no bar dizendo, "ei, senhor, esqueça, ele é um caso
psiquiátrico, é um chato, ele não sabe o que está
dizendo!"
"sei EXATAMENTE o que eu estou dizendo e vou dizer de novo,
"aposto que você é alto demais...""
ele ganhou a briga mas você não morreu, não do modo como você
morreu por dentro depois
de os deuses arranjarem para que todas aquelas mulheres viessem bater à
sua porta.
a troca de socos foi mais justa: ele era lento, estúpido e estava até um
pouco
assustado e a batalha foi a seu favor por algum tempo
do mesmo modo como aconteceu no começo com aquelas mulheres que
os deuses
lhe mandaram.
a diferença sendo, eu resolvi, que ao menos tive uma chance com as
mulheres.
1 270
Charles Bukowski
Dois Tipos de Inferno
frequentei o mesmo bar por 7 anos, das 6 da manhã
até as 2 da madrugada.
às vezes eu não me lembrava de haver voltado
para meu quarto.
era como se eu ficasse sentado naquela banqueta do bar
continuamente.
eu não tinha dinheiro mas de algum modo os drinques iam
chegando.
eu não era o palhaço do bar mas sim o
louco do bar.
mas com frequência um louco pode encontrar alguém ainda mais
louco para
lhe oferecer bebidas.
afortunadamente,
era um lugar
cheio de gente.
mas eu tinha um objetivo: eu estava esperando que
algo extraordinário
acontecesse.
mas enquanto os anos se passavam à deriva
nada acontecia a não ser que eu
provocasse.
um espelho de bar quebrado, uma luta com um gigante
de mais de dois metros, um flerte com uma lésbica,
a habilidade de dar nome aos bois e de
resolver discussões que eu não havia
começado etc.
um dia eu simplesmente me levantei e caí fora.
simples assim.
e quando comecei a beber sozinho achei minha própria companhia
mais que satisfatória.
então, como se os deuses estivessem chateados por minha paz de
espírito, as mulheres começaram a bater à minha porta.
os deuses estavam mandando mulheres para o
louco!
as mulheres chegavam uma por vez e quando uma ia embora
os deuses imediatamente - sem dar nenhuma folga - me mandavam
outra.
e cada uma delas parecia à primeira vista ser um milagre renovado, mas
então tudo
que à primeira vista parecia maravilhoso acabava
mal.
minha culpa, é claro, era o que elas habitualmente me
diziam
os deuses simplesmente não deixarão um homem beber sozinho; eles têm
ciúmes dos
prazeres simples; assim eles mandam que uma mulher vá
bater em sua porta.
lembro todos aqueles hotéis baratos; era como se todas as mulheres
fossem uma; a primeira batida delicada na madeira e então,
"oh, ouvi você tocando aquela música adorável em seu rádio. somos
vizinhos. moro aqui no 603 mas nunca o vi
no saguão antes!"
"entre?
e lá se foi sua reclusão.
você também se lembra da vez em que
subiu atrás do gigante de 2 metros e derrubou seu
chapéu de caubói, berrando,
"aposto que você é alto demais para chupar os
peitos da sua mãe!"
e alguém no bar dizendo, "ei, senhor, esqueça, ele é um caso
psiquiátrico, é um chato, ele não sabe o que está
dizendo!"
"sei EXATAMENTE o que eu estou dizendo e vou dizer de novo,
"aposto que você é alto demais...""
ele ganhou a briga mas você não morreu, não do modo como você
morreu por dentro depois
de os deuses arranjarem para que todas aquelas mulheres viessem bater à
sua porta.
a troca de socos foi mais justa: ele era lento, estúpido e estava até um
pouco
assustado e a batalha foi a seu favor por algum tempo
do mesmo modo como aconteceu no começo com aquelas mulheres que
os deuses
lhe mandaram.
a diferença sendo, eu resolvi, que ao menos tive uma chance com as
mulheres.
até as 2 da madrugada.
às vezes eu não me lembrava de haver voltado
para meu quarto.
era como se eu ficasse sentado naquela banqueta do bar
continuamente.
eu não tinha dinheiro mas de algum modo os drinques iam
chegando.
eu não era o palhaço do bar mas sim o
louco do bar.
mas com frequência um louco pode encontrar alguém ainda mais
louco para
lhe oferecer bebidas.
afortunadamente,
era um lugar
cheio de gente.
mas eu tinha um objetivo: eu estava esperando que
algo extraordinário
acontecesse.
mas enquanto os anos se passavam à deriva
nada acontecia a não ser que eu
provocasse.
um espelho de bar quebrado, uma luta com um gigante
de mais de dois metros, um flerte com uma lésbica,
a habilidade de dar nome aos bois e de
resolver discussões que eu não havia
começado etc.
um dia eu simplesmente me levantei e caí fora.
simples assim.
e quando comecei a beber sozinho achei minha própria companhia
mais que satisfatória.
então, como se os deuses estivessem chateados por minha paz de
espírito, as mulheres começaram a bater à minha porta.
os deuses estavam mandando mulheres para o
louco!
as mulheres chegavam uma por vez e quando uma ia embora
os deuses imediatamente - sem dar nenhuma folga - me mandavam
outra.
e cada uma delas parecia à primeira vista ser um milagre renovado, mas
então tudo
que à primeira vista parecia maravilhoso acabava
mal.
minha culpa, é claro, era o que elas habitualmente me
diziam
os deuses simplesmente não deixarão um homem beber sozinho; eles têm
ciúmes dos
prazeres simples; assim eles mandam que uma mulher vá
bater em sua porta.
lembro todos aqueles hotéis baratos; era como se todas as mulheres
fossem uma; a primeira batida delicada na madeira e então,
"oh, ouvi você tocando aquela música adorável em seu rádio. somos
vizinhos. moro aqui no 603 mas nunca o vi
no saguão antes!"
"entre?
e lá se foi sua reclusão.
você também se lembra da vez em que
subiu atrás do gigante de 2 metros e derrubou seu
chapéu de caubói, berrando,
"aposto que você é alto demais para chupar os
peitos da sua mãe!"
e alguém no bar dizendo, "ei, senhor, esqueça, ele é um caso
psiquiátrico, é um chato, ele não sabe o que está
dizendo!"
"sei EXATAMENTE o que eu estou dizendo e vou dizer de novo,
"aposto que você é alto demais...""
ele ganhou a briga mas você não morreu, não do modo como você
morreu por dentro depois
de os deuses arranjarem para que todas aquelas mulheres viessem bater à
sua porta.
a troca de socos foi mais justa: ele era lento, estúpido e estava até um
pouco
assustado e a batalha foi a seu favor por algum tempo
do mesmo modo como aconteceu no começo com aquelas mulheres que
os deuses
lhe mandaram.
a diferença sendo, eu resolvi, que ao menos tive uma chance com as
mulheres.
1 270
Charles Bukowski
Canção de Amor Para a Mulher Que Vi Quarta-feira Nas Pistas De Corrida
lembrando Savannah 20 anos atrás
uma cama com dossel
e ruas cheias de capacetes e caçadores
coisas que fiz então
deixaram marcas;
ha ha, diz você,
mas elas voltam vivas enquanto compro pão
ou amarro o cadarço do sapato
e pouco importa
exceto que dá certo para mim
assim como as pernas daquela mulher deram certo para mim
assim como o sol dá certo para mim assim como dá certo para o cacto
e assim como você dá certo para mim
lendo este poema.
e as pernas daquela mulher caminham
enquanto as observo
e os cavalos na próxima corrida
e as montanhas ficam lá
observando
marcas e pernas de uma mulher
pule de 10 no número seis na ponta
e para longe no oceano
ou parado no parque
como uma estátua
eu a vejo
caminhando.
cavalos parados por toda parte:
conchas como de Savannah em meus bolsos:
eu amei você mulher
com certeza assim como eu a nomeei
ferrugem e areia e nylon.
você deu certo para mim
coisa selvagem.
uma cama com dossel
e ruas cheias de capacetes e caçadores
coisas que fiz então
deixaram marcas;
ha ha, diz você,
mas elas voltam vivas enquanto compro pão
ou amarro o cadarço do sapato
e pouco importa
exceto que dá certo para mim
assim como as pernas daquela mulher deram certo para mim
assim como o sol dá certo para mim assim como dá certo para o cacto
e assim como você dá certo para mim
lendo este poema.
e as pernas daquela mulher caminham
enquanto as observo
e os cavalos na próxima corrida
e as montanhas ficam lá
observando
marcas e pernas de uma mulher
pule de 10 no número seis na ponta
e para longe no oceano
ou parado no parque
como uma estátua
eu a vejo
caminhando.
cavalos parados por toda parte:
conchas como de Savannah em meus bolsos:
eu amei você mulher
com certeza assim como eu a nomeei
ferrugem e areia e nylon.
você deu certo para mim
coisa selvagem.
1 123
Charles Bukowski
Canção de Amor Para a Mulher Que Vi Quarta-feira Nas Pistas De Corrida
lembrando Savannah 20 anos atrás
uma cama com dossel
e ruas cheias de capacetes e caçadores
coisas que fiz então
deixaram marcas;
ha ha, diz você,
mas elas voltam vivas enquanto compro pão
ou amarro o cadarço do sapato
e pouco importa
exceto que dá certo para mim
assim como as pernas daquela mulher deram certo para mim
assim como o sol dá certo para mim assim como dá certo para o cacto
e assim como você dá certo para mim
lendo este poema.
e as pernas daquela mulher caminham
enquanto as observo
e os cavalos na próxima corrida
e as montanhas ficam lá
observando
marcas e pernas de uma mulher
pule de 10 no número seis na ponta
e para longe no oceano
ou parado no parque
como uma estátua
eu a vejo
caminhando.
cavalos parados por toda parte:
conchas como de Savannah em meus bolsos:
eu amei você mulher
com certeza assim como eu a nomeei
ferrugem e areia e nylon.
você deu certo para mim
coisa selvagem.
uma cama com dossel
e ruas cheias de capacetes e caçadores
coisas que fiz então
deixaram marcas;
ha ha, diz você,
mas elas voltam vivas enquanto compro pão
ou amarro o cadarço do sapato
e pouco importa
exceto que dá certo para mim
assim como as pernas daquela mulher deram certo para mim
assim como o sol dá certo para mim assim como dá certo para o cacto
e assim como você dá certo para mim
lendo este poema.
e as pernas daquela mulher caminham
enquanto as observo
e os cavalos na próxima corrida
e as montanhas ficam lá
observando
marcas e pernas de uma mulher
pule de 10 no número seis na ponta
e para longe no oceano
ou parado no parque
como uma estátua
eu a vejo
caminhando.
cavalos parados por toda parte:
conchas como de Savannah em meus bolsos:
eu amei você mulher
com certeza assim como eu a nomeei
ferrugem e areia e nylon.
você deu certo para mim
coisa selvagem.
1 123
Charles Bukowski
Um Acordo Sobre Tchaikovsky
minhas duas pernas estão quebradas nos joelhos
e eu não posso mexer meu braço direito:
é primavera e os pássaros estão saltitando
para dentro e para fora dos arbustos
enlouquecendo os gatos.
meu bom amigo, Randy, frequenta os
sanitários para homens na pista de corridas
em busca de carteiras: garoto esperto:
se os pais dele fossem ricos
ele me diz que teria seguido
para Harvard.
ela fica tocando a 4a de Tchaikovsky,
aquela assim:
ka plunk plunk plunk plunk plunk;
não gosto
mas a velha senhora Rose
minha vizinha
na Casa de Repouso Sunset Park
acha que é
lindo.
todo mundo aqui é velho demais para usar
a quadra de tênis
há uma camada de pó em cima da coisa toda
e a rede é um emaranhado de fios rasgados.
a velha senhora Rose foi visitar seus filhos hoje -
isto é, eles vieram e a apanharam, o traste;
ela nem consegue andar
e suas pernas sequer estão quebradas -
ela não passa de um enfadonho
peido velho!
eu fui de cadeira de rodas há pouco até o quarto dela
e achei uma nota de 10 dólares dobrada bem
limpinha
e arrumadinha:
ela achava que ninguém a encontraria
dentro de um de seus velhos chinelos
mas eu estive rondando
e ela virá bater à minha porta esta noite
pedindo uma "pequena dose de scotch";
cara, toda essa besteira sobre as terras que ela COSTUMAVA
ter no Arizona e como seu marido COSTUMAVA
usar polainas e sair de bengala!
ele não precisa usar mais nada no lugar onde está agora;
e enquanto estive lá dentro
eu arrebentei a velha 4a de Tchaikovsky no braço de uma cadeira
quebrei-a para valer.
e a velha senhora Rose tinha razão:
soava maravilhosamente para mim:
qualquer coisa como
nozes quebrando.
e eu não posso mexer meu braço direito:
é primavera e os pássaros estão saltitando
para dentro e para fora dos arbustos
enlouquecendo os gatos.
meu bom amigo, Randy, frequenta os
sanitários para homens na pista de corridas
em busca de carteiras: garoto esperto:
se os pais dele fossem ricos
ele me diz que teria seguido
para Harvard.
ela fica tocando a 4a de Tchaikovsky,
aquela assim:
ka plunk plunk plunk plunk plunk;
não gosto
mas a velha senhora Rose
minha vizinha
na Casa de Repouso Sunset Park
acha que é
lindo.
todo mundo aqui é velho demais para usar
a quadra de tênis
há uma camada de pó em cima da coisa toda
e a rede é um emaranhado de fios rasgados.
a velha senhora Rose foi visitar seus filhos hoje -
isto é, eles vieram e a apanharam, o traste;
ela nem consegue andar
e suas pernas sequer estão quebradas -
ela não passa de um enfadonho
peido velho!
eu fui de cadeira de rodas há pouco até o quarto dela
e achei uma nota de 10 dólares dobrada bem
limpinha
e arrumadinha:
ela achava que ninguém a encontraria
dentro de um de seus velhos chinelos
mas eu estive rondando
e ela virá bater à minha porta esta noite
pedindo uma "pequena dose de scotch";
cara, toda essa besteira sobre as terras que ela COSTUMAVA
ter no Arizona e como seu marido COSTUMAVA
usar polainas e sair de bengala!
ele não precisa usar mais nada no lugar onde está agora;
e enquanto estive lá dentro
eu arrebentei a velha 4a de Tchaikovsky no braço de uma cadeira
quebrei-a para valer.
e a velha senhora Rose tinha razão:
soava maravilhosamente para mim:
qualquer coisa como
nozes quebrando.
1 128
Charles Bukowski
Um Antigo Amor
não lembro nossas idades:
devíamos ter entre 5 e 7,
havia essa menina na casa ao lado mais ou menos da minha idade.
lembro seu nome: Lila Jane.
e uma coisa ela fazia todo dia,
uma vez por dia, perguntava-me:
"você está pronto?"
e eu dizia que estava
e ela erguia a saia e
me mostrava suas calcinhas e elas eram
de uma cor diferente a cada dia.
várias décadas depois ela me achou de alguma maneira
e veio aqui com seu namorado
um cara que fumava cachimbo
e que havia lido meus livros
e ela cruzou suas longas e lindas pernas
bem alto
mas não alto o bastante para que eu visse as calcinhas.
e quando eles estavam para ir embora
eu lhe dei um abraço e
apertei a mão do seu namorado
e nunca mais a vi ou a ele
ou as calcinhas dela
alguma outra vez.
devíamos ter entre 5 e 7,
havia essa menina na casa ao lado mais ou menos da minha idade.
lembro seu nome: Lila Jane.
e uma coisa ela fazia todo dia,
uma vez por dia, perguntava-me:
"você está pronto?"
e eu dizia que estava
e ela erguia a saia e
me mostrava suas calcinhas e elas eram
de uma cor diferente a cada dia.
várias décadas depois ela me achou de alguma maneira
e veio aqui com seu namorado
um cara que fumava cachimbo
e que havia lido meus livros
e ela cruzou suas longas e lindas pernas
bem alto
mas não alto o bastante para que eu visse as calcinhas.
e quando eles estavam para ir embora
eu lhe dei um abraço e
apertei a mão do seu namorado
e nunca mais a vi ou a ele
ou as calcinhas dela
alguma outra vez.
1 100
Charles Bukowski
Um Antigo Amor
não lembro nossas idades:
devíamos ter entre 5 e 7,
havia essa menina na casa ao lado mais ou menos da minha idade.
lembro seu nome: Lila Jane.
e uma coisa ela fazia todo dia,
uma vez por dia, perguntava-me:
"você está pronto?"
e eu dizia que estava
e ela erguia a saia e
me mostrava suas calcinhas e elas eram
de uma cor diferente a cada dia.
várias décadas depois ela me achou de alguma maneira
e veio aqui com seu namorado
um cara que fumava cachimbo
e que havia lido meus livros
e ela cruzou suas longas e lindas pernas
bem alto
mas não alto o bastante para que eu visse as calcinhas.
e quando eles estavam para ir embora
eu lhe dei um abraço e
apertei a mão do seu namorado
e nunca mais a vi ou a ele
ou as calcinhas dela
alguma outra vez.
devíamos ter entre 5 e 7,
havia essa menina na casa ao lado mais ou menos da minha idade.
lembro seu nome: Lila Jane.
e uma coisa ela fazia todo dia,
uma vez por dia, perguntava-me:
"você está pronto?"
e eu dizia que estava
e ela erguia a saia e
me mostrava suas calcinhas e elas eram
de uma cor diferente a cada dia.
várias décadas depois ela me achou de alguma maneira
e veio aqui com seu namorado
um cara que fumava cachimbo
e que havia lido meus livros
e ela cruzou suas longas e lindas pernas
bem alto
mas não alto o bastante para que eu visse as calcinhas.
e quando eles estavam para ir embora
eu lhe dei um abraço e
apertei a mão do seu namorado
e nunca mais a vi ou a ele
ou as calcinhas dela
alguma outra vez.
1 100
Charles Bukowski
Um Antigo Amor
não lembro nossas idades:
devíamos ter entre 5 e 7,
havia essa menina na casa ao lado mais ou menos da minha idade.
lembro seu nome: Lila Jane.
e uma coisa ela fazia todo dia,
uma vez por dia, perguntava-me:
"você está pronto?"
e eu dizia que estava
e ela erguia a saia e
me mostrava suas calcinhas e elas eram
de uma cor diferente a cada dia.
várias décadas depois ela me achou de alguma maneira
e veio aqui com seu namorado
um cara que fumava cachimbo
e que havia lido meus livros
e ela cruzou suas longas e lindas pernas
bem alto
mas não alto o bastante para que eu visse as calcinhas.
e quando eles estavam para ir embora
eu lhe dei um abraço e
apertei a mão do seu namorado
e nunca mais a vi ou a ele
ou as calcinhas dela
alguma outra vez.
devíamos ter entre 5 e 7,
havia essa menina na casa ao lado mais ou menos da minha idade.
lembro seu nome: Lila Jane.
e uma coisa ela fazia todo dia,
uma vez por dia, perguntava-me:
"você está pronto?"
e eu dizia que estava
e ela erguia a saia e
me mostrava suas calcinhas e elas eram
de uma cor diferente a cada dia.
várias décadas depois ela me achou de alguma maneira
e veio aqui com seu namorado
um cara que fumava cachimbo
e que havia lido meus livros
e ela cruzou suas longas e lindas pernas
bem alto
mas não alto o bastante para que eu visse as calcinhas.
e quando eles estavam para ir embora
eu lhe dei um abraço e
apertei a mão do seu namorado
e nunca mais a vi ou a ele
ou as calcinhas dela
alguma outra vez.
1 100
Charles Bukowski
Licença Médica
aqui estou deitado de barriga para baixo, Hem está morto, Shake está
morto,
os peixes que pesquei e comi e caguei estão mortos
e o médico está martelando um tubo de vidro em meu rabo,
um tubo de vidro com uma luzinha no final,
e estou torcendo por um atestado médico
para mais 2 dias de licença
e o doutor faz o jogo direitinho: "você tem umas belezas aí,
você deveria ser cortado..." bem, os russos brancos costumavam
cavar um buraco em um homem e agarrar a ponta do seu intestino
e pregá-lo a uma árvore e em seguida obrigavam o homem a
correr dando voltas e voltas na árvore.
ele puxa o tubo de vidro para fora do meu rabo
e uma parte de mim vem junto
ele tem uma cara de castanha e quando sua enfermeira
se debruça (o que é frequente)
a bunda dela é como um travesseiro macio ou
uma rosquinha açucarada, nada de sangue, só nuvens,
e digo, "Doutor, acrescente um dia à licença médica,
posso sentir a dor até lá embaixo nos meus bagos..."
"com certeza," ele diz, "com certeza, eu conheço um monte de rapazes
da agência dos correios, todos bons rapazes."
em casa saco a tampa da garrafa
e tomo o primeiro gole da boa: chovia enquanto ele remexia em mim:
a chuva continua a luzir na janela
como moscas comendo sonhos,
e abro o boletim de apostas com meu polegar,
em seguida telefono para meu agente
"...dê-me 2 para Indian Blood,
5 na ponta para Lady Fanfare, 5 de placê em The Rage."
desligo e penso suavemente em Kafka
dormindo sob patas de esquilos
enquanto a senhora do outro lado do corredor canta para seu canário.
o amor se acendeu e se apagou
como um isqueiro
e agora o amor dela é um
pássaro.
é assim quando não acontece muita coisa
e você atua em um palco pequeno,
e eu espeto minha licença médica
sobre um dos meus velhos quadros
esfrego um pouco de unguento em meu rabo
e me sirvo de mais um drinque.
morto,
os peixes que pesquei e comi e caguei estão mortos
e o médico está martelando um tubo de vidro em meu rabo,
um tubo de vidro com uma luzinha no final,
e estou torcendo por um atestado médico
para mais 2 dias de licença
e o doutor faz o jogo direitinho: "você tem umas belezas aí,
você deveria ser cortado..." bem, os russos brancos costumavam
cavar um buraco em um homem e agarrar a ponta do seu intestino
e pregá-lo a uma árvore e em seguida obrigavam o homem a
correr dando voltas e voltas na árvore.
ele puxa o tubo de vidro para fora do meu rabo
e uma parte de mim vem junto
ele tem uma cara de castanha e quando sua enfermeira
se debruça (o que é frequente)
a bunda dela é como um travesseiro macio ou
uma rosquinha açucarada, nada de sangue, só nuvens,
e digo, "Doutor, acrescente um dia à licença médica,
posso sentir a dor até lá embaixo nos meus bagos..."
"com certeza," ele diz, "com certeza, eu conheço um monte de rapazes
da agência dos correios, todos bons rapazes."
em casa saco a tampa da garrafa
e tomo o primeiro gole da boa: chovia enquanto ele remexia em mim:
a chuva continua a luzir na janela
como moscas comendo sonhos,
e abro o boletim de apostas com meu polegar,
em seguida telefono para meu agente
"...dê-me 2 para Indian Blood,
5 na ponta para Lady Fanfare, 5 de placê em The Rage."
desligo e penso suavemente em Kafka
dormindo sob patas de esquilos
enquanto a senhora do outro lado do corredor canta para seu canário.
o amor se acendeu e se apagou
como um isqueiro
e agora o amor dela é um
pássaro.
é assim quando não acontece muita coisa
e você atua em um palco pequeno,
e eu espeto minha licença médica
sobre um dos meus velhos quadros
esfrego um pouco de unguento em meu rabo
e me sirvo de mais um drinque.
775
Charles Bukowski
Licença Médica
aqui estou deitado de barriga para baixo, Hem está morto, Shake está
morto,
os peixes que pesquei e comi e caguei estão mortos
e o médico está martelando um tubo de vidro em meu rabo,
um tubo de vidro com uma luzinha no final,
e estou torcendo por um atestado médico
para mais 2 dias de licença
e o doutor faz o jogo direitinho: "você tem umas belezas aí,
você deveria ser cortado..." bem, os russos brancos costumavam
cavar um buraco em um homem e agarrar a ponta do seu intestino
e pregá-lo a uma árvore e em seguida obrigavam o homem a
correr dando voltas e voltas na árvore.
ele puxa o tubo de vidro para fora do meu rabo
e uma parte de mim vem junto
ele tem uma cara de castanha e quando sua enfermeira
se debruça (o que é frequente)
a bunda dela é como um travesseiro macio ou
uma rosquinha açucarada, nada de sangue, só nuvens,
e digo, "Doutor, acrescente um dia à licença médica,
posso sentir a dor até lá embaixo nos meus bagos..."
"com certeza," ele diz, "com certeza, eu conheço um monte de rapazes
da agência dos correios, todos bons rapazes."
em casa saco a tampa da garrafa
e tomo o primeiro gole da boa: chovia enquanto ele remexia em mim:
a chuva continua a luzir na janela
como moscas comendo sonhos,
e abro o boletim de apostas com meu polegar,
em seguida telefono para meu agente
"...dê-me 2 para Indian Blood,
5 na ponta para Lady Fanfare, 5 de placê em The Rage."
desligo e penso suavemente em Kafka
dormindo sob patas de esquilos
enquanto a senhora do outro lado do corredor canta para seu canário.
o amor se acendeu e se apagou
como um isqueiro
e agora o amor dela é um
pássaro.
é assim quando não acontece muita coisa
e você atua em um palco pequeno,
e eu espeto minha licença médica
sobre um dos meus velhos quadros
esfrego um pouco de unguento em meu rabo
e me sirvo de mais um drinque.
morto,
os peixes que pesquei e comi e caguei estão mortos
e o médico está martelando um tubo de vidro em meu rabo,
um tubo de vidro com uma luzinha no final,
e estou torcendo por um atestado médico
para mais 2 dias de licença
e o doutor faz o jogo direitinho: "você tem umas belezas aí,
você deveria ser cortado..." bem, os russos brancos costumavam
cavar um buraco em um homem e agarrar a ponta do seu intestino
e pregá-lo a uma árvore e em seguida obrigavam o homem a
correr dando voltas e voltas na árvore.
ele puxa o tubo de vidro para fora do meu rabo
e uma parte de mim vem junto
ele tem uma cara de castanha e quando sua enfermeira
se debruça (o que é frequente)
a bunda dela é como um travesseiro macio ou
uma rosquinha açucarada, nada de sangue, só nuvens,
e digo, "Doutor, acrescente um dia à licença médica,
posso sentir a dor até lá embaixo nos meus bagos..."
"com certeza," ele diz, "com certeza, eu conheço um monte de rapazes
da agência dos correios, todos bons rapazes."
em casa saco a tampa da garrafa
e tomo o primeiro gole da boa: chovia enquanto ele remexia em mim:
a chuva continua a luzir na janela
como moscas comendo sonhos,
e abro o boletim de apostas com meu polegar,
em seguida telefono para meu agente
"...dê-me 2 para Indian Blood,
5 na ponta para Lady Fanfare, 5 de placê em The Rage."
desligo e penso suavemente em Kafka
dormindo sob patas de esquilos
enquanto a senhora do outro lado do corredor canta para seu canário.
o amor se acendeu e se apagou
como um isqueiro
e agora o amor dela é um
pássaro.
é assim quando não acontece muita coisa
e você atua em um palco pequeno,
e eu espeto minha licença médica
sobre um dos meus velhos quadros
esfrego um pouco de unguento em meu rabo
e me sirvo de mais um drinque.
775
Charles Bukowski
Pernas
ela chegou de táxi
completamente embriagada.
foi
depois de um dos meus longos dias como
estoquista na Companhia May
e lá estava eu
exausto e
mamando minha
cerveja e
olhando-a em seu
estado derrubado
estendida sobre a cama
a saia erguida bem alto.
eu mamei meu drinque
e então a segui até
a cama e ergui
sua saia mais alto ainda:
que vista
aquelas pernas gloriosas
descobertas e indefesas.
ela era uma grande mulher com
grandes pernas.
fizemos uma tamanha farra
e passamos por muita agonia juntos
por alguns anos
mas ela achou
a vida dura demais;
ela morreu
há 34 anos e
eu nunca vi
pernas como aquelas
desde então
e eu nunca
deixei de
procurar.
completamente embriagada.
foi
depois de um dos meus longos dias como
estoquista na Companhia May
e lá estava eu
exausto e
mamando minha
cerveja e
olhando-a em seu
estado derrubado
estendida sobre a cama
a saia erguida bem alto.
eu mamei meu drinque
e então a segui até
a cama e ergui
sua saia mais alto ainda:
que vista
aquelas pernas gloriosas
descobertas e indefesas.
ela era uma grande mulher com
grandes pernas.
fizemos uma tamanha farra
e passamos por muita agonia juntos
por alguns anos
mas ela achou
a vida dura demais;
ela morreu
há 34 anos e
eu nunca vi
pernas como aquelas
desde então
e eu nunca
deixei de
procurar.
1 351
Charles Bukowski
Pernas
ela chegou de táxi
completamente embriagada.
foi
depois de um dos meus longos dias como
estoquista na Companhia May
e lá estava eu
exausto e
mamando minha
cerveja e
olhando-a em seu
estado derrubado
estendida sobre a cama
a saia erguida bem alto.
eu mamei meu drinque
e então a segui até
a cama e ergui
sua saia mais alto ainda:
que vista
aquelas pernas gloriosas
descobertas e indefesas.
ela era uma grande mulher com
grandes pernas.
fizemos uma tamanha farra
e passamos por muita agonia juntos
por alguns anos
mas ela achou
a vida dura demais;
ela morreu
há 34 anos e
eu nunca vi
pernas como aquelas
desde então
e eu nunca
deixei de
procurar.
completamente embriagada.
foi
depois de um dos meus longos dias como
estoquista na Companhia May
e lá estava eu
exausto e
mamando minha
cerveja e
olhando-a em seu
estado derrubado
estendida sobre a cama
a saia erguida bem alto.
eu mamei meu drinque
e então a segui até
a cama e ergui
sua saia mais alto ainda:
que vista
aquelas pernas gloriosas
descobertas e indefesas.
ela era uma grande mulher com
grandes pernas.
fizemos uma tamanha farra
e passamos por muita agonia juntos
por alguns anos
mas ela achou
a vida dura demais;
ela morreu
há 34 anos e
eu nunca vi
pernas como aquelas
desde então
e eu nunca
deixei de
procurar.
1 351
Charles Bukowski
Pernas
ela chegou de táxi
completamente embriagada.
foi
depois de um dos meus longos dias como
estoquista na Companhia May
e lá estava eu
exausto e
mamando minha
cerveja e
olhando-a em seu
estado derrubado
estendida sobre a cama
a saia erguida bem alto.
eu mamei meu drinque
e então a segui até
a cama e ergui
sua saia mais alto ainda:
que vista
aquelas pernas gloriosas
descobertas e indefesas.
ela era uma grande mulher com
grandes pernas.
fizemos uma tamanha farra
e passamos por muita agonia juntos
por alguns anos
mas ela achou
a vida dura demais;
ela morreu
há 34 anos e
eu nunca vi
pernas como aquelas
desde então
e eu nunca
deixei de
procurar.
completamente embriagada.
foi
depois de um dos meus longos dias como
estoquista na Companhia May
e lá estava eu
exausto e
mamando minha
cerveja e
olhando-a em seu
estado derrubado
estendida sobre a cama
a saia erguida bem alto.
eu mamei meu drinque
e então a segui até
a cama e ergui
sua saia mais alto ainda:
que vista
aquelas pernas gloriosas
descobertas e indefesas.
ela era uma grande mulher com
grandes pernas.
fizemos uma tamanha farra
e passamos por muita agonia juntos
por alguns anos
mas ela achou
a vida dura demais;
ela morreu
há 34 anos e
eu nunca vi
pernas como aquelas
desde então
e eu nunca
deixei de
procurar.
1 351
Charles Bukowski
Chega Desses Rapazes
meu primeiro marido, Retzel, ela disse,
voava em paragliders. ele tinha só uma das mãos.
ele nunca me chupou, nem uma vez só.
ele quer conhecê-lo, ele mora em
Redondo Beach.
Redondo Beach, eu disse, Redondo Beach.
meu marido seguinte,
Craft, tomava comprimidos e tocava piano o dia todo.
depois ele precisou operar um dos dedos da mão.
uma verruga. ele foi cruel comigo. agora ele sabe
o quanto foi cruel comigo.
onde ele está agora?
África. ele ainda está na África.
eu rodei pela África toda. circulei por lá
de barco. conheci um homem que tinha um
leopardo. ele costumava levar seu leopardo para
passear todo dia preso a uma corrente.
um dia ele não apareceu. seu leopardo o havia
comido.
essa é uma história engraçada.
eu também acho. você entende
as coisas. para mim chega desses rapazes,
desses corpos duros. eu quero você. você está no controle
de tudo.
eu estou?
sim, meu marido seguinte,
Larry, certa vez cobriu meu corpo com
pétalas de rosa. todas aquelas flores! foi
adorável, mas ele não fez amor comigo
outra vez por 2 anos. ele foi tão ruim como
amante. você é um grande
amante.
eu sou?
sim, você não gostaria de ir à Holanda?
não.
a Paris?
não.
à África?
não.
Redondo Beach?
não.
você é esquisito. não gosta de
viajar?
estou cheio disso.
você devia ter-me visto voar no paraglider de Retzel!
eu era boa naquele paraglider.
mas ele nunca me
chupava.
Retzel?
sim, agora ele é publicitário. ganha um bom
dinheiro.
algum dia eu vou lhe contar sobre minhas
mulheres.
não quero saber de suas
mulheres. não quero saber de
nenhuma
delas.
ela se virou na cama
oferecendo-me suas costas e seu
rabo.
garota, eu disse, conte-me mais sobre
Retzel.
ela se virou em minha
direção. você realmente quer
ouvir?
com certeza.
então ficamos deitados de costas
e ela me contou sobre Retzel
e eu ouvi.
voava em paragliders. ele tinha só uma das mãos.
ele nunca me chupou, nem uma vez só.
ele quer conhecê-lo, ele mora em
Redondo Beach.
Redondo Beach, eu disse, Redondo Beach.
meu marido seguinte,
Craft, tomava comprimidos e tocava piano o dia todo.
depois ele precisou operar um dos dedos da mão.
uma verruga. ele foi cruel comigo. agora ele sabe
o quanto foi cruel comigo.
onde ele está agora?
África. ele ainda está na África.
eu rodei pela África toda. circulei por lá
de barco. conheci um homem que tinha um
leopardo. ele costumava levar seu leopardo para
passear todo dia preso a uma corrente.
um dia ele não apareceu. seu leopardo o havia
comido.
essa é uma história engraçada.
eu também acho. você entende
as coisas. para mim chega desses rapazes,
desses corpos duros. eu quero você. você está no controle
de tudo.
eu estou?
sim, meu marido seguinte,
Larry, certa vez cobriu meu corpo com
pétalas de rosa. todas aquelas flores! foi
adorável, mas ele não fez amor comigo
outra vez por 2 anos. ele foi tão ruim como
amante. você é um grande
amante.
eu sou?
sim, você não gostaria de ir à Holanda?
não.
a Paris?
não.
à África?
não.
Redondo Beach?
não.
você é esquisito. não gosta de
viajar?
estou cheio disso.
você devia ter-me visto voar no paraglider de Retzel!
eu era boa naquele paraglider.
mas ele nunca me
chupava.
Retzel?
sim, agora ele é publicitário. ganha um bom
dinheiro.
algum dia eu vou lhe contar sobre minhas
mulheres.
não quero saber de suas
mulheres. não quero saber de
nenhuma
delas.
ela se virou na cama
oferecendo-me suas costas e seu
rabo.
garota, eu disse, conte-me mais sobre
Retzel.
ela se virou em minha
direção. você realmente quer
ouvir?
com certeza.
então ficamos deitados de costas
e ela me contou sobre Retzel
e eu ouvi.
948
Charles Bukowski
Chega Desses Rapazes
meu primeiro marido, Retzel, ela disse,
voava em paragliders. ele tinha só uma das mãos.
ele nunca me chupou, nem uma vez só.
ele quer conhecê-lo, ele mora em
Redondo Beach.
Redondo Beach, eu disse, Redondo Beach.
meu marido seguinte,
Craft, tomava comprimidos e tocava piano o dia todo.
depois ele precisou operar um dos dedos da mão.
uma verruga. ele foi cruel comigo. agora ele sabe
o quanto foi cruel comigo.
onde ele está agora?
África. ele ainda está na África.
eu rodei pela África toda. circulei por lá
de barco. conheci um homem que tinha um
leopardo. ele costumava levar seu leopardo para
passear todo dia preso a uma corrente.
um dia ele não apareceu. seu leopardo o havia
comido.
essa é uma história engraçada.
eu também acho. você entende
as coisas. para mim chega desses rapazes,
desses corpos duros. eu quero você. você está no controle
de tudo.
eu estou?
sim, meu marido seguinte,
Larry, certa vez cobriu meu corpo com
pétalas de rosa. todas aquelas flores! foi
adorável, mas ele não fez amor comigo
outra vez por 2 anos. ele foi tão ruim como
amante. você é um grande
amante.
eu sou?
sim, você não gostaria de ir à Holanda?
não.
a Paris?
não.
à África?
não.
Redondo Beach?
não.
você é esquisito. não gosta de
viajar?
estou cheio disso.
você devia ter-me visto voar no paraglider de Retzel!
eu era boa naquele paraglider.
mas ele nunca me
chupava.
Retzel?
sim, agora ele é publicitário. ganha um bom
dinheiro.
algum dia eu vou lhe contar sobre minhas
mulheres.
não quero saber de suas
mulheres. não quero saber de
nenhuma
delas.
ela se virou na cama
oferecendo-me suas costas e seu
rabo.
garota, eu disse, conte-me mais sobre
Retzel.
ela se virou em minha
direção. você realmente quer
ouvir?
com certeza.
então ficamos deitados de costas
e ela me contou sobre Retzel
e eu ouvi.
voava em paragliders. ele tinha só uma das mãos.
ele nunca me chupou, nem uma vez só.
ele quer conhecê-lo, ele mora em
Redondo Beach.
Redondo Beach, eu disse, Redondo Beach.
meu marido seguinte,
Craft, tomava comprimidos e tocava piano o dia todo.
depois ele precisou operar um dos dedos da mão.
uma verruga. ele foi cruel comigo. agora ele sabe
o quanto foi cruel comigo.
onde ele está agora?
África. ele ainda está na África.
eu rodei pela África toda. circulei por lá
de barco. conheci um homem que tinha um
leopardo. ele costumava levar seu leopardo para
passear todo dia preso a uma corrente.
um dia ele não apareceu. seu leopardo o havia
comido.
essa é uma história engraçada.
eu também acho. você entende
as coisas. para mim chega desses rapazes,
desses corpos duros. eu quero você. você está no controle
de tudo.
eu estou?
sim, meu marido seguinte,
Larry, certa vez cobriu meu corpo com
pétalas de rosa. todas aquelas flores! foi
adorável, mas ele não fez amor comigo
outra vez por 2 anos. ele foi tão ruim como
amante. você é um grande
amante.
eu sou?
sim, você não gostaria de ir à Holanda?
não.
a Paris?
não.
à África?
não.
Redondo Beach?
não.
você é esquisito. não gosta de
viajar?
estou cheio disso.
você devia ter-me visto voar no paraglider de Retzel!
eu era boa naquele paraglider.
mas ele nunca me
chupava.
Retzel?
sim, agora ele é publicitário. ganha um bom
dinheiro.
algum dia eu vou lhe contar sobre minhas
mulheres.
não quero saber de suas
mulheres. não quero saber de
nenhuma
delas.
ela se virou na cama
oferecendo-me suas costas e seu
rabo.
garota, eu disse, conte-me mais sobre
Retzel.
ela se virou em minha
direção. você realmente quer
ouvir?
com certeza.
então ficamos deitados de costas
e ela me contou sobre Retzel
e eu ouvi.
948
Charles Bukowski
Suas
minhas mulheres do passado ficam tentando me localizar.
encolho-me em armários escuros e puxo as cobertas
sobre minha cabeça.
nas corridas de cavalos eu fico na área reservada
fumando cigarro após cigarro
observando os cavalos que saem para a apresentação
e olhando sobre meu ombro.
vou até o guichê de apostas e esse rabo se parece ao modo
como aquele outro rabo parecia.
desvio-me dela.
então aquela cabeleira poderia tê-la debaixo dela.
caio fora da área reservada e vou até a arquibancada.
não quero um retorno ao passado.
não quero um retorno âquelas
mulheres do meu passado.
não quero tentar mais uma vez, não quero vê-las
novamente, nem a silhueta delas;
eu as dou todas, dou todas elas a todos os outros homens
sequiosos, eles podem ficar com todas aquelas gracinhas,
aqueles peitos aquelas bundas aquelas mentes
e suas mães e pais e irmãs e
irmãos e filhos e cães e ex-namorados
e namorados atuais, podem ficar com todas elas
e fodê-las todas
se quiserem.
fui um amante terrível e ciumento que as maltratava
e não conseguia entendê-las
e é melhor que agora estejam com outros
pois isso será melhor para elas e isso será
melhor para mim
por isso, quando telefonarem ou escreverem ou deixarem
recados
eu as passarei, todas, para seus novos
e legais companheiros.
eu não mereço o que elas têm e quero
deixar tudo por isso mesmo.
encolho-me em armários escuros e puxo as cobertas
sobre minha cabeça.
nas corridas de cavalos eu fico na área reservada
fumando cigarro após cigarro
observando os cavalos que saem para a apresentação
e olhando sobre meu ombro.
vou até o guichê de apostas e esse rabo se parece ao modo
como aquele outro rabo parecia.
desvio-me dela.
então aquela cabeleira poderia tê-la debaixo dela.
caio fora da área reservada e vou até a arquibancada.
não quero um retorno ao passado.
não quero um retorno âquelas
mulheres do meu passado.
não quero tentar mais uma vez, não quero vê-las
novamente, nem a silhueta delas;
eu as dou todas, dou todas elas a todos os outros homens
sequiosos, eles podem ficar com todas aquelas gracinhas,
aqueles peitos aquelas bundas aquelas mentes
e suas mães e pais e irmãs e
irmãos e filhos e cães e ex-namorados
e namorados atuais, podem ficar com todas elas
e fodê-las todas
se quiserem.
fui um amante terrível e ciumento que as maltratava
e não conseguia entendê-las
e é melhor que agora estejam com outros
pois isso será melhor para elas e isso será
melhor para mim
por isso, quando telefonarem ou escreverem ou deixarem
recados
eu as passarei, todas, para seus novos
e legais companheiros.
eu não mereço o que elas têm e quero
deixar tudo por isso mesmo.
833
Charles Bukowski
Suas
minhas mulheres do passado ficam tentando me localizar.
encolho-me em armários escuros e puxo as cobertas
sobre minha cabeça.
nas corridas de cavalos eu fico na área reservada
fumando cigarro após cigarro
observando os cavalos que saem para a apresentação
e olhando sobre meu ombro.
vou até o guichê de apostas e esse rabo se parece ao modo
como aquele outro rabo parecia.
desvio-me dela.
então aquela cabeleira poderia tê-la debaixo dela.
caio fora da área reservada e vou até a arquibancada.
não quero um retorno ao passado.
não quero um retorno âquelas
mulheres do meu passado.
não quero tentar mais uma vez, não quero vê-las
novamente, nem a silhueta delas;
eu as dou todas, dou todas elas a todos os outros homens
sequiosos, eles podem ficar com todas aquelas gracinhas,
aqueles peitos aquelas bundas aquelas mentes
e suas mães e pais e irmãs e
irmãos e filhos e cães e ex-namorados
e namorados atuais, podem ficar com todas elas
e fodê-las todas
se quiserem.
fui um amante terrível e ciumento que as maltratava
e não conseguia entendê-las
e é melhor que agora estejam com outros
pois isso será melhor para elas e isso será
melhor para mim
por isso, quando telefonarem ou escreverem ou deixarem
recados
eu as passarei, todas, para seus novos
e legais companheiros.
eu não mereço o que elas têm e quero
deixar tudo por isso mesmo.
encolho-me em armários escuros e puxo as cobertas
sobre minha cabeça.
nas corridas de cavalos eu fico na área reservada
fumando cigarro após cigarro
observando os cavalos que saem para a apresentação
e olhando sobre meu ombro.
vou até o guichê de apostas e esse rabo se parece ao modo
como aquele outro rabo parecia.
desvio-me dela.
então aquela cabeleira poderia tê-la debaixo dela.
caio fora da área reservada e vou até a arquibancada.
não quero um retorno ao passado.
não quero um retorno âquelas
mulheres do meu passado.
não quero tentar mais uma vez, não quero vê-las
novamente, nem a silhueta delas;
eu as dou todas, dou todas elas a todos os outros homens
sequiosos, eles podem ficar com todas aquelas gracinhas,
aqueles peitos aquelas bundas aquelas mentes
e suas mães e pais e irmãs e
irmãos e filhos e cães e ex-namorados
e namorados atuais, podem ficar com todas elas
e fodê-las todas
se quiserem.
fui um amante terrível e ciumento que as maltratava
e não conseguia entendê-las
e é melhor que agora estejam com outros
pois isso será melhor para elas e isso será
melhor para mim
por isso, quando telefonarem ou escreverem ou deixarem
recados
eu as passarei, todas, para seus novos
e legais companheiros.
eu não mereço o que elas têm e quero
deixar tudo por isso mesmo.
833
Charles Bukowski
Adolf
tenho um amigo que tem um
álbum de recortes dedicado a Hitler
e seus companheiros nazistas
e as paredes estão
cobertas de velhos
instantâneos de Al Capone
Fatty Arbuckle
Roy Rogers e
muitos muitos outros.
as paredes estão tortas de cola apodrecendo
e memórias, e há
interruptores escondidos que disparam
um frenesi de luzes
coloridas -
cada padrão diferente, nunca
o mesmo -
e descendo até seu porão há toneladas de
papéis inchados pela chuva
e comidos pelos
ratos: é muito
escuro lá embaixo
e há muitas pinturas meio inacabadas com
um olho que o encara
do assoalho.
saímos e
subimos por uma
escada sifilítica e voltamos
à cozinha onde
uma cabeça de porco está nadando
em uma panela branca
muito grande junto com
cebolas
cenouras
batatas,
uma cebola pequena flutuando em um
olho vazio,
e aí está a
filha dele
com a altura de 65 centímetros
que se lembra de mim
do outro
dia.
ela nos diz algumas coisas genuinamente
divertidas
depois se retira para
um quarto de dormir
no andar de cima
enquanto seu pai e eu ficamos por lá
ouvindo antigas canções
alemãs de marchas
e fumando
Picayunes.
álbum de recortes dedicado a Hitler
e seus companheiros nazistas
e as paredes estão
cobertas de velhos
instantâneos de Al Capone
Fatty Arbuckle
Roy Rogers e
muitos muitos outros.
as paredes estão tortas de cola apodrecendo
e memórias, e há
interruptores escondidos que disparam
um frenesi de luzes
coloridas -
cada padrão diferente, nunca
o mesmo -
e descendo até seu porão há toneladas de
papéis inchados pela chuva
e comidos pelos
ratos: é muito
escuro lá embaixo
e há muitas pinturas meio inacabadas com
um olho que o encara
do assoalho.
saímos e
subimos por uma
escada sifilítica e voltamos
à cozinha onde
uma cabeça de porco está nadando
em uma panela branca
muito grande junto com
cebolas
cenouras
batatas,
uma cebola pequena flutuando em um
olho vazio,
e aí está a
filha dele
com a altura de 65 centímetros
que se lembra de mim
do outro
dia.
ela nos diz algumas coisas genuinamente
divertidas
depois se retira para
um quarto de dormir
no andar de cima
enquanto seu pai e eu ficamos por lá
ouvindo antigas canções
alemãs de marchas
e fumando
Picayunes.
671
Charles Bukowski
Abandono da Luta
cometeram seu primeiro erro quando
deitaram o campeão
de cara para baixo
na mesa do vestiário -
foi um grito de
câncer -
e então ele os amaldiçoou em italiano de
gente pobre e disse
me virem me virem me virem seus bundões
me virem,
e eles o fizeram
e ele disse,
ele quebrou todas as costelas do meu lado esquerdo
é um assassino, não é um lutador,
e então ele
disse,
olha, me arranje uma arma, eu vou matar aquele filho de uma
puta.
vá com calma, campeão, disse seu empresário, não foi pelo título, você
ainda tem o título. você pode derrotá-lo
na revanche. não assinamos o contrato para
lutar com Sondelle ainda. vamos adiar com
Sondelle e pegar esse cara na
revanche.
eu não vou lutar com esse assassino outra vez, disse o
campeão,
deviam banir esse chupador de paus nojento do
ringue.
veja, campeão, disse o empresário, não seja
estúpido, vamos conseguir uma bilheteria
grande para a próxima
luta, vão querer ver se ele pode
fazer isso de novo.
o campeão os amaldiçoou em italiano e depois disse,
nunca mais vão conseguir me colocar no ringue com esse
assassino outra vez.
olha, campeão, ele é um vagabundo eu lhe digo, um vagabundo, ele
nunca
bateu em ninguém antes, na próxima vez você
se prepara, larga a bebida e as fodas por
uma semana, ele não conseguirá
tocá-lo quando você estiver bem. ele não pode bater em você porra
nenhuma, campeão.
ele me
bateu. nunca vou tomar outra surra como essa de
ninguém.
você vai abandonar, campeão? você vai abandonar?
vou lutar com qualquer um menos
com esse cara.
tudo certo.
então, está bem, que tal um raio X das minhas
costelas? não consigo respirar, de verdade,
sinto-as cutucando meu
pulmão.
eles o retiraram dali e o levaram em uma
longa e negra
limusine baixa
ao hospital particular onde o
raio X não mostrou
nenhuma fratura.
eles estão mentindo, berrou o campeão, esses porras desses
idiotas estão mentindo! você não acha que eu
consigo sentir meus próprios ossos quando estão
quebrados?
ninguém disse nada.
deitaram o campeão
de cara para baixo
na mesa do vestiário -
foi um grito de
câncer -
e então ele os amaldiçoou em italiano de
gente pobre e disse
me virem me virem me virem seus bundões
me virem,
e eles o fizeram
e ele disse,
ele quebrou todas as costelas do meu lado esquerdo
é um assassino, não é um lutador,
e então ele
disse,
olha, me arranje uma arma, eu vou matar aquele filho de uma
puta.
vá com calma, campeão, disse seu empresário, não foi pelo título, você
ainda tem o título. você pode derrotá-lo
na revanche. não assinamos o contrato para
lutar com Sondelle ainda. vamos adiar com
Sondelle e pegar esse cara na
revanche.
eu não vou lutar com esse assassino outra vez, disse o
campeão,
deviam banir esse chupador de paus nojento do
ringue.
veja, campeão, disse o empresário, não seja
estúpido, vamos conseguir uma bilheteria
grande para a próxima
luta, vão querer ver se ele pode
fazer isso de novo.
o campeão os amaldiçoou em italiano e depois disse,
nunca mais vão conseguir me colocar no ringue com esse
assassino outra vez.
olha, campeão, ele é um vagabundo eu lhe digo, um vagabundo, ele
nunca
bateu em ninguém antes, na próxima vez você
se prepara, larga a bebida e as fodas por
uma semana, ele não conseguirá
tocá-lo quando você estiver bem. ele não pode bater em você porra
nenhuma, campeão.
ele me
bateu. nunca vou tomar outra surra como essa de
ninguém.
você vai abandonar, campeão? você vai abandonar?
vou lutar com qualquer um menos
com esse cara.
tudo certo.
então, está bem, que tal um raio X das minhas
costelas? não consigo respirar, de verdade,
sinto-as cutucando meu
pulmão.
eles o retiraram dali e o levaram em uma
longa e negra
limusine baixa
ao hospital particular onde o
raio X não mostrou
nenhuma fratura.
eles estão mentindo, berrou o campeão, esses porras desses
idiotas estão mentindo! você não acha que eu
consigo sentir meus próprios ossos quando estão
quebrados?
ninguém disse nada.
1 147
Charles Bukowski
Também Gosto de Olhar Para O Teto
há policiais na rua
e anjos nas nuvens
e jóqueis cavalgando em suas roupas de seda.
manhãs abaixo
noites acima
emparelhados às tardes
há cães aleijados em
East Kansas City
vampiros em Eugene, Oregon
e uma longa caminhada até um copo d'água nas
Cidades Gêmeas.
eu pretendia escrever para Angela
eu realmente pretendia
e agradecê-la por tudo
porque eu sinceramente
gostava do modo como ela enrolava xales em sua
escada
e seu chá de ervas
e as verdes trepadeiras em seu
banheiro
a vista de seu quarto de dormir
e sua coleção de
Vivaldi.
mas eu não o fiz.
acho que sou mais cruel
do que penso que sou.
e anjos nas nuvens
e jóqueis cavalgando em suas roupas de seda.
manhãs abaixo
noites acima
emparelhados às tardes
há cães aleijados em
East Kansas City
vampiros em Eugene, Oregon
e uma longa caminhada até um copo d'água nas
Cidades Gêmeas.
eu pretendia escrever para Angela
eu realmente pretendia
e agradecê-la por tudo
porque eu sinceramente
gostava do modo como ela enrolava xales em sua
escada
e seu chá de ervas
e as verdes trepadeiras em seu
banheiro
a vista de seu quarto de dormir
e sua coleção de
Vivaldi.
mas eu não o fiz.
acho que sou mais cruel
do que penso que sou.
1 015
Charles Bukowski
Neblina
pior neblina
que já vi
estava voltando de carro da
praia
com meu chapa Desmond
quando
ela
chegou
era tão grossa
que dava
para cortá-la com
a proverbial
faca.
e nós estávamos um bocado
bêbados.
não podíamos sair
fora da estrada porque tínhamos
medo de
bater nos carros já estacionados
no
acostamento
mas paramos por
um momento e
Desmond subiu
no capô
e se ajoelhou nele
e disse, "está bem,
vamos, vou
guiar você!"
e eu arranquei
e
Desmond berrava,
"MERDA! NÃO CONSIGO
VER NADA!"
e ele começou
a rire eu
comecei a rir.
eu mal podia
ver sua bunda
enfiada lá
no capô
e então ele
disse
de novo: "MERDA!
NÃO CONSIGO
VER NADA!"
e nós dois começamos
a rir cada vez
mais
uma risada que
não conseguíamos parar
toda aquela neblina
ao nosso redor
enquanto
seguíamos
só continuávamos
a dirigir e
a rir
passamos por
cruzamento após
cruzamento
frequentemente ouvindo
motores e buzinas
mas sem ver
nada
até que em um
cruzamento a
neblina se desfez
um pouco
consegui entrever
um posto de gasolina
uma lanchonete
e havia uma
luz verde
e
Desmond estava
ausente
saí fora
e estacionei no
posto de gasolina e
esperei
e lá veio
Desmond a pé
através da
neblina
berrei e
acenei e ele me
viu
correu até o carro
e entrou
dirigimos para
L.A.
uma semana mais tarde
ele foi para
Hlinois para ver
a mulher com a qual
havia
rompido
e eu
nunca mais
o vi.
que já vi
estava voltando de carro da
praia
com meu chapa Desmond
quando
ela
chegou
era tão grossa
que dava
para cortá-la com
a proverbial
faca.
e nós estávamos um bocado
bêbados.
não podíamos sair
fora da estrada porque tínhamos
medo de
bater nos carros já estacionados
no
acostamento
mas paramos por
um momento e
Desmond subiu
no capô
e se ajoelhou nele
e disse, "está bem,
vamos, vou
guiar você!"
e eu arranquei
e
Desmond berrava,
"MERDA! NÃO CONSIGO
VER NADA!"
e ele começou
a rire eu
comecei a rir.
eu mal podia
ver sua bunda
enfiada lá
no capô
e então ele
disse
de novo: "MERDA!
NÃO CONSIGO
VER NADA!"
e nós dois começamos
a rir cada vez
mais
uma risada que
não conseguíamos parar
toda aquela neblina
ao nosso redor
enquanto
seguíamos
só continuávamos
a dirigir e
a rir
passamos por
cruzamento após
cruzamento
frequentemente ouvindo
motores e buzinas
mas sem ver
nada
até que em um
cruzamento a
neblina se desfez
um pouco
consegui entrever
um posto de gasolina
uma lanchonete
e havia uma
luz verde
e
Desmond estava
ausente
saí fora
e estacionei no
posto de gasolina e
esperei
e lá veio
Desmond a pé
através da
neblina
berrei e
acenei e ele me
viu
correu até o carro
e entrou
dirigimos para
L.A.
uma semana mais tarde
ele foi para
Hlinois para ver
a mulher com a qual
havia
rompido
e eu
nunca mais
o vi.
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