Poemas neste tema
Vida e Existência
Angela Santos
Escrita Invisível
Quando as
palavras, imprecisas
derem lugar aos sinais
de um corpo indiviso
metáfora do ser.....
Quando deitada
num chão de luz, te disser:
vem, atravessa comigo, este caminho
que outros não trilharam
ou se o fizeram, o chamado
de um chão virgem não sentiram
Crê, a voz que chama
ressoa do que em mim
resta de uma estrela,
do magma vulcânico,
dos corpúsculos e cristais
da memória longínqua e viva
que a minha alma
em ti procura.
palavras, imprecisas
derem lugar aos sinais
de um corpo indiviso
metáfora do ser.....
Quando deitada
num chão de luz, te disser:
vem, atravessa comigo, este caminho
que outros não trilharam
ou se o fizeram, o chamado
de um chão virgem não sentiram
Crê, a voz que chama
ressoa do que em mim
resta de uma estrela,
do magma vulcânico,
dos corpúsculos e cristais
da memória longínqua e viva
que a minha alma
em ti procura.
1 013
Angela Santos
Eu Não Sei
Dizer Adeus
Eu
não sei dizer adeus.
Adeus tem o som laminado de farpa
atravessando o ar
directa ao cerne da ferida
Nunca soube dizer adeus.
Abri rasgos nas veredas do sentir
para reconhecer nelas as marcas impressas
e Identificar meus sinais
Como dizer adeus?
Em alerta me quedo ao som de um adeus,
lembra-me viagem que não tem retorno
e por determinismo regresso às indeléveis marcas deixadas
ao jeito de revisitação
Não direi adeus, jamais....creio!
Quem sabe tão só
adeus por enquanto
se um adeus sem coragem
espreitar nos gestos quotidianos
se um esboço de adeus
inexpresso ou omisso
me acenar do outro lado
Eu não sei dizer adeus...
quiçá adeus por enquanto!
(28.12.99)
Eu
não sei dizer adeus.
Adeus tem o som laminado de farpa
atravessando o ar
directa ao cerne da ferida
Nunca soube dizer adeus.
Abri rasgos nas veredas do sentir
para reconhecer nelas as marcas impressas
e Identificar meus sinais
Como dizer adeus?
Em alerta me quedo ao som de um adeus,
lembra-me viagem que não tem retorno
e por determinismo regresso às indeléveis marcas deixadas
ao jeito de revisitação
Não direi adeus, jamais....creio!
Quem sabe tão só
adeus por enquanto
se um adeus sem coragem
espreitar nos gestos quotidianos
se um esboço de adeus
inexpresso ou omisso
me acenar do outro lado
Eu não sei dizer adeus...
quiçá adeus por enquanto!
(28.12.99)
1 295
Angela Santos
Eu Não Sei
Dizer Adeus
Eu
não sei dizer adeus.
Adeus tem o som laminado de farpa
atravessando o ar
directa ao cerne da ferida
Nunca soube dizer adeus.
Abri rasgos nas veredas do sentir
para reconhecer nelas as marcas impressas
e Identificar meus sinais
Como dizer adeus?
Em alerta me quedo ao som de um adeus,
lembra-me viagem que não tem retorno
e por determinismo regresso às indeléveis marcas deixadas
ao jeito de revisitação
Não direi adeus, jamais....creio!
Quem sabe tão só
adeus por enquanto
se um adeus sem coragem
espreitar nos gestos quotidianos
se um esboço de adeus
inexpresso ou omisso
me acenar do outro lado
Eu não sei dizer adeus...
quiçá adeus por enquanto!
(28.12.99)
Eu
não sei dizer adeus.
Adeus tem o som laminado de farpa
atravessando o ar
directa ao cerne da ferida
Nunca soube dizer adeus.
Abri rasgos nas veredas do sentir
para reconhecer nelas as marcas impressas
e Identificar meus sinais
Como dizer adeus?
Em alerta me quedo ao som de um adeus,
lembra-me viagem que não tem retorno
e por determinismo regresso às indeléveis marcas deixadas
ao jeito de revisitação
Não direi adeus, jamais....creio!
Quem sabe tão só
adeus por enquanto
se um adeus sem coragem
espreitar nos gestos quotidianos
se um esboço de adeus
inexpresso ou omisso
me acenar do outro lado
Eu não sei dizer adeus...
quiçá adeus por enquanto!
(28.12.99)
1 295
Angela Santos
Ajuda
Ajuda-me
, meu guardião a ler nas linhas do meu coração, a
escutar minha voz mais profunda e a ser capaz de ir além das dúvidas
e das feridas que se abrem enquanto caminho.
Dá-me a coragem, a lucidez e a capacidade de fazer entender, aqueles que amo
que o Amor que se dá sem espera de retorno, é amor eterno.
Eu sei que em todos os lugares e em todos os momentos a tua luz sobre mim
incidirá e tua asa protectora me guiará rumo ao que for
mais certo.
, meu guardião a ler nas linhas do meu coração, a
escutar minha voz mais profunda e a ser capaz de ir além das dúvidas
e das feridas que se abrem enquanto caminho.
Dá-me a coragem, a lucidez e a capacidade de fazer entender, aqueles que amo
que o Amor que se dá sem espera de retorno, é amor eterno.
Eu sei que em todos os lugares e em todos os momentos a tua luz sobre mim
incidirá e tua asa protectora me guiará rumo ao que for
mais certo.
1 085
Angela Santos
Essa Luz
No fundo
dos olhos,
desses olhos que me espelham
na voz que sussurra
e incandesce meu peito
no riso diamantino puro
que me devolve à inteireza
no indecifrável sentir
que vem de a saber em mim
vive a Luz
onde me aninho e renasço
a Luz que meus dias atravessa
e arde na minha vida
com o brilho que incendeia
o coração de uma estrela....
Meu ser inteiro
agora vive
para amanhecer com ela.
dos olhos,
desses olhos que me espelham
na voz que sussurra
e incandesce meu peito
no riso diamantino puro
que me devolve à inteireza
no indecifrável sentir
que vem de a saber em mim
vive a Luz
onde me aninho e renasço
a Luz que meus dias atravessa
e arde na minha vida
com o brilho que incendeia
o coração de uma estrela....
Meu ser inteiro
agora vive
para amanhecer com ela.
1 034
Angela Santos
Inesperadamente
Hoje,
talvez um anjo azul
me visite
e o leve roçar de suas asas
(quem sabe) , me sussurre
o inaudível sentido
da minha teimosia
Hoje,
Talvez uma palavra
Infinitamente repetida
Desvende no ápice
Do seu surgimento
O que na sucessão do antes
O afã de dizer , não dizia
Hoje,
Talvez que um olhar
envolto em sinais
que ler eu não soube
desvende o mistério
que vive no fogo
à flor do seu brilho
Hoje,
Talvez no turbilhão de vozes
Ou no mais fundo vazio
O imponderável
Me responda
E sobre o muro férreo dos dias
Inesperadamente, uma nesga se abra
E um pedaço de azul
Do outro lado surgindo
Me faça acreditar.
Talvez…..
talvez um anjo azul
me visite
e o leve roçar de suas asas
(quem sabe) , me sussurre
o inaudível sentido
da minha teimosia
Hoje,
Talvez uma palavra
Infinitamente repetida
Desvende no ápice
Do seu surgimento
O que na sucessão do antes
O afã de dizer , não dizia
Hoje,
Talvez que um olhar
envolto em sinais
que ler eu não soube
desvende o mistério
que vive no fogo
à flor do seu brilho
Hoje,
Talvez no turbilhão de vozes
Ou no mais fundo vazio
O imponderável
Me responda
E sobre o muro férreo dos dias
Inesperadamente, uma nesga se abra
E um pedaço de azul
Do outro lado surgindo
Me faça acreditar.
Talvez…..
639
Angela Santos
Inesperadamente
Hoje,
talvez um anjo azul
me visite
e o leve roçar de suas asas
(quem sabe) , me sussurre
o inaudível sentido
da minha teimosia
Hoje,
Talvez uma palavra
Infinitamente repetida
Desvende no ápice
Do seu surgimento
O que na sucessão do antes
O afã de dizer , não dizia
Hoje,
Talvez que um olhar
envolto em sinais
que ler eu não soube
desvende o mistério
que vive no fogo
à flor do seu brilho
Hoje,
Talvez no turbilhão de vozes
Ou no mais fundo vazio
O imponderável
Me responda
E sobre o muro férreo dos dias
Inesperadamente, uma nesga se abra
E um pedaço de azul
Do outro lado surgindo
Me faça acreditar.
Talvez…..
talvez um anjo azul
me visite
e o leve roçar de suas asas
(quem sabe) , me sussurre
o inaudível sentido
da minha teimosia
Hoje,
Talvez uma palavra
Infinitamente repetida
Desvende no ápice
Do seu surgimento
O que na sucessão do antes
O afã de dizer , não dizia
Hoje,
Talvez que um olhar
envolto em sinais
que ler eu não soube
desvende o mistério
que vive no fogo
à flor do seu brilho
Hoje,
Talvez no turbilhão de vozes
Ou no mais fundo vazio
O imponderável
Me responda
E sobre o muro férreo dos dias
Inesperadamente, uma nesga se abra
E um pedaço de azul
Do outro lado surgindo
Me faça acreditar.
Talvez…..
639
Angela Santos
Em parte e no
todo
Serei, a
sereia,
mulher pla metade
metade no mar
outra metade
na areia...
mas é nesta cama
despida do mito
que me deito inteira....
E no abandono,
adentrando o todo
para tudo ser...
de que serei feita?
mulher, pele, medusa, mito,
metafísica das formas
que me ditam
seios
quadris
plexus,
olhos
boca
mãos,
instinto....
E alma...
alma presa a este chão
aspirando ao infinito.
Serei, a
sereia,
mulher pla metade
metade no mar
outra metade
na areia...
mas é nesta cama
despida do mito
que me deito inteira....
E no abandono,
adentrando o todo
para tudo ser...
de que serei feita?
mulher, pele, medusa, mito,
metafísica das formas
que me ditam
seios
quadris
plexus,
olhos
boca
mãos,
instinto....
E alma...
alma presa a este chão
aspirando ao infinito.
1 079
Angela Santos
Em parte e no
todo
Serei, a
sereia,
mulher pla metade
metade no mar
outra metade
na areia...
mas é nesta cama
despida do mito
que me deito inteira....
E no abandono,
adentrando o todo
para tudo ser...
de que serei feita?
mulher, pele, medusa, mito,
metafísica das formas
que me ditam
seios
quadris
plexus,
olhos
boca
mãos,
instinto....
E alma...
alma presa a este chão
aspirando ao infinito.
Serei, a
sereia,
mulher pla metade
metade no mar
outra metade
na areia...
mas é nesta cama
despida do mito
que me deito inteira....
E no abandono,
adentrando o todo
para tudo ser...
de que serei feita?
mulher, pele, medusa, mito,
metafísica das formas
que me ditam
seios
quadris
plexus,
olhos
boca
mãos,
instinto....
E alma...
alma presa a este chão
aspirando ao infinito.
1 079
Angela Santos
Origens
Gravadas
na alma as marcas
desse emergir lento da terra de ninguém:
e no corpo réstias do sal
que aflora no sangue e nas lágrimas,
amnióticas águas nascentes da mãe.
O primeiro vislumbre de luz,
O som do primeiro grito
O medo do salto pra vida
o saber secreto de que nascemos à vez
e um a um partimos,
primordial e derradeira forma
de estarmos inteiramente a sós.
Um distinto sinal em nossas vidas,
O desenho único na anatomia da mão
a irrepetivel impressão digital
e outras distintas marcas impressas:
a resistência sobre-humana
quantas vezes impensada,
a teimosia do sonho
de outros cumes alcançar,
o permanente sentido dado
ao que se faz e é
Ousadia de criar asas
e levantar-se do chão,
de recriar e persistir
natureza que se desnatura,
afã e busca,
a cada novo golpe a cada novo voo
a indomável vontade de ser mais
e ir mais além
Anima, Animus,
e contudo sopro
humana fragilidade em nossa sina inscrita
quando veloz é a corrente que submerge
e bruta a força da vida,
irmanando na mesma química
homens, bichos, estrelas, pedras
as entranhas da terra
e as águas marinhas.
Ténues fios seguram o cálice da vida
onde sôfregos bebemos cada gota consentida,
isso que leva adiante e torna maiores
ante a inexorável forma que nos determina,
o sobre-humano gesto
que em si mesmo inscreve distintos sinais
Sinais é o que somos
nem deuses , nem demónios
humanos tão só humanos,
humanos até na desumanidade
ou antes de mais e depois de tudo
frágeis seres inacabados
buscando razões para erguer a ponte
que nos leve além
e nos faça chegar mais perto de Ser
que ainda não fomos.
na alma as marcas
desse emergir lento da terra de ninguém:
e no corpo réstias do sal
que aflora no sangue e nas lágrimas,
amnióticas águas nascentes da mãe.
O primeiro vislumbre de luz,
O som do primeiro grito
O medo do salto pra vida
o saber secreto de que nascemos à vez
e um a um partimos,
primordial e derradeira forma
de estarmos inteiramente a sós.
Um distinto sinal em nossas vidas,
O desenho único na anatomia da mão
a irrepetivel impressão digital
e outras distintas marcas impressas:
a resistência sobre-humana
quantas vezes impensada,
a teimosia do sonho
de outros cumes alcançar,
o permanente sentido dado
ao que se faz e é
Ousadia de criar asas
e levantar-se do chão,
de recriar e persistir
natureza que se desnatura,
afã e busca,
a cada novo golpe a cada novo voo
a indomável vontade de ser mais
e ir mais além
Anima, Animus,
e contudo sopro
humana fragilidade em nossa sina inscrita
quando veloz é a corrente que submerge
e bruta a força da vida,
irmanando na mesma química
homens, bichos, estrelas, pedras
as entranhas da terra
e as águas marinhas.
Ténues fios seguram o cálice da vida
onde sôfregos bebemos cada gota consentida,
isso que leva adiante e torna maiores
ante a inexorável forma que nos determina,
o sobre-humano gesto
que em si mesmo inscreve distintos sinais
Sinais é o que somos
nem deuses , nem demónios
humanos tão só humanos,
humanos até na desumanidade
ou antes de mais e depois de tudo
frágeis seres inacabados
buscando razões para erguer a ponte
que nos leve além
e nos faça chegar mais perto de Ser
que ainda não fomos.
687
Angela Santos
Origens
Gravadas
na alma as marcas
desse emergir lento da terra de ninguém:
e no corpo réstias do sal
que aflora no sangue e nas lágrimas,
amnióticas águas nascentes da mãe.
O primeiro vislumbre de luz,
O som do primeiro grito
O medo do salto pra vida
o saber secreto de que nascemos à vez
e um a um partimos,
primordial e derradeira forma
de estarmos inteiramente a sós.
Um distinto sinal em nossas vidas,
O desenho único na anatomia da mão
a irrepetivel impressão digital
e outras distintas marcas impressas:
a resistência sobre-humana
quantas vezes impensada,
a teimosia do sonho
de outros cumes alcançar,
o permanente sentido dado
ao que se faz e é
Ousadia de criar asas
e levantar-se do chão,
de recriar e persistir
natureza que se desnatura,
afã e busca,
a cada novo golpe a cada novo voo
a indomável vontade de ser mais
e ir mais além
Anima, Animus,
e contudo sopro
humana fragilidade em nossa sina inscrita
quando veloz é a corrente que submerge
e bruta a força da vida,
irmanando na mesma química
homens, bichos, estrelas, pedras
as entranhas da terra
e as águas marinhas.
Ténues fios seguram o cálice da vida
onde sôfregos bebemos cada gota consentida,
isso que leva adiante e torna maiores
ante a inexorável forma que nos determina,
o sobre-humano gesto
que em si mesmo inscreve distintos sinais
Sinais é o que somos
nem deuses , nem demónios
humanos tão só humanos,
humanos até na desumanidade
ou antes de mais e depois de tudo
frágeis seres inacabados
buscando razões para erguer a ponte
que nos leve além
e nos faça chegar mais perto de Ser
que ainda não fomos.
na alma as marcas
desse emergir lento da terra de ninguém:
e no corpo réstias do sal
que aflora no sangue e nas lágrimas,
amnióticas águas nascentes da mãe.
O primeiro vislumbre de luz,
O som do primeiro grito
O medo do salto pra vida
o saber secreto de que nascemos à vez
e um a um partimos,
primordial e derradeira forma
de estarmos inteiramente a sós.
Um distinto sinal em nossas vidas,
O desenho único na anatomia da mão
a irrepetivel impressão digital
e outras distintas marcas impressas:
a resistência sobre-humana
quantas vezes impensada,
a teimosia do sonho
de outros cumes alcançar,
o permanente sentido dado
ao que se faz e é
Ousadia de criar asas
e levantar-se do chão,
de recriar e persistir
natureza que se desnatura,
afã e busca,
a cada novo golpe a cada novo voo
a indomável vontade de ser mais
e ir mais além
Anima, Animus,
e contudo sopro
humana fragilidade em nossa sina inscrita
quando veloz é a corrente que submerge
e bruta a força da vida,
irmanando na mesma química
homens, bichos, estrelas, pedras
as entranhas da terra
e as águas marinhas.
Ténues fios seguram o cálice da vida
onde sôfregos bebemos cada gota consentida,
isso que leva adiante e torna maiores
ante a inexorável forma que nos determina,
o sobre-humano gesto
que em si mesmo inscreve distintos sinais
Sinais é o que somos
nem deuses , nem demónios
humanos tão só humanos,
humanos até na desumanidade
ou antes de mais e depois de tudo
frágeis seres inacabados
buscando razões para erguer a ponte
que nos leve além
e nos faça chegar mais perto de Ser
que ainda não fomos.
687
Angela Santos
Origens
Gravadas
na alma as marcas
desse emergir lento da terra de ninguém:
e no corpo réstias do sal
que aflora no sangue e nas lágrimas,
amnióticas águas nascentes da mãe.
O primeiro vislumbre de luz,
O som do primeiro grito
O medo do salto pra vida
o saber secreto de que nascemos à vez
e um a um partimos,
primordial e derradeira forma
de estarmos inteiramente a sós.
Um distinto sinal em nossas vidas,
O desenho único na anatomia da mão
a irrepetivel impressão digital
e outras distintas marcas impressas:
a resistência sobre-humana
quantas vezes impensada,
a teimosia do sonho
de outros cumes alcançar,
o permanente sentido dado
ao que se faz e é
Ousadia de criar asas
e levantar-se do chão,
de recriar e persistir
natureza que se desnatura,
afã e busca,
a cada novo golpe a cada novo voo
a indomável vontade de ser mais
e ir mais além
Anima, Animus,
e contudo sopro
humana fragilidade em nossa sina inscrita
quando veloz é a corrente que submerge
e bruta a força da vida,
irmanando na mesma química
homens, bichos, estrelas, pedras
as entranhas da terra
e as águas marinhas.
Ténues fios seguram o cálice da vida
onde sôfregos bebemos cada gota consentida,
isso que leva adiante e torna maiores
ante a inexorável forma que nos determina,
o sobre-humano gesto
que em si mesmo inscreve distintos sinais
Sinais é o que somos
nem deuses , nem demónios
humanos tão só humanos,
humanos até na desumanidade
ou antes de mais e depois de tudo
frágeis seres inacabados
buscando razões para erguer a ponte
que nos leve além
e nos faça chegar mais perto de Ser
que ainda não fomos.
na alma as marcas
desse emergir lento da terra de ninguém:
e no corpo réstias do sal
que aflora no sangue e nas lágrimas,
amnióticas águas nascentes da mãe.
O primeiro vislumbre de luz,
O som do primeiro grito
O medo do salto pra vida
o saber secreto de que nascemos à vez
e um a um partimos,
primordial e derradeira forma
de estarmos inteiramente a sós.
Um distinto sinal em nossas vidas,
O desenho único na anatomia da mão
a irrepetivel impressão digital
e outras distintas marcas impressas:
a resistência sobre-humana
quantas vezes impensada,
a teimosia do sonho
de outros cumes alcançar,
o permanente sentido dado
ao que se faz e é
Ousadia de criar asas
e levantar-se do chão,
de recriar e persistir
natureza que se desnatura,
afã e busca,
a cada novo golpe a cada novo voo
a indomável vontade de ser mais
e ir mais além
Anima, Animus,
e contudo sopro
humana fragilidade em nossa sina inscrita
quando veloz é a corrente que submerge
e bruta a força da vida,
irmanando na mesma química
homens, bichos, estrelas, pedras
as entranhas da terra
e as águas marinhas.
Ténues fios seguram o cálice da vida
onde sôfregos bebemos cada gota consentida,
isso que leva adiante e torna maiores
ante a inexorável forma que nos determina,
o sobre-humano gesto
que em si mesmo inscreve distintos sinais
Sinais é o que somos
nem deuses , nem demónios
humanos tão só humanos,
humanos até na desumanidade
ou antes de mais e depois de tudo
frágeis seres inacabados
buscando razões para erguer a ponte
que nos leve além
e nos faça chegar mais perto de Ser
que ainda não fomos.
687
Angela Santos
Nega-Entropia
O
cigarro em arabescos ascendentes
desfaz-se lentamente em anéis
e entre os meus dedos, pouco a pouco
se exaure ardendo sem parar.
Parada fico a olhar o inevitável!
Há impotências no meu gesto,
no vago do olhar que espera,
e o gosto ébrio de um Nero,
espectador que comanda e baba gozos festivos
diante dos arabescos do que arde sem remédio.
E até que nada sobre,
destinado a arder está
um cigarro entre os meus dedos
que em arabescos efémeros se esfuma e dilui no ar.
Ardem invisivelmente iguais
os ténues fios da vida,
fogo da consumação inscrito nas nossas fibras,
nas microscópicas células onde se aloja implacável
o fogo entropico de um qualquer fim.
Anéis de fumo diluindo-se no ar,
que ora vejo….ora deixo de ver,
e a consumação nos veios da vida, implícita,
não me trazem angustias
nem em líquidos amargos de inúteis existências
me deixam embebida.
Os arabescos… o fumo… o cigarro que ardeu
lembram-me a vida e seus compassos
presa entre os dedos de Deus
que dizem brincar aos dados
E nós corremos no chão onde Deus joga se quer
e decide do impulso que nos lança e suspende
entre os dois grandes instantes:
a Vida que nos é dada,
a Vida que nos mantém,
a Morte que não queremos,
e essa outra que sempre vem.
cigarro em arabescos ascendentes
desfaz-se lentamente em anéis
e entre os meus dedos, pouco a pouco
se exaure ardendo sem parar.
Parada fico a olhar o inevitável!
Há impotências no meu gesto,
no vago do olhar que espera,
e o gosto ébrio de um Nero,
espectador que comanda e baba gozos festivos
diante dos arabescos do que arde sem remédio.
E até que nada sobre,
destinado a arder está
um cigarro entre os meus dedos
que em arabescos efémeros se esfuma e dilui no ar.
Ardem invisivelmente iguais
os ténues fios da vida,
fogo da consumação inscrito nas nossas fibras,
nas microscópicas células onde se aloja implacável
o fogo entropico de um qualquer fim.
Anéis de fumo diluindo-se no ar,
que ora vejo….ora deixo de ver,
e a consumação nos veios da vida, implícita,
não me trazem angustias
nem em líquidos amargos de inúteis existências
me deixam embebida.
Os arabescos… o fumo… o cigarro que ardeu
lembram-me a vida e seus compassos
presa entre os dedos de Deus
que dizem brincar aos dados
E nós corremos no chão onde Deus joga se quer
e decide do impulso que nos lança e suspende
entre os dois grandes instantes:
a Vida que nos é dada,
a Vida que nos mantém,
a Morte que não queremos,
e essa outra que sempre vem.
1 515
Angela Santos
Nega-Entropia
O
cigarro em arabescos ascendentes
desfaz-se lentamente em anéis
e entre os meus dedos, pouco a pouco
se exaure ardendo sem parar.
Parada fico a olhar o inevitável!
Há impotências no meu gesto,
no vago do olhar que espera,
e o gosto ébrio de um Nero,
espectador que comanda e baba gozos festivos
diante dos arabescos do que arde sem remédio.
E até que nada sobre,
destinado a arder está
um cigarro entre os meus dedos
que em arabescos efémeros se esfuma e dilui no ar.
Ardem invisivelmente iguais
os ténues fios da vida,
fogo da consumação inscrito nas nossas fibras,
nas microscópicas células onde se aloja implacável
o fogo entropico de um qualquer fim.
Anéis de fumo diluindo-se no ar,
que ora vejo….ora deixo de ver,
e a consumação nos veios da vida, implícita,
não me trazem angustias
nem em líquidos amargos de inúteis existências
me deixam embebida.
Os arabescos… o fumo… o cigarro que ardeu
lembram-me a vida e seus compassos
presa entre os dedos de Deus
que dizem brincar aos dados
E nós corremos no chão onde Deus joga se quer
e decide do impulso que nos lança e suspende
entre os dois grandes instantes:
a Vida que nos é dada,
a Vida que nos mantém,
a Morte que não queremos,
e essa outra que sempre vem.
cigarro em arabescos ascendentes
desfaz-se lentamente em anéis
e entre os meus dedos, pouco a pouco
se exaure ardendo sem parar.
Parada fico a olhar o inevitável!
Há impotências no meu gesto,
no vago do olhar que espera,
e o gosto ébrio de um Nero,
espectador que comanda e baba gozos festivos
diante dos arabescos do que arde sem remédio.
E até que nada sobre,
destinado a arder está
um cigarro entre os meus dedos
que em arabescos efémeros se esfuma e dilui no ar.
Ardem invisivelmente iguais
os ténues fios da vida,
fogo da consumação inscrito nas nossas fibras,
nas microscópicas células onde se aloja implacável
o fogo entropico de um qualquer fim.
Anéis de fumo diluindo-se no ar,
que ora vejo….ora deixo de ver,
e a consumação nos veios da vida, implícita,
não me trazem angustias
nem em líquidos amargos de inúteis existências
me deixam embebida.
Os arabescos… o fumo… o cigarro que ardeu
lembram-me a vida e seus compassos
presa entre os dedos de Deus
que dizem brincar aos dados
E nós corremos no chão onde Deus joga se quer
e decide do impulso que nos lança e suspende
entre os dois grandes instantes:
a Vida que nos é dada,
a Vida que nos mantém,
a Morte que não queremos,
e essa outra que sempre vem.
1 515
Angela Santos
Nega-Entropia
O
cigarro em arabescos ascendentes
desfaz-se lentamente em anéis
e entre os meus dedos, pouco a pouco
se exaure ardendo sem parar.
Parada fico a olhar o inevitável!
Há impotências no meu gesto,
no vago do olhar que espera,
e o gosto ébrio de um Nero,
espectador que comanda e baba gozos festivos
diante dos arabescos do que arde sem remédio.
E até que nada sobre,
destinado a arder está
um cigarro entre os meus dedos
que em arabescos efémeros se esfuma e dilui no ar.
Ardem invisivelmente iguais
os ténues fios da vida,
fogo da consumação inscrito nas nossas fibras,
nas microscópicas células onde se aloja implacável
o fogo entropico de um qualquer fim.
Anéis de fumo diluindo-se no ar,
que ora vejo….ora deixo de ver,
e a consumação nos veios da vida, implícita,
não me trazem angustias
nem em líquidos amargos de inúteis existências
me deixam embebida.
Os arabescos… o fumo… o cigarro que ardeu
lembram-me a vida e seus compassos
presa entre os dedos de Deus
que dizem brincar aos dados
E nós corremos no chão onde Deus joga se quer
e decide do impulso que nos lança e suspende
entre os dois grandes instantes:
a Vida que nos é dada,
a Vida que nos mantém,
a Morte que não queremos,
e essa outra que sempre vem.
cigarro em arabescos ascendentes
desfaz-se lentamente em anéis
e entre os meus dedos, pouco a pouco
se exaure ardendo sem parar.
Parada fico a olhar o inevitável!
Há impotências no meu gesto,
no vago do olhar que espera,
e o gosto ébrio de um Nero,
espectador que comanda e baba gozos festivos
diante dos arabescos do que arde sem remédio.
E até que nada sobre,
destinado a arder está
um cigarro entre os meus dedos
que em arabescos efémeros se esfuma e dilui no ar.
Ardem invisivelmente iguais
os ténues fios da vida,
fogo da consumação inscrito nas nossas fibras,
nas microscópicas células onde se aloja implacável
o fogo entropico de um qualquer fim.
Anéis de fumo diluindo-se no ar,
que ora vejo….ora deixo de ver,
e a consumação nos veios da vida, implícita,
não me trazem angustias
nem em líquidos amargos de inúteis existências
me deixam embebida.
Os arabescos… o fumo… o cigarro que ardeu
lembram-me a vida e seus compassos
presa entre os dedos de Deus
que dizem brincar aos dados
E nós corremos no chão onde Deus joga se quer
e decide do impulso que nos lança e suspende
entre os dois grandes instantes:
a Vida que nos é dada,
a Vida que nos mantém,
a Morte que não queremos,
e essa outra que sempre vem.
1 515
Angela Santos
Nega-Entropia
O
cigarro em arabescos ascendentes
desfaz-se lentamente em anéis
e entre os meus dedos, pouco a pouco
se exaure ardendo sem parar.
Parada fico a olhar o inevitável!
Há impotências no meu gesto,
no vago do olhar que espera,
e o gosto ébrio de um Nero,
espectador que comanda e baba gozos festivos
diante dos arabescos do que arde sem remédio.
E até que nada sobre,
destinado a arder está
um cigarro entre os meus dedos
que em arabescos efémeros se esfuma e dilui no ar.
Ardem invisivelmente iguais
os ténues fios da vida,
fogo da consumação inscrito nas nossas fibras,
nas microscópicas células onde se aloja implacável
o fogo entropico de um qualquer fim.
Anéis de fumo diluindo-se no ar,
que ora vejo….ora deixo de ver,
e a consumação nos veios da vida, implícita,
não me trazem angustias
nem em líquidos amargos de inúteis existências
me deixam embebida.
Os arabescos… o fumo… o cigarro que ardeu
lembram-me a vida e seus compassos
presa entre os dedos de Deus
que dizem brincar aos dados
E nós corremos no chão onde Deus joga se quer
e decide do impulso que nos lança e suspende
entre os dois grandes instantes:
a Vida que nos é dada,
a Vida que nos mantém,
a Morte que não queremos,
e essa outra que sempre vem.
cigarro em arabescos ascendentes
desfaz-se lentamente em anéis
e entre os meus dedos, pouco a pouco
se exaure ardendo sem parar.
Parada fico a olhar o inevitável!
Há impotências no meu gesto,
no vago do olhar que espera,
e o gosto ébrio de um Nero,
espectador que comanda e baba gozos festivos
diante dos arabescos do que arde sem remédio.
E até que nada sobre,
destinado a arder está
um cigarro entre os meus dedos
que em arabescos efémeros se esfuma e dilui no ar.
Ardem invisivelmente iguais
os ténues fios da vida,
fogo da consumação inscrito nas nossas fibras,
nas microscópicas células onde se aloja implacável
o fogo entropico de um qualquer fim.
Anéis de fumo diluindo-se no ar,
que ora vejo….ora deixo de ver,
e a consumação nos veios da vida, implícita,
não me trazem angustias
nem em líquidos amargos de inúteis existências
me deixam embebida.
Os arabescos… o fumo… o cigarro que ardeu
lembram-me a vida e seus compassos
presa entre os dedos de Deus
que dizem brincar aos dados
E nós corremos no chão onde Deus joga se quer
e decide do impulso que nos lança e suspende
entre os dois grandes instantes:
a Vida que nos é dada,
a Vida que nos mantém,
a Morte que não queremos,
e essa outra que sempre vem.
1 515
Angela Santos
Tecedeira
Redes
de pescadora, eu teço
quem sabe, pescadora de palavras e sentido
Caminho, não sobre as águas
mas por dentro das palavras, e do sentir
por dentro das gentes
que abrem um sulco
e por dentro de si me deixam entretecer mais um fio
um subtil fio compondo o inegualável desenho da vida.
As palavras chegam
como? de onde? porque?
chegam...como som de riacho entre rochedos
como linho colhido para tecer brancos lençóis
onde o presente se deita
desfiando memórias...
e lançar a ponte entre os irrepetíveis
momentos do ser.
de pescadora, eu teço
quem sabe, pescadora de palavras e sentido
Caminho, não sobre as águas
mas por dentro das palavras, e do sentir
por dentro das gentes
que abrem um sulco
e por dentro de si me deixam entretecer mais um fio
um subtil fio compondo o inegualável desenho da vida.
As palavras chegam
como? de onde? porque?
chegam...como som de riacho entre rochedos
como linho colhido para tecer brancos lençóis
onde o presente se deita
desfiando memórias...
e lançar a ponte entre os irrepetíveis
momentos do ser.
1 158
Angela Santos
De onde a palavra
Pelas friestas
do Ser
espiam as palavras
e nelas, inexplicáveis,
a força das marés,
a macieza da pétala,
o bruto rasgar do cutelo
o alívio do unguento
Vêm e colhem no ar
ou na fundura da terra,
a dimensão do que for
e dizem sem desvendar
no seu afã, as palavras…
Emerge e regressa à penumbra
pressagiando, a palavra
como sibila que habita
o seio da obscuridade….
lugar de todos os nomes
onde repousa o sentido
daquilo que nos afronta
entre o silencio e o grito.
do Ser
espiam as palavras
e nelas, inexplicáveis,
a força das marés,
a macieza da pétala,
o bruto rasgar do cutelo
o alívio do unguento
Vêm e colhem no ar
ou na fundura da terra,
a dimensão do que for
e dizem sem desvendar
no seu afã, as palavras…
Emerge e regressa à penumbra
pressagiando, a palavra
como sibila que habita
o seio da obscuridade….
lugar de todos os nomes
onde repousa o sentido
daquilo que nos afronta
entre o silencio e o grito.
672
Angela Santos
Eterno Retorno
Os pés fincados
na terra
de terra os pés
os pés da terra são...
As mãos suspensas
dos braços
as mãos dos braços são
dos braços suspensos
do tronco
O tronco onde
o pescoço assenta
e nele a cabeça
onde se senta
o pensamento
Cabeça
Tronco
membros
pensamento
e terra também
o Homem......
Um dia,
terra da terra
inteiro no ventre
da mãe.
na terra
de terra os pés
os pés da terra são...
As mãos suspensas
dos braços
as mãos dos braços são
dos braços suspensos
do tronco
O tronco onde
o pescoço assenta
e nele a cabeça
onde se senta
o pensamento
Cabeça
Tronco
membros
pensamento
e terra também
o Homem......
Um dia,
terra da terra
inteiro no ventre
da mãe.
1 149
Angela Santos
Eterno Retorno
Os pés fincados
na terra
de terra os pés
os pés da terra são...
As mãos suspensas
dos braços
as mãos dos braços são
dos braços suspensos
do tronco
O tronco onde
o pescoço assenta
e nele a cabeça
onde se senta
o pensamento
Cabeça
Tronco
membros
pensamento
e terra também
o Homem......
Um dia,
terra da terra
inteiro no ventre
da mãe.
na terra
de terra os pés
os pés da terra são...
As mãos suspensas
dos braços
as mãos dos braços são
dos braços suspensos
do tronco
O tronco onde
o pescoço assenta
e nele a cabeça
onde se senta
o pensamento
Cabeça
Tronco
membros
pensamento
e terra também
o Homem......
Um dia,
terra da terra
inteiro no ventre
da mãe.
1 149
Angela Santos
Eterno Retorno
Os pés fincados
na terra
de terra os pés
os pés da terra são...
As mãos suspensas
dos braços
as mãos dos braços são
dos braços suspensos
do tronco
O tronco onde
o pescoço assenta
e nele a cabeça
onde se senta
o pensamento
Cabeça
Tronco
membros
pensamento
e terra também
o Homem......
Um dia,
terra da terra
inteiro no ventre
da mãe.
na terra
de terra os pés
os pés da terra são...
As mãos suspensas
dos braços
as mãos dos braços são
dos braços suspensos
do tronco
O tronco onde
o pescoço assenta
e nele a cabeça
onde se senta
o pensamento
Cabeça
Tronco
membros
pensamento
e terra também
o Homem......
Um dia,
terra da terra
inteiro no ventre
da mãe.
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Angela Santos
Eterno Retorno
Os pés fincados
na terra
de terra os pés
os pés da terra são...
As mãos suspensas
dos braços
as mãos dos braços são
dos braços suspensos
do tronco
O tronco onde
o pescoço assenta
e nele a cabeça
onde se senta
o pensamento
Cabeça
Tronco
membros
pensamento
e terra também
o Homem......
Um dia,
terra da terra
inteiro no ventre
da mãe.
na terra
de terra os pés
os pés da terra são...
As mãos suspensas
dos braços
as mãos dos braços são
dos braços suspensos
do tronco
O tronco onde
o pescoço assenta
e nele a cabeça
onde se senta
o pensamento
Cabeça
Tronco
membros
pensamento
e terra também
o Homem......
Um dia,
terra da terra
inteiro no ventre
da mãe.
1 149
Angela Santos
Relatividade
O
belo e o vulgar se misturam
e um dia é belo o que não vi,
vulgar o que esgotou em cansaços meu olhar.
Desempoeirando meus olhos, olhei um dia
e o que não via ou parecia vulgar
o vi cheio de uma outra luz
e seus contornos antes inalcançaveis
tinham um não sei que me bordavam a alma.
Aquele objecto o olhei e quis um dia
pelas formas, harmonia e cor,
nada mais que um vulgar biblot
hoje cansa-me o olhar
Neste mesmo lugar, quotidianamente,
olho as coisas que enchem meus dias
olho hoje, e sei ver o que meus olhos
transfigurados, nem eu sei porquê.
não verão amanhã.
belo e o vulgar se misturam
e um dia é belo o que não vi,
vulgar o que esgotou em cansaços meu olhar.
Desempoeirando meus olhos, olhei um dia
e o que não via ou parecia vulgar
o vi cheio de uma outra luz
e seus contornos antes inalcançaveis
tinham um não sei que me bordavam a alma.
Aquele objecto o olhei e quis um dia
pelas formas, harmonia e cor,
nada mais que um vulgar biblot
hoje cansa-me o olhar
Neste mesmo lugar, quotidianamente,
olho as coisas que enchem meus dias
olho hoje, e sei ver o que meus olhos
transfigurados, nem eu sei porquê.
não verão amanhã.
1 123
Angela Santos
Parêntesis
Há dias em
que se acorda com a cabeça repleta,
o peito querendo explodir por todos os seus ângulos,
como se ao regressarmos do fundo da noite,
retornássemos da safra de um qualquer campo que existe
num lugar que não sabemos,
onde revisitamos os lugares só possíveis enquanto
o manto da noite cobre a razão, amacia ânsias,
disfarça nas vestes do sonho
medos, limites e nos devolve à luz da manhã,
vindos dessa "terra de ninguém
e do todo", renovados, renascidos,
já que cada dia se morre um pouco, e se
renasce em igual medida.
O pensamento em suas pausas,
deixa então que me sente junto á corrente do coração,
sempre a transbordar.
Há muito que busco esse diálogo que não é
concorrente,
antes cooperante, da razão e das emoções.
Em seus avanços o coração galga as margens
e os limites do espaço
do possível, porque nele não é contido.
Por vezes não sei, se nesses instantes regresso à infância,
ao domínio absoluto do sonho e do imaginário,
ou a um qualquer tipo de consciente demência,
que me induz a surrealizar,
tão certa de ser essa a brecha por onde a minha sanidade mental
e o meu equilíbrio,
obrigatoriamente devem passar.
Não chego nunca a entender
(e para que preciso?)
se é o lado melhor do pensar misturado com o sentir
que ali se mesclam, já que esse é o instante
que nos torna maiores,
e nos faz pairar numa dimensão
onde a rosa dos ventos enlouqueceria
no seu imparávelrodopiar.
Momentos de tudo ser, tudo sentir. Mistura-se o
pretérito, o instante e o que desejamos que venha.
E o que há-de vir virá.
Mesmo se o que quisemos se transmuda e surge como
o que não esperávamos.
Ainda assim, surge o que haveria de vir.
Não vou dar às palavras a toada de
um qualquer "fatum", nem adorná-las de um qualquer determinismo:
se o que esperamos não se revela
com a face do esperado, é
porque confundimos a mascara com o rosto,
ou porque o verdadeiro rosto só o lapidará o tempo.
A luz entra de repente pela janela do meu
habitáculo. Faço de novo um parêntesis no curso
do meu pensamento, no instante em que estava
de novo tentada a parar,
ou pairar sobre os episódios da dimensão
"o que poderia ter sido".
Não quis ficar suspensa
sobre esses momentos em que em rewind surgiam
os momentos em que esperei "acontecer"
e acabei por viver o inesperado.
Suspendo a corrente do pensar,
sentindo esse chamado da luz para as coisas simples.
A nesga de sol me distrai da corrente sem norte
e sem lei , onde mergulho.
Receio, por vezes o destino dos navios que sulcam
os mares de sargaços.
A ousadia me seduz a descer, ou a subir
(como sabê-lo?),
já que se faz caminho ao andar.
É no compasso do passo que é
preciso ficar atenta,
é no movimento invisível das coisas
que tudo se joga e esse só o entende quem está atento
de uma outra forma.
Um dia de sol...é um dia de sol, talvez não seja
melhor nem pior do que um dia de chuva.
Afinal na sua sabedoria umas vezes simples,
chã, outras nem tanto,
Pessoa dizia que ambos são bons porque
existem. Aí reside quiçá a razão de tudo
ter razão de ser.
Mas um dia de sol, faz a diferença:
é que é de luz que vivem meus olhos,
porque é no calor que vibram meus nervos
e é nesse morno caldo em que estão mergulhadas, que sobrevivem
minhas células.
Um dia de sol a descoberto, é um dia de sol e
isso eu sinto-o por dentro de mim,
sem outra explicação.
E eu sei que todos os dias são dias de sol.
Mesmo que não o seja no lugar onde eu esteja.
É que um dia de sol que se descobre diante dos meus olhos,
existe aos meus olhos
e por dentro de mim.
E nada é igual à luz de um sol que se não abriu.
Quem sabe se um dia não velei o sol,
nos templos dos druidas, ou fui simples
adoradora da luz primordial?
Despertar assim, trazendo a cabeça e o peito
repletos de coisas, vagas ou não,
depois de atravessar esse campo imenso
onde se dilui a consciência em alerta,
requer uma espécie de exercício de equilibrista.
O dia nos toma inteiros, nos chamando,
requerendo a nossa atenção permanente.
É o vermelho que aparece ao cruzar de uma rua,
o choro ou riso de uma criança que atravessa nossa parede,
esse imenso mar de gente em que mergulhamos,
o louco vai e vem desse todo indefinido
sem contornos da multidão,
que nos dilui no seu atropelo, onde de repente
não somos mais nós,
somos mais um; as pequenas solicitações do quotidiano,
no encadeamento de actos, escolhas e decisões,
em que a cada momento construímos futuro.
E longe, diluídos na torrente do dia e de suas repetições,
o eco dos sonhos maiores, pacientemente
aguardando a vez na fila de espera.
De esperas e adiamentos se faz o correr da vida.
Porque há momentos e eles surgem do nada.
Não os esperamos e aí estão diante de nós,
puxando-nos para a vivência do inesperado,
vestindo outras vestes e
de um modo tal irreconhecíveis
que nem damos conta de que chegou o que
vivemos a esperar, trazendo em si outras esperas.
E a cabeça, que exige respostas simples se questiona,
sem devolução de resposta e cede, aguardando
um lampejo que chegue pela via da lucidez pressentida.
E é assim que podemos chegar a esse ponto da
existência, cujo estádio se não define claramente,
porque nada necessita de grande clarificação:
as coisas são, tal como são, nem sempre as entendemos,
e aceitar não saber é de algum modo
um certo começo de sabedoria.
Não é indiferença, não é renuncia,
nem resignação,
o que sobrevem ao tumulto do coração,
à rebelião da carne, à fome de querer e não
ter.
Não tem nome porque se dê esse momento,
em que sobre a vida se abre um parêntesis e nele
contido fica talvez o essencial, porque sem resposta.
Quem sabe,
se a elementar razão de todo o resto ser.
que se acorda com a cabeça repleta,
o peito querendo explodir por todos os seus ângulos,
como se ao regressarmos do fundo da noite,
retornássemos da safra de um qualquer campo que existe
num lugar que não sabemos,
onde revisitamos os lugares só possíveis enquanto
o manto da noite cobre a razão, amacia ânsias,
disfarça nas vestes do sonho
medos, limites e nos devolve à luz da manhã,
vindos dessa "terra de ninguém
e do todo", renovados, renascidos,
já que cada dia se morre um pouco, e se
renasce em igual medida.
O pensamento em suas pausas,
deixa então que me sente junto á corrente do coração,
sempre a transbordar.
Há muito que busco esse diálogo que não é
concorrente,
antes cooperante, da razão e das emoções.
Em seus avanços o coração galga as margens
e os limites do espaço
do possível, porque nele não é contido.
Por vezes não sei, se nesses instantes regresso à infância,
ao domínio absoluto do sonho e do imaginário,
ou a um qualquer tipo de consciente demência,
que me induz a surrealizar,
tão certa de ser essa a brecha por onde a minha sanidade mental
e o meu equilíbrio,
obrigatoriamente devem passar.
Não chego nunca a entender
(e para que preciso?)
se é o lado melhor do pensar misturado com o sentir
que ali se mesclam, já que esse é o instante
que nos torna maiores,
e nos faz pairar numa dimensão
onde a rosa dos ventos enlouqueceria
no seu imparávelrodopiar.
Momentos de tudo ser, tudo sentir. Mistura-se o
pretérito, o instante e o que desejamos que venha.
E o que há-de vir virá.
Mesmo se o que quisemos se transmuda e surge como
o que não esperávamos.
Ainda assim, surge o que haveria de vir.
Não vou dar às palavras a toada de
um qualquer "fatum", nem adorná-las de um qualquer determinismo:
se o que esperamos não se revela
com a face do esperado, é
porque confundimos a mascara com o rosto,
ou porque o verdadeiro rosto só o lapidará o tempo.
A luz entra de repente pela janela do meu
habitáculo. Faço de novo um parêntesis no curso
do meu pensamento, no instante em que estava
de novo tentada a parar,
ou pairar sobre os episódios da dimensão
"o que poderia ter sido".
Não quis ficar suspensa
sobre esses momentos em que em rewind surgiam
os momentos em que esperei "acontecer"
e acabei por viver o inesperado.
Suspendo a corrente do pensar,
sentindo esse chamado da luz para as coisas simples.
A nesga de sol me distrai da corrente sem norte
e sem lei , onde mergulho.
Receio, por vezes o destino dos navios que sulcam
os mares de sargaços.
A ousadia me seduz a descer, ou a subir
(como sabê-lo?),
já que se faz caminho ao andar.
É no compasso do passo que é
preciso ficar atenta,
é no movimento invisível das coisas
que tudo se joga e esse só o entende quem está atento
de uma outra forma.
Um dia de sol...é um dia de sol, talvez não seja
melhor nem pior do que um dia de chuva.
Afinal na sua sabedoria umas vezes simples,
chã, outras nem tanto,
Pessoa dizia que ambos são bons porque
existem. Aí reside quiçá a razão de tudo
ter razão de ser.
Mas um dia de sol, faz a diferença:
é que é de luz que vivem meus olhos,
porque é no calor que vibram meus nervos
e é nesse morno caldo em que estão mergulhadas, que sobrevivem
minhas células.
Um dia de sol a descoberto, é um dia de sol e
isso eu sinto-o por dentro de mim,
sem outra explicação.
E eu sei que todos os dias são dias de sol.
Mesmo que não o seja no lugar onde eu esteja.
É que um dia de sol que se descobre diante dos meus olhos,
existe aos meus olhos
e por dentro de mim.
E nada é igual à luz de um sol que se não abriu.
Quem sabe se um dia não velei o sol,
nos templos dos druidas, ou fui simples
adoradora da luz primordial?
Despertar assim, trazendo a cabeça e o peito
repletos de coisas, vagas ou não,
depois de atravessar esse campo imenso
onde se dilui a consciência em alerta,
requer uma espécie de exercício de equilibrista.
O dia nos toma inteiros, nos chamando,
requerendo a nossa atenção permanente.
É o vermelho que aparece ao cruzar de uma rua,
o choro ou riso de uma criança que atravessa nossa parede,
esse imenso mar de gente em que mergulhamos,
o louco vai e vem desse todo indefinido
sem contornos da multidão,
que nos dilui no seu atropelo, onde de repente
não somos mais nós,
somos mais um; as pequenas solicitações do quotidiano,
no encadeamento de actos, escolhas e decisões,
em que a cada momento construímos futuro.
E longe, diluídos na torrente do dia e de suas repetições,
o eco dos sonhos maiores, pacientemente
aguardando a vez na fila de espera.
De esperas e adiamentos se faz o correr da vida.
Porque há momentos e eles surgem do nada.
Não os esperamos e aí estão diante de nós,
puxando-nos para a vivência do inesperado,
vestindo outras vestes e
de um modo tal irreconhecíveis
que nem damos conta de que chegou o que
vivemos a esperar, trazendo em si outras esperas.
E a cabeça, que exige respostas simples se questiona,
sem devolução de resposta e cede, aguardando
um lampejo que chegue pela via da lucidez pressentida.
E é assim que podemos chegar a esse ponto da
existência, cujo estádio se não define claramente,
porque nada necessita de grande clarificação:
as coisas são, tal como são, nem sempre as entendemos,
e aceitar não saber é de algum modo
um certo começo de sabedoria.
Não é indiferença, não é renuncia,
nem resignação,
o que sobrevem ao tumulto do coração,
à rebelião da carne, à fome de querer e não
ter.
Não tem nome porque se dê esse momento,
em que sobre a vida se abre um parêntesis e nele
contido fica talvez o essencial, porque sem resposta.
Quem sabe,
se a elementar razão de todo o resto ser.
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