Poemas neste tema
Vida e Existência
António Ramos Rosa
54. Os Aspectos da Figura Livre
54
Os aspectos da figura livre
nos quartos claros e sombrios
fragmentos flagrantes
da forma — incandescência breve.
Queda de conjuntos e do grito
no espelho — negação no vidro
água de outro copo e negação do copo.
Às apagadas pernas e às pedras
junta-se a terra dos nomes e sem nome
desce-se pela escadaria sobre as nuvens
brancas.
Os aspectos da figura livre
nos quartos claros e sombrios
fragmentos flagrantes
da forma — incandescência breve.
Queda de conjuntos e do grito
no espelho — negação no vidro
água de outro copo e negação do copo.
Às apagadas pernas e às pedras
junta-se a terra dos nomes e sem nome
desce-se pela escadaria sobre as nuvens
brancas.
1 027
António Ramos Rosa
54. Os Aspectos da Figura Livre
54
Os aspectos da figura livre
nos quartos claros e sombrios
fragmentos flagrantes
da forma — incandescência breve.
Queda de conjuntos e do grito
no espelho — negação no vidro
água de outro copo e negação do copo.
Às apagadas pernas e às pedras
junta-se a terra dos nomes e sem nome
desce-se pela escadaria sobre as nuvens
brancas.
Os aspectos da figura livre
nos quartos claros e sombrios
fragmentos flagrantes
da forma — incandescência breve.
Queda de conjuntos e do grito
no espelho — negação no vidro
água de outro copo e negação do copo.
Às apagadas pernas e às pedras
junta-se a terra dos nomes e sem nome
desce-se pela escadaria sobre as nuvens
brancas.
1 027
António Ramos Rosa
38. Tu Sabes o Sabor do Sono E a Pausa
38
Tu sabes o sabor do sono e a pausa
do sono sobre as pernas luminosas
e mais a secreta terra não vermelha.
Não ardente a escrita aqui: do campo
aranha inocente
de patas musicais
silenciosa deusa na verdura.
Condensando a cabeça e o tronco branco
decepado sobre o não sentir ou não viver
eis o braço o pedaço ardente e frio.
Tu sabes o sabor do sono e a pausa
do sono sobre as pernas luminosas
e mais a secreta terra não vermelha.
Não ardente a escrita aqui: do campo
aranha inocente
de patas musicais
silenciosa deusa na verdura.
Condensando a cabeça e o tronco branco
decepado sobre o não sentir ou não viver
eis o braço o pedaço ardente e frio.
1 117
António Ramos Rosa
59. Consoladora (Como) Considerando Estrelas
59
Consoladora (como) considerando estrelas
imprevistas aqui a mão mantendo a mão
como parte inerente a outro corpo escrito
inversão não ou vida, inclusão no viver.
Perante um tu que não se evoca aqui
perante um tu que é desejo de
invocação e terra, negação do sangue,
ou inscrição do sangue na madeira negra.
Tudo o que consome o sabor da terra
será a consumação do culto desta terra
que não é jardim mas cujo espaço é o espaço
e um jardim que se ama: o jardim do espaço.
Consoladora (como) considerando estrelas
imprevistas aqui a mão mantendo a mão
como parte inerente a outro corpo escrito
inversão não ou vida, inclusão no viver.
Perante um tu que não se evoca aqui
perante um tu que é desejo de
invocação e terra, negação do sangue,
ou inscrição do sangue na madeira negra.
Tudo o que consome o sabor da terra
será a consumação do culto desta terra
que não é jardim mas cujo espaço é o espaço
e um jardim que se ama: o jardim do espaço.
992
António Ramos Rosa
47. Trata-Se da Escrita E do Objecto, a Coisa
47
Trata-se da escrita e do objecto, a coisa
táctil ansiosa busca no amor da mesa
dom de incandescência a que se chama lâmpada
e contra a exuberância da tirania idêntica.
Ferida amorosa na obscuridade verde
folhagem na parede reflexos na lâmina
donde emerge o sem-sentido da quimera terrestre.
Ó eternidade efémera da palavra terra
mão da sombra e pedra e fogo impuro
bronze do seio istmo dos instantes.
Trata-se da escrita e do objecto, a coisa
táctil ansiosa busca no amor da mesa
dom de incandescência a que se chama lâmpada
e contra a exuberância da tirania idêntica.
Ferida amorosa na obscuridade verde
folhagem na parede reflexos na lâmina
donde emerge o sem-sentido da quimera terrestre.
Ó eternidade efémera da palavra terra
mão da sombra e pedra e fogo impuro
bronze do seio istmo dos instantes.
988
António Ramos Rosa
65. Revelação da Visão Obscurecido o Ser
65
Revelação da visão obscurecido o ser
terra não a verde mas a terra e o nome
que segue a folhagem sem centro e sem as margens,
pura extensão, folhagem, violação das partes
densas onde o olhar se perde. Encontro
do alto muro do ser, de líquida voragem
violência de terra e da linguagem alta
que a linguagem ilumina nas falhas do olhar.
Violência verde; muro: voragem
interpretação ao rés da terra lisa
tempo sem tempo, olhar que vê sem ver.
Revelação da visão obscurecido o ser
terra não a verde mas a terra e o nome
que segue a folhagem sem centro e sem as margens,
pura extensão, folhagem, violação das partes
densas onde o olhar se perde. Encontro
do alto muro do ser, de líquida voragem
violência de terra e da linguagem alta
que a linguagem ilumina nas falhas do olhar.
Violência verde; muro: voragem
interpretação ao rés da terra lisa
tempo sem tempo, olhar que vê sem ver.
1 155
António Ramos Rosa
9. Contra Algo, Inconsistente, Interrogado
9
Contra algo, inconsistente, interrogado
respiração de infância, insecto imperceptível
aranha de água brilhante aranha.
Contra algo — o quê? Contra isso
pelo desejo obscuro da terra obscura
pela respiração das imagens e dos lagos.
Pelos dados do não-dado contra
o contra que embranquece a página
contra a virgindade da árvore contra o seio.
Contra algo, inconsistente, interrogado
respiração de infância, insecto imperceptível
aranha de água brilhante aranha.
Contra algo — o quê? Contra isso
pelo desejo obscuro da terra obscura
pela respiração das imagens e dos lagos.
Pelos dados do não-dado contra
o contra que embranquece a página
contra a virgindade da árvore contra o seio.
1 163
António Ramos Rosa
Caminho Com a Pobreza Das Pedras,…
Caminho com a pobreza das pedras, soletrando a areia, soletrando um nome e outro nome na estranheza incerta mas rasgada, vasta como o espaço que me falta e se me abre demais numa branca clareira do olhar.
1 276
António Ramos Rosa
Até À Face Inteira
Um campo
vivido no olhar na lentidão
da pausa
momento no esquecimento
da terra
a breve folha
em que
nos reunimos na espessura
do alento do
compacto
É um lado forte
vindo devagar deixando-o vir
um lado para
absorver nu
e recomeçar o limpo
intacto
Volta sobre o campo
anterior
até à face inteira
percorrendo o chão
da nudez recomeçada
até estar todo junto de si de fora
a mão na folha
ao alcance do rumor
da árvore finda
e que não finda no rumor de si
e recomeça e se percorre o branco
de uma respirada pausa o aspirado
espaço
vivido no olhar na lentidão
da pausa
momento no esquecimento
da terra
a breve folha
em que
nos reunimos na espessura
do alento do
compacto
É um lado forte
vindo devagar deixando-o vir
um lado para
absorver nu
e recomeçar o limpo
intacto
Volta sobre o campo
anterior
até à face inteira
percorrendo o chão
da nudez recomeçada
até estar todo junto de si de fora
a mão na folha
ao alcance do rumor
da árvore finda
e que não finda no rumor de si
e recomeça e se percorre o branco
de uma respirada pausa o aspirado
espaço
1 067
António Ramos Rosa
Até À Face Inteira
Um campo
vivido no olhar na lentidão
da pausa
momento no esquecimento
da terra
a breve folha
em que
nos reunimos na espessura
do alento do
compacto
É um lado forte
vindo devagar deixando-o vir
um lado para
absorver nu
e recomeçar o limpo
intacto
Volta sobre o campo
anterior
até à face inteira
percorrendo o chão
da nudez recomeçada
até estar todo junto de si de fora
a mão na folha
ao alcance do rumor
da árvore finda
e que não finda no rumor de si
e recomeça e se percorre o branco
de uma respirada pausa o aspirado
espaço
vivido no olhar na lentidão
da pausa
momento no esquecimento
da terra
a breve folha
em que
nos reunimos na espessura
do alento do
compacto
É um lado forte
vindo devagar deixando-o vir
um lado para
absorver nu
e recomeçar o limpo
intacto
Volta sobre o campo
anterior
até à face inteira
percorrendo o chão
da nudez recomeçada
até estar todo junto de si de fora
a mão na folha
ao alcance do rumor
da árvore finda
e que não finda no rumor de si
e recomeça e se percorre o branco
de uma respirada pausa o aspirado
espaço
1 067
António Ramos Rosa
7. Amor da Imagem Ferida Aberta
7
Amor da imagem ferida aberta
pelo lábio perdido e o dente exacto
seja o delírio no nome no límpido quadrado.
Terrível branca imagem trémula
na mão de face dupla e branca
e branca como a folha na margem extrema
oblíqua sem espelho sem exemplo.
Lua de um crepúsculo e transeunte
no transe perfeito do acaso aberto
aqui: quase: quase exígua rara.
Amor da imagem ferida aberta
pelo lábio perdido e o dente exacto
seja o delírio no nome no límpido quadrado.
Terrível branca imagem trémula
na mão de face dupla e branca
e branca como a folha na margem extrema
oblíqua sem espelho sem exemplo.
Lua de um crepúsculo e transeunte
no transe perfeito do acaso aberto
aqui: quase: quase exígua rara.
1 171
António Ramos Rosa
11. o Desenlace a Marca o Timbre
11
O desenlace a marca o timbre
razão de escrever viver morrer
na ideia exemplar do jamais aqui.
Mas será aqui o cacho apaixonante
da uva desses olhos de um frio branco
o rosto da irmã amante de altas pernas.
Será no pó sem a estrutura e na estrutura
do território agreste o rosto brusco
gritando o rosto aqui ou o rastro dele.
O desenlace a marca o timbre
razão de escrever viver morrer
na ideia exemplar do jamais aqui.
Mas será aqui o cacho apaixonante
da uva desses olhos de um frio branco
o rosto da irmã amante de altas pernas.
Será no pó sem a estrutura e na estrutura
do território agreste o rosto brusco
gritando o rosto aqui ou o rastro dele.
542
António Ramos Rosa
11. o Desenlace a Marca o Timbre
11
O desenlace a marca o timbre
razão de escrever viver morrer
na ideia exemplar do jamais aqui.
Mas será aqui o cacho apaixonante
da uva desses olhos de um frio branco
o rosto da irmã amante de altas pernas.
Será no pó sem a estrutura e na estrutura
do território agreste o rosto brusco
gritando o rosto aqui ou o rastro dele.
O desenlace a marca o timbre
razão de escrever viver morrer
na ideia exemplar do jamais aqui.
Mas será aqui o cacho apaixonante
da uva desses olhos de um frio branco
o rosto da irmã amante de altas pernas.
Será no pó sem a estrutura e na estrutura
do território agreste o rosto brusco
gritando o rosto aqui ou o rastro dele.
542
António Ramos Rosa
2. a Perda da Pedra Inerte E Pobre
2
A perda da pedra inerte e pobre
e a exuberância do seio do corpo elástico
contrasta o negro e o rubro do viver a árvore
vermelha e negra musical secreta.
Contraste dos joelhos: no azul: no verde
e é ferida e não imagem que se beija
na selva do corpo em raiva rouca
tronco de beleza no não-instante instante.
Perda brusca descoberta límpida
das pernas em relevo viva água
da boca e dos seus dentes e das unhas
que rasgam os membros da matéria
nunca usada e não virgem e branca
elástico animal exuberante ardente
e grande e belo como o sol no seio.
A perda da pedra inerte e pobre
e a exuberância do seio do corpo elástico
contrasta o negro e o rubro do viver a árvore
vermelha e negra musical secreta.
Contraste dos joelhos: no azul: no verde
e é ferida e não imagem que se beija
na selva do corpo em raiva rouca
tronco de beleza no não-instante instante.
Perda brusca descoberta límpida
das pernas em relevo viva água
da boca e dos seus dentes e das unhas
que rasgam os membros da matéria
nunca usada e não virgem e branca
elástico animal exuberante ardente
e grande e belo como o sol no seio.
1 063
António Ramos Rosa
Imergir No Não Saber,…
Imergir no não saber, no sono de água contornando o bordo de uma pedra leve, lisa, prosseguir na facilidade de quem nada no sono, nada, até tocar a pedra, quase, ilegível, e pronunciá-la obscura, na densidade, nova.
1 247
António Ramos Rosa
22. a Pergunta da Mão Aberta
22
A pergunta da mão aberta
na manhã matinal do quarto
aberta ao espírito de suavidade.
Alimentando o fogo o feliz rosto
criando a lâmpada de amorosa noite
mão no puro centro do impuro centro
resumindo a luz em luz da boca.
Resumindo o corpo e o lábio branco
luz que vive a palavra suavidade
que vive o viver do sangue amante.
A pergunta da mão aberta
na manhã matinal do quarto
aberta ao espírito de suavidade.
Alimentando o fogo o feliz rosto
criando a lâmpada de amorosa noite
mão no puro centro do impuro centro
resumindo a luz em luz da boca.
Resumindo o corpo e o lábio branco
luz que vive a palavra suavidade
que vive o viver do sangue amante.
963
António Ramos Rosa
26. Aprendi o Jogo E o Não Jogo
26
Aprendi o jogo e o não jogo
com a lâmpada obscura na nudez das ervas
declinando sempre a perda das palavras
e a prática pedestre das pernas obscenas.
Restituir e não restituir ou seja o rastro
os joelhos negros o incêndio límpido
e sóbrio membro o único unicórnio.
A figura é isto: os quatro membros: e o membro
branco e erecto sol sal e sangue
e a interrupção dos aspectos prática poética.
Aprendi o jogo e o não jogo
com a lâmpada obscura na nudez das ervas
declinando sempre a perda das palavras
e a prática pedestre das pernas obscenas.
Restituir e não restituir ou seja o rastro
os joelhos negros o incêndio límpido
e sóbrio membro o único unicórnio.
A figura é isto: os quatro membros: e o membro
branco e erecto sol sal e sangue
e a interrupção dos aspectos prática poética.
898
António Ramos Rosa
Corpo Solto Instantâneo…
Corpo solto instantâneo entre as árvores e o mar, margem de uma claridade de lâmina deserta, corpo devastado pela usura última, caminhando como na primeira página do deserto e já pressentindo e perdendo a primeira palavra do mar.
1 114
António Ramos Rosa
Terra Para Pronunciar…
Terra para pronunciar com os dentes da terra, terra escalavrada, presença e memória e espaço da ausência, espaço e desejo de espaço, e já o espaço do desejo, assim a terra negra, escalavrada, corpo branco e mudo.
1 332
António Ramos Rosa
Terra Para Pronunciar…
Terra para pronunciar com os dentes da terra, terra escalavrada, presença e memória e espaço da ausência, espaço e desejo de espaço, e já o espaço do desejo, assim a terra negra, escalavrada, corpo branco e mudo.
1 332
António Ramos Rosa
1. o Grito Que Não Chama, a Chama Verde
1
O grito que não chama, a chama verde
submersa ou não, é a não-leitura
do corpo calado que o poema lê.
E o silêncio, o silêncio do grito
é sempre outro, além, nos muros, sobre a sebe
nunca a serpente ou serpentina mas
o grito na neve, o grito sob a neve.
Quem pára sobre a nuvem sobre a boca
dá o sinal do grito se aqui o grito
não clama o clamor mas incendeia
a não-leitura — leitura das trevas verdes
em que a boca sobrenada sobre nada
grita o silêncio do grito o grito do silêncio.
O grito que não chama, a chama verde
submersa ou não, é a não-leitura
do corpo calado que o poema lê.
E o silêncio, o silêncio do grito
é sempre outro, além, nos muros, sobre a sebe
nunca a serpente ou serpentina mas
o grito na neve, o grito sob a neve.
Quem pára sobre a nuvem sobre a boca
dá o sinal do grito se aqui o grito
não clama o clamor mas incendeia
a não-leitura — leitura das trevas verdes
em que a boca sobrenada sobre nada
grita o silêncio do grito o grito do silêncio.
1 185
António Ramos Rosa
Nomes de Terra,…
Nomes de terra, no inverno da tarde, frio sólido, pedras cinzentas e brancas de outono ainda, mãos na terra, mãos do desejo escrito, rápidas passageiras.
1 475
António Ramos Rosa
30. Há Uma Luz Sobre As Arcadas
30
Há uma luz sobre as arcadas
e os indecisos contornos na agonia
nos limites que não resistem
e que resistem sílaba a sílaba
milimetricamente sinais de
uma preciosa intensidade de infância ardente.
Foi no súbito acesso na agonia
dos sinais que os sinais agregam
que a destruição não se destruiu
no seio inverso regressão da árvore.
Há uma luz sobre as arcadas
e os indecisos contornos na agonia
nos limites que não resistem
e que resistem sílaba a sílaba
milimetricamente sinais de
uma preciosa intensidade de infância ardente.
Foi no súbito acesso na agonia
dos sinais que os sinais agregam
que a destruição não se destruiu
no seio inverso regressão da árvore.
1 119
António Ramos Rosa
30. Há Uma Luz Sobre As Arcadas
30
Há uma luz sobre as arcadas
e os indecisos contornos na agonia
nos limites que não resistem
e que resistem sílaba a sílaba
milimetricamente sinais de
uma preciosa intensidade de infância ardente.
Foi no súbito acesso na agonia
dos sinais que os sinais agregam
que a destruição não se destruiu
no seio inverso regressão da árvore.
Há uma luz sobre as arcadas
e os indecisos contornos na agonia
nos limites que não resistem
e que resistem sílaba a sílaba
milimetricamente sinais de
uma preciosa intensidade de infância ardente.
Foi no súbito acesso na agonia
dos sinais que os sinais agregam
que a destruição não se destruiu
no seio inverso regressão da árvore.
1 119