Poemas neste tema
Vida e Existência
Charles Bukowski
Não é Muito
suponho que assim como outros
eu tenha atravessado ferro e fogo,
o amor que deu errado,
quedas de cabeça, bêbado no mar,
e escutei o simples rumor da água escorrendo
nos encanamentos
e desejei afogar-me
mas simplesmente não conseguia aguentar os outros
carregando meu corpo três lances de escada abaixo
até os curiosos boquiabertos;
a psique foi queimada
e nos deixou insensíveis,
o mundo tem estado mais escuro que um apagão
dentro de um cubículo cheio de morcegos famintos,
e o uísque e o vinho penetraram em nossas veias
quando o sangue estava fraco demais para continuar;
e isso acontecerá com outros,
e nossos poucos bons momentos serão raros
porque temos um senso crítico
e não somos fáceis de enganar com risadas;
minúsculos insetos rastejam em nossa tela
mas podemos enxergar através dela
uma paisagem devastada
e que eles possam ter sua vez;
só pedimos que leopardos guardem
nossos ralos sonhos.
certa vez estive internado em um
hospital branco
para os moribundos e os egos
moribundos, onde algum deus mijou uma chuva de
razões para fazer com que as coisas crescessem
só para morrer, onde de joelhos
eu rezei por LUZ,
eu rezei por I*u*z,
e rezando
arrastei-me como uma lesma cega para a
teia
na qual fios de vento se enroscaram em minha mente
e morri de piedade
pelo Homem, por mim,
em uma cruz sem pregos,
olhando atemorizado enquanto
o porco arrota em seu chiqueiro, peida,
pisca e come.
eu tenha atravessado ferro e fogo,
o amor que deu errado,
quedas de cabeça, bêbado no mar,
e escutei o simples rumor da água escorrendo
nos encanamentos
e desejei afogar-me
mas simplesmente não conseguia aguentar os outros
carregando meu corpo três lances de escada abaixo
até os curiosos boquiabertos;
a psique foi queimada
e nos deixou insensíveis,
o mundo tem estado mais escuro que um apagão
dentro de um cubículo cheio de morcegos famintos,
e o uísque e o vinho penetraram em nossas veias
quando o sangue estava fraco demais para continuar;
e isso acontecerá com outros,
e nossos poucos bons momentos serão raros
porque temos um senso crítico
e não somos fáceis de enganar com risadas;
minúsculos insetos rastejam em nossa tela
mas podemos enxergar através dela
uma paisagem devastada
e que eles possam ter sua vez;
só pedimos que leopardos guardem
nossos ralos sonhos.
certa vez estive internado em um
hospital branco
para os moribundos e os egos
moribundos, onde algum deus mijou uma chuva de
razões para fazer com que as coisas crescessem
só para morrer, onde de joelhos
eu rezei por LUZ,
eu rezei por I*u*z,
e rezando
arrastei-me como uma lesma cega para a
teia
na qual fios de vento se enroscaram em minha mente
e morri de piedade
pelo Homem, por mim,
em uma cruz sem pregos,
olhando atemorizado enquanto
o porco arrota em seu chiqueiro, peida,
pisca e come.
1 065
Charles Bukowski
Encurralado
bem, eles diziam que tudo terminaria
assim: velho. o talento perdido. tateando às cegas em busca
da palavra
ouvindo os passos
na escuridão, volto-me
para olhar atrás de mim...
ainda não, velho cão...
logo em breve.
agora
eles se sentam falando sobre
mim: “sim, acontece, ele já
era... é
triste...”
“ele nunca teve muito, não é
mesmo?”
“bem, não, mas agora...”
agora
eles celebram minha derrocada
em tavernas que há muito já não
frequento.
agora
bebo sozinho
junto a essa máquina que mal
funciona
enquanto as sombras assumem
formas
combato retirando-me
lentamente
agora
minha antiga promessa
definha
definha
agora
acendendo novos cigarros
servindo mais
bebidas
tem sido um belo
combate
ainda
é.
assim: velho. o talento perdido. tateando às cegas em busca
da palavra
ouvindo os passos
na escuridão, volto-me
para olhar atrás de mim...
ainda não, velho cão...
logo em breve.
agora
eles se sentam falando sobre
mim: “sim, acontece, ele já
era... é
triste...”
“ele nunca teve muito, não é
mesmo?”
“bem, não, mas agora...”
agora
eles celebram minha derrocada
em tavernas que há muito já não
frequento.
agora
bebo sozinho
junto a essa máquina que mal
funciona
enquanto as sombras assumem
formas
combato retirando-me
lentamente
agora
minha antiga promessa
definha
definha
agora
acendendo novos cigarros
servindo mais
bebidas
tem sido um belo
combate
ainda
é.
1 334
Charles Bukowski
Globulárias e Latadas
claro, posso morrer nos próximos dez minutos
e estou pronto para isso
mas o que realmente me preocupa é
que meu editor venha a se aposentar
ainda que ele seja dez anos mais jovem do que
eu.
tudo começou 25 anos atrás (eu estava na madura
faixa dos 45)
quando começamos nossa profana aliança para
testar as águas literárias,
nenhum de nós sendo muito
conhecido.
acho que tivemos um pouco de sorte e que ainda nos
resta um pouco da
mesma
as possibilidades são bem favoráveis
para que ele opte por tardes quentes e
prazenteiras
no jardim
muito antes de mim.
a escrita é sua própria bebedeira
enquanto que publicar e editar,
esforçar-se por pagar as contas
carrega consigo seu próprio
atrito
que ainda inclui lidar com
os faniquitos tolos e as exigências
de tantos
assim chamados gênios extravagantes que nada
são.
não vou culpá-lo por dar o
fora
e espero que me mande fotos de sua
Alameda Rosa, de sua
Avenida Gardênia.
terei que procurar outros
promulgadores?
aquele camarada com o chapéu de pelúcia
russo?
ou aquela besta no leste
com todos aqueles pelos
saindo dos ouvidos, com aqueles lábios
úmidos e gordurosos?
ou será que meu editor
ao sair do mundo de Globulárias e
latadas
passará a
maquinaria
de seu antigo negócio a um
primo, uma
filha ou a
algum poundiano do Grande
Sul?
ou simplesmente transmitirá seu legado
a um
funcionário do despacho
que ressurgirá como
Lázaro,
manuseando uma importância
recém-encontrada?
alguém pode imaginar coisas
terríveis:
“Sr. Chinaski, seus textos
devem agora ser submetidos em
forma de Rondó
e
digitados
em espaço três em papel de
arroz”.
o poder corrompe,
a vida aborta
e tudo o que
lhe resta
é um
bocado de
verrugas.
“não, não, sr. Chinaski:
tem que ser em Rondó!”
“ei, cara”, perguntarei,
“você já ouviu falar
dos anos 30?”
“os anos 30? o que é
isso?”
meu atual editor
e eu
às vezes
discutíamos os anos 30,
a Depressão
e
alguns dos truques que
nos ensinaram –
como perseverar apoiado em quase
nada
e como seguir em
frente.
bem, John, se isso acontecer aproveite seu
ócio para
se dedicar à agricultura
cultivar e viver ao ar livre
no meio do
mato, água apenas
cedo pela manhã, plante
com folga para desencorajar
as ervas daninhas
e
como faço com minha escrita:
use muito
adubo.
e obrigado
por ter me ajeitado aqui no
5124 da DeLongpre Avenue
em algum lugar entre o
alcoolismo e a
loucura.
juntos nós
lançamos o desafio
e até os dias de hoje
há aceitadores
para serem
encontrados
enquanto o fogo canta
por entre as
árvores.
e estou pronto para isso
mas o que realmente me preocupa é
que meu editor venha a se aposentar
ainda que ele seja dez anos mais jovem do que
eu.
tudo começou 25 anos atrás (eu estava na madura
faixa dos 45)
quando começamos nossa profana aliança para
testar as águas literárias,
nenhum de nós sendo muito
conhecido.
acho que tivemos um pouco de sorte e que ainda nos
resta um pouco da
mesma
as possibilidades são bem favoráveis
para que ele opte por tardes quentes e
prazenteiras
no jardim
muito antes de mim.
a escrita é sua própria bebedeira
enquanto que publicar e editar,
esforçar-se por pagar as contas
carrega consigo seu próprio
atrito
que ainda inclui lidar com
os faniquitos tolos e as exigências
de tantos
assim chamados gênios extravagantes que nada
são.
não vou culpá-lo por dar o
fora
e espero que me mande fotos de sua
Alameda Rosa, de sua
Avenida Gardênia.
terei que procurar outros
promulgadores?
aquele camarada com o chapéu de pelúcia
russo?
ou aquela besta no leste
com todos aqueles pelos
saindo dos ouvidos, com aqueles lábios
úmidos e gordurosos?
ou será que meu editor
ao sair do mundo de Globulárias e
latadas
passará a
maquinaria
de seu antigo negócio a um
primo, uma
filha ou a
algum poundiano do Grande
Sul?
ou simplesmente transmitirá seu legado
a um
funcionário do despacho
que ressurgirá como
Lázaro,
manuseando uma importância
recém-encontrada?
alguém pode imaginar coisas
terríveis:
“Sr. Chinaski, seus textos
devem agora ser submetidos em
forma de Rondó
e
digitados
em espaço três em papel de
arroz”.
o poder corrompe,
a vida aborta
e tudo o que
lhe resta
é um
bocado de
verrugas.
“não, não, sr. Chinaski:
tem que ser em Rondó!”
“ei, cara”, perguntarei,
“você já ouviu falar
dos anos 30?”
“os anos 30? o que é
isso?”
meu atual editor
e eu
às vezes
discutíamos os anos 30,
a Depressão
e
alguns dos truques que
nos ensinaram –
como perseverar apoiado em quase
nada
e como seguir em
frente.
bem, John, se isso acontecer aproveite seu
ócio para
se dedicar à agricultura
cultivar e viver ao ar livre
no meio do
mato, água apenas
cedo pela manhã, plante
com folga para desencorajar
as ervas daninhas
e
como faço com minha escrita:
use muito
adubo.
e obrigado
por ter me ajeitado aqui no
5124 da DeLongpre Avenue
em algum lugar entre o
alcoolismo e a
loucura.
juntos nós
lançamos o desafio
e até os dias de hoje
há aceitadores
para serem
encontrados
enquanto o fogo canta
por entre as
árvores.
938
Charles Bukowski
Globulárias e Latadas
claro, posso morrer nos próximos dez minutos
e estou pronto para isso
mas o que realmente me preocupa é
que meu editor venha a se aposentar
ainda que ele seja dez anos mais jovem do que
eu.
tudo começou 25 anos atrás (eu estava na madura
faixa dos 45)
quando começamos nossa profana aliança para
testar as águas literárias,
nenhum de nós sendo muito
conhecido.
acho que tivemos um pouco de sorte e que ainda nos
resta um pouco da
mesma
as possibilidades são bem favoráveis
para que ele opte por tardes quentes e
prazenteiras
no jardim
muito antes de mim.
a escrita é sua própria bebedeira
enquanto que publicar e editar,
esforçar-se por pagar as contas
carrega consigo seu próprio
atrito
que ainda inclui lidar com
os faniquitos tolos e as exigências
de tantos
assim chamados gênios extravagantes que nada
são.
não vou culpá-lo por dar o
fora
e espero que me mande fotos de sua
Alameda Rosa, de sua
Avenida Gardênia.
terei que procurar outros
promulgadores?
aquele camarada com o chapéu de pelúcia
russo?
ou aquela besta no leste
com todos aqueles pelos
saindo dos ouvidos, com aqueles lábios
úmidos e gordurosos?
ou será que meu editor
ao sair do mundo de Globulárias e
latadas
passará a
maquinaria
de seu antigo negócio a um
primo, uma
filha ou a
algum poundiano do Grande
Sul?
ou simplesmente transmitirá seu legado
a um
funcionário do despacho
que ressurgirá como
Lázaro,
manuseando uma importância
recém-encontrada?
alguém pode imaginar coisas
terríveis:
“Sr. Chinaski, seus textos
devem agora ser submetidos em
forma de Rondó
e
digitados
em espaço três em papel de
arroz”.
o poder corrompe,
a vida aborta
e tudo o que
lhe resta
é um
bocado de
verrugas.
“não, não, sr. Chinaski:
tem que ser em Rondó!”
“ei, cara”, perguntarei,
“você já ouviu falar
dos anos 30?”
“os anos 30? o que é
isso?”
meu atual editor
e eu
às vezes
discutíamos os anos 30,
a Depressão
e
alguns dos truques que
nos ensinaram –
como perseverar apoiado em quase
nada
e como seguir em
frente.
bem, John, se isso acontecer aproveite seu
ócio para
se dedicar à agricultura
cultivar e viver ao ar livre
no meio do
mato, água apenas
cedo pela manhã, plante
com folga para desencorajar
as ervas daninhas
e
como faço com minha escrita:
use muito
adubo.
e obrigado
por ter me ajeitado aqui no
5124 da DeLongpre Avenue
em algum lugar entre o
alcoolismo e a
loucura.
juntos nós
lançamos o desafio
e até os dias de hoje
há aceitadores
para serem
encontrados
enquanto o fogo canta
por entre as
árvores.
e estou pronto para isso
mas o que realmente me preocupa é
que meu editor venha a se aposentar
ainda que ele seja dez anos mais jovem do que
eu.
tudo começou 25 anos atrás (eu estava na madura
faixa dos 45)
quando começamos nossa profana aliança para
testar as águas literárias,
nenhum de nós sendo muito
conhecido.
acho que tivemos um pouco de sorte e que ainda nos
resta um pouco da
mesma
as possibilidades são bem favoráveis
para que ele opte por tardes quentes e
prazenteiras
no jardim
muito antes de mim.
a escrita é sua própria bebedeira
enquanto que publicar e editar,
esforçar-se por pagar as contas
carrega consigo seu próprio
atrito
que ainda inclui lidar com
os faniquitos tolos e as exigências
de tantos
assim chamados gênios extravagantes que nada
são.
não vou culpá-lo por dar o
fora
e espero que me mande fotos de sua
Alameda Rosa, de sua
Avenida Gardênia.
terei que procurar outros
promulgadores?
aquele camarada com o chapéu de pelúcia
russo?
ou aquela besta no leste
com todos aqueles pelos
saindo dos ouvidos, com aqueles lábios
úmidos e gordurosos?
ou será que meu editor
ao sair do mundo de Globulárias e
latadas
passará a
maquinaria
de seu antigo negócio a um
primo, uma
filha ou a
algum poundiano do Grande
Sul?
ou simplesmente transmitirá seu legado
a um
funcionário do despacho
que ressurgirá como
Lázaro,
manuseando uma importância
recém-encontrada?
alguém pode imaginar coisas
terríveis:
“Sr. Chinaski, seus textos
devem agora ser submetidos em
forma de Rondó
e
digitados
em espaço três em papel de
arroz”.
o poder corrompe,
a vida aborta
e tudo o que
lhe resta
é um
bocado de
verrugas.
“não, não, sr. Chinaski:
tem que ser em Rondó!”
“ei, cara”, perguntarei,
“você já ouviu falar
dos anos 30?”
“os anos 30? o que é
isso?”
meu atual editor
e eu
às vezes
discutíamos os anos 30,
a Depressão
e
alguns dos truques que
nos ensinaram –
como perseverar apoiado em quase
nada
e como seguir em
frente.
bem, John, se isso acontecer aproveite seu
ócio para
se dedicar à agricultura
cultivar e viver ao ar livre
no meio do
mato, água apenas
cedo pela manhã, plante
com folga para desencorajar
as ervas daninhas
e
como faço com minha escrita:
use muito
adubo.
e obrigado
por ter me ajeitado aqui no
5124 da DeLongpre Avenue
em algum lugar entre o
alcoolismo e a
loucura.
juntos nós
lançamos o desafio
e até os dias de hoje
há aceitadores
para serem
encontrados
enquanto o fogo canta
por entre as
árvores.
938
Charles Bukowski
Sorte
certa vez
fomos jovens
diante desta
máquina...
bebendo
fumando
escrevendo
foi o mais
esplêndido e
miraculoso
dos tempos
ainda
é
acontece que agora
em vez de
nos movermos na direção
do tempo
ele
se move na nossa
direção
faz com que cada palavra
perfure
o
papel
clara
veloz
dura
alimentando um
espaço que se
fecha.
fomos jovens
diante desta
máquina...
bebendo
fumando
escrevendo
foi o mais
esplêndido e
miraculoso
dos tempos
ainda
é
acontece que agora
em vez de
nos movermos na direção
do tempo
ele
se move na nossa
direção
faz com que cada palavra
perfure
o
papel
clara
veloz
dura
alimentando um
espaço que se
fecha.
1 311
Charles Bukowski
Sorte
certa vez
fomos jovens
diante desta
máquina...
bebendo
fumando
escrevendo
foi o mais
esplêndido e
miraculoso
dos tempos
ainda
é
acontece que agora
em vez de
nos movermos na direção
do tempo
ele
se move na nossa
direção
faz com que cada palavra
perfure
o
papel
clara
veloz
dura
alimentando um
espaço que se
fecha.
fomos jovens
diante desta
máquina...
bebendo
fumando
escrevendo
foi o mais
esplêndido e
miraculoso
dos tempos
ainda
é
acontece que agora
em vez de
nos movermos na direção
do tempo
ele
se move na nossa
direção
faz com que cada palavra
perfure
o
papel
clara
veloz
dura
alimentando um
espaço que se
fecha.
1 311
Charles Bukowski
Sorte
certa vez
fomos jovens
diante desta
máquina...
bebendo
fumando
escrevendo
foi o mais
esplêndido e
miraculoso
dos tempos
ainda
é
acontece que agora
em vez de
nos movermos na direção
do tempo
ele
se move na nossa
direção
faz com que cada palavra
perfure
o
papel
clara
veloz
dura
alimentando um
espaço que se
fecha.
fomos jovens
diante desta
máquina...
bebendo
fumando
escrevendo
foi o mais
esplêndido e
miraculoso
dos tempos
ainda
é
acontece que agora
em vez de
nos movermos na direção
do tempo
ele
se move na nossa
direção
faz com que cada palavra
perfure
o
papel
clara
veloz
dura
alimentando um
espaço que se
fecha.
1 311
Charles Bukowski
Sorte
certa vez
fomos jovens
diante desta
máquina...
bebendo
fumando
escrevendo
foi o mais
esplêndido e
miraculoso
dos tempos
ainda
é
acontece que agora
em vez de
nos movermos na direção
do tempo
ele
se move na nossa
direção
faz com que cada palavra
perfure
o
papel
clara
veloz
dura
alimentando um
espaço que se
fecha.
fomos jovens
diante desta
máquina...
bebendo
fumando
escrevendo
foi o mais
esplêndido e
miraculoso
dos tempos
ainda
é
acontece que agora
em vez de
nos movermos na direção
do tempo
ele
se move na nossa
direção
faz com que cada palavra
perfure
o
papel
clara
veloz
dura
alimentando um
espaço que se
fecha.
1 311
Charles Bukowski
A Vida na Agência De Correios
eu me agacho diante desse labirinto
de caixotes de madeira
enfiando pequenos cartões e cartas
endereçados a inexistentes
vidas
enquanto a cidade toda comemora
e fode pelas ruas e canta
com os pássaros.
eu fico parado debaixo de uma fraca luz elétrica
e mando mensagens para um Garcia falecido,
e tenho idade suficiente para morrer
(sempre tive idade suficiente para morrer)
enquanto fico parado diante dessa bagunça de madeira
e alimento sua fome muda;
este é meu trabalho, meu aluguel, minha puta, meus sapatos,
o escorrer da cor dos meus olhos;
chefe, foda-se, você me achou,
minha boca franzida,
minhas mãos enrugadas contra meu
peito branco com manchas vermelhas;
a rua é tão dura, ao menos
dê-me o descanso pelo qual paguei uma vida,
e quando o Gavião chegar
eu o encontrarei no meio do caminho,
nos abraçaremos lá onde o papel de parede está rasgado
onde a chuva entrou.
agora estou parado diante de um cemitério de olhos e bocas
de cabeças esvaziadas para sombras
e sombras entram
como ratos e me olham.
eu remexo em cartões e cartas com números secretos enquanto
agentes cortam os fios e testam meu batimento cardíaco,
para escutar sanidade
ou alegria ou amor, e sem acharem nada,
satisfeitos, vão embora;
flap, flap, flap, estou parado diante do labirinto de madeira
e minha alma desfalece
e além do labirinto há uma janela
com sons, grama, caminhada, torres, cães,
mas aqui estou e aqui fico,
enviando cartas com minha própria demissão;
e eu estou cansado de me importar: ir embora, largar tudo,
e tocar fogo.
de caixotes de madeira
enfiando pequenos cartões e cartas
endereçados a inexistentes
vidas
enquanto a cidade toda comemora
e fode pelas ruas e canta
com os pássaros.
eu fico parado debaixo de uma fraca luz elétrica
e mando mensagens para um Garcia falecido,
e tenho idade suficiente para morrer
(sempre tive idade suficiente para morrer)
enquanto fico parado diante dessa bagunça de madeira
e alimento sua fome muda;
este é meu trabalho, meu aluguel, minha puta, meus sapatos,
o escorrer da cor dos meus olhos;
chefe, foda-se, você me achou,
minha boca franzida,
minhas mãos enrugadas contra meu
peito branco com manchas vermelhas;
a rua é tão dura, ao menos
dê-me o descanso pelo qual paguei uma vida,
e quando o Gavião chegar
eu o encontrarei no meio do caminho,
nos abraçaremos lá onde o papel de parede está rasgado
onde a chuva entrou.
agora estou parado diante de um cemitério de olhos e bocas
de cabeças esvaziadas para sombras
e sombras entram
como ratos e me olham.
eu remexo em cartões e cartas com números secretos enquanto
agentes cortam os fios e testam meu batimento cardíaco,
para escutar sanidade
ou alegria ou amor, e sem acharem nada,
satisfeitos, vão embora;
flap, flap, flap, estou parado diante do labirinto de madeira
e minha alma desfalece
e além do labirinto há uma janela
com sons, grama, caminhada, torres, cães,
mas aqui estou e aqui fico,
enviando cartas com minha própria demissão;
e eu estou cansado de me importar: ir embora, largar tudo,
e tocar fogo.
718
Charles Bukowski
A Vida na Agência De Correios
eu me agacho diante desse labirinto
de caixotes de madeira
enfiando pequenos cartões e cartas
endereçados a inexistentes
vidas
enquanto a cidade toda comemora
e fode pelas ruas e canta
com os pássaros.
eu fico parado debaixo de uma fraca luz elétrica
e mando mensagens para um Garcia falecido,
e tenho idade suficiente para morrer
(sempre tive idade suficiente para morrer)
enquanto fico parado diante dessa bagunça de madeira
e alimento sua fome muda;
este é meu trabalho, meu aluguel, minha puta, meus sapatos,
o escorrer da cor dos meus olhos;
chefe, foda-se, você me achou,
minha boca franzida,
minhas mãos enrugadas contra meu
peito branco com manchas vermelhas;
a rua é tão dura, ao menos
dê-me o descanso pelo qual paguei uma vida,
e quando o Gavião chegar
eu o encontrarei no meio do caminho,
nos abraçaremos lá onde o papel de parede está rasgado
onde a chuva entrou.
agora estou parado diante de um cemitério de olhos e bocas
de cabeças esvaziadas para sombras
e sombras entram
como ratos e me olham.
eu remexo em cartões e cartas com números secretos enquanto
agentes cortam os fios e testam meu batimento cardíaco,
para escutar sanidade
ou alegria ou amor, e sem acharem nada,
satisfeitos, vão embora;
flap, flap, flap, estou parado diante do labirinto de madeira
e minha alma desfalece
e além do labirinto há uma janela
com sons, grama, caminhada, torres, cães,
mas aqui estou e aqui fico,
enviando cartas com minha própria demissão;
e eu estou cansado de me importar: ir embora, largar tudo,
e tocar fogo.
de caixotes de madeira
enfiando pequenos cartões e cartas
endereçados a inexistentes
vidas
enquanto a cidade toda comemora
e fode pelas ruas e canta
com os pássaros.
eu fico parado debaixo de uma fraca luz elétrica
e mando mensagens para um Garcia falecido,
e tenho idade suficiente para morrer
(sempre tive idade suficiente para morrer)
enquanto fico parado diante dessa bagunça de madeira
e alimento sua fome muda;
este é meu trabalho, meu aluguel, minha puta, meus sapatos,
o escorrer da cor dos meus olhos;
chefe, foda-se, você me achou,
minha boca franzida,
minhas mãos enrugadas contra meu
peito branco com manchas vermelhas;
a rua é tão dura, ao menos
dê-me o descanso pelo qual paguei uma vida,
e quando o Gavião chegar
eu o encontrarei no meio do caminho,
nos abraçaremos lá onde o papel de parede está rasgado
onde a chuva entrou.
agora estou parado diante de um cemitério de olhos e bocas
de cabeças esvaziadas para sombras
e sombras entram
como ratos e me olham.
eu remexo em cartões e cartas com números secretos enquanto
agentes cortam os fios e testam meu batimento cardíaco,
para escutar sanidade
ou alegria ou amor, e sem acharem nada,
satisfeitos, vão embora;
flap, flap, flap, estou parado diante do labirinto de madeira
e minha alma desfalece
e além do labirinto há uma janela
com sons, grama, caminhada, torres, cães,
mas aqui estou e aqui fico,
enviando cartas com minha própria demissão;
e eu estou cansado de me importar: ir embora, largar tudo,
e tocar fogo.
718
Charles Bukowski
Canção de Amor Para a Mulher Que Vi Quarta-feira Nas Pistas De Corrida
lembrando Savannah 20 anos atrás
uma cama com dossel
e ruas cheias de capacetes e caçadores
coisas que fiz então
deixaram marcas;
ha ha, diz você,
mas elas voltam vivas enquanto compro pão
ou amarro o cadarço do sapato
e pouco importa
exceto que dá certo para mim
assim como as pernas daquela mulher deram certo para mim
assim como o sol dá certo para mim assim como dá certo para o cacto
e assim como você dá certo para mim
lendo este poema.
e as pernas daquela mulher caminham
enquanto as observo
e os cavalos na próxima corrida
e as montanhas ficam lá
observando
marcas e pernas de uma mulher
pule de 10 no número seis na ponta
e para longe no oceano
ou parado no parque
como uma estátua
eu a vejo
caminhando.
cavalos parados por toda parte:
conchas como de Savannah em meus bolsos:
eu amei você mulher
com certeza assim como eu a nomeei
ferrugem e areia e nylon.
você deu certo para mim
coisa selvagem.
uma cama com dossel
e ruas cheias de capacetes e caçadores
coisas que fiz então
deixaram marcas;
ha ha, diz você,
mas elas voltam vivas enquanto compro pão
ou amarro o cadarço do sapato
e pouco importa
exceto que dá certo para mim
assim como as pernas daquela mulher deram certo para mim
assim como o sol dá certo para mim assim como dá certo para o cacto
e assim como você dá certo para mim
lendo este poema.
e as pernas daquela mulher caminham
enquanto as observo
e os cavalos na próxima corrida
e as montanhas ficam lá
observando
marcas e pernas de uma mulher
pule de 10 no número seis na ponta
e para longe no oceano
ou parado no parque
como uma estátua
eu a vejo
caminhando.
cavalos parados por toda parte:
conchas como de Savannah em meus bolsos:
eu amei você mulher
com certeza assim como eu a nomeei
ferrugem e areia e nylon.
você deu certo para mim
coisa selvagem.
1 126
Charles Bukowski
Canção de Amor Para a Mulher Que Vi Quarta-feira Nas Pistas De Corrida
lembrando Savannah 20 anos atrás
uma cama com dossel
e ruas cheias de capacetes e caçadores
coisas que fiz então
deixaram marcas;
ha ha, diz você,
mas elas voltam vivas enquanto compro pão
ou amarro o cadarço do sapato
e pouco importa
exceto que dá certo para mim
assim como as pernas daquela mulher deram certo para mim
assim como o sol dá certo para mim assim como dá certo para o cacto
e assim como você dá certo para mim
lendo este poema.
e as pernas daquela mulher caminham
enquanto as observo
e os cavalos na próxima corrida
e as montanhas ficam lá
observando
marcas e pernas de uma mulher
pule de 10 no número seis na ponta
e para longe no oceano
ou parado no parque
como uma estátua
eu a vejo
caminhando.
cavalos parados por toda parte:
conchas como de Savannah em meus bolsos:
eu amei você mulher
com certeza assim como eu a nomeei
ferrugem e areia e nylon.
você deu certo para mim
coisa selvagem.
uma cama com dossel
e ruas cheias de capacetes e caçadores
coisas que fiz então
deixaram marcas;
ha ha, diz você,
mas elas voltam vivas enquanto compro pão
ou amarro o cadarço do sapato
e pouco importa
exceto que dá certo para mim
assim como as pernas daquela mulher deram certo para mim
assim como o sol dá certo para mim assim como dá certo para o cacto
e assim como você dá certo para mim
lendo este poema.
e as pernas daquela mulher caminham
enquanto as observo
e os cavalos na próxima corrida
e as montanhas ficam lá
observando
marcas e pernas de uma mulher
pule de 10 no número seis na ponta
e para longe no oceano
ou parado no parque
como uma estátua
eu a vejo
caminhando.
cavalos parados por toda parte:
conchas como de Savannah em meus bolsos:
eu amei você mulher
com certeza assim como eu a nomeei
ferrugem e areia e nylon.
você deu certo para mim
coisa selvagem.
1 126
Charles Bukowski
Pode Ir Dando Adeus a Sua Bunda
eu finalmente o conheci. ele estava sentado em um velho roupão
e reclamou por 5 horas.
"olha," ele disse, "não confie em Krause,
Krause irá roubá-lo. ele me deve 10.000 dólares
e não tem jeito de eu arrancá-los
dele. um verdadeiro safado."
"Senhor", eu disse, "quando escreveu aquele primeiro romance,
tinha tanto humor, a verdade sempre é tão engraçada,
sabe, o jeito como as pessoas agem, como coisas mecânicas cegas,
matando sem razão, maravilhoso como conseguiu por tudo aquilo
no papel."
uma velha senhora entrou e serviu-lhe uma
xícara de chá. "eles arrebentaram minha motocicleta, roubaram meus
manuscritos,
me limparam. eles teriam me matado mas eu não estava
aqui. eles me chamaram de fascista, afirmaram que eu havia vendido os
planos
da Linha Maginot aos Krauts. agora, onde diabos eu poderia ter
conseguido os planos da Linha
Maginot?"
ele serviu-se de chá. ergueu a xícara. estava quente demais
ou algo assim. ele cuspiu tudo no tapete, um pouco em
meus sapatos e calças.
"Senhor", eu perguntei, "aquele primeiro romance, o senhor realmente
comeu sua própria
carne quando era um jovem escritor? estava tão
faminto assim? meu deus, que narrativa aquela, eu nunca
a esquecerei!"
"Martha!", ele chamou. "Martha!"
a velha senhora entrou.
"você esqueceu o limão e o açúcar, sua bruxa velha!"
a velha senhora saiu correndo
para pegar o limão e o açúcar.
"o governo reclama que eu lhe devo 70.000 dólares! eles não incomodam
Krause, o filho
da puta roda por aí em um Cadillac e tem uma propriedade
de cinco hectares. nunca confie em Krause. ele é um sanguessuga. ele
sugou
os corpos e talento de pelo menos 3 dúzias de escritores. ele é como uma
aranha
gigante, uma tarântula!
"Krause nunca me pediu nada..."
"se ele pedir, você pode ir dando adeus
a sua bunda!"
Martha entrou correndo com o limão e o açúcar.
"sua maldita puta sem vergonha! eu deveria chicotear sua bunda!"
"Senhor", eu disse, "o senhor é visto como
um dos mais poderosos escritores desde 1900."
"não confie em Krause! um sanguessuga!?"
ele se queixou por 5 horas. e eu ouvi. então sua cabeça caiu para trás,
sobre o encosto da sua cadeira de balanço, e eu vi aquele
famoso perfil de águia. então ele começou
a roncar.
ele era apenas um velho em um velho
roupão.
eu me levantei. Martha entrou.
"estou contente por ter tido uma chance de encontrá-lo",
disse a ela.
"tento lembrar-me de que ele já foi um grande escritor",
ela me disse.
"ele ainda tem um certo senso de humor",
disse a ela.
"eu não acho", ela disse,
"veja, eu sou
a mulher
dele."
"boa noite", eu
disse.
"boa noite", ela
respondeu.
e reclamou por 5 horas.
"olha," ele disse, "não confie em Krause,
Krause irá roubá-lo. ele me deve 10.000 dólares
e não tem jeito de eu arrancá-los
dele. um verdadeiro safado."
"Senhor", eu disse, "quando escreveu aquele primeiro romance,
tinha tanto humor, a verdade sempre é tão engraçada,
sabe, o jeito como as pessoas agem, como coisas mecânicas cegas,
matando sem razão, maravilhoso como conseguiu por tudo aquilo
no papel."
uma velha senhora entrou e serviu-lhe uma
xícara de chá. "eles arrebentaram minha motocicleta, roubaram meus
manuscritos,
me limparam. eles teriam me matado mas eu não estava
aqui. eles me chamaram de fascista, afirmaram que eu havia vendido os
planos
da Linha Maginot aos Krauts. agora, onde diabos eu poderia ter
conseguido os planos da Linha
Maginot?"
ele serviu-se de chá. ergueu a xícara. estava quente demais
ou algo assim. ele cuspiu tudo no tapete, um pouco em
meus sapatos e calças.
"Senhor", eu perguntei, "aquele primeiro romance, o senhor realmente
comeu sua própria
carne quando era um jovem escritor? estava tão
faminto assim? meu deus, que narrativa aquela, eu nunca
a esquecerei!"
"Martha!", ele chamou. "Martha!"
a velha senhora entrou.
"você esqueceu o limão e o açúcar, sua bruxa velha!"
a velha senhora saiu correndo
para pegar o limão e o açúcar.
"o governo reclama que eu lhe devo 70.000 dólares! eles não incomodam
Krause, o filho
da puta roda por aí em um Cadillac e tem uma propriedade
de cinco hectares. nunca confie em Krause. ele é um sanguessuga. ele
sugou
os corpos e talento de pelo menos 3 dúzias de escritores. ele é como uma
aranha
gigante, uma tarântula!
"Krause nunca me pediu nada..."
"se ele pedir, você pode ir dando adeus
a sua bunda!"
Martha entrou correndo com o limão e o açúcar.
"sua maldita puta sem vergonha! eu deveria chicotear sua bunda!"
"Senhor", eu disse, "o senhor é visto como
um dos mais poderosos escritores desde 1900."
"não confie em Krause! um sanguessuga!?"
ele se queixou por 5 horas. e eu ouvi. então sua cabeça caiu para trás,
sobre o encosto da sua cadeira de balanço, e eu vi aquele
famoso perfil de águia. então ele começou
a roncar.
ele era apenas um velho em um velho
roupão.
eu me levantei. Martha entrou.
"estou contente por ter tido uma chance de encontrá-lo",
disse a ela.
"tento lembrar-me de que ele já foi um grande escritor",
ela me disse.
"ele ainda tem um certo senso de humor",
disse a ela.
"eu não acho", ela disse,
"veja, eu sou
a mulher
dele."
"boa noite", eu
disse.
"boa noite", ela
respondeu.
1 081
Charles Bukowski
O Touro
eu não sabia
que os mexicanos
faziam isto:
o touro
havia sido bravo
e agora
eles o arrastavam
morto
ao redor da arena
pela
cauda,
um bravo touro
morto
mas não um touro qualquer,
esse foi um touro
especial
e para mim
uma lição especial
que aprendi...
e embora Brahms
tenha roubado sua Primeira da 9a
de Beethoven,
e embora
o touro
estivesse morto,
sua cabeça e seus cornos e
seus intestinos mortos,
ele foi melhor que
Brahms,
tão bom quanto
Beethoven,
e
enquanto íamos embora
seu som e O
sentido dele
continuavam a subir rastejando por meus braços
e embora as pessoas me empurrassem e
pisassem nos meus pés
o touro fazia arder em mim
um candeeiro de
luz;
arrastado por sua cauda
ele nada tinha a ver com qualquer coisa
tendo agora escapado de tudo aquilo,
baixando pelo longo túnel, rodeado por
cotovelos e pés e olhos, eu rezei por Tijuana
e pelo touro morto
e pelo homem
e por mim,
as águas azuis beijando-se
gozando o prazer do âmago da dor,
e eu cerrei meus punhos
bem fundo em meus
bolsos, agarrei a escuridão
e segui em frente.
que os mexicanos
faziam isto:
o touro
havia sido bravo
e agora
eles o arrastavam
morto
ao redor da arena
pela
cauda,
um bravo touro
morto
mas não um touro qualquer,
esse foi um touro
especial
e para mim
uma lição especial
que aprendi...
e embora Brahms
tenha roubado sua Primeira da 9a
de Beethoven,
e embora
o touro
estivesse morto,
sua cabeça e seus cornos e
seus intestinos mortos,
ele foi melhor que
Brahms,
tão bom quanto
Beethoven,
e
enquanto íamos embora
seu som e O
sentido dele
continuavam a subir rastejando por meus braços
e embora as pessoas me empurrassem e
pisassem nos meus pés
o touro fazia arder em mim
um candeeiro de
luz;
arrastado por sua cauda
ele nada tinha a ver com qualquer coisa
tendo agora escapado de tudo aquilo,
baixando pelo longo túnel, rodeado por
cotovelos e pés e olhos, eu rezei por Tijuana
e pelo touro morto
e pelo homem
e por mim,
as águas azuis beijando-se
gozando o prazer do âmago da dor,
e eu cerrei meus punhos
bem fundo em meus
bolsos, agarrei a escuridão
e segui em frente.
1 328
Charles Bukowski
O Touro
eu não sabia
que os mexicanos
faziam isto:
o touro
havia sido bravo
e agora
eles o arrastavam
morto
ao redor da arena
pela
cauda,
um bravo touro
morto
mas não um touro qualquer,
esse foi um touro
especial
e para mim
uma lição especial
que aprendi...
e embora Brahms
tenha roubado sua Primeira da 9a
de Beethoven,
e embora
o touro
estivesse morto,
sua cabeça e seus cornos e
seus intestinos mortos,
ele foi melhor que
Brahms,
tão bom quanto
Beethoven,
e
enquanto íamos embora
seu som e O
sentido dele
continuavam a subir rastejando por meus braços
e embora as pessoas me empurrassem e
pisassem nos meus pés
o touro fazia arder em mim
um candeeiro de
luz;
arrastado por sua cauda
ele nada tinha a ver com qualquer coisa
tendo agora escapado de tudo aquilo,
baixando pelo longo túnel, rodeado por
cotovelos e pés e olhos, eu rezei por Tijuana
e pelo touro morto
e pelo homem
e por mim,
as águas azuis beijando-se
gozando o prazer do âmago da dor,
e eu cerrei meus punhos
bem fundo em meus
bolsos, agarrei a escuridão
e segui em frente.
que os mexicanos
faziam isto:
o touro
havia sido bravo
e agora
eles o arrastavam
morto
ao redor da arena
pela
cauda,
um bravo touro
morto
mas não um touro qualquer,
esse foi um touro
especial
e para mim
uma lição especial
que aprendi...
e embora Brahms
tenha roubado sua Primeira da 9a
de Beethoven,
e embora
o touro
estivesse morto,
sua cabeça e seus cornos e
seus intestinos mortos,
ele foi melhor que
Brahms,
tão bom quanto
Beethoven,
e
enquanto íamos embora
seu som e O
sentido dele
continuavam a subir rastejando por meus braços
e embora as pessoas me empurrassem e
pisassem nos meus pés
o touro fazia arder em mim
um candeeiro de
luz;
arrastado por sua cauda
ele nada tinha a ver com qualquer coisa
tendo agora escapado de tudo aquilo,
baixando pelo longo túnel, rodeado por
cotovelos e pés e olhos, eu rezei por Tijuana
e pelo touro morto
e pelo homem
e por mim,
as águas azuis beijando-se
gozando o prazer do âmago da dor,
e eu cerrei meus punhos
bem fundo em meus
bolsos, agarrei a escuridão
e segui em frente.
1 328
Charles Bukowski
Meu Primeiro Poema de Computador
será que já tomei o caminho para a morte certa?
será esta máquina meu algoz
quando nem o trago nem as mulheres nem a pobreza
conseguiram me dar cabo?
estará Whitman rindo de mim na sua cova?
será que Creeley se importa?
estará isto aqui devidamente espaçado?
estou eu?
uivará o Ginsberg?
me acalme!
me dê sorte!
me faça bem!
me faça seguir em frente!
sou virgem outra vez.
um virgem de 70 anos.
não me foda, máquina
foda.
quem se importa?
fale comigo, máquina!
podemos tomar um trago juntos.
podemos nos divertir.
pense em todas as pessoas que irão me odiar neste
computador.
vamos somá-las aos outros
e seguir sempre em
frente.
então isto é o começo
e não o
fim.
será esta máquina meu algoz
quando nem o trago nem as mulheres nem a pobreza
conseguiram me dar cabo?
estará Whitman rindo de mim na sua cova?
será que Creeley se importa?
estará isto aqui devidamente espaçado?
estou eu?
uivará o Ginsberg?
me acalme!
me dê sorte!
me faça bem!
me faça seguir em frente!
sou virgem outra vez.
um virgem de 70 anos.
não me foda, máquina
foda.
quem se importa?
fale comigo, máquina!
podemos tomar um trago juntos.
podemos nos divertir.
pense em todas as pessoas que irão me odiar neste
computador.
vamos somá-las aos outros
e seguir sempre em
frente.
então isto é o começo
e não o
fim.
1 216
Charles Bukowski
Meu Primeiro Poema de Computador
será que já tomei o caminho para a morte certa?
será esta máquina meu algoz
quando nem o trago nem as mulheres nem a pobreza
conseguiram me dar cabo?
estará Whitman rindo de mim na sua cova?
será que Creeley se importa?
estará isto aqui devidamente espaçado?
estou eu?
uivará o Ginsberg?
me acalme!
me dê sorte!
me faça bem!
me faça seguir em frente!
sou virgem outra vez.
um virgem de 70 anos.
não me foda, máquina
foda.
quem se importa?
fale comigo, máquina!
podemos tomar um trago juntos.
podemos nos divertir.
pense em todas as pessoas que irão me odiar neste
computador.
vamos somá-las aos outros
e seguir sempre em
frente.
então isto é o começo
e não o
fim.
será esta máquina meu algoz
quando nem o trago nem as mulheres nem a pobreza
conseguiram me dar cabo?
estará Whitman rindo de mim na sua cova?
será que Creeley se importa?
estará isto aqui devidamente espaçado?
estou eu?
uivará o Ginsberg?
me acalme!
me dê sorte!
me faça bem!
me faça seguir em frente!
sou virgem outra vez.
um virgem de 70 anos.
não me foda, máquina
foda.
quem se importa?
fale comigo, máquina!
podemos tomar um trago juntos.
podemos nos divertir.
pense em todas as pessoas que irão me odiar neste
computador.
vamos somá-las aos outros
e seguir sempre em
frente.
então isto é o começo
e não o
fim.
1 216
Charles Bukowski
Meu Primeiro Poema de Computador
será que já tomei o caminho para a morte certa?
será esta máquina meu algoz
quando nem o trago nem as mulheres nem a pobreza
conseguiram me dar cabo?
estará Whitman rindo de mim na sua cova?
será que Creeley se importa?
estará isto aqui devidamente espaçado?
estou eu?
uivará o Ginsberg?
me acalme!
me dê sorte!
me faça bem!
me faça seguir em frente!
sou virgem outra vez.
um virgem de 70 anos.
não me foda, máquina
foda.
quem se importa?
fale comigo, máquina!
podemos tomar um trago juntos.
podemos nos divertir.
pense em todas as pessoas que irão me odiar neste
computador.
vamos somá-las aos outros
e seguir sempre em
frente.
então isto é o começo
e não o
fim.
será esta máquina meu algoz
quando nem o trago nem as mulheres nem a pobreza
conseguiram me dar cabo?
estará Whitman rindo de mim na sua cova?
será que Creeley se importa?
estará isto aqui devidamente espaçado?
estou eu?
uivará o Ginsberg?
me acalme!
me dê sorte!
me faça bem!
me faça seguir em frente!
sou virgem outra vez.
um virgem de 70 anos.
não me foda, máquina
foda.
quem se importa?
fale comigo, máquina!
podemos tomar um trago juntos.
podemos nos divertir.
pense em todas as pessoas que irão me odiar neste
computador.
vamos somá-las aos outros
e seguir sempre em
frente.
então isto é o começo
e não o
fim.
1 216
Charles Bukowski
Meu Primeiro Poema de Computador
será que já tomei o caminho para a morte certa?
será esta máquina meu algoz
quando nem o trago nem as mulheres nem a pobreza
conseguiram me dar cabo?
estará Whitman rindo de mim na sua cova?
será que Creeley se importa?
estará isto aqui devidamente espaçado?
estou eu?
uivará o Ginsberg?
me acalme!
me dê sorte!
me faça bem!
me faça seguir em frente!
sou virgem outra vez.
um virgem de 70 anos.
não me foda, máquina
foda.
quem se importa?
fale comigo, máquina!
podemos tomar um trago juntos.
podemos nos divertir.
pense em todas as pessoas que irão me odiar neste
computador.
vamos somá-las aos outros
e seguir sempre em
frente.
então isto é o começo
e não o
fim.
será esta máquina meu algoz
quando nem o trago nem as mulheres nem a pobreza
conseguiram me dar cabo?
estará Whitman rindo de mim na sua cova?
será que Creeley se importa?
estará isto aqui devidamente espaçado?
estou eu?
uivará o Ginsberg?
me acalme!
me dê sorte!
me faça bem!
me faça seguir em frente!
sou virgem outra vez.
um virgem de 70 anos.
não me foda, máquina
foda.
quem se importa?
fale comigo, máquina!
podemos tomar um trago juntos.
podemos nos divertir.
pense em todas as pessoas que irão me odiar neste
computador.
vamos somá-las aos outros
e seguir sempre em
frente.
então isto é o começo
e não o
fim.
1 216
Charles Bukowski
Um Antigo Amor
não lembro nossas idades:
devíamos ter entre 5 e 7,
havia essa menina na casa ao lado mais ou menos da minha idade.
lembro seu nome: Lila Jane.
e uma coisa ela fazia todo dia,
uma vez por dia, perguntava-me:
"você está pronto?"
e eu dizia que estava
e ela erguia a saia e
me mostrava suas calcinhas e elas eram
de uma cor diferente a cada dia.
várias décadas depois ela me achou de alguma maneira
e veio aqui com seu namorado
um cara que fumava cachimbo
e que havia lido meus livros
e ela cruzou suas longas e lindas pernas
bem alto
mas não alto o bastante para que eu visse as calcinhas.
e quando eles estavam para ir embora
eu lhe dei um abraço e
apertei a mão do seu namorado
e nunca mais a vi ou a ele
ou as calcinhas dela
alguma outra vez.
devíamos ter entre 5 e 7,
havia essa menina na casa ao lado mais ou menos da minha idade.
lembro seu nome: Lila Jane.
e uma coisa ela fazia todo dia,
uma vez por dia, perguntava-me:
"você está pronto?"
e eu dizia que estava
e ela erguia a saia e
me mostrava suas calcinhas e elas eram
de uma cor diferente a cada dia.
várias décadas depois ela me achou de alguma maneira
e veio aqui com seu namorado
um cara que fumava cachimbo
e que havia lido meus livros
e ela cruzou suas longas e lindas pernas
bem alto
mas não alto o bastante para que eu visse as calcinhas.
e quando eles estavam para ir embora
eu lhe dei um abraço e
apertei a mão do seu namorado
e nunca mais a vi ou a ele
ou as calcinhas dela
alguma outra vez.
1 102
Charles Bukowski
Um Antigo Amor
não lembro nossas idades:
devíamos ter entre 5 e 7,
havia essa menina na casa ao lado mais ou menos da minha idade.
lembro seu nome: Lila Jane.
e uma coisa ela fazia todo dia,
uma vez por dia, perguntava-me:
"você está pronto?"
e eu dizia que estava
e ela erguia a saia e
me mostrava suas calcinhas e elas eram
de uma cor diferente a cada dia.
várias décadas depois ela me achou de alguma maneira
e veio aqui com seu namorado
um cara que fumava cachimbo
e que havia lido meus livros
e ela cruzou suas longas e lindas pernas
bem alto
mas não alto o bastante para que eu visse as calcinhas.
e quando eles estavam para ir embora
eu lhe dei um abraço e
apertei a mão do seu namorado
e nunca mais a vi ou a ele
ou as calcinhas dela
alguma outra vez.
devíamos ter entre 5 e 7,
havia essa menina na casa ao lado mais ou menos da minha idade.
lembro seu nome: Lila Jane.
e uma coisa ela fazia todo dia,
uma vez por dia, perguntava-me:
"você está pronto?"
e eu dizia que estava
e ela erguia a saia e
me mostrava suas calcinhas e elas eram
de uma cor diferente a cada dia.
várias décadas depois ela me achou de alguma maneira
e veio aqui com seu namorado
um cara que fumava cachimbo
e que havia lido meus livros
e ela cruzou suas longas e lindas pernas
bem alto
mas não alto o bastante para que eu visse as calcinhas.
e quando eles estavam para ir embora
eu lhe dei um abraço e
apertei a mão do seu namorado
e nunca mais a vi ou a ele
ou as calcinhas dela
alguma outra vez.
1 102
Charles Bukowski
Um Antigo Amor
não lembro nossas idades:
devíamos ter entre 5 e 7,
havia essa menina na casa ao lado mais ou menos da minha idade.
lembro seu nome: Lila Jane.
e uma coisa ela fazia todo dia,
uma vez por dia, perguntava-me:
"você está pronto?"
e eu dizia que estava
e ela erguia a saia e
me mostrava suas calcinhas e elas eram
de uma cor diferente a cada dia.
várias décadas depois ela me achou de alguma maneira
e veio aqui com seu namorado
um cara que fumava cachimbo
e que havia lido meus livros
e ela cruzou suas longas e lindas pernas
bem alto
mas não alto o bastante para que eu visse as calcinhas.
e quando eles estavam para ir embora
eu lhe dei um abraço e
apertei a mão do seu namorado
e nunca mais a vi ou a ele
ou as calcinhas dela
alguma outra vez.
devíamos ter entre 5 e 7,
havia essa menina na casa ao lado mais ou menos da minha idade.
lembro seu nome: Lila Jane.
e uma coisa ela fazia todo dia,
uma vez por dia, perguntava-me:
"você está pronto?"
e eu dizia que estava
e ela erguia a saia e
me mostrava suas calcinhas e elas eram
de uma cor diferente a cada dia.
várias décadas depois ela me achou de alguma maneira
e veio aqui com seu namorado
um cara que fumava cachimbo
e que havia lido meus livros
e ela cruzou suas longas e lindas pernas
bem alto
mas não alto o bastante para que eu visse as calcinhas.
e quando eles estavam para ir embora
eu lhe dei um abraço e
apertei a mão do seu namorado
e nunca mais a vi ou a ele
ou as calcinhas dela
alguma outra vez.
1 102
Charles Bukowski
Aceitação
16 anos de idade
durante a Depressão
eu voltava para casa
e minhas posses -
shorts, camisas, meias,
maleta e muitas páginas
de contos -
estavam jogadas no
gramado da frente e na
rua.
minha mãe me
esperava atrás de uma árvore:
"Henry, Henry, não
entre... ele vai
matar você, ele leu
suas histórias.
por favor tome
isso... €
encontre um quarto para você".
mas como o preocupava
que eu não conseguisse
terminar o colégio
eu voltava para casa
outra vez.
uma noite ele entrou
segurando
um dos meus contos
(que eu nunca lhe havia
mostrado)
e disse: "este é
um grande conto!"
e eu disse, "está bem"
e ele o devolveu para mim
e eu o li:
e era a história de
um homem rico
que havia tido uma briga terrível com
sua mulher e havia
saído pela noite afora
para tomar um cafezinho
e havia se sentado e estudado
a garçonete e as colheres
e os garfos e
os saleiros e pimenteiros
e o letreiro de neon
na janela
e pensou sobre tudo isso,
e então ele foi
a seu estábulo
para ver e tocar seu
cavalo favorito
que então
sem nenhuma razão
o escoiceou na cabeça
e o matou.
de algum modo
a história fazia algum
sentido para ele
apesar de que
quando a escrevi
eu não tinha ideia
do que
estava escrevendo.
então eu lhe disse,
"está bem, velho, você pode
ficar com isso".
e ele a pegou
e saiu
e fechou a porta e
eu acho que isso
foi o mais perto
a que chegamos.
durante a Depressão
eu voltava para casa
e minhas posses -
shorts, camisas, meias,
maleta e muitas páginas
de contos -
estavam jogadas no
gramado da frente e na
rua.
minha mãe me
esperava atrás de uma árvore:
"Henry, Henry, não
entre... ele vai
matar você, ele leu
suas histórias.
por favor tome
isso... €
encontre um quarto para você".
mas como o preocupava
que eu não conseguisse
terminar o colégio
eu voltava para casa
outra vez.
uma noite ele entrou
segurando
um dos meus contos
(que eu nunca lhe havia
mostrado)
e disse: "este é
um grande conto!"
e eu disse, "está bem"
e ele o devolveu para mim
e eu o li:
e era a história de
um homem rico
que havia tido uma briga terrível com
sua mulher e havia
saído pela noite afora
para tomar um cafezinho
e havia se sentado e estudado
a garçonete e as colheres
e os garfos e
os saleiros e pimenteiros
e o letreiro de neon
na janela
e pensou sobre tudo isso,
e então ele foi
a seu estábulo
para ver e tocar seu
cavalo favorito
que então
sem nenhuma razão
o escoiceou na cabeça
e o matou.
de algum modo
a história fazia algum
sentido para ele
apesar de que
quando a escrevi
eu não tinha ideia
do que
estava escrevendo.
então eu lhe disse,
"está bem, velho, você pode
ficar com isso".
e ele a pegou
e saiu
e fechou a porta e
eu acho que isso
foi o mais perto
a que chegamos.
1 036
Charles Bukowski
Aceitação
16 anos de idade
durante a Depressão
eu voltava para casa
e minhas posses -
shorts, camisas, meias,
maleta e muitas páginas
de contos -
estavam jogadas no
gramado da frente e na
rua.
minha mãe me
esperava atrás de uma árvore:
"Henry, Henry, não
entre... ele vai
matar você, ele leu
suas histórias.
por favor tome
isso... €
encontre um quarto para você".
mas como o preocupava
que eu não conseguisse
terminar o colégio
eu voltava para casa
outra vez.
uma noite ele entrou
segurando
um dos meus contos
(que eu nunca lhe havia
mostrado)
e disse: "este é
um grande conto!"
e eu disse, "está bem"
e ele o devolveu para mim
e eu o li:
e era a história de
um homem rico
que havia tido uma briga terrível com
sua mulher e havia
saído pela noite afora
para tomar um cafezinho
e havia se sentado e estudado
a garçonete e as colheres
e os garfos e
os saleiros e pimenteiros
e o letreiro de neon
na janela
e pensou sobre tudo isso,
e então ele foi
a seu estábulo
para ver e tocar seu
cavalo favorito
que então
sem nenhuma razão
o escoiceou na cabeça
e o matou.
de algum modo
a história fazia algum
sentido para ele
apesar de que
quando a escrevi
eu não tinha ideia
do que
estava escrevendo.
então eu lhe disse,
"está bem, velho, você pode
ficar com isso".
e ele a pegou
e saiu
e fechou a porta e
eu acho que isso
foi o mais perto
a que chegamos.
durante a Depressão
eu voltava para casa
e minhas posses -
shorts, camisas, meias,
maleta e muitas páginas
de contos -
estavam jogadas no
gramado da frente e na
rua.
minha mãe me
esperava atrás de uma árvore:
"Henry, Henry, não
entre... ele vai
matar você, ele leu
suas histórias.
por favor tome
isso... €
encontre um quarto para você".
mas como o preocupava
que eu não conseguisse
terminar o colégio
eu voltava para casa
outra vez.
uma noite ele entrou
segurando
um dos meus contos
(que eu nunca lhe havia
mostrado)
e disse: "este é
um grande conto!"
e eu disse, "está bem"
e ele o devolveu para mim
e eu o li:
e era a história de
um homem rico
que havia tido uma briga terrível com
sua mulher e havia
saído pela noite afora
para tomar um cafezinho
e havia se sentado e estudado
a garçonete e as colheres
e os garfos e
os saleiros e pimenteiros
e o letreiro de neon
na janela
e pensou sobre tudo isso,
e então ele foi
a seu estábulo
para ver e tocar seu
cavalo favorito
que então
sem nenhuma razão
o escoiceou na cabeça
e o matou.
de algum modo
a história fazia algum
sentido para ele
apesar de que
quando a escrevi
eu não tinha ideia
do que
estava escrevendo.
então eu lhe disse,
"está bem, velho, você pode
ficar com isso".
e ele a pegou
e saiu
e fechou a porta e
eu acho que isso
foi o mais perto
a que chegamos.
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