Poemas neste tema
Vida e Existência
Fernando Namora
Profecia
Nem me
disseram ainda
para o que vim.
Se logro ou verdade
Se filho amado ou rejeitado.
mas sei
que quando cheguei
os meus olhos viram tudo
e tontos de gula ou espanto
renegaram tudo
e no meu sangue veias se abriram
noutro sangue....
A ele obedeço,
sempre,
a esse incitamento mudo.
Também sei
que hei-de perecer, exangue,
de excesso de desejar;
mas sinto
sempre,
que não posso recuar.
disseram ainda
para o que vim.
Se logro ou verdade
Se filho amado ou rejeitado.
mas sei
que quando cheguei
os meus olhos viram tudo
e tontos de gula ou espanto
renegaram tudo
e no meu sangue veias se abriram
noutro sangue....
A ele obedeço,
sempre,
a esse incitamento mudo.
Também sei
que hei-de perecer, exangue,
de excesso de desejar;
mas sinto
sempre,
que não posso recuar.
2 363
Fernando Namora
Profecia
Nem me
disseram ainda
para o que vim.
Se logro ou verdade
Se filho amado ou rejeitado.
mas sei
que quando cheguei
os meus olhos viram tudo
e tontos de gula ou espanto
renegaram tudo
e no meu sangue veias se abriram
noutro sangue....
A ele obedeço,
sempre,
a esse incitamento mudo.
Também sei
que hei-de perecer, exangue,
de excesso de desejar;
mas sinto
sempre,
que não posso recuar.
disseram ainda
para o que vim.
Se logro ou verdade
Se filho amado ou rejeitado.
mas sei
que quando cheguei
os meus olhos viram tudo
e tontos de gula ou espanto
renegaram tudo
e no meu sangue veias se abriram
noutro sangue....
A ele obedeço,
sempre,
a esse incitamento mudo.
Também sei
que hei-de perecer, exangue,
de excesso de desejar;
mas sinto
sempre,
que não posso recuar.
2 363
Angela Santos
Transfiguração
O
quotidiano uiva, grita, sangra
esmaga, dilacera, esventra
corpos almas, sonhos.
quotidiano servido
em taças de amargo gosto
leva-nos na crista de alterosas vagas
sentimos a vida no silencio ou como grito
a vida que espontânea brota
e nos faz sentir
tocados pela morte com suas leves asas
roçando cada instante
de nossos dias
Irrompe a luz e a alvorada,
emerge da terra a rubra papoila
ri a criança nos braços da sua mãe,
o abraço amante numa noite enluarada,
a beleza viva nos traços que o pincel eternizou
ou que a mão do poeta rasgou
levam-nos de volta à vida
frágil, perene
e ao sabor das coisas únicas, simples
aos campos da guerra quotidiana
onde salva a beleza guardada em nossos olhos
e a vontade de e teimar ir além.
Guerreiros sem nome
batemo-nos indómitos nesse imenso campo
onde a vida se dá e se furta também.
quotidiano uiva, grita, sangra
esmaga, dilacera, esventra
corpos almas, sonhos.
quotidiano servido
em taças de amargo gosto
leva-nos na crista de alterosas vagas
sentimos a vida no silencio ou como grito
a vida que espontânea brota
e nos faz sentir
tocados pela morte com suas leves asas
roçando cada instante
de nossos dias
Irrompe a luz e a alvorada,
emerge da terra a rubra papoila
ri a criança nos braços da sua mãe,
o abraço amante numa noite enluarada,
a beleza viva nos traços que o pincel eternizou
ou que a mão do poeta rasgou
levam-nos de volta à vida
frágil, perene
e ao sabor das coisas únicas, simples
aos campos da guerra quotidiana
onde salva a beleza guardada em nossos olhos
e a vontade de e teimar ir além.
Guerreiros sem nome
batemo-nos indómitos nesse imenso campo
onde a vida se dá e se furta também.
700
Angela Santos
Paradoxo
Na
inteireza das coisas simples,
no desvario urgente que nos leva adiante,
na coragem que exige, cada dia que começa,
no absurdo que grita pela boca da fome,
na festa que reina na nossa vontade cumprida
nesse estar além da pobreza de um quotidiano que fere,
no seio de cada minúsculo acto movido pelo coração
nas avenidas largas e solitárias percorridas,
na verdade e na força do amor
no paradoxo do belo e do bruto que nossa alma abriga
no gesto que em nós acorda a humana face do outro,
na mão que semeia, modela, acaricia, estrangula, esventra,
na viagem que faz o caminho sob o nosso andar
na alegria gerada em cada dia que nasce e nos devolve à vida
e até no silencio ante o meu questionar
eu pressinto um indecifrável sentido.
Por isso sigo, sem muito querer saber
Por isso me agito se oiço o chamado
por isso me entrego à vida e a bendigo
por isso espero se de espera é o momento
por isso me inquieto se o coração diz "Vai!" e eu me
detenho
vivo, sinto, espelho a dualidade viva de tudo o que é……
E além do mal e do bem me quedo,
olho o infinito e sinto-me poeira de estrelas com alma
e no chão que piso, oiço o pulsar do meu ser,
no riacho correndo entre sulcos, é o meu sangue que vibra
e no prumo de uma velha árvore
o sentido da dignidade eu vivo
Se tudo está em mim
parte de quê, enfim, sou ?
inteireza das coisas simples,
no desvario urgente que nos leva adiante,
na coragem que exige, cada dia que começa,
no absurdo que grita pela boca da fome,
na festa que reina na nossa vontade cumprida
nesse estar além da pobreza de um quotidiano que fere,
no seio de cada minúsculo acto movido pelo coração
nas avenidas largas e solitárias percorridas,
na verdade e na força do amor
no paradoxo do belo e do bruto que nossa alma abriga
no gesto que em nós acorda a humana face do outro,
na mão que semeia, modela, acaricia, estrangula, esventra,
na viagem que faz o caminho sob o nosso andar
na alegria gerada em cada dia que nasce e nos devolve à vida
e até no silencio ante o meu questionar
eu pressinto um indecifrável sentido.
Por isso sigo, sem muito querer saber
Por isso me agito se oiço o chamado
por isso me entrego à vida e a bendigo
por isso espero se de espera é o momento
por isso me inquieto se o coração diz "Vai!" e eu me
detenho
vivo, sinto, espelho a dualidade viva de tudo o que é……
E além do mal e do bem me quedo,
olho o infinito e sinto-me poeira de estrelas com alma
e no chão que piso, oiço o pulsar do meu ser,
no riacho correndo entre sulcos, é o meu sangue que vibra
e no prumo de uma velha árvore
o sentido da dignidade eu vivo
Se tudo está em mim
parte de quê, enfim, sou ?
1 041
Angela Santos
Paradoxo
Na
inteireza das coisas simples,
no desvario urgente que nos leva adiante,
na coragem que exige, cada dia que começa,
no absurdo que grita pela boca da fome,
na festa que reina na nossa vontade cumprida
nesse estar além da pobreza de um quotidiano que fere,
no seio de cada minúsculo acto movido pelo coração
nas avenidas largas e solitárias percorridas,
na verdade e na força do amor
no paradoxo do belo e do bruto que nossa alma abriga
no gesto que em nós acorda a humana face do outro,
na mão que semeia, modela, acaricia, estrangula, esventra,
na viagem que faz o caminho sob o nosso andar
na alegria gerada em cada dia que nasce e nos devolve à vida
e até no silencio ante o meu questionar
eu pressinto um indecifrável sentido.
Por isso sigo, sem muito querer saber
Por isso me agito se oiço o chamado
por isso me entrego à vida e a bendigo
por isso espero se de espera é o momento
por isso me inquieto se o coração diz "Vai!" e eu me
detenho
vivo, sinto, espelho a dualidade viva de tudo o que é……
E além do mal e do bem me quedo,
olho o infinito e sinto-me poeira de estrelas com alma
e no chão que piso, oiço o pulsar do meu ser,
no riacho correndo entre sulcos, é o meu sangue que vibra
e no prumo de uma velha árvore
o sentido da dignidade eu vivo
Se tudo está em mim
parte de quê, enfim, sou ?
inteireza das coisas simples,
no desvario urgente que nos leva adiante,
na coragem que exige, cada dia que começa,
no absurdo que grita pela boca da fome,
na festa que reina na nossa vontade cumprida
nesse estar além da pobreza de um quotidiano que fere,
no seio de cada minúsculo acto movido pelo coração
nas avenidas largas e solitárias percorridas,
na verdade e na força do amor
no paradoxo do belo e do bruto que nossa alma abriga
no gesto que em nós acorda a humana face do outro,
na mão que semeia, modela, acaricia, estrangula, esventra,
na viagem que faz o caminho sob o nosso andar
na alegria gerada em cada dia que nasce e nos devolve à vida
e até no silencio ante o meu questionar
eu pressinto um indecifrável sentido.
Por isso sigo, sem muito querer saber
Por isso me agito se oiço o chamado
por isso me entrego à vida e a bendigo
por isso espero se de espera é o momento
por isso me inquieto se o coração diz "Vai!" e eu me
detenho
vivo, sinto, espelho a dualidade viva de tudo o que é……
E além do mal e do bem me quedo,
olho o infinito e sinto-me poeira de estrelas com alma
e no chão que piso, oiço o pulsar do meu ser,
no riacho correndo entre sulcos, é o meu sangue que vibra
e no prumo de uma velha árvore
o sentido da dignidade eu vivo
Se tudo está em mim
parte de quê, enfim, sou ?
1 041
Angela Santos
Paradoxo
Na
inteireza das coisas simples,
no desvario urgente que nos leva adiante,
na coragem que exige, cada dia que começa,
no absurdo que grita pela boca da fome,
na festa que reina na nossa vontade cumprida
nesse estar além da pobreza de um quotidiano que fere,
no seio de cada minúsculo acto movido pelo coração
nas avenidas largas e solitárias percorridas,
na verdade e na força do amor
no paradoxo do belo e do bruto que nossa alma abriga
no gesto que em nós acorda a humana face do outro,
na mão que semeia, modela, acaricia, estrangula, esventra,
na viagem que faz o caminho sob o nosso andar
na alegria gerada em cada dia que nasce e nos devolve à vida
e até no silencio ante o meu questionar
eu pressinto um indecifrável sentido.
Por isso sigo, sem muito querer saber
Por isso me agito se oiço o chamado
por isso me entrego à vida e a bendigo
por isso espero se de espera é o momento
por isso me inquieto se o coração diz "Vai!" e eu me
detenho
vivo, sinto, espelho a dualidade viva de tudo o que é……
E além do mal e do bem me quedo,
olho o infinito e sinto-me poeira de estrelas com alma
e no chão que piso, oiço o pulsar do meu ser,
no riacho correndo entre sulcos, é o meu sangue que vibra
e no prumo de uma velha árvore
o sentido da dignidade eu vivo
Se tudo está em mim
parte de quê, enfim, sou ?
inteireza das coisas simples,
no desvario urgente que nos leva adiante,
na coragem que exige, cada dia que começa,
no absurdo que grita pela boca da fome,
na festa que reina na nossa vontade cumprida
nesse estar além da pobreza de um quotidiano que fere,
no seio de cada minúsculo acto movido pelo coração
nas avenidas largas e solitárias percorridas,
na verdade e na força do amor
no paradoxo do belo e do bruto que nossa alma abriga
no gesto que em nós acorda a humana face do outro,
na mão que semeia, modela, acaricia, estrangula, esventra,
na viagem que faz o caminho sob o nosso andar
na alegria gerada em cada dia que nasce e nos devolve à vida
e até no silencio ante o meu questionar
eu pressinto um indecifrável sentido.
Por isso sigo, sem muito querer saber
Por isso me agito se oiço o chamado
por isso me entrego à vida e a bendigo
por isso espero se de espera é o momento
por isso me inquieto se o coração diz "Vai!" e eu me
detenho
vivo, sinto, espelho a dualidade viva de tudo o que é……
E além do mal e do bem me quedo,
olho o infinito e sinto-me poeira de estrelas com alma
e no chão que piso, oiço o pulsar do meu ser,
no riacho correndo entre sulcos, é o meu sangue que vibra
e no prumo de uma velha árvore
o sentido da dignidade eu vivo
Se tudo está em mim
parte de quê, enfim, sou ?
1 041
Angela Santos
Histórias
de Ninar
Belas
histórias de ninar, arrumadas, esquecidas
nos velhos baús da memória.
abrir os baús, desempoeirar as histórias
e à roda da fogueira voltar a contá-las
aos crescidos, aos pequenos…
Crescidos que esqueceram histórias
que ouviram um dia e não souberam guardar
nos baús do tempo
pequenos que encherão seus dias
seus olhos e sonhos de contos e maravilhas
rasgando caminhos nas dobras da memória
Levantem-se os contadores de histórias
abra-se o coração ao sonho e à magia
que nas poeiras e gangas soterrados
não vemos já
o que os olhos da alma vislumbraram um dia.
Nossos tempos de ilusão….. frios de solidão
Ergam-se os velhos contadores de histórias
brilhem os olhos que se deixaram dormir
abram-se as comportas do tempo
e de novo crianças
tudo olhar à luz de uma estrela - guia
Estrela que nos leve de volta ao lugar
onde os sonhos brotam e o maravilhoso emerge,
ponte que nos liga a um caminho esquecido
onde à luz do sonho rodamos no tempo…
E no que ontem foi inteiros nos vemos,
vivendo histórias de pura magia
sem deixar de ser o que hoje somos
nas florestas densas que imaginamos,
esse lugar mágico onde se abrigam
o Gato das Botas, Peter- Pan e os Gnomos.
Belas
histórias de ninar, arrumadas, esquecidas
nos velhos baús da memória.
abrir os baús, desempoeirar as histórias
e à roda da fogueira voltar a contá-las
aos crescidos, aos pequenos…
Crescidos que esqueceram histórias
que ouviram um dia e não souberam guardar
nos baús do tempo
pequenos que encherão seus dias
seus olhos e sonhos de contos e maravilhas
rasgando caminhos nas dobras da memória
Levantem-se os contadores de histórias
abra-se o coração ao sonho e à magia
que nas poeiras e gangas soterrados
não vemos já
o que os olhos da alma vislumbraram um dia.
Nossos tempos de ilusão….. frios de solidão
Ergam-se os velhos contadores de histórias
brilhem os olhos que se deixaram dormir
abram-se as comportas do tempo
e de novo crianças
tudo olhar à luz de uma estrela - guia
Estrela que nos leve de volta ao lugar
onde os sonhos brotam e o maravilhoso emerge,
ponte que nos liga a um caminho esquecido
onde à luz do sonho rodamos no tempo…
E no que ontem foi inteiros nos vemos,
vivendo histórias de pura magia
sem deixar de ser o que hoje somos
nas florestas densas que imaginamos,
esse lugar mágico onde se abrigam
o Gato das Botas, Peter- Pan e os Gnomos.
689
Angela Santos
Histórias
de Ninar
Belas
histórias de ninar, arrumadas, esquecidas
nos velhos baús da memória.
abrir os baús, desempoeirar as histórias
e à roda da fogueira voltar a contá-las
aos crescidos, aos pequenos…
Crescidos que esqueceram histórias
que ouviram um dia e não souberam guardar
nos baús do tempo
pequenos que encherão seus dias
seus olhos e sonhos de contos e maravilhas
rasgando caminhos nas dobras da memória
Levantem-se os contadores de histórias
abra-se o coração ao sonho e à magia
que nas poeiras e gangas soterrados
não vemos já
o que os olhos da alma vislumbraram um dia.
Nossos tempos de ilusão….. frios de solidão
Ergam-se os velhos contadores de histórias
brilhem os olhos que se deixaram dormir
abram-se as comportas do tempo
e de novo crianças
tudo olhar à luz de uma estrela - guia
Estrela que nos leve de volta ao lugar
onde os sonhos brotam e o maravilhoso emerge,
ponte que nos liga a um caminho esquecido
onde à luz do sonho rodamos no tempo…
E no que ontem foi inteiros nos vemos,
vivendo histórias de pura magia
sem deixar de ser o que hoje somos
nas florestas densas que imaginamos,
esse lugar mágico onde se abrigam
o Gato das Botas, Peter- Pan e os Gnomos.
Belas
histórias de ninar, arrumadas, esquecidas
nos velhos baús da memória.
abrir os baús, desempoeirar as histórias
e à roda da fogueira voltar a contá-las
aos crescidos, aos pequenos…
Crescidos que esqueceram histórias
que ouviram um dia e não souberam guardar
nos baús do tempo
pequenos que encherão seus dias
seus olhos e sonhos de contos e maravilhas
rasgando caminhos nas dobras da memória
Levantem-se os contadores de histórias
abra-se o coração ao sonho e à magia
que nas poeiras e gangas soterrados
não vemos já
o que os olhos da alma vislumbraram um dia.
Nossos tempos de ilusão….. frios de solidão
Ergam-se os velhos contadores de histórias
brilhem os olhos que se deixaram dormir
abram-se as comportas do tempo
e de novo crianças
tudo olhar à luz de uma estrela - guia
Estrela que nos leve de volta ao lugar
onde os sonhos brotam e o maravilhoso emerge,
ponte que nos liga a um caminho esquecido
onde à luz do sonho rodamos no tempo…
E no que ontem foi inteiros nos vemos,
vivendo histórias de pura magia
sem deixar de ser o que hoje somos
nas florestas densas que imaginamos,
esse lugar mágico onde se abrigam
o Gato das Botas, Peter- Pan e os Gnomos.
689
Angela Santos
Os Cinco Sentidos
Olho a nuvem
que lesta se move
em direcção a quê?…
de que me vale saber
se noutro lugar é já água
que sobre a terra árida que vive à espera
se derrama
Sinto o vento que passa
e os meus cabelos desgrenha.
De onde vem?
de que me serve a resposta
Se a penso não sentirei
o que como uma carícia
se roça em mim no momento
em que senti e não pensei
Conto as horas…
é isso o tempo?
como vê-lo aprisionado
e medi-lo passo a passo
num mecanismo fechado
Provo o fruto amadurado
e dos meus cinco sentidos
ensaio aquele que chega
pela via do palato
As mãos sentem e provam
os olhos falam e sentem
os ouvidos prendem e ecoam
memórias, lugares e sons
O olfacto lembra e desenha
uma cama, um corpo trémulo que suspira
que me leva a esquecer porquês
e no tempo me perder
lembrando outra vez o vento
quando era só uma carícia
Se esta é a vibração
que nos devolve ao que somos
é ela a justa medida
que em cada gesto pulsa,
e celebrando os sentidos
dá o próprio sentido à Vida
que lesta se move
em direcção a quê?…
de que me vale saber
se noutro lugar é já água
que sobre a terra árida que vive à espera
se derrama
Sinto o vento que passa
e os meus cabelos desgrenha.
De onde vem?
de que me serve a resposta
Se a penso não sentirei
o que como uma carícia
se roça em mim no momento
em que senti e não pensei
Conto as horas…
é isso o tempo?
como vê-lo aprisionado
e medi-lo passo a passo
num mecanismo fechado
Provo o fruto amadurado
e dos meus cinco sentidos
ensaio aquele que chega
pela via do palato
As mãos sentem e provam
os olhos falam e sentem
os ouvidos prendem e ecoam
memórias, lugares e sons
O olfacto lembra e desenha
uma cama, um corpo trémulo que suspira
que me leva a esquecer porquês
e no tempo me perder
lembrando outra vez o vento
quando era só uma carícia
Se esta é a vibração
que nos devolve ao que somos
é ela a justa medida
que em cada gesto pulsa,
e celebrando os sentidos
dá o próprio sentido à Vida
687
Angela Santos
Os Cinco Sentidos
Olho a nuvem
que lesta se move
em direcção a quê?…
de que me vale saber
se noutro lugar é já água
que sobre a terra árida que vive à espera
se derrama
Sinto o vento que passa
e os meus cabelos desgrenha.
De onde vem?
de que me serve a resposta
Se a penso não sentirei
o que como uma carícia
se roça em mim no momento
em que senti e não pensei
Conto as horas…
é isso o tempo?
como vê-lo aprisionado
e medi-lo passo a passo
num mecanismo fechado
Provo o fruto amadurado
e dos meus cinco sentidos
ensaio aquele que chega
pela via do palato
As mãos sentem e provam
os olhos falam e sentem
os ouvidos prendem e ecoam
memórias, lugares e sons
O olfacto lembra e desenha
uma cama, um corpo trémulo que suspira
que me leva a esquecer porquês
e no tempo me perder
lembrando outra vez o vento
quando era só uma carícia
Se esta é a vibração
que nos devolve ao que somos
é ela a justa medida
que em cada gesto pulsa,
e celebrando os sentidos
dá o próprio sentido à Vida
que lesta se move
em direcção a quê?…
de que me vale saber
se noutro lugar é já água
que sobre a terra árida que vive à espera
se derrama
Sinto o vento que passa
e os meus cabelos desgrenha.
De onde vem?
de que me serve a resposta
Se a penso não sentirei
o que como uma carícia
se roça em mim no momento
em que senti e não pensei
Conto as horas…
é isso o tempo?
como vê-lo aprisionado
e medi-lo passo a passo
num mecanismo fechado
Provo o fruto amadurado
e dos meus cinco sentidos
ensaio aquele que chega
pela via do palato
As mãos sentem e provam
os olhos falam e sentem
os ouvidos prendem e ecoam
memórias, lugares e sons
O olfacto lembra e desenha
uma cama, um corpo trémulo que suspira
que me leva a esquecer porquês
e no tempo me perder
lembrando outra vez o vento
quando era só uma carícia
Se esta é a vibração
que nos devolve ao que somos
é ela a justa medida
que em cada gesto pulsa,
e celebrando os sentidos
dá o próprio sentido à Vida
687
Angela Santos
Os Cinco Sentidos
Olho a nuvem
que lesta se move
em direcção a quê?…
de que me vale saber
se noutro lugar é já água
que sobre a terra árida que vive à espera
se derrama
Sinto o vento que passa
e os meus cabelos desgrenha.
De onde vem?
de que me serve a resposta
Se a penso não sentirei
o que como uma carícia
se roça em mim no momento
em que senti e não pensei
Conto as horas…
é isso o tempo?
como vê-lo aprisionado
e medi-lo passo a passo
num mecanismo fechado
Provo o fruto amadurado
e dos meus cinco sentidos
ensaio aquele que chega
pela via do palato
As mãos sentem e provam
os olhos falam e sentem
os ouvidos prendem e ecoam
memórias, lugares e sons
O olfacto lembra e desenha
uma cama, um corpo trémulo que suspira
que me leva a esquecer porquês
e no tempo me perder
lembrando outra vez o vento
quando era só uma carícia
Se esta é a vibração
que nos devolve ao que somos
é ela a justa medida
que em cada gesto pulsa,
e celebrando os sentidos
dá o próprio sentido à Vida
que lesta se move
em direcção a quê?…
de que me vale saber
se noutro lugar é já água
que sobre a terra árida que vive à espera
se derrama
Sinto o vento que passa
e os meus cabelos desgrenha.
De onde vem?
de que me serve a resposta
Se a penso não sentirei
o que como uma carícia
se roça em mim no momento
em que senti e não pensei
Conto as horas…
é isso o tempo?
como vê-lo aprisionado
e medi-lo passo a passo
num mecanismo fechado
Provo o fruto amadurado
e dos meus cinco sentidos
ensaio aquele que chega
pela via do palato
As mãos sentem e provam
os olhos falam e sentem
os ouvidos prendem e ecoam
memórias, lugares e sons
O olfacto lembra e desenha
uma cama, um corpo trémulo que suspira
que me leva a esquecer porquês
e no tempo me perder
lembrando outra vez o vento
quando era só uma carícia
Se esta é a vibração
que nos devolve ao que somos
é ela a justa medida
que em cada gesto pulsa,
e celebrando os sentidos
dá o próprio sentido à Vida
687
Angela Santos
Aparição
Se
existes em mim
e és voz que desvende
o que olhos e razão
não alcançam,
vem, despida de bruma
sem traições…
Se és caminho, quiçá o único,
no fim do qual eu possa rever
a coincidência de mim
no ser,
porque não vens mais vezes,
ainda que em esparsos signos,
iluminar o sentido?
existes em mim
e és voz que desvende
o que olhos e razão
não alcançam,
vem, despida de bruma
sem traições…
Se és caminho, quiçá o único,
no fim do qual eu possa rever
a coincidência de mim
no ser,
porque não vens mais vezes,
ainda que em esparsos signos,
iluminar o sentido?
1 076
Angela Santos
Aparição
Se
existes em mim
e és voz que desvende
o que olhos e razão
não alcançam,
vem, despida de bruma
sem traições…
Se és caminho, quiçá o único,
no fim do qual eu possa rever
a coincidência de mim
no ser,
porque não vens mais vezes,
ainda que em esparsos signos,
iluminar o sentido?
existes em mim
e és voz que desvende
o que olhos e razão
não alcançam,
vem, despida de bruma
sem traições…
Se és caminho, quiçá o único,
no fim do qual eu possa rever
a coincidência de mim
no ser,
porque não vens mais vezes,
ainda que em esparsos signos,
iluminar o sentido?
1 076
Angela Santos
Aparição
Se
existes em mim
e és voz que desvende
o que olhos e razão
não alcançam,
vem, despida de bruma
sem traições…
Se és caminho, quiçá o único,
no fim do qual eu possa rever
a coincidência de mim
no ser,
porque não vens mais vezes,
ainda que em esparsos signos,
iluminar o sentido?
existes em mim
e és voz que desvende
o que olhos e razão
não alcançam,
vem, despida de bruma
sem traições…
Se és caminho, quiçá o único,
no fim do qual eu possa rever
a coincidência de mim
no ser,
porque não vens mais vezes,
ainda que em esparsos signos,
iluminar o sentido?
1 076
Angela Santos
Signos
Emergem
em sobressalto do fundo,
onde quedos e adormecidos permanecem
subterrâneos seres
desnudos revelam-se à plena luz da poesia,
signos interpelando mudos
a chave nas palavras contida
olhos que em segredo incitam
ao gesto de abrir comportas à torrente do sentido
que se adivinha no rosto
sereno e impassível
das palavras que nos fitam.
em sobressalto do fundo,
onde quedos e adormecidos permanecem
subterrâneos seres
desnudos revelam-se à plena luz da poesia,
signos interpelando mudos
a chave nas palavras contida
olhos que em segredo incitam
ao gesto de abrir comportas à torrente do sentido
que se adivinha no rosto
sereno e impassível
das palavras que nos fitam.
1 111
Angela Santos
Hoje e Sempre
Hoje
É o perpetuo refluxo
do tempo e da vida
hoje e sempre
Hoje
trago a alma sedenta
os olhos famintos
hoje e sempre
Hoje
é o tempo de refazer e recusar
o que está feito e nos desfaz
hoje e sempre!
Hoje
é o tempo de dizer não
aos caminhos que o não são
hoje e sempre
Hoje
é o tempo da partida
do recomeço,
da descoberta
do golpe de asa
da porta aberta
de um passo mais
de nova ousadia
e outra e outra e outra
ainda.
É o perpetuo refluxo
do tempo e da vida
hoje e sempre
Hoje
trago a alma sedenta
os olhos famintos
hoje e sempre
Hoje
é o tempo de refazer e recusar
o que está feito e nos desfaz
hoje e sempre!
Hoje
é o tempo de dizer não
aos caminhos que o não são
hoje e sempre
Hoje
é o tempo da partida
do recomeço,
da descoberta
do golpe de asa
da porta aberta
de um passo mais
de nova ousadia
e outra e outra e outra
ainda.
624
Angela Santos
Hoje e Sempre
Hoje
É o perpetuo refluxo
do tempo e da vida
hoje e sempre
Hoje
trago a alma sedenta
os olhos famintos
hoje e sempre
Hoje
é o tempo de refazer e recusar
o que está feito e nos desfaz
hoje e sempre!
Hoje
é o tempo de dizer não
aos caminhos que o não são
hoje e sempre
Hoje
é o tempo da partida
do recomeço,
da descoberta
do golpe de asa
da porta aberta
de um passo mais
de nova ousadia
e outra e outra e outra
ainda.
É o perpetuo refluxo
do tempo e da vida
hoje e sempre
Hoje
trago a alma sedenta
os olhos famintos
hoje e sempre
Hoje
é o tempo de refazer e recusar
o que está feito e nos desfaz
hoje e sempre!
Hoje
é o tempo de dizer não
aos caminhos que o não são
hoje e sempre
Hoje
é o tempo da partida
do recomeço,
da descoberta
do golpe de asa
da porta aberta
de um passo mais
de nova ousadia
e outra e outra e outra
ainda.
624
Angela Santos
Reinvenção
Abrir-se
ao mundo
envolto nas palavras que calamos
percorrer caminhos,
antes recusados
Subir aos montes,
saborear o gosto da brisa
que quase uiva…
sobram dias de ruído
a confusão da Babel,
o vazio, o repetido
e a náusea permanente
de tudo ser sempre igual
Ah! pudesse eu regressar ali
onde tudo aconteceu
pela primeira vez…
pudesse eu entrar, lenta e docemente,
nas palavras ditas
que surgem à luz do primeiro brilho,
na génese do absoluto sentido.
Reinventar o vocabulário
como se rasga um caminho
a cada sílaba,
a cada nota,
a cada timbre,
E ante o inusitado pulsar
que nos assalta e acorda,
ver o novo onde o igual
ainda ontem surgia
naquele mesmo lugar.
Com as palavras, uma a uma,
refazer o mundo,
desvendar o centro de cada coisa que é
no instante urgente
em que o sentido grava,
indelevelmente
as marcas do ser.
ao mundo
envolto nas palavras que calamos
percorrer caminhos,
antes recusados
Subir aos montes,
saborear o gosto da brisa
que quase uiva…
sobram dias de ruído
a confusão da Babel,
o vazio, o repetido
e a náusea permanente
de tudo ser sempre igual
Ah! pudesse eu regressar ali
onde tudo aconteceu
pela primeira vez…
pudesse eu entrar, lenta e docemente,
nas palavras ditas
que surgem à luz do primeiro brilho,
na génese do absoluto sentido.
Reinventar o vocabulário
como se rasga um caminho
a cada sílaba,
a cada nota,
a cada timbre,
E ante o inusitado pulsar
que nos assalta e acorda,
ver o novo onde o igual
ainda ontem surgia
naquele mesmo lugar.
Com as palavras, uma a uma,
refazer o mundo,
desvendar o centro de cada coisa que é
no instante urgente
em que o sentido grava,
indelevelmente
as marcas do ser.
684
Angela Santos
Oikos
Oiço,
quedo-me serena
buscando decifrar as vozes
que emergem do fundo da terra
dos abismos do mar
O mistério …o obscuro
na transparência possível
vozes que emergem…
de onde?
Terra-mãe
mar, berço original
arvore sagrada verde serenidade
serena e erecta matriz do ser
na vertical.
quedo-me serena
buscando decifrar as vozes
que emergem do fundo da terra
dos abismos do mar
O mistério …o obscuro
na transparência possível
vozes que emergem…
de onde?
Terra-mãe
mar, berço original
arvore sagrada verde serenidade
serena e erecta matriz do ser
na vertical.
1 171
Angela Santos
Oikos
Oiço,
quedo-me serena
buscando decifrar as vozes
que emergem do fundo da terra
dos abismos do mar
O mistério …o obscuro
na transparência possível
vozes que emergem…
de onde?
Terra-mãe
mar, berço original
arvore sagrada verde serenidade
serena e erecta matriz do ser
na vertical.
quedo-me serena
buscando decifrar as vozes
que emergem do fundo da terra
dos abismos do mar
O mistério …o obscuro
na transparência possível
vozes que emergem…
de onde?
Terra-mãe
mar, berço original
arvore sagrada verde serenidade
serena e erecta matriz do ser
na vertical.
1 171
Angela Santos
Entrelinhas
Ali
naquele instante em que não paramos,
não vimos
que não há dias iguais
no seu aparente igual suceder
Um banco de jardim
um sol morno
a tarde que lenta cai,
rodopiando em correrias
uma criança, um cão
e lá longe a linha do horizonte
fundindo tons de azul
Aqui, fixando um sol laranja
dois amantes se entreolham
e tocam num gesto subtil,
seus dedos se enlaçam
e de repente o corpo respira desejo.
E enchem a vida
os quotidianos, vulgares, ínfimos sinais
passamos, e passamos adiante
sem decifrar na superfície do acontecer
que nada se repete,
que não há dias iguais.
naquele instante em que não paramos,
não vimos
que não há dias iguais
no seu aparente igual suceder
Um banco de jardim
um sol morno
a tarde que lenta cai,
rodopiando em correrias
uma criança, um cão
e lá longe a linha do horizonte
fundindo tons de azul
Aqui, fixando um sol laranja
dois amantes se entreolham
e tocam num gesto subtil,
seus dedos se enlaçam
e de repente o corpo respira desejo.
E enchem a vida
os quotidianos, vulgares, ínfimos sinais
passamos, e passamos adiante
sem decifrar na superfície do acontecer
que nada se repete,
que não há dias iguais.
1 043
Angela Santos
Existencialismo
Cerra
os ouvidos
às palavras dos profetas
segura nos olhos o horizonte
o tempo renova-se
e tu és senhor de ti
Esquece a promessa
nosso sonho perdido
a vida é irmã da morte
da angústia e desta sede
sem nome…
E contaram tantas lendas
pra amainar o desespero,
gritaram aos sete ventos
espalharam pelas cinco partidas
o milenar sonho perdido,
sonhado ser infinito..
Simples sopro é a vida…
e pode deixar de o ser!
os ouvidos
às palavras dos profetas
segura nos olhos o horizonte
o tempo renova-se
e tu és senhor de ti
Esquece a promessa
nosso sonho perdido
a vida é irmã da morte
da angústia e desta sede
sem nome…
E contaram tantas lendas
pra amainar o desespero,
gritaram aos sete ventos
espalharam pelas cinco partidas
o milenar sonho perdido,
sonhado ser infinito..
Simples sopro é a vida…
e pode deixar de o ser!
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Angela Santos
Existencialismo
Cerra
os ouvidos
às palavras dos profetas
segura nos olhos o horizonte
o tempo renova-se
e tu és senhor de ti
Esquece a promessa
nosso sonho perdido
a vida é irmã da morte
da angústia e desta sede
sem nome…
E contaram tantas lendas
pra amainar o desespero,
gritaram aos sete ventos
espalharam pelas cinco partidas
o milenar sonho perdido,
sonhado ser infinito..
Simples sopro é a vida…
e pode deixar de o ser!
os ouvidos
às palavras dos profetas
segura nos olhos o horizonte
o tempo renova-se
e tu és senhor de ti
Esquece a promessa
nosso sonho perdido
a vida é irmã da morte
da angústia e desta sede
sem nome…
E contaram tantas lendas
pra amainar o desespero,
gritaram aos sete ventos
espalharam pelas cinco partidas
o milenar sonho perdido,
sonhado ser infinito..
Simples sopro é a vida…
e pode deixar de o ser!
1 047
Angela Santos
Existencialismo
Cerra
os ouvidos
às palavras dos profetas
segura nos olhos o horizonte
o tempo renova-se
e tu és senhor de ti
Esquece a promessa
nosso sonho perdido
a vida é irmã da morte
da angústia e desta sede
sem nome…
E contaram tantas lendas
pra amainar o desespero,
gritaram aos sete ventos
espalharam pelas cinco partidas
o milenar sonho perdido,
sonhado ser infinito..
Simples sopro é a vida…
e pode deixar de o ser!
os ouvidos
às palavras dos profetas
segura nos olhos o horizonte
o tempo renova-se
e tu és senhor de ti
Esquece a promessa
nosso sonho perdido
a vida é irmã da morte
da angústia e desta sede
sem nome…
E contaram tantas lendas
pra amainar o desespero,
gritaram aos sete ventos
espalharam pelas cinco partidas
o milenar sonho perdido,
sonhado ser infinito..
Simples sopro é a vida…
e pode deixar de o ser!
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