Poemas neste tema
Vida e Existência
Fernando Pessoa
Vou dormir, dormir, dormir,
Nirvana
Vou dormir, dormir, dormir,
Vou dormir sem despertar,
Mas não dormir sem sentir
Que estou dormindo a sonhar.
Não insciência e só treva
Mas também estrelas a abrir
Olhos cujo olhar me enleva,
Que estou sonhando a dormir.
Constelada inexistência
Em que subsiste de meu
Só uma abstracta insciência
Una com estrelas e céu.
Vou dormir, dormir, dormir,
Vou dormir sem despertar,
Mas não dormir sem sentir
Que estou dormindo a sonhar.
Não insciência e só treva
Mas também estrelas a abrir
Olhos cujo olhar me enleva,
Que estou sonhando a dormir.
Constelada inexistência
Em que subsiste de meu
Só uma abstracta insciência
Una com estrelas e céu.
1 936
Fernando Pessoa
Deram-me um cravo vermelho
Deram-me um cravo vermelho
Para eu ver como é a vida.
Mas esqueci-me do cravo
Pela hora da saída.
Para eu ver como é a vida.
Mas esqueci-me do cravo
Pela hora da saída.
1 822
Fernando Pessoa
Deram-me um cravo vermelho
Deram-me um cravo vermelho
Para eu ver como é a vida.
Mas esqueci-me do cravo
Pela hora da saída.
Para eu ver como é a vida.
Mas esqueci-me do cravo
Pela hora da saída.
1 822
Fernando Pessoa
Dizem que não és aquela
Dizem que não és aquela
Que te julgavam aqui.
Mas se és alguém e és bela
Que mais quererão de ti?
Que te julgavam aqui.
Mas se és alguém e és bela
Que mais quererão de ti?
751
Fernando Pessoa
Não torna ao ramo a folha que o deixou,
Não torna ao ramo a folha que o deixou,
Nem com seu mesmo pó se uma outra forma.
O momento, que acaba ao começar
Este, morreu p'ra sempre.
Não me promete o incerto e vão futuro
Mais do que esta iterada experiência
Da mutada sorte e a condição deserta
Das cousas e de mim.
Por isso, neste rio universal
De que sou, não uma onda, senão ondas,
Decorro inerte, sem pedido, nem
Deuses em quem o empregue.
Nem com seu mesmo pó se uma outra forma.
O momento, que acaba ao começar
Este, morreu p'ra sempre.
Não me promete o incerto e vão futuro
Mais do que esta iterada experiência
Da mutada sorte e a condição deserta
Das cousas e de mim.
Por isso, neste rio universal
De que sou, não uma onda, senão ondas,
Decorro inerte, sem pedido, nem
Deuses em quem o empregue.
1 462
Fernando Pessoa
Não torna ao ramo a folha que o deixou,
Não torna ao ramo a folha que o deixou,
Nem com seu mesmo pó se uma outra forma.
O momento, que acaba ao começar
Este, morreu p'ra sempre.
Não me promete o incerto e vão futuro
Mais do que esta iterada experiência
Da mutada sorte e a condição deserta
Das cousas e de mim.
Por isso, neste rio universal
De que sou, não uma onda, senão ondas,
Decorro inerte, sem pedido, nem
Deuses em quem o empregue.
Nem com seu mesmo pó se uma outra forma.
O momento, que acaba ao começar
Este, morreu p'ra sempre.
Não me promete o incerto e vão futuro
Mais do que esta iterada experiência
Da mutada sorte e a condição deserta
Das cousas e de mim.
Por isso, neste rio universal
De que sou, não uma onda, senão ondas,
Decorro inerte, sem pedido, nem
Deuses em quem o empregue.
1 462
Fernando Pessoa
Não torna ao ramo a folha que o deixou,
Não torna ao ramo a folha que o deixou,
Nem com seu mesmo pó se uma outra forma.
O momento, que acaba ao começar
Este, morreu p'ra sempre.
Não me promete o incerto e vão futuro
Mais do que esta iterada experiência
Da mutada sorte e a condição deserta
Das cousas e de mim.
Por isso, neste rio universal
De que sou, não uma onda, senão ondas,
Decorro inerte, sem pedido, nem
Deuses em quem o empregue.
Nem com seu mesmo pó se uma outra forma.
O momento, que acaba ao começar
Este, morreu p'ra sempre.
Não me promete o incerto e vão futuro
Mais do que esta iterada experiência
Da mutada sorte e a condição deserta
Das cousas e de mim.
Por isso, neste rio universal
De que sou, não uma onda, senão ondas,
Decorro inerte, sem pedido, nem
Deuses em quem o empregue.
1 462
Fernando Pessoa
EPITAPH - Here lieth Alexander Search
Here lieth A[lexander] S[earch]
Whom God and man left in the lurch
And nature mocked with pain and woe
He believed not in state or church
Nor in God, woman, man or love
Nor earth below nor heaven above.
His knowledge did to this about:
(...) and love is not
Nothing is everywhere sincere
Save sorrow, hatred, lust and fear
And even these sometimes do look
Less than in the ill they work.
He died at twenty odd
This was is dying sentiment:
Accurst be Nature, Man and God.
Whom God and man left in the lurch
And nature mocked with pain and woe
He believed not in state or church
Nor in God, woman, man or love
Nor earth below nor heaven above.
His knowledge did to this about:
(...) and love is not
Nothing is everywhere sincere
Save sorrow, hatred, lust and fear
And even these sometimes do look
Less than in the ill they work.
He died at twenty odd
This was is dying sentiment:
Accurst be Nature, Man and God.
1 524
Fernando Pessoa
EPITAPH - Here lieth Alexander Search
Here lieth A[lexander] S[earch]
Whom God and man left in the lurch
And nature mocked with pain and woe
He believed not in state or church
Nor in God, woman, man or love
Nor earth below nor heaven above.
His knowledge did to this about:
(...) and love is not
Nothing is everywhere sincere
Save sorrow, hatred, lust and fear
And even these sometimes do look
Less than in the ill they work.
He died at twenty odd
This was is dying sentiment:
Accurst be Nature, Man and God.
Whom God and man left in the lurch
And nature mocked with pain and woe
He believed not in state or church
Nor in God, woman, man or love
Nor earth below nor heaven above.
His knowledge did to this about:
(...) and love is not
Nothing is everywhere sincere
Save sorrow, hatred, lust and fear
And even these sometimes do look
Less than in the ill they work.
He died at twenty odd
This was is dying sentiment:
Accurst be Nature, Man and God.
1 524
Fernando Pessoa
Quantos gozam o gozo de gozar
Quantos gozam o gozo de gozar
Sem que gozem o gozo, e o dividem
Entre eles e o verem
Os outros que eles gozam.
Ah, Lídia, os trajos do gozar omite,
Que o gozo é um, se é nosso, nem o damos
Aos outros como prémio
De verem nosso gozo.
Cada um é ele só, e se com outros
Goza, dos outros goza, e não para eles.
Aprende o que te ensina
Teu corpo, teu limite.
Sem que gozem o gozo, e o dividem
Entre eles e o verem
Os outros que eles gozam.
Ah, Lídia, os trajos do gozar omite,
Que o gozo é um, se é nosso, nem o damos
Aos outros como prémio
De verem nosso gozo.
Cada um é ele só, e se com outros
Goza, dos outros goza, e não para eles.
Aprende o que te ensina
Teu corpo, teu limite.
2 467
Fernando Pessoa
Quantos gozam o gozo de gozar
Quantos gozam o gozo de gozar
Sem que gozem o gozo, e o dividem
Entre eles e o verem
Os outros que eles gozam.
Ah, Lídia, os trajos do gozar omite,
Que o gozo é um, se é nosso, nem o damos
Aos outros como prémio
De verem nosso gozo.
Cada um é ele só, e se com outros
Goza, dos outros goza, e não para eles.
Aprende o que te ensina
Teu corpo, teu limite.
Sem que gozem o gozo, e o dividem
Entre eles e o verem
Os outros que eles gozam.
Ah, Lídia, os trajos do gozar omite,
Que o gozo é um, se é nosso, nem o damos
Aos outros como prémio
De verem nosso gozo.
Cada um é ele só, e se com outros
Goza, dos outros goza, e não para eles.
Aprende o que te ensina
Teu corpo, teu limite.
2 467
Fernando Pessoa
FLASHES OF MADNESS — III
III.
Eyes are strange things.
Meaning in them becomes life,
Life in them has wings.
Look at me thus. Thy glance is mad and rare.
Thine eyes show deep and wild an inner strife.
How they are more than Horror fair!
Eyes are strange things.
Meaning in them becomes life,
Life in them has wings.
Look at me thus. Thy glance is mad and rare.
Thine eyes show deep and wild an inner strife.
How they are more than Horror fair!
1 183
Fernando Pessoa
Na praia de Monte Gordo,
Na praia de Monte Gordo,
Meu amor, te conheci.
Por ter estado em Monte Gordo
É que assim emagreci.
Meu amor, te conheci.
Por ter estado em Monte Gordo
É que assim emagreci.
1 733
Fernando Pessoa
O malmequer que colheste
O malmequer que colheste
Deitaste-o fora a falar.
Nem quiseste ver a sorte
Que ele te podia dar.
Deitaste-o fora a falar.
Nem quiseste ver a sorte
Que ele te podia dar.
1 895
Fernando Pessoa
Baila o trigo quando há vento
Baila o trigo quando há vento
Baila porque o vento o toca
Também baila o pensamento
Quando o coração provoca.
Baila porque o vento o toca
Também baila o pensamento
Quando o coração provoca.
2 792
Fernando Pessoa
Sempre me teve o breve tempo febril
Sempre me teve o breve tempo febril
Nem dor o faz mais lento.
Nem dor o faz mais lento.
1 311
Fernando Pessoa
FLASHES OF MADNESS — V
V.
My child, I see thine eyes upon
A shadow, as cast by the wings
When a swift bird passes close by
The castle-window before the sun:
So through thy glance the shadows fly...
The souls of things dead and bygone
Haunt the appearances of living things
My child, I see thine eyes upon
A shadow, as cast by the wings
When a swift bird passes close by
The castle-window before the sun:
So through thy glance the shadows fly...
The souls of things dead and bygone
Haunt the appearances of living things
1 221
Fernando Pessoa
FLASHES OF MADNESS — V
V.
My child, I see thine eyes upon
A shadow, as cast by the wings
When a swift bird passes close by
The castle-window before the sun:
So through thy glance the shadows fly...
The souls of things dead and bygone
Haunt the appearances of living things
My child, I see thine eyes upon
A shadow, as cast by the wings
When a swift bird passes close by
The castle-window before the sun:
So through thy glance the shadows fly...
The souls of things dead and bygone
Haunt the appearances of living things
1 221
Fernando Pessoa
Enquanto eu vir o sol luzir nas folhas
Enquanto eu vir o sol luzir nas folhas
E sentir toda a brisa nos cabelos
Não quererei mais nada.
Que me pode o Destino conceder
Melhor que o lapso sensual da vida
Entre ignorâncias destas?
Sábio deveras o que não procura,
Que, procurando, achara o abismo em tudo
E a dúvida em si mesmo.
Pomos a dúvida onde há rosas. Damos
Quase tudo do sentido a entendê-lo
E ignoramos, pensantes.
Estranha a nós a natureza extensa
Campos ondula, flores abre, frutos
Cora, e a morte chega.
Terei razão, se a alguém razão é dada,
Quando me a morte conturbar a mente
E já não veja mais
Que à razão de saber porque vivemos
Nós nem a achamos nem achar se deve,
Impropícia e profunda.
E sentir toda a brisa nos cabelos
Não quererei mais nada.
Que me pode o Destino conceder
Melhor que o lapso sensual da vida
Entre ignorâncias destas?
Sábio deveras o que não procura,
Que, procurando, achara o abismo em tudo
E a dúvida em si mesmo.
Pomos a dúvida onde há rosas. Damos
Quase tudo do sentido a entendê-lo
E ignoramos, pensantes.
Estranha a nós a natureza extensa
Campos ondula, flores abre, frutos
Cora, e a morte chega.
Terei razão, se a alguém razão é dada,
Quando me a morte conturbar a mente
E já não veja mais
Que à razão de saber porque vivemos
Nós nem a achamos nem achar se deve,
Impropícia e profunda.
1 037
Fernando Pessoa
Enquanto eu vir o sol luzir nas folhas
Enquanto eu vir o sol luzir nas folhas
E sentir toda a brisa nos cabelos
Não quererei mais nada.
Que me pode o Destino conceder
Melhor que o lapso sensual da vida
Entre ignorâncias destas?
Sábio deveras o que não procura,
Que, procurando, achara o abismo em tudo
E a dúvida em si mesmo.
Pomos a dúvida onde há rosas. Damos
Quase tudo do sentido a entendê-lo
E ignoramos, pensantes.
Estranha a nós a natureza extensa
Campos ondula, flores abre, frutos
Cora, e a morte chega.
Terei razão, se a alguém razão é dada,
Quando me a morte conturbar a mente
E já não veja mais
Que à razão de saber porque vivemos
Nós nem a achamos nem achar se deve,
Impropícia e profunda.
E sentir toda a brisa nos cabelos
Não quererei mais nada.
Que me pode o Destino conceder
Melhor que o lapso sensual da vida
Entre ignorâncias destas?
Sábio deveras o que não procura,
Que, procurando, achara o abismo em tudo
E a dúvida em si mesmo.
Pomos a dúvida onde há rosas. Damos
Quase tudo do sentido a entendê-lo
E ignoramos, pensantes.
Estranha a nós a natureza extensa
Campos ondula, flores abre, frutos
Cora, e a morte chega.
Terei razão, se a alguém razão é dada,
Quando me a morte conturbar a mente
E já não veja mais
Que à razão de saber porque vivemos
Nós nem a achamos nem achar se deve,
Impropícia e profunda.
1 037
Fernando Pessoa
Enquanto eu vir o sol luzir nas folhas
Enquanto eu vir o sol luzir nas folhas
E sentir toda a brisa nos cabelos
Não quererei mais nada.
Que me pode o Destino conceder
Melhor que o lapso sensual da vida
Entre ignorâncias destas?
Sábio deveras o que não procura,
Que, procurando, achara o abismo em tudo
E a dúvida em si mesmo.
Pomos a dúvida onde há rosas. Damos
Quase tudo do sentido a entendê-lo
E ignoramos, pensantes.
Estranha a nós a natureza extensa
Campos ondula, flores abre, frutos
Cora, e a morte chega.
Terei razão, se a alguém razão é dada,
Quando me a morte conturbar a mente
E já não veja mais
Que à razão de saber porque vivemos
Nós nem a achamos nem achar se deve,
Impropícia e profunda.
E sentir toda a brisa nos cabelos
Não quererei mais nada.
Que me pode o Destino conceder
Melhor que o lapso sensual da vida
Entre ignorâncias destas?
Sábio deveras o que não procura,
Que, procurando, achara o abismo em tudo
E a dúvida em si mesmo.
Pomos a dúvida onde há rosas. Damos
Quase tudo do sentido a entendê-lo
E ignoramos, pensantes.
Estranha a nós a natureza extensa
Campos ondula, flores abre, frutos
Cora, e a morte chega.
Terei razão, se a alguém razão é dada,
Quando me a morte conturbar a mente
E já não veja mais
Que à razão de saber porque vivemos
Nós nem a achamos nem achar se deve,
Impropícia e profunda.
1 037
Fernando Pessoa
Enquanto eu vir o sol luzir nas folhas
Enquanto eu vir o sol luzir nas folhas
E sentir toda a brisa nos cabelos
Não quererei mais nada.
Que me pode o Destino conceder
Melhor que o lapso sensual da vida
Entre ignorâncias destas?
Sábio deveras o que não procura,
Que, procurando, achara o abismo em tudo
E a dúvida em si mesmo.
Pomos a dúvida onde há rosas. Damos
Quase tudo do sentido a entendê-lo
E ignoramos, pensantes.
Estranha a nós a natureza extensa
Campos ondula, flores abre, frutos
Cora, e a morte chega.
Terei razão, se a alguém razão é dada,
Quando me a morte conturbar a mente
E já não veja mais
Que à razão de saber porque vivemos
Nós nem a achamos nem achar se deve,
Impropícia e profunda.
E sentir toda a brisa nos cabelos
Não quererei mais nada.
Que me pode o Destino conceder
Melhor que o lapso sensual da vida
Entre ignorâncias destas?
Sábio deveras o que não procura,
Que, procurando, achara o abismo em tudo
E a dúvida em si mesmo.
Pomos a dúvida onde há rosas. Damos
Quase tudo do sentido a entendê-lo
E ignoramos, pensantes.
Estranha a nós a natureza extensa
Campos ondula, flores abre, frutos
Cora, e a morte chega.
Terei razão, se a alguém razão é dada,
Quando me a morte conturbar a mente
E já não veja mais
Que à razão de saber porque vivemos
Nós nem a achamos nem achar se deve,
Impropícia e profunda.
1 037