Poemas neste tema
Vida e Existência
Frei Agostinho da Cruz
XXIX Da emenda
Concluido me tendo a mi comigo
De deixar o caminho que levava,
Vendo com razões claras quanto errava
Em não me desviar do mais antigo.
Pois no trabalho seu, no mor perigo,
Meu amigo consigo a mi me achava;
E quando no meu mal algum buscava,
Achava-me comigo sem amigo.
Agora dei a volta por caminhos
De solitarios bosques enramados,
De feras bravas mansos passarinhos;
Que ainda que entre espinhos conversados,
Mais quero pé descalço entre espinhos,
Que dos homens humanos espinhados.
De deixar o caminho que levava,
Vendo com razões claras quanto errava
Em não me desviar do mais antigo.
Pois no trabalho seu, no mor perigo,
Meu amigo consigo a mi me achava;
E quando no meu mal algum buscava,
Achava-me comigo sem amigo.
Agora dei a volta por caminhos
De solitarios bosques enramados,
De feras bravas mansos passarinhos;
Que ainda que entre espinhos conversados,
Mais quero pé descalço entre espinhos,
Que dos homens humanos espinhados.
762
Frei Agostinho da Cruz
XXIX Da emenda
Concluido me tendo a mi comigo
De deixar o caminho que levava,
Vendo com razões claras quanto errava
Em não me desviar do mais antigo.
Pois no trabalho seu, no mor perigo,
Meu amigo consigo a mi me achava;
E quando no meu mal algum buscava,
Achava-me comigo sem amigo.
Agora dei a volta por caminhos
De solitarios bosques enramados,
De feras bravas mansos passarinhos;
Que ainda que entre espinhos conversados,
Mais quero pé descalço entre espinhos,
Que dos homens humanos espinhados.
De deixar o caminho que levava,
Vendo com razões claras quanto errava
Em não me desviar do mais antigo.
Pois no trabalho seu, no mor perigo,
Meu amigo consigo a mi me achava;
E quando no meu mal algum buscava,
Achava-me comigo sem amigo.
Agora dei a volta por caminhos
De solitarios bosques enramados,
De feras bravas mansos passarinhos;
Que ainda que entre espinhos conversados,
Mais quero pé descalço entre espinhos,
Que dos homens humanos espinhados.
762
Frei Agostinho da Cruz
LIII Ó montes altos
Ó montes altos, vales abatidos,
Verdes ribeiras de correntes rios,
Ora por baixo de bosques sombrios,
Ora por largos campos estendidos;
Onde mais claro vejo repetidos
Meus mal considerados desvarios
De pensamentos vãos, baixos e frios,
Emendados tão mal, quão mal sentidos.
Passei a mocidade sem proveito,
Antes contra meu Deos acrescentando
Culpas a quantas culpas tenho feito;
Cuja pena a velhice está pejando
Para passar da morte o passo estreito,
Se não se no seu sangue for nadando.
Verdes ribeiras de correntes rios,
Ora por baixo de bosques sombrios,
Ora por largos campos estendidos;
Onde mais claro vejo repetidos
Meus mal considerados desvarios
De pensamentos vãos, baixos e frios,
Emendados tão mal, quão mal sentidos.
Passei a mocidade sem proveito,
Antes contra meu Deos acrescentando
Culpas a quantas culpas tenho feito;
Cuja pena a velhice está pejando
Para passar da morte o passo estreito,
Se não se no seu sangue for nadando.
625
Frei Agostinho da Cruz
LIII Ó montes altos
Ó montes altos, vales abatidos,
Verdes ribeiras de correntes rios,
Ora por baixo de bosques sombrios,
Ora por largos campos estendidos;
Onde mais claro vejo repetidos
Meus mal considerados desvarios
De pensamentos vãos, baixos e frios,
Emendados tão mal, quão mal sentidos.
Passei a mocidade sem proveito,
Antes contra meu Deos acrescentando
Culpas a quantas culpas tenho feito;
Cuja pena a velhice está pejando
Para passar da morte o passo estreito,
Se não se no seu sangue for nadando.
Verdes ribeiras de correntes rios,
Ora por baixo de bosques sombrios,
Ora por largos campos estendidos;
Onde mais claro vejo repetidos
Meus mal considerados desvarios
De pensamentos vãos, baixos e frios,
Emendados tão mal, quão mal sentidos.
Passei a mocidade sem proveito,
Antes contra meu Deos acrescentando
Culpas a quantas culpas tenho feito;
Cuja pena a velhice está pejando
Para passar da morte o passo estreito,
Se não se no seu sangue for nadando.
625
Frei Agostinho da Cruz
LIII Ó montes altos
Ó montes altos, vales abatidos,
Verdes ribeiras de correntes rios,
Ora por baixo de bosques sombrios,
Ora por largos campos estendidos;
Onde mais claro vejo repetidos
Meus mal considerados desvarios
De pensamentos vãos, baixos e frios,
Emendados tão mal, quão mal sentidos.
Passei a mocidade sem proveito,
Antes contra meu Deos acrescentando
Culpas a quantas culpas tenho feito;
Cuja pena a velhice está pejando
Para passar da morte o passo estreito,
Se não se no seu sangue for nadando.
Verdes ribeiras de correntes rios,
Ora por baixo de bosques sombrios,
Ora por largos campos estendidos;
Onde mais claro vejo repetidos
Meus mal considerados desvarios
De pensamentos vãos, baixos e frios,
Emendados tão mal, quão mal sentidos.
Passei a mocidade sem proveito,
Antes contra meu Deos acrescentando
Culpas a quantas culpas tenho feito;
Cuja pena a velhice está pejando
Para passar da morte o passo estreito,
Se não se no seu sangue for nadando.
625
Frei Agostinho da Cruz
LIII Ó montes altos
Ó montes altos, vales abatidos,
Verdes ribeiras de correntes rios,
Ora por baixo de bosques sombrios,
Ora por largos campos estendidos;
Onde mais claro vejo repetidos
Meus mal considerados desvarios
De pensamentos vãos, baixos e frios,
Emendados tão mal, quão mal sentidos.
Passei a mocidade sem proveito,
Antes contra meu Deos acrescentando
Culpas a quantas culpas tenho feito;
Cuja pena a velhice está pejando
Para passar da morte o passo estreito,
Se não se no seu sangue for nadando.
Verdes ribeiras de correntes rios,
Ora por baixo de bosques sombrios,
Ora por largos campos estendidos;
Onde mais claro vejo repetidos
Meus mal considerados desvarios
De pensamentos vãos, baixos e frios,
Emendados tão mal, quão mal sentidos.
Passei a mocidade sem proveito,
Antes contra meu Deos acrescentando
Culpas a quantas culpas tenho feito;
Cuja pena a velhice está pejando
Para passar da morte o passo estreito,
Se não se no seu sangue for nadando.
625
Charles Bukowski
Uma Sede Imensa
tenho me tratado com anticorpos por quase 6 meses, baby, para curar um
caso de tuberculose, cara, sobrou para um velho como eu pegar
uma doença tão
antiquada, pegar uma do tamanho de uma bola de basquete ou como uma
sucuri
engolindo um macaco gibão; então agora estou me tratando com
anticorpos e me disseram para não beber
ou fumar por 6 meses, e falam sobre morder ferro com seus
dentes, eu tenho bebido e fumado pesadamente e firmemente com os
melhores
e os piores deles por mais de 50 anos, é,
e a parte mais difícil, parceiro, é eu conhecer gente demais que
bebe e fuma e eles continuam a beber e fumar direto na minha frente
como se
eu não estivesse me segurando para não quebrar seus crânios e rolá-los
pelo assoalho
ou só afugentá-los para bem longe da minha vista - uma vista que
anseia muito por qualquer coisa mesmo microscopicamente viciante.
a parte difícil seguinte disso é ficar sentado à máquina de escrever sem
aquilo,
quero dizer, isso foi meu show, minha dança, minha distração, minha
raison dºêtre, é isso, misturando fumaça e bebida com bater à máquina e
você pode
apostar que é onde a sorte chove dia e noite e o restante do tempo, e
você ouve a frase "cortar é um bode" mas eu não acho que seja
forte o bastante, deveria ser "fazer picadinho é um bode" ou "enterrando
o bode
ainda quente", enfim não tem sido fácil, não não não não não não não
não não não,
e quando eu olho para uma garrafa de cerveja
parece sol engarrafado, uma tragada de cigarro é como o sopro da vida
e uma garrafa de vinho tinto parece o sangue da própria vida.
para mim, é difícil pensar no futuro ou preocupar-me com isso: o
presente
imediato parece tão esmagador e agora eu simpatizo com todos aqueles
que fracassam
em dominar sua bebida e seu cigarro
pois estes últimos 6 meses têm sido os 6 meses mais longos da minha
vida!
desculpe aborrecê-lo com tudo isso, mas não é por isso que você está
aqui?
caso de tuberculose, cara, sobrou para um velho como eu pegar
uma doença tão
antiquada, pegar uma do tamanho de uma bola de basquete ou como uma
sucuri
engolindo um macaco gibão; então agora estou me tratando com
anticorpos e me disseram para não beber
ou fumar por 6 meses, e falam sobre morder ferro com seus
dentes, eu tenho bebido e fumado pesadamente e firmemente com os
melhores
e os piores deles por mais de 50 anos, é,
e a parte mais difícil, parceiro, é eu conhecer gente demais que
bebe e fuma e eles continuam a beber e fumar direto na minha frente
como se
eu não estivesse me segurando para não quebrar seus crânios e rolá-los
pelo assoalho
ou só afugentá-los para bem longe da minha vista - uma vista que
anseia muito por qualquer coisa mesmo microscopicamente viciante.
a parte difícil seguinte disso é ficar sentado à máquina de escrever sem
aquilo,
quero dizer, isso foi meu show, minha dança, minha distração, minha
raison dºêtre, é isso, misturando fumaça e bebida com bater à máquina e
você pode
apostar que é onde a sorte chove dia e noite e o restante do tempo, e
você ouve a frase "cortar é um bode" mas eu não acho que seja
forte o bastante, deveria ser "fazer picadinho é um bode" ou "enterrando
o bode
ainda quente", enfim não tem sido fácil, não não não não não não não
não não não,
e quando eu olho para uma garrafa de cerveja
parece sol engarrafado, uma tragada de cigarro é como o sopro da vida
e uma garrafa de vinho tinto parece o sangue da própria vida.
para mim, é difícil pensar no futuro ou preocupar-me com isso: o
presente
imediato parece tão esmagador e agora eu simpatizo com todos aqueles
que fracassam
em dominar sua bebida e seu cigarro
pois estes últimos 6 meses têm sido os 6 meses mais longos da minha
vida!
desculpe aborrecê-lo com tudo isso, mas não é por isso que você está
aqui?
650
Charles Bukowski
Uma Sede Imensa
tenho me tratado com anticorpos por quase 6 meses, baby, para curar um
caso de tuberculose, cara, sobrou para um velho como eu pegar
uma doença tão
antiquada, pegar uma do tamanho de uma bola de basquete ou como uma
sucuri
engolindo um macaco gibão; então agora estou me tratando com
anticorpos e me disseram para não beber
ou fumar por 6 meses, e falam sobre morder ferro com seus
dentes, eu tenho bebido e fumado pesadamente e firmemente com os
melhores
e os piores deles por mais de 50 anos, é,
e a parte mais difícil, parceiro, é eu conhecer gente demais que
bebe e fuma e eles continuam a beber e fumar direto na minha frente
como se
eu não estivesse me segurando para não quebrar seus crânios e rolá-los
pelo assoalho
ou só afugentá-los para bem longe da minha vista - uma vista que
anseia muito por qualquer coisa mesmo microscopicamente viciante.
a parte difícil seguinte disso é ficar sentado à máquina de escrever sem
aquilo,
quero dizer, isso foi meu show, minha dança, minha distração, minha
raison dºêtre, é isso, misturando fumaça e bebida com bater à máquina e
você pode
apostar que é onde a sorte chove dia e noite e o restante do tempo, e
você ouve a frase "cortar é um bode" mas eu não acho que seja
forte o bastante, deveria ser "fazer picadinho é um bode" ou "enterrando
o bode
ainda quente", enfim não tem sido fácil, não não não não não não não
não não não,
e quando eu olho para uma garrafa de cerveja
parece sol engarrafado, uma tragada de cigarro é como o sopro da vida
e uma garrafa de vinho tinto parece o sangue da própria vida.
para mim, é difícil pensar no futuro ou preocupar-me com isso: o
presente
imediato parece tão esmagador e agora eu simpatizo com todos aqueles
que fracassam
em dominar sua bebida e seu cigarro
pois estes últimos 6 meses têm sido os 6 meses mais longos da minha
vida!
desculpe aborrecê-lo com tudo isso, mas não é por isso que você está
aqui?
caso de tuberculose, cara, sobrou para um velho como eu pegar
uma doença tão
antiquada, pegar uma do tamanho de uma bola de basquete ou como uma
sucuri
engolindo um macaco gibão; então agora estou me tratando com
anticorpos e me disseram para não beber
ou fumar por 6 meses, e falam sobre morder ferro com seus
dentes, eu tenho bebido e fumado pesadamente e firmemente com os
melhores
e os piores deles por mais de 50 anos, é,
e a parte mais difícil, parceiro, é eu conhecer gente demais que
bebe e fuma e eles continuam a beber e fumar direto na minha frente
como se
eu não estivesse me segurando para não quebrar seus crânios e rolá-los
pelo assoalho
ou só afugentá-los para bem longe da minha vista - uma vista que
anseia muito por qualquer coisa mesmo microscopicamente viciante.
a parte difícil seguinte disso é ficar sentado à máquina de escrever sem
aquilo,
quero dizer, isso foi meu show, minha dança, minha distração, minha
raison dºêtre, é isso, misturando fumaça e bebida com bater à máquina e
você pode
apostar que é onde a sorte chove dia e noite e o restante do tempo, e
você ouve a frase "cortar é um bode" mas eu não acho que seja
forte o bastante, deveria ser "fazer picadinho é um bode" ou "enterrando
o bode
ainda quente", enfim não tem sido fácil, não não não não não não não
não não não,
e quando eu olho para uma garrafa de cerveja
parece sol engarrafado, uma tragada de cigarro é como o sopro da vida
e uma garrafa de vinho tinto parece o sangue da própria vida.
para mim, é difícil pensar no futuro ou preocupar-me com isso: o
presente
imediato parece tão esmagador e agora eu simpatizo com todos aqueles
que fracassam
em dominar sua bebida e seu cigarro
pois estes últimos 6 meses têm sido os 6 meses mais longos da minha
vida!
desculpe aborrecê-lo com tudo isso, mas não é por isso que você está
aqui?
650
Charles Bukowski
Dia Maldito
nos velhos tempos
após as corridas eu costumava terminar com uma
amarela alta ou uma branca louca em algum quarto
de motel
mas agora estou com 70 e tenho que levantar quatro vezes
toda noite para mijar
e quase que a única coisa a me preocupar é
o tráfego nas vias expressas.
hoje eu perdi $810,00 nas corridas e quando
tentei entrar na via expressa um
tipo em um Camaro vermelho quase me jogou
fora da estrada (automóveis vermelhos sempre
me aborreceram) então me mandei atrás dele e dirigimos lado a lado.
dando uma olhada nele vi que era um cara magro
que parecia com um contador, então baixei
minha janela e berrei para ele enquanto
buzinava, informando-o de que ele era um pedaço de
merda subnormal mas ele só continuou a olhar
para a frente por isso pisei fundo e o deixei para
trás e meu pensamento seguinte foi, será que
devo contar isso à minha mulher?
e então rapidamente uma voz de algum lugar
respondeu, não seja trouxa, meu chapa, ela
só vai tornar isso uma piada sem graça.
"oh, hahaha! ele provavelmente nem viu
que você estava lá!"
se um homem vive por 70 anos ele aprende
duas ou três coisas - a primeira sendo: não faça confidências
desnecessárias
para sua mulher.
a segunda sendo: outros podem às vezes
entendê-lo mas
ninguém o entenderá
melhor que sua
mulher.
após as corridas eu costumava terminar com uma
amarela alta ou uma branca louca em algum quarto
de motel
mas agora estou com 70 e tenho que levantar quatro vezes
toda noite para mijar
e quase que a única coisa a me preocupar é
o tráfego nas vias expressas.
hoje eu perdi $810,00 nas corridas e quando
tentei entrar na via expressa um
tipo em um Camaro vermelho quase me jogou
fora da estrada (automóveis vermelhos sempre
me aborreceram) então me mandei atrás dele e dirigimos lado a lado.
dando uma olhada nele vi que era um cara magro
que parecia com um contador, então baixei
minha janela e berrei para ele enquanto
buzinava, informando-o de que ele era um pedaço de
merda subnormal mas ele só continuou a olhar
para a frente por isso pisei fundo e o deixei para
trás e meu pensamento seguinte foi, será que
devo contar isso à minha mulher?
e então rapidamente uma voz de algum lugar
respondeu, não seja trouxa, meu chapa, ela
só vai tornar isso uma piada sem graça.
"oh, hahaha! ele provavelmente nem viu
que você estava lá!"
se um homem vive por 70 anos ele aprende
duas ou três coisas - a primeira sendo: não faça confidências
desnecessárias
para sua mulher.
a segunda sendo: outros podem às vezes
entendê-lo mas
ninguém o entenderá
melhor que sua
mulher.
659
Charles Bukowski
Dia Maldito
nos velhos tempos
após as corridas eu costumava terminar com uma
amarela alta ou uma branca louca em algum quarto
de motel
mas agora estou com 70 e tenho que levantar quatro vezes
toda noite para mijar
e quase que a única coisa a me preocupar é
o tráfego nas vias expressas.
hoje eu perdi $810,00 nas corridas e quando
tentei entrar na via expressa um
tipo em um Camaro vermelho quase me jogou
fora da estrada (automóveis vermelhos sempre
me aborreceram) então me mandei atrás dele e dirigimos lado a lado.
dando uma olhada nele vi que era um cara magro
que parecia com um contador, então baixei
minha janela e berrei para ele enquanto
buzinava, informando-o de que ele era um pedaço de
merda subnormal mas ele só continuou a olhar
para a frente por isso pisei fundo e o deixei para
trás e meu pensamento seguinte foi, será que
devo contar isso à minha mulher?
e então rapidamente uma voz de algum lugar
respondeu, não seja trouxa, meu chapa, ela
só vai tornar isso uma piada sem graça.
"oh, hahaha! ele provavelmente nem viu
que você estava lá!"
se um homem vive por 70 anos ele aprende
duas ou três coisas - a primeira sendo: não faça confidências
desnecessárias
para sua mulher.
a segunda sendo: outros podem às vezes
entendê-lo mas
ninguém o entenderá
melhor que sua
mulher.
após as corridas eu costumava terminar com uma
amarela alta ou uma branca louca em algum quarto
de motel
mas agora estou com 70 e tenho que levantar quatro vezes
toda noite para mijar
e quase que a única coisa a me preocupar é
o tráfego nas vias expressas.
hoje eu perdi $810,00 nas corridas e quando
tentei entrar na via expressa um
tipo em um Camaro vermelho quase me jogou
fora da estrada (automóveis vermelhos sempre
me aborreceram) então me mandei atrás dele e dirigimos lado a lado.
dando uma olhada nele vi que era um cara magro
que parecia com um contador, então baixei
minha janela e berrei para ele enquanto
buzinava, informando-o de que ele era um pedaço de
merda subnormal mas ele só continuou a olhar
para a frente por isso pisei fundo e o deixei para
trás e meu pensamento seguinte foi, será que
devo contar isso à minha mulher?
e então rapidamente uma voz de algum lugar
respondeu, não seja trouxa, meu chapa, ela
só vai tornar isso uma piada sem graça.
"oh, hahaha! ele provavelmente nem viu
que você estava lá!"
se um homem vive por 70 anos ele aprende
duas ou três coisas - a primeira sendo: não faça confidências
desnecessárias
para sua mulher.
a segunda sendo: outros podem às vezes
entendê-lo mas
ninguém o entenderá
melhor que sua
mulher.
659
José Paulo Paes
Canção do adolescente
Se mais bem olhardes
notareis que as rugas
umas são postiças
outras literárias.
Notareis ainda
o que mais escondo:
a descontinuidade
do meu corpo híbrido.
Quando corto a rua
para me ocultar
as mulheres riem
(sempre tão agudas!)
do meu corpo.
Que força macabra
misturou pedaços
de criança e homem
para me criar?
Se quereis salvar-me
desta anatomia,
batizai-me depressa
com as inefáveis
as assustadoras
águas do mundo.
notareis que as rugas
umas são postiças
outras literárias.
Notareis ainda
o que mais escondo:
a descontinuidade
do meu corpo híbrido.
Quando corto a rua
para me ocultar
as mulheres riem
(sempre tão agudas!)
do meu corpo.
Que força macabra
misturou pedaços
de criança e homem
para me criar?
Se quereis salvar-me
desta anatomia,
batizai-me depressa
com as inefáveis
as assustadoras
águas do mundo.
1 761
José Paulo Paes
Canção do adolescente
Se mais bem olhardes
notareis que as rugas
umas são postiças
outras literárias.
Notareis ainda
o que mais escondo:
a descontinuidade
do meu corpo híbrido.
Quando corto a rua
para me ocultar
as mulheres riem
(sempre tão agudas!)
do meu corpo.
Que força macabra
misturou pedaços
de criança e homem
para me criar?
Se quereis salvar-me
desta anatomia,
batizai-me depressa
com as inefáveis
as assustadoras
águas do mundo.
notareis que as rugas
umas são postiças
outras literárias.
Notareis ainda
o que mais escondo:
a descontinuidade
do meu corpo híbrido.
Quando corto a rua
para me ocultar
as mulheres riem
(sempre tão agudas!)
do meu corpo.
Que força macabra
misturou pedaços
de criança e homem
para me criar?
Se quereis salvar-me
desta anatomia,
batizai-me depressa
com as inefáveis
as assustadoras
águas do mundo.
1 761
José Paulo Paes
Canção do adolescente
Se mais bem olhardes
notareis que as rugas
umas são postiças
outras literárias.
Notareis ainda
o que mais escondo:
a descontinuidade
do meu corpo híbrido.
Quando corto a rua
para me ocultar
as mulheres riem
(sempre tão agudas!)
do meu corpo.
Que força macabra
misturou pedaços
de criança e homem
para me criar?
Se quereis salvar-me
desta anatomia,
batizai-me depressa
com as inefáveis
as assustadoras
águas do mundo.
notareis que as rugas
umas são postiças
outras literárias.
Notareis ainda
o que mais escondo:
a descontinuidade
do meu corpo híbrido.
Quando corto a rua
para me ocultar
as mulheres riem
(sempre tão agudas!)
do meu corpo.
Que força macabra
misturou pedaços
de criança e homem
para me criar?
Se quereis salvar-me
desta anatomia,
batizai-me depressa
com as inefáveis
as assustadoras
águas do mundo.
1 761
José Paulo Paes
Canção do adolescente
Se mais bem olhardes
notareis que as rugas
umas são postiças
outras literárias.
Notareis ainda
o que mais escondo:
a descontinuidade
do meu corpo híbrido.
Quando corto a rua
para me ocultar
as mulheres riem
(sempre tão agudas!)
do meu corpo.
Que força macabra
misturou pedaços
de criança e homem
para me criar?
Se quereis salvar-me
desta anatomia,
batizai-me depressa
com as inefáveis
as assustadoras
águas do mundo.
notareis que as rugas
umas são postiças
outras literárias.
Notareis ainda
o que mais escondo:
a descontinuidade
do meu corpo híbrido.
Quando corto a rua
para me ocultar
as mulheres riem
(sempre tão agudas!)
do meu corpo.
Que força macabra
misturou pedaços
de criança e homem
para me criar?
Se quereis salvar-me
desta anatomia,
batizai-me depressa
com as inefáveis
as assustadoras
águas do mundo.
1 761
José Paulo Paes
Canção do adolescente
Se mais bem olhardes
notareis que as rugas
umas são postiças
outras literárias.
Notareis ainda
o que mais escondo:
a descontinuidade
do meu corpo híbrido.
Quando corto a rua
para me ocultar
as mulheres riem
(sempre tão agudas!)
do meu corpo.
Que força macabra
misturou pedaços
de criança e homem
para me criar?
Se quereis salvar-me
desta anatomia,
batizai-me depressa
com as inefáveis
as assustadoras
águas do mundo.
notareis que as rugas
umas são postiças
outras literárias.
Notareis ainda
o que mais escondo:
a descontinuidade
do meu corpo híbrido.
Quando corto a rua
para me ocultar
as mulheres riem
(sempre tão agudas!)
do meu corpo.
Que força macabra
misturou pedaços
de criança e homem
para me criar?
Se quereis salvar-me
desta anatomia,
batizai-me depressa
com as inefáveis
as assustadoras
águas do mundo.
1 761
Frei Agostinho da Cruz
LI À morte
Os correos da morte são chegados,
Por caminhos antigos, impedidos,
Mal com meus olhos, mal com meus ouvidos,
Mal com meus pés, do chão mal levantados.
E mal, por não chorar bem meus pecados,
Que sendo sete, e cinco, meus sentidos,
Por serem tantas vezes repetidos,
Impossivel será serem contados.
Se não viera a morte acompanhada
Da conta, que dar devo tão estreita,
Não fora tão penosa imaginada.
Mas a que vivo ou morto tenho feita,
Tenho com meu Senhor na cruz pregada,
Onde o ladrão contrito não se enjeita.
Por caminhos antigos, impedidos,
Mal com meus olhos, mal com meus ouvidos,
Mal com meus pés, do chão mal levantados.
E mal, por não chorar bem meus pecados,
Que sendo sete, e cinco, meus sentidos,
Por serem tantas vezes repetidos,
Impossivel será serem contados.
Se não viera a morte acompanhada
Da conta, que dar devo tão estreita,
Não fora tão penosa imaginada.
Mas a que vivo ou morto tenho feita,
Tenho com meu Senhor na cruz pregada,
Onde o ladrão contrito não se enjeita.
769
Frei Agostinho da Cruz
LI À morte
Os correos da morte são chegados,
Por caminhos antigos, impedidos,
Mal com meus olhos, mal com meus ouvidos,
Mal com meus pés, do chão mal levantados.
E mal, por não chorar bem meus pecados,
Que sendo sete, e cinco, meus sentidos,
Por serem tantas vezes repetidos,
Impossivel será serem contados.
Se não viera a morte acompanhada
Da conta, que dar devo tão estreita,
Não fora tão penosa imaginada.
Mas a que vivo ou morto tenho feita,
Tenho com meu Senhor na cruz pregada,
Onde o ladrão contrito não se enjeita.
Por caminhos antigos, impedidos,
Mal com meus olhos, mal com meus ouvidos,
Mal com meus pés, do chão mal levantados.
E mal, por não chorar bem meus pecados,
Que sendo sete, e cinco, meus sentidos,
Por serem tantas vezes repetidos,
Impossivel será serem contados.
Se não viera a morte acompanhada
Da conta, que dar devo tão estreita,
Não fora tão penosa imaginada.
Mas a que vivo ou morto tenho feita,
Tenho com meu Senhor na cruz pregada,
Onde o ladrão contrito não se enjeita.
769
Frei Agostinho da Cruz
LI À morte
Os correos da morte são chegados,
Por caminhos antigos, impedidos,
Mal com meus olhos, mal com meus ouvidos,
Mal com meus pés, do chão mal levantados.
E mal, por não chorar bem meus pecados,
Que sendo sete, e cinco, meus sentidos,
Por serem tantas vezes repetidos,
Impossivel será serem contados.
Se não viera a morte acompanhada
Da conta, que dar devo tão estreita,
Não fora tão penosa imaginada.
Mas a que vivo ou morto tenho feita,
Tenho com meu Senhor na cruz pregada,
Onde o ladrão contrito não se enjeita.
Por caminhos antigos, impedidos,
Mal com meus olhos, mal com meus ouvidos,
Mal com meus pés, do chão mal levantados.
E mal, por não chorar bem meus pecados,
Que sendo sete, e cinco, meus sentidos,
Por serem tantas vezes repetidos,
Impossivel será serem contados.
Se não viera a morte acompanhada
Da conta, que dar devo tão estreita,
Não fora tão penosa imaginada.
Mas a que vivo ou morto tenho feita,
Tenho com meu Senhor na cruz pregada,
Onde o ladrão contrito não se enjeita.
769
Charles Bukowski
Uma Entrevista aos 70
o entrevistador se inclina na minha
direção, "alguns dizem que você não é mais
tão selvagem como costumava
ser",
"bem", eu disse, "não posso continuar para
sempre escrevendo poemas sobre
derramar cerveja no colo das
putas.
um homem amadurece e se move em direção a outras
coisas."
"mas alguns ainda querem o mesmo
velho Chinaski!"
"e isso é o que eles
têm", eu digo.
"conte-nos sobre as corridas
de cavalos", ele sugere.
"não há nada para
contar."
"você tem que esperar
até ele ficar legal
até depois da meia-noite
para ouvir as coisas realmente
boas",
diz minha mulher.
o entrevistador não está
acostumado a esperar.
ele olha suas
anotações.
ele quer algumas
grandes declarações, algumas
grandes conclusões,
algo grande que
aconteça agora.
ele está confuso devido a seus
equívocos e
preconceitos.
e a pior coisa
nele?
ele não é
selvagem
o bastante.
direção, "alguns dizem que você não é mais
tão selvagem como costumava
ser",
"bem", eu disse, "não posso continuar para
sempre escrevendo poemas sobre
derramar cerveja no colo das
putas.
um homem amadurece e se move em direção a outras
coisas."
"mas alguns ainda querem o mesmo
velho Chinaski!"
"e isso é o que eles
têm", eu digo.
"conte-nos sobre as corridas
de cavalos", ele sugere.
"não há nada para
contar."
"você tem que esperar
até ele ficar legal
até depois da meia-noite
para ouvir as coisas realmente
boas",
diz minha mulher.
o entrevistador não está
acostumado a esperar.
ele olha suas
anotações.
ele quer algumas
grandes declarações, algumas
grandes conclusões,
algo grande que
aconteça agora.
ele está confuso devido a seus
equívocos e
preconceitos.
e a pior coisa
nele?
ele não é
selvagem
o bastante.
1 255
Frei Agostinho da Cruz
Da Oração
Doce quietação de quem vos ama,
Em serviços, Senhor, que tanto quanto
Amado sois, tão longe o fim de tanto,
Subindo mais, e mais, mais se derrama:Ardendo por arder em viva chama
De amor do vosso amor, a voz levanto;
Sinto, suspiro, choro, colho, e planto
Ao som doutra suave que me chama.
Onde se vai, Senhor, quem vos ofende?
Donde levais, Deus meu, a quem vos segue?
Onde fugir se pode uma de duas?
Morto por quem o mata que pretende,
Ou que extremos de amor há que nos negue
Quem culpas nossas chama ofensas suas?
Em serviços, Senhor, que tanto quanto
Amado sois, tão longe o fim de tanto,
Subindo mais, e mais, mais se derrama:Ardendo por arder em viva chama
De amor do vosso amor, a voz levanto;
Sinto, suspiro, choro, colho, e planto
Ao som doutra suave que me chama.
Onde se vai, Senhor, quem vos ofende?
Donde levais, Deus meu, a quem vos segue?
Onde fugir se pode uma de duas?
Morto por quem o mata que pretende,
Ou que extremos de amor há que nos negue
Quem culpas nossas chama ofensas suas?
719
Diogo Brandão
Os que logo decrararam
Os que logo decrararam
suas dores, em querendo,
muitas vezes s'estimaram;
mas muito mais obrigaram
aqueles que, padecendo,
nam falando, mas morrendo,
confessaram.
Bem podem dizer fingidos
seus amores os primeiros;
masaquestes, já vencidos,
pola morte conhecidos,
sam seus males verdadeiros.
Já se muitos confortaram
em suas penas dizendo,
e disso se contentaram;
portanto mais obrigaram
aqueles que, padecendo,
nom falando, mas morrendo,
confessaram.
suas dores, em querendo,
muitas vezes s'estimaram;
mas muito mais obrigaram
aqueles que, padecendo,
nam falando, mas morrendo,
confessaram.
Bem podem dizer fingidos
seus amores os primeiros;
masaquestes, já vencidos,
pola morte conhecidos,
sam seus males verdadeiros.
Já se muitos confortaram
em suas penas dizendo,
e disso se contentaram;
portanto mais obrigaram
aqueles que, padecendo,
nom falando, mas morrendo,
confessaram.
577
Frei Agostinho da Cruz
II Os versos, que cantei importunado
Os versos, que cantei importunado
Da mocidade cega a quem seguia,
Queimei (como vergonha me pedia)
Chorando, por haver tão mal cantado.
Se nestes não ficar tão desculpado
Quanto mais alto estilo merecia,
Não me podem negar a melhoria
Da mudança, que diz dum noutro estado.
Que vai que sejam bem ou mal aceitos?
Pois não os escrevi para louvores
Humanos, pelo menos perigosos,
Senão para plantar em tenros peitos
Desejos de colher divinas flores
À força de suspiros saudosos.
Da mocidade cega a quem seguia,
Queimei (como vergonha me pedia)
Chorando, por haver tão mal cantado.
Se nestes não ficar tão desculpado
Quanto mais alto estilo merecia,
Não me podem negar a melhoria
Da mudança, que diz dum noutro estado.
Que vai que sejam bem ou mal aceitos?
Pois não os escrevi para louvores
Humanos, pelo menos perigosos,
Senão para plantar em tenros peitos
Desejos de colher divinas flores
À força de suspiros saudosos.
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