Poemas neste tema
Vida e Existência
Charles Bukowski
29 Uvas Geladas
o processo de aprender é tortuoso
todos esses moinhos de vento
toda essa transição sangrenta
pias tampadas
mentes de papel higiênico
a mentira do amor, aquela puta pelada
cães com mais almas do que aqueles milionários de Pittsburgh
homens arruinados que achavam a graça mais eterna do que astuciosa
o processo de viver é curto demais e longo demais
longo demais para os velhos que nunca descobrem
curto demais para os velhos que descobriram
prematuro demais para os jovens que nunca sabem
excessivo demais para os jovens que descobrem
o processo de continuar é possível
com ajuda de álcool ou droga ou sexo
ou ouro ou golfe ou música sinfônica,
ou caça de cervos ou aprender a dançar a galinha maluca
ou ver um jogo de beisebol ou apostar num cavalo
ou tomar 6 banhos quentes por dia
ou insistir na ioga
ou virar um batista ou um violonista
ou ganhar uma massagem ou ler os quadrinhos
ou se masturbar ou comer 29 uvas geladas
ou discutir sobre John Cage ou ir ao zoológico
ou fumar charutos ou mostrar seu peru para garotinhas no parque
ou ser negro e comer uma garota branca
ou ser branco e comer uma garota negra
ou passear com um cão ou alimentar um gato ou xingar aos gritos uma criança
ou fazer as palavras cruzadas ou sentar no parque
ou frequentar faculdade ou pedalar uma bicicleta ou comer espaguete
ou ir a leituras de poesia ou ler poesia em público
ou ir ao cinema ou votar ou viajar à Índia ou
Nova York ou surrar alguém
ou polir prataria ou lustrar os sapatos
ou escrever uma carta ou encerar o carro
ou comprar um carro novo ou um tapetinho
ou uma camisa vermelha com bolinhas brancas
ou deixar crescer a barba ou cortar rente o cabelo
ou ficar parado na esquina suando com cara de inteligente
o processo de continuar é possível.
o processo de aprender é tortuoso
todas as pessoas sem esperança
e sem jamais saber
a flor silvestre é o tigre que comanda o universo
o tigre é a flor silvestre que comanda o universo
e as loucas e incomparáveis criaturas humanas com almas de barata
que sou chamado a amar e odiar e ter em convívio,
essas deverão verdadeiramente um dia sumir
na força de dinossauro de sua feiura
para que o sol não se sinta tão mal assim
para que o mar possa expelir os navios e o óleo e a merda
para que o céu possa se limpar da mesquinha cobiça delas
para que a noite possa se distinguir do dia
para que a traição possa virar o mais ínfimo dos anacronismos
para que o amor, provável iniciador de tudo, possa ter outro início
e durar e durar e durar e durar e durar e durar e
durar e durar e durar e durar
todos esses moinhos de vento
toda essa transição sangrenta
pias tampadas
mentes de papel higiênico
a mentira do amor, aquela puta pelada
cães com mais almas do que aqueles milionários de Pittsburgh
homens arruinados que achavam a graça mais eterna do que astuciosa
o processo de viver é curto demais e longo demais
longo demais para os velhos que nunca descobrem
curto demais para os velhos que descobriram
prematuro demais para os jovens que nunca sabem
excessivo demais para os jovens que descobrem
o processo de continuar é possível
com ajuda de álcool ou droga ou sexo
ou ouro ou golfe ou música sinfônica,
ou caça de cervos ou aprender a dançar a galinha maluca
ou ver um jogo de beisebol ou apostar num cavalo
ou tomar 6 banhos quentes por dia
ou insistir na ioga
ou virar um batista ou um violonista
ou ganhar uma massagem ou ler os quadrinhos
ou se masturbar ou comer 29 uvas geladas
ou discutir sobre John Cage ou ir ao zoológico
ou fumar charutos ou mostrar seu peru para garotinhas no parque
ou ser negro e comer uma garota branca
ou ser branco e comer uma garota negra
ou passear com um cão ou alimentar um gato ou xingar aos gritos uma criança
ou fazer as palavras cruzadas ou sentar no parque
ou frequentar faculdade ou pedalar uma bicicleta ou comer espaguete
ou ir a leituras de poesia ou ler poesia em público
ou ir ao cinema ou votar ou viajar à Índia ou
Nova York ou surrar alguém
ou polir prataria ou lustrar os sapatos
ou escrever uma carta ou encerar o carro
ou comprar um carro novo ou um tapetinho
ou uma camisa vermelha com bolinhas brancas
ou deixar crescer a barba ou cortar rente o cabelo
ou ficar parado na esquina suando com cara de inteligente
o processo de continuar é possível.
o processo de aprender é tortuoso
todas as pessoas sem esperança
e sem jamais saber
a flor silvestre é o tigre que comanda o universo
o tigre é a flor silvestre que comanda o universo
e as loucas e incomparáveis criaturas humanas com almas de barata
que sou chamado a amar e odiar e ter em convívio,
essas deverão verdadeiramente um dia sumir
na força de dinossauro de sua feiura
para que o sol não se sinta tão mal assim
para que o mar possa expelir os navios e o óleo e a merda
para que o céu possa se limpar da mesquinha cobiça delas
para que a noite possa se distinguir do dia
para que a traição possa virar o mais ínfimo dos anacronismos
para que o amor, provável iniciador de tudo, possa ter outro início
e durar e durar e durar e durar e durar e durar e
durar e durar e durar e durar
672
Charles Bukowski
29 Uvas Geladas
o processo de aprender é tortuoso
todos esses moinhos de vento
toda essa transição sangrenta
pias tampadas
mentes de papel higiênico
a mentira do amor, aquela puta pelada
cães com mais almas do que aqueles milionários de Pittsburgh
homens arruinados que achavam a graça mais eterna do que astuciosa
o processo de viver é curto demais e longo demais
longo demais para os velhos que nunca descobrem
curto demais para os velhos que descobriram
prematuro demais para os jovens que nunca sabem
excessivo demais para os jovens que descobrem
o processo de continuar é possível
com ajuda de álcool ou droga ou sexo
ou ouro ou golfe ou música sinfônica,
ou caça de cervos ou aprender a dançar a galinha maluca
ou ver um jogo de beisebol ou apostar num cavalo
ou tomar 6 banhos quentes por dia
ou insistir na ioga
ou virar um batista ou um violonista
ou ganhar uma massagem ou ler os quadrinhos
ou se masturbar ou comer 29 uvas geladas
ou discutir sobre John Cage ou ir ao zoológico
ou fumar charutos ou mostrar seu peru para garotinhas no parque
ou ser negro e comer uma garota branca
ou ser branco e comer uma garota negra
ou passear com um cão ou alimentar um gato ou xingar aos gritos uma criança
ou fazer as palavras cruzadas ou sentar no parque
ou frequentar faculdade ou pedalar uma bicicleta ou comer espaguete
ou ir a leituras de poesia ou ler poesia em público
ou ir ao cinema ou votar ou viajar à Índia ou
Nova York ou surrar alguém
ou polir prataria ou lustrar os sapatos
ou escrever uma carta ou encerar o carro
ou comprar um carro novo ou um tapetinho
ou uma camisa vermelha com bolinhas brancas
ou deixar crescer a barba ou cortar rente o cabelo
ou ficar parado na esquina suando com cara de inteligente
o processo de continuar é possível.
o processo de aprender é tortuoso
todas as pessoas sem esperança
e sem jamais saber
a flor silvestre é o tigre que comanda o universo
o tigre é a flor silvestre que comanda o universo
e as loucas e incomparáveis criaturas humanas com almas de barata
que sou chamado a amar e odiar e ter em convívio,
essas deverão verdadeiramente um dia sumir
na força de dinossauro de sua feiura
para que o sol não se sinta tão mal assim
para que o mar possa expelir os navios e o óleo e a merda
para que o céu possa se limpar da mesquinha cobiça delas
para que a noite possa se distinguir do dia
para que a traição possa virar o mais ínfimo dos anacronismos
para que o amor, provável iniciador de tudo, possa ter outro início
e durar e durar e durar e durar e durar e durar e
durar e durar e durar e durar
todos esses moinhos de vento
toda essa transição sangrenta
pias tampadas
mentes de papel higiênico
a mentira do amor, aquela puta pelada
cães com mais almas do que aqueles milionários de Pittsburgh
homens arruinados que achavam a graça mais eterna do que astuciosa
o processo de viver é curto demais e longo demais
longo demais para os velhos que nunca descobrem
curto demais para os velhos que descobriram
prematuro demais para os jovens que nunca sabem
excessivo demais para os jovens que descobrem
o processo de continuar é possível
com ajuda de álcool ou droga ou sexo
ou ouro ou golfe ou música sinfônica,
ou caça de cervos ou aprender a dançar a galinha maluca
ou ver um jogo de beisebol ou apostar num cavalo
ou tomar 6 banhos quentes por dia
ou insistir na ioga
ou virar um batista ou um violonista
ou ganhar uma massagem ou ler os quadrinhos
ou se masturbar ou comer 29 uvas geladas
ou discutir sobre John Cage ou ir ao zoológico
ou fumar charutos ou mostrar seu peru para garotinhas no parque
ou ser negro e comer uma garota branca
ou ser branco e comer uma garota negra
ou passear com um cão ou alimentar um gato ou xingar aos gritos uma criança
ou fazer as palavras cruzadas ou sentar no parque
ou frequentar faculdade ou pedalar uma bicicleta ou comer espaguete
ou ir a leituras de poesia ou ler poesia em público
ou ir ao cinema ou votar ou viajar à Índia ou
Nova York ou surrar alguém
ou polir prataria ou lustrar os sapatos
ou escrever uma carta ou encerar o carro
ou comprar um carro novo ou um tapetinho
ou uma camisa vermelha com bolinhas brancas
ou deixar crescer a barba ou cortar rente o cabelo
ou ficar parado na esquina suando com cara de inteligente
o processo de continuar é possível.
o processo de aprender é tortuoso
todas as pessoas sem esperança
e sem jamais saber
a flor silvestre é o tigre que comanda o universo
o tigre é a flor silvestre que comanda o universo
e as loucas e incomparáveis criaturas humanas com almas de barata
que sou chamado a amar e odiar e ter em convívio,
essas deverão verdadeiramente um dia sumir
na força de dinossauro de sua feiura
para que o sol não se sinta tão mal assim
para que o mar possa expelir os navios e o óleo e a merda
para que o céu possa se limpar da mesquinha cobiça delas
para que a noite possa se distinguir do dia
para que a traição possa virar o mais ínfimo dos anacronismos
para que o amor, provável iniciador de tudo, possa ter outro início
e durar e durar e durar e durar e durar e durar e
durar e durar e durar e durar
672
Charles Bukowski
Ligação Telefônica da Minha Filha de Cinco Anos Em Garden Grove
oi, Hank!
ainda estou subindo na árvore e não
caí, então acho que nunca vou cair
agora...
terça de noite! mamãe, mamãe, o Hank vem nos visitar
terça de noite! podemos dormir juntos, Hank?
que bom. e podemos brincar na caixa de areia antes
do jantar.
sabe, a gente limpou a caixa, vovó e mamãe e eu,
tiramos um monte de aranhas com a mangueira e
limpamos o toldo. só tem um lugar em que ela tá
toda fodida... falei o quê?, “só tem um lugar
em que ela tá toda fodida”
é embaixo no canto
e você e eu podemos cavar
pra tirar a gosma
de lá...
ainda estou subindo na árvore e não
caí, então acho que nunca vou cair
agora...
terça de noite! mamãe, mamãe, o Hank vem nos visitar
terça de noite! podemos dormir juntos, Hank?
que bom. e podemos brincar na caixa de areia antes
do jantar.
sabe, a gente limpou a caixa, vovó e mamãe e eu,
tiramos um monte de aranhas com a mangueira e
limpamos o toldo. só tem um lugar em que ela tá
toda fodida... falei o quê?, “só tem um lugar
em que ela tá toda fodida”
é embaixo no canto
e você e eu podemos cavar
pra tirar a gosma
de lá...
1 088
Charles Bukowski
Latrina Dos Homens
olha só esse aqui:
primeiro antes de cagar ele limpa com
tranquila graça a
tampa do assento, realmente lustra o maldito
troço
aí ele espalha papel higiênico pelo assento,
bem bonitinho, chegando até mesmo a
suspender um bocado de papel onde sua poderosa genitália
balançará, e aí ele baixa com
dignidade e virilidade
suas cuecas e calças
e
senta e
caga
quase sem paixão
brigando com um velho jornal sujo
entre seus pés e lendo sobre o jogo de basquete
de ontem –
isso que você vê aqui é um Homem: conhecedor do mundo, e nada de chatos pro
bebezinho, e uma cagada
tranquila bem
tranquilona, e ele limpa a bunda
enquanto conversa com o sujeito que lava as mãos
na pia mais próxima,
e se você estiver parado por perto
aqueles pequenos olhos de camundongo incidirão sobre os seus sem o menor
tremor, e aí –
as cuecas sobem, as calças sobem, o cinto se afivela, ressoa a
descarga,
lavam-se as mãos
e aí ele se posta diante do espelho
inspecionando a glória de si mesmo
penteando o cabelo cuidadosamente em perfeitas e
delicadas arremetidas, finalizando,
então botando aquela
cara
perto do espelho
e se olhando por dentro e por fora, então
satisfeito
ele sai
primeiro se certificando de te dar um pé na bunda
ou o ponderoso insulto apavorante de seus olhos
vazios, e aí com
o rodopio de suas emudecidas nádegas egoístas
ele sai do banheiro dos homens,
e sou deixado ali com toalhas de rosto como flores
espelhos como o mar
e sou deixado com a mais doentia das esperanças
de que um dia o ser humano verdadeiro vai chegar
para que haja algo pra salvar
cagar então
nem se
fala.
primeiro antes de cagar ele limpa com
tranquila graça a
tampa do assento, realmente lustra o maldito
troço
aí ele espalha papel higiênico pelo assento,
bem bonitinho, chegando até mesmo a
suspender um bocado de papel onde sua poderosa genitália
balançará, e aí ele baixa com
dignidade e virilidade
suas cuecas e calças
e
senta e
caga
quase sem paixão
brigando com um velho jornal sujo
entre seus pés e lendo sobre o jogo de basquete
de ontem –
isso que você vê aqui é um Homem: conhecedor do mundo, e nada de chatos pro
bebezinho, e uma cagada
tranquila bem
tranquilona, e ele limpa a bunda
enquanto conversa com o sujeito que lava as mãos
na pia mais próxima,
e se você estiver parado por perto
aqueles pequenos olhos de camundongo incidirão sobre os seus sem o menor
tremor, e aí –
as cuecas sobem, as calças sobem, o cinto se afivela, ressoa a
descarga,
lavam-se as mãos
e aí ele se posta diante do espelho
inspecionando a glória de si mesmo
penteando o cabelo cuidadosamente em perfeitas e
delicadas arremetidas, finalizando,
então botando aquela
cara
perto do espelho
e se olhando por dentro e por fora, então
satisfeito
ele sai
primeiro se certificando de te dar um pé na bunda
ou o ponderoso insulto apavorante de seus olhos
vazios, e aí com
o rodopio de suas emudecidas nádegas egoístas
ele sai do banheiro dos homens,
e sou deixado ali com toalhas de rosto como flores
espelhos como o mar
e sou deixado com a mais doentia das esperanças
de que um dia o ser humano verdadeiro vai chegar
para que haja algo pra salvar
cagar então
nem se
fala.
1 103
Charles Bukowski
Qual a Função de Um Título?
eles não conseguem levar as coisas adiante
os belos morrem em chamas –
pílulas suicidas, veneno de rato, corda, o que quer
que seja...
eles cortam seus braços,
jogam-se das janelas,
arrancam seus olhos das órbitas,
rejeitam o amor
rejeitam o ódio
rejeitam, rejeitam.
eles não conseguem levar as coisas adiante
os belos não são capazes de resistir,
eles são as borboletas
eles são as pombas
eles são os pardais,
eles não conseguem levar as coisas adiante
uma rajada alta de chama
enquanto o velho joga damas no parque
uma chama, uma boa chama
enquanto o velho joga damas no parque
ao sol.
os belos são encontrados no canto de um quarto
encolhidos entre aranhas e agulhas e silêncio
e nós nunca poderemos entender por que se
foram, eles eram tão
belos.
eles não conseguem levar as coisas adiante
os belos morrem jovens
e deixam os feios entregues às suas feias vidas.
adoráveis e brilhantes: vida e suicídio e morte
enquanto o velho joga damas ao sol
no parque.
os belos morrem em chamas –
pílulas suicidas, veneno de rato, corda, o que quer
que seja...
eles cortam seus braços,
jogam-se das janelas,
arrancam seus olhos das órbitas,
rejeitam o amor
rejeitam o ódio
rejeitam, rejeitam.
eles não conseguem levar as coisas adiante
os belos não são capazes de resistir,
eles são as borboletas
eles são as pombas
eles são os pardais,
eles não conseguem levar as coisas adiante
uma rajada alta de chama
enquanto o velho joga damas no parque
uma chama, uma boa chama
enquanto o velho joga damas no parque
ao sol.
os belos são encontrados no canto de um quarto
encolhidos entre aranhas e agulhas e silêncio
e nós nunca poderemos entender por que se
foram, eles eram tão
belos.
eles não conseguem levar as coisas adiante
os belos morrem jovens
e deixam os feios entregues às suas feias vidas.
adoráveis e brilhantes: vida e suicídio e morte
enquanto o velho joga damas ao sol
no parque.
1 075
Charles Bukowski
Qual a Função de Um Título?
eles não conseguem levar as coisas adiante
os belos morrem em chamas –
pílulas suicidas, veneno de rato, corda, o que quer
que seja...
eles cortam seus braços,
jogam-se das janelas,
arrancam seus olhos das órbitas,
rejeitam o amor
rejeitam o ódio
rejeitam, rejeitam.
eles não conseguem levar as coisas adiante
os belos não são capazes de resistir,
eles são as borboletas
eles são as pombas
eles são os pardais,
eles não conseguem levar as coisas adiante
uma rajada alta de chama
enquanto o velho joga damas no parque
uma chama, uma boa chama
enquanto o velho joga damas no parque
ao sol.
os belos são encontrados no canto de um quarto
encolhidos entre aranhas e agulhas e silêncio
e nós nunca poderemos entender por que se
foram, eles eram tão
belos.
eles não conseguem levar as coisas adiante
os belos morrem jovens
e deixam os feios entregues às suas feias vidas.
adoráveis e brilhantes: vida e suicídio e morte
enquanto o velho joga damas ao sol
no parque.
os belos morrem em chamas –
pílulas suicidas, veneno de rato, corda, o que quer
que seja...
eles cortam seus braços,
jogam-se das janelas,
arrancam seus olhos das órbitas,
rejeitam o amor
rejeitam o ódio
rejeitam, rejeitam.
eles não conseguem levar as coisas adiante
os belos não são capazes de resistir,
eles são as borboletas
eles são as pombas
eles são os pardais,
eles não conseguem levar as coisas adiante
uma rajada alta de chama
enquanto o velho joga damas no parque
uma chama, uma boa chama
enquanto o velho joga damas no parque
ao sol.
os belos são encontrados no canto de um quarto
encolhidos entre aranhas e agulhas e silêncio
e nós nunca poderemos entender por que se
foram, eles eram tão
belos.
eles não conseguem levar as coisas adiante
os belos morrem jovens
e deixam os feios entregues às suas feias vidas.
adoráveis e brilhantes: vida e suicídio e morte
enquanto o velho joga damas ao sol
no parque.
1 075
Charles Bukowski
Para As Irmãs da Caridade
é justificada
toda morte é justificada
toda matança toda morte toda
passagem,
nada é em vão
nem sequer o pescoço
de uma mosca,
e uma flor
passa através dos exércitos
e como um garotinho
gabando-se,
ergue suas
cores.
toda morte é justificada
toda matança toda morte toda
passagem,
nada é em vão
nem sequer o pescoço
de uma mosca,
e uma flor
passa através dos exércitos
e como um garotinho
gabando-se,
ergue suas
cores.
979
Charles Bukowski
Para As Irmãs da Caridade
é justificada
toda morte é justificada
toda matança toda morte toda
passagem,
nada é em vão
nem sequer o pescoço
de uma mosca,
e uma flor
passa através dos exércitos
e como um garotinho
gabando-se,
ergue suas
cores.
toda morte é justificada
toda matança toda morte toda
passagem,
nada é em vão
nem sequer o pescoço
de uma mosca,
e uma flor
passa através dos exércitos
e como um garotinho
gabando-se,
ergue suas
cores.
979
Charles Bukowski
Ele Até Parecia Um Cara Legal
ele empacotou tudo de modo ordenado e em diferentes partes
mandando as pernas para uma tia em St. Louis
a cabeça para um chefe de escoteiros no Brooklyn
a barriga para um açougueiro vesgo em Des Moines,
os órgãos sexuais femininos foram enviados para um jovem padre em Los Angeles;
os braços foram dados para o cachorro
e ele manteve as mãos para usá-las como quebra-nozes, e todos os
restos e partes sortidas
como peitos e bunda ele os aferventou num ensopado
que estranhamente
era mais saboroso do que ela jamais fora.
ele gastou o dinheiro que ela levava na carteira
comprou um bom vinho francês, feijões, meio quilo de erva
e dois periquitos; comprou as obras completas de
Keats, uma bandana vermelha de um metro e meio, uma tesoura com
cabo de marfim, e uma caixa de doces para sua
senhoria.
então ele bebeu e comeu e dormiu por três dias e três noites
e quando os policiais chegaram
ele parecia bastante amistoso e sereno
e ao longo de todo o caminho até a delegacia
falou sobre o tempo, a cor das montanhas,
coisas dessa ordem, de nenhum modo parecia esse tipo de
assassino.
aquilo foi muito estranho.
mandando as pernas para uma tia em St. Louis
a cabeça para um chefe de escoteiros no Brooklyn
a barriga para um açougueiro vesgo em Des Moines,
os órgãos sexuais femininos foram enviados para um jovem padre em Los Angeles;
os braços foram dados para o cachorro
e ele manteve as mãos para usá-las como quebra-nozes, e todos os
restos e partes sortidas
como peitos e bunda ele os aferventou num ensopado
que estranhamente
era mais saboroso do que ela jamais fora.
ele gastou o dinheiro que ela levava na carteira
comprou um bom vinho francês, feijões, meio quilo de erva
e dois periquitos; comprou as obras completas de
Keats, uma bandana vermelha de um metro e meio, uma tesoura com
cabo de marfim, e uma caixa de doces para sua
senhoria.
então ele bebeu e comeu e dormiu por três dias e três noites
e quando os policiais chegaram
ele parecia bastante amistoso e sereno
e ao longo de todo o caminho até a delegacia
falou sobre o tempo, a cor das montanhas,
coisas dessa ordem, de nenhum modo parecia esse tipo de
assassino.
aquilo foi muito estranho.
942
Charles Bukowski
O Pescador
ele sai todo dia às 7:30 da manhã
com 3 sanduíches de manteiga de amendoim, e
uma lata de cerveja
que ele faz flutuar no balde de iscas.
ele pesca por horas com uma pequena vara para trutas
a três quartos do caminho até o píer.
ele tem 75 anos e o sol não é capaz de bronzeá-lo,
e não importa quanto calor faça
a camisa de lenhador marrom e verde segue ali,
ele apanha estrelas-do-mar, cações, cavala;
apanha-os às dúzias,
não fala com ninguém.
às vezes durante o dia
ele toma sua lata de cerveja.
às 6 da tarde reúne suas coisas e sua pesca
caminha pelo píer
cruzando várias ruas
onde ele entra num pequeno apartamento em Santa Monica
vai até o quarto e abre o jornal vespertino
enquanto sua esposa joga as estrelas-do-mar, os cações e as cavalas
no lixo
ele acende seu cachimbo
e espera pelo jantar.
com 3 sanduíches de manteiga de amendoim, e
uma lata de cerveja
que ele faz flutuar no balde de iscas.
ele pesca por horas com uma pequena vara para trutas
a três quartos do caminho até o píer.
ele tem 75 anos e o sol não é capaz de bronzeá-lo,
e não importa quanto calor faça
a camisa de lenhador marrom e verde segue ali,
ele apanha estrelas-do-mar, cações, cavala;
apanha-os às dúzias,
não fala com ninguém.
às vezes durante o dia
ele toma sua lata de cerveja.
às 6 da tarde reúne suas coisas e sua pesca
caminha pelo píer
cruzando várias ruas
onde ele entra num pequeno apartamento em Santa Monica
vai até o quarto e abre o jornal vespertino
enquanto sua esposa joga as estrelas-do-mar, os cações e as cavalas
no lixo
ele acende seu cachimbo
e espera pelo jantar.
1 215
Charles Bukowski
O Pescador
ele sai todo dia às 7:30 da manhã
com 3 sanduíches de manteiga de amendoim, e
uma lata de cerveja
que ele faz flutuar no balde de iscas.
ele pesca por horas com uma pequena vara para trutas
a três quartos do caminho até o píer.
ele tem 75 anos e o sol não é capaz de bronzeá-lo,
e não importa quanto calor faça
a camisa de lenhador marrom e verde segue ali,
ele apanha estrelas-do-mar, cações, cavala;
apanha-os às dúzias,
não fala com ninguém.
às vezes durante o dia
ele toma sua lata de cerveja.
às 6 da tarde reúne suas coisas e sua pesca
caminha pelo píer
cruzando várias ruas
onde ele entra num pequeno apartamento em Santa Monica
vai até o quarto e abre o jornal vespertino
enquanto sua esposa joga as estrelas-do-mar, os cações e as cavalas
no lixo
ele acende seu cachimbo
e espera pelo jantar.
com 3 sanduíches de manteiga de amendoim, e
uma lata de cerveja
que ele faz flutuar no balde de iscas.
ele pesca por horas com uma pequena vara para trutas
a três quartos do caminho até o píer.
ele tem 75 anos e o sol não é capaz de bronzeá-lo,
e não importa quanto calor faça
a camisa de lenhador marrom e verde segue ali,
ele apanha estrelas-do-mar, cações, cavala;
apanha-os às dúzias,
não fala com ninguém.
às vezes durante o dia
ele toma sua lata de cerveja.
às 6 da tarde reúne suas coisas e sua pesca
caminha pelo píer
cruzando várias ruas
onde ele entra num pequeno apartamento em Santa Monica
vai até o quarto e abre o jornal vespertino
enquanto sua esposa joga as estrelas-do-mar, os cações e as cavalas
no lixo
ele acende seu cachimbo
e espera pelo jantar.
1 215
Charles Bukowski
O Caminho
assassinado nos becos da terra
congelado à morte contra mastros de bandeiras
penhorado por mulheres
educado na escuridão para a escuridão
vomitando em privadas entupidas
em quartos de aluguel tomados por ratos e baratas
não surpreende que raramente cantemos
dia ou tarde ou noite
as guerras inúteis
os anos inúteis
os amores inúteis
e eles nos perguntam,
por que você bebe tanto?
bem, suponho que os dias sejam feitos
para serem desperdiçados
os anos e os amores são feitos
para serem desperdiçados.
não podemos chorar, e ajuda sorrir –
é como deixar brotar
sonhos, ideais
venenos
não nos peça para cantar,
as risadas cantam por nós,
você percebe, era uma piada de mau gosto
Cristo deveria ter rido na cruz
isto teria petrificado seus assassinos
agora há mais assassinos do que nunca
e eu escrevo poemas para eles.
congelado à morte contra mastros de bandeiras
penhorado por mulheres
educado na escuridão para a escuridão
vomitando em privadas entupidas
em quartos de aluguel tomados por ratos e baratas
não surpreende que raramente cantemos
dia ou tarde ou noite
as guerras inúteis
os anos inúteis
os amores inúteis
e eles nos perguntam,
por que você bebe tanto?
bem, suponho que os dias sejam feitos
para serem desperdiçados
os anos e os amores são feitos
para serem desperdiçados.
não podemos chorar, e ajuda sorrir –
é como deixar brotar
sonhos, ideais
venenos
não nos peça para cantar,
as risadas cantam por nós,
você percebe, era uma piada de mau gosto
Cristo deveria ter rido na cruz
isto teria petrificado seus assassinos
agora há mais assassinos do que nunca
e eu escrevo poemas para eles.
1 192
Charles Bukowski
Uma Soneca E a Paz do Sossego
se você é um homem, Los Angeles é onde você deixa de sê-lo e
luta; ou se você é uma mulher, e tem pernas o bastante e também
o resto, você as veleja até uma encosta de morro para
quando os cabelos ficarem grisalhos você se esconder em Beverly Hills
numa mansão em que ninguém poderá ver como você decaiu.
então nos mudamos para cá – e com o que deparamos
senão um maníaco religioso no muquifo ao lado que
bebe vinho barato e tem visões e liga seu rádio
o mais alto possível, meu deus!
já conheço agora todos os hinos!
já sei o quanto pequei e percebo que haverei de morrer
e que tenho de estar preparado...
mas antes eu bem podia tirar um cochilo
apenas uma soneca e a paz do silêncio.
abro a janela e lá está ele
no gramado
dançando um hino
um cântico
um seja lá o que for.
ele usa uma bermuda vermelha
ele é bem bronzeado e está bêbado de vinho
mas seus movimentos são duros e canhestros –
ele é muito gordo
um homem-noz, deformado e disforme aos
55.
e ele balança seus braços ao sol e os pássaros revoam
assustados
e então ele faz um giro em direção à porta de casa.
mas a vista da rua aqui é boa –
há japoneses e velhas senhoras e jovens garotas e
pedintes.
temos grandes palmeiras
cheias de pássaros
e o estacionamento não é dos piores...
mas nosso maníaco religioso não trabalha
ele é esperto demais para trabalhar
então nós dois ficamos por aqui de bobeira
escutamos rádio
bebemos
e eu me pergunto qual de nós chegará primeiro ao inferno –
ele com sua bíblia ou eu com os Programas do Jóquei
mas se eu tiver de ouvi-lo lá em baixo eu sei que terei de contar
com alguma ajuda, e que a próxima dança será minha.
agora mesmo queria ter algo para vender para poder me esconder num
lugar
com muros de quatro metros
com fossos
e potentes cadeiras elétricas.
mas isso parece estar a longos dias e longas noites,
como sempre.
por ora só posso desejar no mínimo o enfraquecimento da
válvula do rádio,
e no máximo sua morte,
pela qual ambos rezamos e
já fizemos nossas disposições.
luta; ou se você é uma mulher, e tem pernas o bastante e também
o resto, você as veleja até uma encosta de morro para
quando os cabelos ficarem grisalhos você se esconder em Beverly Hills
numa mansão em que ninguém poderá ver como você decaiu.
então nos mudamos para cá – e com o que deparamos
senão um maníaco religioso no muquifo ao lado que
bebe vinho barato e tem visões e liga seu rádio
o mais alto possível, meu deus!
já conheço agora todos os hinos!
já sei o quanto pequei e percebo que haverei de morrer
e que tenho de estar preparado...
mas antes eu bem podia tirar um cochilo
apenas uma soneca e a paz do silêncio.
abro a janela e lá está ele
no gramado
dançando um hino
um cântico
um seja lá o que for.
ele usa uma bermuda vermelha
ele é bem bronzeado e está bêbado de vinho
mas seus movimentos são duros e canhestros –
ele é muito gordo
um homem-noz, deformado e disforme aos
55.
e ele balança seus braços ao sol e os pássaros revoam
assustados
e então ele faz um giro em direção à porta de casa.
mas a vista da rua aqui é boa –
há japoneses e velhas senhoras e jovens garotas e
pedintes.
temos grandes palmeiras
cheias de pássaros
e o estacionamento não é dos piores...
mas nosso maníaco religioso não trabalha
ele é esperto demais para trabalhar
então nós dois ficamos por aqui de bobeira
escutamos rádio
bebemos
e eu me pergunto qual de nós chegará primeiro ao inferno –
ele com sua bíblia ou eu com os Programas do Jóquei
mas se eu tiver de ouvi-lo lá em baixo eu sei que terei de contar
com alguma ajuda, e que a próxima dança será minha.
agora mesmo queria ter algo para vender para poder me esconder num
lugar
com muros de quatro metros
com fossos
e potentes cadeiras elétricas.
mas isso parece estar a longos dias e longas noites,
como sempre.
por ora só posso desejar no mínimo o enfraquecimento da
válvula do rádio,
e no máximo sua morte,
pela qual ambos rezamos e
já fizemos nossas disposições.
1 079
Charles Bukowski
Uma Soneca E a Paz do Sossego
se você é um homem, Los Angeles é onde você deixa de sê-lo e
luta; ou se você é uma mulher, e tem pernas o bastante e também
o resto, você as veleja até uma encosta de morro para
quando os cabelos ficarem grisalhos você se esconder em Beverly Hills
numa mansão em que ninguém poderá ver como você decaiu.
então nos mudamos para cá – e com o que deparamos
senão um maníaco religioso no muquifo ao lado que
bebe vinho barato e tem visões e liga seu rádio
o mais alto possível, meu deus!
já conheço agora todos os hinos!
já sei o quanto pequei e percebo que haverei de morrer
e que tenho de estar preparado...
mas antes eu bem podia tirar um cochilo
apenas uma soneca e a paz do silêncio.
abro a janela e lá está ele
no gramado
dançando um hino
um cântico
um seja lá o que for.
ele usa uma bermuda vermelha
ele é bem bronzeado e está bêbado de vinho
mas seus movimentos são duros e canhestros –
ele é muito gordo
um homem-noz, deformado e disforme aos
55.
e ele balança seus braços ao sol e os pássaros revoam
assustados
e então ele faz um giro em direção à porta de casa.
mas a vista da rua aqui é boa –
há japoneses e velhas senhoras e jovens garotas e
pedintes.
temos grandes palmeiras
cheias de pássaros
e o estacionamento não é dos piores...
mas nosso maníaco religioso não trabalha
ele é esperto demais para trabalhar
então nós dois ficamos por aqui de bobeira
escutamos rádio
bebemos
e eu me pergunto qual de nós chegará primeiro ao inferno –
ele com sua bíblia ou eu com os Programas do Jóquei
mas se eu tiver de ouvi-lo lá em baixo eu sei que terei de contar
com alguma ajuda, e que a próxima dança será minha.
agora mesmo queria ter algo para vender para poder me esconder num
lugar
com muros de quatro metros
com fossos
e potentes cadeiras elétricas.
mas isso parece estar a longos dias e longas noites,
como sempre.
por ora só posso desejar no mínimo o enfraquecimento da
válvula do rádio,
e no máximo sua morte,
pela qual ambos rezamos e
já fizemos nossas disposições.
luta; ou se você é uma mulher, e tem pernas o bastante e também
o resto, você as veleja até uma encosta de morro para
quando os cabelos ficarem grisalhos você se esconder em Beverly Hills
numa mansão em que ninguém poderá ver como você decaiu.
então nos mudamos para cá – e com o que deparamos
senão um maníaco religioso no muquifo ao lado que
bebe vinho barato e tem visões e liga seu rádio
o mais alto possível, meu deus!
já conheço agora todos os hinos!
já sei o quanto pequei e percebo que haverei de morrer
e que tenho de estar preparado...
mas antes eu bem podia tirar um cochilo
apenas uma soneca e a paz do silêncio.
abro a janela e lá está ele
no gramado
dançando um hino
um cântico
um seja lá o que for.
ele usa uma bermuda vermelha
ele é bem bronzeado e está bêbado de vinho
mas seus movimentos são duros e canhestros –
ele é muito gordo
um homem-noz, deformado e disforme aos
55.
e ele balança seus braços ao sol e os pássaros revoam
assustados
e então ele faz um giro em direção à porta de casa.
mas a vista da rua aqui é boa –
há japoneses e velhas senhoras e jovens garotas e
pedintes.
temos grandes palmeiras
cheias de pássaros
e o estacionamento não é dos piores...
mas nosso maníaco religioso não trabalha
ele é esperto demais para trabalhar
então nós dois ficamos por aqui de bobeira
escutamos rádio
bebemos
e eu me pergunto qual de nós chegará primeiro ao inferno –
ele com sua bíblia ou eu com os Programas do Jóquei
mas se eu tiver de ouvi-lo lá em baixo eu sei que terei de contar
com alguma ajuda, e que a próxima dança será minha.
agora mesmo queria ter algo para vender para poder me esconder num
lugar
com muros de quatro metros
com fossos
e potentes cadeiras elétricas.
mas isso parece estar a longos dias e longas noites,
como sempre.
por ora só posso desejar no mínimo o enfraquecimento da
válvula do rádio,
e no máximo sua morte,
pela qual ambos rezamos e
já fizemos nossas disposições.
1 079
Charles Bukowski
Sim Sim
quando Deus criou o amor Ele não ajudou a maioria
quando Deus criou os cães Ele não ajudou os cães
quando Deus criou as plantas isto não foi nada de mais
quando Deus criou o ódio nós recebemos uma utilidade básica
quando Deus criou a mim Ele criou a mim
quando Deus criou o macaco Ele estava dormindo
quando Deus criou a girafa Ele estava bêbado
quando Deus criou os narcóticos Ele estava viajando
e quando Deus criou o suicídio Ele estava deprimido
quando Ele criou você deitada na cama
Ele sabia o que estava fazendo
Ele estava bêbado e Ele estava viajando
e Ele criou as montanhas e o mar e o fogo
ao mesmo tempo
Ele cometeu alguns erros
mas quando Ele a criou deitada na cama
Ele gozou por sobre todo o Seu Universo Abençoado.
quando Deus criou os cães Ele não ajudou os cães
quando Deus criou as plantas isto não foi nada de mais
quando Deus criou o ódio nós recebemos uma utilidade básica
quando Deus criou a mim Ele criou a mim
quando Deus criou o macaco Ele estava dormindo
quando Deus criou a girafa Ele estava bêbado
quando Deus criou os narcóticos Ele estava viajando
e quando Deus criou o suicídio Ele estava deprimido
quando Ele criou você deitada na cama
Ele sabia o que estava fazendo
Ele estava bêbado e Ele estava viajando
e Ele criou as montanhas e o mar e o fogo
ao mesmo tempo
Ele cometeu alguns erros
mas quando Ele a criou deitada na cama
Ele gozou por sobre todo o Seu Universo Abençoado.
1 460
Charles Bukowski
Rabos Quentes
na sexta à noite
as garotas mexicanas na quermesse católica
ficam especialmente atraentes
seus maridos estão nos bares
e as garotas mexicanas parecem jovens
os narizes aquilinos e os olhos fortes e cruéis
rabos quentes em jeans apertados
de algum modo tinham sido apanhadas,
seus maridos estão cansados de seus rabos quentes
e as jovens garotas mexicanas caminham com seus filhos,
há sofrimento verdadeiro em seus olhos fortes e cruéis,
enquanto elas se lembram das noites em que seus belos homens –
agora já há muito nada belos –
diziam-lhes coisas tão bonitas
coisas tão bonitas que elas jamais voltarão a ouvir,
e sob a lua e sob os lampejos das
luzes da quermesse
vejo tudo e me mantenho calado em luto por elas.
elas me veem olhar –
o bode velho está olhando para a gente
ele nos olha nos olhos;
elas riem umas para as outras, falam, se afastam juntas,
gargalham, me olham por sobre os ombros.
caminho até uma tenda
coloco uma moeda no número onze e ganho um bolo de chocolate
com 13 chupetas coloridas enfiadas na
cobertura.
isto é justo o bastante para um ex-católico
e um admirador dos quentes rabos mexicanos
e jovens e dignos de luto
e há tanto tempo abandonados.
as garotas mexicanas na quermesse católica
ficam especialmente atraentes
seus maridos estão nos bares
e as garotas mexicanas parecem jovens
os narizes aquilinos e os olhos fortes e cruéis
rabos quentes em jeans apertados
de algum modo tinham sido apanhadas,
seus maridos estão cansados de seus rabos quentes
e as jovens garotas mexicanas caminham com seus filhos,
há sofrimento verdadeiro em seus olhos fortes e cruéis,
enquanto elas se lembram das noites em que seus belos homens –
agora já há muito nada belos –
diziam-lhes coisas tão bonitas
coisas tão bonitas que elas jamais voltarão a ouvir,
e sob a lua e sob os lampejos das
luzes da quermesse
vejo tudo e me mantenho calado em luto por elas.
elas me veem olhar –
o bode velho está olhando para a gente
ele nos olha nos olhos;
elas riem umas para as outras, falam, se afastam juntas,
gargalham, me olham por sobre os ombros.
caminho até uma tenda
coloco uma moeda no número onze e ganho um bolo de chocolate
com 13 chupetas coloridas enfiadas na
cobertura.
isto é justo o bastante para um ex-católico
e um admirador dos quentes rabos mexicanos
e jovens e dignos de luto
e há tanto tempo abandonados.
1 037
Charles Bukowski
A Captura
que nojo, ele disse,
puxando o negócio da água,
o que é isso?
uma Baleia Junina com Lordose, eu disse.
não, disse um cara junto a nós no píer,
é um Papa-Terra Voador.
um cara que passava disse,
é um da Esquadrilha Fandango sem as tiras.
apanhamos o gancho e erguemos a coisa que se
peidou toda. era cinzenta e coberta de pelos
e gorda e fedia a meia velha.
ela começou a andar pelo píer e nós a seguimos.
comeu um cachorro-quente e um bolo tomados das mãos de
uma garotinha. então ela saltou de súbito num carrossel
e montou um cavalo malhado. ela desabou perto do fim e
rolou sobre a serragem.
nós a apanhamos.
glub, ela disse, glub.
então ela voltou a cruzar o píer.
uma enorme multidão nos seguia enquanto caminhávamos.
deve ser uma jogada publicitária, disse alguém,
é um homem numa roupa de borracha.
então enquanto caminhava por ali a coisa começou a respirar
com dificuldade. caiu sobre as
próprias costas e começou a se debater.
alguém derramou um copo de cerveja sobre sua cabeça.
glub, ela fazia, glub.
depois disso morreu.
rolamos a coisa até a beirada do píer e a empurramos
de volta para as águas. ficamos vendo-a afundar e sumir.
uma Baleia Junina com Lordose, eu disse.
não, disse o outro cara, é um Papa-Terra Voador.
não, disse o outro entendido, é um da Esquadrilha Fandango
sem as tiras.
então cada um de nós tomou seu rumo em meio à tarde de agosto.
puxando o negócio da água,
o que é isso?
uma Baleia Junina com Lordose, eu disse.
não, disse um cara junto a nós no píer,
é um Papa-Terra Voador.
um cara que passava disse,
é um da Esquadrilha Fandango sem as tiras.
apanhamos o gancho e erguemos a coisa que se
peidou toda. era cinzenta e coberta de pelos
e gorda e fedia a meia velha.
ela começou a andar pelo píer e nós a seguimos.
comeu um cachorro-quente e um bolo tomados das mãos de
uma garotinha. então ela saltou de súbito num carrossel
e montou um cavalo malhado. ela desabou perto do fim e
rolou sobre a serragem.
nós a apanhamos.
glub, ela disse, glub.
então ela voltou a cruzar o píer.
uma enorme multidão nos seguia enquanto caminhávamos.
deve ser uma jogada publicitária, disse alguém,
é um homem numa roupa de borracha.
então enquanto caminhava por ali a coisa começou a respirar
com dificuldade. caiu sobre as
próprias costas e começou a se debater.
alguém derramou um copo de cerveja sobre sua cabeça.
glub, ela fazia, glub.
depois disso morreu.
rolamos a coisa até a beirada do píer e a empurramos
de volta para as águas. ficamos vendo-a afundar e sumir.
uma Baleia Junina com Lordose, eu disse.
não, disse o outro cara, é um Papa-Terra Voador.
não, disse o outro entendido, é um da Esquadrilha Fandango
sem as tiras.
então cada um de nós tomou seu rumo em meio à tarde de agosto.
665
Charles Bukowski
Multa
abandonei mais uma vez o emprego
e a polícia me parou
por cruzar um sinal vermelho na Serrano Ave.
eu não parava de viajar
e fiquei ali em meio a um amontoado de folhas
à altura do tornozelo
e mantive a cabeça virada
de modo que eles não pudessem sentir o cheiro
forte da bebida
e recebi a multa e voltei para o meu quarto
e consegui uma boa sinfonia no rádio
um dos russos ou dos alemães,
um dos caras morenos e duros
mas ainda assim sentia frio e solidão
e seguia acendendo cigarros
e liguei o aquecedor
e então no chão
avistei uma revista com minha foto
na capa
e avancei até ali e a apanhei
mas não era eu
porque ontem já era
e hoje é apenas extrato de tomate
e cães de corrida
e mal-estar
e mulheres algumas mulheres
momentâneas em sua beleza
como qualquer das catedrais
e agora eles tocam Bartok
que bem sabia o que estava fazendo
o que na prática significa não saber o que estava fazendo,
e amanhã suponho que retornarei para
a porra do trabalho
como um homem para a esposa e seus quatro filhos
caso me tivessem nessa
mas hoje sei que escapei de
algum tipo de rede,
30 segundos mais e eu poderia estar morto,
e é importante reconhecer
a gente precisa reconhecer
esse tipo de momento
se quisermos continuar
a avaliar as entranhas e a caveira ensacada de uma
flor de uma montanha de um barco de uma mulher
o código da geada e da pedra
tudo convergindo num sentido de momento
que limpa como o mais poderoso dos sabonetes do mercado
e traz Paris, Espanha, os gemidos de Hemingway,
a madona azul, o touro recém-nascido,
uma noite num closet pintado de vermelho
bem dentro de você,
e espero pagar a multa
mesmo que eu não tenha (eu acho) cruzado o vermelho
mas
eles disseram que eu cruzei.
e a polícia me parou
por cruzar um sinal vermelho na Serrano Ave.
eu não parava de viajar
e fiquei ali em meio a um amontoado de folhas
à altura do tornozelo
e mantive a cabeça virada
de modo que eles não pudessem sentir o cheiro
forte da bebida
e recebi a multa e voltei para o meu quarto
e consegui uma boa sinfonia no rádio
um dos russos ou dos alemães,
um dos caras morenos e duros
mas ainda assim sentia frio e solidão
e seguia acendendo cigarros
e liguei o aquecedor
e então no chão
avistei uma revista com minha foto
na capa
e avancei até ali e a apanhei
mas não era eu
porque ontem já era
e hoje é apenas extrato de tomate
e cães de corrida
e mal-estar
e mulheres algumas mulheres
momentâneas em sua beleza
como qualquer das catedrais
e agora eles tocam Bartok
que bem sabia o que estava fazendo
o que na prática significa não saber o que estava fazendo,
e amanhã suponho que retornarei para
a porra do trabalho
como um homem para a esposa e seus quatro filhos
caso me tivessem nessa
mas hoje sei que escapei de
algum tipo de rede,
30 segundos mais e eu poderia estar morto,
e é importante reconhecer
a gente precisa reconhecer
esse tipo de momento
se quisermos continuar
a avaliar as entranhas e a caveira ensacada de uma
flor de uma montanha de um barco de uma mulher
o código da geada e da pedra
tudo convergindo num sentido de momento
que limpa como o mais poderoso dos sabonetes do mercado
e traz Paris, Espanha, os gemidos de Hemingway,
a madona azul, o touro recém-nascido,
uma noite num closet pintado de vermelho
bem dentro de você,
e espero pagar a multa
mesmo que eu não tenha (eu acho) cruzado o vermelho
mas
eles disseram que eu cruzei.
1 198
Charles Bukowski
Problema Com Espanha
entrei no chuveiro
e queimei meus bagos
na última quarta-feira.
conheci este pintor chamado Espanha,
não, ele era um cartunista,
bem, conheci-o numa festa
e todos ficaram putos comigo
por eu não saber quem ele era
ou o que ele fazia.
ele era um cara bem bonito
e suponho que ele tenha ficado com ciúmes
por eu ser tão feio.
eles me disseram seu nome
e ele estava encostado contra a parede
parecendo bonito, e eu disse:
ei, Espanha, gosto desse nome: Espanha.
mas não gosto de você. por que não vamos
até o jardim para eu dar uma bica nesse seu
rabo?
isto deixou a anfitriã irritada
e ela foi em sua direção e lhe esfregou o pau
enquanto eu ia até o banheiro
e me aliviava.
mas todos estão brabos comigo
Bukowski, ele já não sabe escrever, está acabado.
vazio. vejam como ele bebe.
nunca teve o hábito de ir a festas.
agora vem às festas e bebe todas
e insulta aqueles que têm talento de verdade.
eu costumava ter admiração por ele quando cortou os pulsos
ou quando tentou se matar com
gás. olhem para ele agora secando aquela garota de 19
anos, e vocês sabem que ele
já não levanta.
eu não apenas queimei meus bagos naquele chuveiro
na última quarta-feira, eu me virei para escapar daquela água
fervente e queimei também o olho do
cu.
e queimei meus bagos
na última quarta-feira.
conheci este pintor chamado Espanha,
não, ele era um cartunista,
bem, conheci-o numa festa
e todos ficaram putos comigo
por eu não saber quem ele era
ou o que ele fazia.
ele era um cara bem bonito
e suponho que ele tenha ficado com ciúmes
por eu ser tão feio.
eles me disseram seu nome
e ele estava encostado contra a parede
parecendo bonito, e eu disse:
ei, Espanha, gosto desse nome: Espanha.
mas não gosto de você. por que não vamos
até o jardim para eu dar uma bica nesse seu
rabo?
isto deixou a anfitriã irritada
e ela foi em sua direção e lhe esfregou o pau
enquanto eu ia até o banheiro
e me aliviava.
mas todos estão brabos comigo
Bukowski, ele já não sabe escrever, está acabado.
vazio. vejam como ele bebe.
nunca teve o hábito de ir a festas.
agora vem às festas e bebe todas
e insulta aqueles que têm talento de verdade.
eu costumava ter admiração por ele quando cortou os pulsos
ou quando tentou se matar com
gás. olhem para ele agora secando aquela garota de 19
anos, e vocês sabem que ele
já não levanta.
eu não apenas queimei meus bagos naquele chuveiro
na última quarta-feira, eu me virei para escapar daquela água
fervente e queimei também o olho do
cu.
1 052
Charles Bukowski
Problema Com Espanha
entrei no chuveiro
e queimei meus bagos
na última quarta-feira.
conheci este pintor chamado Espanha,
não, ele era um cartunista,
bem, conheci-o numa festa
e todos ficaram putos comigo
por eu não saber quem ele era
ou o que ele fazia.
ele era um cara bem bonito
e suponho que ele tenha ficado com ciúmes
por eu ser tão feio.
eles me disseram seu nome
e ele estava encostado contra a parede
parecendo bonito, e eu disse:
ei, Espanha, gosto desse nome: Espanha.
mas não gosto de você. por que não vamos
até o jardim para eu dar uma bica nesse seu
rabo?
isto deixou a anfitriã irritada
e ela foi em sua direção e lhe esfregou o pau
enquanto eu ia até o banheiro
e me aliviava.
mas todos estão brabos comigo
Bukowski, ele já não sabe escrever, está acabado.
vazio. vejam como ele bebe.
nunca teve o hábito de ir a festas.
agora vem às festas e bebe todas
e insulta aqueles que têm talento de verdade.
eu costumava ter admiração por ele quando cortou os pulsos
ou quando tentou se matar com
gás. olhem para ele agora secando aquela garota de 19
anos, e vocês sabem que ele
já não levanta.
eu não apenas queimei meus bagos naquele chuveiro
na última quarta-feira, eu me virei para escapar daquela água
fervente e queimei também o olho do
cu.
e queimei meus bagos
na última quarta-feira.
conheci este pintor chamado Espanha,
não, ele era um cartunista,
bem, conheci-o numa festa
e todos ficaram putos comigo
por eu não saber quem ele era
ou o que ele fazia.
ele era um cara bem bonito
e suponho que ele tenha ficado com ciúmes
por eu ser tão feio.
eles me disseram seu nome
e ele estava encostado contra a parede
parecendo bonito, e eu disse:
ei, Espanha, gosto desse nome: Espanha.
mas não gosto de você. por que não vamos
até o jardim para eu dar uma bica nesse seu
rabo?
isto deixou a anfitriã irritada
e ela foi em sua direção e lhe esfregou o pau
enquanto eu ia até o banheiro
e me aliviava.
mas todos estão brabos comigo
Bukowski, ele já não sabe escrever, está acabado.
vazio. vejam como ele bebe.
nunca teve o hábito de ir a festas.
agora vem às festas e bebe todas
e insulta aqueles que têm talento de verdade.
eu costumava ter admiração por ele quando cortou os pulsos
ou quando tentou se matar com
gás. olhem para ele agora secando aquela garota de 19
anos, e vocês sabem que ele
já não levanta.
eu não apenas queimei meus bagos naquele chuveiro
na última quarta-feira, eu me virei para escapar daquela água
fervente e queimei também o olho do
cu.
1 052
Charles Bukowski
O Tempo Está Quente Na Parte de Trás do Meu Relógio
o tempo está quente na parte de trás do meu relógio
que está no Finkelstein
que foi premiado com 3 bolas
mas nenhum coração, mas você precisa entender
quando o touro ataca
ou a puta, o coração é posto de lado por alguma outra coisa,
e não vamos supervalorizar a óbvia decência
porque num jogo de merda você pode estar liquidando
algum rei vacilante de 6 crianças
e uma hemorroida em seu último cheque do seguro desemprego,
e quem pode dizer que a rosa é maior do que o espinho?
eu não, Henry,
e quando seu amor fica com os joelhos frouxos e prefere rasteirinhas,
talvez você devesse ter se enfiado em alguma coisa diferente
como um poço de petróleo
ou uma manada de vacas.
estou velho demais para discutir,
me acabei com o poema
e fui nocauteado pelo velho golpe de surpresa
assalto depois de assalto,
mas às vezes eu gosto de pensar no Kaiser
ou em qualquer outro imbecil cheio de medalhas e nada mais,
ou na primeira vez que lemos o Dos
ou o Eliot com as calças enroladas;
o tempo está quente na parte de trás do meu relógio
que está no Finkelstein,
mas você sabe o que eles dizem: as coisas são duras em toda a parte,
e eu me lembro de uma vez vagabundeando no Texas
ter assistido a uma caça aos corvos, cem fazendeiros com cem espingardas
batendo uma punheta no céu com um pênis gigante de ódio
e os corvos caíam semimortos, semivivos,
e eles os matavam a pauladas para economizar as balas
mas ficaram sem balas antes de ficar sem corvos
e os corvos retornaram e caminharam em torno dos projéteis e
projetaram suas línguas
e fizeram luto por seus mortos e elegeram novos líderes
e depois de uma vez só voaram para casa para foder e preencher o vazio.
você só pode matar o que não deveria estar lá,
e Finkelstein deveria estar lá e meu relógio
e talvez eu mesmo, e eu percebo que se os poemas são ruins
é esperado que sejam ruins e se eles são bons
é esperado também que assim o sejam – embora haja uma luta
menor a ser lutada,
mas ainda assim sigo triste
porque estou nesta pequena cidade em algum lugar de uma terra má,
completamente fora de mão, sem ao menos querer estar aqui,
dois dólares na carteira, e um agricultor se voltou para mim
e me perguntou que horas eram
e eu não pude lhe dizer,
e mais tarde eles reuniram os bichos para fazer uma fogueira
como se não fossem melhores do que estrume com penas,
penas e um pouco de gasolina,
e do topo de uma das pilhas
um corvo não bem morto me sorriu.
eram 16:35.
que está no Finkelstein
que foi premiado com 3 bolas
mas nenhum coração, mas você precisa entender
quando o touro ataca
ou a puta, o coração é posto de lado por alguma outra coisa,
e não vamos supervalorizar a óbvia decência
porque num jogo de merda você pode estar liquidando
algum rei vacilante de 6 crianças
e uma hemorroida em seu último cheque do seguro desemprego,
e quem pode dizer que a rosa é maior do que o espinho?
eu não, Henry,
e quando seu amor fica com os joelhos frouxos e prefere rasteirinhas,
talvez você devesse ter se enfiado em alguma coisa diferente
como um poço de petróleo
ou uma manada de vacas.
estou velho demais para discutir,
me acabei com o poema
e fui nocauteado pelo velho golpe de surpresa
assalto depois de assalto,
mas às vezes eu gosto de pensar no Kaiser
ou em qualquer outro imbecil cheio de medalhas e nada mais,
ou na primeira vez que lemos o Dos
ou o Eliot com as calças enroladas;
o tempo está quente na parte de trás do meu relógio
que está no Finkelstein,
mas você sabe o que eles dizem: as coisas são duras em toda a parte,
e eu me lembro de uma vez vagabundeando no Texas
ter assistido a uma caça aos corvos, cem fazendeiros com cem espingardas
batendo uma punheta no céu com um pênis gigante de ódio
e os corvos caíam semimortos, semivivos,
e eles os matavam a pauladas para economizar as balas
mas ficaram sem balas antes de ficar sem corvos
e os corvos retornaram e caminharam em torno dos projéteis e
projetaram suas línguas
e fizeram luto por seus mortos e elegeram novos líderes
e depois de uma vez só voaram para casa para foder e preencher o vazio.
você só pode matar o que não deveria estar lá,
e Finkelstein deveria estar lá e meu relógio
e talvez eu mesmo, e eu percebo que se os poemas são ruins
é esperado que sejam ruins e se eles são bons
é esperado também que assim o sejam – embora haja uma luta
menor a ser lutada,
mas ainda assim sigo triste
porque estou nesta pequena cidade em algum lugar de uma terra má,
completamente fora de mão, sem ao menos querer estar aqui,
dois dólares na carteira, e um agricultor se voltou para mim
e me perguntou que horas eram
e eu não pude lhe dizer,
e mais tarde eles reuniram os bichos para fazer uma fogueira
como se não fossem melhores do que estrume com penas,
penas e um pouco de gasolina,
e do topo de uma das pilhas
um corvo não bem morto me sorriu.
eram 16:35.
1 009
Charles Bukowski
O Tempo Está Quente Na Parte de Trás do Meu Relógio
o tempo está quente na parte de trás do meu relógio
que está no Finkelstein
que foi premiado com 3 bolas
mas nenhum coração, mas você precisa entender
quando o touro ataca
ou a puta, o coração é posto de lado por alguma outra coisa,
e não vamos supervalorizar a óbvia decência
porque num jogo de merda você pode estar liquidando
algum rei vacilante de 6 crianças
e uma hemorroida em seu último cheque do seguro desemprego,
e quem pode dizer que a rosa é maior do que o espinho?
eu não, Henry,
e quando seu amor fica com os joelhos frouxos e prefere rasteirinhas,
talvez você devesse ter se enfiado em alguma coisa diferente
como um poço de petróleo
ou uma manada de vacas.
estou velho demais para discutir,
me acabei com o poema
e fui nocauteado pelo velho golpe de surpresa
assalto depois de assalto,
mas às vezes eu gosto de pensar no Kaiser
ou em qualquer outro imbecil cheio de medalhas e nada mais,
ou na primeira vez que lemos o Dos
ou o Eliot com as calças enroladas;
o tempo está quente na parte de trás do meu relógio
que está no Finkelstein,
mas você sabe o que eles dizem: as coisas são duras em toda a parte,
e eu me lembro de uma vez vagabundeando no Texas
ter assistido a uma caça aos corvos, cem fazendeiros com cem espingardas
batendo uma punheta no céu com um pênis gigante de ódio
e os corvos caíam semimortos, semivivos,
e eles os matavam a pauladas para economizar as balas
mas ficaram sem balas antes de ficar sem corvos
e os corvos retornaram e caminharam em torno dos projéteis e
projetaram suas línguas
e fizeram luto por seus mortos e elegeram novos líderes
e depois de uma vez só voaram para casa para foder e preencher o vazio.
você só pode matar o que não deveria estar lá,
e Finkelstein deveria estar lá e meu relógio
e talvez eu mesmo, e eu percebo que se os poemas são ruins
é esperado que sejam ruins e se eles são bons
é esperado também que assim o sejam – embora haja uma luta
menor a ser lutada,
mas ainda assim sigo triste
porque estou nesta pequena cidade em algum lugar de uma terra má,
completamente fora de mão, sem ao menos querer estar aqui,
dois dólares na carteira, e um agricultor se voltou para mim
e me perguntou que horas eram
e eu não pude lhe dizer,
e mais tarde eles reuniram os bichos para fazer uma fogueira
como se não fossem melhores do que estrume com penas,
penas e um pouco de gasolina,
e do topo de uma das pilhas
um corvo não bem morto me sorriu.
eram 16:35.
que está no Finkelstein
que foi premiado com 3 bolas
mas nenhum coração, mas você precisa entender
quando o touro ataca
ou a puta, o coração é posto de lado por alguma outra coisa,
e não vamos supervalorizar a óbvia decência
porque num jogo de merda você pode estar liquidando
algum rei vacilante de 6 crianças
e uma hemorroida em seu último cheque do seguro desemprego,
e quem pode dizer que a rosa é maior do que o espinho?
eu não, Henry,
e quando seu amor fica com os joelhos frouxos e prefere rasteirinhas,
talvez você devesse ter se enfiado em alguma coisa diferente
como um poço de petróleo
ou uma manada de vacas.
estou velho demais para discutir,
me acabei com o poema
e fui nocauteado pelo velho golpe de surpresa
assalto depois de assalto,
mas às vezes eu gosto de pensar no Kaiser
ou em qualquer outro imbecil cheio de medalhas e nada mais,
ou na primeira vez que lemos o Dos
ou o Eliot com as calças enroladas;
o tempo está quente na parte de trás do meu relógio
que está no Finkelstein,
mas você sabe o que eles dizem: as coisas são duras em toda a parte,
e eu me lembro de uma vez vagabundeando no Texas
ter assistido a uma caça aos corvos, cem fazendeiros com cem espingardas
batendo uma punheta no céu com um pênis gigante de ódio
e os corvos caíam semimortos, semivivos,
e eles os matavam a pauladas para economizar as balas
mas ficaram sem balas antes de ficar sem corvos
e os corvos retornaram e caminharam em torno dos projéteis e
projetaram suas línguas
e fizeram luto por seus mortos e elegeram novos líderes
e depois de uma vez só voaram para casa para foder e preencher o vazio.
você só pode matar o que não deveria estar lá,
e Finkelstein deveria estar lá e meu relógio
e talvez eu mesmo, e eu percebo que se os poemas são ruins
é esperado que sejam ruins e se eles são bons
é esperado também que assim o sejam – embora haja uma luta
menor a ser lutada,
mas ainda assim sigo triste
porque estou nesta pequena cidade em algum lugar de uma terra má,
completamente fora de mão, sem ao menos querer estar aqui,
dois dólares na carteira, e um agricultor se voltou para mim
e me perguntou que horas eram
e eu não pude lhe dizer,
e mais tarde eles reuniram os bichos para fazer uma fogueira
como se não fossem melhores do que estrume com penas,
penas e um pouco de gasolina,
e do topo de uma das pilhas
um corvo não bem morto me sorriu.
eram 16:35.
1 009
Charles Bukowski
Fora Dos Braços...
fora dos braços de um amor
e dentro dos braços de outro
fui salvo de morrer crucificado
por uma dona que fumava baseado
escrevia canções e contos,
e é muito mais doce que a anterior
muito mais doce,
e o sexo é tão bom quanto ou até melhor.
não é nada agradável ser pregado a uma cruz e lá esquecido,
é muito mais agradável esquecer um amor que não deu
certo
como todo amor
por fim
não dá certo...
é muito mais agradável fazer amor
ao longo da costa de Del Mar
no quarto 42, e depois disso
sentar na cama
beber bom vinho, falar e nos tocar
fumar
ouvindo o barulho das ondas...
já morri vezes demais
acreditando e esperando, esperando
em um quarto
olhando para as rachaduras no teto
esperando por um telefonema, uma carta, uma batida à porta, um som...
enlouquecendo ali dentro
enquanto ela dançava com estranhos em alguma boate...
fora dos braços de um amor
e dentro dos braços de outro
não é nada agradável morrer na cruz,
é muito mais agradável ouvir seu nome sussurrado no
escuro.
e dentro dos braços de outro
fui salvo de morrer crucificado
por uma dona que fumava baseado
escrevia canções e contos,
e é muito mais doce que a anterior
muito mais doce,
e o sexo é tão bom quanto ou até melhor.
não é nada agradável ser pregado a uma cruz e lá esquecido,
é muito mais agradável esquecer um amor que não deu
certo
como todo amor
por fim
não dá certo...
é muito mais agradável fazer amor
ao longo da costa de Del Mar
no quarto 42, e depois disso
sentar na cama
beber bom vinho, falar e nos tocar
fumar
ouvindo o barulho das ondas...
já morri vezes demais
acreditando e esperando, esperando
em um quarto
olhando para as rachaduras no teto
esperando por um telefonema, uma carta, uma batida à porta, um som...
enlouquecendo ali dentro
enquanto ela dançava com estranhos em alguma boate...
fora dos braços de um amor
e dentro dos braços de outro
não é nada agradável morrer na cruz,
é muito mais agradável ouvir seu nome sussurrado no
escuro.
1 035
Charles Bukowski
Mão de Cera
cara, ele disse, sentado nos degraus
seu carro bem precisava de uma lavagem e de uma mão de cera
posso fazer o serviço por 5 pratas,
tenho a cera, tenho os panos, tenho tudo que eu
preciso.
dei-lhe as 5 pratas e subi a escada.
quando desci quatro horas depois
ele estava bêbado e sentado nos degraus
e me ofereceu uma latinha de cerveja.
ele disse que daria um jeito no carro no dia
seguinte.
no dia seguinte ele se embebedou de novo e
emprestei-lhe um dólar para uma garrafa de
vinho. seu nome era Mike
um veterano da segunda guerra mundial.
sua esposa trabalhava como enfermeira.
no dia seguinte eu desci e ele estava sentado
nos degraus e ele disse,
você sabe, estive aqui sentado olhando para o seu carro,
me perguntando como fazer o serviço,
quero fazer uma coisa fina.
no dia seguinte Mike disse que parecia que ia chover
e que não faria nenhum sentido
lavar e encerar o carro num dia de chuva.
no dia seguinte parecia que ia chover novamente.
e no dia seguinte.
então não voltei mais a vê-lo.
uma semana depois vi sua esposa e ela disse,
eles levaram o Mike para o hospital,
ele está todo inchado, eles dizem que é por causa da
bebida.
escute, eu disse, ele tinha ficado de encerar o meu
carro, dei a ele 5 dólares para encerar meu
carro.
ele está na emergência, ela disse,
pode até morrer...
eu estava sentado na cozinha deles
bebendo com sua esposa
quando o telefone tocou.
ela me passou o aparelho.
era Mike. escute, ele disse, venha até aqui e me
pegue. não aguento este
lugar.
guiei até lá, entrei no
hospital, avancei até sua cama e
disse, vamos, Mike.
eles não quiseram lhe dar as roupas
então Mike caminhou até o elevador de
camisolão.
entramos e havia um garoto controlando o
elevador e comendo um picolé.
ninguém pode sair daqui de camisolão,
ele disse.
apenas aperte os botões aí, garoto, eu disse,
a gente cuida do camisolão.
Mike estava todo inchado, três vezes maior
mas dei um jeito de enfiá-lo no carro
e alcancei-lhe um cigarro.
parei numa loja de bebidas para pegar 2 fardos
então seguimos em frente. bebi com Mike e sua mulher até as
11 da noite
então subi o lance de escadas...
onde está Mike? perguntei à mulher dele 3 dias depois,
você sabe que ele ficou de encerar o meu carro.
Mike morreu, ela disse, partiu.
você quer dizer que ele morreu? perguntei.
sim, morreu, ela disse.
sinto muito, eu disse, sinto de verdade
choveu por uma semana depois disso e me dei conta de que o único
jeito de recuperar as 5 pratas era indo para cama com sua mulher
mas você sabe
ela se mudou 2 semanas depois
um velho de cabelo branco se mudou para lá
e ele era cego de um olho e tocava trompa.
não havia nenhum jeito de eu me arranjar com
ele.
seu carro bem precisava de uma lavagem e de uma mão de cera
posso fazer o serviço por 5 pratas,
tenho a cera, tenho os panos, tenho tudo que eu
preciso.
dei-lhe as 5 pratas e subi a escada.
quando desci quatro horas depois
ele estava bêbado e sentado nos degraus
e me ofereceu uma latinha de cerveja.
ele disse que daria um jeito no carro no dia
seguinte.
no dia seguinte ele se embebedou de novo e
emprestei-lhe um dólar para uma garrafa de
vinho. seu nome era Mike
um veterano da segunda guerra mundial.
sua esposa trabalhava como enfermeira.
no dia seguinte eu desci e ele estava sentado
nos degraus e ele disse,
você sabe, estive aqui sentado olhando para o seu carro,
me perguntando como fazer o serviço,
quero fazer uma coisa fina.
no dia seguinte Mike disse que parecia que ia chover
e que não faria nenhum sentido
lavar e encerar o carro num dia de chuva.
no dia seguinte parecia que ia chover novamente.
e no dia seguinte.
então não voltei mais a vê-lo.
uma semana depois vi sua esposa e ela disse,
eles levaram o Mike para o hospital,
ele está todo inchado, eles dizem que é por causa da
bebida.
escute, eu disse, ele tinha ficado de encerar o meu
carro, dei a ele 5 dólares para encerar meu
carro.
ele está na emergência, ela disse,
pode até morrer...
eu estava sentado na cozinha deles
bebendo com sua esposa
quando o telefone tocou.
ela me passou o aparelho.
era Mike. escute, ele disse, venha até aqui e me
pegue. não aguento este
lugar.
guiei até lá, entrei no
hospital, avancei até sua cama e
disse, vamos, Mike.
eles não quiseram lhe dar as roupas
então Mike caminhou até o elevador de
camisolão.
entramos e havia um garoto controlando o
elevador e comendo um picolé.
ninguém pode sair daqui de camisolão,
ele disse.
apenas aperte os botões aí, garoto, eu disse,
a gente cuida do camisolão.
Mike estava todo inchado, três vezes maior
mas dei um jeito de enfiá-lo no carro
e alcancei-lhe um cigarro.
parei numa loja de bebidas para pegar 2 fardos
então seguimos em frente. bebi com Mike e sua mulher até as
11 da noite
então subi o lance de escadas...
onde está Mike? perguntei à mulher dele 3 dias depois,
você sabe que ele ficou de encerar o meu carro.
Mike morreu, ela disse, partiu.
você quer dizer que ele morreu? perguntei.
sim, morreu, ela disse.
sinto muito, eu disse, sinto de verdade
choveu por uma semana depois disso e me dei conta de que o único
jeito de recuperar as 5 pratas era indo para cama com sua mulher
mas você sabe
ela se mudou 2 semanas depois
um velho de cabelo branco se mudou para lá
e ele era cego de um olho e tocava trompa.
não havia nenhum jeito de eu me arranjar com
ele.
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