Poemas neste tema
Vida e Existência
Martha Medeiros
me recuso a dar informações
me recuso a dar informações
sobre o paradeiro das minhas ideias malditas
elas se escondem bem demais
só eu sei o caminho só eu sei
em quem dói mais
sobre o paradeiro das minhas ideias malditas
elas se escondem bem demais
só eu sei o caminho só eu sei
em quem dói mais
1 369
Martha Medeiros
para encontrar as origens do meu rosto
para encontrar as origens do meu rosto
muçulmano
revistei-me em aeroportos nebulosos
rasguei o véu que me encobria
descobri bombas e granadas no meu peito
tentei lentes azuis e corante no cabelo
nada feito explodi no bar da esquina
muçulmano
revistei-me em aeroportos nebulosos
rasguei o véu que me encobria
descobri bombas e granadas no meu peito
tentei lentes azuis e corante no cabelo
nada feito explodi no bar da esquina
1 170
Martha Medeiros
o que faço de bom faço malfeito
o que faço de bom faço malfeito
pareço artificial quando sincera
mera falta de jeito pra viver
sou a filha predileta do defeito
pareço artificial quando sincera
mera falta de jeito pra viver
sou a filha predileta do defeito
1 156
Martha Medeiros
eu quero em mim
eu quero em mim
uma pessoa
não muito assim
ou muito não
eu quero em mim
uma pessoa
geral
poucos muitos
mas muitas coisas
muitas vidas
pessoa assim
nem muito ou pouco
mas pessoa
em tudo e em todas
total
uma pessoa
não muito assim
ou muito não
eu quero em mim
uma pessoa
geral
poucos muitos
mas muitas coisas
muitas vidas
pessoa assim
nem muito ou pouco
mas pessoa
em tudo e em todas
total
1 021
Martha Medeiros
ele corre
ele corre
e abre a grande angular
eu foco a fantasia
e a gente ri que dói
ele Fórmula 1
eu capa da Playboy
e abre a grande angular
eu foco a fantasia
e a gente ri que dói
ele Fórmula 1
eu capa da Playboy
1 181
Martha Medeiros
strip-tease
strip-tease
compreender que a gente nasce
e morre e nasce
e morre
e nasce
todo dia
strip-tease
todo dia a gente nasce
pra noite
strip-tease
toda noite
ainda é o mesmo dia
compreender que a gente nasce
e morre e nasce
e morre
e nasce
todo dia
strip-tease
todo dia a gente nasce
pra noite
strip-tease
toda noite
ainda é o mesmo dia
1 647
Martha Medeiros
strip-tease
strip-tease
compreender que a gente nasce
e morre e nasce
e morre
e nasce
todo dia
strip-tease
todo dia a gente nasce
pra noite
strip-tease
toda noite
ainda é o mesmo dia
compreender que a gente nasce
e morre e nasce
e morre
e nasce
todo dia
strip-tease
todo dia a gente nasce
pra noite
strip-tease
toda noite
ainda é o mesmo dia
1 647
Martha Medeiros
strip-tease
strip-tease
compreender que a gente nasce
e morre e nasce
e morre
e nasce
todo dia
strip-tease
todo dia a gente nasce
pra noite
strip-tease
toda noite
ainda é o mesmo dia
compreender que a gente nasce
e morre e nasce
e morre
e nasce
todo dia
strip-tease
todo dia a gente nasce
pra noite
strip-tease
toda noite
ainda é o mesmo dia
1 647
Martha Medeiros
a gente é meio on the road
a gente é meio on the road
só que muito mais moderno
adoro estar com ele e esse amor é único
e insiste
sobrevive em nós um sonho torto
a gente se permite cafonices
e se finge de casal
mata o tempo na tevê e quando vê somos
lençóis
morremos de saudade que não dói
ele dança na minha frente
e me atrai essa falta de jeito pra me amar
quando beija a boca me enlouquece
não posso recusar tanta meiguice
superfino bagaceiro engraçadíssimo
máximo de luxo me cobre de promessas
champanhe em Mônaco banho nus
Mediterrâneo
instantâneo ele me pede em casamento
e eu aceito
só que muito mais moderno
adoro estar com ele e esse amor é único
e insiste
sobrevive em nós um sonho torto
a gente se permite cafonices
e se finge de casal
mata o tempo na tevê e quando vê somos
lençóis
morremos de saudade que não dói
ele dança na minha frente
e me atrai essa falta de jeito pra me amar
quando beija a boca me enlouquece
não posso recusar tanta meiguice
superfino bagaceiro engraçadíssimo
máximo de luxo me cobre de promessas
champanhe em Mônaco banho nus
Mediterrâneo
instantâneo ele me pede em casamento
e eu aceito
1 030
Martha Medeiros
não me traia
não me traia
nessas noites nupciais
em que sais com outras mulheres sem
que eu saiba
nessas noites nupciais
em que sais com outras mulheres sem
que eu saiba
1 194
Martha Medeiros
marquei um encontro com o destino
marquei um encontro com o destino
mas cheguei antes da hora e não deu pra esperar
segui outro caminho e fui dar o que falar
mas cheguei antes da hora e não deu pra esperar
segui outro caminho e fui dar o que falar
1 113
Martha Medeiros
aquele amor poderia ter me matado
aquele amor poderia ter me matado
como mata centenas de mulheres por aí
certos amores não passam
de uma bomba a ser desativada a tempo
como mata centenas de mulheres por aí
certos amores não passam
de uma bomba a ser desativada a tempo
1 085
Martha Medeiros
eu mesma
eu mesma
não passo de uma pessoa apenas
e apenas quero ser uma pessoa sensata
mesmo com as trapaças das outras pessoas
ora,
eu mesma
me passo pra trás
não passo de uma pessoa apenas
e apenas quero ser uma pessoa sensata
mesmo com as trapaças das outras pessoas
ora,
eu mesma
me passo pra trás
1 242
Sophia de Mello Breyner Andresen
Tudo É Nu E As Estátuas Ressuscitam
Silêncio na manhã sem tempo.
Extinção das vozes que se cruzam
E se perdem na agonia como o vento.
Estátuas lisas, puras, cegas,
Estátuas de gestos imprevisíveis
No ar sem movimento.
Extinção das vozes que se cruzam
E se perdem na agonia como o vento.
Estátuas lisas, puras, cegas,
Estátuas de gestos imprevisíveis
No ar sem movimento.
1 177
Martha Medeiros
nanci num dia diana
nanci num dia diana
a ana me ama, me norma, me helena
serena, me ensinou a ver a verdade, vera
que dói menos que uma ilusão fausta
de tarde eu tenho tereza
e vivo uma magda magia
alegria, maria, calor de suor
de se ficar eduarda
quem dera denise
eu poder ser suzana
e ler lia muitas laudas
lauras
olga tem lindos olhos
olhe
e luiza tem luz
e alice tem paz
na cara karin eu quero
uma risada rosaura
um sono soninha de outrora
isadora, que namora isabel
neca de amor, ane versando a razão
coração, corália de canções
a musa musical de soraia
a saia de zélia
acabo de lena notícia letícia
caio de katia no chão
choro, clara
tetê temia meus medos
tenho medo da morte
tenho medo do mar
tenho medo de amar
tenho medo de marta
a ana me ama, me norma, me helena
serena, me ensinou a ver a verdade, vera
que dói menos que uma ilusão fausta
de tarde eu tenho tereza
e vivo uma magda magia
alegria, maria, calor de suor
de se ficar eduarda
quem dera denise
eu poder ser suzana
e ler lia muitas laudas
lauras
olga tem lindos olhos
olhe
e luiza tem luz
e alice tem paz
na cara karin eu quero
uma risada rosaura
um sono soninha de outrora
isadora, que namora isabel
neca de amor, ane versando a razão
coração, corália de canções
a musa musical de soraia
a saia de zélia
acabo de lena notícia letícia
caio de katia no chão
choro, clara
tetê temia meus medos
tenho medo da morte
tenho medo do mar
tenho medo de amar
tenho medo de marta
1 111
Sophia de Mello Breyner Andresen
Deus Recebe Em Seu Silêncio Puro
O sonho do arquitecto
E dá-te a plenitude da morada
De que foste projecto
Para tudo se tornou tarde
Até para o mar e para o vento
A tua morte tudo invade
Com desalento
E dá-te a plenitude da morada
De que foste projecto
Para tudo se tornou tarde
Até para o mar e para o vento
A tua morte tudo invade
Com desalento
1 171
Sophia de Mello Breyner Andresen
Deus Recebe Em Seu Silêncio Puro
O sonho do arquitecto
E dá-te a plenitude da morada
De que foste projecto
Para tudo se tornou tarde
Até para o mar e para o vento
A tua morte tudo invade
Com desalento
E dá-te a plenitude da morada
De que foste projecto
Para tudo se tornou tarde
Até para o mar e para o vento
A tua morte tudo invade
Com desalento
1 171
Martha Medeiros
emoção, que traidora você me saiu
emoção, que traidora você me saiu
me desmente assim na frente de todos
me faz tomar atitudes ridículas
que eu sempre detestei e neguei e nem sei
emoção, que maneira de me deixar só
agora estou sem caminho e sem solução
que jeito brusco de expulsar a razão
que sempre me fala, me guia, sei lá
emoção, que bela fera você se mostrou
invade assim sem saber, se atravessa,
domina
me agarra e sacode e balança e me enlaça
e eu já nem sei, sei lá, sou eu
me desmente assim na frente de todos
me faz tomar atitudes ridículas
que eu sempre detestei e neguei e nem sei
emoção, que maneira de me deixar só
agora estou sem caminho e sem solução
que jeito brusco de expulsar a razão
que sempre me fala, me guia, sei lá
emoção, que bela fera você se mostrou
invade assim sem saber, se atravessa,
domina
me agarra e sacode e balança e me enlaça
e eu já nem sei, sei lá, sou eu
1 114
Sophia de Mello Breyner Andresen
As Mortas
Tudo foi breve e apenas começado.
Era grande demais para vir inteiro
Nos dias apressados e medidos
E adormeceram mal adormecidas.
Quem as via não via que eram elas
E elas não sabiam que era o tempo
Esse tocar ausente e inseguro
Por onde a sua vida lhes fugia.
Atentamente como se voltassem
Para ouvir as palavras nunca ouvidas
Encostam-se ao rumor familiar
Do vento nas janelas e das chuvas.
Nas suas campas cresce mais a erva
E as roseiras dão flor antes do tempo.
A brisa que partiu inquieta volta
E as ramagens no céu pairam, alheias.
Era grande demais para vir inteiro
Nos dias apressados e medidos
E adormeceram mal adormecidas.
Quem as via não via que eram elas
E elas não sabiam que era o tempo
Esse tocar ausente e inseguro
Por onde a sua vida lhes fugia.
Atentamente como se voltassem
Para ouvir as palavras nunca ouvidas
Encostam-se ao rumor familiar
Do vento nas janelas e das chuvas.
Nas suas campas cresce mais a erva
E as roseiras dão flor antes do tempo.
A brisa que partiu inquieta volta
E as ramagens no céu pairam, alheias.
1 601
Sophia de Mello Breyner Andresen
As Mortas
Tudo foi breve e apenas começado.
Era grande demais para vir inteiro
Nos dias apressados e medidos
E adormeceram mal adormecidas.
Quem as via não via que eram elas
E elas não sabiam que era o tempo
Esse tocar ausente e inseguro
Por onde a sua vida lhes fugia.
Atentamente como se voltassem
Para ouvir as palavras nunca ouvidas
Encostam-se ao rumor familiar
Do vento nas janelas e das chuvas.
Nas suas campas cresce mais a erva
E as roseiras dão flor antes do tempo.
A brisa que partiu inquieta volta
E as ramagens no céu pairam, alheias.
Era grande demais para vir inteiro
Nos dias apressados e medidos
E adormeceram mal adormecidas.
Quem as via não via que eram elas
E elas não sabiam que era o tempo
Esse tocar ausente e inseguro
Por onde a sua vida lhes fugia.
Atentamente como se voltassem
Para ouvir as palavras nunca ouvidas
Encostam-se ao rumor familiar
Do vento nas janelas e das chuvas.
Nas suas campas cresce mais a erva
E as roseiras dão flor antes do tempo.
A brisa que partiu inquieta volta
E as ramagens no céu pairam, alheias.
1 601
Sophia de Mello Breyner Andresen
As Mortas
Tudo foi breve e apenas começado.
Era grande demais para vir inteiro
Nos dias apressados e medidos
E adormeceram mal adormecidas.
Quem as via não via que eram elas
E elas não sabiam que era o tempo
Esse tocar ausente e inseguro
Por onde a sua vida lhes fugia.
Atentamente como se voltassem
Para ouvir as palavras nunca ouvidas
Encostam-se ao rumor familiar
Do vento nas janelas e das chuvas.
Nas suas campas cresce mais a erva
E as roseiras dão flor antes do tempo.
A brisa que partiu inquieta volta
E as ramagens no céu pairam, alheias.
Era grande demais para vir inteiro
Nos dias apressados e medidos
E adormeceram mal adormecidas.
Quem as via não via que eram elas
E elas não sabiam que era o tempo
Esse tocar ausente e inseguro
Por onde a sua vida lhes fugia.
Atentamente como se voltassem
Para ouvir as palavras nunca ouvidas
Encostam-se ao rumor familiar
Do vento nas janelas e das chuvas.
Nas suas campas cresce mais a erva
E as roseiras dão flor antes do tempo.
A brisa que partiu inquieta volta
E as ramagens no céu pairam, alheias.
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